Data
Título
Take
4.12.17

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De 4 a 16 de Dezembro, Lisboa celebrará o que de melhor se produziu no Cinema na América Latina e Península Ibérica com o evento Mostra de Cinemas Ibero-americanos - No escurinho do cinema, uma iniciativa da Casa da América latina em comemorações de Passado e Presente - Lisboa, Capital Ibero-americana de Cultura 2017.

 

Serão exibidos num total de 36 obras divididas em recentes e premiadas longa-metragens ficcionais e documentais, assim como curtas, correspondentes a um número extenso de países itinerantes de língua portuguesa e espanhola. A abertura será feita com a projeção de Aquí No Passado Nada, de Alejandro Fernández Almendras, um coprodução chilena, francesa e norte-americana que nos leva a um jovem acusado de atropelamento mortal que tudo fará para provar a sua inocência. Uma obra experiente no circuito dos festivais, tendo sido selecionado no Panorama de Berlim, Sundance, San Sebastián e Miami.

 

Uma nota para participação lusa com Verão Saturno de Mónica Lima, uma curta existencialista de quem confronta a chamada “casa da meia-idade”, e a coprodução luso-brasileira, Joaquim, de Marcelo Gomes, que se encontrou presente no último Festival de Berlim.

 

Para mais informações sobre a mostra, ver aqui

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:13
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Meteors, o documentário de Gürcan Keltek que nos apresenta uma visão poética sobre o conflito curdo-turco, conquista o grande prémio do quarto Porto/Post/Doc. O júri constituído pelo realizador grego Lois Patiño, Nuria Cubas, o fundador do FILMADRID, Festival Internacional de Cine de Madrid, a socióloga Hilke Doering, o crítico Mário Moura, o realizador Ivo M. Ferreira e a diretora artística Raquel Castro, elegeram ainda Dragonfly Eyes, uma partitura visual e narrativa de Xu Bing através de vídeos de câmara vigilância, para menção honrosa.

 

 

Grande Prémio Porto/Post/Doc

Meteors

 

Menção Honrosa

Dragonfly Eyes

 

Prémio Biberstein Gusmão (para autores emergentes)

Ziad Kalthoum (Taste Of Cement)

 

Prémio Cinema Novo

Proxima

 

Menção Honrosa

De Madrugada

 

Prémio Teenage

Makala

 

Menção Honrosa

Drib

 

Prémio Arché

A Olhar Para Ontem

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:40
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O próximo filme de Wes Anderson, Isle of Dogs (A Ilha dos Cães), foi o escolhido para abrir a 68ª edição do Festival de Berlim. O realizador norte-americano não é nenhum novato nestas andanças, visto que em 2014, o seu The Grand Budapest Hotel serviu de arranque ao certame da mostra de cinema internacional em Berlim. Para além disso, recordamos que os filmes The Royal Tenenbaums e The Life Aquatic with Steve Zissou, integraram a competição de edições passadas.

 

Quanto ao filme, concebido através do processo de animação stop-motion (Wes Anderson já havia trabalhado com tal em Fantastic Mr. Fox), focará num futuro alternativo onde os cães são considerados pragas no Japão e um rapaz de 12 anos que tudo fará para reaver o seu "amigo de quatro patas". O enredo é inspirado num conto japonês, nos trabalhos de Akira Kurosowa e nos especiais de natal da Rankin/Bass, a empresa australiana de produção em stop-motion que o levou a se aventurar no campo da animação.

 

Ao lado de Anderson em Isle of Dogs vamos encontrar muitos dos actores que têm colaborado com ele ao longo da sua carreira, como Jeff Goldblum, Bob Balaban, F. Murray Abraham, Tilda Swinton, Bill Murray e Frances McDormand. Scarlett Johansson, Bryan Cranston, Greta Gerwig, Liev Schreiber, Kunichi Nomura, Akira Ito, Akira Takayama, Koyu Rankin, Yoko Ono e Courtney B. Vance também vão contribuir com as suas vozes para o filme.

 

Isle of Dogs chegará aos cinemas em março do próximo ano.

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:35
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26.11.17

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Coimbra será novamente a capital do Cinema Português com o arranque da 23ª edição do festival Caminhos do Cinema Português, que nos apresentará mais uma mostra do melhor que se produziu este ano no nosso país.

 

Serão mais de 50 filmes selecionados, entre animações, curtas ficcionais e documentais e longas de toda a espécie que poderão ser visualizados em grande ecrã entre 27 de novembro até 3 de dezembro. Este leque variadíssimo vem demonstrar a cada vez mais diversificação do panorama cinematográfico nacional, um Cinema que adquire a capacidade de abranger diferentes perspetivas e fenomenologias.

 

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Basta olhar para a programação e perceber essa ramificação de géneros, desde a cinebiografia do poeta Al Berto, por Vicente Alves de Ó, até à série B A Ilha dos Cães, de Jorge António, passando pelo nosso candidato ao Óscar, São Jorge, de Marcos Martins, a curiosa comédia de ficção cientifica A Mãe é que Sabe, de Nuno Rocha, e o humor carnavalesco de Edgar Pêra em Delírio em Las Vedras. O documentário ganha também força com as projeções de A Rosa de Ermera, de Luís Filipe Rocha, o regressar de Susana Sousa Dias aos arquivos da PIDE, A Luz Obscura, a viagem pelo Tarrafal no homónimo trabalho de João Paradela e o hibrido de forte teor politico num dos mais premiados filmes do ano, A Fábrica do Nada, de Pedro Pinho.

 

A longa-metragem encontra-se de boa saúde, porém, é a curta-metragem que continua o veiculo mais capaz de condensar histórias e olhares em Portugal. A seleção é grande, e apesar da duração menor, desprezar este formato é desprezar o Cinema mais experimental, ousado e audacioso. Salomé Lamas, João Salaviza, André Marques, Gabriel Abrantes, Ico Costa e Jorge Jácome são nomes reconhecidos deste universo novamente reunidos para demonstrar a vitalidade da curta-metragem enquanto expressão. Destaque também para Terreno Baldio, por Latifa Said.

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Com a Seleção Ensaios, a mostra estende-se para outras nacionalidades, conjugado uma utopia fílmica composta por diversos trabalhos académicos e escolares, representado por diversas escolas nacionais e internacionais, tendo como objetivo dar a conhecer “sangue novo” por estas “vizinhanças” cinematográficas.

 

XXIII Caminhos Film Festival ocorrerá no Teatro Académico Gil Vicente e no Mini-Auditório Salgado Zenha do Centro de Estudos Cinematográficos assim como reposições no NOS do Alma Shopping. Ver programação completa aqui.

 

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publicado por Hugo Gomes às 11:36
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Tesnota, do jovem realizador russo Kantemir Balagov, torna-se no grande vencedor da 11ª edição do Lisbon & Sintra Filme Festival.

 

Balagov é considerado um dos autores mais promissores de 2017, o seu Tesnota foi apresentado pela primeira vez na secção Un Certain Regard do último Festival de Cannes tendo sido laureado com o Prémio FIPRESCI. Tendo como enredo um rapto numa comunidade judaica na Rússia, a longa-metragem conquista o Prémio Melhor Filme Jaeger-LeCoultre, e ainda o Prémio Revelação TAP atribuído à actriz Olga Dragunova. Cocote, de Nelson Carlo de Los Santos Arias, recebe Prémio Especial do Júri João Bénard da Costa. O júri da Competição Oficial foi composto pelos cineastas David Cronenberg, Ildikó Enyedi, a pianista Momo Kodama e as escritoras Hanan Al-Shaykh e Ersi Sotiropoulos.

