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12.10.17

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José Pedro Lopes não concretizou nenhum feito, até porque o terror sempre fora um género ao alcance do cinema português. O que realmente consegue com A Floresta das Almas Perdidas é quebrar essa barreira que se tem a vindo a converter-se num tremendo tabu. Esta fobia pelo cinema de género no panorama nacional, as hostilidades que fazem a sua longa-metragem num marco raro, colhido com elogios em inúmeros festivais de cinema e publicações estrangeiras. O suicídio e o crime de mãos dadas com a criação de um psicopata que rivaliza com Diogo Alves nas questões das auras cinematográficas em Portugal. O Cinematograficamente Falando … falou com o realizador que nos convidou a penetrar nesta floresta dos suicídios.  

 

Vamos começar com a pergunta mais básica em relação ao Floresta das Almas Perdidas. Como surgiu a ideia para deste projeto? E o porquê da “apropriação cultural” da Floresta dos Suicídios?

 

Queria explorar como o mal surge em todo o lado, de forma oportunista. Sempre que há uma calamidade, existe que tira vantagem disso. Ou numa grande perda. Aqui a minha ideia era ter alguém que se alimentava dos sentimentos de um suicida e da sua família de luto. Inspirei-me em filmes como o Whristcutters (do Goran Dukić) e o Audition (do Takashi Miike).

 

No que toca a lugares conhecidos pela prática do suicídio existem por todo o mundo, mesmo aqui em Portugal. Claro que a floresta de Aokigahara é uma referência no contexto que criamos – mas estas personagens estão e lidam claramente com problemas portugueses.

 

O cinema de género é uma raridade em Portugal. Como foi, ou pensa, contornar um desafio tão grande na nossa cinematografia?

 

Em termos de contexto, ‘A Floresta’ não foi feita para provar nada cá dentro, nem para contrariar ninguém. Quanto muito, como fã do género fantástico, queria contribuir nesse género global. Queria ver histórias portugueses no meio desse grande género que descobre filmes nos quatro cantos do mundo.

 

No nosso país há uma dificuldade grande em financiar filmes de género, e talvez ainda maior em coloca-lo e distribuí-lo. Mas é um pouco inerente ao género em sim: o terror sempre foi peregrino e sempre assustou. É o tipo de filmes que vemos em adolescente para chatear os pais, e que continuamos a ver em adultos para baralhar os amigos.

 

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Acho que quem faz terror cá ou lá fora não pode muito pensar no mercado local, mas sim no internacional. Todos os anos tens filmes de terror que viajam o mundo com abordagens muito culturais. Esperar conceber um filme para ser um sucesso no mercado nacional é esperar bater o cinema de Hollywood em algo que eles tem toda a vantagem.

 

Em A Floresta das Almas Perdidas nota-se uma gradual artificialidade, principalmente no genérico estilizado. Será que aqui influências do cinema de Argento? Esse neo-expressionismo do género?

 

Apesar de ‘A Floresta’ ser um filme muito estilizado e visual, diria que é mais sobre contenção e sobre implosão. O Dario Argento vejo-o como mais explosivo. As minhas influências foram mais o cinema de realizadores como o Takashi Miike e o Kim Ki-Duk, situado entre o horror e o drama, sem grandes linearidades.

 

‘A Floresta’ é sobre a chegada à idade adulta de um assassino, sobre a maturação do mal. Por outro lado, é sobre a tristeza e a fatalidade das vítimas. O terror está mais no coração das personagens do que naquilo que vemos.

 

Ao contrário de muitas obras do género, principalmente vindo dos EUA, o antagonista não possui um devido motivo para a sua violência. Será que aqui se concentra uma reflexão do fascínio pelo mórbido e violência, normalmente anexada, à juventude de hoje?

 

Creio que em certa forma a ausência de motivo é o motivo mais comum para quem faz mal aos outros no mundo real. O cinema procura razões e desculpas para o mal para não nos assustar demasiado. Mas a verdade é outra – quem faz mal aos outros faz-lo por uma opção de vida. Tens pessoas que passam por vinte vezes pior e que mesmo assim não faria mal a ninguém.

 

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O lado da juventude é truculento. O filme faz muitos referências às idiossincrasias da juventude atual, das redes sociais e da abordagem superficial das coisas. No entanto, acho que o lado mórbido é desprovido de época. Este tipo de maldade já está connosco à décadas. Acho que também a insensibilidade provocada pelas nossas tecnologias não está só na juventude – existe um hábito de acusar os jovens de viverem muito online e se relacionarem com os seus telemóveis, mas isso é um problema que atinge todas as idades.

 

Floresta das Almas Perdidas é também um desafio para a pequena produtora Anexo 82. Fale-nos das dificuldades de financiamento e até mesmo de produção.

 

‘A Floresta’ foi maioritariamente financiado pela produtora Anexo 82, sendo que contou com um apoio da Fundação GDA e alguns patrocínios privados e apoios. O segredo para fazer o filme com pouco foi pensá-lo de forma a ir de encontro ao que conseguíamos fazer. Foi um sacrifício grande mesmo assim – um que eu não sei se voltaria a fazer.

 

Sobre o casting? Como sucedeu a escolha de Daniela Love para o papel de psicopata?

 

A Daniela já tinha participado numa curta-metragem nossa chamada Videoclube. Nela ela era também cheia de referências e irreverência. A Carolina de ‘A Floresta’ é o lado obscuro dessa personagem, e desde muito cedo que a Daniela foi a escolha para o papel.

 

Como vê o cinema português de hoje, desde os apoios até à variedade estilística?

 

Creio que não é o meu lugar fazer essa apreciação, nem sou a pessoal ideal para o fazer.

 

Quanto a novos projectos?

