Data
Título
Take
8.7.17

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Curtas Vila do Conde comemora as suas bodas de prata. Não é todo os dias que um festival português atinja a 25ª edição e é com tal longevidade a servir de signo que o Curtas tem o privilégio de arrancar, hoje (8 de Julho, prolongando-se até dia 16), com a antestreia nacional de The Other Side of Hope (O Outro Lado da Esperança), do tão celebrizado cineasta finlandês Aki Kaurismäki. Apresentado e premiado (Melhor Realização) no último Festival de Berlim, a obra aborda a integração dos refugiados sírios nesta Europa ainda atormentada pelo racismo, e é possível que seja um dos filmes do ano.

 

No mesmo dia, o mais recente trabalho de Kelly Reichardt, Certain Women, será também exibido. Trata-se da história de três mulheres completamente distintas e sem conexão que irão mapear uma obra de sensibilidade no feminina. O filme tem sido prezado pela crítica internacional e até premiado em diversos festivais, como o prémio máximo da competição do Festival de Londres, e em diversos círculos de crítica norte-americana.

 

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Serão oito dias repleto de cinema para descobrir e para redescobrir, e como tem sido tradição nos últimos tempos, o festival tem-se cada vez mais assumindo como um estandarte da cinematografia portuguesa assim como da experimentalidade, pelo qual, poderemos ainda polvilhar os projectos da "nossa terra". Aliás, não é por coincidência, que Terra, é o nome da exposição colectiva da nova geração de autores portugueses que vai desde Gabriel Abrantes (em colaboração com Ben Rivers), passando por Priscila Fernandes, Pedro Neves Marques, Joana Pimenta, Lúcia Prancha, Francisco Queimadela e Mariana Caló. A exposição, que ficará patente até 17 de Setembro, estará exposta no Solar – Galeria de Arte Cinemática.

 

Na Competição Internacional encontraremos nomes fortes, veteranos, revelações e possíveis surpresas, tudo para um só propósito,  alcançar o prémio máximo do certame. A selecção é impressionante; Gabriel Abrantes, Latif Saïd, David O'Reilly, Hu Wei, Laura Poitras, Nele Wohlatz, Ben Rivers e Jia Zhang-ke. O mesmo se poderá aplicar à Competição Nacional, que vai desde Salomé Lamas a João Salaviza, Gabriel Abrantes a João Pedro Rodrigues.

 

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O Curtas apresentará ainda o ciclo F.J. Ossange, integrado na secção In Focus, onde será projectado a obra do cineasta, poeta, escritor e músico, conhecido pela sua marginalidade como sinal de prolificidade, uma figura eclética no panorama cultural francês. Na secção Stereo teremos o filme-concerto, The General (Pamplinas Maquinistas), o grande clássico de Buster Keaton, musicado pelo Atlantic Coast Orchestra, e ainda concertos de Evols, Mão Morta, Capitão Fausto, Chassol e Pega Monstro.

 

Por fim, dois "clássicos" da programação do Curtas, o Take One, uma plataforma que explora as novas linguagem do cinema em obras que desafiam as já estabelecidas convenções, nesta secção estará inserida um Workshop de Crítica de Cinema, contando com diversos e distintos oradores que vão desde o crítico norte-americano Dennis Lim, aos portugueses João Lopes, Jorge Mourinha, Sabrina D. Marques, os artistas visuais (Filipa César e João Tabarra) e o ex-crítico e agora cineasta Miguel Gomes. Quanto ao Curtinhas, dedicados aos mais novos que terá este ano a projecção de Gru, O Maldisposto 3.

 

Para mais informação sobre a programação, ver aqui

 

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publicado por Hugo Gomes às 13:24
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18.7.16

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O israelita Nadav Lapid (Ha-shoter) arrecada o Grande Prémio "DCN Beers" da Competição Internacional da Curtas Vila do Conde, graças à sua média-metragem, From The Diary of a Wedding Photographer. Enquanto que na Competição Nacional, o documentário de Ana Maria Gomes, António, Lindo António, conquistou, não só o Grande Prémio, como também o galardão de Público. Quanto a Melhor Realizador Português, o artista plástico Gabriel Abrantes continua a dar nas vistas, e o seu A Brief History of Princess X, que co-realizou com Francisco Cipriano, não foi excepção.