 

Visto como uma das grandes apostas para os Óscares, Call Me By Your Name (Chama-me Pelo Teu Nome), de Luca Guadagnino, foi o escolhido pelo público para o respetivo Prémio. Em relação às curta-metragens, A Man, My Son, de Florent Gouëlou (La Femis - Paris), triunfa o Prémio, enquanto  que Les Yeux Fermés, de Léopold Legrand (Institut National Supérieur Des Arts Du Spectacule - Bruxelas), e Heimat, de Emi Buchwald (The Polish National Film Television And Theater) recebem uma menção honrosa. O júri era composto pelas realizadoras Bette Gordon, Stéphanie Argerich e Olga Roriz.

 

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publicado por Hugo Gomes às 10:30
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24.11.17

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Robert Pattinson estará presente na 11ª edição do Lisbon & Sintra Film Festival. O actor que se tornou mundialmente famoso com o fenómeno Twilight irá apresentar duas sessões do festival. Hoje, pelas 21h00, estará presente no Centro Cultural Olga Cadaval, ao lado do escritor Don Delillo, para apresentar Cosmopolis, a sua colaboração com David Cronenberg que resultou numa atípica versão de um mundo à beira de uma apocalipse económico.

 

No dia 25, Pattinson estará no Cinema Medeia Monumental para a projeção de Good Time, dos irmãos Safdie, obra que concorreu à Palma de Ouro do último Festival de Cannes e cujo seu desempenho foi, acima de tudo, elogiado. A sessão será seguida por um Q&A com o actor.

 

O 11º LEFFEST – Lisbon & Sintra Film Festival, decorre em Lisboa (Cinemas Monumental, Nimas, Amoreiras; Teatro Nacional D.Maria II) e Sintra (Centro Cultural Olga Cadaval, Palácio de Queluz, MU.SA-Museu das Artes de Sintra), até dia 26 de Novembro.

 

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publicado por Hugo Gomes às 07:36
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17.11.17

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Arranca hoje o 11º LEFFEST – Lisbon & Sintra Film Festival, que decorrerá entre Lisboa (Cinemas Monumental, Nimas, Amoreiras; Teatro Nacional D.Maria II) e Sintra (Centro Cultural Olga Cadaval, Palácio de Queluz, MU.SA-Museu das Artes de Sintra), de 17 a 26 de Novembro. Nesta nova edição contaremos com grandes destaques a homenagem a Isabelle Huppert, uma das grandes donzelas do cinema francês, e retrospetivas dedicadas aos cineastas Abel Ferrara, Alain Tanner e o português João Mário Grilo.

 

O mais recente filme de Richard Linklater, Last Flag Flying, terá as honras de oficializar a abertura do festival no Monumental. A história de luto e reunião de velhos camaradas tem sido visto como um dos potenciais filmes para a temporada de prémios. Bryan Cranston, Laurence Fishburne e Steve Carrell compõem o elenco desta nova façanha do mesmo realizador de Boyhood e da amada trilogia Antes do Amanhecer. Em paralelo teremos as primeiras obras das ditas retrospetivas, desde a obsessão fetichista de Michael Haneke (A Pianista), inserido no ciclo Isabelle Huppert, ou a projeção das cópias restauradas de A Salamandra, de Alain Tanner, um cocktail de proletariado e fascinação criminal, e ainda a vingança que vira vigilância no feminino com MS. 45, de Ferrara.

 

A contar ainda nesta abertura, agora no Amoreiras que estreia este como espaço para o festival, o regresso da dupla de realizadores Olivier Nakache e Eric Toledano, do muito popularizado Amigos Improváveis, que nos trazem um casamento recheado de surpresas com O Espirito da Festa.

 

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4.11.17

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Os vencedores dos últimos Festivais de Berlim e Cannes se irão defrontar nos European Film Awards, cuja as nomeações acabam de ser reveladas no Festival de Cinema Europeu de Sevilha. Os galardoados On Body and Soul, o ultimo de Aki Kaurismäki (The Other Side of Hope), 120 Battements par Minute, Loveless e The Square compete a estatueta principal, e no caso do mais recente filme de Ruben Östlund, o mais nomeado aos prémios, contando com 5 indicações.

 

 

Outros destacados são Lady Macbeth, de William Oldroyd, uma primeira longa-metragem que conquista duas nomeações, a de melhor atriz (Florence Pugh) e do prémio Descoberta, e a animação artística Loving Vicente como forte concorrente na distinção de Longa-Metragem de animação. O português Gabriel Abrantes encontra-se entre os nomeados na categoria de Curta-Metragem com o seu Os Humores Artificiais.

 

Filme Europeu

On Body and Soul

The Other Side of Hope

The Square

Loveless

120 Battements Par Minute

 

Documentário

Austerlitz

Communion

Stranger in Paradise

La Chana

The Good Postman

 

Realizador

Ildikó Enyedi (On Body And Soul)

Aki Kaurismäki (The Other Side Of Hope)

Yorgos Lanthimos (The Killing Of A Sacred Deer)

Ruben Östlund (The Square)

Andrey Zvyagintsev (Loveless)

 

Atriz

Paula Beer (Frantz)

Juliette Binoche (Bright Sunshine In)

Alexandra Borbély (On Body And Soul

Isabelle Huppert (Happy End)

Florence Pugh (Lady Macbeth)

 

Ator

Claes Bang (The Square)

Colin Farrell (The Killing Of A Sacred Deer)

Josef Hader (Stefan Zweig - Farewell To Europe

Nahuel Pérez Biscayart (120 Battements Par Minute

Jean-Louis Trintignant (Happy End

 

Argumentista

Ildikó Enyedi (On Body And Soul)

Yorgos Lanthimos & Efthimis Filippou (The Killing Of A Sacred Deer)

Oleg Negin & Andrey Zvyagintsev (Loveless)

Ruben Östlund (The Square)

François Ozon (Frantz)

 

Comédia Europeia

King of the Belgians

The Square

Vincent and the End of the World

Welcome to Germany

 

Prémio Descoberta

Godless

Bloody Milk

Summer 1993

The Eremites

Lady Macbeth

 

Animação

Loving Vincent

Zombillénium

Ethel & Ernest

Louise en Hiver

 

Curta Metragem

Information Skies

Copa-Loca

Love

En La Boca

Fight on a Swedish Beach!

Os Humores Artificiais

Timecode

The Party

Ugly

The Circle

The Disinherited

Written / Unwritten

Wannabe

You Will Be Fine

Young Men and their Window

 


publicado por Hugo Gomes às 14:57
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3.11.17

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O Porto/Post/Doc regressará já no final deste mês - entre 27 de Novembro a 3 de Dezembro - para uma quarta edição. O Festival portuense dedicado especialmente ao documentário tem crescido bastante em tão pouco tempo de vida, tornando-se nos dias de hoje uma dos mais relevantes mostras de Cinema do país.

 

Contudo, apesar do “especial foco” no género documental e todas vias que diluem com essas realidades, o Porto/Post/Doc abrirá com a antestreia da tão esperada obra de Sofia Coppola, The Beguiled. Uma diferente perspectiva do clássico de Don Siegel que reuniu os actores Clint Eastwood e Geraldine Page, onde um soldado da união encontra abrigo no seio de mulheres sulistas, garantiu o prémio de Realização à realizadora durante a sua apresentação em Cannes. Nicole Kidman, Kirsten Dunst e Colin Farrell compõem o elenco deste atmosférico thriller no feminino. Este pedaço de ficção abrirá portas para a secção Highlights, recheado de obras diversificadas dedicadas a um público mais alargado. A sequela de Uma Verdade Inconveniente, o muito audaz 120 Batimentos por Minuto, de Robin Campillo (vencedor do Prémio Especial de Júri do Festival de Cannes), e Lucky, o derradeiro desempenho de Harry Dean Stanton, prometem fazer a delícias dos espectadores cinéfilos.