 

Estamos de momento a terminar uma curta-metragem do Coletivo Creatura, um filme de animação chamado “A Era das Ovelhas”. A seguir a isso vemos analisar o resultado de ‘A Floresta das Almas Perdidas’ e concluir o que fazer a seguir. Temos vários projectos – uns a procura de desenvolvimento ou outros de financiamento – mas só depois de ver o impacto deste é que saberemos o melhor a seguir.

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:11
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22.9.17

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Leonel Vieira (A Selva, Sombra dos Abutres, O Pátio das Cantigas) regressa à realização com Alguém como Eu, uma comédia romântica de coprodução luso-brasileira, que conta com Ricardo Pereira e Paolla Oliveira como protagonista.

 

O enredo arranca com a básica temática “girl meet a boy” (mulher conhece rapaz) para depois desenvolver como uma comédia de contornos fantasiosos. Helena (Oliveira), é uma brasileira que decide mudar de vida, e para isso muda-se para Portugal. Lá conhece Alex (Pereira) e é amor à primeira vista, porém, a relação entra numa espiral conflituosa e Helena, desesperada, pede ajuda a Deus.

 

Paulo Pires, Dânia Neto, Manuel Marques, Sara Prata, José Pedro Vasconcelos, Irene Ravache (Yvone Kane) e Júlia Rabello (Porta dos Fundos) completam o elenco. Pedro Varela encontra-se por detrás do argumento.

 

Alguém Como Eu estreia a 12 de Outubro.

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:55
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21.9.17

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De Luís Ismael, criador da trilogia Balas e Bolinhos, chega-nos o primeiro trailer de Bad Investigate.

 

Uma comédia policial que coloca o espectador na caça de um perigosos criminoso conhecido como "El Dedo" (Enrique Arce). Luís Ismael para além de realizador, regressa como actor ao lado de Robson Nunes, Francisco Menezes, João Ricardo, Luísa Ortigoso, Ana Malhoa e Laura Galvão.

 

Bad Investigate tem data agendada para Janeiro de 2018.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:19
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10.9.17

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Foi revelado o teaser trailer do último capítulo da saga Cinquenta Sombras de Grey, intitulado de As Cinquenta Sombras Livre (Fifty Shades Freed). James Foley, que havia assinado o segundo filme do franchise [ler crítica], regressa à realização, o mesmo se pode dizer do argumentista Niall Leonard.

 

Baseado numa saga literária de E.L. James, estas Cinquenta Sombras Livre segue o romance quente de Anastasia Steel e Christian Grey, ameaçado por fantasmas do passado e inimigos de família. Dakota Johnson e Jamie Dornan estão de volta aos seus anteriores papeis.

 

Estreia em Fevereiro nos cinemas portugueses.

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:33
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8.9.17

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Mother!, o mais recente filme de Darren Aronosfsky (Black Swan, The Wrestler) foi aplaudido e vaiado durante a sua apresentação no Festival de Veneza, o qual encontra-se em Competição. O realizador tem demonstrado agradado pelas dispares reacções envolto ao seu novo trabalho, sendo o seu intuito que mother! não deixe ninguém indiferente, e como tal, segundo algumas entrevistas dadas, tudo fez para chocar as audiências. Um desses choques voluntários encontra-se na diferença de idades do casal, Jennifer Lawrence com 27 anos e Javier Bardem com 48. À Digital Spy, Aronofsky referiu:

 

"Após escolher a Jennifer, comecei a pensar quem iria contracenar com ela, e que de forma poderia sobressair, quem seria este homem mais velho. Tenho conhecimento que existe uma forte crítica em relação a Hollywood juntar velhas estrelas com jovens ingénuas, mas este filme é sobre isso, portanto encaramos de ‘caras’, não é propriamente aproveitarmos disso. Originalmente, a personagem do Javier iria ser chamada de 'o seu velho' ['Her old man'] – e seria um homem numa cadeira de rodas. Mas isso não era muito sexy, portanto tivemos que arranjar outra coisa. E depois a possibilidade do Javier interpretar esta figura paternal mais velha era verdadeiramente emocionante. A escolha começou com a Jennifer, mas depois do argumento estar concluído".

 

O realizador revelou ainda que não escreveu o argumento a pensar em Lawrence, apesar do papel ser à sua medida e de ser a sua actual namorada.

 

Mother! (Mãe!) tem estreia prevista para dia 21 de Setembro nos cinemas portugueses.

 


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publicado por Hugo Gomes às 01:43
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26.8.17

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A actriz, e agora realizadora Vanessa Redgrave, vai estar presente em Lisboa durante a Festival Internacional de Cultura de Cascais, assim como para a apresentação do seu documentário, Sea Sorrow.

 

Tendo estreia especial no último Festival de Cannes, o filme assumiu-se como uma meditação pessoal da actriz para a com a crise dos refugiados, uma espécie de testemunho do seu trabalho solidário e activista. A sessão, terá lugar no cinema Medeia Monumental no dia 19 de Setembro, contará também com a presença do produtor Carlo Nero e ainda de Lord Alfred Dubs, membro e antigo deputado do Partido Trabalhista, como também activista dos direitos dos refugiados e ex-presidente do Conselho para os Refugiados.

 

Sea Sorrow estreará nos cinemas nacionais a 28 de Setembro.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:32
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11.8.17

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Em entrevista ao site brasileiro Cine Pop, Luc Besson em promoção ao seu Valerian and the City of a Thousand Planets [ler crítica] expressou nitidamente a sua saturação ao subgénero dos filmes de super-heróis:

 

"Estou completamente cansado. Quero dizer, foi bom há 10 anos quando vimos o primeiro Homem-Aranha e Homem de Ferro. Mas agora, são para aí uns cinco, seis e sete; temos super-heróis a trabalhar com outros super-heróis, mas não são da mesma família. Estou perdido. Mas o que me incomoda mais é eles existem para mostrar a supremacia dos EUA e como são grandes."

