Data
Título
Take
29.10.17

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O certame da 15ª edição do Doclisboa contou com uma presença maioritariamente feminina, as mulheres governaram a mais recente mostra do cinema documental de Lisboa. Seis anos depois da sua primeira longa-metragem, Nana, Valérie Massadian regressa ao formato com Milla (que já havia sido apresentado no último Festival de Locarno), consagrando-se como o grande vencedor da Competição Internacional. Enquanto isso, Vira Chudnenko, de Inês Oliveira, é laureada como o Melhor Documentário da mostra nacional. Destaque ainda para o prémio de público atribuído a Diálogos ou Como o Teatro e a Ópera se Encontram para Contar a Morte de 16 Carmelitas e Falar do Medo, de Catarina Neves.

 

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL
Grande Prémio Cidade de Lisboa para Melhor Filme: Milla
, de Valérie Massadian
Prémio Sociedade Portuguesa de Autores: Why is Difficult to Make Films in Kurdistan
, de Ebrû Avci
Prémio Jornal Público / MUBI para Melhor Curta-Metragem: Saule Marceau
, de Juliette Achard
Menção Honrosa: Spell Reel
, de Filipa César


COMPETIÇÃO PORTUGUESA
Prémio Revelação / Prémio Canais TVCine para Melhor Primeira Obra: Those Shocking Days
, de Selma Doborac
Prémio NOVA FCSH/ Íngreme para Melhor Filme: Vira Chudnenko
, de Inês Oliveira
Prémio Kino Sound Studio: À Tarde
, de Pedro Florêncio


PRÉMIO DO PÚBLICO

Prémio RTP para Melhor Filme Português: Diálogos ou Como o Teatro e a Ópera se Encontram para Contar a Morte de 16 Carmelitas e Falar do Medo, de Catarina Neves
Prémio Escolas / Prémio ETIC para Melhor Filme: I Don't Belong Here
, de Paulo Abreu


COMPETIÇÃO TRANSVERSAL
Prémio Fundação INATEL para Melhor Filme de Temática Associada a Práticas e Tradições Culturais e ao Património Imaterial da Humanidade: Martírio
, de Vincent Carelli
Menção Honrosa: Medronho Todos os Dias
, de Sílvia Coelho e Paulo Raposo
Prémio José Saramago - Fundação José Saramago para Melhor Filme falado maioritariamente em português, galego ou crioulo de origem portuguesa: Spell Reel
, de Filipa César

 

VERDES ANOS
Prémio FAMU para Melhor Filme: Norley and Norlen
, de Flávio Ferreira
Prémio Especial Walla Collective: Pesar
, de Madalena Rebelo
Prémio Melhor Realizador: 
Ana Vijdea, John 746
Prémio Walla Collective para melhor Work in Progress - Arché: Sílvia
, de María Silvia Esteve
Prémio Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas para melhor Projecto em Desenvolvimento: Follha 84
, de Catarina Mourão

 

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26.10.17

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Há uma vertente que levemente tem surgido no panorama do documentário português, uma vertente de jornalística, não a de mera entrega de informação, mas de investigação. Essa no qual poderá denotar o pessoal (identitário) ou coletivo (demanda para a divulgação, preservação de memória). Este tipo de documentários, que se prolongam ou evitam o cinema como mera lente de documentação de imagens (que porventura poderá anexar-nos a memórias etnográficas e épicas), não são de todo bem vistas na comunidade-nicho da cinefilia. Há quem os acuse de aligeirar o poder e possibilidades (de momento infinitas) de Cinema, desde a sua narrativa até ao estilo intrínseco e extrínseco, porém, e tendo em conta a muita da seleção presente de um Doclisboa, poderemos considerar esta “básica” forma de fazer documentário num registo outsider e porque não, na maioria dos casos, mais experimentes e concisos na sua abordagem.

 

Como exemplo desse cinema-investigação, Catarina Mourão [ler entrevista] elevou-se numa busca ínfima de autodescoberta com A Toca do Lobo, onde seguiria o paradeiro do avô da realizadora, figura que não conhecera por completo mas que marcas deixou. A realizadora / documentarista apresenta-nos um objectivo claro na sua proposta (“descobrir quem é este homem”), convite claro que o espectador retém no seu arranque, a viagem, essa, vinculada num hibrido entre a investigação propriamente dita e a deambulação pelas memórias pessoais. Em todo o caso, porque não reconhecer A Toca do Lobo como um objeto no limiar do intimismo e da retribuição social.

 

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De estética pessoal, mas de caracter mais urgente, está Quem é Bárbara Virgínia?, de Luísa Sequeira, outra investigação (presente desta edição do Doclisboa) que regista um pedaço de História portuguesa, neste caso Bárbara Virgínia, a multifacetada artista que se tornou na primeira mulher realizadora nacional, atualmente “apagada”, é o corpus de estudo que despoleta uma tremenda jornada de conhecimento pessoal com vista maioritária para o público e memória futura na “salvação” deste personalidade. O objectivo neste caso encontra-se no título (Quem é Bárbara Virgínia?). O espectador tem com isto a certeza do que vai encontrar, a proposta é clara. Quanto à forma como a mensagem é emitida, essa, tem a sua razão de divergir dos moldes, digamos, televisivos. Luísa Sequeira consegue sobretudo uma investigação com uma apresentação intimista, até porque esta procura torna-se, para todos os efeitos, bastante pessoal (apercebemos o quanto a imagem de Bárbara Virgínia transgride da meta de estudo para a transferida pessoalidade numa determinada sequência, a anunciada morte de Virgínia e a reação da nossa documentarista perante tal).

 

Porém, talvez de caracter urgente acima da sua pessoalidade, temos Nos Interstícios da Realidade ou o Cinema de António de Macedo, de João Monteiro, uma contagem de linguagem televisiva que visa em projetar o legado de Macedo e apurar as causas do seu “desaparecimento”. Obviamente que este documentário completamente destilado por entre footages e talking heads possui um propósito de preocupação pública e patrimonial, mas se o considerarmos como um objeto cinematográfico de requinte, a sua pobreza não o exaltará como algo mais. Contudo, o objetivo de Monteiro é mais do que simplesmente integrar uma teoria estilística, social e cinematográfica, é como um apelo, um ato ativista, esse, que poderá originar consequências futuras, quem sabe, a revalidação absoluta de Macedo, não simplesmente como tentador do cinema de género em Portugal, mas como cineasta. Estes três exemplos recentes de documentário português, uma minoria perante a divulgação dos festivais, formam um cinema de causa-efeito, a investigação como uma narrativa que não deve ser sobretudo desprezada.

