Data
Título
Take
26.6.17

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Colo, a mais recente longa-metragem da cineasta Teresa Villaverde, recebe o prémio Bildrausch Ring of Film Art do Bildrausch Filmfest Basel, na Suíça, um festival dedicado ao conhecimento de novos autores da Sétima Arte. O retrato emocional de uma família num Portugal em fase de austeridade conquistou o júri, formado pelo realizador filipino Lav Diaz, produtora holandesa Ilse Hughan e a montadora Monika Willi (que estreou recentemente na realização com Untitled, o projecto póstumo do documentarista Michael Glawogger.

 

Para além da sua presença e a do seu mais recente filme na selecção, Villaverde foi ainda homenageada no festival com uma secção intitulada de Teresa Villaverde: Fragile Punk, que reunia outras obras da realizadora. Nesse ciclo foram exibidos: A Idade Maior (1991), Três Irmãos (1994), Os Mutantes (1998) e Transe (2004).

 

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25.6.17

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O checo Filthy, de Tereza Nvotová, foi distinguido com o Lince de Ouro da 13ª edição do FEST Festival Novos Realizadores | Novo Cinema, que decorreu em Espinho. O filme que aborda as tramas de uma adolescente cuja vida alterou radicalmente após um inesperado evento, conquistou o júri oficial, composto pela realizadora e actriz Nicole Quinn, o designer de títulos Richard Morrison e o gestor cultural Xavier Garcia Puerto. Destaque para a menção honrosa, partilhada por Old Stone, de Johnny Ma, e La Mano Invisible, de David Mácian.

 

A salientar o Grande Prémio Nacional entregue a Maria Sem Medo, de Mário Macedo, e o Prémio de Público à longa-metragem Sacred Water, de Olivier Jourdain, e à curta-metragem Instalação do Medo, de Ricardo Leite.

 

 

LINCE DE OURO

Melhor Longa-metragem de Ficção

Filthy, de Tereza Nvotová (República Checa)

 

Menções Honrosas

Old Stone, de Johnny Ma

The Invisible Hand, de David Mácian

 

Melhor Longa-metragem de Documentário

The Road Movie, de Dmitrii Kalashnikov (Bielorrússia)

 

PRÉMIO DO PÚBLICO

Melhor Longa-Metragem

Sacred Water, de Olivier Jourdain (Bélgica)

 

Melhor Curta-Metragem

A Instalação do Medo, de Ricardo Leite (Portugal)

 

LINCE DE PRATA

Melhor Curta-Metragem de Ficção

Downside Up, de Peter Ghesquiere (Bélgica)

 

Menção Honrosa

A New Home, de Žiga Virc (Eslovénia)

 

Melhor Curta-metragem de Documentário

Homeland, de Sam Peeters (Belgica)

 

Menção Honrosa

Without Sun, de Paul de Ruijter (Holanda)

 

Melhor Curta-metragem Experimental

Apocalypse, de Justyna Mytnik (Polónia)

 

Menções Honrosas

As The Jet Engine Recalls, de Juan Palacios (Espanha)

Simba in New York, de Tobias Sauer (Alemanha)

 

Melhor Curta-metragem de Animação

Antarctica, de Jeroen Ceulebrouck (Bélgica)

 

Menções Honrosas

Locus, de Anita Kwiatkowska-Naqvi (Polónia)

Pussy, de Renata Gasiorowska (Polónia)

 

GRANDE PRÉMIO NACIONAL

Melhor Curta-metragem Portuguesa

Maria Sem Pecado, de Mário Macedo (Portugal)

 

Menções Honrosas

Um Refúgio Azul, de João Lourenço (Portugal)

78.4 Rádio Plutão, de Tiago Amorim (Portugal)

 

NEXXT

 

Bond, de Judit Wunder (Hungria)

 

FESTINHA

Prémio Sessão 1 - 3 aos 6 anos

Lilou, de Rawan Rahim (Líbano)

 

Prémio Sessão 2 - 3 aos 6 anos

Pas a Pas, de Charline Arnoux, Mylène Gapp, Florian Heilig, Mélissa Roux, Léa Rubinstayn (França)

 

Prémio Sessão 3  - 7 aos 12 anos

Way of Giants, de Alois di Leo (Brasil)

 

Prémio Sessão 4 - 12 aos 17 anos

Schlboski, de Tomás Andrade e Sousa (Portugal)

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:45
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18.6.17

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Gérard Courant, de cognome Homem-Câmara, cineasta que explorou de forma intensificada as potencialidades do formato Super 8, estará na Cinemateca-Portuguesa Museu do Cinema, de 19 a 24 de Junho, para apresentar uma retrospectiva dedicada à sua pessoa. Serão cinco sessões a ter lugar na Sala Luís de Pina, sempre às 18:30, contando com a presença do experimental realizador.

 

Courant iniciou no cinema, nos anos 70, com objectivos de amplificar um registo independente e livre. Foi nesse período que concebeu os Carnets Filmés, diários fílmicos que assumem simultaneamente a atitude de esboços para futuros projetos. O realizador conduziu variados experimentos que vão desde ensaios audiovisuais com ligação a outros cineastas e filmes, até à sua instalação fílmica, o “filme mais longo da História”, ainda em construção. Esse projecto, Cinématon, que arrancou em 1978 e que já contabiliza com uma duração de 198 horas compostas por filmagens em Super 8, obedecendo a um modelo rigoroso: um grande plano fixo único filmado em câmara num tripé, sobre o rosto da pessoa filmada, sem som e com uma duração igual à totalidade de uma bobine em Super-8, ou seja, três minutos e vinte e cinco segundos, uma longevidade de plano anti-natura do sistema académico cinematográfico. Segundo Courant, Cinématon, esse filme em peças, foi inspirado nos seus “estudos” às figuras de Andy Warhol e de Chantal Akerman.

 

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Recentemente, as Éditions Harmattan publicaram o dvd duplo Jean-Luc Godard par Gérard Courant e um livro de entrevistas a ser lançado ainda este ano. Para além disso, Courant é autor de livros sobre o cinema de Werner Schroeter e de Philippe Garrel.

 

É de mencionar que nesta retrospectiva, Gérard Courant organizou um programa de Cinématons de célebres cineastas, incluindo Manoel de Oliveira, Pedro Costa e Isabel Ruth. Para mais informação, consultar aqui.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:14
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16.6.17

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FEST - Festival Novos Realizadores e Novo Cinema é um festival de descoberta, composto por um cinema a merecer a sua aventura com “estranhos” a "lutar" pelo seu lugar na Sétima Arte. Veremos se daqui sairá um novo cineasta, aquele nome a ser recordado nos próximos tempos, a ser distinguido pela sua visão e a servir de estudo para a posterioridade. Enquanto, isso, com pressupostos e premonições, a mostra de cinema de Espinho trairá consigo novidades que vão "aquecer" os sete dias completamente dedicados à arte de fazer cinema. No programa estará desde masterclasses (Training Ground), pitching foruns e como é óbvio, uma competição de longas assim como de curtas-metragens.

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Na competição principal, serão onze longas-metragens, ficcionais e documentais, repartidas em 11 nações, com objectivo no Lince de Ouro, o prémio máximo do certame. Apesar de serem primeiras e segundas obras, estas encontram-se longe do amadorismo, promete e garante a organização que promove estas “pérolas” de primeira, algumas delas já premiadas em anteriores festivais (como é o caso de As You Are, do jovem norte-americano Miles Joris Peyrafitte, com o Prémio do Júri em Sundance no currículo) e outros marcados pela euforia da crítica.