 

Em termos particulares, o realizador não poupou as críticas a um herói - Capitão América e a sua envolvência na propaganda norte-americana:"Qual é o país do mundo que teria a coragem de chamar um filme "Capitão do Brasil" ou "Capitão da França"? Quero dizer, ninguém! Ficamos tão envergonhados que até dizemos: 'Não, não, vamos, não podemos fazer isso.' Eles podem. Eles podem chamá-lo de "Capitão América", e todos acham normal. Não estou aqui para propaganda, estou aqui para contar uma história ".

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:52
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5.8.17

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A Fábrica do Nada [ler crítica], a premiada quarta longa-metragem de Pedro Pinho, vai chegar aos cinemas portugueses a partir do dia 21 de Setembro, em salas ainda por anunciar.

 

Descrito como uma experimentação sociopolítica, A Fábrica do Nada "vampiriza" factos verídicos, a auto-sustentação da Fabrica de elevadores Otis, em conformidade com uma ideia de Jorge Silva Melo e da homónima peça de teatro de Judith Herzberg, para nos trazer um ensaio docuficção sobre a dignidade proletária e o aproveito politico das situações de austeridade.

 

O filme de Pedro Pinho venceu no Festiva de Munique o prémio de Melhor Novo Filme, e ainda o Prémio da Crítica FIPRESCI no Festival de Cannes, o qual teve inserido na secção paralela, A Semana da Crítica.

 

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publicado por Hugo Gomes às 12:06
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13.7.17
13.7.17

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Os melhores filmes do ano até agora (estreados em Portugal)

 

1) Aquarius (Kleber Mendonça Filho)
2) The Tribe (Myroslav Slaboshpytskyi)
3) La Mort de Louis XIV (Albert Serra)
4) Paterson (Jim Jarmusch)
5) Ma Vie de Courgette (Claude Barras)
6) Little Men (Ira Sachs)
7) Logan (James Mangold)
8) São Jorge (Marco Martins)
9) Get Out (Jordan Peele)
10) Ama-san (Cláudia Varejão)

 

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publicado por Hugo Gomes às 13:27
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27.6.17

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Com Baby Driver preste a estrear e a arrecadar elogios por parte da crítica norte-americana, Edgar Wright parece estar de volta à ribalta. Mas nada disso evitou com que um certo fantasma fosse invocado durante a promoção do seu último trabalho, e tendo em conta as notícias que correm sobre a saída de Phil Lord e Chris Miller do spin-off de Han Solo, o seu abandono da produção de Ant-Man surge nos questionários.

 

Como sabem, Wright cedeu a direcção de Ant-Man em 2014, tendo sido substituído por Peyton Reed. O motivo apresentado foi o de divergências artísticas entre o autor e o estúdio. A Uproxx confrontou o realizador com esta sua "fatídica" experiência, questionando se ele já vira ou se tenciona ver o resultado final concebido pelo seu colega Reed. A resposta de Wright foi a seguinte:

 

"Eu não vi isso, nem sequer o trailer. Isso é o mesmo que me perguntar: 'Você quer ver sua ex-namorada fazer sexo? Claro que não. Eu estou bem".

 

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O realizador possui uma sólida relação de amizade com o protagonista Paul Rudd, visto que foi graças a Wright que o actor conseguiu o papel do heróico Scott Lang / Ant Man, o qual acrescentou que mesmo assim não possui qualquer rancor por este ter permanecido na produção. Em relação a Peyton Reed, o realizador afirmou que a única trocada foi a do simplesmente: "Não uses os meus storyboards".

 

Quanto ao seu novo filme, Baby Driver, a estrear no dia 3 de Agosto em território português, o espectador acompanhará um jovem e talentoso condutor (Ansel Elgort) que juntamente com um grupo de criminosos decide participar num assalto. Este com resultados desastrosos. Kevin Spacey, Lily James, Jon Bernthal, Jon Hamm e Jamie Foxx são outros dos actores presentes, num filme onde a banda-sonora promete ter um forte impacto na acção.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:04
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26.6.17

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Eis o primeiro trailer de Le Fidèle, o novo thriller de Michaël R. Roskam (The Drop, Bullhead) que nos leva a uma Bélgica sob o calor do crime organizado. Nesse ambiente hostil e marginal surge um romance perigoso entre um gangster e uma piloto de raízes privilegiadas.

 

Adèle Exarchopoulos (A Vida de Adèle) e Matthias Schoenaerts (Suite Française) são os protagonistas e Thomas Bidegain (O Profeta) e Noé Debré (Dheepan) assinam o argumento. Estreia prevista para 21 de Setembro no nosso país.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:30
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21.6.17

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Chega-nos o primeiro trailer de Índice Médio de Felicidade, o novo filme de Joaquim Leitão, realizador de alguns dos maiores êxitos do cinema português (Adão e Eva, Tentação, Sei Lá).

 

Baseado num premiado livro de David Machado, Índice Médio de Felicidade remete-nos a um homem (Marco D’Almeida) que tinha tudo, mas a sua vida começa a desmoronar após virar desempregado.

 

Dinarte Freitas, Ana Marta Contente, Tomás Andrade e António Cordeiro são alguns dos atores que poderemos contar nesta produção de Tino Navarro, com argumento de Tiago Santos (Os Gatos Não Têm Vertigens, Perdidos). Estreia a 31 de Agosto.