 

 

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

Grande Prémio "DCN Beers" 

From The Diary Of A Wedding Photographer (Nadav Lapid)

 

Melhor Filme de Animação

Decorado (Alberto Vázquez)

 

Melhor Filme de Documentário

Notes From Sometime, Later, Maybe (Roger Gómez, Dan i Resines)

 

Melhor Filme de Ficção

Limbo (Konstantina Kotzamani)

 

Vila do Conde Short Film Nominee Curta nomeada para os European Film Awards 2016 em Vila do Conde

Home (Daniel Mulloy)

 

Prémio do Público “Niepoort”

Decorado (Alberto Vázquez)

  

 

COMPETIÇÃO EXPERIMENTAL

Bending To Earth (Rosa Barba) 

 

Menção Honrosa

Ocho Décadas Sin Luz (Gonzalo Egurza)

 

 

COMPETIÇÃO VÍDEOS MUSICAIS

Villa Soledade - Sensible Soccers (Laetitia Morais)

 

 

COMPETIÇÃO CURTINHAS 

Moom (Robert Kondo, Daisuke 'O ice' Tsutsumi)

 

Menção Honrosa

Moroshka (Polina Minchenok)

Stickman (Jeroen Jaspaert, Daniel Snaddon)

Panique Au Village: La Reentrée Des Classes (Vincent Patar, Stéphane Aubier)

 

 

COMPETIÇÃO NACIONAL

 

Melhor Filme

António, Lindo António (Ana Maria Gomes)

 

Prémio do Público “SPA – Sociedade Portuguesa de Autores”

António, Lindo António (Ana Maria Gomes)

 

Prémio “BLIT” - Melhor Realizador Português

A Brief History of Princess X (Gabriel Abrantes, Francisco Cipriano)

 

COMPETIÇÃO TAKE ONE! 

Pronto, Era Assim (Joana Nogueira, Patrícia Rodrigues)

 

 

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Arranca hoje o 24º Curtas de Vila do Conde!

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:09
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9.7.16

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Curtas Vila do Conde regressa hoje, dia 9 de Julho, com uma programação que visa homenagear o cinema como a própria história da sétima arte. A agenda será composta por inúmeras reposições de, como a organização gosta de apelidar, "aulas de cinema subversivo". É Keaton, Tati, Becket, Godard, entre outros autores e personalidades cujas suas visões alteraram para sempre o curso da cinematografia.

 

Outra das novidades da programação é o ciclo dedicado à Borderline Films, uma produtora nova-iorquina que tem apostado nos últimos anos em dar voz a uma criativa geração de cineastas independentes, desejosos em contribuir para a indústria cinematográfica norte-americana com obras que fogem dos habituais conceitos do mainstream. Nessa mesma produtora encontramos nomes como António Campos (Afterschool, Simon Killer), Sea Durkin (Martha Marcy May Marlene) e Josh Mond (James White).  

 

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A secção Stereo integrará uma colectânea de filmes-concertos, como os de Jay-Jay Johanson, The Legendary Tiger Man, The Greg Foat Group e os ingleses Tindersticks. A dupla de realizadores João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, os portugueses por detrás dos incontornáveis Odete (2005), Morrer Como um Homem (2009) e A Última Vez que Vi Macau (2012), vão apresentar sua primeira exposição cinemática na Solar, a que os autores intitularam “Do Rio das Pérolas ao Ave”.

 

Por fim, dois "clássicos" da programação do Curtas, Take One, que explora as novas linguagem do cinema em obras que desafiam as já estabelecidas convenções e claro, Curtinhas, dedicados aos mais novos.

 

O 24º Curtas do Vila do Conde prolonga-se até dia 17 de Julho. Para mais informação sobre a programação, ver aqui.

 

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:02
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13.7.15

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O português Mined Soil, de Filipa César, saiu como o grande vencedor do 23º Curtas Vila do Conde, numa edição que arrancou com a antestreia nacional da tão antecipada obra de Miguel Gomes, As Mil e uma Noites. A história do combatente e agrónomo guineense Amílcar Cabral adaptado pela cineasta César conquistou assim o Grande Prémio Cidade Vila do Conde, o expoente máximo da Competição Internacional, enquanto isso, Maria do Mar, de João Rosas, deslumbrou na competição nacional. Destaque para a secção Take One!, dedicada a filmes de escola, onde a curta-metragem de Joana Sousa, Bétail, foi a grande vencedora e Sala Vazia, de Afonso Mota, ficou-se por uma Menção Honrosa. A curta-metragem Kung Fury, do sueco David Sandberg, foi duplamente distinguido (Prémio de Curta Europeia, Prémio de Público da Competição Internacional), o mesmo sucedeu com Amélia e Duarte, de Alice Eça Guimarães e Mónica Santos (Prémio Canal Plus e Prémio de Público da Competição Nacional).