 

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A mostra abrirá com Tom of Finland, de Dome Karukoski (o realizador estará presente), baseado na história de Touko Laaksonen, um ex-militar que se tornou num símbolo da revolução gay na Finlândia. O filme seguirá esse ativismo de perto, assim como a explosão artística induzida por Laaksonen. Como encerramento, o FEST nos levará ao ambiente sufocante da austeridade com a produção espanhola The One Eyed King, de Marc Crehuet (também presente), uma comédia negra de atual contexto social. Nas curtas, para além da competição do Lince de Prata, destaca-se a composição de trabalhos iranianos e gregos na formação da secção Flavours of the World e ainda um olhar pleno pelo futuro da Europa na secção Be Kind Rewind.

 

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Não desprezando a selecção e os seus filmes, a “joia da coroa” do FEST é certamente o Training Ground, que este ano prevê mais de 25 formações correspondentes a diferentes áreas da produção cinematográfica. Serão num total mais de 30 oradores convidados, entre eles nomes de luxo como Melissa Leo, a actriz vencedora de um Óscar em The Fighter, de David O’Russell, Nuno Lopes, o português consagrado com um prémio de interpretação no último Festival de Veneza com São Jorge, de Marco Martins, e ainda o diretor de fotografia Ed Lachman (Carol, The Virgin Suicides), o designer de produção Allan Starski (The Pianist, The Schindler’s List) e o escultor Brian Muir, que fora o responsável pela conceção da máscara de Darth Vader em Star Wars.

 

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Em paralelo, existe também o habitual Pitching Forum, um programa de pitch de documentários, séries, curtas e longas-metragens, onde os participantes serão ouvidos por um painel de experts, com o objetivo de produzirem e financiarem os sugeridos projetos. O FEST Surf, que transformará a praia de Espinho numa sala de cinema ao ar livre, e ainda o FESTinha, direcionado ao público mais jovens – desde os 3 aos 16 anos –, conversas cinematográficas, o FESTival Village, masterclasses e como não poderia deixar de ser, festas temáticas.

 

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A 13ª edição do FEST prolongará até dia 26 de junho no Centro Multimeios de Espinho. Para mais informação sobre a programação, ver aqui.

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:38
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28.5.17

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Em 2015, o vídeo da "birra" de Ruben Östlund tornou-se viral. O desapontamento pela ausência do seu Força Maior entre os nomeados ao Óscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira foi alvo de chacota, mas o realizador já pode olhar para atrás e rir da situação, a Palma de Ouro "caiu" nas suas mãos. E agora?

 

The Square declarou-se como o grande triunfante da noite glamorosa do Croissette, o conquistador de uma Competição que, no geral, decepcionou tudo e todos. Segundo as más línguas, a qualidade desta Selecção derivou do interesse de Thierry Frémaux, delegado-geral do festival, em promover o seu diário "Sélection Oficielle" que fora lançado nas bancas francesas, deixando assim, pouca dedicação ao alinhamento da Competição Oficial. Nela notou-se uma aposta cada vez mais nos mesmos nomes do famoso "tapete vermelho", a fascinação pelo artista e não pela sua obra, e uma escassez significativa do cinema norte-americano, aquela que fora sempre vista como a grande conquista da dinastia Frémaux.

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Entretanto, um dos filmes maiores da montra, 120 Battemente par Minutte, de Robin Campillo, não saiu de "mãos vazias" deste certame. O Grande Prémio de Júri condiz tão bem, e segundo consta, Pedro Almodóvar emocionou-se como este activismo da comunidade LGBT e dos seropositivos pelos seus direitos de vida. Às vezes o cinema é isso … emoções, e acima de tudo, estes prémios demonstraram mais sentimento que, propriamente, imparcialidade. Notou-se assim, uma grande diferença entre os seleccionados e as escolhas dos jornalistas e críticos.

 

Mas este júri fez História no festival ao atribuir o prémio de realização a Sofia Coppola, a segunda mulher a vencer tal distinção, 56 anos depois de Yuliya Solntseva, com o filme Chronicle of Flaming Years. A filha do cineasta de The Godfather e Apocalypse Now, resultou no melhor que esta readaptação de The Beguiled tinha para oferecer, um filme vazio que cobardemente tenta fazer oposição feminina com a versão de '71. Nesta perspectiva, os valores técnicos sobrepõem-se ao anoréctico do enredo e da falta de ambição das personagens. Enquanto que no original era perceptível uma tensão entre as figuras de Clint Eastwood e Geraldine Page, no trabalho de Coppola as encarnações de Colin Farrel e Nicole Kidman a operarem como figuras inaptas de tragédia e de suas representações politicas.

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A vitória da realização remeteu-nos a outro "fantasma", a atribuição do prémio máximo do festival a uma mulher, cuja primeira e última vez aconteceu em 1993, com The Piano da australiana Jane Campion. Mesmo sob o desejo de Jessica Chastain, parte do júri, em ver mais mulheres em competir para a Palma, a verdade é que nem uma das candidatas apresentou-nos qualidades devidas para a distinção. Sofia Coppola poderá ter sido a melhor da "turma", visto que Noami Kawase, uma das "favoritas" do festival, embarcou com uma obra de ideias demasiado presas ao meloso e à falta de objectividade, para além Lynn Ramsay, que nos apresentou um ensaio vazio de violência e, sobretudo, um filme incompleto.

 

Falando nesta última, o pior de todo o Festival, e inacreditavelmente distinguida com dois prémios, o de argumento, o qual partilhou com The Killing of a Sacred Deer, do grego Yorgos Lanthimos, um exemplo mais consciente da sua violência visual e psicológica, e o de Melhor Actor, Joaquin Phoenix a roubar as hipóteses de triunfo a Robert Pattinson na obra dos irmãos Safdie, visto como o favorito à categoria.

 

Contudo, o trabalho do russo Andrey ZvyagintsevLoveless, exibido no primeiro dia do Festival, não foi esquecido pelo Júri [Prémio Especial de Júri]. O retrato de uma humanidade cada vez mais longe de afectos e a dominância da tecnologia no nosso quotidiano fundida com uma realização impar e milimetricamente pensada pelo realizador do anterior, o muito bem-sucedido Leviathan, faz "refém" o paladar da trupe liderada por Almodóvar. Mas aí, também a instalação de Ruben Östlund, não esquecer o seu grande feito. O homem que destroçou a "maldição" Haneke, que infelizmente, o seu "best-of" não contou com nenhuma premiação na mais invejável mostra cinematográfica do ano.

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:09
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Habemus Palma! Ruben Östlund pode ter falhado a nomeação aos Óscares de Melhor Filme Estrangeiro com Force Majure, em 2015; porém, chega-nos a compensação com a atribuição do prémio máximo do certame de Cannes, com The Square, entregue pelo presidente do júri oficial Pedro Almodóvar

 

Mas o grande vencedor da noite foi You Were Never Really Here, de Lynn Ramsay, que sai da Croisette com 2 prémios: o de Melhor Argumento (em ex-aequo com The Killing of a Sacred Deer) e o de Melhor Interpretação Masculina (Joaquin Phoenix). Diane Kruger, sem surpresas, vence a categoria feminina pela interpretação em In the Fade, e o muito elogiado 120 Battement par Minutte, de Robin Campillo, é laureado com o Grande Prémio de Júri.

 

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Sofia Coppola, entretanto, faz história no Festival: torna-se a segunda mulher a vencer o Prémio de Realização pela readaptação da obra The Beguiled, 56 anos depois de Yuliya Solntseva, com o filme Chronicle of Flaming Years.