 


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publicado por Hugo Gomes às 16:39
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8.5.17

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Há 10 anos estreava entre nós a tragédia shakespeariana Capacete Dourado, que teve como pano de fundo um romance inconclusivo que incendiou os medias portugueses. O filme foi apresentado em Locarno e a sua passagem foi, de certa forma, feliz e elogiada. A técnica por detrás desse filme tornou-se uma carta de amor entre o realizador e a narrativa visual, o plano, a perspectiva e o olhar. Infelizmente tivemos que esperar uma década para este regresso às longas-metragens.

 

Cramez apresenta Amor Amor, uma tragicomédia de paixões proibidas ou simplesmente, procrastinadas pelo bem de uma fraternidade. A decorrer no última dia do ano, Amor Amor que se destaca do resto da Competição Nacional do Indielisboa pelo seu rigor técnico, pela paixão de construir um filme estruturalmente. O Cinematograficamente Falando … falou com o realizador sobre esse regressar e a importância estética por detrás dos seus filmes.

 

Provavelmente toda a gente faz esta mesma pergunta, como foi regressar ao formato das longas-metragens após um intervalo de dez anos?

 

Foi complicado. Era como tivesse passado outra vez por aquela sensação de primeira obra, mas não passando pelos mesmos dramas. Foi difícil esta intermitência de ter que voltar às situações que já deveríamos ter ultrapassado. Porém, sou uma pessoa muito feliz quando filmo, o que é um factor bastante bom porque atenua, de certa forma, esta readaptação. Mas obviamente, temos outras complicações, falo das questões materiais, a produção, o tempo de rodagem, os orçamentos.

 

Mas atenção, eu não parei de fazer filmes durante este período de 10 anos. Conto cerca de 5 ou 6 curtas-metragens da minha autoria, algumas delas financiadas pelo ICA, nem que seja pelo apoio desta, outras produzidas por mim, entre as quais algumas para o MOTELx. Ou seja, não parei de filmar durante esse tempo, nem sequer afastei-me do cinema, em acréscimo tenho ainda trabalhos como anotador, assistente de realização, etc.

 

Em relação à pergunta original, esta experiência foi relativamente boa, mas ao mesmo tempo existe este peso, estas questões que não deveriam sequer existir nesta altura. Tal não existiria se filmasse com maior regularidade.

 

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E que altura decidiu regressar ao formato?

 

Isto tem muitos anos, na realidade, há 10 anos de intervalo entre o Capacete Dourado e este filme. Mas no ano em que obtive apoio para o Capacete', foi no último em que os realizadores podiam submeter mais do que um projecto. Eu concorri com os dois, sendo que, julguei por algum tempo que teria sido o Amor Amor a ser aprovado o financiamento, mas acabou por ser o filme que todos nós sabemos. Ou seja, este novo filme já existia, mesmo em estado embrionário, desde o tempo do Capacete Dourado, e mais, a ideia chega a ser anterior a esse filme.

 

E que altura foi essa?

 

O filme nasceu no inicio dos 90, mais concretamente quando vi a peça do Corneille [La Place Royale ou l'Amoureux Extravagante] na Cornucópia, encenada pela francesa Brigitte Jacques (Benoît Jacquot filmou a sua peça). Fiquei na altura fascinado, pelo que quis extrair essa temática de Corneille e nela depositar o meu universo afectivo como a do meu seio de amigos. Aquelas personagens [a do filme Amor Amor] tem referências na minha vida, a Marta é a Marta, Carlos é o Carlos, o Jorge … pronto sou eu, mas menos bonito [risos]. Todo um filme é um conjunto de alter-egos.  

 

Mas nesse intervalo, propriamente dito, as suas curtas operaram como esboço para este filme, não foi?

 

Sim. Nas curtas experimento aquilo que depois aplico neste filme, ou seja estamos sempre a fazer cinema. E o que o cinema significa para mim? Sei lá, eu tenho 50 anos de cinema em cima, comecei a ver Cinema a partir dos quatro anos de idade. Depois vindo de Angola para Portugal, com os meus 12, 13 anos até aos 25, estava mais tempo na Cinemateca do que noutro lugar. Passava os meus tempos a ver filmes, na Cinemateca via cerca de 3 a 4 filmes, era a descoberta de um Cinema antigo que coliga com o nosso moderno. E depois de sair de lá, ainda ia ver uma estreia qualquer em sala. Penso que os filmes vem daí, é algo muito intuitivo, não sei explicar ao certo

 

Tendo em conta as temáticas de ambas as suas longas, Capacete' e Amor', considera uma pessoa romântica?

 

Não é bem isso. [risos] Interessa-me os dilemas amorosos, mas não sou necessariamente romântico. É uma questão que me interessa, e que é transversal no meu trabalho. Falo de amor e trabalho com o amor.

 

Falando em amor, algo que se nota nos seus filmes é que possui uma certa afeição pelo plano. Como consolida essa narrativa visual, ou planificação, frente ao argumento que dispõe?

 

Sou obsessivo com o quadro, o que é muito óbvio nos filmes. Sou aquela pessoa que depois do director de fotografia, vou lá e fecho o "quadro". Também não te consigo explicar o porquê dessa obsessão, faz parte dessa veia cinematográfica em mim, por vezes imagino um plano antes dele acontecer. É a nossa vida de cinéfilo, vemos e instantaneamente acumulamos referências, estas tornam-se parte de nós, e como gosto muito de pintura e frequento habitualmente museus para ter a chance de olhar atentamente para esses quadros. Isso está presente nos meus filmes. Eles possuem um lado formal, um rigor técnico e visual.