 

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O outro cinema, com excepção de alguns casos que conseguem através dos seus meios desbravar a sua linguagem, apresenta-se como máscara, escondendo a incapacidade e o amadorismo de muitos “documentaristas” pretensiosos, em busca do caminho fácil do estatuto autoral. Esse anti-cinema não deve ser sobretudo erguido como o Cinema, assim como o cinema na sua forma mais clássica, universalmente empática, não deve ser rebaixado a anti-cinema. 

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:09
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19.10.17
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"Queriam o quê? Telenovela"

 

Ramiro é aquilo que poderíamos apelidar cinematograficamente de «loser», uma personagem à deriva da sua sorte, encostada às “cordas” do passado, da glória que lhe nunca passou, nem sequer o esforço que detêm para a atingir. A certa altura, o protagonista-titulo confessa aos seus amigos que acabara de descobrir a sua passividade (“Sou uma pessoa passiva”), sequência-chave que revelará por completo a sua anti-tour de force, até porque o seu talento, diversas vezes mencionado por outros, nunca fora devidamente reconhecido, assim como conquistado. O seu proclamado bloqueio criativo é simplesmente fruto desse autodesprezo.

 

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Mas Ramiro não é de todo um desprezível, é dotado de um boa índole, o espectador crê isso através dos seus actos minuciosos, na sua teimosia controlável que nos leva aos seus próprios demónios, o medo; o medo de falhar, automaticamente, o medo de tentar. É fácil simpatizar com este Ramiro, nem que seja pela interpretação derivante do actor António Mortágua, um laço de empatia com uma audiência que se lança nas prateleiras de um alfarrabista em busca de preciosidades. O que encontramos é “livros esquecidos”, estilos não vingados, enredos antiquados com o intuito de agradar aos “velhos do Restelo” ou os reféns das “coisas que outros amaram”. Porém, e utilizando esse mesmo lugar, Ramiro enquadra-se num cinema português desadequado, não pela inutilidade estilística, mas como oposição às novas vagas que tendem em: a) manejar a experimentação narrativa e visual no qual diversas vezes disfarça a pura incapacidade; b) a sedução pelos formatos wannabe hollywoodescos, de forma a repudiar toda uma História da nossa cinematografia.

 

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Tal como a personagem, Manuel Mozos cria um filme passivo na sua positiva afirmação, até porque é em Ramiro que evidenciamos um cinema lúcido, intrinsecamente português-alfacinha e discretamente irónico, mesmo sob as influências de João Cesar Monteiro e dos seus constantes e castiços trocadilhos. Talvez tenha sido a experiência com Miguel Gomes, outro influenciado pela natureza do anterior “João de Deus”, o catalisador para esta invocação. Porém, Mozos não pretende o mero tributo. O filme concentra-se sobretudo numa saudação, a vénia a uma iminente emancipação, assim como a transformação de Ramiro após a perda do seu mentor.  Eis um pequeno achado do cinema português, um “livro” poeirento e esquecido na mais oculta das prateleiras que resulta na mais graciosa das descobertas. Sem alterar o curso do nosso cinema, temos aqui filme e não pretensões.   

 

Filme de abertura do 15º Doclisboa: Festival Internacional de Cinema

 

Real.: Manuel Mozos / Int.: António Mortágua, Madalena Almeida, Fernanda Neves

 

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7/10

publicado por Hugo Gomes às 17:36
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20.9.17

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"Cinema inteligente não despreza o público, pelo contrário, o cinema inteligente não padroniza o público", responde Cíntia Gil às "acusações" de pedantismo do Doclisboa, festival que comemora a sua 15ª edição, apresentando mais de 231 filmes em 217 sessões. Segundo a directora, o festival tem cada vez mais apostado em "inspirações" para o público, filmes que dialogam com este e que o leva a reflectir sobre o Mundo que o rodeia.

 

Quanto às novidades do Doclisboa'17, a mostra de documentários da capital irá apresentar uma das maiores competições nacionais da sua História, isto para além da selecção portuguesa, correspondendo a mais 44 filmes, dispersos em diferentes secções. Entre eles, a destacar o Diário das Beiras, de João Canijo e Anabela Moreira, "uma espécie de segunda parte" de Portugal - Um Dia de Cada vez, que estreou na edição de 2015; a curta António e Catarina, de Cristina Hanes, vencedora de um prémio em Locarno; e o novo filme de Inês Oliveira, Vira Chudnenko.

 

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A secção Riscos terá um “programa especial muito ligado a Sharon Lockhart”, a artista norte-americana que estará presente em Lisboa para apresentar o seu filme, Rudzienko, e uma exposição no Museu Berardo, a decorrer entre o dia 10 de Outubro e 14 de Janeiro. Um projecto inspirado na vida e obra do pediatra polaco Janusz Korczak, tendo como temática os direitos das crianças. Dentro do espaço Riscos ainda teremos um olhar sobre Barbara Virgínia, a enigmática realizadora portuguesa que ficou eternizada por ter sido a primeira mulher a dirigir uma longa-metragem sonora nacional (Três Dias Sem Deus, 1945). O Doclisboa irá exibir as "imagens sobreviventes" desse filme perdido, a sua curta Aldeia dos Rapazes (1946) e o documentário de Luísa Sequeira em sua homenagem. Destaque ainda para a cópia restaurada de Grandeur et décadence d'un petit commerce de cinéma, de Jean-Luc Godard (1986), e a comemoração dos 20 anos de Gummo, de Harmony Korine.

 

Enquanto isso, a HeartBeat continua como uma referência no Festival, consolidando o documentário com música e outras artes. Este ano, promove-se um dissecar à eterna figura de Cary Grant em Becoming Cary Grant, de Mark Kidel, a viagem do grupo musical de Abel Ferrara em Alive in France, a coroação a Marianne Faithfull (Faithfull, Sandrine Bonnaire) e Whitney Houston (Whitney: 'Can I be Me'), e o português Os Cantadores de Paris, de Tiago Pereira.

 

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Recordamos que o 15º Doclisboa - Festival Internacional de Cinema decorrerá de 19 a 29 de Outubro. A juntar ainda temos a retrospectiva de Věra Chytilová, a "primeira-dama" do cinema checo, e do ciclo Uma outra América - o singular cinema do Quebec. Wang Bing contará com dupla presença na secção Da Terra à Lua, ao lado dos novos de Wiseman, Poitras e Lanzmann. O filme Ramiro, de Manuel Mozos, terá as honras de abrir a mostra, enquanto que Era uma vez Brasília, de Adirley Queirós, será o filme de encerramento do festival.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:54
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13.9.17

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Como antecipação do 15ª edição do Doclisboa, a organização revelou parte da sua programação, principalmente a secção Da Terra à Lua, descrita pela directora do festival, Cintia Gil, como uma espécie de "cápsula do tempo".