 

Nicole Kidman, que contou com três filmes selecionados na programação deste ano (para além dos episódios de Top of the Lake, de Jane Campion), foi homenageada com o Prémio de 70º Aniversário.

 

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Palma de Ouro – The Square, de Ruben Östlund

Grande Prémio de Júri – 120 Battement par Minutte, de Robin Campillo

Premio de Realização – Sofia Coppola por The Beguiled

Premio de Interpretação Masculino – Joaquin Phoenix em You Never Really Here, de Lynn Ramsay

Premio de Interpretação Feminina – Diane Krugger em In the Fade, de Fatih Akin

Prémio Especial de Júri – Loveless, de Andrey Zvyagintsev

Prémio de Argumento: The Killing of a Sacred Deer, de Yorgos Lanthimos (ex-aequo) You Were Never Really Here, de Lynn Ramsay

Curta-metragem: Une Nuit Douce, de Xiao Cheng Er Ye

Caméra d’Or: Jeune Femme, de Léonor Serraille

Prémio de 70º Aniversario – Nicole Kidman

 

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:46
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27.5.17

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A Fábrica do Nada, a terceira longa-metragem de Pedro Pinho, venceu o Prémio FIPRESCI (crítica internacional) das secções paralelas, o qual engloba a Quinzena de Realizadores e a Semana da Crítica. A tomada de posse dos trabalhadores de uma fábrica de produção de elevadores, tem sido altamente elogiado pela crítica internacional, o realizador Pedro Pinho esteve presente na cerimónia de entrega do galardão, juntamente com a sua equipa, tendo a oportunidade, após os agradecimentos, de manifestar revolta contra a Lei Seca e o panorama actual que o Cinema Português atravessa.

 

120 Battements Par Minute, de Robin Campillo, foi consagrado com o Prémio FIPRESCI da Competição Oficial, o activismo vivido pela comunidade LGBT e dos seropositivos que desejam acima de tudo viver, conquistou igualmente a crítica internacional, é visto como um dos grandes concorrentes a tão cobiçada Palma de Ouro. Tesnota, de Kantemir Balagov, vence a categoria Un Certain RegardEnquanto, Naomi Kawase e o seu Radiance, renderam o Prémio do Juri Ecumenico.

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publicado por Hugo Gomes às 16:45
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19.5.17

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Uma gaffe, um momento insólito, o “horror” instalou-se na organização, Okja foi exibido em formato incorrecto para a grande tela durante a apresentação de imprensa. Não podia ter corrido pior a este filme já marcado pela polémica Netflix (aliás o logo foi automaticamente apupado pela plateia) para depois virar chacota nos seus primeiros 5 minutos. O rosto cortado de Tilda Swinton arrancou risos, aplausos, assobios, "boos", um caos aquilo que se assistiu no Grand Lumiêre Theatre. A sessão foi interrompida e após alguns minutos de espera, lá retomou sob o formato correcto. Piadas como “eles estavam a contar passar aquilo numa televisão” foi o que se ouviu no final do filme, esse respondido com alguns aplausos.

 

Quanto à obra de Boong Joon Ho, apesar de conseguir transmitir melhor mensagem que centenas de vídeos da PETA, Okja fracassa pela incompreensão de partes. Enquanto registamos um certo cinismo neste tratamento ao consumismo esfriado e os sistemas de criação em massa de animais para proveito humano (Joon Ho sempre foi um valete da ambiguidade), o filme tende em ceder no perfeito crowd pleaser, primeiro, sufocando-se como um enésimo filme de família disnesco, para depois constituir numa tardia crítica, para por fim dar-nos o final contra-corrente dos objectivos assim expostos. É o happy ending a disfarçar a negritude de todo o relato e a propaganda “green” a servir bandeja para maniqueísmos fáceis. Depois da luta entre classes em Snowpiercer, Boong Joon Ho desilude numa suposta plataforma de liberdade criativa. Não foi isso que vimos. Entretanto, podemos afirmar a quanto pitoresca (no bom sentido) Tilda Swinton fora e que continua a ser. Confirma-se.

 

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Depois do mediatismo da Competição, seguimos agora para o exterior desta com Agnès Varda, que une esforços com o artista fotográfico JR, em Visage, Vilages. Um episódio feliz de como a imagem é um infinito de possibilidades. A imaginação como Varda refere a certa altura, o “sangue” de toda esta jornada criativa que é a de “vestir” edifícios abandonados ou simplesmente no desuso estético. Visage, Vilages é emocionalmente honesto, apesar do toque experimental de Varda, nota-se uma perfeita veracidade nesses mesmo sentimentos e na nostalgia, com o qual tende em recordar os seus elos com Jean-Luc Godard.

 

Antes de continuar pelas mostras cinematográficas de Cannes, gostaria de relembrar que os pedestais mudaram. Orson Welles perdeu, a partir de hoje, o mais alto estatuto cinematográfico por parte do logo de Cannes, e no seu lugar chega-nos Federico Fellini. Há um certo contentamento na multidão ao presenciar o seu nome lá no alto, assim como o de assistir a anteriores lacunas, agora representadas nos degraus deste “wanna be” tapete vermelho, tais como Micheangelo Antonioni (em segunda posição), Robert Bresson, Jacques Tati e Chris Marker.

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:27
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18.5.17

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Depois da indiferença de Les Fantômes d'Ismael, chegam as primeiras vaias nesta edição de Cannes, desta feita vindas de uma das grandes apostas da competição, o novo filme de Kornél Mundruczó, Jupiter's Moon. É certo que obras costuradas com elementos fantásticos têm o que se lhes diga no tão mediático festival. Junta-se a isso, uma temática sobre a crise de refugiados na Europa e uma produção de alto teor visual. Está tudo dito, temos filme para a vaia.

 

Contudo, Jupiter's Moon é algo bizarro, um filme de mixed feelings onde de um lado temos uma narrativa visual impressionante e do outro um argumento que por vezes falha na coerência com um moralismo de difícil caracter. Sim, é um filme que tem tudo para se adorar, da mesma maneira que para odiar. Ao menos, a metáfora alicerçada na ficção cientifica disfarça aquela postura de olhar para baixo, o "moral high ground" que um Sean Penn, e mais recentemente Vanessa Redgrave, têm nas suas variações de vaidades privilegiadas. Mas isso não evitou que no final não se ouvisse fortes apupos.

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:51
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17.5.17

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Depois de um comité de boas-vindas fria, Desplechin a fazer das suas, o festival seguiu-se com uns fantasmas que nos persegue desde a sua concepção … não, não são os de Ismael, são sim a Netflix. Aliás, o confronto entre as plataformas e os novos métodos de exibição como de visualização parece ainda ter chegado ao seu auge.

 

A apresentação do júri oficial prenuncia esse prolongo, se de um lado Pedro Almodóvar, presidente do Júri da Competição, declarou que não iria atribuir uma Palma de Ouro a um filme que não iria passar no grande ecrã, por sua vez, Will Smith referiu o facto dos seus filhos conciliarem a ida ao Cinema com o visionamento de filmes num pequeno ecrã, nomeadamente um PC. Esta utopia para cinéfilos ferrenhos é pura heresia, para as novas gerações de moviegoers é o futuro e para cinematograficamente românticos, é uma incógnita. Ninguém fala de outra coisa, até porque o primeiro dos dois filmes de produção Netflix em Competição, está de visionamento marcado para breve. Que venham daí esses apupos (premonição).