 

 

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

Grande Prémio Cidade Vila do Conde

Mined Soil, de Filipa César

 

Melhor Ficção

Beach Week, de David Raboy

 

Melhor Documentário

Bear, de Pascal Flörks

 

Melhor Animação

Mynarski chute mortelle, de Matthew Rankin

 

Melhor Curta Europeia

Kung Fury, de David Sandberg

 

Prémio do Público

Kung Fury, de David Sandberg

 

 

COMPETIÇÃO NACIONAL

Melhor Filme

Maria do Mar, de João Rosas

 

Melhor Realizador

Margarida Lucas, por Rampa

 

Prémio Canal Plus

Amélia e Duarte, de Alice Eça Guimarães e Mónica Santos

 

Prémio do Público

Amélia e Duarte, de Alice Eça Guimarães e Mónica Santos

 

Competição Experimental

The Dent, de Basim Magdy

Competição Videos Musicais

Movin’ Up dos X-Wife, realização de André Tentúgal

 

Prémio Curtinhas

The Present, de Jacob Frey

 

 

Prémio Take One!

Bétail, de Joana de Sousa

 

Menção Honrosa

Sala Vazia, de Afonso Mota

 

 

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A 23ª Edição do Curtas Vila Do Conde arranca hoje com antestreia de As Mil e Uma Noites!

 

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publicado por Hugo Gomes às 07:32
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4.7.15

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O Curtas Vila do Conde regressa hoje, dia 4 de Julho, prolongando-se até dia 12, com mais uma programação digna de registo, abrindo com a esperada antestreia do épico nacional de Miguel Gomes, As Mil e uma Noites. Com mais de 6 de horas de duração, dividido em três capítulos (O Inquieto [ler crítica], O Desolado [ler crítica] e O Encantado [ler crítica]), este é um projecto de denuncia que tem como base a estrutura do celebre conto persa que lhe aufere titulo. Porém, ao invés de histórias mirabolantes sobre mundos longínquos, tapetes voadores e ladrões de tesouros perdidos, temos o relato de um "país" doente, governado por belzebus, como é a certa altura mencionado os nossos governantes, e caindo numa grave crise identitária.

 

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Recordamos ainda que nesta mesma edição, poderemos contar com uma homenagem ao cineasta francês Quentin Dupieux, onde serão apresentados Wrong (2012), Wrong Cop (2013), Rubber (2010) e a antestreia nacional de Réalité (2014), que integrou a programação oficial do Festival de Veneza de 2014, centrando-se na história de um aspirante a realizador que tem somente 48 horas para encontrar o melhor grito da história do Cinema (com Alain Chabat, Jonathan Lambert e Jon Heder). E da antestreia de Shaun the Sheep [ler crítica], a mais animação dos estúdios da Aardman, a abrir a secção Curtinhas.  

 

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publicado por Hugo Gomes às 07:44
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18.6.15

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O primeiro capítulo do épico de Miguel Gomes, As Mil e Uma Noites, O Inquieto [ler crítica], vai estrear em território português no dia 27 de Agosto.  Quanto aos restantes capítulos - O Desolado [ler crítica] e O Encantado [ler crítica] - a estreia está prevista para Setembro e Outubro respectivamente, segundo a produtora portuguesa O Som e a Fúria.  

 

A nova obra do realizador de Tabu [ler crítica], apresentado na última Quinzena de Realizadores em Cannes e premiado no Sydney Film Festival, segue a mesma estrutura do clássico e popular conto persa o qual utiliza como título, mas assumindo como um relato de um "desgraçado país, Portugal", segundo as palavras do autor. Tendo como um registo que combina a realidade nacional com uma fantasia que funciona como crónica e ironia: "ficção e retrato social, tapetes voadores e greves", As Mil e Uma Noites é uma co-produção portuguesa (Som e a Fúria), francesa (Shellac Sud), alemã (Komplizen Film) e suíça (Box Productions films).

