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Título
Take
4.4.17

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A polémica instalou-se com as declarações do vice-presidente das vendas da Marvel, David Gabriel, em que, passo a citar, "os nossos leitores não querem diversidade". Esta afirmação advém das estatísticas que apontam baixas vendas nas suas reinvenções "étnicas". Falamos de um Spider-Man negro de ascendência hispânica, uma Iron Man que também é muçulmana, entre outros. Tudo, segundo Gabriel, destinados ao fracasso, visto que a Marvel parece estar hoje condenada ao prolongamento do trabalho efectuado por Stan Lee.

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Se a diversidade é a culpa do flop, dizem as más línguas, do outro lado, Ghost in the Shell parece fracassar nas bilheteiras por motivos completamente adversos. Segundo a imprensa, e os analistas de box-office, esta readaptação da manga de Masamune Shirow encontra-se sob sentença de "fiasco" devido à controvérsia whitewashing ("branqueamento" das personagens), em particular, na escolha de Scarlett Johansson para interpretar uma personagem japonesa (sinceramente, nem sei quem referiu a nacionalidade de uma cyborg, mas já lá vamos).

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Antes de mais, devo salientar que este texto não vem defender qualquer ideologia de supremacia branca, no qual a diversidade é má ... blá, blá, blá ... e o que está em jogo é manter-se tudo em "branco". Deixemos os populismos de hoje para outras alturas. Por outro lado, esta base politicamente correcta que tem o seu lobby, afecta verdadeiramente o activismo que fora confrontado durante este anos todos desde que o Cinema "aprendeu a andar" e que Griffith apresentou-nos a sua faca de dois gumes, The Birth of the Nation. Existe sim, uma boa intenção de derrotar um Golias, o associar um fracasso de um filme de milhões a um movimento de modernidade cultural, mas devemos antes perceber que na realidade falta muito para que estes tópicos consigam abalar uma megalómana indústria. Podemos estabelecer personagens que conhecemos com outras identidades, sendo que nada mudará.

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O fracasso de Ghost in the Shell é uma simples prova de que o público não se dirige ao cinema para assistir aquilo que desconhece. Primeiro de tudo, Ghost in the Shell, a manga e o anime, são objectos de culto, ou seja, estão restringidos a um certo tipo de audiência e essa mesma que nos deparamos como o potencial comprador dos bilhetes. Agora, quem conhece o universo do anime, perceberá que esta mesma audiência é preconceituosa em relação a conversões, principalmente a produções hollywoodescas dos trabalhos que tanto admiram. Por exemplo, basta invocar os ruinosos resultados de Dragon Ball Evolution para perceber do que se fala. 

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Nos dias de hoje, os campeões de bilheteira desta década são concretamente aqueles filmes, cuja matéria-prima possui uma base, por si, sustentável (adaptações de comics da Marvel ou DC, Fifty Shades of Grey e populares bestsellers), ou matéria conhecida para as audiências que sofrem de extrema amnésia. Veja-se o caso de Fast and Furious, o qual milhões já compraram bilhetes para a estreia, ou de Beauty and the Beast (Bela e o Monstro), um frame-to-frame da propriedade Disney e um dos exemplos mais metódicos da formatação industrial, cujo público parece não se importar. 

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Em relação aos fracassos, enumero dois casos distintos: o de John Carter, inspirado numa série de livros de aventuras do inicio do século XX, e cujo o filme parecia estar limitado um público mais velho do que a faixa etária que habitualmente "compra os ditos bilhetes"; e Pacific Rim, a homenagem de Guillermo Del Toro a um subgénero completamente nipónico que nada de relacionado possui com o público ocidental. Sim, ambos falharam nas bilheteiras norte-americanas de forma quase humilhante.

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Por isso, proclamar festivamente que Ghost in the Shell fracassa em consequências de um movimento de activismo cultural, é, para além de tudo, desconhecer os padrões que movem verdadeiramente a indústria de Hollywood. Porque para criar filmes protagonizados por uma diversidade étnica, cultural, género e religiosa, não basta mudar o pensamento dos estúdios, mas sim, começar a revolucionar as suas audiências. E já agora, originalidade e a criatividade, deveríamos começar por inserir isto no nosso quotidiano cinematográfico. 