 

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Mas voltando ao primeiro ponto para chegar ao fim do dia, que foi a indiferença com que Les Fantômes d’Ismael foi recebido pela imprensa, Andrey Zvyagintsev e o seu Loveless arrancaram eufóricos aplausos na plateia. O russo de Leviathan conseguiu a primeira grande obra de Cannes, um filme que utiliza o desaparecimento de uma criança para validar uma declaração à ausência comunicativa e afectiva das sociedades modernas, com farpas à russa em particular. É um filme de uma técnica irrepreensível, alarmante e corajosamente frio à primeira vista, porque os rasgos emotivos estão lá, com a ajuda de actores capazes de repreender um previsível overacting.

 

A verdade é que Zvyaguntsev pode não ser o realizador mais adorado da Rússia, existe um ativismo nele que os conterrâneos parecem torcer o nariz. Mas o seu filme fez ganhar o dia. Um dia que começou da pior forma para fluir num filme complexo, mesmo soando simples e enganosamente contemplativo.

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:07
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Muitos especulam uma impressionante qualidade na Selecção Oficial, mas por enquanto ficamos com uma abertura fria, onde no final da sessão para a imprensa um aplauso ou até um apupo foram inexistentes. Arnaud Desplechin é um dos favoritos da Riviera, não fosse o facto de Cannes não ser apenas um Festival do Mundo, mas um festival de grandes apostas francesas, e à imagem do que aconteceu em 2015, seguiu-se assim a opção de abrir o Certame com um compatriota.

 

O filme escolhido para tal feito foi Les Fantômes d' Ismael, porém, de assombroso nada tem. Contando com um elenco reconhecido das produções francesas – Mathieu Almaric, Marion Cottilard, Charlotte Gainsbourg, Louis Garrel e Alba Rohrwacher, esta é a história de um realizador decadente, Ismael (Almaric), no lado afectivo, assumidamente viúvo, que começa uma inesperada relação com Sylvia (Gainsbourg). Esta cumplicidade começa a gerar frutos e Ismael torna-se mais produtivo e criativo no seu trabalho. Certo dia, a sua "falecida" mulher surge passados 21 anos, com as promessas de um regresso, uma visita que levará o nosso protagonista a um turbilhão de emoções.

 

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Desplechin cria um filme sob vários tons; temos a nosso dispor rastos policiais, comédia, romance, drama e um ocasional artificialismo que faz antever um realizador pronto a proclamar-se como autor. Mas nada destas alterações "de espírito" parecem desaguar, e a obra resulta num distorcido ensaio de géneros, sem a devida convicção do seu feito. Ou talvez uma imensa e supérflua convicção. Desplechin cita Pollock e é sua intenção o fazer um filme sob os efeitos desses esquemas de cores, dessas experiências, dessas divergências que cooperam em prol de um único objectivo, a criação de uma obra. Mas o registo falha, nada cola  por aqui.

 

Voltando ao primeiro ponto, foi a indiferença que marcou esta sessão, onde nenhuma reacção, nenhum descontentamento, indignação, aprovação, ou sorriso são de destacar. E no Croisette isso não é claramente um bom sinal!

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:32
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15.5.17

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Caros leitores, é só para avisar que os próximos dias o signo deste blog será Cannes.

 

Conforme seja as vossas escolhas, bons filmes.

 


publicado por Hugo Gomes às 20:20
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14.5.17

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O coreano Hong Sang-soo irá fazer a “dobradinha” neste 70º Festival de Cannes com dois filmes integrados na Programação Oficial, recordamos que ainda este ano apresentou On the Beach at Night Alone em Berlim.

 

Um dos filmes pelo qual se aventurará por terras de Riviera é Claire’s Camera, visto como uma nova colaboração com a actriz francesa Isabelle Huppert, cinco anos depois de Another Country.

 

Claire’s Camera remete à inesperada amizade de uma professora, Claire (Huppert), com a capacidade de alterar “coisas” através da lente da sua câmara, e de uma representante de vendas (Kim Min-hee) que foi despedida num café em Cannes.

 

Claire’s Camera será projectado no Fora de Competição.

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:27
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Kiro Russo conquista o Indielisboa com a sua primeira longa-metragem Viejo Calavera, um olhar naturalista e de pureza cinematográfica a uma comunidade mineira. O realizador boliviano vence o Grande Prémio de Longa Metragem Cidade de Lisboa, uma distinção que vai juntar-se às aquelas já conquistadas em edições anteriores do festival na secção de curtas.

 

O brasileiro Arábia, de Affonso Uchôa e João Dumans, ficou-se pelo Prémio Especial, enquanto que Encontro Silencioso, a obra de Miguel Clara Vasconcelos sobre praxes universitárias, recebe a distinção de Melhor Longa-Metragem da Competição Nacional.

 

 

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

Grande Prémio de Longa Metragem Cidade de Lisboa

Viejo Calavera, Kiro Russo (Bolívia, Qatar)

 

Prémio Especial do Júri Canais TVCine & Séries

Arábia, Affonso Uchôa, João Dumans (Brasil)

 

Grande Prémio de Curta Metragem

Wiesi/Close Ties, Zofia Kowalewska (Polónia)

 

Melhor Animação –  Curta Metragem

489 Years, Hayoun Kwon (França)

 

Melhor Documentário –  Curta Metragem

The Hollow Coin, Frank Heath (EUA)

 

Melhor Ficção –  Curta Metragem

Le film de l’été, Emmanuel Marre (França, Bélgica)

 

 

COMPETIÇÃO NACIONAL

Prémio Allianz – Ingreme para Melhor Longa Metragem Portuguesa

Encontro Silencioso, Miguel Clara Vasconcelos (Portugal)

 

Prémio Ingreme para Melhor Curta Metragem Portuguesa

Miragem Meus Putos, Diogo Baldaia (Portugal)

 

Prémio Novo Talento FCSH/Nova – Curta Metragem

Flores, Jorge Jácome (Portugal)

 

Prémio Walla Collective para Melhor Filme da Secção Novíssimos

Os Corpos que Pensam, Catherine Boutaud (França, Portugal)

 

 

INDIEMUSIC

Prémio Indiemusic Schweppes

Tony Conrad: Completely in the Present, Tyler Hubby (EUA, Reino Unido)

 

Prémio Árvore da Vida

Ex-aequo:

Antão, o Invisível, Maya Kosa, Sérgio da Costa (Suíça, Portugal)

Num Globo de Neve, André Gil Mata (Portugal)

 

Prémio Amnistia Internacional

Find Fix Finish, Mila Zhluktenko, Sylvain Cruiziat (Alemanha)

 

Prémio Universidades

El mar la mar, Joshua Bonnetta, J.P. Sniadecki (EUA)

 

Prémio Escolas

Le fol espoir/Wild Hope, Audrey Bauduin (França)

 

Prémio do Público Longa Metragem

Venus, Lea Glob, Mette Carla Albrechtsen (Dinamarca, Noruega)

 

Prémio do Público Curta Metragem Crocs

Scris/Nescris, Adrian Silisteanu (Roménia)

 

Prémio do Público IndieJúnior Escolas DoctorGummy

Bichinhos do Lixo/Litterbugs, Peter Staney-Ward (Reino Unido)

 

Prémio do Público IndieJunior Famílias Trina

O Trenó/The Sled, Olesya Shchukina (Rússia)

 

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 01:24
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10.5.17

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Paul Vecchiali é descrito como um marginal no cinema francês, mas ele próprio considera nem sequer fazer parte dos livros de História. Contudo, a História está a favor deste "Herói Independente".