 

A obra terá antestreia nacional no festival Curtas Vila do Conde 2015.

 

 

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Miguel Gomes e a baleia encalhada!

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:38
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20.5.15

Mil e uma Noites - Volume 2 O Encantado.jpg

O encanto da desolada inquietação!

 

Duas partes são o que bastaria para confirmar o quanto gratificante é este novo projecto de Miguel Gomes, Mil e uma Noites. Livremente baseado no famoso conto persa, o qual respeita a sua estrutura narrativa, este épico revela-nos mais do que a sátira furtiva ao panorama social português como tem sido descrito, e sim num quadro de o quanto diversificado e criativo pode tornar-se o nosso cinema.

 

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O segundo tomo, O Desolado, foi um exemplo flagrante dessas referências cinematográficas, um remendo de estilos próprios e alusões a outros mestres esquecidos, tecidos em prol de um filme-denúncia, frontal, mas sempre emaranhado num tom irónico e caricatural. Com O Encantado, Miguel Gomes guia-se novamente por essas matrizes do tão nosso cinema para encerrar uma trilogia sustentada por uma militância quase guerrilheira. Comparativamente, este terceira parte é a mais fraca, em principio, sofrendo de um síndroma digno das trilogias, ou porque simplesmente Miguel Gomes tenta encerrá-la de uma forma mais emocional, do que concretamente mais incisiva.

 

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O Encantado inicia com um vislumbre do mundo envolto de Xerezade, a bela jovem que é obrigada a casar com um tirano e angustiado Rei, célebre por matar as suas esposas após a primeira noite núpcias. Para além de bela, Xerezade é também inteligente, culta e possuidora de dotes oratórios, virtudes que a auxiliam no seu prolongado plano de sobrevivência. Todas as noites, ela conta uma história sobre um país longínquos e respectivas crónicas mirabolantes envoltas, de forma entusiasmante para que o rei se encha de curiosidade e aguarde pacientemente pela noite seguinte para mais uma história, evitando assim, a mortal noite de núpcias. O primeiro plano de O Encantado é quase como um tributo ao cinema mais marginal de Fritz Lang, O Tumulo Índio, para depois fundir na intimidade das imagens invocadas. Este mundo descrito por Xerezade, tem de tanto místico como alusivo, e caricatural como surreal.

 

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Uma opção arriscada por parte de Miguel Gomes para complementar este O Encantado com uma sentimentalidade e cariz distinto, para depois avançar com um profundo registo etnográfico, enquanto mergulha no submundo dos “passarinheiros”e dos seus tentilhões em “The Inebriating Chorus of the Chaffinches” e a cruza com imagens dos protestos policiais decorridas em Novembro de 2013, em simultâneo, com o relato de uma imigrante chinesa “Hot Forest”, uma combinação sobretudo bizarra mas que de certa forma fiel ao paralelismo iniciado em O Inquieto: os encerramento dos estaleiros com a dizimação das pragas de vespas asiáticas em Viana do Castelo. Um paralelismo que o próprio Miguel Gomes revelou ser de uma “abstracção que lhe dá vertigens”, para poder encenar de seguida o papel de realizador desaparecido.

 

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Desaparecido, enquanto corpo, porque a alma de autor encontra-se nas mais tenras veias deste Mil e uma Noites, a maior epopeia cinematográfica do cinema português. O Encantado pode não ter o seu total encanto, mas curiosamente, tal como os outros capítulos, funcionam como obras soltas, percorridas pelo criativo imaginário da crítica social.

 

Filme visualizado na 47ª edição da Quinzena de Realizadores em Cannes

 

Real.: Miguel Gomes / Int.: Joana de Verona, Carloto Cotta, Gonçalo Waddington, Cristina Alfaiate, Xico Xapas

 

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Ver Também

Mil e uma Noites: O Volume 1, O Inquieto (2015)

Mil e uma Noites: O Volume 2, O Desolado (2015)

 

8/10

publicado por Hugo Gomes às 22:12
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18.5.15

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Em busca de um país com identidade!