 

Neste espaço estarão reunidos alguns dos documentaristas mais prestigiados da actualidade, que trazem novos filmes, novas apostas, novas abordagens ao mundo em que vivemos. Entre eles, Frederick Wiseman com Ex Libris - The New York Public Library; o lendário Claude Lanzmann com Napalm (apresentado no último Festival de Cannes); e o próspero Wang Bing com duas obras, Bitter Money (que se encontrou no Festival de Veneza de 2016) e Mrs. Fang (filme vencedor do Leopardo de Ouro do último Festival de Locarno), por fim, Laura Poitras, a vencedora do Óscar de Melhor Documentário por Citizenfour, regressa com Risk.

 

Recordamos que o 15º Doclisboa - Festival Internacional de Cinema decorrerá de 19 a 29 de outubro, tendo como principais destaques uma retrospectiva de Věra Chytilová, a "primeira-dama" do cinema checo, e do ciclo Uma outra América - o singular cinema do Quebec. O filme Ramiro, de Manuel Mozos, terá as honras de abrir a mostra, enquanto que Era uma vez Brasília, de Adirley Queirós, será o filme de encerramento do festival. A artista plástica norte-americana Sharon Lockhart estará presente para integrar a secção Passagens, a decorrer no Museu Colecção Berardo.

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:11
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1.7.17

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A 15º edição do Doclisboa - Festival Internacional de Cinema decorrerá de 19 a 29 de Outubro, mas já foi revelado algumas novidades de mais uma mostra de cinema documental e experimental. O aquecimento se dará no próximo dia 7 de Julho, com a exibição de Strop, ao ar livre no terraço da Cinemateca Portuguesa. O filme em questão abrirá a retrospectiva de Věra Chytilová, a chamada "Primeira-Dama" do cinema checo, uma das responsáveis pela nova vaga e do reconhecimento do cinema nacional no resto do Mundo, que será projectada na sua integralidade no decorrer do Doclisboa.

 

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Tendo falecido em 2014, aos 85 anos, as suas obras são distinguidas pela sua forte critica à sociedade e às relações humanas. A sua primeira experiência no cinema foi como "rapariga da claquete" no Estúdio Cinematográfico de Brrandov, mas a partir dai ascendeu-se como actriz, argumentista e assistente de realização. Recusou uma bolsa e até uma recomendação do estúdio, ingressou na FAMU (Academia Superior Cinema de Praga) onde teve como mentor o cineasta Otakar Vávra. Graduou-se em 1962 como realizadora, e o seu filme de graduação foi Strop. Definiu uma carreira experimental e irreverente, tendo sido muitas vezes caracterizada como umas das lideres da Nouvelle Vague checa. Entre os seus trabalhos mais notórios encontram-se Daisies (1966), Fruit of Paradise (1970) e Kalamita (1982). Foi impedida de trabalhar no seu ramo pelo regime soviético e os seus filmes banidos até 1975, a realizadora nunca deixou o seu país e mesmo com propostas de trabalha no Ocidente. O seu último filme foi Pleasent Moments (2006). 

 

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Outra novidade a ser apresentada como "aperitivo" do Doclisboa é a exibição de Un Jeu Si Simple, de Gilles Groulx (1964), um documentário que explora o universo do hockey no gelo. Servirá como arranque do ciclo "Uma outra América - o singular cinema do Quebec", a ser desenvolvido com colaboração com a Cinemateca Portuguesa e a Sodec, reunindo uma mostra de nomes que vai desde Pierre Perrault, Gilles Groulx, Claude Jutra, Michel Brault, Anne Claire Poirier, Marcel Carrière e Denis Côté.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 11:42
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30.3.17

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Arranca a partir de hoje a iniciativa 4.Doc, um conjunto de quatro obras aclamadas e premiados no festival Doclisboa que será exibidos no Cinema Ideal. O primeiro filme é Calabria [ler crítica], de Pierre-François Sauter, o vencedor do Grande Prémio na última edição do certame. Um documentário que visa reflectir a condição do imigrante através de uma viagem entre dois homens de origens distintas que prestam o serviço de uma funerária.

 

Os realizador e os protagonistas (José ​Russo Baião ​e Jovan​ Nikolic) estarão presentes nas duas das sete sessões programadas (dia 30 de Março e 1 de Abril). Calabria será exibido entre 30 de Março a 5 de Abril, sempre no horário das 19h. Na sexta feira, dia 31, após a sessão haverá um concerto de Jovan Nikolic no Salão Ideal.

 

Os outros filmes inseridos na programação são O Terceiro Andar, de Luciana Fina (a ser exibida a partir de 8 de Junho), Oleg Y Las Raras Artes, de Andrés Duque (6 de Julho) e o quarto e último filme, a ser projectado a partir de 14 de Setembro, ainda está por anunciar. Todas as sessões serão acompanhadas por debates e outras actividades.

 

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22.1.17
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No vale das "sereias"!

 

Cláudia Varejão prometeu-nos sereias, e à sua maneira, ofereceu-nos um grupo delas neste Ama-San (vencedor da Competição Portuguesa do Doclisboa 2016). Uma comunidade tradicional de mulheres que aventuram-se no mar para sustentar famílias, uma visão que tem seguido séculos e séculos de História nipónica.

 

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O fio tecido que protege os avanços tecnológicos dos seus mergulhos, são as réstias dessa tradição abraçada com a sempre avante modernidade, mas nem por isso que o estatuto destas deixa-se desvanecer pela mudança dos tempos. Varejão compara-as com as "mulheres de Caxinas", o exemplo português mais próximo desta sociedade falada no feminino, para depois aventurar num ensaio antropológico que interliga os dois estados destas figuras; o Mar, esse berço de vida que as envolve em tamanha doutrina, e o mundo civil, a família que têm à sua espera para afeiçoar.

 

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Tal como o Japão, um país moderno que caminha lado a lado com a sua herança tradicional, Ama-San cria um paralelismo com a nação para depois seguir em "puro mergulho" num retrato de gestos e de costuras familiares. Mas a realizadora consegue, invejavelmente, com toda esta jornada a um Oriente pouco conhecido (a última vez que vimos esta comunidade no ecrã foi em 2009 numa curta-metragem de Amie Williams), uma estrutura narrativa quase ficcional no seio desta vertente de registo documental. Com a complementação das sequências submarinas que captam no espectador a sua faceta mais "zen".

 

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No geral, Varejão cumpre um belíssimo filme, contemplativo e nada apressado em "inundar" as audiências, faze-las sentir parte desta longa família, tão japonesa, com certeza. Sim, prometeram-nos sereias e aquilo que acabaram por nos dar foi o que de mais próximo temos destas mitológicas sirenias. Todavia, isto não se resume a alternativas, Ama-San é realmente um filme pelo vale a pena cedermos à sua delicada sedução.

 

Real.: Cláudia Varejão / Int.: Mayumi Mitsuhashi, Masumi Shibahara, Matsumi Koiso

 

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8/10

publicado por Hugo Gomes às 20:33
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30.10.16

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Aí Macedo, aí Macedo!