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publicado por Hugo Gomes às 14:07
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14.3.17

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No ano passado, num divulgado trailer de Finding Dory, era possível ver duas mulheres com uma criança, imagem essa, que instantaneamente foi deduzida como um casal de lésbicas. A homossexualidade iria por fim entrar no universo Pixar, um prenuncio que suscitou euforia para a comunidade LGBTQ e profecias de destruição moral por parte do leque mais conservador. Até à sua estreia, Finding Dory usufrui deste tipo de publicidade, positiva ou negativa, consoante a perspectiva e ideologia de cada um. O resultado foi, simplesmente, fogo de artificio, as duas personagens nada de relacionado davam a entender. Para algumas publicações e órgãos de comunicação, a oportunidade foi vista como um total desperdício.

 

Um ano depois, não propriamente no seio Pixar, mas nos estúdios Disney, o anúncio de por fim, uma personagem gay neste Universo, levantou, igualmente, muitos festejos como também reacções espontaneamente negativas em relação à nova versão de The Beauty and the Beast (A Bela e o Monstro). Desde a boicotes, censuras em cinemas de Alabama (sim, territórios norte-americanos!), alterações da classificação etária em território russo, adiamentos na estreia em alguns países como a Malásia, de forma a conseguir cortar a respectiva sequência, ou seja, o Mundo ficou de pantanas ao ter conhecimento numa persistência homossexual nas produções dirigidas a famílias.

 

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Será isto uma ameaça real aos velhos valores morais, ou tudo se deve ao facto de vivermos num Mundo cada vez mais governado pelo populismo e por mentalidades arcaicas? Que perigo encontraremos numa personagem destas num filme orquestrado para uma vasta gama de audiências? Caros leitores, antes de mais, não existe qualquer perigo nisto. Mais uma vez, a oportunidade foi desaproveitada, a dita cena "homossexual" é vista por breves segundos e utilizado como um veículo cómico (quantas comédias é que utilizam a homossexualidade como gag e são devidamente aceites em sociedade conservadoras?), provavelmente de forma a não prejudicar o frame-to-frame que o filme ousa em assumir-se. O veredicto é que até nesta vertente de ser avant-garde do cinema familiar, A Bela e o Monstro converte-se igualmente conservador e reservado nesta matéria.

 

Sendo assim, a Disney provou ser capaz para tocar no tema, e sem precisar de grandes anúncios, veja-se por exemplo na chuva de beijos num segmento da série infanto-juvenil Star Vs the Forces of Evil (ver abaixo), que sim, passou na televisão e não usufrui de igual mediatismo.  

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:08
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27.2.17

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City of Stars ecoa como um hino de derrota, uma triste melodia que protagonizou um dos (se não o) momento mais caricato da cerimónia e da História dos Óscares. Segundo consta, o erro esteve num envelope equivocado, um erro descoberto tarde demais, no preciso momento em que a equipa do musical discursava os seus agradecimentos. O prémio máximo acabaria por ser entregue a Moonlight, a resposta mais marginal às luzes e sons de La La Land. Durante alguns segundos, o musical mais amado/odiado da actualidade converteu se num filme de compaixão, até porque se livrou da maldição do Óscar, e essa mesmo abateu-se na obra de Barry Jenkins. Só o tempo dirá o que esta "valorização" vai significar.

 

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Como sabem, a estatuetas douradas não são  mais que meras representações de consenso oriundo de votantes, que, sabe-se lá de onde, adoram sentir-se humilhados com as declarações anónimas para a The Hollywood Reporter. Ao ver essas publicações, percebemos que de consciência crítica, esse grupo raramente o possui. É tudo uma questão de gosto, e até que ponto os separa do mais mundano espectador? Aliás, filmes como Hacksaw Ridge nunca teriam lugar numa lista composta pelos suposto "melhores do ano" … Reformulando, nenhum daqueles nomeados merecia tais títulos, mas isso é outra conversa.