 

É sabido que quando Vecchiali viu Mayerling (Anatole Litvak, 1936) aclamou euforicamente no final da sessão que iria tornar-se num realizador, de forma criar experiências como aquela. E assim o concretizou. Polivalente por natureza, tendo sido também um actor e muito mais, um produtor que redefiniu e inovou os métodos produtivos do cinema francês, graças à sua segundo produtora Diagonale. O conceito nascia da frase "fazer cinema na diagonal", uma produtora que garantia a liberdade aos seus realizadores de forma a conservar o espírito neles habitado, tendo como única regra o respeito pelo orçamento.

 

Um assumido admirado do cinema dos anos 30, um homem marcado pela urgência de abordar temas irreverentes e politicamente incorrectas no Cinema, os seus filmes falam por si, e sobretudo um realizador sem "papas na língua" no que refere a caracterizar o panorama actual do cinema francês, a crítica e a cada vez mais formatação da Sétima Arte. Algo que tentaria combater e que hoje parece ter saído derrotado, felizmente, a sua postura não é a de um derrotista, mas de um vencedor que acompanhou todo um percurso cinematográfico e que tanto contribuiu para sua diversidade.

 

O Cinematograficamente Falando … teve o privilégio de falar com Paul Vecchiali, durante a sua passagem em Lisboa.

 

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É sabido que o Paul Vecchiali é muito crítico em relação aos guiões de hoje.

 

Acho muito maus, sem imaginação, bastante formatados, na maneira em que não querem surpreender o espectador. As pessoas querem falar como nos filmes que vêm, mas não compreendem nada do que se diz. Ou é "sorry", "I'm sorry", "very sorry" ou "fuck" e tudo derivado disso. A televisão anda a mudar bastante o cinema e a formatação é quase obrigatória. Onde está o cinema?

 

Em relação a sua carreira como produtor tentou de certa forma evitar essa formatação no cinema?

 

Uma vez perguntaram-me se eu era um realizador marginal. E eu respondi “Meu caro, a única coisa marginal que tenho é o facto de nem sequer entrar nas páginas”. (Risos) Eu fiz parte do sistema de um ponto de vista técnico, mas não de um ponto de vista moral. Muitos realizadores franceses pensam que são deuses. Eu vejo isto como uma família, um grupo a quem digo “Faz o teu trabalho o melhor possível” e tentamos fazer o melhor filme possível. Escrevo um argumento, chamo o diretor de fotografia, o engenheiro de som e falamos. Há um filme que fiz e que acho magnífico que é o L'Étrangleur porque resultou de uma concentração enorme de imaginários e de talentos. Mas depois há filmes que são aclamados, como A Vida de Adèle, aquela monstruosidade, que foi considerado um dos melhores filmes do ano pela Cahiers du Cinèma e me fez dizer logo “Não quero mais saber deste cineasta”.

 

Poderia comentar a frase que disse numa entrevista “O único produtor francês na atualidade sou eu”?

 

Eu sou um produtor normal, não sou marginal. Não sei se sou um bom realizador, mas sei que sou um excelente gestor. Falo com cada membro e pergunto a altura ideal para fazer determinada cena. Por exemplo, quando é uma cena no exterior explico o meu plano ao diretor de fotografia e pergunto-lhe “Quando é que devo filmar?”. E ele diz-me “devemos fazer a cena às 17 horas…. Devemos fazê-la de manhã”. E eu escuto-o. Até porque um filme não se faz na rodagem, faz-se antes, na pré-produção.

 

Sempre foi visto como um autor provocador pela abordagem dos seus filmes em temas, já por si pertinentes, como a homossexualidade, a SIDA e até mesmo a pedofilia e a pornografia…

 

Não me considero um provocador. Quando tenho questões que preciso de ver respondidas e quero saber como lidar com certos temas digo “Que posso fazer?” e assim nasce um filme. Não é uma provocação.

 

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Estive anos a pensar num filme sobre a pena de morte e um dia tive a ideia de fazer com texto improvisado [La Machine]. É verdade que muitas pessoas defensoras da pena de morte recusaram-se a ver o meu filme, acharam ridículo, mas disse-lhes “Eu é que vos acho ridículos.”. Eles simplesmente usavam argumentos de que os atores improvisavam os textos. Só escrevi uma coisa nesse filme que foi a personagem do psiquiatra e isso diz muito sobre o meu método de trabalho.

 

Sobre a homossexualidade, não aceito o nome “homossexual”. Aceito o adjetivo “homossexual”. Porque para mim não existe “o homossexual”, acho grosseiro. Quando fiz esse filme [Once More], atacaram-me e perguntaram-me se me masturbava a pensar em homens ou em mulheres. Quando nascemos temos todas as possibilidades… há a educação, há os sítios que frequentamos, há a orientação que se forma a pouco e pouco, mas não é um quadro simples. Na minha opinião, quanto mais homofóbicos são os homens, mais problemas têm em assumir o próprio desejo homossexual.

 

Quando se fala hoje do cinema francês há um grande foco de começar a partir dos anos 60, quase excluindo os anos 30, o qual Vecchiali é um grande defensor.

 

 

Para mim, o cinema francês dos anos 60 foi uma mistura do cinema dos anos 30 e da Nouvelle Vague. Farto-me de dizer que tinha a cabeça do segundo, mas o coração do primeiro. Porque a Nouvelle Vague foi isso mesmo: a cerebralidade, enquanto os anos 30 foram a escritura fílmica. É o que permite distinguir Jacques Audiard de mim. As imagens são aquilo a que se chama na matemática de “integral”, não é uma soma elementar, é o trajeto que vai um ponto ao outro, uma sequência. Um filme é como um rio, quando está na montanha é o que se chama a “pré-produção”. Desce e chega ao mar, que é o público. Quanto mais vigoroso for o rio, mais heterogénico ele é. E esta heterogeneidade é a vida. Há cineastas que tentam exprimir a vida de uma maneira falsa e a isso chamamos “homogeneidade”, uma vida idealizada. E todos os meus filmes são heterogéneos.

 

O discurso actual é fazer uma escritura fílmica, pensar o filme… e o que os meus dizem é “Estou-me a borrifar se não entras em mim. Eu quero é entrar em ti.”, tens de ser recetivo e não crítico. Há duas maneiras de falar de um filme: espetáculo e cinefilia. Se for o primeiro, a audiência está-se a borrifar para o que eu tenho a dizer, mas se for o segundo sei que haverá um reflexo analítico. E juro-vos, juro-vos aqui e agora que nunca escrevi uma crítica de um filme sem o ver, pelo menos, quatro vezes. Quando fiz o C’estl’amour houve um crítico que escreveu “É um filme demasiado escrito.” E eu escrevi-lhe um post de Facebook a perguntar “Porquê?” e ele não me soube responder. A crítica negativa não importa mais nem menos que a positiva porque é um outro olhar sobre o trabalho que faço. Mas aprendi que a crítica escreve às vezes sobre os filmes sem percebê-los.

 

Considera o Jean Renoir sobrevalorizado, mas, ao mesmo tempo, não acha irónico que seja considerado como o seu herdeiro?