 

Para João Monteiro, existiu uma “conspiração”, uma tentativa de fazer esquecer aquele que, para além de ter desafiado um regime e uma religião, insurgiu-se com a forma de fazer cinema em Portugal. António de Macedo, um dos nossos raros exemplos de cineastas do cinema de género, foi esse rebelde, um corpus de estudo neste filme que visa procurar as causas do seu (in)voluntário afastamento, assim como a rendição de certos e velhos inimigos (António-Pedro de Vasconcelos).

 

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Monteiro, um dos programadores do MOTELx, encontrou na figura assombrosa de Macedo um motivo para as inúmeras edições da sua mostra, com foco na secção Quarto Perdido, que consistia em “vasculhar” em arquivos por filmes que Portugal esqueceu, muitas vezes não por querer, mas sob derivações de forças maiores. Depois do trabalho terreno, Monteiro comprimiu toda a sua investigação e concebeu-a num formato de documentário. Um formato sem forma, assim por dizer, de molde televisivo com rigor jornalístico, mas esquivo no que refere a linguagem cinematográfica. Mas, em todo o caso, o objectivo não foi a construção de um documento expressivo com “garra” de transgredir toda uma arte. Falemos de Nos Interstícios da Realidade ou o Cinema de António de Macedo como um exemplar recheado de uma certa motivação de activismo, com ansiedade de ser sobretudo ouvido, neste caso, visto e reflectido.

 

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Não é só o legado de Macedo que está em causa aqui. Monteiro, seguindo esta via, questiona todo um Cinema que foi direccionado por uma única vaga de pensamento. Até certa altura culpa-se os “godardianos”, os seguidores fundamentalistas do cineasta francês, de tamanha importância histórica (vamos ser factuais), cuja imagem tornara-se iconoclasta, divindade acima de cinéfilos esclavagistas. Macedo tem palavras fortes para todo este movimento e a Jean-Luc Godard em particular, neste seu holofote. E reflectindo nesse “todos quererem ser um novo Godard” percebemos no estado que o nosso cinema parece ter atingido actualmente, uma pensamento meta indiciado por um filme tão disforme, quase centralizado a um lado pedagógico, sobre um dos realizadores mais interessantes e dedicados que Portugal soube alguma vez produzir.   

 

Filme visualizado no encerramento do 14º Doclisboa: Festival Internacional de Cinema

 

Real.: João Monteiro / Int.: António de Macedo, Fernando Lopes, António-Pedro de Vasconcelos, Jorge Leitão Ramos, Lauro António, José Fonseca e Costa, Edgar Pêra, Alberto Seixas Santos

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 18:03
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29.10.16

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Calabria, de Pierre-François Sauter, uma viagem de dois agentes funerários até Itália valeu o prémio principal do 14ª Doclisboa: Festival Internacional de Cinema, enquanto que Black Sun (Sol Negro), de Laura Huertas-Millán, obteve uma menção honrosa na Competição Internacional. Destaque para o mais recente filme de Rita Azevedo Gomes, Correspondências, consagrado com o Prémio José Saramago, e  Cruzeiro Seixas – As Cartas Do Rei Artur, de Cláudia Rita Oliveira, que foi escolhido pelo Público como o Melhor Filme na Selecção Oficial, e Ama-San, de Cláudia Varejão, considerada o Melhor Filme da Competição Portuguesa.

 

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL
Grande Prémio Cidade de Lisboa para Melhor Filme da Competição Internacional

Calabria, Pierre-François Sauter

Menção Honrosa Grande Prémio Cidade De Lisboa para Melhor Filme da Competição Internacional
Black Sun, Laura Huertas-Millán

 

Prémio Sociedade Portuguesa de Autores Do Júri Da Competição Internacional

Azayz, Ilias El Faris

COMPETIÇÃO TRANVERSAL
Prémio José Saramago - Fundação José Saramago E Livraria Lello - Para O Melhor Filme Falado Em Português, Galego Ou Crioulo De Origem Portuguesa Transversal A Competições E Riscos.

Correspondências, Rita Azevedo Gomes

Prémio FCSH Para Melhor Primeira Obra Transversal A Competições e Riscos

300 Miles, Orwa El Mokdad

 

Prémio Jornal Público Para Melhor Curta-Metragem Transversal A Competições e Riscos.
Downhill, Miguel Faro

Prémio do Público - Prémio RTP Para Melhor Filme Português Transversal A Competições, Riscos, Heart Beat E Da Terra À Lua
Cruzeiro Seixas – As Cartas Do Rei Artur, Cláudia Rita Oliveira

COMPETIÇÃO PORTUGUESA
Prémio Íngreme / Doclisboa Para Melhor Filme Da Competição Portuguesa

Ama-San, Cláudia Varejão

 

Prémio Kino Sound Studio Do Júri Da Competição Portuguesa
A Cidade Onde Envelheço, Marília Rocha

 

Prémio Escolas ETIC — Para Melhor Filme Da Competição Portuguesa
O Espectador Espantado, Edgar Pêra

 

COMPETIÇÃO VERDES ANOS
Grande Prémio La Guarimba

Pulse, Robin Petré


Prémio Especial Do Júri Verdes Anos

O Cabo Do Mundo, Kate Saragaço-Gomes

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:56
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27.10.16

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Preservando memórias!

 

Deixem o entretenimento de lado, a faceta artística e experimental decidida a quebrar barreiras da transcendência visual e sonora, e encarem o seguinte - o Cinema é também um registo de memórias. Uma "cápsula do tempo" que congela esse mesmo Tempo, para ser alvo de descobertas para futuras gerações. O que somos? O que vivemos? Qual a nossa real natureza? Em A German Life nenhuma dessas perguntas será por fim respondida, mas o ensaio de preservação de pedaço de História é aqui invocada em todo o seu esplendor. Existe neste documentário uma aura passiva, de não alterar o rumo dessa mesma memória, mas sim citá-la com as mesmas palavras proferidas por quem as realmente viveu, como vivente desses mesmos episódios temos Brunhilde Pomsel.

 

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Quem é esta mulher? Perguntam vocês. O que de interessante tem a sua vida para merecer tal registo? O interesse não vem aqui ao caso, Pomsel não é um "animal enclausurado" exibido numa colecção zoológica, é sim uma mulher disposta a narrar as suas maiores "humilhações". Humilhações, essas, que a própria descarta de culpas e inocências - "vivíamos numa época diferente", "… para condenarem a mim, primeiro condenariam todo o povo alemão". Brunhilde Pomsel foi a estenográfica do Departamento de Propaganda Nazi, a mulher que fora constantemente próxima de um dos mais odiados homens de toda a "pegada" deixada pela Humanidade, Joseph Goebbels. O homem em questão foi um dos maiores responsáveis pela propagação dos ideais do Partido Nazista, e um dos braços direitos do próprio Adolf Hitler. O discurso de Pomsel, por outro lado, não tende em denunciar directamente todo o trabalho exposto por estes "homens fardados", mas sim descrever os sentimentos experienciados num país fechado, sob forte influência politica de quem culminou uma Guerra sem precedentes.