 

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Se o final foi inesperado, até mesmo para quem contava com a vitória de Moonlight nesta noite de "cartadas políticas" e de pouco cinema, o resto da cerimónia foi de puro tédio. Para além da previsibilidade, ainda tivemos que contar com a perpetuação de uma certo conformismo, e destaco, obviamente,  dois Óscares em particular. O primeiro, o de Melhor Animação, onde numa lista composta por três formidáveis exemplares, longe dos grandes estúdios, a Academia se vergou perante a trivialidade de Zootopia. Parece que a Disney continua a possuir o seu peso nas decisões dos votantes. Já o segundo, foi o desperdiçar de uma oportunidade de fazer certo, o de entregar o prémio a Isabelle Huppert pelo seu desempenho em Elle, aquele "murro no estômago" de Paul Verhoeven. Nesta decisão foi o "sangue novo" que persistiu, como sempre, e Emma Stone conseguiu erguer o troféu com graça. Porém, a tristeza sentiu-se do outro lado.

 

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Resumindo a noite, Moonlight ganhou … ganhou, mas a sua vitória saiu ridicularizada, e triste. Será que alguém se lembrará do filme sem o associar a este "estranho" episódio? E até que ponto a sua vitória, não foi a vitória do politicamente correcto? De momento, iremos deixar o ódio, muitas vezes, irracional que La La Land parece ter tecido antes dos Óscares, e esperar qual destes filmes terá o "privilégio" de ser relembrado como "aquele que definitivamente merecia a estatueta". 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:29
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26.2.17

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Filme: Julgo que o prémio mais cobiçado da cerimónia sairá para Moonlight, somente por questões politicas, visto que a obra de Barry Jenkins aborda uma minoria que tende em ser desprezada neste tipo de prémios. Outro factor, tem sido a fustigação que La La Land, outrora favorito ao prémio máximo, recebe diariamente da imprensa que em tempos o fez tornar num dos favoritos da noite. A má publicidade não dá tréguas.

 

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Não encontro nenhum dos nomeados que mereça o título de Melhor Filme, este ano, sobretudo, os escolhidos estão muito aquém do melhor que Hollywood já produziu e dois deles, bem poderiam figurar na lista de piores do ano. Esses são Hacksaw Ridge, o embuste bélico de Mel Gibson. É estranho para uma cerimónia preocupada em statment políticos decide nomear um filme que propaga uma mensagem de ódio, e Arrival, que evidencia um argumento "frankenstein" e pouco coeso. Merecedor? O meu favorito da lista é aquele que tem menos probabilidades de vencer, Hell or High Water, um anti-western que exorciza uma América à deriva.

 

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Realizador: Barry Jenkins e o seu Moonlight vão levar o prémio desejado desta noite. Mas Damien Chazelle também tem as suas hipóteses, e diga-se por passagem, o seu trabalho em La La Land é merecedor de tal estatueta. Enquanto isso, Mel Gibson entre os nomeados é um dos grandes mistérios do cinema recente.

 

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Ator: Denzel Washington levará o prémio esta noite, tudo porque o caso de assédio sexual mal abafado poderá prejudicar a "glória" de Casey Affleck, visto como o grande favorito. Este último não era uma má escolha, até porque o underacting é diversas vezes subvalorizado para a Academia. Também não ficaria desolado em ver o prémio a seguir para as mãos de Viggo Mortensen, o melhor num filme completamente ingénuo.

 

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Atriz: Emma Stone brilha em Hollywood, e este adora premiar "sangue novo", porém, Isabelle Huppert tem a sua fatia de hipóteses. Quanto a méritos, Huppert é o único Óscar de interpretar que desejo ver a ser atribuído. A atriz francesa tem sido implacável no seu empenho num filme tão ousado para o panorama politicamente correto que se vive.