 

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Em destaque estará o Foco Miroslav Janek, com a projecção de duas obras incontornáveis da carreira de Janek, um cineasta checo com principal aptidão para a sensibilidade, o escutar dos menos privilegiados, dando assim voz às suas causas e emoções. Teremos ainda o ciclo Peter Muller Expanded, centrado na obra do realizador suíço-canadiano. Com apoio da Swiss Films, serão exibidos quatro trabalhos de Muller, filmes com principal aptidão para questões existenciais dos tempos modernos, em contraste com a natureza tribal que nos tornam nós, humanos, em seres comunitários de devidas exigências.

 

André Santos e Marco Leão, possivelmente, serão uma das duplas mais promissoras e fascinantes do nosso cinema. Na secção Intimidades, o Porto/Post/Doc convida o espectador a conhecer o que os une, a película entrelaçada nas suas vivências que se configura em enredos cinematográficos com cariz experimental e intimista. Outro convite irrecusável é a retrospectiva dedicada ao cinema-verdade de Jean Rouch, com cópias restauradas de forma a comemorar, da melhor maneira, o centésimo aniversário do seu nascimento.

 

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A Competição Internacional trará 12 filmes de produção recente, contando com a presença do muito elogiado Dragonfly Eyes (Olhos de Libélula), de Xu Bing (vencedor do Prémio FIPRESCI no último Festival de Locarno) e Era Uma Vez Brasília, de Adirley Queirós (realizador de Branco Sai, Preto Fica), que fora o filme de encerramento do Doclisboa. Para terminar, a intitulada Competição Cinema Novo, composto por 9 de filmes de universidades e politécnicos portugueses, ou de estudantes portugueses a estudar no estrangeiro, e a menção do documentário sobre rap portuense Não Consegues Criar O Mundo Duas Vezes, de Catarina David e Francisco Noronha.

 

O 4º Porto/Post/Doc decorrerá no Teatro Municipal do Porto – Rivoli, Faculdade de Belas Artes U.Porto, Cinema Passos Manuel e Maus Hábitos. Toda a programação, poderá ser vista aqui.

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:50
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29.10.17

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O certame da 15ª edição do Doclisboa contou com uma presença maioritariamente feminina, as mulheres governaram a mais recente mostra do cinema documental de Lisboa. Seis anos depois da sua primeira longa-metragem, Nana, Valérie Massadian regressa ao formato com Milla (que já havia sido apresentado no último Festival de Locarno), consagrando-se como o grande vencedor da Competição Internacional. Enquanto isso, Vira Chudnenko, de Inês Oliveira, é laureada como o Melhor Documentário da mostra nacional. Destaque ainda para o prémio de público atribuído a Diálogos ou Como o Teatro e a Ópera se Encontram para Contar a Morte de 16 Carmelitas e Falar do Medo, de Catarina Neves.

 

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL
Grande Prémio Cidade de Lisboa para Melhor Filme: Milla
, de Valérie Massadian
Prémio Sociedade Portuguesa de Autores: Why is Difficult to Make Films in Kurdistan
, de Ebrû Avci
Prémio Jornal Público / MUBI para Melhor Curta-Metragem: Saule Marceau
, de Juliette Achard
Menção Honrosa: Spell Reel
, de Filipa César


COMPETIÇÃO PORTUGUESA
Prémio Revelação / Prémio Canais TVCine para Melhor Primeira Obra: Those Shocking Days
, de Selma Doborac
Prémio NOVA FCSH/ Íngreme para Melhor Filme: Vira Chudnenko
, de Inês Oliveira
Prémio Kino Sound Studio: À Tarde
, de Pedro Florêncio


PRÉMIO DO PÚBLICO

Prémio RTP para Melhor Filme Português: Diálogos ou Como o Teatro e a Ópera se Encontram para Contar a Morte de 16 Carmelitas e Falar do Medo, de Catarina Neves
Prémio Escolas / Prémio ETIC para Melhor Filme: I Don't Belong Here
, de Paulo Abreu


COMPETIÇÃO TRANSVERSAL
Prémio Fundação INATEL para Melhor Filme de Temática Associada a Práticas e Tradições Culturais e ao Património Imaterial da Humanidade: Martírio
, de Vincent Carelli
Menção Honrosa: Medronho Todos os Dias
, de Sílvia Coelho e Paulo Raposo
Prémio José Saramago - Fundação José Saramago para Melhor Filme falado maioritariamente em português, galego ou crioulo de origem portuguesa: Spell Reel
, de Filipa César

 

VERDES ANOS
Prémio FAMU para Melhor Filme: Norley and Norlen
, de Flávio Ferreira
Prémio Especial Walla Collective: Pesar
, de Madalena Rebelo
Prémio Melhor Realizador: 
Ana Vijdea, John 746
Prémio Walla Collective para melhor Work in Progress - Arché: Sílvia
, de María Silvia Esteve
Prémio Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas para melhor Projecto em Desenvolvimento: Follha 84
, de Catarina Mourão

 

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publicado por Hugo Gomes às 11:41
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26.10.17

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Há uma vertente que levemente tem surgido no panorama do documentário português, uma vertente de jornalística, não a de mera entrega de informação, mas de investigação. Essa no qual poderá denotar o pessoal (identitário) ou coletivo (demanda para a divulgação, preservação de memória). Este tipo de documentários, que se prolongam ou evitam o cinema como mera lente de documentação de imagens (que porventura poderá anexar-nos a memórias etnográficas e épicas), não são de todo bem vistas na comunidade-nicho da cinefilia. Há quem os acuse de aligeirar o poder e possibilidades (de momento infinitas) de Cinema, desde a sua narrativa até ao estilo intrínseco e extrínseco, porém, e tendo em conta a muita da seleção presente de um Doclisboa, poderemos considerar esta “básica” forma de fazer documentário num registo outsider e porque não, na maioria dos casos, mais experimentes e concisos na sua abordagem.

 

Como exemplo desse cinema-investigação, Catarina Mourão [ler entrevista] elevou-se numa busca ínfima de autodescoberta com A Toca do Lobo, onde seguiria o paradeiro do avô da realizadora, figura que não conhecera por completo mas que marcas deixou. A realizadora / documentarista apresenta-nos um objectivo claro na sua proposta (“descobrir quem é este homem”), convite claro que o espectador retém no seu arranque, a viagem, essa, vinculada num hibrido entre a investigação propriamente dita e a deambulação pelas memórias pessoais. Em todo o caso, porque não reconhecer A Toca do Lobo como um objeto no limiar do intimismo e da retribuição social.

 

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De estética pessoal, mas de caracter mais urgente, está Quem é Bárbara Virgínia?, de Luísa Sequeira, outra investigação (presente desta edição do Doclisboa) que regista um pedaço de História portuguesa, neste caso Bárbara Virgínia, a multifacetada artista que se tornou na primeira mulher realizadora nacional, atualmente “apagada”, é o corpus de estudo que despoleta uma tremenda jornada de conhecimento pessoal com vista maioritária para o público e memória futura na “salvação” deste personalidade. O objectivo neste caso encontra-se no título (Quem é Bárbara Virgínia?). O espectador tem com isto a certeza do que vai encontrar, a proposta é clara. Quanto à forma como a mensagem é emitida, essa, tem a sua razão de divergir dos moldes, digamos, televisivos. Luísa Sequeira consegue sobretudo uma investigação com uma apresentação intimista, até porque esta procura torna-se, para todos os efeitos, bastante pessoal (apercebemos o quanto a imagem de Bárbara Virgínia transgride da meta de estudo para a transferida pessoalidade numa determinada sequência, a anunciada morte de Virgínia e a reação da nossa documentarista perante tal).