 

Foi o Truffaut que disse que o único herdeiro do Renoir era eu. Não concordo, mas atenção, adoro o cinema de Renoir! Apenas não compreendo como grandes cineastas como ele ou o Visconti tinham gestos vulgares. No caso do Renoir em La Bête Humaine, há uma cena de amor entre o Jean Gabin e a Simone Simon onde ele faz uma panorâmica horrível. No caso do Visconti, no Rocco e os seus Irmãos há algo parecido. Na altura falava-se da política de autores, mas hoje em dia é necessário bater nessa política! Hoje é preciso dizer-se “há um filme genial com um plano idiota”! Ou então “há um filme de um realizador medíocre com três planos sublimes”! Acho anormal que uma pessoa que trabalhou vagamente num argumento bloqueie o trabalho de 50 outras pessoas. Já me bati no tribunal por situações assim.

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:03
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8.5.17

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Há 10 anos estreava entre nós a tragédia shakespeariana Capacete Dourado, que teve como pano de fundo um romance inconclusivo que incendiou os medias portugueses. O filme foi apresentado em Locarno e a sua passagem foi, de certa forma, feliz e elogiada. A técnica por detrás desse filme tornou-se uma carta de amor entre o realizador e a narrativa visual, o plano, a perspectiva e o olhar. Infelizmente tivemos que esperar uma década para este regresso às longas-metragens.

 

Cramez apresenta Amor Amor, uma tragicomédia de paixões proibidas ou simplesmente, procrastinadas pelo bem de uma fraternidade. A decorrer no última dia do ano, Amor Amor que se destaca do resto da Competição Nacional do Indielisboa pelo seu rigor técnico, pela paixão de construir um filme estruturalmente. O Cinematograficamente Falando … falou com o realizador sobre esse regressar e a importância estética por detrás dos seus filmes.

 

Provavelmente toda a gente faz esta mesma pergunta, como foi regressar ao formato das longas-metragens após um intervalo de dez anos?

 

Foi complicado. Era como tivesse passado outra vez por aquela sensação de primeira obra, mas não passando pelos mesmos dramas. Foi difícil esta intermitência de ter que voltar às situações que já deveríamos ter ultrapassado. Porém, sou uma pessoa muito feliz quando filmo, o que é um factor bastante bom porque atenua, de certa forma, esta readaptação. Mas obviamente, temos outras complicações, falo das questões materiais, a produção, o tempo de rodagem, os orçamentos.

 

Mas atenção, eu não parei de fazer filmes durante este período de 10 anos. Conto cerca de 5 ou 6 curtas-metragens da minha autoria, algumas delas financiadas pelo ICA, nem que seja pelo apoio desta, outras produzidas por mim, entre as quais algumas para o MOTELx. Ou seja, não parei de filmar durante esse tempo, nem sequer afastei-me do cinema, em acréscimo tenho ainda trabalhos como anotador, assistente de realização, etc.

 

Em relação à pergunta original, esta experiência foi relativamente boa, mas ao mesmo tempo existe este peso, estas questões que não deveriam sequer existir nesta altura. Tal não existiria se filmasse com maior regularidade.

 

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E que altura decidiu regressar ao formato?

 

Isto tem muitos anos, na realidade, há 10 anos de intervalo entre o Capacete Dourado e este filme. Mas no ano em que obtive apoio para o Capacete', foi no último em que os realizadores podiam submeter mais do que um projecto. Eu concorri com os dois, sendo que, julguei por algum tempo que teria sido o Amor Amor a ser aprovado o financiamento, mas acabou por ser o filme que todos nós sabemos. Ou seja, este novo filme já existia, mesmo em estado embrionário, desde o tempo do Capacete Dourado, e mais, a ideia chega a ser anterior a esse filme.

 

E que altura foi essa?

 

O filme nasceu no inicio dos 90, mais concretamente quando vi a peça do Corneille [La Place Royale ou l'Amoureux Extravagante] na Cornucópia, encenada pela francesa Brigitte Jacques (Benoît Jacquot filmou a sua peça). Fiquei na altura fascinado, pelo que quis extrair essa temática de Corneille e nela depositar o meu universo afectivo como a do meu seio de amigos. Aquelas personagens [a do filme Amor Amor] tem referências na minha vida, a Marta é a Marta, Carlos é o Carlos, o Jorge … pronto sou eu, mas menos bonito [risos]. Todo um filme é um conjunto de alter-egos.  

 

Mas nesse intervalo, propriamente dito, as suas curtas operaram como esboço para este filme, não foi?

 

Sim. Nas curtas experimento aquilo que depois aplico neste filme, ou seja estamos sempre a fazer cinema. E o que o cinema significa para mim? Sei lá, eu tenho 50 anos de cinema em cima, comecei a ver Cinema a partir dos quatro anos de idade. Depois vindo de Angola para Portugal, com os meus 12, 13 anos até aos 25, estava mais tempo na Cinemateca do que noutro lugar. Passava os meus tempos a ver filmes, na Cinemateca via cerca de 3 a 4 filmes, era a descoberta de um Cinema antigo que coliga com o nosso moderno. E depois de sair de lá, ainda ia ver uma estreia qualquer em sala. Penso que os filmes vem daí, é algo muito intuitivo, não sei explicar ao certo

 

Tendo em conta as temáticas de ambas as suas longas, Capacete' e Amor', considera uma pessoa romântica?

 

Não é bem isso. [risos] Interessa-me os dilemas amorosos, mas não sou necessariamente romântico. É uma questão que me interessa, e que é transversal no meu trabalho. Falo de amor e trabalho com o amor.

 

Falando em amor, algo que se nota nos seus filmes é que possui uma certa afeição pelo plano. Como consolida essa narrativa visual, ou planificação, frente ao argumento que dispõe?

 

Sou obsessivo com o quadro, o que é muito óbvio nos filmes. Sou aquela pessoa que depois do director de fotografia, vou lá e fecho o "quadro". Também não te consigo explicar o porquê dessa obsessão, faz parte dessa veia cinematográfica em mim, por vezes imagino um plano antes dele acontecer. É a nossa vida de cinéfilo, vemos e instantaneamente acumulamos referências, estas tornam-se parte de nós, e como gosto muito de pintura e frequento habitualmente museus para ter a chance de olhar atentamente para esses quadros. Isso está presente nos meus filmes. Eles possuem um lado formal, um rigor técnico e visual.

 

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Há quem prefere submeter-se uma câmara à mão, eu nem por isso. Mas em Amor Amor também utilizei esse tipo de planos, inclusive há uma sequência, um dialogo entre Carlos e Jorge na praia, pelo qual utilizei esse método. Mas esse mesmo soa como steadycam e não uma handcam. Devo muito esse profissionalismo técnico a João Ribeiro, o meu técnico de fotografia. O cinema é tudo, e um realizador é a acumulação desse tudo. Mas para mim, ainda mais importante que o plano, são os actores.      

 

Sim, os actores. Cada vez é mais difícil reunir as suas "velhas caras" em novos projectos?

 

Por exemplo, na sessão de apresentação do filme foi muito difícil reunir o meu elenco. A disponibilidade tem sido cada vez mais difícil. Quando não estão a fazer Cinema, estão a fazer teatro ou até televisão que ocupa grande parte dos respectivos tempo. Mas não os censuro, a disponibilidade que eles tiveram para mim foi óptima. Estou grato.

 

Mas continuando na técnica, é de reparar que o Jorge tem um "amor" ao plano-conjunto.

 

Sim, tento evitar os campos, contra-campos, como os morses e os espaços. A minha câmara é muito frontal, muito devedora à perspectiva do espectador. E gosto do plano-conjunto que é uma forma de conseguir captar uma certa reacção instantânea na acção.

 

E novos projectos? Continuará nas longas?

 

Espero que o filme corra bem para já no próximo ano filmar outro. Terminei o Amor Amor ano passado.