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:42
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9.1.17

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La La Land está destinado a ser o grande triunfante desta award season, fala-se de Óscar por estes lados, sendo que a grande concorrência seja Moonlight. Contudo, existe um pequeno grupo que aposta num eventual despertar de Fences, de Denzel Washington, por enquanto é o grande “front runner” de actriz secundária.

 

Manchester By the Sea tem todos os motivos para sorrir, mais concretamente Casey Affleck e o seu motivador underacting. Os Globos de Ouro acabam por demonstrar o quanto os Óscares perderam em retirar Elle dos pré-nomeados do Prémio de Melhor Filme de Língua Estrangeira, felizmente a premiação de Isabelle Huppert é uma luz ao fundo do túnel. Esperemos que os Óscares tenham tamanha coragem para laurear a actriz.

 

Zootopia a exibir o favoritismo da Disney, tendo em conta que Kubo and the Two Strings e Ma Vie de Courgette são melhores propostas no ramo animado e Meryl Streep a proferir um valente discurso sobre a Humanidade na politica, tendo como principal alvo a Trump e este a responder, por via Twitter, que foi atacado por uma das sobrevalorizadas actrizes de Hollywood. Infelizmente, nesse ponto, concordo com Trump.

 

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Melhor Filme (Drama): "Moonlight"

Melhor Filme (Comédia/Musical): "La La Land"

Melhor Realizador: Damien Chazelle, "La La Land"

Melhor Actor (Drama): Casey Affleck, "Manchester by the Sea"

Melhor Actriz (Drama): Isabelle Huppert, "Elle"

Melhor Actor (Comédia/Musical): Ryan Gosling, "La La Land"

Melhor Actriz (Comédia/Musical): Emma Stone, "La La Land"

Melhor Actor Secundário: Aaron Taylor-Johnson, "Nocturnal Animals"

Melhor Actriz Secundária: Viola Davis, "Fences"

Melhor Argumento: "La La Land"

Melhor Filme em Língua Não-Inglesa: "Elle" (França) 

Melhor Filme de Animação: "Zootopia"

Melhor Banda Sonora Original: "La La Land"

Melhor Canção Original: "City of Stars", "La La Land"

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:07
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31.12.16

Como já é habitual, eis a resolução de 2016 com os 10 melhores filmes do ano, segundo o Cinematograficamente Falando … Chineses a aprenderem a serem chineses, juventude inconstante, animações de tira o fôlego, oitos desprezíveis e uma casa e o mais belo filme de guerra (sem guerra) dos últimos anos.

 

#10) Mountains May Depart

 

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O agridoce drama de Jia Zhang-Ke prevê um fim da cultura chinesa e o expansão completa do Ocidente globalizado e heterogéneo. Mas para além da sua crítica evidente, principalmente no terceiro acto onde adquire tons de distopia, Mountains May Depart é o reencontro com as raízes que muitos tendem em abandonar. Para além disso, eis a grande ressurreição de Go West, de Pet Shop Boys. [ler crítica]

 

#09) Kubo and the Two Strings

 

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Como já havia escrito, é puro cliché salientar a árdua tarefa de stop-motion e o esforçado trabalho que os estúdios Laika tem vindo a demonstrar nestes últimos anos. Kubo and the Two Strings é mais que um portento técnico-visual, é uma fábula encantada de "triste beleza" que nos dialoga sobre a perda e como superá-la por vias de outras curas. No campo das animações direccionadas para toda a família, tal mensagem é valiosa e por vezes evitada por motivos comerciais. [ler crítica]

 

#08) American Honey

 

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Os jovens de Dazed and Confused tiveram filhos, e esses "rebentos" povoam agora o universo de American Honey, um país onde a doçura não mora aqui, o que não evita as suas personagens procurá-la. Na América de Trump, estes rebeldes sem causa seguem por estradas milésima vezes caminhadas ao som das suas regras como um tribo de "meninos perdidos" de Peter Pan. Entre os peregrinos encontramos a revelação Sasha Lane, que sob as ordens de Andrea Arnold, desbota uma emoção algo perdido numa demanda ausente de tais vencidos sentimentos. A viagem não será para todos, principalmente para quem ingenuamente acredita que a juventude é sagradas e imaculada na sua inocência. [ler crítica]