 

Porém, talvez de caracter urgente acima da sua pessoalidade, temos Nos Interstícios da Realidade ou o Cinema de António de Macedo, de João Monteiro, uma contagem de linguagem televisiva que visa em projetar o legado de Macedo e apurar as causas do seu “desaparecimento”. Obviamente que este documentário completamente destilado por entre footages e talking heads possui um propósito de preocupação pública e patrimonial, mas se o considerarmos como um objeto cinematográfico de requinte, a sua pobreza não o exaltará como algo mais. Contudo, o objetivo de Monteiro é mais do que simplesmente integrar uma teoria estilística, social e cinematográfica, é como um apelo, um ato ativista, esse, que poderá originar consequências futuras, quem sabe, a revalidação absoluta de Macedo, não simplesmente como tentador do cinema de género em Portugal, mas como cineasta. Estes três exemplos recentes de documentário português, uma minoria perante a divulgação dos festivais, formam um cinema de causa-efeito, a investigação como uma narrativa que não deve ser sobretudo desprezada.

 

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O outro cinema, com excepção de alguns casos que conseguem através dos seus meios desbravar a sua linguagem, apresenta-se como máscara, escondendo a incapacidade e o amadorismo de muitos “documentaristas” pretensiosos, em busca do caminho fácil do estatuto autoral. Esse anti-cinema não deve ser sobretudo erguido como o Cinema, assim como o cinema na sua forma mais clássica, universalmente empática, não deve ser rebaixado a anti-cinema. 

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:09
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14.10.17

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Arranca hoje (14/10) o Cine’Eco – Festival Internacional de Cinema Ambiental, o único festival de cinema com temática ambiental em Portugal e um dos poucos eventos desta magnitude cinematográfica fora das grandes metrópoles dos país. A decorrer, de forma ininterrupta, desde 1995, a localidade de Seia, na Serra Estrela, acolhe mais um espectáculo cinematográfico com elevada preocupação ecológica, procurando-se entre debates e reflexões sobre a actualidade do nosso Mundo ver a maneira como poderemos solucionar alguns destes estados.

 

A abertura será tremendamente especial para a localidade, com a exibição de um dos grandes clássicos do cinema português, Os Lobos, recentemente editado e restaurado em DVD pela Cinemateca Portuguesa. Registo da passagem do italiano Rino Lupo em Portugal, Os Lobos fora rodado em diferentes localidades da cidade beirã e é hoje tido como uma das "jóia da cinematografia portuguesa", citando Félix Ribeiro na altura da sua estreia em 1923.

 

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A sessão será apresentada por Tiago Baptista, director do Arquivo Nacional das Imagens em Movimento (ANIM), e acompanhada pelo pianista britânico radicado em Portugal Nicholas McNair. Lobos é uma das propostas que José Vieira Mendes, crítico e programador do Cine'Eco, mais destaca nesta nova edição do simpaticamente apelidado de "festival ecológico". Em conversa ao Cinematograficamente Falando …, e em resposta quanto ao que destacaria da programação deste ano, Mendes diz: "Já fiz as minhas escolhas ao fazer a selecção e programação dos filmes. Portanto destacaria todos os filmes, porque todos merecem destaque inclusive uma forte selecção de curtas-metragens sobre a Água, como recurso escasso que compõe quase uma secção e que este ano vai ter um Prémio Especial para este tema.

 

Mas lá vai, para quem não possa estar em todos: Para além da antestreia nacional do filme do Al Gore [An Inconvenient Sequel: Truth to Power], temos Os Burros Mortos Não Temem Hienas, de Joakim Demmer, que olha para a especulação aos terrenos para exploração agrícola na Etiópia; Nahui Ollin ­Sol em Movimento junta oito realizadores a darem a sua visão sobre a biodiversidade do México e a forma como está a ser alterada; A Idade das Consequências, realizado por Jared P. Scott, um filme muito abrangente e polémico que olha para a intersecção entre fenómenos como a Primavera Árabe, o chamado Estado Islâmico e a radicalização de pessoas, bem como a crise dos refugiados, e as mudanças do clima; Perseguido Corais, de Jeff Orlowski, mostra o fundo dos oceanos e como os corais estão a desaparecer; Ondas Brancas, com realização de Inka Reichert, envolve os esforços de surfistas que lutam contra a contaminação do mar, quer pelo lixo quer pelos micro-plásticos; Rio Azul: Pode a Moda Salvar o Planeta?, da dupla David McIlvride e Roger Williams, atira-se à indústria da moda e ao impacto considerável que esta tem sobre o ambiente e a poluição das águas e rios. 

 

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Também serão mostrados, na competição de filmes em língua portuguesa, por exemplo, Moon Europa, de Nuno Escudeiro — que estreou no IndieLisboa 2017 —, filma o Árctico a e as poucas pessoas que lá vivem em invernos inóspitos; Belo Monte: Um Mundo Onde Tudo é Possível, de Alexandre Bouchet, que examina a construção e exploração da controversa barragem brasileira com o mesmo nome; Deriva Litoral, de Sofia Barata, que olha para os temporais do inverno de 2013 e 2014 e o seu impacto ao longo da costa portuguesa; ou Terra e Luz, um filme de ficção pós- apocalíptica do brasileiro Renné França, que é um filme ambiental e que passou no Fantasporto 2017. Entretanto, hoje já houve actividades para crianças com a belíssima longa de animação Song of the Sea, que esteve nos Óscares há dois anos e passou relativamente despercebido nas sessões comerciais. A abertura começa logo ao final da tarde, com a A Odisseia, de Jérôme Salle, o biopic que também esteve pouco tempo em cartaz, sobre o lendário explorador dos mares Jacques Cousteau."

 

Como programador, José Vieira Mendes teme efectuado um trabalho árduo em conseguir seleccionar e compor um programa de filmes e propostos para todos os públicos, porém condicionadas a uma só temática. "Os requisitos obviamente que tenham implícita uma mensagem, de preferência positiva com melhorar os nosso comportamento em relação ao ambiente, por outro lado também que coloquem questionamento e provoquem discussão sobre os grandes problemas ambientais". Obviamente nem tudo com motivações ecológicas possui a qualidade de integrar o Cine'Eco, nesse caso, segundo o programador, o que se procura é tudo aquilo que todos os festivais de cinema procuram "bons filmes, de preferência inéditos ou que não tenham tido a visibilidade que merecem tanto nos outros festivais como nas salas de cinema comerciais." 

 

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Desde 1995, que o festival existe e cresce sem interrupções, toda esta motivação vivente deriva sobretudo do "do empenho do Município de Seia, que suporta o festival quase na íntegra e faz dele um dos eventos âncoras do concelho. E por outro uma pequena equipa que vive literalmente o Cine’Eco Todo o Ano entre Seia e Lisboa — como é o caso do meu colega Mário Branquinho, Director do Cine’Eco e da Casa Municipal da Cultura de Seia, e meu caso como programador, que sou um senense adoptado, e vivo em Lisboa e outras pessoas da autarquia e colaboradores voluntários —  que procura estar atento (ou mesmo participar) ao mundo dos festivais de cinema de ambiente da GFN (e não só) procurando trazer os melhores filmes de ambiente, para apresentar no Cine’Eco".

