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14.10.17

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O realizador francês Arnaud Desplechin, cujo o seu recente Les Fantômes d'Ismaël [ler crítica] estreou esta semana nos cinemas portugueses, revelou ao site C7nema pormenores acerca do próximo filme, que segundo o próprio, terminara o primeiro rascunho do argumento.

 

Ainda sem título, o realizador de Rois et Reine e Trois souvenirs de ma Jeunesse revelou que com esta sua futura obra entrará “em território desconhecido” da sua carreira. “Uma produção singular que bravamente entra num universo hitchcockiano”. Tendo como inspiração “um artigo de jornal. Um homicídio, para ser mais exato.”, Desplechin falou-nos que apenas interessa “focar nos factos … somente nos factos.” O filme “será um objeto completamente seco, despido do lado ficcional, mas ao mesmo devedor do estilo imposto por um The Wrong Man, de Hitchcock.”, chegando mesmo a comparar “com o livro In Cold Blood (A Sangue Frio), de Truman Capote, apenas a narração do real, do facto, não havendo espaço para imaginação e pelo suposto.”

 

Quanto a mais pormenores, Desplechin retratará “a condição da mulher nos dias de hoje”, esperando com isso “uma atmosfera bem sociopolítica, nada parecido do que fizera anteriormente.”

 

O realizador espera começar a filmá-lo já neste Inverno.

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:39
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8.10.17

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Os filhos desconhecidos!

 

Philippe Lioret abandona por momentos a sua veia mais intimista e social para folhear as páginas do romance de Jean-Paul DuboisSi ce livre pouvait me rapprocher de toi, de forma a conceber este Le Fils de Jean, uma decepcionante busca pelos nossos antepassados. Tendo como protagonista Pierre Deladonchamps (que os mais atentos cinéfilos o recordarão do L'Inconnu du Lac [O Desconhecido do Lago], de Alan Guiraudie), a intriga leva-nos ao parisiense Mathieu, que recebe, certo dia, uma chamada do Canadá com a informação de que o seu pai morreu. Até aqui, o nosso protagonista desconhecia por completo do paradeiro paternal, sendo que, sem grandes hesitações, viaja para o outro continente de forma a conhecer as suas próprias raízes. O que encontra lá é um ambiente puramente hostil no qual não pretende participar.

 

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De histórias fúnebres com revelações “bombásticas” o Cinema parece andar farto, porém, Le Fils de Jean tende em evitar esse amontoado de clichés de primeira vista, apostando na passividade e subtileza do seu enredo identitário que por vezes confunde-se com a natureza do protagonista. Diremos mesmo que para contornar esses lugares-comuns, o filme ruma para outra dependência, a dos atores, mais concretamente na química apresentada entre Deladonchamps e o veterano Gabriel Arcand. Lioret apercebe-se da força motivada pelos desempenhos simbióticos para com o cenário em plena transgressão e nele concentra todos os holofotes, sem perceber que com isso descarta a “graciosidade” do seu cinema, a urgência da actualidade com a emotividade despertada nos olhares que culminara sucesso em Welcome.

 

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Simplesmente discreto, Le Fils de Jean pode não ser a rotineira telenovela, mas não possui a capacidade nem versatilidade para se revelar num "must see" da temporada. Nesta, assim como num futuro próximo. Sim, estamos desapontados.

 

Filme visualizado na 18ª Festa do Cinema Francês

 

Real.: Philippe Lioret / Int.: Pierre Deladonchamps, Gabriel Arcand, Catherine de Léan

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 23:29
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17.5.17

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Os fantasmas que nos perseguem, e os "autores" também.

 

Para Arnaud Desplechin, em algumas das suas notas de recomendação, Ismael's Ghosts é um ensaio fílmico sob o olhar atento à natureza do pintor Jackson Pollocknuances e teores todos eles divergentes que se fundem, dando lugar a um só organismo, complexo, mas um só. Infelizmente, o que o realizador diz não se escreve, porque este seu novo filme, que tem a honra de abrir a 70ª edição do Festival de Cannes, é uma quimera defeituosa.

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Uma obra que não faz jus ao seu criador e que conduz o espectador a um espelho deformado que distorce todo o elo narrativo da fita. Saímos com a sensação de termos assistidos a 5 filmes diferentes, passando pelo policial com leves "piscadelas" a Le Carré, ao romance parisiense, e até ao humor involuntariamente burlesco. Infelizmente, Desplechin não desenvolve uma coluna vertebral consistente, nem sequer tenta transvestir a palete de cores, pois nenhum dos tons se mistura verdadeiramente. O que este se dispõe é, através dos mais variados lugares-comuns, a apresentar um elenco francês all-star, onde nenhum deles verdadeiramente entrega, para além dos seus reconhecidíssimos egos, um filme que não esteja em pleno estado de malabarismo, não seja pretensioso e igualmente despersonalizado.

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Pollock tinha personalidade, aliás, tal talento é reconhecido nas suas mais variadas pinturas expressionistas, e em todo o caso era um artista em constante face de superação. Desplechin não. Ele é um burguês que explicita cinema burguês sem nada de novo para embicar com o vento. Do mesmo jeito que usufrui das transposições para trazer um artificialismo visual (talvez o melhor que o filme tem para oferecer), ou da oportunidade que tem para citar Bob Dylan e o seu It Ain't me baby. Bem, como alguém já dizia ... peças separadas, sem conexão, nem infusão. Será este o pior filme de Desplechin?

 

Filme de abertura do 70º Festival de Cannes

 

Real.: Arnaud Desplechin / Int.: Mathieu Amalric, Marion Cotillard, Charlotte Gainsbourg, Louis Garrel, Alba Rohrwacher

 

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3/10

publicado por Hugo Gomes às 16:05
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3.11.16

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As atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial geram, por si, mil e umas histórias de horrores, intrigas passadas que poderão reflectir no nosso presente e futuro. Anne Fontaine, uma das mais populares realizadoras francesas, falou-nos do seu mais recente olhar a esse período de medo, em particular a uma história que envolve freiras, violações e tropas invasoras, um episódio ocorrido em pleno século XX, que mais parece ter saído das Idade das Trevas. A realizadora de êxitos como Coco Avant Chanel e o Mon Pire Cauchemar conversou com o Cinematograficamente Falando … sobre os ecos desta história passada no presente que vivemos, sobre a sua carreira e o gosto de filmar sem desfecho à vista.

 

Como descobriu ou donde surgiu esta história?

