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13.5.15

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Fraternidade segundo Koreeda!

 

Mais uma prova de que Hirokazu Koreeda é o herdeiro directo de Yasujiro Ozu, mesmo que tente em cada filme afastar-se do estilo formalizado e reconhecido. Umimachi Diary (Our Little Sister), baseado na manga de Akimi Yoshida que nos remete à história de três irmãs adultas que acolhem a desconhecida pequena meia-irmã, é um poço de delicadeza e sensibilidade que aborda as complexidades das relações afectuosas de um jeito desarmante na sua simplicidade.

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Tal como Ozu, o toque emocional é poderoso, conservando a força do último ato e preservando os valores familiares que tendem em ser invocados exaustivamente. Mas estes aspectos não são as únicas comparações com o mestre de Tokyo Monogatari (A Viagem a Tóquio), cujo seu legado fez escola no cinema nipónico, proliferando igualmente no resto do Mundo. Ocasionalmente, Koreeda expõe uma planificação seguindo algumas matrizes de Ozu, com os seus dignos saltos de eixo e a essência cénica, como por exemplo a importância das refeições no decorrer da trama, ou a presença do bar, assim como da cerveja, que conduz aos mais variados diálogos. Portanto, ver um filme de Koreeda é de certa maneira revisitar as memórias do artesão Ozu, embora as saudades pelo mesmo não sejam (felizmente) totalmente consumidas.

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Koreeda reserva a sua própria marca, enunciado o que aprendeu e que demonstra saber ao mesmo tempo que constrói personagens ricas, sensibilizando-as a nunca se desvanecerem nos registos formatados e nos lugares-comuns. A ênfase dramática pode ser um desafio para quem aposta em dramas familiares tensos e fortes, mas em Our Little Sister é o toque fraternal que nos faz amar este relato de amizade, compaixão e redenção, e sobretudo construção de novos laços. Depois, temos o quarteto de actrizes, tão belas como emocionantes, tão humanas como afáveis para com o espectador (destaque para Suzu Hirose).

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Dotado de uma poesia visual e de uma narrativa acolhedora, Hirokazu Koreeda tem aqui mais um importante trabalho da sua filmografia. Mas mesmo que belo e terno, é importante que um realizador como este consiga superar as comparações que tem sido alvo e aposte num estilo próprio, visto que no talento em manusear as emoções ele é um sábio!

 

Filme visualizado na 68ª edição do Festival de Cannes

 

Real.: Hirokazu Koreeda / Int.: Haruka Ayase, Masami Nagasawa, Kaho, Suzu Hirose

 

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Ver Outros Filmes de Hirokazu Koreeda

Like Father, Like Son (2013)

Still Walking (2008)

 

Ver Filmes de Yasujiro Ozu

Tokyo Monogatari (1953)

Higanbana (1958)

Sanma no Aji (1962)

 

7/10

publicado por Hugo Gomes às 18:37
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29.12.13

Entre o sangue e o afecto!

 

Desde Still Walking (2008) que não restam duvidas, Hirokazu Koreeda é o novo detentor do titulo "o mais japonês de todos os realizadores japoneses", o verdadeiro descendente da arte de Ozu. Um dos poucos capazes de transformar temas do quotidiano, enredos triviais sem força fílmica, em espectáculos cinematográficos de excelência, incutindo e preservando as relações entre as diferentes personagens, mantendo as suas ambições dramáticas. Contudo com Like Father, Like Son, a sua nova obra, o espectador assíduo do percurso artístico de Koreeda depara-se até ao momento com o seu filme mais ousado e sofisticado, sem com isso perder o seu toque como "amante" do mais caloroso dos sentimentos.

 

 

 

A ternura é algo que demora a sentir nesta nova criação, mas quando por fim é "solto" difícil mesmo é não ficarmos avassalados com tamanha percussão. Like Father, Like Son nos remete a um enredo que parece predilecto dos inúmeros ensaios "telenovelescos" e mediáticos; um casal da classe média alta que descobre que o filho de seis anos na verdade não é seu, mas sim fruto de uma troca na maternidade. O legitimo encontra-se aos cuidados de uma peculiar família de classe média baixa, o qual ambas as partes decidem exercer uma troca de forma a compensar os anos perdidos a criar o filho errado. Contudo esta decisão irá durante o percurso narrativo questionada pelos diversos dilemas, quer de legado ou simplesmente de amor.