 

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São quatro, os realizadores deste A German Life, um quarteto de mentes que serviram como investigadores do background de Brunhilde Pomsel, aqui exposta a uma confissão sem fim. Visualmente, a fotografia de tons cinzento salienta o rosto envelhecido da protagonista (aplausos para Frank Van Vught). Este é um rosto de 103 anos, as rugas são como "cicatrizes" marcadas pelo maior dos inimigos, o Tempo. E antes que o Tempo faça das suas, deixando as memórias residente de Brunhilde Pomsel no puro esquecimento, os realizadores Christian Krönes, Olaf S. Müller, Roland Schrotthofer e Florian Weigensamer tentaram aqui uma "corrida" contra esse mesmo némesis. Explorar e extrair de Pomsel, as relevantes palavras para um futuro próximo.

 

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A German Life ostenta uma brilhante fotografia, como já havia referido, que atribui-lhe uma sensação de platina a um prolongado "talking head", uma entrevista ditada com emoção e comoção de quem é subjugado, intercalado com propaganda anti-nazi e até mesmo simpatizante nazi (faltava mais a fundo na própria propaganda do Departamento de Pomsel). Não tendo uma estrutura brilhante na sua concepção como documentário, A German Life vive como um documento sem culpas, nem denúncias do foro moral a uma, acima de tudo, cidadã de um período negro da nossa História. Aqui, a importância das palavras anexadas a memórias à beira da extinção, valem mais que ressentimentos ou decepções que aqui poderiam extrair.

 

"A Verdade é o maior inimigo do Estado." Joseph Goebbels

 

Filme visualizado no 14ª Doclisboa: Festival Internacional de Cinema

 

Real.: Christian Krönes, Olaf S. Müller, Roland Schrotthofer, Florian Weigensamer / Int.: Brunhilde Pomsel

 

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8/10

publicado por Hugo Gomes às 22:31
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Procurando o mestre …

 

Será este Cruzeiro Seixas: As Cartas do Rei Artur, o documentário falhado de Mário Cesariny? Falhado, porque o foco da câmara embica para um outro vértice, não do poeta e pintor surrealista que tanto se fala e no qual é referido como uma das mais valiosas prestações portuguesas no campo da arte contemporânea.

 

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Artur Cruzeiro Seixas, o outro artista, possui uma ligação incontornável no percurso emocional e artístico de Cesariny, a câmara de Cláudia Rita Oliveira logo cedo fica seduzida pela sua figura, aquela postura de derrotado, passando ao lado da verdadeira notoriedade, daquela luz que todos os artistas ambicionam chegar. Porém, o "mestre", como é várias vezes apelidado, é um anfitrião afável que deixa à vontade quer o espectador, quer o ensaio documental de Oliveira. A sua ironia vencida contagia o resto. Deixemos então, reféns dessas suas palavras, das memórias enriquecidas pelos escritos trocados entre dois seres, umbilicalmente interligados às suas convenções artísticas, assim como, cada um à sua maneira, na procura de um espaço afectivo que os não julga.

 

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Talvez seja por isso, que é impossível desligar Cesariny de Cruzeiro Seixas, e Cruzeiros Seixas de Cesariny. O testemunho de uma vida no limiar do limbo vivente e o fantasma que encoraja esse mesmo pesar. No seu limite, As Cartas do Rei Artur é um filme sobre a morte de Cesariny contado pelo seu mais intimo amigo … e, porque não … amante. Mas, por sua vez, Cláudia Rita Oliveira direcciona a lente, aponta o holofote na sua pessoa e assim, em paralelo com o artista-sombra, seguimos o percurso deste subestimado,"mestre" de nome, porém, não ainda de título. Neste território artístico que é um campo de batalha onde a luta é desigual, Cruzeiro Seixas é dos grandes derrotados. O filme serve-lhe de consolo, de "prémio de participação", criativo na variação do seu paladar.

 

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Todavia, Cruzeiro Seixas, este menosprezo incontável, poderá ter os dias expirados, e na deriva das profecias deste documentário biográfico e memorial, o pintor surrealista poderá por fim conhecer esse afortunado destino. Aliás, ele é a grande alma deste projecto, a sua personalidade é a narrativa condutora, a sua grandiloquência converte e atira Cláudia Rita Oliveira para segundo plano. Ela não guarda rancor, até porque o filme existe sob um signo apenas - o signo de um Rei Artur.

 

Filme visualizado no 14ª Doclisboa: Festival Internacional de Cinema

 

Real.: Cláudia Rita Oliveira / Int.: Artur Cruzeiro Seixas, Mário Cesariny

 

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7/10

publicado por Hugo Gomes às 14:36
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26.10.16
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Um fim-de-semana com um morto!

 

Como o cinema é fascinado por road trips! Como as mesmas transformam-se em jornadas pessoais ou coming-to-age para personagens inocentes! Em Calabria, por outro lado, essa viagem, mesmo tendo um objectivo seguro, é uma linha plana sem desenvolvimentos pessoais, as suas personagens são as mesmas, inerentemente falando, do início, no meio e no seu desfecho.

 

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Tal como Louis L'Amour havia citado - "O caminho é o que importa, e não o seu fim" - Calabria adquire a sua dimensão enquanto produto documental no percurso, onde dois imigrantes suíços (um português e um sérvio), sem nada em comum tirando o facto de serem ambos empregados de uma funerária, partem longa viagem para entregar o corpo de um imigrante italiano. A narrativa faz-se pelas paragens em áreas de serviço e hotéis, que funcionam como pausas de um ininterrupta confissão. Os dois protagonistas dialogam sobre os seus medos, os ideais, o amor e até mesmo a cultura.

 

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O morto que transportam é o testemunho mudo desta troca de palavras, recorridas a um tom de companheirismo, sem afectos gratificantes, nem evoluções aparentes na relação de ambos. São meros colegas, prontos para cumprir o seu trabalho, cujas conversas correspondidas são meras distracções, entretenimentos para as horas que seguem, porém, são nelas que concentra as suas respectivas expressões étnicas. Um retrato etnográfico sem os odes do neo-realismo, sem a abrangência de uma determinada investigação? Pois bem, Calabria é um estudo sobre gente, um jogo ao acaso inserido nesta ideia onde a morte é a aproximação destas vidas, e cuja diversidade celebra-se perante festividades mórbidas.