 

#07) L'Attesa

 

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Piere Messina constrói um filme de gestos e de olhares, onde a perda tenta ser lidada por entre os silêncios. Os diálogos são raros, mas a espera é intensa, por entre uma atmosfera magnética e duas actrizes que se complementem numa só causa, L'Attesa (A Espera) é o mais recente filho de Persona, de Bergman, é o cinema de mulheres fragilizadas na descoberta da sua posição anteriormente questionada. [ler crítica]

 

#06) O Filho de Saul

 

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O horror acontece na porta ao lado, o medo atinge a sala oposta e o pânico é evidente pelo qual o nosso olhar desvia, ignorando o pesadelo que vivemos. Saul Fia (O Filho de Saul) atinge com uma abordagem improvável no cenário do Holocausto, revisitando os Campos de Concentração para uma perspectiva nada pensada anteriormente. Adeus dramalhões de puxar as lágrimas, até breve cinema estampado no preto-e-branco, bem-vindo Filho de Saul, a citar Primo Levi, a busca da Humanidade onde esta parece ter sido abandonada. [ler crítica]

 

#05) Elle

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Isabelle Huppert constrói em cumplicidade com o agora valorizado Paul Verhoeven uma das mais consistentes e complexas personagens femininas do cinema de 2016. Uma mulher refém do seu desejo, mas forte o suficiente para superar qualquer obstáculo inserido, é a carne e a fantasia unidas ao encontro de um só corpo, um thriller que parece emancipara-se das suas próprias raízes e por fim, dignificar a "vitima" e não o predador. Será Elle a obra-prima há muito pedida de Verhoeven? Só um o tempo dirá, novamente. [ler crítica]

 

#04) Anomalisa

 

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Tendo como inspiração uma peça teatral, Charles Kaufman e Duke Johnson insuflam vida nestas marionetas para a concepção de um enredo de colectividade, onde o individualismo, essa particularidade vivente em cada um de nós, é uma jóia a ser "desenterrada". O Mundo parece igual a si mesmo, todos parecem exibir a mesma face, as mesmas doutrinas, as ideias empacotadas como ovelhas em rebanho. Depois de A Grande Beleza, de Sorrentino, Anomalisa é esse ensaio existencialista que secretamente ansiávamos. [ler crítica]

 

#03) El Abrazo de la Serpiente

 

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Ciro Guerra explora um desconhecido universo. A indomabilidade da Amazónia alastra em todo um filme, conduzindo esta história contada em duas vozes e em dois tempos para territórios místicos, quase pagãos que renegam as culturas e crenças de fora. É o desconhecido que nos espera em cada margem do rio Amazonas, é o caos, a loucura, a peste, a febre e por fim, a harmonia encontrada no segredos dos segredos, residido no mais alto cume. A selva também sabe contar histórias. Histórias essas, que reflectem a actualidade do nosso Mundo e para onde caminhamos como seres humanos. Esquecimento, essa terrível maldição, não será imposta aqui neste brilhante filme.  

 

#02) The Hateful Eight

 

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Podem considerá-lo violento, regido ao universo que ele próprio criou através de "migalhas", nada original, reciclável e até vendido. Podem apelidá-lo do que quiser. Quentin Tarantino merece a atenção. O realizador de Pulp Fiction persiste nos temas focados no seu anterior Django para exercer um western gélido que tem como palco o passado, o presente e o futuro de uma Nação. É como "Um Conto de Natal", neste caso, Um Conto de Tarantino, rodeado de personagens taraninescas que despertam o mais profundo jubilo cinéfilo. Longa Vida a Tarantino! [ler crítica]

 

#01) Cartas da Guerra

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Sei que existe o senso colonialista dentro de nós, mas este não é um filme colonial, nem sequer de guerra. É um romance à distância, a da condição do soldado confinado à sua própria solidão, aquela prisão invisível induzido por politicas de outros. É a extrema luta de manter sóbrio perante um mundo bêbado que nos assiste. Ivo M. Ferreira invoca o verdadeiro soldado, não a máquina implacável de guerra implementada pelos prolongamentos do Call of Duty, mas de um homem "barricado" nos seus pensamentos, na saudade de uma outra vida que não seja aquela, mesmo sabendo que pouco sabemos como vivê-la - A Vida Civil.