 

Depois de O Inquieto, chega-nos O Desolado, a segunda parte do já proclamado épico social de Miguel Gomes, As Mil e uma Noites, que tem como base o famoso conto persa, onde a bela Xerazade, a fim de preservar a sua vida, tenta entreter o diabólico rei com os seus relatos de histórias fantásticas povoadas de misticismo. Porém, esta livre adaptação não incute narrações a lendas persas nem algo que valha. Miguel Gomes substitui com outro tipo de histórias, as de um país socialmente desesperado, onde reina o insólito e o descontentamento. Esse país é Portugal.

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Na primeira parte, o realizador do muito prestigiado Tabu conseguiu captar a atenção de todos ao esboçar um mundo que funde a realidade com um surrealismo caricato e sempre abrangido com um constante tom de denúncia. Com O Desolado esse extenso surrealismo é salientado logo no primeiro ato – Chronicle of the Escape of Simão 'Without Bowels' (Crónica da Fuga do Simão 'Sem Tripas') – no qual seguimos um fugitivo à polícia em montes de aldeias vizinhas de Viseu. Uma história que na pratica soa mirabolante é na verdade inspirado num mediático caso real que fez as manchetes dos nossos jornais. Aqui, Miguel Gomes revela uma faceta mais contemplativa, mais paciente e nem por isso menos lunática, trabalhando com atores (Chico Chapas) e alguns não-actores. Mil e uma Noites invoca uma linguagem enraizada na nossa "portugalidade".

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Porém, este é o ato menos conseguido pelo autor nesta sua jornada. O ritmo fraqueja e infelizmente Gomes cai no erro dos muitos autores portugueses. Mesmo assim, a narração é digna de um ar de revolta constante, ares que se prolongam ao ato seguinte, The Tears of the Judge (As Lágrimas da Juíza), uma verdadeira queda de dominós que expõe muitos dos problemas que afectam a nação. Luísa Cruz consegue levar a sua personagem ao extremo, num misto de teatralidade com o seu ego oculto e uma vontade inerente de denúncia. Se Simão 'Without Bowels' foi a menos conseguido das histórias, aqui Miguel Gomes encontra a sua pequena "obra-prima": um vórtice de bizarrices, comédia non sense e uma crítica sem receios.

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Diríamos que estamos no auge das Mil e uma Noites, apogeu que acalma com a passagem ao ato seguinte, The Owners of Dixie (Os Donos de Dixie), que tal como acontecera com O Inquieto é o último tomo onde é transferida toda a emoção antes ignorada. A jornada de um cão e dos seus donos recebe contornos etnográficos quando tenta esboçar a comunidade de um bairro suburbano de Lisboa. Três actos sob tons opostos e divergentes que indiciam uma só verdade: Miguel Gomes é um conhecedor nato de todos os códigos do cinema português, sendo óbvio que a sua carreira como crítico favoreceu essa diversidade criativa, a qual não se via desde João César Monteiro.

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O cinema contemplativo de autor em Simão 'Without Bowels', o conto ácido e de influências teatrais de um Manoel de Oliveira em The Tears of the Judge e o cinema com toques de Pedro Costa e Marco Martins no último capítulo, fazem daqui três histórias, três estilos diferentes, três razões para proclamar As Mil e uma Noites como um grande evento do cinema português e até mesmo mundial. Fantástico.

 

Filme visualizado na 47ª edição da Quinzena de Realizadores em Cannes

 

Real.: Miguel Gomes / Int.: Joana de Verona, Teresa Madruga, Gonçalo Waddington, Cristina Alfaiate, João Pedro Bénard, Xico Xapas, Luísa Cruz

 

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Mil e uma Noites: O Volume 1, O Inquieto (2015)

9/10

publicado por Hugo Gomes às 20:46
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16.5.15

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A extinção do pagão num país de denuncias!

 

Logo na sua introdução, quando confrontado com a questão de que ligação teria o encerramento de um estaleiro e a exterminação de uma praga de vespas asiáticas em Viana, a resposta negativa de Miguel Gomes foi dada da seguinte forma: "eu sou estúpido e a abstracção dá-me vertigens". Depois disto, e repentinamente, o realizador foge da cena como o diabo foge da cruz. Os vinte minutos que sucedem levam-nos ao encontro de um retrato "docuficcional", esse subgénero que a cinematografia portuguesa adoptou com coração. Nesse preciso momento pensamos estar em mais um enésimo registo etnográfico, um revisitar aos códigos canónicos do género, ou até mesmo (visto Miguel Gomes protagonizar uma sequência intimista de um filme dentro de um filme) numa reciclagem à estrutura do seu Aquele Querido Mês de Agosto.