 

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O realizador Pierre-François Sauter humaniza a imigração, atribui-lhes uma face, um passado, sonhos e relações afectivas a um fenómeno cada vez mais desprezado, criticado e sobretudo anexado a agendas politicas. Calabria é um agradável exercício de temáticas indirectas, o qual a Morte é novamente servida como palco de fundo para um estudo sobre a Vida.

 

Filme visualizado no 14ª Doclisboa: Festival Internacional de Cinema

 

Real.: Pierre-François Sauter / Int.: José Russo Baião, Jovan Nikolic

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 19:52
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26.10.16

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300 milhas que separam a nossa inocência!

 

Será a inocência nos dias de hoje um aspecto perigoso? Será que essa natureza encontra-se perdida perante um Mundo cada vez mais cínico, e assumidamente hipócrita? Com a crise dos refugiados  a atingir um dos seus picos em 2015, uma fotografia automaticamente tornou-se viral, que suscitou novas discussões quanto à gravidade, ou não, do problema da migração forçada. Essa mesma foto exibia um corpo de uma criança, vitima desse mesmo fluxo migratório, um corpo sem vida que deu à costa da Turquia. Logo, os medias focaram na atenção global desta mesma imagem, explorando o passado desta precoce morte, ao mesmo tempo, sob um tom sensacionalista, desenhar um percurso futuro nos "se" da sua vivência. A comoção foi geral, mas depressa começou a surgir questões quanto às imagens, quanto à manipulação da história e dos interesses políticos por detrás (de ambos os lados) que repentinamente culminavam. Por isso, questiono, será a inocência válida nos tempo que decorrem, sem ser sobretudo, questionada?

 

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Enquanto reflectimos, temos que ter em conta que é uma mistura de inocência como também de pura ingenuidade que integram os maiores conflitos do nosso Mundo, desta forma são a base deste 300 Miles, a descoberta das razões que levarão a um dos mais badalados cenários bélicos dos tempos decorrentes. Sim, é a Síria, a temática tabu para muitos, a "mina de ouro" do mediatismo para alguns, e é aqui o arranque deste registo fílmico que reúne a pessoalidade do seu realizador (Orwa Al Mokdad) com a urgência de um jornalista "spotlight" sob tendências de guerrilha.

 

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Porém, neste último ponto, as respostas poderão ficar aquém das nossas expectativas, até porque a perspectiva de todos é requerida desses mesmos dois factores: inocência e ingenuidade. Da mesma forma que as duas crianças ao relento apontam para o Sol em busca de um ponto negro, visível com um persistente olhar (um simbolismo infantil da busca de uma outra perspectiva), temos os rebeldes, ou homens sob uma grande vontade de rebelar … contra o quê, ou quem? … nem eles mesmo sabem. Tudo se resume a isso, a inocência nos mais diferentes ramos, e é essa mesma torna-nos cego, desinformados, em simultâneo nos revela hipócritas e cínicos nas nossas buscas.

 

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Como documentário, Orwa Al Mokdad vai "beber" bastante do Silvered Water, Syria Self-Portrait (apresentado em Portugal no Lisbon & Estoril Film Festival de 2014), que também utiliza as diferentes plataformas de gravação de vídeo (com principal relance as webcams e câmaras de telemóvel) para mapear um conflito. Mas não é por isso, que este 300 Miles não possui a sua importância como documento de registo. Ou será que estamos a ser inocentes?

 

Filme visualizado no 14ª Doclisboa: Festival Internacional de Cinema

 

Real.: Orwa Al Mokdad / Int.: Orwa Al Mokdad

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 14:50
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26.10.16

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Para onde vamos agora?

 

Vamos ser claros, Wang Bing é daqueles documentaristas com iniciativa, em constante busca por temas transgressivos e, alguns deles, tabus de uma China em plena crise identitária e moral. Sim, ele é incansável no seu trabalho de terreno, nas horas de filmagem, na abrangência do seu olhar que neste caso é a lente da sua câmara, tão operacional como ele.

 

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Porém, falta-lhe a objectividade, sobretudo no campo da edição. Existe nele uma possessão de material realmente forte, o que o impossibilita descartar algum do seu tempo de filmagem em prol do produto final. Em consequência, são filmes como estes, de temas fortes, mas sem a força necessária para que o espectador "abrace a causa". Talvez seja por isso que Wang Bing filma tanto, as suas criações não são centradas, nem devidamente frontais para com que realidade que o próprio encara, são objectos deambulados, etnograficamente ricos como documentos de igual matéria, longe da provocação que precisa para realmente ser ouvido.

 

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O documentarista chinês não faz "épicos de violência social", faz ensaios cansativos e completamente desarmantes de temas que deveriam ter o seu "quê" de alarme, e neste caso, Ta'ang, este registo do exilo levado a cabo por famílias inteiras burmesas, como escape da guerra civil, parece apenas servir como uma decoração para ferir os mais susceptíveis. São quadros vivos, mas dentro deles, existem pessoas que lidam com a sua desgraça, uma má sorte que para Wang Bing são matéria que compõem o seu mais recente ensaio de "poverty porn", um embrião dos reality shows dotados de uma certa tendência fetichista.

 

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A envolvência neste mundo em "cacos", onde as "personagens" tendem em lidar com as suas próprias situações, deixando para trás partes integras das suas vidas em busca de quem os acolhe, algo mediático tendo em conta a crise dos refugiados que nos bombardeia os medias, sendo que Ta'ang revela-nos um caso especifico ignorado por estes mesmos. Uma viagem desesperante sem fim, que o realizador filma com a maior das tranquilidades. Sentimo-nos cúmplices perante este mau trabalho de investigação, onde os testemunhos secam perante o "on" prolongado da câmara, sem qualquer indicio de moderação nem coordenação.

 

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Talvez, Wang Bing não queira manipular esta realidade, e nisso faz ele muito bem, porém, o que adianta mostrar por mostrar, o que adianta captar este novo-realismo que não nos electriza, ao invés disso nos entendia da forma mais emocional possível. Será Wang Bing um voyeurista da desgraça alheia? Pelos vistos sim, nada aqui aponta-nos estarmos cara-a-cara com o documentarista do novo século como fora aclamado desde sempre. 

 

Filme visualizado no 14ª Doclisboa: Festival Internacional de Cinema

 

Real.: Wang Bing

 

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4/10

publicado por Hugo Gomes às 14:26
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23.10.16

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O álbum de família!

 

A documentação e colecta de memórias é umas das principais raízes do cinema documental. O documentário longe da pedagogia interactiva que muitos parecem associar, mas sim, do registo de qualquer natureza. Tal como os índios amazónicos que acreditavam que uma fotografia roubava-lhe as almas, o cinema tem sido diversas vezes encarado como um “caçador de espíritos”, perseguindo, “agarrando” e preservado, não em âmbar, mas em fita, (neste momento o digital serve de alternativa).