É uma história baseada em factos reais, sobre uma médica francesa que no seu diário relatou a situação vivida por estas freiras polacas, restringidas ao seu convento, grávidas, frutos de violações por parte das tropas soviéticas. Esta mesma história chegou a mim através de alguns produtores franceses que encontraram-na e pensaram logo em mim para transcrevê-la para o grande ecrã. Depois de ter aceitado, arranquei numa investigação histórica, aprofundei o tema desta história, uma aventura humana forte, intensa, sobre a fé, da esperança e da maternidade. Temas complexos que me fizeram crer estar capaz de transformá-lo num filme dramaticamente forte e emocional.

 

Encontramos em Les Innocentes, um breve resumo às "agressões" vividas pela Polónia durante a Segunda Guerra Mundial, visto que foi dos países mais fustigados desse período?

A Polónia foi completamente invadida e devastada durante a Guerra. Foi um país esquecido, este episódio de violações com freiras aconteceu em mais do que uma região na Polónia, muitas delas sucederam durante as invasões alemãs, e aí, muitas foram mortas. Foram ocorrências que muita da nova geração polaca não acreditava que tenha acontecido, e alarmantemente não há muito tempo. Este tipo de situações ainda hoje acontece, graças ao fanatismo que se vive em muitos países, muitos deles vivendo as suas próprias guerras. As violações são ainda consideradas uma arma de guerra muito usado nestes mesmos países.

 

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Ou seja realizou esta história a pensar na actualidade?

De que maneira podemos comportar, falar, se acreditamos em Deus ou não. Como se pode fazer uma acção comuna numa situação de "bullying" como esta? Quando fui ao Vaticano, mostrar o filme, uma pessoa muito próxima do Papa dirigiu a mim considerando que este era um filme aterrador para a Igreja. Ver este tipo de situações, que aconteceram, no ecrã e ter o conhecimento de que este tipo de violência encontra-se presente nos nossos dias. Mais de milhares de monges e freiras estavam em choque, não só porque o filme fala deles, obviamente, mas por esta ocorrência ter marcado espaço na Polónia e ainda hoje existir em diferentes regiões. Eles estavam a chorar no final do visionamento.

 

Mas apesar disso, este é um filme que de certa forma rebela contra as estruturas hierárquicas religiosas.

Foi a transgressão de uma Ordem que permitiu a ajuda neste filme, sim. Num convento como aquele, não se poderia fazer algo sem primeiro consultar a Madre Superior. Felizmente, esta freira sob esta arriscada decisão vai mudar o destino das outras devotas através de um acto de desobediência. Les Innocentes é também um filme sobre a transgressão positiva, ao viver ou deparar com situações como esta, deve-se sobretudo desobedecer, e agir da forma humanamente mais correcta.

 

Tendo em conta que a Festa do Cinema Francês dedicou-lhe este ano uma retrospetiva da sua carreira, tal evento não a faz pensar sobre a sua obra e vida profissional?

Sinceramente, não penso nada em relação a retrospectivas. Neste momento, só me interessa o meu novo filme. Até porque, estava a terminar há uma semana atrás o meu mais recente filme, o qual estava a rodar aqui, em Portugal. Por isso, não tenho a tendência em pensar muito na minha carreira. Também tive uma retrospectiva da minha obra no Vietname, o que foi estranho para mim, porque na altura era a única mulher realizadora naquele país. Agora, uma retrospectiva em Portugal … é engraçado, mas não sei o que quer dizer!

 

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Eu trabalho com a fragilidade, apesar da minha experiência, não trabalho pelo seguro. Procuro constantemente novas histórias, novos temas com que possa transportá-los para o grande ecrã. Muitos vem ter comigo e confrontam-me "mas tu já tens mais de 15 filmes e em tão pouco tempo". Para fazer um filme, como deve calcular, ocupa muito tempo. Por isso, para mim, se o significado destas retrospectivas é dizerem-me que tenho que pensar, ou repensar, na minha carreira, simplesmente não acredito. Eu não funciono assim, nem é isso que sinto.

 

Começou a sua carreira como actriz, mas afinal donde surgiu essa paixão de "passar" para o outro lado da câmara? Ser a realizadora que é hoje?

Não fui uma boa actriz, por isso não fiquei muito tempo nas actuações (risos). Julgo que é a experiência de viver através da mente de outra pessoa, da face de outra pessoa, sentimentos que não podemos expressar nós próprios. É aproveitar a nossa imaginação, mais do que na vida real, que por vezes não é tão intensa assim. A realização é como tentar capturar e trabalhar a alma humana, o mistério dos Homens, o que escondem, o que está por detrás. É algo interessante e antropológico também, trabalhar com as complexidades humanas no grande ecrã. Estas mesmas não "vivem" num papel, por isso cabe a nós, realizadores, dar-lhes vida. São estes os motivos que me fazem ligar a esta, o qual não considero um mero trabalho, mas sim, maneira de viver.

 

A sua carreira é variada em filmes e géneros. Como é que escolhe o próximo género a trabalhar?

Sou instintiva, eu faço um filme contra o meu anterior, ou seja, passo para um verdadeiramente negro e depois vou trabalhar num filme mais "light". Obviamente, que escolho cuidadosamente os meus filmes, tento comprometer-me a uma ambiguidade sexual de pessoas que estão perante situações ou sentimentos que não conseguem controlar. O que gosto mesmo é de nunca fazer o mesmo filme ou estilo que já tivesse experimentado. Gosto de descobrir diferentes formas de como fazer um filme. Quando vemos o Coco Chanel ou Two Mothers, apercebemos de interligações entre as obras, estão todos conectados, principalmente na maneira como eu trato as personagens. Mas claro, Les Innocentes é uma obra bastante distante de Two Mothers, por exemplo, mas são todas histórias acerca de mulheres.

 

Em relação a esse novo filme que terminou de rodar em Portugal. O que pode dizer sobre ele?

O meu novo filme intitula-se de Marvin, uma semi-biografia que acompanhará um pequeno rapaz dos seus 12 aos 24, oriunda de uma família xenófoba e racista, que reinventa a sua vida de forma radical. A história deste rapaz, uma personagem moderna, termina em Portugal (risos).

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:15
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13.10.16

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Apesar daquilo que muitos julgam, Eric Cantona não é novo na área da interpretação. O anterior jogador do Manchester United já contracenou com Cate Blanchett e Vincent Cassel no épico Elizabeth, em 1998, assim como já foi dirigido por Ken Loach em Looking for Eric, onze anos depois. Agora, interpretando Antoine, um sensível escritor em busca da sua inspiração, nesta comédia de "naufrágios humanos", Cantona confirma a sua aptidão para a arte do desempenho, algo, que o próprio garantiu, sempre o havia fascinado.