 

Quanto ao crescimento, o Cine'Eco tem vindo "crescer um pouco à proporção das preocupações das pessoas em relação às questões ambientais, a sua mediatização e essa tal agenda político-ambiental. Assim para além das sessões competitivas e sessões especiais, o festival realiza várias actividades paralelas, onde as questões ambientais estão sempre presentes. A realização de uma grande conferência sobre questões ligadas ao ambiente e ao desenvolvimento, consta sempre da programação do festival, para a qual são convidadas figuras de referência e que envolve o público da região. O programa conta igualmente com exposições, workshop’s, concertos e outras iniciativas de e para a comunidade. As escolas são mobilizadas para as sessões do festival, mas o festival também vai aos estabelecimentos de ensino do concelho e da região."

 

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Mas existe um enorme perigo cultural e em Portugal o "afunilamento" de propostas deste género restringidas às grandes cidades como Lisboa e Porto, sobretudo exclusivamente transladadas para a capital. Em resposta a isso, o Cine'Eco possui "uma vasta rede de extensões por todo o país, como a que decorre ao longo do ano — Cine'Eco Todo o Ano! —, o que ajuda a ir ao encontro de um público mais vasto, possibilitando que os filmes e as suas mensagens circulem e cheguem a um número mais alargado de espectadores. Este ano, conseguimos uma nova parceria. O Cin'Eco será alargado aos 15 concelhos da Comunidade Intermunicipal das Beiras e da Serra da Estrela, composta por 250 mil habitantes, que constitui um novo contributo de aproximação à região." Das extensões, é ainda destacado "os Açores, outra região com um forte apelo à natureza e onde também é muito acarinhado pelo público."

 

Contudo, ao dito "afunilamento cultural" que atinge o país, José Vieira Mendes comenta: "Isso é normal que os festivais se centrem nas grandes capitais, pois é onde alcançam mais público, mais orçamento, mais mediatização e até mais patrocinadores e parceiros.  Fugimos à regra e conseguimos no Cine'Eco e em pleno interior do País, por exemplo um forte mobilização dos alunos do concelho e da região, numa perspectiva de sensibilização para as questões ambientais e na procura de criação de público para o cinema. Por outro, envolvemos várias personalidades do concelho na dinâmica do festival. Seja como elementos do júri, seja na mobilização e acompanhamento de grupos para as sessões de cinema. Este ano, foram designadas 27 pessoas da comunidade para apadrinharem as 9 longas-metragens internacionais, contribuindo para essa aproximação e um maior envolvimento da população de Seia e da região. 

 

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"O cinema de ambiente não é propriamente uma área para as grandes massas de público, mesmo que seja especializado. Por isso, o Cine'Eco tem feito o seu caminho, conquistado públicos e despertando consciências para as questões ambientais, embora se reconheça que o público seja ainda uma fragilidade do festival e onde ainda há muito trabalho a fazer mesmo a nível da componente de turístico ambiental, nacional e internacional, apesar de estar-mos integrados e ser-mos membros fundadores da Green Film Network, a rede de festivais de cinema de ambiente."

 

Provavelmente, 2017 tem sido o ano onde o aquecimento global apresentou-se mais como uma agenda politica, é nos recordado o caso de Donald Trump e a saída dos EUA do Tratado de Paris, e a sequela Uma Verdade Inconveniente [An Inconvenient Sequel: Truth to Power], que integra a programação do Cine'Eco. José Vieira Mendes esclarece até que ponto a ecologia é uma perspectiva politica e como o festival contorna / ou abraça essa mesma vertente: ao longo do seu percurso de mais de duas décadas, o Cine'Eco tem mesmo abraçado essa causa procurado ir de encontro ou acompanhar às grandes questões ambientais da actualidade ou da agenda político-ambiental mundial, dai este ano termos escolhido como inspiração o bestseller, Tudo Pode Mudar: Capitalismo vs. Clima, da Naomi Klein, bem como o documentário Uma Verdade (Mais) Inconveniente, do Al Gore, — que vai ter estreia nacional na quarta, dia 18 no Cine'Eco, em sessão especial — que chega na hora certa depois de facto o Presidente Donald Trump ter anunciado que ia se distanciar do Acordo de Paris do ano passado sobre o limite das emissões de carbono causadoras das mudanças climáticas.  Por outro lado, o CineEco vai de encontro às necessidades da comunidade local, através de vários mecanismos desencadeados, no quadro da dinâmica cultural e ambiental do município de Seia."

 

A 22ª edição do Cine'Eco vai decorrer até dia 21 de Outubro, na Casa Municipal da Cultura de Seia e no CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela.

 

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publicado por Hugo Gomes às 11:41
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13.10.17

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Numa viagem, no seu sentido mais poético e elusivo, o que menos importa é o destino. São os trilhos, essas veias sanguinárias que nos transportam para uma experiência a mercê da vivência. E são as experiências que vão este segundo episódio do CLOSE-UP – Observatório de Cinema de Vila Nova de Famalicão.

 

De 14 a 21 de Outubro, a ocupar os mais diferentes espaços da Casa das Artes, e tendo como mira o sucesso da edição anterior, o CLOSE-UP apresentará mais de 40 sessões de cinema, workshops direccionados a escolas e famílias, uma produção própria (de Tânia Dinís) incluída no panorama no feminino de produção portuguesa, e a exposição fotográfica de André Príncipe (realizador de Campo de Flamingos, Sem Flamingos), intitulada de O Perfume de Boi, a ter lugar no foyer.

 

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O primeiro dia será marcado pelo filme-concerto de Man with a Movie Camera, de Dziga Vertov, devidamente sonorizado pelos Sensible Soccers (encomenda do CLOSE-UP). O gosto da melodia pop do grupo a tentar provar cadência para com uma das obras mais influenciáveis da História do Cinema.

 

Como qualquer viagem, digna do seu nome, o CLOSE-UP será dividido por diferentes etapas (secções) que nos acompanharão ao longo destes sete dias de pura reflexão cinematográfica. O Tempo de Viagem revela-nos uma metáfora sobre a maturação, o crescimento induzido por esses caminhos dados a lugares incertos. Andrei Tarkovsky é a "rock star" desta secção com Nostalghia [ler critica], a sua "aventura" em Itália. O existencialismo procurado por um poeta russo em terras toscanas e romanas funciona como um sacrifício que nos guia quase em modo retrospectivo e introspectivo ao cinema do seu cineasta. Wim Wenders é outro importante signo deste mesmo espaço, não fosse ele um dos grandes "caminhantes" do road movie.

 

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Em "Fantasia Lusitana" esperam-nos quatro longas-metragens portuguesas em oposição a um programa de nove curtas, incluindo uma sessão dedicada a Tânia Ribeiro com a estreia de Armindo e a Câmara Escura. No lote nacional, destacamos principalmente as exibições da mais recente longa de Salomé LamasEl Dorado XXI, e de Luciana FinaO Terceiro Andar

 

Vinda da nova vanguarda soviética, a cicerone Larissa Shepitko e Eleem Klimov serão figuras relembradas nesta edição de Histórias de Cinema. Mas não serão as únicas. A partilhar o espaço está a dupla Peter Handke e Wim Wenders com Die linkshändige Frau e o sempre poético Wings of Desire, bem como David Lynch, indiscutivelmente o realizador do ano, nem que seja pelo reavivar da série Twin Peaks que tanto deu que falar, no Observatório, representado pelo spin-off cinematográfico, Fire Walk with Me.

 

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O resto da programação será constituído por sessões direccionadas para escolas e família, e ainda Infância & Juventude, que como o nome indica será um olhar comig-to-age; desse crescimento que por si deverá ser visto como uma viagem. E que melhor filme para transpor essas duas jornadas alusivamente interligadas que American Honey de Andrea Arnold [ler critica]? Claro que nem todas viagens são felizes e a juventude pode ser inconstante, inconsequente e até inconcebível, como o caso de The Tribe, de Myroslav Slaboshpytskyi, filme que, infelizmente, chegara demasiado tarde ao circuito comercial português, tendo em conta o seu historial de controversas passagens em festivais por esse Mundo fora. Nesta secção destacamos ainda o clássico de Victor Erice, El Espíritu de la Colmena.