 

 

Uma colisão entre classes sociais onde Hirokazu Koreeda "toca" mas não aprofunda, sendo que o seu cinema não erguido sobre panfletarismo nem intervenções a foro social, mas sim em emanar a emoção que parece algo perdida no cinema de hoje. Claramente, Like Father, Like Son é um profundo "must" na sua ênfase dramática, um jogo de emoções que cada espectador deliciará em ser manipulado, tudo isto num processo delicado, sensível e sim … modesto e humilde. Koreeda não seguiu o telefilme nem sequer novela, incutiu cinema de coração e manteve intacto o seu estilo já reconhecido.       

 

Real.: Hirokazu Koreeda / Int.: Masaharu Fukuyama, Machiko Ono, Yôko Maki

 

 

Ver Também

Still Walking (2008)

 

9/10

publicado por Hugo Gomes às 23:47
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24.12.09

Andando sobre a vida!

 

Se hoje em dia se discute muito a importância dos efeitos visuais numa fita e a dita manipulação informática, é  verdade que a irreverência parece pertencer a obras como este Still Walking de Hirokazu Koreeda. Obras, essas, que nos consegue de tal forma exprimir o que demais primitivo e sincero tem a 7º Arte. É uma visão "despida" de qualquer ligação com as tendências de "cinema moderno", e a invocação dos modelos mais tradicionais do legado cinematográfico japonês. Aliás como este Still Walking evidencia em todo o seu esplendor, um regresso aos fantasmas de Ozu, quando o quotidiano da classe média e os elos de família são mais do que qualquer outro espectáculo tecnológico.

 

 

Sem ter devida relevância enquanto estreia no nosso país (a culpa dos órgãos de comunicação sociais cada vez mais dependentes das grandes produções norte-americanas ou do mediatismo), Still Walking é uma das mais belíssimas peças de arte cinematográfica e é porém a mais simplista que alguma vez vira este ano. Hirokazu Koreeda transporta-nos para uma ocorrência de 24 horas em que uma família, separada pelo espaço e pelo tempo, se reúne. durante esse convívio são exibidos os segredos, as maldições, as angústias e a tragédia que ainda reside no fantasma do ente “querido” perdido.

 

 

Sem qualquer auxilio à manipulação visual e marcada por uma tocante e delicada banda sonora de Gonchichi, Still Walking poderá servir para a nossa população como um estudo e comparações de costumes, o que de muito diferente e igual tem o quotidiano nipónico com a nossa tradição portuguesa, a começar pelo respeito do membro mais velho da família, que por exemplo e curiosamente para os orientais é o único que não pode ser contrariado e literalmente “perdoado” dos comentários que lança (algo perdido na civilização ocidental). Porém a esperança numa vida para além da morte é uma das similaridades que apresenta ambas culturas. O retrato familiar ainda nos descreve um realismo que só Koreeda consegue filmar, os diálogos estão entre o mais surreal e o partilhado, marcando também pela diferença do nipónico face por exemplo aos norte-americanos (os filmes que abundam nas nossas salas). No final ainda temos espaço para reflectir sobre a vida e morte, como também o que se encontra no meio de ambas – o legado - um pouco daquilo que o também belíssimo L' Heure d'Été de Olivier Assayas representou no inicio do ano.

 

 

Still Walking é assim, calmo, sereno, belo, delicado e simplista, fazendo dele, uma das curiosas e obrigatórias obras do ano. E tal como os nipónicos mais tradicionais, para vê-lo é preciso paciência e dedicação, só assim se consegue explorar as belezas dos frames e interagir com uma família que podia muito bem ser a nossa. O espírito de Yasujiro Ozu é homenageado da forma mais poética possível!

 

Real.: Hirokazu Koreeda / Int.: Hiroshi Abe, Yui Natsukawa, You, Kazuya Takashashi, Shohei Tanaka

 

 

A não perder – quando os efeitos especiais não são precisos para encher o olho.

 

O melhor – a delicadeza de Hirokazu

O pior – como sempre, ignorado pelas distribuidoras

 

Recomendações – L’Heure d’Été (2008), Elizabethtown (2005), Tetro (2009)

 

10/10

publicado por Hugo Gomes às 00:17
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8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
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1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
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