 

Na sua opinião, acha que o cinema português precisa ser salvo?

 

Ele existe e existe bem. Ainda agora vamos ter uma curta de animação [Água Mole, de Laura Gonçalves] e outro da Marta Mateus na Quinzena. A Leonor [Teles] ganhou um Urso há dois anos, o Diogo [Costa Amarante]este ano, o Salaviza ganhou a Palma de Ouro, João Pedro Rodrigues foi premiado em Locarno … Não acho que o cinema português tem que ser salvo.

 

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O cinema continua a existir neste país, continuamos a fazer coisas. Um problema que se pode abordar, mas nem sei como resolver na actualidade, visto que falamos de amor, é o desamor do nosso cinema pelo público português. João César Monteiro fazia quase 10.000 espectadores aqui e se canhar fazia 150 mil em Itália, o Oliveira sempre teve mais espectadores lá fora do que cá.

 

Tem que ser salvo? Não sei. Depois há o lado da politica, e nessa, a politica de apoios. Mas eu não me quero meter nesse assunto, porque normalmente quem mais fala, é quem possui mais subsídios. Não, nem vou por aí. O que mais gosto de fazer é filmar e sou feliz a fazê-lo.       

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:08
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2.5.17

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Mais um ano, mais uma edição do Indielisboa. Para sermos mais exactos, o festival lisboeta com especial dedicação ao cinema alternativo e independente vai para o 14º ano de existência. A melhor forma de celebrá-lo é apresentar-nos outra rica selecção, desde as habituais retrospectivas, novidades, experiências e uma das maiores competições de filmes nacionais da História do evento. São seis longas-metragens, desde nomes prontos para saírem do anonimato até o regresso de veteranos, tais como Jorge Cramez, que segundo Mafalda Melo, uma das programadoras do festival, “é uma infelicidade não filmar mais”.

 

Quem disse que não havia Cinema Português?

 

Foi sobre esse signo lusitano que arrancou a nossa conversa com a programadora, que afirma devidamente que é sob a língua portuguesa que a 14ª edição terá o seu pontapé de saída. Sim, Colo, o novo filme de Teresa Villaverde, presente na competição do passado Festival de Berlim, terá a honra de abrir mais um certame, criando um paralelismo com a tão rica Competição Nacional: “É um ano feliz, aquele que sempre poderemos abrir com um filme português

 

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Mas voltando ao ponto de Cramez (Amor, Amor), o retorno do realizador ao formato da longa após dez anos de Capacete Dourado,  é “uma confirmação do seu talento”, que se assume como forte candidato da Competição Nacional e Internacional, no qual também figura. E isto sem  desprezar o potencial dos outros cinco candidatos ao Prémio de Melhor Filme PortuguêsCoração Negro, de Rosa Coutinho Cabral, “uma ficção dura, de certa forma ingénua e verdadeira”, o regresso de André Valentim Almeida ao trabalho “sob a forma de filme ensaio” em Dia 32, a aventura de Miguel Clara Vasconcelos na ficção em Encontro Silencioso, que remete-nos ao delicado tema das praxes universitárias, Fade into Nothing de Pedro Maia, “um excelente road movie” protagonizado por The Legendary Tiger Man, e, por fim, Luz Obscura, onde Susana de Sousa Dias persiste no “registo documental em tempos da PIDE”.

 

Em relação à competição de curtas-metragens, Mafalda Melo destaca algumas experiências neste formato, entre as quais o nosso “Urso de Ouro”, Cidade Pequena, de Diogo Costa Amarante, assim como Salomé Lamas (Ubi Sunt), José Filipe Costa (O Caso J), Leonor Noivo (Tudo O que Imagino) e André Gil Mata (Num Globo de Neve). Ou seja, apesar de serem filmes de “minutos”, nada os impede que sejam “impróprios” para grandes nomes da nossa cinematografia e “uma seleção bastante consistente”.

 

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A Emancipação dos Heróis

 

Para Mafalda Melo, o que une os dois Heróis Independentes deste ano é o seu espírito marginal: “Quando falamos de Cineastas Independentes, quer do Paul Vechiali como do Jem Cohen, não pelas mesmas razões, nem pelas opostas, são dois cineastas verdadeiramente independentes.

 

Jem Cohen é provavelmente o mais fundamentalista a receber este titulo de “Herói”. O nova-iorquino “quando começou a filmar, há cerca de 30 anos, precisou só da sua câmara e ter ideias para fazer filmes. Foi assim que ele trabalhou e continua a trabalhar.” Uma carreira diversificada, que vai desde o documental à música, ao ensaio até à pura experiência que não limita a sua cinematografia, com orçamentos “baixíssimos” até a micro-equipas, um verdadeiro “sentido de independência”. O Indielisboa irá dedicar-lhe um extenso ciclo, incluindo o seu mais recente filme, Birth of a Nation, uma visita a Washington no dia da tomada de posse de Donald Trump: “um filme onde encontramos aquilo que sempre encontrámos na sua filmografia, uma ligação emocional às coisas, aos espaços e aos sítios. Um gesto politico, silencioso, mas igualmente agressivo”.

 

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No caso de Vecchiali, “a sua independência garantiu-lhe um lugar à margem das manifestações artísticas da sua época.”. Longe da nouvelle vague, por exemplo, o outro Herói foi actor, realizador, produtor, um homem voluntariamente marginalizado dos eventuais contextos cinematográficos que foram, no entanto, surgindo. Como produtor, Vecchiali mantinha-se fiel ao “espírito do realizador e da obra”. Tal fidelidade resultou na sua produtora, a Diagonale, onde os realizadores usufruíram da mais intensa liberdade criativa, tendo apenas como condição respeitar o “orçamento imposto”.

 

Uma Família Cinematográfica

 

Os métodos de liberdade concebidos por Paul Vecchiali fortaleceram a ideia de “família cinematográfica”, um circulo partilhado pelo Indielisboa que aposta sobretudo na crescente carreira de muitos dos seus cineastas. Melo sublinhou com curiosidade, o regresso constante de muitos autores premiados, como por exemplo das secções de curtas, ao festival com novos projectos entre mãos. É a família, esse revisitar, que alimenta a ideia de que um festival  que é sobretudo mais que uma mera mostra de filmes, um circuito de criadores e suas criações.

 

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Nesse sentido, o 14º Indielisboa conta com três realizadores anteriormente premiados nas secções de curtas, “com filmes seguríssimos que só apenas confirmam os seus já evidenciados talentos”. Quanto a outros convidados, Mafalda Melo destaca a presença dos dois Heróis Independentes, dos realizadores das duas grandes Competições (Nacional e Internacional) que terão todo o grado de apresentar as suas respectivas obras e ainda Vitaly Mansky, um dos documentaristas russos mais aclamados.

 

Mantendo-se Internacionalmente Competitivos

 

São 12 primeiras, segundas e terceiras obras que concorrerão pelo cobiçado prémio. Uma selecção rica, quer em temas, nacionalidades e estilos. A programadora refere novamente Cramez, um português a merecer destaque numa Competição que esteve várias edições fora do alcance do nosso cinema, e ainda as provas de Kiro Russo (Viejo Calavera), Song Chuan (Ciao Ciao), Eduardo Williams (El Auge Del Humano) e a produção brasileira Arábia, de Affonso Uchoa e João Dumans. “Todos estes filmes são descobertas e terem em conta”, acrescentou.