 

A música e o cinema vão se fundir para criar um encerramento memorável, assim promete esta 2ª edição do CLOSE-UP, com três curtas de Reinaldo Ferreira, ou Reporter X + Dead Combo. A proposta parece indigesta, incompatível e sobretudo experimental, mas o cinema é um experimento que transformou-se, como se pode verificar, na mais complexa das experiências. A viagem está marcada. 

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:36
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12.10.17

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Arranca já amanhã, a segunda edição do TRAÇA - Mostra de Filmes de Arquivos Familiares, organizado pelo Arquivo Municipal de Lisboa, Videoteca e, este ano, em colaboração com o Alkantara. A mostra que inaugurou-se em 2015, sofreu com uma interrupção, essa, que lhe garantirá mais força nesta “revanche” marcada de 13 a 15 de outubro, no Bairro da Madragoa. A entrada é livre, tendo em conta os lugares disponíveis.

 

Serão três dias recheados de conversas, performances, encontros e percursos com moradores e projeções de filmes amadores do resistentes de Madragoa, assim como da restante cidade. As sessões de cinema serão comentadas pelos seus autores e outros convidados.

 

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Nesta segunda edição, e sob o contexto da recente colaboração com a Alkantara, TRAÇA serão principalmente estruturado através da relação entre performance e o cinema, tendo como foco o cinema amador e familiar. O programa contará com performances originais que Alex Cassal, Isabel Abreu, Jorge Silva Melo & Miguel Aguiar, Raquel André, Sofia Dias & Vítor Roriz, Sofia Dinger conceberam a partir de um extenso património de filmes de família. Através disto, será discutido a importância da memória como catarse da criação deste cinema profundamente afetivo, inexperiente, mas sobretudo instintivo. Tudo isto em conformidade com os objetivos da TRAÇA, a construção de uma história profunda da cidade sob os alicerces das imagens e memórias privadas dos seus habitantes.

 

Distribuído por diversos espaços da Madragoa, o programa realiza-se nos seguintes locais: Regimento de Sapadores de Bombeiros, Cossoul, Centro Comunitário da Madragoa, Esperança Atlético Clube, Museu da Marioneta, Instituto Hidrográfico, Vendedores de Jornais Futebol Clube, Espaço Alkantara, Torrefação Flor da Selva, Palácio do Machadinho e Lavadouro das Francesinhas.

 

Para mais informações, ver aqui

 

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publicado por Hugo Gomes às 10:49
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20.9.17

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"Cinema inteligente não despreza o público, pelo contrário, o cinema inteligente não padroniza o público", responde Cíntia Gil às "acusações" de pedantismo do Doclisboa, festival que comemora a sua 15ª edição, apresentando mais de 231 filmes em 217 sessões. Segundo a directora, o festival tem cada vez mais apostado em "inspirações" para o público, filmes que dialogam com este e que o leva a reflectir sobre o Mundo que o rodeia.

 

Quanto às novidades do Doclisboa'17, a mostra de documentários da capital irá apresentar uma das maiores competições nacionais da sua História, isto para além da selecção portuguesa, correspondendo a mais 44 filmes, dispersos em diferentes secções. Entre eles, a destacar o Diário das Beiras, de João Canijo e Anabela Moreira, "uma espécie de segunda parte" de Portugal - Um Dia de Cada vez, que estreou na edição de 2015; a curta António e Catarina, de Cristina Hanes, vencedora de um prémio em Locarno; e o novo filme de Inês Oliveira, Vira Chudnenko.

 

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A secção Riscos terá um “programa especial muito ligado a Sharon Lockhart”, a artista norte-americana que estará presente em Lisboa para apresentar o seu filme, Rudzienko, e uma exposição no Museu Berardo, a decorrer entre o dia 10 de Outubro e 14 de Janeiro. Um projecto inspirado na vida e obra do pediatra polaco Janusz Korczak, tendo como temática os direitos das crianças. Dentro do espaço Riscos ainda teremos um olhar sobre Barbara Virgínia, a enigmática realizadora portuguesa que ficou eternizada por ter sido a primeira mulher a dirigir uma longa-metragem sonora nacional (Três Dias Sem Deus, 1945). O Doclisboa irá exibir as "imagens sobreviventes" desse filme perdido, a sua curta Aldeia dos Rapazes (1946) e o documentário de Luísa Sequeira em sua homenagem. Destaque ainda para a cópia restaurada de Grandeur et décadence d'un petit commerce de cinéma, de Jean-Luc Godard (1986), e a comemoração dos 20 anos de Gummo, de Harmony Korine.

 

Enquanto isso, a HeartBeat continua como uma referência no Festival, consolidando o documentário com música e outras artes. Este ano, promove-se um dissecar à eterna figura de Cary Grant em Becoming Cary Grant, de Mark Kidel, a viagem do grupo musical de Abel Ferrara em Alive in France, a coroação a Marianne Faithfull (Faithfull, Sandrine Bonnaire) e Whitney Houston (Whitney: 'Can I be Me'), e o português Os Cantadores de Paris, de Tiago Pereira.

 

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Recordamos que o 15º Doclisboa - Festival Internacional de Cinema decorrerá de 19 a 29 de Outubro. A juntar ainda temos a retrospectiva de Věra Chytilová, a "primeira-dama" do cinema checo, e do ciclo Uma outra América - o singular cinema do Quebec. Wang Bing contará com dupla presença na secção Da Terra à Lua, ao lado dos novos de Wiseman, Poitras e Lanzmann. O filme Ramiro, de Manuel Mozos, terá as honras de abrir a mostra, enquanto que Era uma vez Brasília, de Adirley Queirós, será o filme de encerramento do festival.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:54
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11.9.17

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O thriller Cold Hell é o vencedor da 2ª Competição Europeia de Longas-Metragens do MOTELx. Com a conquista do Prémio Melhor Longa Europeia/Méliès d’Argent, o filme de Stefan Ruzowitzky (conhecido por obras como Anatomy e o vencedor ao Óscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira, The Counterfeiters), fica, desde já, nomeado para o Prémio Méliès d’Or.

 

A representar também o MOTELx estará Thursday Night, a curta-metragem de Gonçalo Almeida, consagrado na sua categoria, arrecadando assim os cinco mil euros de prémio. O júri composto pela atriz Maria João Bastos, o músico Carlão e o realizador Can Evrenol decidiu atribuir o prémio, descrevendo-o como “um filme que nos marcou muito, que consideramos único e que certamente ficará na nossa memória”. A curta Depois do Silêncio, de Guilherme Daniel, recebe uma menção especial.

 

O 11º MOTELx decorreu em Lisboa do dia 5 a 10 de Setembro, apresentando como principal destaque o cinema de terror latino e as visitas de Roger Corman e Alejandro Jodorowsky. O muito esperado IT, de Andy Muschietti, teve as honras de encerrar o festival.

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:39
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10.9.17

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Guillermo Del Toro triunfa em Veneza. O seu The Shape of Water, uma fábula fantástica sobre uma empregada de limpezas que depara-se com uma criatura nunca vista, é consagrado com o Prémio Máximo do Certame, o Leão de Ouro. Destaques para Foxtrot, de Samuel Maoz, o realizador do anterior Líbano, vence o Grande Prémio de Júri, e Charlotte Rampling é laureada com o prémio de interpretação feminina por Hannah, do italiano Andrea Pallaoro.