 

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E dentro desse mesmo cinema-arquivo, encontramos por vezes o álbum de família, um grupo pelo qual pertence este 95 and 6 to Go, um filme dirigido pela realizadora Kimi Takesue, que remete-nos à história da sua família tendo principal foco o seu adorado avô, que com quase um século de vida expõe a sua experiência e aventuras, assim como desventuras, o qual foi submetido ao longo da sua longa existência. Mais do que uma “musa”, o patriarcal Tom Takesue torna-se, maioritariamente, no assistente de realização desta mesma obra, tal como refere em jeito jocoso nesta mesma jornada de registo.

 

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A sua vontade de viver, um dos tópicos pelo qual a câmara de Kimivasculha”, converte-se no maior combustível deste mesmo filme. Um velho que recusa morrer, e sobretudo guardar as tristezas de uma vida em desfragmentação no seu próprio ser. Tom refere várias vezes que a morte da esposa, assim como da filha, que faleceu antes do tempo, “espinhos” cravados de uma existência que dá e tira, mas que é no seu gradual esquecimento que o nosso protagonista encontra a resistência ao ceifeiro.

 

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Amante de cinema, música e dança, de um jeito curioso de ver o seu redor, Tom consiste na grande estrela destas filmagens tecidas entre si. Possivelmente sem ele, 95 and 6 to Go (nota-se que até o título foi escolhido pelo próprio Tom com alusão aos seis meses de vida que o seu médico previu perante um diagnóstico de cancro), seria uma tentativa falhada de colectar memórias mais queridas para nossa realizador do que para o público. Todavia, Kim encontrou uma “pepita de ouro”, um vórtice de interesse que resiste à monotonia do seu formato. E é essa jóia chama-se Tom, que nos contagia com a sua imensa vitalidade.

 

Filme visualizado no 14ª Doclisboa: Festival Internacional de Cinema

 

Real.: Kimi Takesue / Int.: Tom Takesue, Kimi Takesue

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 00:08
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22.10.16
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O Evangelho dos Burgueses!

 

A crise dos refugiados contraiu tal dimensão mediática que é praticamente impossível ficar indiferente ao tema. Em consequência disso, são “às centenas”, as obras que são lançadas este ano e que deambulam sobre as condições desta gente. Felizmente, há quem o faça bem, como também, a quem os explores de maneira quase pornográfica. Nesta última opção encontramos Vangelo (em Competição Internacional do Doclisboa) sobre um actor e encenador italiano - Pippo Delbono (conhecido pelo seu desempenho em I am Love, de Luca Guadagnino, ao lado de Tilda Swinton) - que após a morte da sua querida mãe e dos diagnósticos assombrosos da sua saúde, decide aventurar-se entre os refugiados para … sabe-se lá o que se passa na cabeça dele … encenar o Evangelho.

 

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Antes disso, bem, após algumas sequências longas e narcisistas, filmadas por telemóvel sobre a sua pessoa, Pippo afirma que para consolação da sua dor havia encenado um chamado “Evangelho dos Ricos”, uma peça trabalhada com muitos dos seus amigos artistas, que segundo o realizador, são burgueses que desconhecem o mundo real. Bem visto, sim senhor, se não fosse o facto de logo a seguir Pippo afirmar que pessoas infelizes devem se manter próximo de pessoas ainda mais miseráveis para se sentir na melhor das formas.

 

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Solução, o encontro com um grupo de refugiados para confortar o seu pesar. Esta comparação entra logo em conflito com a moralidade do projecto, até porque a restante duração do documentário faz-se com puro bullying. Pippo é um burguês privilegiado que encontra nos refugiados o seu ar de graça para simplesmente troçar, quase obrigando-os a citar frases italianas, o qual se entende que estes homens não percebem nem sequer uma palavra daquilo, até à natureza religiosa cristã da peça sobre vários homens, que sem sombras de dúvidas, são muçulmanos. A persistência nessa evangelização está em perguntas como “Conheces Jesus?”. Será Pippo um jesuíta?

 

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O incomodo é um sentimento vivido por estes homens com vidas destroçadas, os respectivos olhos falam por si. Homens munidos de coragem para deixar para trás as suas vidas anteriores e aventurarem-se nas mais arriscadas façanhas (exemplo, é o único relato de vida destes, Safi, que com o seu péssimo inglês torna-se no ponto alto da obra). Por entre “torturas” (um homem residido minutos sem fim no alto mar para citar textos do Nazareno), até a interrogatórios frios e voyeuristas, Pippo, sob uma sugestiva respiração ofegante, faz de “domador de feras” num circo que ele próprio montou, para além disso, todo este registo funciona numa espécie de “snuff film”.

 

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Para finalizar, este homens cujo futuro é incerto, muitos deles com vistos negados e recambiados aos seus países de origem (qual? O filme nem interessa por isso), Pippo, revela o seu pensamento mais egoísta de puro conformista burguês, “estas pessoas são felizes porque tem música e dança”, ou “como estas pessoas não tem medo da morte, sabem o que é viver”. Mas que raio de “moralismo” é este?! Pippo pega nos refugiados para o seu próprio entretenimento (existe também alusões sexualmente fantasiosas com estes mesmos homens), depois reforça a sua miserabilidade humana, como fosse o mais desgraçado de todo este Mundo, esquecendo que é um privilegiado homem branco ocidental.

 

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No final temos a sua “queridaÚltima Ceia, sob o som de uma música em looping I Feel Good”, sim, bastante apropriado, indeed!. Pelos vistos, encontrei o Je m’appelle Hmmm … deste ano [ler crítica aqui], mal executado, mal idealizado e imoral no seu sentido de oportunismo.

 

Filme visualizado no 14ª Doclisboa: Festival Internacional de Cinema

 

Real.: Pippo Delbono

 

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2/10

publicado por Hugo Gomes às 16:04
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22.10.16

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Redesenhando as imagens que faltam!

 

No surgimento das memórias sem registo que fora o nomeado ao Óscar, A Imagem que Falta (L'Image Manquante), o cambojano Rithy Panh retoma aos fantasmas que o assombram, deambulando sobre as suas naturezas e reconhecê-las como reminiscência de um homem de hoje. Sim, esta é a história do exílio do próprio realizador, em tempos que a sua terra natal era transgredida por uma constante metamorfose político-ideológica, e as consequências que essa “revolução” ditará no seu consciente.

 

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Tal como havia sucedido com As Imagens que Falta, Rithy Panh narra e colecta vivências sob a batuta de imagens cinematográficas produzidas, assim recorrendo ao pouco uso das imagens de arquivo para centrar a sua proposta contada. Contudo, é talvez na sua força pessoal, assumindo como um conto autobiográfico, que Exile (Exílio) atinge o seu pico emocional, mas, até lá, a beleza plástica e por vezes metafórica do enclausuramento humano torna-se pomposamente artificial e de certa maneira, artisticamente pretensioso. Enquanto que os horrores de A Imagem que Falta são preservados, e aos mesmo tempo restaurados pelo simbolismo, em Exile é a performance e a grandiloquência visual que preenche esse vazio de complementos narrativos.