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Mas passados vinte minutos tudo pára. A promessa é dada em forma de "imaginem só isto" e voilá, eis que começa realmente O Inquieto, a primeira parte de uma epopeia portuguesa que tem como base a estrutura narrativa do clássico As Mil e uma Noites. Nesta versão, as histórias mirabolantes de um país arruinado pelo comando de "belzebus", como a certa altura são descritos os governantes de Portugal, serve de substituição aos contos narrados por Xerazade: para entreter o cruel rei Shariar, a fim de alimentar a sua curiosidade e assim adiar a derradeira noite de núpcias. É um mundo fantástico criado através de uma imaginação corrosiva e trocista na caricatura e, com isso, sublinhar a "portugalidade" da sua gente. Nisto, Miguel Gomes consegue atingir a critica social.

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Dividido em três actos, todos eles sustentados por tons distintos, O Inquieto começa por elaborar uma sátira à política, não só portuguesa, como também europeia. Em The Men with Hard-Ons o absurdo ganha vida e funde-se com a referência persa, na qual as maldições dos feiticeiros e os fundos europeus caminham lado a lado. Depois segue algo mais rústico, mas igualmente surreal: The Story of the Cockerel and the Fire, passada na aldeia de Resende, onde um galo que canta a desoras gera um movimento social e uma onda de protestos pela liberdade de expressão. No decorrer deste episódio espalhafatoso está um trio amoroso cujas consequências são catastróficas.

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Encantados até com aqui com todo estes paradoxos e caricaturas em divida com o surrealismo, surge-nos The Swim of the Magnificents, o último ato e provavelmente o mais emocional e revoltado dos três. O actor Adriano Luz desempenha um professor de natação que planeia os banhos do dia 1 de Janeiro, um ritual local, mas que para este possui um significado mais profundo. Neste episódio, o intimismo de Miguel Gomes revela-se mais humano e corajoso em abordar algo que poderia ser motivo de atenção para telejornais ou programas televisivos matinais. É aqui que As Mil e uma Noites funde por completo a ficção com o seu lado mais verité, onde os testemunhos dos desempregados, mais correctamente denominados de "desesperados", auferem um registo colectivo, tudo enquanto Gomes faz maravilhas com a câmara. As sequências tornam-se melancolicamente memoráveis, proclamando a extinção de um mundo fantástico e pagão e abrindo portas ao realismo do quotidiano e social, o nosso Portugal.

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Terminado o primeiro filme da mais promissora trilogia portuguesa do momento, O Inquieto é uma confirmação do que já havia sido afirmado: Miguel Gomes é a cabeça de uma nova vaga Portuguesa. Comparado com a nouvelle vague Francesa ou não, a verdade é que há muito não víamos cinema português tão revitalizante, complexo e, sobretudo, tão criativo.
Uma obra-prima!

 

Filme visualizado na 47ª edição da Quinzena de Realizadores em Cannes

 

Real.: Miguel Gomes / Int.: Adriano Luz, Joana de Verona, Carloto Cotta, Gonçalo Waddington, Rogério Samora, Cristina Alfaiate, Diogo Dória, Maria Rueff, Xico Xapas

 

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Ver Também

Tabu (2012)

 

10/10

publicado por Hugo Gomes às 21:31
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20.3.15

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Quando uma "ovelhinha" decidiu ser emancipadora?

 

Os holofotes estão apontados para esta personagem secundária (primeira aparição foi em 1995) que depressa se transformou na protagonista de uma série com mais de 130 episódios, fazendo agora a transição para uma longa-metragem que irá determinar de vez o seu sucesso. Shaun the Sheep,  por cá  Ovelha Choné, é uma das mais bem sucedidas criações dos estúdios da Aardman, especializado em animações stop-motion. Personagem essa que beneficia de uma das vertentes cómicas mais apreciadas e universalmente mimetizadas, o apelidado slapstick, o humor físico e desastroso, quase comparado com um Chaplin ou um Buster Keaton da animação. Talvez seja isso o que mais agrada nas aventuras deste irreverente ovino, capaz de desafiar uma já datada gímnica cinematográfica.