 

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A destacar ainda a união de Lucien Castaing-Taylor e Veréna Paravel, dois investigadores da Sensory Ethnography Lab, de Harvard, que conduziram em 2013 o grande vencedor do Indielisboa, Leviathan, agora remexendo no onírico do letrista nova-iorquino Dion McGregor.

 

O Inferno continua no Indie

 

Mafalda Melo foi desafiada a falar da crescente secção Boca do Inferno, dedicado ao cinema de género e de temáticas ainda mais alternativas, sem mencionar a sensação de Grave (Raw), o filme de canibalismo de Julia Ducournau, que vai mantendo um registo de desmaios, vómitos e saídas repentinas por parte dos espectadores, por onde passou.

 

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Respondendo ao desafio, a programadora falou, incontornavelmente, de Free Fire, o mais recente trabalho de Ben Wheatley (Kill List, Sighseers),uma espécie de Reservoir Dogs da nova geração”. Brie Larson, Cillian Murphy e Armie Hammer são os protagonistas. Mas foi em I Am Not a Serial Killer que se sentiu um maior fascínio: “Um pequeno grande filme sobre um jovem de tendências homicidas que descobre que Christopher Lloyd, o Doc do Back to the Future, é um verdadeiro monstro. Uma obra geek, mas de um humor negro inacreditável.

 

O russo Zoology, “outro pequeno grande filme, sobre uma mulher que descobre que lhe está a crescer uma cauda, não colocará ninguém desapontado”. Estas entre outras “experiências bastante distintas” que alimentaram esta cada vez mais procurada secção.

 

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Director’s Cut: entre Zulawski e Herzog

 

Dois eventos esperados para cinéfilos são a exibição do filme “maldito” de Andrzej Zulawski, On The Silver Globe, e Fitzcarraldo, de Werner Herzog. Em relação a Zulawski,estamos muito satisfeitos por fazer parceria com a White Noise, como resultado iremos exibir uma recente cópia restaurada” de um filme incompleto devido à decisão da época do Ministério da Cultura polaco de vir a comprometer questões politicas e morais.

 

Quanto a Fitzcarraldo, a sua projecção foi motivada por outra projecção, a da curta de Spiros Stathoupoulos, Killing Klaus Kinski, que durante a rodagem do tão megalómano filme, o chefe de uma tribo amazónica que propôs a Herzog o assassinato do actor Kinski de forma a restabelecer a paz.    

 

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Redescobrir o Português subestimado

 

Ainda no Director’s Cut, está agendado um encontro com Manuel Guimarães, o cineasta que tentou incutir o neo-realismo no cardápio cinematográfico português, mas que hoje tornou-se numa figura esquecida e constantemente subestimada. O Indielisboa passará O Crime de Aldeia Velha, uma história sobre inquisições e superstições, que dialogará com o filme de Leonor Areal, Nasci com a Trovada, um olhar atento à figura e os motivos que o levarão a tão triste destino – a falta de reconhecimento.

 

Indiemusic ao Luar!

 

Uma das secções mais habituais do Indielisboa terá um novo fôlego. O Indiemusic abrirá em paralelo com a reabertura do Cineteatro Capitólio/Teatro Raul Solnado. Serão sessões ao ar livre com muito cinema e a música como cocktail. A mostra terá inicio no dia 5, com a projecção de Tony Conrad: Completely in the Present, o documentário que olha o legado incontornável do “padrinho” dos Velvet Underground.

 

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Um festival a crescer!

 

Ao longo de 14 anos, o Indielisboa tem se tornado um festival cada vez mais “acarinhado por parte do público”, o que corresponde a mais espectadores, mais secções. Mas para Mafalda Melo, o “Indie não se fechou, mas sim expandiu fronteiras ao mesmo tempo manteve-se fiel ao seu espírito independente. Conseguimos ao longo destes anos uma mostra esperada dentro deste circuito, uma plataforma para a descoberta. E é isso que temos mantido, esta evolução gradual ao longo dos anos, o dever de apresentar cineastas e filmes que as pessoas desconhecem.

 

O Indielisboa acontecerá no Cinema São Jorge, Cinema Ideal, Cinemateca Portuguesa Museu do Cinema, Cineteatro Capitólio e a Culturgest, prolongando-se até ao dia 14 de Maio.

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:04
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27.4.17

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Roman Polanski é a mais recente adição da programação do próximo Festival de Cannes. O seu novo filme, Based on a True Story (D’après une histoire vraie), estará presente na 70ª edição do festival numa sessão Fora de Competição.

 

Tratando-se da adaptação do livro de Delphine de Vigan, o filme centra a sua história numa autora (Emmanuelle Seigner) com um bloqueio criativo, cujo seu mundo é abalado quando se depara com uma misteriosa mulher (Eva Green). O argumento foi concebido pelo próprio Polanski em colaboração com Olivier Assayas (Personal Shopper).

 

Para além do trabalho de Polanski, foi ainda anunciado outras obras que figurarão a montra cinematográfica mais cobiçada do ano, entre eles, o mais recente filme de Ruben Ostlund (Force Majeure) – The Square – em Competição.

 

Destaca-se ainda a homenagem ao cineasta André Techiné, através da projecção do seu novo filme, intitulado de Nos Années Folles, e do filme-concerto Djam, de Tony Gatlif, a ter lugar no Cinéma de la Plage (Cinema na Praia).

 

 

OUTRAS ADIÇÕES

Un Certain Regard

La Cordillera, de Santiago Mitre

Walking past the Future, de Li Ruijun

 

Sessões Especiais

Le Vénérable W., de Barbet Schroeder

Carré 35, de Eric Caravaca

 

Sessão Infantil

Zombillénium, de Arthur de Pins e Alexis Ducord

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:55
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25.4.17

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Foi anunciado as restantes personalidades que irão compor o júri da Selecção Oficial do próximo Festival de Cannes.

 

No júri, que será presidido pelo cineasta espanhol Pedro Almodóvar (Julieta), estarão integrados os realizadores Chan-Wook Park (The Handmaiden) e Paolo Sorrentino (La Grande Bellezza, Youth), o actor Will Smith (Suicide Squad), a realizadora e argumentista Maren Ade (Toni Erdmann), a actriz norte-americana Jessica Chastain (Interstellar, The Tree of Life), a realizadora e actriz Agnès Jaoui (Le Goût des Autres), a actriz e produtora chinesa Fan Bingbing (X-Men: Days of a Future Past), e o compositor francês Gabriel Yared.

 

A 70ª edição do Festival de Cannes decorrerá entre 17 a 28 de Maio.

 


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publicado por Hugo Gomes às 22:54
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14.4.17

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Fiore é o grande vencedor da 10ª Festa do Cinema Italiano. O filme de Claudio Giovannesi que aborda uma prisão juvenil arrecadou o cobiçado Prémio do Júri. La Ragazza del Mondo, de Marco Daniele, obteve uma menção honrosa e Un Bacio, de Ivan Cotroneo foi o elegido pelo público na sua respectiva categoria.

 

O júri desta edição foi integrado pela realizadora de Ama-san, Cláudia Varejão, o montador João Braz e ainda a actriz Rita Blanco.

 

A cerimónia de revelação e entrega dos prémios foi sucedida pela projecção de In Guerra Per Amore, uma comédia ambientada na Segunda Guerra Mundial, que contou com a presença do realizador Pierfrancesco Diliberto (Pif). O filme terá estreia nacional.

 

Depois de quatro cidades em simultâneo, a 8 1/2 Festa do Cinema Italiano ruma para a cidade de Aveiro (19 a 21 de Abril).

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:55
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