 

Cinematograficamente Falando … falou com o ex-jogador, como também com Sébastien Betbeder, o jovem realizador que o dirige em Marie et Les Naufrages, um comédia dramática onde um bando personagens sem nada a perder, decidem reencontrar-se a si próprios numa ilha remota. Um filme apresentado na 17ª Festa do Cinema Francês

 

Como é que surgiu a ideia deste projecto?

 

Sébastien Betbeder: Quando escrevi o projecto tinha um "mundo de ideias" e, simplesmente, não queria recusar qualquer uma. Criei um argumento extremamente longo, que continha 250 páginas e muito barroco. Foi então que senti a necessidade de reescrever e substituir por outras palavras mais densas no filme. Quis fazer algo extremamente literário.

 

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Vi muitos detalhes e passei muito tempo a regressar à história principal. Queria um filme acolhedor, convidativo. Era essa a ideia inicial. Depois disso, queria fazer uma história de amor e de aventura, extremamente moderno, que falasse da época que se vive em França e da geração de jovens que resistem pela prática artística, em particular. Música, literatura, a cultura em geral.

 

No seu filme temos uma selecção de personagens que procuram algo que sentem falta e estão ligados por essa sensação de vazio. Como construiu as suas personagens?

 

SB: Sim, podemos falar desse vazio. Lidamos com personagens que chegaram à plenitude das suas existências e cada um procura soluções para viver melhor e, com efeito, o amor é uma delas neste conjunto masculino. Porém, não interpretam tudo da mesma maneira. A personagem do Siméon, muito apaixonada, está, com efeito, numa jornada em busca do seu propósito na vida, enquanto que a de Antoine é bastante diferente, tem qualquer coisa de muito forte, mentalmente. É hipersensível às "ondas" (visto que a dada altura não pode estar perto de telemóveis), revê o seu coração nelas e crê no romance.

 

Os media norte-americanos descrevem-no como a coisa mais próxima de Sundance em França. É essa a sua influência, o cinema indie norte-americano?

 

SB: Eu sei que é um pouco pejorativo dizer isto, mas venho de um cinema influenciado pela Nova Vaga, particularmente de um cineasta bastante importante para mim que é o Alan Resnais, com aquela vontade de fabricar cada filme em Paris.

 

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Mas também sou influenciado por autores norte-americanos, principalmente pelo género mumblecore, porque têm a capacidade de dizer coisas muito sérias sobre o mundo através da comédia e da fragilidade de sujeito, particularmente os jovens, que são um pouco frágeis como os deste filme. Nesse sentido, as principais influências é o cinema de Noah Baumbach, o dos irmãos Duplass e até mesmo as comédias de Judd Apatow e Wes Anderson.

 

E como foi trabalhar com o Cantona?

 

SB: No princípio, a personagem de Antoine era muito jovem, com a idade de Siméon [interpretado por Pierre Rochefort, filho do veterano actor Jean Rochefort] e eu procurava um actor capaz de suster, até ao final do filme, algo entre uma emoção à flor da pele e a comédia. Fiz um casting, mas não encontrei ninguém à altura. Então repensei na personagem, falei com o Eric e ele mostrou-me no plateau que conseguia trazer esse traço particular, que era ir do riso a algo mais emocional e melancólico. Após ver o filme e estar em entrevistas com o Eric, creio que ele é um actor que deu à personagem aquilo que eu tinha esboçado. E é evidente que percebeu o argumento.

 

(Para o Eric) Como veio a ideia de se tornar actor?

 

Sempre o fiz. Sempre fui apaixonado pela profissão, mas também pelo futebol. Comecei no futebol, mas sempre soube que um dia poderia interpretar com outros atores, fosse no teatro ou por detrás das câmaras. Onde? Não importa. E hoje é assim, o passado decidiu. Esperei, fiz outras coisas, mas quando estamos apaixonados por algo e temos a possibilidade de fazê-lo, não é um trabalho como os outros, é amor.

 

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Como descreve a sua personagem?

 

Éric Cantona: Sensível, um escritor que adapta a realidade para credibilizar a história, captando cada situação. Ele é hipersensível às "ondas", mas as "ondas" são o amor. E creio que acaba por funcionar no sentido metafórico.

 

Já fez dois filmes como realizador. Planeia fazer mais?

 

EC: São tudo formas de expressão. Fiz um documentário e uma curta-metragem. Escolho a história, os atores, a luz, os cenários, o guarda-roupa. Sou apegado à estética, mas também à profundidade, ao sentimento. Mas ainda não tenho mais nenhum filme na cabeça.

 

Vive agora em Lisboa. Espera aparecer em filmes portugueses?

 

EC: (Risos) Sim, eu gostava. Eu tenho fama como actor. Mas não só em cinema, também em teatro. Estou agora num filme croata. Em Portugal, preferia aprender português e fazer teatro. Assim seria mais excitante.

 

E quanto a projectos novos?

 

SB: Vem aí uma nova longa-metragem que se passa na França e uma curta que decorre num apartamento em Itália.

 

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*especial agradecimento a Duarte Mata, do site C7nema, pela tradução

 

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publicado por Hugo Gomes às 12:48
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11.10.16

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A inocência está à flor-da-pele!

 

Este é o mais belo dos filmes de Anne Fontaine. Beleza essa, salientada pela fotografia de Caroline Champetier, que conjunta o brilho reluzente da neve caída com a escuridão opressiva resida nos obscuros compartimentos do convento onde esta acção decorre quase integralmente. Freiras violadas, deixadas à sua mercê com o fruto dessa agressão sexual no ventre, uma história passada nos ecos da Segunda Guerra Mundial, com o avanço soviético na Europa como percalço.

 

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Fontaine atribui neste drama histórico, nuances quanto à integridade feminina, passando por uma análise político-social de uma Polónia fustigada pela Guerra. Todo o ambiente de opressão, medo e ignorância vivido neste convento isolado, funciona como alusão dos medos interiores de uma Europa sob temor de eventuais "invasões". Sob o retrato passado, Fontaine abrevia o futuro, assim como a posição da mulher, a sua vulnerabilidade perante um ambiente hostil.

 

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Lou de Laâge (vista no fenomenal L'Attesa) e Agata Buzek revelam-se no ying-yang destes mundo em plena transformação ideológica, as suas posições de combate às tradições enraizadas no medo de outros tempos, esse receio pela Mão Divina de Deus que parte em castigos severos perante as obscenidades corporais, essa violação da "sagrada" virgindade, descrito nos seus livros sagrados. E quem não é mais adequada para personificar essa Ordem, esses Mandamentos prescritos, do que Agata Kulesza (Ida), a desempenhar uma intolerante Madre Superiora?