 

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A história descrita segue em paralelo um Cambodja em gradual transmutação (o anterior Kampuchea Democrático), anexando-o com uma riqueza quotes e frases poético-filosóficas que reflectem, não só contribuído para a emocionalidade da vivência de Rithy Panh, como também a natureza metafísica desta revolução determinada (grande parte destas são citações de Mao Tsé Tung arrancadas directamente do seu Livro Vermelho, o julgamento estará cargo do próprio espectador). Sim, Exile aposta nos ecos deixados pela A Imagem que Falta, mas infelizmente essas imagens que substituem não impotentes perante o relato deixado, assim como a jornada gastronómica que Rithy Panh parece deliciar no seu leito de sobrevivência.

 

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Vindo desse mesmo realizador, e tendo em conta que o registo é bem mais pessoal,  esta é uma obra decepcionante, de repetição autoral, mas alicerçado a um discurso sobretudo fantasmagórico.

 

Filme visualizado no 14ª Doclisboa: Festival de Cinema Internacional

 

Real.: Rithy Panh

 

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7/10

publicado por Hugo Gomes às 00:42
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21.10.16

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O texto imperativo!

 

Há uma mistura de teores que percorre todas estas palavras, desde o poético ao lírico passando pelo simplesmente politico, até à preocupação da nossa língua (essa nossa identidade), como a preservação dos nossos ideais culturais e sociais - "devemos ser mais como o gregos" - tal como é referido em determinado ponto. Rita Azevedo Gomes (A Vingança de uma Mulher) encontrou a sua matriz, a correspondência trocada entre dois poetas, Jorge Sena e Sophia Mello Breyner, durante o exílio do primeiro no Brasil e posteriormente dos EUA, de forma a "fugir" ao regime fascista que se vivia em Portugal. Porém, para Breyner, a sua escrita remete à recordação de cada palavra como a saudade do seu mais intimo amigo. Uma amizade separada por quilómetros de distância, mas reforçadas pelas estrofes, pelas frases que substituem horas e horas de conversa.

 

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Belos textos temos aqui! E a realizadora bem o sabe, aliás, até demais. Correspondência vem a reforçar a ideia de uma vaga que se vai brotado no nosso seio cinematográfico - um cinema cada vez mais lírico, empurrado pelos textos de uma correspondências antiga - que servem, não só de guião, assim como puro alicerce de uma eventual intriga. Será a saudade vencida por este prolongado método de comunicação, agora perdido pela distância de um clique das novas tecnologias em cumplicidade com as redes sociais que nos atingem, que nos faz invocar referido formato? Será a preocupação com o texto imprimido, a degustação de cada palavra, cada acento, cada paragrafo e até a grafia no seu mais extremo nível, que nos afronta espiritualmente?

 

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A verdade, é que temos aqui um português falado e escrito à beira da extinção, que nos dias de hoje, vê-se atropelado pela globalização e nesta redução de distância de contacto entre os mais diferentes pontos geográficos. Será que esta aproximação nos torna menos cuidados? Assim sendo, Correspondências vem ao auxilio de Cartas da Guerra, da Ivo Ferreira, a prioridade do texto-legado, da literatura salientada nas suas imagens. Mas infelizmente, para Azevedo Gomes, Ferreira soube construir uma narrativa visual que pudesse emancipar-se do próprio texto, em Correspondências tal isso não acontece, tudo é recorrido à forma de cautela. A nossa realizadora parece ter medo de superar o mencionado texto, focando-se nele e aceitando à aleatoriedade das imagens.

 

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Quase seguindo à letra a poética forma da citação, Correspondências  evidencia um "terror de penetrar na habitação secreta da beleza", o que impede que as encenações tomam conta das palavras residentes e trocadas, sem conseguir apoiar no seu todo. "As imagens atravessam os meus olhos e caminham para além de mim", uma miragem nestas Correspondências de facto. Nesse aspecto, Rita Azevedo Gomes poderia leccionar-se no seu próprio formato - "será que a vida é a luta das imagens que não morrem?" Ao invés disso, soube criar um belo produto para os nossos ouvidos, a sensualidade de palavras tecidas com a maior das dedicações, quer da sua forma e construção, quer do sentimento nelas depositadas. Poderia ser um grande filme … poderia, mas Rita Azevedo Gomes preferiu encenar um mero exercício de encenação.

 

Filme visualizado no 14ª Doclisboa: Festival Internacional de Cinema

 

Real.: Rita Azevedo Gomes / Int.: Luís Miguel Cintra, Rita Durão, Eva Truffaut, Mário Barroso, Tânia Dinis

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 02:20
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20.10.16

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O piano do Czar Nicolau II será novamente tocado, hoje (20 de Outubro) na 14ª edição do Doclisboa: Festival Internacional de Cinema, com Oleg y las Raras Artes, de Andrés Duque, a ter lugar no Grande Auditório do Culturgest.

 

O Doclisboa celebrará, assim, um ano memorável, apostando fortemente em conteúdo actual da mesma forma que visa as suas memórias através de  homenagens e constantes retrospectivas. Neste último campo contamos com um ciclo dedicado a Peter Watkins na Cinemateca, o documentarista inglês cuja sua obra teve impacto na História do cinema docuficcional, a homenagem a Peter Hutton, conhecido como o realizador de Three Landscapes, que nos deixou no passado mês de Junho em consequência de uma cancro que combatia há anos, e o tributo "de última hora" ao cineasta iraniano Abbas Kiarostami, também falecido este ano. Na secção Heart Beat, a homenagem também terá lugar com Bowie, Man with a Hundred Faces or The Phantom of Herouville, de Gaëtan Chataigner, sobre o cantor e músico David Bowie e By Sidney Lumet, de Nancy Buirski, com especial atenção ao realizador Sidney Lumet.

 

A História documental de Cuba consistirá num dos ciclos surpresas deste Doclisboa, assim como o foco aos media ninja com #Fora Temer, que salienta o papel fundamental desta comunicação social marginal durante o aceso conflito político-social do Brasil. Sabendo que já lá vão 14 edições, o passado do próprio festival e do seu respectivo legado não ficará de fora, a temática Da Terra à Lua terá a sua estreia este ano. Uma "cápsula do tempo" que reúne alguns dos melhores trabalhos e realizadores que passaram pela década e tanto do Doclisboa.  Wang Bing, Rithy Panh, Sergei Loznitsa, Michael Palm, Werner Herzog e as portuguesas Teresa Villaverde e Catarina Alves Costa, serão alguns nomes presentes neste "best hits".

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 10:56
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