 

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Há quem prefere submeter-se uma câmara à mão, eu nem por isso. Mas em Amor Amor também utilizei esse tipo de planos, inclusive há uma sequência, um dialogo entre Carlos e Jorge na praia, pelo qual utilizei esse método. Mas esse mesmo soa como steadycam e não uma handcam. Devo muito esse profissionalismo técnico a João Ribeiro, o meu técnico de fotografia. O cinema é tudo, e um realizador é a acumulação desse tudo. Mas para mim, ainda mais importante que o plano, são os actores.      

 

Sim, os actores. Cada vez é mais difícil reunir as suas "velhas caras" em novos projectos?

 

Por exemplo, na sessão de apresentação do filme foi muito difícil reunir o meu elenco. A disponibilidade tem sido cada vez mais difícil. Quando não estão a fazer Cinema, estão a fazer teatro ou até televisão que ocupa grande parte dos respectivos tempo. Mas não os censuro, a disponibilidade que eles tiveram para mim foi óptima. Estou grato.

 

Mas continuando na técnica, é de reparar que o Jorge tem um "amor" ao plano-conjunto.

 

Sim, tento evitar os campos, contra-campos, como os morses e os espaços. A minha câmara é muito frontal, muito devedora à perspectiva do espectador. E gosto do plano-conjunto que é uma forma de conseguir captar uma certa reacção instantânea na acção.

 

E novos projectos? Continuará nas longas?

 

Espero que o filme corra bem para já no próximo ano filmar outro. Terminei o Amor Amor ano passado.

 

Na sua opinião, acha que o cinema português precisa ser salvo?

 

Ele existe e existe bem. Ainda agora vamos ter uma curta de animação [Água Mole, de Laura Gonçalves] e outro da Marta Mateus na Quinzena. A Leonor [Teles] ganhou um Urso há dois anos, o Diogo [Costa Amarante]este ano, o Salaviza ganhou a Palma de Ouro, João Pedro Rodrigues foi premiado em Locarno … Não acho que o cinema português tem que ser salvo.

 

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O cinema continua a existir neste país, continuamos a fazer coisas. Um problema que se pode abordar, mas nem sei como resolver na actualidade, visto que falamos de amor, é o desamor do nosso cinema pelo público português. João César Monteiro fazia quase 10.000 espectadores aqui e se canhar fazia 150 mil em Itália, o Oliveira sempre teve mais espectadores lá fora do que cá.

 

Tem que ser salvo? Não sei. Depois há o lado da politica, e nessa, a politica de apoios. Mas eu não me quero meter nesse assunto, porque normalmente quem mais fala, é quem possui mais subsídios. Não, nem vou por aí. O que mais gosto de fazer é filmar e sou feliz a fazê-lo.       

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:08
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6.5.17

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Com a chegada de um novo filme de James Gray, eis o reinício da batalha campal. De um lado, os aficionados do seu “cinema” (se assim poderemos dizer), da anunciação de um Messias dentro de uma indústria cada vez mais decadente (sim, podem apelidar-me de "drama queen", se quiserem); do outro, aqueles que simplesmente desprezam ou que não entendem este fenómeno. Confesso que me integro no segundo grupo, e por mais chances que dou ao realizador nova-iorquino, acabo sempre por deparar em mais um ensaio de decorativismo, um homem que anseia sentar na mesma mesa de Coppola, Cimino ou de Scorsese, esses recriadores da Nova Hollywood, ao invés de seguir num percurso próprio. Enfim, do outro lado do campo bélico, são demasiados os adjectivos e elogios quase lisonjeadores à sua existência... mas aqui a questão não é a sua “sobrevalorização” ou “subvalorização”, conforme seja o partido que o leitor integra, mas sim, o debate em relação ao seu feminismo.

Os “grayanos” (chamaremos assim esta legião de adeptos) “meteram o pé na poça” quando atribuíram o título de “único realizador feminista da actualidade” a James Gray. Caros amigos, Gray pode ser muitas coisas, mas feminista não. Aliás, nesse mesmo tópico, sempre se revelara o contrário - um homem de fortes vínculos da sua masculinidade e nesse campo, por exemplo, serviu como uma âncora para a sua anterior obra: The Immigrant. No vaiado filme de Cannes que fez “chover rosas” em Portugal, o enredo focava um dos grandes fluxos migratórios nos EUA, com emigrantes vindos dos mais diversos locais, entre os quais, como no caso da protagonista interpretada por Marion Cotillard, da Europa do LesteThe Immigrant remexe então num lugar-comum, o Paraíso transformado num Inferno, onde a alma de uma “alien” (outro termo para estrangeira) é deturpada por uma entidade quase faustiana - neste caso, Joaquin Phoenix a servir de proxeneta.

 

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Neste percurso quase ético e regido pelo factor de sobrevivência, ficamos a mercê de duas figuras ambíguas (sim, a nossa estrangeira não é flor que cheire), mas é na personagem de Phoenix que apercebemos essa compaixão masculina. Por mais “atrocidades” que esta personagem faça à protagonista, um poço de antagonismo adereçado num arquétipo comum, é diversas vezes desculpado por uma iminente cumplicidade entre realizador e personagem. Afinal o nosso Phoenix tece sentimentos para com a nossa Cotillard, mas o seu sentido de sobrevivência fala mais alto e ao de cima surge um oportunismo quase vilipêndio. Mas é aí que Gray trai-nos. Os seus sentimentos supostamente amorosos são realçados no ultimo terço, sobrepostos nas intenções animalescas de Cotillard. São provas de amor, segundo Gray - o platonismo como desculpa para não odiarmos a personagem e para sentirmos uma compaixão, e por sua vez, o julgamento ético a Cotillard, simplesmente porque tudo é apresentado como uma questão de carisma. Phoenix ganha, a sua personagem vive, e a Mulher é salva pelo derradeiro acto de caridade.