 

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Em todo o tempo que nos compele, Agnus Dei - As Inocentes nunca faz jus às complexidades das temáticas político-sociais que extrai, e tendo como especial cuidado o território religioso. Trata-se daqueles filmes emoldurados com técnica e experiência, e sustentados por desempenhos sólidos por parte do seu elenco. Já agora, vale a pena salientar o papel mais sério do actor Vincent Macaigne, para mostrar que o homem serve muito mais do que preencher o estereótipo de "loser" quarentão, que muita comédia francesa recorre. Resumindo e concluindo, eis o melhor filme da carreira de Anne Fontaine.   

 

Filme visualizado na 17ª Festa do Cinema Francês

 

Real.: Anne Fontaine / Int.: Lou de Laâge, Agata Buzek, Agata Kulesza, Vincent Macaigne

 

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7/10

publicado por Hugo Gomes às 23:48
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6.10.16

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A amizade entre o pintor impressionista Paul Cézanne e o escritor naturalista Émile Zola abre a 17ª Festa do Cinema Francês, que se prolongará até dia 13 de Novembro, percorrendo mais de onze cidades portuguesas. A edição de Lisboa decorre até dia 16 de Outubro, no Cinema São Jorge, Cinema Ideal e Cinemateca-Lisboa Museu do Cinema.

 

O filme de abertura, Cézanne et Moi, com estreia absoluta no nosso país, revela-nos a história por detrás da amizade entre dois vanguardistas artistas do seu tempo, mas cujos destinos diferenciaram. A nova longa-metragem de Daniéle Thompson (argumentista de La Reine Margot) é o "pontapé de arranque" para uma celebrizada festa falada em francês.

 

Este ano contaremos com a retrospectiva a Anne Fontaine, a "madrinha" desta edição, um ciclo ACID (Association du Cinéma Indépendant pour sa Diffusion) e ainda sessões dedicadas ao ex-crítico e realizador, Bertrand Tavernier, na Cinemateca-Portuguesa Museu do Cinema.

 

Para mais informações sobre a 17ª Festa do Cinema Francês, ver aqui.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:00
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20.9.16

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O famoso futebolista e também actor Eric Cantona vai estar presente em Lisboa durante o mês Outubro, e não será o único convidado da 17ª Festa do Cinema Francês, mais uma edição da iniciativa levada a cabo pelo Institut Français.

 

A decorrer entre 6 a 13 de Novembro, fazendo digressão por mais de 11 cidades portuguesas, a mostra de cinema francês trará a realizadora Anne Fontaine, e não só, a autora de Coco Avant Chanel e Perfect Mothers será a Madrinha desta edição. Uma retrospectiva será dedicada à sua homenagem, assim como a estreia nacional do seu mais recente filme, As Inocentes (Agnus Dei), que nos leva a uma missão da Cruz Vermelha  em apoio aos sobreviventes da Segunda Guerra Mundial, tendo como cenário um convento de freiras.

 

Quanto às antes-estreias nacionais, a 17ª Festa do Cinema Francês leva-nos aos encontro de Cézanne et Moi, a obra de Daniéle Thompson (também presente) sobre a relação de amizade entre o pintor Paul Cézanne e o escritor Emile Zola, e do novo filme de Xavier Dolan, Juste La Fin Du Monde (Tão Só o Fim do Mundo), uma adaptação de uma peça de Jean-Luc Largarde, possuidor de um elenco de luxo composto por Gaspard Ulliel, Léa Seydoux, Marion Cottilard e Vincent Cassel.

 

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Mas o grande destaque desta edição é o ciclo ACID, sessões dedicadas à Association du Cinéma Indépendant pour sa Diffusion, que decorre todos os anos em paralelo com o Festival de Cannes, tendo como principal intuito de divulgar cinema independente assim como novos autores e novas linguagens cinematográficas. É de relembrar que esta associação foi responsável pelas proliferações de realizadores como a portuguesa Teresa Villaverde, o russo Alexander Sukourov e os franceses Benôit Jacquot, Jean-Claude Brisseau e Laurent Cantet. Serão seis filmes apresentados em sessões com realizadores presentes e ainda em anexo masterclasses diversas.

 

Em paralelo com a festa do que recente se faz no cinema francês é o constante olhar à sua História. A Cinemateca-Portuguesa Museu do Cinema continuará a sua colaboração com o festival e este ano será dedicado a Bertrand Tavernier, ex-crítico e realizador, cujo programa não será uma retrospectiva do seu trabalho, mas sim um ciclo sobre os filmes que para o autor resumiram a História do Cinema Francês. Tudo como festejo da estreia de Uma Viagem pelo Cinema Francês com Bertrand Tavernier, um documentário da sua autoria que terá estreia portuguesa com o apoio da Midas Filmes.

 

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Por fim, surge-nos a animação com as grandes novidades, as estreias de Tout En Haut Du Mond, de Remi Chayé, e do muito elogiado La Tortue Rouge (The Red Turtle), de Michael Dudok de Wit, um filme com a colaboração dos estúdios Ghibli.

 

Quanto ao leitor, que deve questionar, onde entra Eric Cantona nisto tudo. Bem, ele é só um dos protagonista de Marie Et Les Naufragés, o novo filme de Sébastien Betbeder (2 Automnes, 3 Hivers), que terá estreia nacional nesta Festa puramente "gaulesa".

 

A 17ª Festa do Cinema Francês decorrerá entre 6 a 16 de Outubro, em Lisboa, no Cinema São Jorge, Cinema Ideal e Cinemateca-Portuguesa. A programação prolongará por outras cidades do país até dia 13 de Novembro.

 

Ver aqui a programação completa e outras informações sobre o festival.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:36
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20.5.16

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Being Xavier Dolan!

 

A difícil arte de ser Xavier Dolan, as complicações geradas por ser aclamado em tenros anos e consecutivamente ao longo da sua, até então, imaculada carreira. Se por um lado, ouvimos constantemente citações de historiadores e outros especialistas cinematográficos de que um "autor, até a obra mais fraca é melhor que tantas de outros realizadores", por outro, através de reflexões sobre o sentimento vivido por este Juste La Fin du Monde, um outro conselho surge ao meu alcance: "quando se gosta de um autor, somos os primeiros a admitir que ele errou".