 

COMPETIÇÃO OFICIAL

Leão de Ouro: The Shape of Water, de Guillermo del Toro

Grande Prémio do Júri: Foxtrot, de Samuel Maoz

Prémio Especial do Júri: Sweet Country, de Warwick Thornton

Leão de Prata (Realizador): Xavier Legrand, Jusqu'à La Garde

Coppa Volpi (Actor): Kamel El Basha, The Insult

Coppa Volpi (Actriz): Charlotte Rampling, Hannah

Argumento: Martin McDonagh, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri

Prémio Marcello Mastroianni - Jovem Intérprete: Charlie Plummer, Lean On Pete

 

SECÇÃO ORIZZONTI

Filme: Nico, 1988, de Susanna Nicchiarelli

Realizador: Vahid Jalilvand, No Date, No Signature

Prémio Especial do Júri: Caniba, de Lucien Castaing-Taylor e Verena Paravel

Actor: Navid Mohammadzadeh, No Date, No Signature

Actriz: Lyna Khoudri, Les Bienheureux

Argumento: Los Versos Del Olvido, de Alireza Khatami

Curta-Metragem: Gros Chagrin, de Céline Devaux

Leão do Futuro: Jusqu’à La Garde, de Xavier Legrand

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:20
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7.9.17

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Com mais de 400 filmes produzidos, Roger Corman é um mito na indústria cinematográfica, um mito vivo que muito tem para ensinar sobre a arte da produção, e sobre o registo da série B o qual ama verdadeiramente. Para Corman, o Cinema não é só box-office, há que persistir num equilíbrio, um veio artístico, uma alma.

 

O Cinematograficamente Falando … teve o privilégio de falar com o “Rei da Série B”, o pai de muitos dos cineastas que formaram a Nova Hollywood, o homem que transformou o imaginário de Edgar Allan Poe num autêntico universo cinematográfico, durante a sua passagem pela 11ª edição do MOTELx. Uma conversa agradável e descontraída que atravessou alguns dos ponto fulcrais da sua vida e carreira, passando por Vincent Price, a reforma e o Cinema jovial que tanto apostou … e que não se arrepende!

 

É a sua primeira vez em Lisboa?

 

Não, eu e a minha mulher já estivemos aqui, mais precisamente numa das primeiras edições do MOTELx. Eu gosto desta cidade, existe um certo ar de romantização nela, aqueles edifícios antigos que preenchem uma paisagem em reconstrução.

 

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Na sua autobiografia, encontra-se explicito que The Masque of the Red Death, de toda as suas obras, é o seu filme de eleição.

 

Sempre tive carinho por esse filme. A primeira obra baseada em Allan Poe que fiz, House of Usher, era um filme mais contido, e nesse aspeto senti que, de alguma forma, iria confrontar-me com essa mesma contenção. Enquanto os filme de Poe continuavam e eram bem sucedidos, senti-me na obrigação de adaptar o The Masque of the Red Death. Os filmes foram um sucesso em Inglaterra, mesmo tendo sido rodados nos EUA, então um distribuidor inglês propôs-me um orçamento maior para uma produção seguinte, e foi então que com aquelas possibilidades, escolhi The Masque of the Red Death como merecedor desse mesmo “budget”. Julgo, que foi graças a essa “liberdade” que consegui expressar-me de forma mais livre nesse filme.

 

Voltando à sua autobiografia e a The Masque of the Red Death, também referiu que do ciclo Allan Poe foi o que rendeu menos dinheiro, algo que não lhe afligiu porque pretendia que o filme fosse arte. Algo artístico.

 

Sim, mesmo The Masque of the Red Death ser um dos meus favoritos, ele foi de facto dos que rendeu menos dinheiro, comparando com as obras anteriores. Considero um ensaio artístico, não possui muita das características comerciais porque não aposta de todo no terror físico, quer dizer, continha os seus momentos de horror, é verdade, mas no fundo era uma obra de cariz mais filosófica.

 

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Quando encontrava-se na AIP (American International Pictures), na década de 50, deparou-se com o facto do cinema não estar a corresponder com o seu público – os jovens. O Roger foi um dos cruciais realizadores a "ensinar" os filmes a falar essa linguagem jovial.

 

O cinema sempre fascinou o público mais jovem, e aí residia o problema. Quando comecei a minha carreira, os estúdios estavam interessados em produzir filmes com as suas grandes estrelas. Sabendo que uma estrela demora anos a ser “fabricada”, estas eram velhas, então, basicamente tínhamos enredos em que o ator cinquentão ficava com a rapariga, na casa dos 20 anos, e o público-alvo dessas mesmas fitas eram os jovens. Algo estava mal, pensei eu. Foi então que apostei em histórias protagonizadas por jovens, de forma a empatizar com os que assistiam. Felizmente os grande estúdios perceberam da oportunidade no qual estavam a perder, e começaram a olhar atentamente para as camadas mais novas.

 

Hoje, temos milésimas produções dirigidas para essa “fatia”, desde os Marvelscomics e outros. O que significa, e eu tenho pensado bastante nisto, seria uma ótima oportunidade virarmos o jogo. Começar a apostar em cinema dirigido para os mais velhos.

 

De certa maneira, sente-se culpado por estes filmes da Marvel?

 

Culpado não seria bem a melhor palavra [risos], até porque alguns filmes da Marvel são bons, tenho o conhecimento de dois que são realmente de qualidade. Mas digo isto, tecnicamente são do melhor que já vi, estes representam alguns dos efeitos computorizados mais inacreditáveis que alguma vez vi.

 

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Deixou a realização nos anos 70, época em que os blockbusters expandiam na indústria. Foi essa a causa do seu afastamento?

 

O que aconteceu foi o seguinte, estava na Irlanda a filmar The Red Baron, sobre o famoso piloto alemão da Primeira Guerra Mundial, e simplesmente fiquei … cansado. Todos os dias era um sacrifício ir para o aeroporto filmar, e ainda por cima, lembro-me de anteriormente encarar com algum entusiasmo esse ato. Julgo ter realizado cerca de 59 filmes em 50 anos de carreira, ora bem, eu estava exausto e então decidi que pelo menos tiraria um ano de repouso, que na América chama-se celibato [risos], e depois desse período regressaria novamente à realização. Mas fiquei aborrecido ao longo desse ano, e então fundei esta pequena companhia de produção e distribuição [New World Pictures]. Curiosamente nunca estive envolvido em distribuição antes, e a companhia foi um verdadeiro sucesso, tão bem sucedida que começou a ocupar todo o meu tempo. Então dediquei-me totalmente a essa mesma companhia, e não obtive disponibilidade nem motivação para regressar à realização.

 

E através disso encontrou outra “mina de ouro” que fora o mercado do VHS …

Sim, exatamente.

 

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Curioso, mesmo com o passar dos anos, as suas produções continuam a ser motivos de celebração. Relembro o frenesim que houve quando produziu a sequela de Death Race.

 

Produzi Death Race 2000 em 1975, foi uma ficção cientifica generosa com toques de distopia e de comentário social como pano de fundo, para além do humor, ingredientes, que juntos culminaram um sucesso. A Universal comprou os direitos para um eventual remake, e desse material fizeram várias versões, mas eles nunca inseriram alguns dos elementos cruciais que levou a minha versão ao sucesso. Certo dia fui falar com eles, e responderam-me o seguinte “então, porque não fazes tu próprio e colocas nele aquilo que achas importante”. Como resposta ao desafio fiz o Death Race 2050, no qual reciclei muito da temática do ‘2000 e atualizei, de forma a estar mais coerente para os dias de hoje.