 

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Porém, o seu desafio não é o de desmistificar mitos, mas outro. Será que a personagem resiste a um formato de longa-metragem? A resposta encontra-se  num dos êxitos da Aardman, Wallace & Gromit. Os astros do referido estúdio deram o seu salto da curta para longa-metragem em 2005, sem que se evidenciasse tendências de prolongação episódica (a compensação veio depois com o Óscar de Melhor Filme de Animação). Obviamente, o argumento da Ovelha Choné é simples, mas Mark Button e Richard Starzak [realizadores] apostam fortemente numa ênfase mais emocional do seu leque de personagens, seguindo a narrativa  caminhos de forma a mostrar os seus trunfos, ou seja, o seu sentido de humor, especialmente transcendente para os adultos (estes divertirão-se mais que as próprias crianças, o público alvo).

 

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Já o stop-motion é apresentado sem qualquer falha técnica, de forma dinâmica e visualmente cativante para a narrativa, sem com isto perder a essência original. Claro, as personagens são divertidíssimas e as peripécias em que a Ovelha Choné se encontra constantemente envolvida são deliciosamente acompanhadas por um humor afinado e, de certa forma, imprevisível. Mais do que um mero produto da categoria de animação, A Ovelha Choné é uma comédia imparável, astuta e bem conseguida.

 

Filme visualizado na MONSTRA 2015 - Festival de Animação de Lisboa

 

Real.: Mark Button, Richard Starzak

 

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8/10

publicado por Hugo Gomes às 19:49
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14.7.14

Movimentos silenciosos!

 

Na teoria, os três activistas protagonistas do filme são os heróis intervenientes que actuam na marginalidade que o Mundo actual precisa urgentemente, mas a verdade é que em Night Moves é difícil criar empatias com este mesmo trio. A sexta longa-metragem da realizadora Kelly Reichardt remete-nos a um grupo de activistas radicais com planos para fazer explodir uma barragem que, segundo estes, trata-se do primeiro passo para impedir a rápida escassez e destruição do Oceano. Porém, por mais activistas que sejam, estes esquecem-se que são acima de tudo meros humanos (e talvez inexperientes no ramo), emocionalmente fragilizados e conscientemente instáveis.

 

 

O que começa como um thriller perspicaz delineado sob alguns contornos hitchockianos depressa se converte numa melodia de culpa, um eco consequencial dos actos ambíguos. As mensagens ecológicas (existe uma curiosa sequência de uma corça prenha defunta cujo seu "rebento" ainda vivo transfere uma metáfora de tal natureza ao espectador - o nascimento de novas gerações num "mundo" destruído e insustentável) são assim invocadas como macguffins deste grupo de personagens, condenados desde o inicio a prevalecer numa sociedade ditada pela relevância e influência dos medias e da opinião pública que por sua vez dita os contornos da consciência individual. E é nisso que funciona Night Moves, não como um ensaio cinematográfico de Al Gore, mas como um reflexo das causas, dos actos e da intervenção não como um bem individual mas como um dispositivo para a auto-destruição do mesmo. Sob signos é fácil de identificar a evolução dos personagens, meros "tubos de ensaio" num biótopo conduzido em tais elementos.

 

 

Quanto à estrutura, dentro do cinema de Reichardt, Night Moves é capaz de surpreender pela forma como conduz a narrativa, desafiando a sua própria marca, onde o percurso é mais importante que o destino. Neste caso, o destino é nos dado de forma reveladora, mas é evidente que os caminhos trilhados são mais entusiasmantes que a dita chegada. E é sobre esse caminho que a realizadora, argumentista e também editora, implanta uma sonoplastia aguçada em equilíbrio com uma fotografia envolvente, tudo isto funcionando em cumplicidade com um poder de sugestão que a cineasta valoriza em vez do tom mais explicito dos cânones do thriller.

 

 

A juntar aos elementos técnicos, narrativos e morais (neste aspecto a discussão será imensa), Night Moves valoriza-se pelo empenho dos três protagonistas, com Jesse Eisenberg a abandonar o seu ego já pautado e deixar-se ser conduzido numa melancolia denunciadora, que sob pequenos pormenores levam o espectador a conseguir decifrar a sua psique e uma dualidade transgressiva. Quanto a Dakota Fanning, a pequena "prodígio", parece a passos largos de abandonar a imagem de "menina talento", agora já formada, a apostar em papeis mais maduros e negros. Por fim, Peter Sargaard, num desempenho arrepiantemente envolvente.