 

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Porém, antes de começarem com as "pedradas", questiono o seguinte, será correcto considerar o ainda jovem franco-canadiano Xavier Dolan, num autor cinematográfico? Porque não!? Contudo, não é esta a derradeira questão aqui envolvida, aliás, muitos esperam que o nosso "cineastazito" prove de uma vez por todos que é digno desse título (sendo que em Mommy já havia provado que as aclamações precoces não foram um erro). Mas em Juste la Fin du Monde, a recente obra que ganhou mediatismo com os "surpreendentes" apupos na sessão de imprensa de Cannes, existe um claro tom de "auto-estima elevada". Talvez tenha sido esta sensação de "triunfo antes do sabor" que causou o maior choque entre o então adorado Xavier Dolan e os críticos que apelidavam o seu novo trabalho como "desastre artístico".

 

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Adaptação de uma peça teatral de Jean-Luc Lagarde, Juste La Fin du Monde beneficia de um ambiente caótico de procrastinação, enquanto a intriga começa a ganhar forma, desenvolvendo para lado nenhum, dando a sensação de impotência e clara frustração ao espectador. Esta é a história de um escritor homossexual que vai encontro da sua família para anunciar a sua breve morte, visto que é um seropositivo de HIV. A respectiva família, que desconhecia o seu paradeiro e o estilo de vida levado a cabo pelo seu ente querido, tenta o receber da melhor forma possível, mas os assuntos inacabados, que o nosso protagonista deixou para trás, o confrontam.

 

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Sim, Xavier Dolan acerta na "mouche" quanto ao teor a ser invocado neste drama de complexidades familiares, mas o que não anteviu é que por vezes o cinema tem que desligar do palco teatral para assumir a sua vida emancipada. Resultado isso, evidentemente, é um esforço descomunal na caracterização dos seguintes personagens, inseridos num rótulo de morte anunciada, a outra é os desempenhos, prometedores mas "fogo de vista" face a uma claustrofobia descontrolada deste enredo de manutenção de relações afectivas.

 

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Existem demasiadas pontas soltas aqui, obviamente que Dolan não irá resolver tendo em conta o respeito pela obra original, mas falta de extensão, do alinhamento, e da renegação com a artificialidade constrangedora com que tenta transformar drama de 2ª Arte para Sétima Arte, o leva para "becos sem saída" de criatividade intrínseca. Ao menos assumisse tudo como "teatro filmado" como Manoel de Oliveira sempre o fizera. Assim sendo, as personagens parecem "morrer" demasiado cedo, as actuações não se vingam perante tal voluntária barafunda (mesmo que Vincent Cassel, Gaspard Ulliel e Marion Cottilard mereçam destaque) e a técnica (fotografia, por exemplo) entra em conflito com o trabalho de escrita e de coordenação.

 

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E assim chegamos a outra questão, será a obra merecida de a sua devida reavaliação, a revisão por novas audiências? Não nego, cheira-me a filme a ser valorizado daqui a uns valentes anos, mas também não é com esta "fruta podre" do cesto que nos vai fazer desligar do potencial de Dolan. Por isso, que venha esse The Death and Life of John F. Donovan, porque está provado que o fim do mundo não é matéria para o nosso realizador.

 

Filme visualizado no 69ª Festival de Cannes

 

Real.: Xavier Dolan / Int.: Gaspard Ulliel, Lea Seydoux, Nathalie Baye, Vincent Cassel, Marion Cotillard

 

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Tom à la Ferme (2013)

Les Amours Imaginaires (2010)

 

5/10

publicado por Hugo Gomes às 17:30
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16.10.15
16.10.15

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Sociedade sob pressão!

 

A insegurança é um sentimento cada vez mais experienciado na sociedade moderna, não somente anexada ao medo da saúde física como também a mental. São variadas e exaustivas as aquisições de responsabilidades com os encargos que essas comunidades contemporâneas nos tentam incutir, entre eles o trabalho como "modus" fundamental para a nossa existência, o amor como uma imperativa cumplicidade e o estatuto social, servindo como propósitos já formatados para qualquer individuo cumprir. E em caso de não cumprimento desses tais requisitos, a marginalidade social torna-se assim o seu lugar.

 

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Porém, a personagem principal deste Qui Vive (sob o titulo internacional de Insecure), tem tanto de marginal como de bom cidadão na referida modelização social. Assim deparamos com Chérif (Reda Kateb), um ente na casa dos trinta, ainda residido na casa dos pais, que tenta consolidar os seus estudos de enfermagem com o seu trabalho como segurança. Enquanto isso, o nosso protagonista inicia uma relação com uma jovem educadora (uma desperdiçada Adèle Exarchopoulos), é constantemente seduzido a regressar ao "mundo do crime" e perturbado por um bando de jovens.

 

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A primeira longa-metragem de Marianne Tardieu apresenta-nos o protagonista como uma figura rodeada por todo o tipo de conflitos, felizmente fugindo do habitual arquétipo de "loser", o qual o cinema norte-americano tanto adora e cada vez requisita. Assim, Reda Kateb faz os possíveis para que o espectador consiga simpatizar com a sua personagem, chegando a consolidar com estes em derivação das situações vividas e retratadas, persistentemente invocadas de uma austeridade social bem actual. Mas apesar de soar denso, o universo de Chérif é para todos os efeitos povoado por personagens descartáveis sem qualquer tipo de espessura e a narrativa demasiado esquemática "enviusada" por um realismo formalista sem dimensão, torna este Qui Vive num retrato falhado, onde o carisma é prometido, mas não cumprido.

 

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A ambiguidade, apesar de preservada, nunca nos leva a lugares insólitos nem emergentes, apenas para os mesmos cantos e recantos. Tudo acaba por se tornar num intenso déjà vu, ilusório e alusivo. Tal como a nossa sociedade, Qui Vive é um filme sobretudo inseguro.

 

Filme visualizado no âmbito da 16ª Festa do Cinema Francês

 

Real.: Marianne Tardieu / Int.: Reda Kateb, Rashid Debbouze

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 22:24
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14.10.15
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Nascer selvagem!

 

Em Inebolu, uma cidade turca aos arredores de Istambul, cinco raparigas adolescentes cometem um terrível crime na sua comunidade: inocentemente brincam com um bando de rapazes depois de um dia de aulas. Após terem sido apanhadas em “flagrante delito” por uma vizinha, que sob o hino da boa conduta moral e da repressão sexual, informa os tutores das respectivas - a avó e o rigoroso tio - sobre o sucedido. Este acto trará consequências graves para as jovens, agora obrigadas a casar a fim de conservar a sua dita “pureza”.