 

É por estas e por outras que o Roger é chamado de “O Rei da Série B”, já agora o que é que pensa do termo Série B?

 

Gosto desse termo, o da Série B, por várias razões. Uma delas, é o facto de possuíres mais oportunidades de desafio, reinvenção ou criatividade num filme B do que um filme A. Na teoria, posso afirmar que os ‘As são melhores, acima da qualidade dos ‘B, mas se quisermos apostar em algo diferente sem com aquela extrema intromissão do estúdio, então a segunda opção é a melhor das escolhas. Um estúdio não dá liberdades criativas a uma produção com 100 milhões de dólares de orçamento. Contudo, com uma produção de poucos milhões de dólares já são capazes de ceder. É por isso que, de certa maneira, gosto do termo Série B, o de ter aquela sensação e poder de aposta.

 

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Mas ambos os termos tem um propósito quase hierarquizado, como se o cinema fosse reduzido a castas. Acredita mesmo, excluindo as possibilidades de criatividade de que falou, que a série A é sinónimo garantido de qualidade?

 

Série A pode muito ser melhor filme? Pode ser verdade, ora vejamos, um A é uma produção que terá, especificamente, um melhor cameraman, melhores técnicos, e mais tempo para conceber os cenários, maiores e mais complexos que na Série B. Esse dinheiro adicional que separa as duas séries proporcionará ao A, uma estética mais elaborada, rigorosa e profissional. Mas isso tudo não significa que a ideia seja melhor. Muitas vezes, a ideia, aquilo que priorizo nos meus filmes, é melhor na categoria B.

 

Voltando ao início da conversa, nos dias de hoje é difícil separar os escritos de Allan Poe com as suas adaptações. Porquê esse fascino por Poe e o porquê de ser ele um dos principais signos da sua carreira?

 

Bem, as histórias de Edgar Allan Poe remexem na mente inconsciente, aquilo que Freud explorou alguns anos mais tarde para fins médicos ou científicos. Era um diferente tipo de horror. Diferente daquilo que hoje existe em abundância, que são produções mais gráficas e mais sangrentas.

 

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O inconsciente … O Roger fez-me subitamente recordar a sequência do sonho do seu House of Usher, que também é uma adaptação de Poe. Já agora, a título pessoal, como conseguiu conceber aquele sonho, diria antes, pesadelo?

 

O que fiz com ‘Usher, assim como outros filmes, foi a utilização de diferentes tipos de lentes que distorciam a imagem. Através de “impressões óticas” [optical print] revesti a câmara com diversas cores, dando um efeito rodopiante. Claro que faríamos obviamente melhor nos dias de hoje com a computorização, mas foi o que conseguimos na altura, e julgo, pessoalmente, que aguenta-se bem nestes dias.

 

Quando falamos de Roger Corman, não falamos apenas de si. Falamos também de toda uma geração de realizadores que passaram pelas suas produções e que se assumiram posteriormente como cineastas que tão bem conhecemos: Francis Ford Coppola, Nicolas Roeg, Jonathan Demme, Ron Howard, entre outros.

 

Sim e orgulhoso estou por vê-los crescer. Encaro como um tipo de teste testemunhar as suas respetivas emancipações. Isto tudo faz pensar em nós como uma espécie de escola, depois dela a graduação.

 

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Mas não é só de cineastas que o seu Universo é feito, Vincent Price encontrou alguns dos seus papeis mais memoráveis no seu cinema.

 

Vincent era um verdadeiro cavalheiro, e foi um prazer ter trabalho com ele em tantos projectos. Era um homem bastante inteligente, educado, que compreendia as personagens e que as interpretava de maneira distintiva. Se bem que no género de horror ele ostentava um certo humor ligeiro, algo que desenvolvemos juntos em filmes posteriores. Como equipa tentamos numa vertente cómica que separava dos nossos anteriores projectos.

 

Fala-se que Price abandonou gradualmente essa rígida faceta do terror porque encontrava-se constantemente cansado do género. De ser resumido a um arquétipo.

 

Sentimos que estávamos a repetir, sim, da mesma maneira que a comédia acabou por ser uma manobra de diferenciarmos das nossas colaborações anteriores, uma introdução de novos elementos e o público anseia sempre por ver algo novo, e claro, Price teria assim um novo motivo de trabalho.

 

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É costume perguntar neste tipo de entrevista quanto a ‘novos projetos’, mas no seu caso é mais adequado o ‘pensa em reformar-se?’.

 

Não, nunca irei reformar-me. Continuarei a trabalhar até morrer. Recordo que há uns meses atrás, almoçava com Jon Davidson, que foi um dos meus “graduados”, que mais tarde tornou-se produtor de Airplane!, Robocop, entre outros. Durante o almoço, ele afirmou que ponderava reformar-se e eu rapidamente lhe disse: “Jon, eu vejo-te, como te via há uns anos, uma ‘criança’ no escritório, e agora pensas em reformar” [risos]. Se calhar sou eu que deva reformar?” Ele respondeu: “Não, tu és demasiado velho para reformar”[risos].

 

Para terminar, como encara a indústria de hoje?

 

Hoje, a industria converteu-se integralmente num puro negócio. No cinema, devemos sempre criar um equilíbrio entre o artístico e o comerciável. Revejo nisso no meu Pit and the Pendulum, um filme comercial mas com uma forte componente artística, e o problema é que hoje tornamos a indústria altamente industrial, sem qualquer amor à arte. É preciso apostar em novos conteúdos e ter gosto pelo Cinema, ou se não, é o que vemos, aquilo que está convertido actualmente.

 

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publicado por Hugo Gomes às 12:54
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A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou que a cineasta belga Agnès Varda, o realizador Charles Burnett, o diretor de fotografia Owen Roizman e o ator Donald Sutherland, irão receber o Óscar honorário deste ano. Curiosamente, dos três indicados, só um havia recebido uma nomeação para os Prémios da Academia, que fora o Roizman, que integrou os nomeados por mais de 5 vezes incluindo filmes como Network e O Exorcista.

 

John Bailey, recentemente eleito como presidente da Academa, declarou em comunicado: "O Governors Awards deste ano reflete a amplitude do internacional, independente e mainstream do seio cinematográfico, são homenagens a quatro grandes artistas cujos trabalhos são uma mostra da diversidade de nossa partilhada humanidade".

 

A cerimónia de entrega do Óscar honorário será dia 11 de Novembro, em Los Angeles.

 

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publicado por Hugo Gomes às 11:39
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4.9.17

Os segredos que a Cal esconde, Luciana Cabral e Lu

Arranca hoje o 20º Festival Brasileiro de Cinema Universitário (FBCU). A cidade de Rio de Janeiro e Niterói recebe até dia 10 de Setembro, uma mostra de curtas-metragens de estudantes de universidades e de escolas de Cinema de todo o Brasil.

 

É um importante evento que para além de realçar e revelar as futuras novas gerações de cineastas do país, tende também em incentivar a produção cinematográfica no Brasil, em confronto com a actualidade cultural que se vive (recordamos que em 2016 a edição foi interrompida face a tais conturbações). “Actualmente no Brasil, um festival de cinema chegar à vigésima edição é motivo de comemoração. E é bom lembrar que este ano tudo está sendo realizado como um verdadeiro ato de resistência”, afirma Aleques Eiterer, um dos coordenadores da FBCU.

 

O público poderá nesta 20ª mostra mais de 81 filmes, concorrendo para várias secções competitivas. Este ano, o festival terá a Sessão Acessível e a Mostra Cineclube nas Escolas, com produções de alunos da rede municipal do Rio.

 

Para mais informação, ver aqui

 

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publicado por Hugo Gomes às 13:42
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