 

A nossa intenção não era demonizar Phoenix e criar em Cotillard a mais angelical forma. O feminismo nada tem a ver com diferença, mas com igualdade, e sob essas mesmas linhas, porque não os mesmos traços de ambiguidade e antagonismo. Mas Gray torna-se paternalista em relação a Phoenix e no final, sentimos o pior dos sentimentos em relação à sua figura: pena.

 

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No caso de The Lost City of Z, esse seu novo filme, o caso de masculinidade é mais agravado, até porque James Gray decide assumir-se como um feminista e o resultado é puro panfletarismo. A personagem de Sienna Miller é um espectro que dita constantemente um discurso de igualdade, uma preocupação quase "sufragette" militarista. Não verdadeiramente sentido como um ato próprio desta personalidade; ao invés disso, uma preocupação com uma agenda politica e um receio enorme pela onda politicamente correcta e do activismo persistente que hoje dita os nossos dias. Por outras palavras, James Gray é um cobarde, um homem regido por uma passividade moral e pior, caído nas modas diárias. Até porque isso faz parte da sua natureza, a de se inserir num grupo e não o de formar um novo. Em relação a Sienna Miller, temos a continuação da actriz como uma bengala de suporte feminino aos incontáveis heróis do seu tempo, tal como executara em American Sniper de Clint Eastwood.

Resumindo e concluindo, James Gray poderá ser tudo … menos um feminista.

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:05
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27.4.17

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Depois de seguir na jornada pela Amazónia em The Lost City of Z (a estrear em Portugal no dia 4 de Maio), James Gray irá aventurar-se espaço com a ficção cientifica Ad Astra, tendo Brad Pitt como protagonista.

 

O projecto foi anunciado pelo próprio realizador durante a entrevista concebida à Collider, afirmando que começará a ser rodado já neste Verão (a partir de 17 de Julho para ser mais exacto). A intriga acompanhará a viagem espacial de um engenheiro autista, no âmbito de reencontrar o seu pai, desaparecido há anos após partir numa expedição para Neptuno em busca de vida extraterrestre.

 

Em declaração, Gray salientou que no seu novo filme iria criar um ficção cientifica realista de forma a dar a ideia do Espaço como o ambiente mais hostil para o ser humano. O realizador é autor do argumento, ao lado de Ethan Ross.

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:34
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15.4.17

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Revelado durante anual convenção de Star Wars, eis o primeiro teaser trailer de The Last Jedi (O Último Jedi), o oitavo capítulo da famosa saga intergalactica.

 

Mark Hamill é o estrela desta apresentação, revelando um papel mais relevante do sempre clássico Lucas Skywalker. Para além disso, vale a pena salientar que este será a última aparição de Carrie Fisher no grande ecrã (mesmo que hajam rumores da Disney usufrui da tecnologia para ressuscitar a personagem que a falecida actriz interpretara)  

 

Estreia marcada para 14 de Dezembro nos cinemas portugueses.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:35
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14.4.17

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Fiore é o grande vencedor da 10ª Festa do Cinema Italiano. O filme de Claudio Giovannesi que aborda uma prisão juvenil arrecadou o cobiçado Prémio do Júri. La Ragazza del Mondo, de Marco Daniele, obteve uma menção honrosa e Un Bacio, de Ivan Cotroneo foi o elegido pelo público na sua respectiva categoria.

 

O júri desta edição foi integrado pela realizadora de Ama-san, Cláudia Varejão, o montador João Braz e ainda a actriz Rita Blanco.

 

A cerimónia de revelação e entrega dos prémios foi sucedida pela projecção de In Guerra Per Amore, uma comédia ambientada na Segunda Guerra Mundial, que contou com a presença do realizador Pierfrancesco Diliberto (Pif). O filme terá estreia nacional.

 

Depois de quatro cidades em simultâneo, a 8 1/2 Festa do Cinema Italiano ruma para a cidade de Aveiro (19 a 21 de Abril).

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:55
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5.4.17

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O maior bestseller italiano do século XX, segundo consta, teve o privilégio de contar com um dos grandes veteranos do cinema italiano actual como mentor da sua adaptação cinematográfica. Fai Bei Sogni, que por cá recebeu o título de Sonhos Cor-de-Rosa [ler crítica], é uma obra sobre o pesar e o vazio causado pela tragédia familiar: um menino que perde a sua mulher e que se torna no mais infeliz dos adultos. Um busca existencial e sobretudo emocional que abriu com alguma euforia a passada Quinzena de Realizadores em Cannes. O filme chegou esta semana aos cinemas portugueses, e no âmbito dessa mesma estreia revelamos a nossa conversa com um dos nomes grandes do cinema made in Itália de Hoje.

 

Os espectadores [Quinzena dos Realizadores de 2016] ficaram emocionados com a interpretação do rapaz. Muitos deles elogiavam a sinceridade das suas emoções para com a "mãe". Tendo feito parte da selecção do casting e estando presente no processo de criação dos seus actores, como conseguiu "arrancar" tais nuances em Nicolo' Cabras? 

 

Tínhamos ideias concretas do que pretendíamos em relação ao rapaz, e tivemos sorte ao encontrar Nicolo Cabras. Conhecemos este rapaz, que foi capaz de comunicar, ou seja, não esteve preso a alguma tendência ou visão artística, nem a nenhum método de actuação. Basicamente, foi uma mistura entre sorte e boas escolhas, porque para fazer-se de criança tem que se possuir uma verdadeira ligação e comunicação, e nos dias de hoje, maioritariamente na televisão, deparamos com encenações vazias e emocionalmente ocas. Nós não queríamos isso. Ao invés pretendíamos alguém que expressasse uma verdadeira admiração pela sua mãe, algo simplesmente natural. Não sei se Nicolo' Cabras vingará no futuro, mas neste filme ele foi a escolha mais que certa. 