 

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Mustang, da estreante Deniz Gamze Ergüven, é uma produção franco-turca que se revela como um denunciador de um machismo agravado na conservadora comunidade muçulmana, situando este mesmo cenário debaixo das “saias” da aclamada “moderna e civilizada” Europa. É esse sexismo abundante numa localidade próxima da capital turca, que Ergüven e Alice Winocour [co-argumentista] decidem transpor todo um contexto social sob a perspectiva jovial das suas protagonistas, com tal nota-se a facilidade como identifica os “monstros” acamados num maniqueísmo tão preto-e-branco, e essas ditas bestas animalescas de uma rígida sociedade que são os homens.

 

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Contudo, é essa mesma visão demasiado inserida no conceito de conto de fadas que Mustang fraqueja, a indignidades das personagens masculinas e até das femininas de longa idade vistas como reforços em infundir as doutrinas incontestáveis, e da forma como uma cidade evoluída como Istambul é aqui encarada, um local de refúgio longe de qualquer discriminação e opressão (o que não corresponde bem à verdade). Mas a realização acentuada de Ergüven, tão afim das suas protagonistas partilham a jovialidade no seu conceito de cinema, transmitido uma tremenda energia, digna de um filme adolescente e inconsequente, porém, ele próprio limitado ao meio que se induz. E bem verdade é que a obra transpira momentos lúdicos quase surreais que trazem consigo um teor fabulista e alegoricamente relevante, como o jogo fechado para homens que a certa altura induz e confirma esse maniqueísmo sexual e a vontade de tecer uma declaração feminista pós-moderna.

 

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Quanto ao título, este Mustang, ao contrário do que podem pensar os adeptos do automobilismo, não se trata da marca de automóveis célebres no território norte-americano, mas sim da indomável raça de cavalo vivente das longínquas pradarias dos EUA. Conta-se que estes ditos animais foram outrora amestrados, mas perante uma nova oportunidade de liberdade, com o estado selvagem assim adquirido, tornaram-se emancipadores das suas próprias amarras. É sob esse estado que as nossas cinco protagonistas buscam num conto impulsor de rebeldia sem fugir aos claros danos colaterais. Para o cinéfilo, este é uma obra que detém uma simbólica ligação com o esquecido, mas delicado Wadja, de Haifaa al-Mansour.

 

Filme visualizado na 16ª Festa do Cinema Francês

 

Real.: Deniz Gamze Ergüven / Int.: Günes Sensoy, Doga Zeynep Doguslu, Tugba Sunguroglu

 

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7/10

publicado por Hugo Gomes às 22:43
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8.10.15

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Muitas novidades, é aquilo que nos espera esta 16ª Festa do Cinema Francês, que contará com uma selecção variadíssima das mais recentes estreias da cinematográfica francesa e as respectivas pérolas.

 

Este ano, a organização apresenta-nos a mais forte programação de que há memória, reunindo mais de 60 antestreias, entre as quais obras recentes como Les Anarchistes [ler crítica], de Elie Wajeman, que abriu a Semana da Crítica de Cannes deste ano, Mon Roi [ler crítica], de Maïwenn, Lolo, de Julie Delpy, o muito badalado Mustang, de Deniz Gamze Ergüven, o candidato francês ao Óscar e Réalité, de Quentin Dipieux. Marguerite, de Xavier Gianolli, encerra a mostra apresentada em Lisboa.

 

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Jean-Jacques Annaud (The  Name of the Rose, La Guerre du Feu), o veterano realizador assume-se como padrinho desta nova edição, que para além de abrir a mostra com o seu mais recente trabalho Le Dernier de Loup (A Hora do Lobo), a sua figura será fruto de uma retrospectiva que levará o espectador ao encontro de uma cinematografia fascinada pela Natureza e por sentimentos primitivos. Falando em retrospectivas, Jacques Doillon terá direito ao seu próprio ciclo, o aclamado realizador de Ponette e Le Petit Criminel também será uma das presenças no festival.

 

O evento decorrerá entre os dias 8 de Outubro a 29 de Novembro, percorrendo mais de 18 cidades, em Lisboa esta festa "à francesa" ocorrerá no Cinema São Jorge e Cinemateca-Portuguesa Museu do Cinema.  

 

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Mais informação sobre a programação, ver aqui

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 07:32
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17.9.15

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Foi divulgado o trailer de Les Anarchistes (Os Anarquistas [ler crítica]), a segunda longa-metragem de Elie Wajeman (Alyah), que teve as honras de abrir a última edição da Semana da Crítica, em Cannes.

 

A acção decorre na transição do século XIX para o XX, em Paris, onde um jovem polícia parisiense, Jean Albertini (Tahar Rahim, Un Propheté), tem a importante missão de infiltrar no seio de um grupo de jovens idealistas, anarquistas, segundo o Inspector-Chefe da Policia (Cédric Kahn). Durante a sua arriscada missão, visto que terá que se envolver nas operações “criminosas” da sua nova comunidade, Jean envolve-se romanticamente com um dos seus membros, Judith (Adèle Exarchopoulos, L'Vie de Adèle), e fraternalmente com os restantes, tornando a missão num dilema sobre compromisso e lealdade.

 

Swann Arlaud, Guillaume Gouix, Karim Leklou e Sarah Lepicard completam o elenco. Les Anarchistes será apresentado em Portugal na próxima Festa do Cinema Francês.

 

 

Ver também

Semana da Crítica em Cannes abre com filme de Adèle Exarchopoulos e Tahar Rahim!

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:36
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17.5.15
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A realeza por detrás de uma relação!

 

Maïwenn é uma das realizadoras mais apreciadas em França e é normal que num Festival que tenta promover o papel das mulheres atrás da câmaras, deixar de lado um filme seu poderia ser considerado a mais pura das hipocrisias. Mon Roi, o seu novo filme depois do envolvente e realista Polisse, é um dramalhão que esboça o permanente abuso psicológico num relacionamento amoroso, tendo Vincent Cassel como o "meu rei" e Emmanuelle Bercot, colaboradora habitual de Maiween, como sua servente.

 

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Porém, antes de embarcamos num filme-activista que salienta a fragilidade das mulheres em grande parte dos relacionamentos abusivos, devemos louvar o facto de Mon Roi não vergar por esse estatuto de vítima. Mesmo que Cassel se comporte como um "sacana", e consiga levar todas as suas decisões avante neste compromisso amoroso, o filme fomenta as culpas na sua protagonista feminina, não somente no facto de expô-la como uma mártir sem reacção, mas também em criar na personagem Cassel uma espécie de servidão ao seu amor compulsivo. Maiween engendra um filme ambíguo que poderá levar a várias leituras quanto ao comportamento das suas personagens e acções, algo apenas possível devido aos desempenhos do par protagonista, inclusive um desempenho livre onde se sentem os improvisos de Vincent Cassel.