 

 

Assim, Kelly Reichardt assenta num filme complexo, mais do que estruturalmente aparenta. Um exemplar frio e por vezes calculista sobre a negra natureza humana, servido de uma qualidade técnica, referências cinematográficas de requinte e a conduta dos três protagonistas em construir personagens desagradáveis mas sob desempenhos sólidos. Tendo em conta a essência de Night Moves, o Homem é capaz de tudo, até mesmo de tecer a sua própria moralidade.

 

Real.: Kelly Reichardt / Int.: Jesse Eisenberg, Dakota Fanning, Peter Sarsgaard

 

 

8/10

publicado por Hugo Gomes às 19:16
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5.7.14
5.7.14

 

Informação sobre o festival e programação, aqui

 

Ver também

Vem aí a 22ª edição do Curtas do Vila do Conde

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:00
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3.7.14

 

Arranca já no dia 5 de Julho, e termina dia 13, a 22ª edição do Curtas Vila do Conde, o festival de cinema que tal o nome indica desenrolará na Vila do Conde e apresentará uma mostra de mais de 40 filmes nacionalmente diversificados, integrados na competição oficial de longas como curtas-metragens, celebrando assim o cinema contemporâneo e realçando os novos autores e conteúdos.

 

Contudo e apesar das eventuais revelações que o festival irá proporcionar, é a exposição de um dos mais míticos e inimitáveis cineastas italianos, Michelangelo Antonioni, que se concentra como grande destaque da programação do Curtas Vila do Conde. Uma retrospectiva em tributo do realizador de L'Avventura (A Aventura), intitulado de "Aventura Antonioni", aludido ao referenciado celebre filme que decifrou e contemplou novos meios narrativo. A mostra decorrerá no Solar - Galeria de Arte Cinemática.

 

Porém este não será o único cineasta a ter a sua obra figurada numa retrospectiva, Kelly Reichardt, a cada vez mais influente autora independente norte-americana será merecedora dessa mostragem. O Curtas Vila do Conde também será palco para a antestreia do seu novo filme, Night Moves (com estreia comercial no dia 10 de Junho em Portugal), a intriga de três activistas radicais que tentam executar a sabotagem de uma barragem hidroeléctrica. Jesse Eisenberg, Dakota Fanning e Peter Sarsgaard preenchem o elenco.

 

Outra novidade do festival são as secções paralelas denominadas de "Fora de Jogo", que tem o intuito de consolidar a programação com o espírito do Mundial Brasil 2014 que se encontra a decorrer, fundindo a paixão entre cinema e futebol. Para além da competição (curtas, longas, experimentais e filmes de escola) e das sessões cinematográficas referidas, Festival Curtas Vila do Conde continuará com os seus anuais masterclasses, workshops, formações e muito, mas muito cinema.

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:58
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14.7.13

 

Carosello de Jorge Quintela foi condecorado como o Melhor Filme em competição no 21º Curtas Vila do Conde, que decorreu entre os dias 6 a 14 de Julho. O vencedor do Grande Prémio foi a primeira obra nacional desde Rapace de João Nicolau em 2006 a vencer tal categoria. Quanto às outras premiações, Telmo Churro e o seu Rei Inútil triunfaram o Prémio BPI para Melhor Filme Português e o Prémio Canal +, que consiste nos direitos de exibição para o  homónimo canal de televisão francês.  João Nicolau, que não é nenhum iniciante no festival, triunfa com a menção honrosa do Curtinhas (sessão de exibição de curtas-metragens infantis) com Gambozinos e Room on the Broom de Max Lang e Jan Lanchauer triunfaram o grande prémio da iniciativa. o canadiano Gloria Victoria de Theodore Ushev foi consagrada como a Melhor Animação, Buenos Dias Resistencia do espanhol Adrián Orr como Melhor Documentário e a Melhor Ficção segue para a produção belga e húngara, Soft Rain de Dénes Nagy. Penny Dreadful de Shane Atkinson foi elegido pelo público como a Melhor Obra, o documentário indiano de Shai Heredia e Shumona Goel, I Am Micro vence a categoria Experimental.

 

Para saber mais sobre os premiados, ver aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 23:55
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