 

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Porquê o romance de Massimo Gramellini? O que mais lhe motivou para avançar nesta adaptação?

 

Motivação? A sua história. Contudo, o que mais me emocionou, profundamente, é a infelicidade trágica da mãe. Mas é surpreendente que apesar da essência trágica, ela era devota ao seu filho. Uma mulher que tinha sonhos diferentes enquanto jovem, provavelmente queria ser cantora ou actriz, mas que decidiu abdicar desses sonhos para desempenhar o papel de mãe. Existe algo que não é mencionado no livro, no qual acredito que ela sofria de uma depressão secreta que nos levará aos eventos marcantes do enredo. Barbara Ronchi conseguiu transmitir essas nuances emocionais, o que serviu para que o pequeno Nicolo' Cabras não interpretasse simplesmente, mas que sentisse um amor maternal nela. O grande desafio desta adaptação foi o facto de eu nunca ter experienciado algo idêntico. Nada disto ocorreu na minha vida. Porém, teria que acertar no devido tom.

 

Como assim? Não experienciou algo idêntico? Não viveu um amor maternal?

 

Obviamente que vivi esse tipo de amor, um amor maternal e familiar. E, segundo a minha perspectiva, com tamanha intensidade. O que queria dizer é que nunca experienciei uma mãe ausente, principalmente sob estas circunstâncias. O que acontece normalmente com a ausência maternal é que criamos relações mais fortes com os nossos irmãos. Neste caso, Massimo não tem qualquer tipo de congéneres, tendo que preencher esse "buraco" doutra forma. Seria a figura paternal a compensar o estrago? Ou seriam os sonhos desfeitos da mãe a contagiar esta infância? Mas a grande questão era como é que uma criança poderia se rebelar contra a tragédia, e como poderia renascer de forma afectiva? O meu desafio era reconstituir essas experiências que iriam afectar a sua realidade e todo o seu ser. Foram esses obstáculos que me atingiram profundamente neste filme. Algo que nunca me acontecera com obras anteriores. 

 

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Referiu a aproximação de Massimo com o pai, e essa ligação foi estabelecida através do futebol.

 

É algo que está muito presente no livro. Poderíamos apelidar de aspecto bastante italiano, a aproximação do pai e filho através do futebol, e na altura o Torino era uma das grandes equipas do futebol italiano. Não só pelas vitórias, mas pelo facto de ter unido todos os adeptos, assim como toda a Itália, devido à tragédia de 1949, no qual um desastre de avião vitimou toda a equipa. Estas tentativas de afecto entre os dois serviram de alguma forma para manter ambos ocupados e esquecerem o pesar da sua tragédia familiar. No livro encontra-se também presente a cobardia do progenitor, visto que foi um padre que anunciou a notícia ao filho e não o próprio.  

 

Algo que se repara em «Sonhos Cor-de-Rosa» é que a televisão tem uma papel importante na narrativa, como também a personagem Belfagor.

 

Os arquivos televisivos foram uma importante forma de contar a História de Itália sem ter que sair de casa. Mas um dos marcos deste processo narrativo está na personagem de Belfagor, o Fantasma do Louvre, a criatura da série televisiva que parece ter enfatizado o mundo fantástico de Massimo. E para este poder sair desse universo de fantasia intimo teria que pedir permissão a este antagonista, fruto da memória televisiva que ele e a sua mãe partilhavam. Esta criatura tornou-se sua amiga, uma defesa que o protagonista conseguiu arranjar no seio desta tragédia, uma personagem que seria de certa forma exorcizada pela figura de Bérénice Bejo. O rapaz quando chega à adolescência é incapaz de entregar-se à felicidade devido, obviamente, à tragédia. Por isso é que mundo extraído da televisão tornou-se num importante refúgio e aura. Aura, essa, que iremos presenciar na passagem de Massimo, agora adulto, em Sarajevo, no seio da violência. Mas o filme não é somente a "colagem" das páginas do livro no grande ecrã, é também uma questão de interpretação, a nossa interpretação da dor de outro.

 

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Precisou de Belfagor na sua infância?

 

Não sou do tempo do Belfagore. A série apareceu em 1965 e eu nasci em 1939. Mas ao contrário de Massimo, tinha irmãos e o apoio, a protecção, vinda deles. Não precisava de fantasmas nem de figuras fantásticas. 

 

Como surgiu Bérénice Bejo a este projecto?

 

Procurava uma actriz, não exclusivamente italiana, mas europeia, que teria um determinado requisito, uma particular forma de sedução. Teria que demonstrar ser uma mulher forte, uma mulher que pudesse agarrar Massimo para uma realidade para a qual não está habituado, confrontando com a sua resistência. E isso é possível porque a sua personagem nada tem de atitude maternal ou sequer protectora. Diria que ela assume um lado terapêutico dessa dor e motiva a emancipação. Conhecia Bérénice de alguns filmes, e após o encontro com ela, dei-lhe a ler o argumento, o qual aceitou automaticamente. Apenas tinha que aprender a falar italiano, não pretendia dobrar nem sequer limitar o filme ao inglês. A Bérénice mostrou profissionalismo e, acima de tudo, um sentido de compromisso.

 

Fugindo agora à temática do seu filme, mas continuando no Cinema, gostaria de recordar o que o seu conterrâneo Gabrielle Muccino declarou no Dia Internacional do Cinema [na altura da entrevista, o episódio havia ocorrido ano passado] que o cinema italiano morreu após Pasolini, o qual disse que qualquer um poderia pegar numa câmara. O que tem a dizer sobre sobre a isto?