 

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Infelizmente este retrato é demasiado extenso na sua esquematização. A fraqueza das personagens secundárias e das "incontornáveis" referências à discriminação e confronto entre classes no território francês, são ingredientes que desmotivam o próprio ritmo da narrativa, e, para ser sincero, certos aspectos no comportamento do "casal maravilha" têm tendência em tornarem-se demasiado inadmissíveis. Maïwenn poderia ter construído um grande filme, mas o resultado está bastante longe da profunda análise dos vínculos amorosos que se esperava. Ficamos pelos actores e pelas intenções.

 

Filme visualizado na 68ª edição do Festival de Cannes

 

Real.: Maïwenn / Int.: Emmanuelle Bercot, Vincent Cassel, Louis Garrell

 

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Ver Também

Polisse (2011)

 

6/10

publicado por Hugo Gomes às 12:43
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15.5.15

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A anarquia é a raiz, não o estilo!

 

Les Anarchistes (Os Anarquistas) leva-nos à curvatura da mudança do século, onde somos acompanhados com a vinda de novos pensamentos, quer políticos ou sociais e as declarações de guerra para com as bases ideológicas estruturadas do passado. Estamos em Paris de 1899, onde um jovem polícia parisiense, Jean Albertini (Tahar Rahim), tem a importante missão de infiltrar no seio de um grupo de jovens idealistas, anarquistas, segundo o Inspector-Chefe da Policia (Cédric Kahn). Durante a sua arriscada missão, visto que terá que se envolver nas operações “criminosas” da sua nova comunidade, Jean envolve-se romanticamente com um dos seus membros, Judith (Adèle Exarchopoulos), e fraternalmente com os restantes, tornando a missão num dilema sobre compromisso e lealdade.

 

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A segunda obra de Elie Wajeman resume-se a um filme de época que tenta contextualizar as ideologias anárquicas para fomentar uma crítica político-social. Mas cai no erro de concretizar o enésimo registo da dita fórmula de infiltrados e dilemas, o que converte Les Anarchistes num filme composto por uma ideia, mas executada na senda da previsibilidade, para não falar da câmara indisposta do realizador e do desequilíbrio ideológico. É que Elie Wajeman não esforça em ser um anarquista com isto, mas sim um hipster munido por uma direcção sem objectividade. Os actores fazem o que podem mas são desaproveitados em consequência de uma montagem isente de ritmo.

 

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Um desses casos de desperdício é o de Adèle Exarchopoulos, “violada” pela mesma decisão artística como também pelas pretensões de transforma-la num sex-simbol, uma imagem que parece ter sido adquirida desde o êxito de L’ Vie de Adèle (A Vida de Adèle), dissipando assim as suas habilidades como motor dramático, o qual a actriz é capaz. Les Anarchistes é pura desilusão e desbaratamento de recursos.

 

Filme visualizado de abertura da 54º Semaine de la Critique em Cannes

 

Real.: Elie Wajeman / Int.: Tahar Rahim, Adèle Exarchopoulos, Swann Arlaud, Guillaume Gouix, Cédric Kahn

 

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4/10

publicado por Hugo Gomes às 08:55
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2.10.14

 

Para mais informação, ver aqui

 

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publicado por Hugo Gomes às 13:35
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29.9.14

 

A Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema divulgou a sua programação de Outubro, sendo o grande destaque a retrospectiva do cineasta francês Alain Resnais (falecido este ano) no âmbito da Festa do Cinema Francês (a iniciar a dia 2 de Outubro). Para além de ser exibidas as suas duas últimas obras, ainda inéditas em Portugal, Vous N’avez Encore Rien Vu (2012) e Aimer,Boire Et Chanter (2014), o espectador terá oportunidade de ver e rever o principal trabalho de Resnais. Filmes distintos como Hiroshima, Mon Amour (1959) e L’année Dernière À Marienbad (1961), que contribuíram para tornar o autor num das referências cinematográficas mundiais e nos dos mais originais da sua geração.

 

 

A Festa do Cinema Francês não será o único festival que a Cinemateca Portuguesa prestará apoio no mês de Outubro, o Doclisboa também contará com algumas sessões especiais, desde o ciclo de Joan Van Der Keuken, descrito como um "um dos mais singulares realizadores do cinema documental da segunda metade do século XX", a secção Neorrealismo e Novos Realismos e a exibição do documentário Die Mauer (O Muro, 1990), de Jürgen Böttcher, pela primeira vez na Cinemateca, um filme sobre as causas e consequências do Muro de Berlim, exposto numa narrativa filmada, sem comentário nem voz off.

 

 

Edmundo Ferreira de Almeida será também alvo de homenagem no Museu do Cinema, o produtor e distribuidor português será figura central, desde a mostra biblioiconográfica ilustrativa da sua actividade cinematográfica até às eventuais sessões de muitas das suas produções, como os filmes; Capas Negras (Armando de Miranda, 1947), Casque D'Or (Jacques Becker, 1952) e o incontornável La Piscine (Jacques Deray, 1968). Detective Story (William Wyker, 1951), Kanal (Andrzej Wadja, 1957),  Twin Peaks: Fire Walk With Me (David Lynch, 1992), To Have and Have Not (Howard Hawks, 1944) com Humphrey Bogart e Lauren Bacall, e À Bout De Souffle (Jean-Luc Godard, 1960) são algumas das propostas irrecusáveis neste mês dedicado exclusivamente à Sétima Arte.

 

Para mais informação sobre a programação, ver aqui

 

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:29
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21.9.14

O super-herói dentro de nós!

 

Quem não gostaria de ser mais do que um mero mortal, quem nunca imaginou ter … super-poderes? Uma pergunta que qualquer pessoa responderia sem hesitar, ainda mais influenciado com a vaga de super-heróis que tem atracado a industria cinematográfica nos últimos anos. Com estas questões acima referidas, surge outra - o que fazer com tais especialidades? Salvar o mundo, praticar o Bem ou o Mal ou apenas para uso próprio e jubilante? Para Vincent, apenas ser discreto para que o resto da Civilização não descubra, é o suficiente.

 

Realizado, escrito e protagonizado por Thomas Salvator, Vincent n'a pas d'écailles leva-nos a uma distopia sem a espectacularidade dos filmes muy generis desta temática, tornando o arquétipo do sobrehumano em algo marginal e talvez indiferente em termos apelativos. Nesse aspecto e visto ser uma primeira obra e de baixo-orçamento, a abordagem dessa temática num filme sujeito a essas condições revela-nos um desafio produtivo, tendo em conta que é adicionada outra vertente, a do realismo. Pois bem, nada de alienígenas vindo do espaço, artefactos misteriosos e abençoados nem picadas por animais radioactivos, Vincent é possuidor de uma força, agilidade e velocidade acima de qualquer ser humano normal, atributos, esses, despertados em contacto com a água, quanto à explicação para a origem desse evento - um total mistério.

 

Eis um filme que funcionaria na perfeição se Thomas Salvator soubesse realmente o que pretendia, por outras palavras, o desafio da produção é superado, visto que o polivalente realizador é para além de tudo, um exímio acrobata e alpinista, o que facilita no acto de demonstração de tais poderes, contudo não sabe o que fazer com o material. Tudo acaba por ser um espectáculo exibicionista e narcisista, quase circense, emancipado por uma narrativa episódica e ausente de qualquer emocionalidade nem rigor estrutural, parece que Thomas Salvator confundiu conduzir uma história minimamente decente com uma colectânea de paisagens naturais, que por sorte apresenta mais química e expressividade que o próprio protagonista.

 

E falando em química, Vincent n'a pas d'écailles é minado com um romance risível e igualmente isente da mesma. Ainda para juntar "à festa", a carência de personagens, meros bonecos inumanos, sem carisma nem objectividade, e ditados por desempenhos figurativos. Bem, parece que não existe herói algum que seja capaz salvar esta pseudo-fantasia, que estava destinada a grandes feitos, de um desastre artístico.

 

Filme visualizado na 62ª edição do Festival Internacional de San Sebastian

 

Real.: Thomas Salvator / Int.: Thomas Salvador, Vimala Pons, Youssef Hajdi

 

4/10

publicado por Hugo Gomes às 21:55
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6.12.13

Vidas engaioladas!

 

Adaptado do homónimo romance de François Mauriac, Thérèse Desqueyroux é uma obra que se dispõe de uma aura existencialista enquanto a protagonista tenta encarar a complexidade inerente da sua personagem como um protocolo rotineiro. Perante as ideias, as filosofias "arrancadas" através das suas experiências pessoais (ou a ausência delas), a nossa heroína esboça uma crónica prolongada em relação à sua "enclausurada" vida que nem um pássaro engaiolado, um matrimónio ditado pela herança e as aparências que é reconhecido pela anedótica química que apresenta.

 

 

Tais correntes que aprisionam qualquer liberdade física da protagonista, remetendo-a a um automatização do seu inconsciente como escape de libertação, a tornam uma personagem fascinante, indigna de merecer piedade por parte do espectador, já que muita da composição desta Thérèse Desqueyroux é similar a diversas figuras antagónicas dos mais variados romances ou novelas de época. E é essa ambiguidade que faz com o público sinta culpado por envergar outros sentimentos que não a pena nem a repudia, mas sim o desejo para que a personagem de Audrey Tatou (uma interpretação serena mas eficaz com a negrura do papel) seja bem sucedida nos seus planos de evasão à aquela prisão invisível que se denomina por rotina.

 

 

Sendo este o ultimo filme que o talentoso artesão Claude Miller (1942 - 2012) conseguiu concluir, Thérèse Desqueyroux adquire um "sabor" especial o qual não se deseja o desfecho, contudo fora dessa nostalgia cinéfila somos presenteados com um trabalho de direcção dinâmico ao mesmo tempo que classicista, abrangido por uma capaz fotografia da autoria de Gérard de Battista. Eis um olhar cheio de cinismo à existência, enquanto esta desde o berço já encontra comprometida às diferentes etapas, que aufere nesta adaptação uma narrativa poética a sentir. As aparências são as maiores das ilusões para a alma.

 

Filme visualizado na 14ª Festa do Cinema Francês

 

Real.: Claude Miller / Int.: Gilles Lellouche, Anaïs Demoustier

 


 

8/10

publicado por Hugo Gomes às 00:45
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2.11.13

Uma relação atribulada entre o visual e o inerente!

 

Cada vez mais fascinado pelo bizarro e a diferença como linguagem fílmica, Michel Gondry aventura-se na obra-prima de Boris Vian, um dos pais do movimento surrealista na literatura, L’Écume des Jours (A Espuma dos Dias). Uma reflexão algo pessoal do autor que conecta aqui a sua distorcida, ao mesmo tempo criativa, visão com as suas vivências a foro pessoal que nas mãos do realizador assemelha a um substituto incomparável de Charlie Kaufman, o argumentista que havia trabalhado na concepção de inúmeras obras como o caso de Eternal Sunshine of the Spotless Mind. Aliás existe algo de semelhante entre o filme de 2004 interpretado por Jim Carrey e o escrito de Boris Vian, ambos parecem desconstruir a estrutura modelar do dito romance, enquanto Eternal Sunshine o concebe através do gosto melancólica de uma ficção cientifica,  L'Écume des Jours parece usufruir da linguagem surrealista como metáforas expostas para os mais atentos.

 

 

Porém o que indicava ser uma cumplicidade "explosiva" de duas perspectivas (o visual e o imaginado) em compartilha do mesmo mundo se revela num elo quebradiço que tende em agravar a incompatibilidade dos dois autores. Enquanto Boris Vian é profundo nas suas palavras, Gondry apenas o ilustra sem a naturalidade dos seus fluxos imaginários, é como ver uma pintura que ostenta elementos barrocos que nunca encontra uma objectividade fluida capaz de envolver o espectador a integrar no seu encanto.

 

 

Devido a isso, L'Écume des Jours soa a plasticidade, a algo forçado e com aspirações para tal, o que de certa forma prejudica as prestações do seu elenco (Roman Duris é admirável pela sua flexibilidade quanto às constantes mudanças de ritmo transmitidas pela obra) e dos rasgos criativos e competentes que Michel Gondry parece invocar. Nota-se a criação de cenários e a metamorfose tingida nestes que de certa forma adulteram o estado dos seus personagens e uma sonoplastia de citações boémias. Mas esses momentos puramente prazenteiros parece não possuir relevância a um burlesco espectro daquilo que poderia ter sido. Fantasia decepcionante, mesmo que simbólica!

 

Filme visualizado na 14ª Festa do Cinema Francês

 

Real.: Michel Gondry / Int.: Romain Duris, Audrey Tautou, Gad Elmaleh, Omar Sy

 


 

5/10

publicado por Hugo Gomes às 13:44
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