 

Todos têm direito à sua opinião, apesar de não entender essa declaração de Gabrielle Muccino. Faço filmes completamente diferentes dele, por isso não partilho essa sua ideia.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:31
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4.4.17

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A polémica instalou-se com as declarações do vice-presidente das vendas da Marvel, David Gabriel, em que, passo a citar, "os nossos leitores não querem diversidade". Esta afirmação advém das estatísticas que apontam baixas vendas nas suas reinvenções "étnicas". Falamos de um Spider-Man negro de ascendência hispânica, uma Iron Man que também é muçulmana, entre outros. Tudo, segundo Gabriel, destinados ao fracasso, visto que a Marvel parece estar hoje condenada ao prolongamento do trabalho efectuado por Stan Lee.

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Se a diversidade é a culpa do flop, dizem as más línguas, do outro lado, Ghost in the Shell parece fracassar nas bilheteiras por motivos completamente adversos. Segundo a imprensa, e os analistas de box-office, esta readaptação da manga de Masamune Shirow encontra-se sob sentença de "fiasco" devido à controvérsia whitewashing ("branqueamento" das personagens), em particular, na escolha de Scarlett Johansson para interpretar uma personagem japonesa (sinceramente, nem sei quem referiu a nacionalidade de uma cyborg, mas já lá vamos).

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Antes de mais, devo salientar que este texto não vem defender qualquer ideologia de supremacia branca, no qual a diversidade é má ... blá, blá, blá ... e o que está em jogo é manter-se tudo em "branco". Deixemos os populismos de hoje para outras alturas. Por outro lado, esta base politicamente correcta que tem o seu lobby, afecta verdadeiramente o activismo que fora confrontado durante este anos todos desde que o Cinema "aprendeu a andar" e que Griffith apresentou-nos a sua faca de dois gumes, The Birth of the Nation. Existe sim, uma boa intenção de derrotar um Golias, o associar um fracasso de um filme de milhões a um movimento de modernidade cultural, mas devemos antes perceber que na realidade falta muito para que estes tópicos consigam abalar uma megalómana indústria. Podemos estabelecer personagens que conhecemos com outras identidades, sendo que nada mudará.

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O fracasso de Ghost in the Shell é uma simples prova de que o público não se dirige ao cinema para assistir aquilo que desconhece. Primeiro de tudo, Ghost in the Shell, a manga e o anime, são objectos de culto, ou seja, estão restringidos a um certo tipo de audiência e essa mesma que nos deparamos como o potencial comprador dos bilhetes. Agora, quem conhece o universo do anime, perceberá que esta mesma audiência é preconceituosa em relação a conversões, principalmente a produções hollywoodescas dos trabalhos que tanto admiram. Por exemplo, basta invocar os ruinosos resultados de Dragon Ball Evolution para perceber do que se fala. 

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Nos dias de hoje, os campeões de bilheteira desta década são concretamente aqueles filmes, cuja matéria-prima possui uma base, por si, sustentável (adaptações de comics da Marvel ou DC, Fifty Shades of Grey e populares bestsellers), ou matéria conhecida para as audiências que sofrem de extrema amnésia. Veja-se o caso de Fast and Furious, o qual milhões já compraram bilhetes para a estreia, ou de Beauty and the Beast (Bela e o Monstro), um frame-to-frame da propriedade Disney e um dos exemplos mais metódicos da formatação industrial, cujo público parece não se importar. 

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Em relação aos fracassos, enumero dois casos distintos: o de John Carter, inspirado numa série de livros de aventuras do inicio do século XX, e cujo o filme parecia estar limitado um público mais velho do que a faixa etária que habitualmente "compra os ditos bilhetes"; e Pacific Rim, a homenagem de Guillermo Del Toro a um subgénero completamente nipónico que nada de relacionado possui com o público ocidental. Sim, ambos falharam nas bilheteiras norte-americanas de forma quase humilhante.

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Por isso, proclamar festivamente que Ghost in the Shell fracassa em consequências de um movimento de activismo cultural, é, para além de tudo, desconhecer os padrões que movem verdadeiramente a indústria de Hollywood. Porque para criar filmes protagonizados por uma diversidade étnica, cultural, género e religiosa, não basta mudar o pensamento dos estúdios, mas sim, começar a revolucionar as suas audiências. E já agora, originalidade e a criatividade, deveríamos começar por inserir isto no nosso quotidiano cinematográfico. 

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publicado por Hugo Gomes às 14:07
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30.3.17

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Arranca a partir de hoje a iniciativa 4.Doc, um conjunto de quatro obras aclamadas e premiados no festival Doclisboa que será exibidos no Cinema Ideal. O primeiro filme é Calabria [ler crítica], de Pierre-François Sauter, o vencedor do Grande Prémio na última edição do certame. Um documentário que visa reflectir a condição do imigrante através de uma viagem entre dois homens de origens distintas que prestam o serviço de uma funerária.

 

Os realizador e os protagonistas (José ​Russo Baião ​e Jovan​ Nikolic) estarão presentes nas duas das sete sessões programadas (dia 30 de Março e 1 de Abril). Calabria será exibido entre 30 de Março a 5 de Abril, sempre no horário das 19h. Na sexta feira, dia 31, após a sessão haverá um concerto de Jovan Nikolic no Salão Ideal.

 

Os outros filmes inseridos na programação são O Terceiro Andar, de Luciana Fina (a ser exibida a partir de 8 de Junho), Oleg Y Las Raras Artes, de Andrés Duque (6 de Julho) e o quarto e último filme, a ser projectado a partir de 14 de Setembro, ainda está por anunciar. Todas as sessões serão acompanhadas por debates e outras actividades.

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:03
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