 

 

Menções honrosas: O Ornitólogo, O Boi Néon, Evolution, The Childhood of a Leader, The Lobster, O Olmo e a Gaivota

 

Melhor Actor: Leonardo DiCaprio (The Revenant)

Melhor Actriz: Isabelle Huppert (Elle)

Melhor Realizador: Ivo M. Ferreira (Cartas da Guerra)

Melhor Argumento: The Hateful Eight

Melhor Efeitos Visuais: The Jungle Book

 

Melhores filmes vistos em festivais: The Witch (Indielisboa), A German Life (Doclisboa), Aquarius (Cannes), Paterson (Cannes), A História da Eternidade (FESTin)

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:36
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30.12.16

Antes de conhecermos os melhores do ano para o Cinematograficamente Falando …, ficamos com as 10 "tentativas" estreadas entre nós. Em 2016, fomos expostos a uma selecção de heróis fascistas, porém reféns de uma industrialização formulaica, franchises falhados, horizontes não alcançados  no cinema português e até, uma animação de violência castrada. Eis os 10 piores filmes do ano para este estaminé.

 

#10) Captain America: Civil War

 

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O leitor estará neste momento a questionar, porquê que num ano com tantos super-heróis,  Capitão América: Guerra Civil integra esta lista? Simples, para além da homogeneidade do projecto, a Marvel novamente sem personalidade nos seus eventuais capítulos, temos um filme incoerente disfarçado através de uma narrativa linear (ao contrário da "barafunda" cronológica de Batman V Superman que foi o seu grande pecado). Nessa incoerência encontramos uma aspiração de episódio político que de político nada tem, desde um Capitão América que desafia a ONU para prevalecer as suas ideologias de invasão autodidacta, até a um Homem de Ferro preocupado com danos colaterais e de assumir responsabilidades que mesmo assim recruta um jovem de 15 anos para combater na sua causa, chegando por fim a um plot device tão idiota como a "Martha" do filme de Snyder. Depois desta "guerrinha", tornam-se todos amigos, sem baixas, até porque as personagens são demasiado importantes para a Disney em futuros rendimentos. Fascismo industrialista contado para "criancinhas". [ler crítica]

 

 

#09) Underworld: Blood Wars

 

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Todos nós sabíamos que daqui não vinha coisa boa! Uma saga moribunda que bem poderia ter ficado pelo terceiro filme e mesmo assim é o exemplo perfeito de uma Hollywood capitalista que "suga" a fórmula até mais não existir. O original de 2003 não era perfeito, porém, possuía efeitos práticos que soavam como homenagens ao classicismo destes monstros e até mesmo ao referência ao ainda imbatível American Werewolf in London, de John Landis. Enfim, o facilitismo do CGI torna-se assim, neste caso, na destruição da única réstia de personalidade que esta jornada de Kate Beckinsale de cabedal continha. [ler crítica]

 

 

#08) Refrigerantes e Canções de Amor

 

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De boas intenções o Inferno está sobrelotado, e no caso desta comédia romântica de Luís Galvão Teles, tal não lhe safa. Escrito por Nuno Markl, que provavelmente são as suas ideias que funcionam como vigas de suporte neste tremendo desastre, eis cinema sem ritmo, de mau timing, desempenhos oblívios e uma tendência caricatural extremista que sufoca o potencial que esta obra havia depositado desde a sua produção. Ah … já me ia esquecendo! Victoria Guerra vestido de dinossauro cor-de-rosa bate aos pontos qualquer interpretação aqui inserida. [ler crítica]

 

 

#07) La Corrispondenza

 

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Os tempos de Cinema Paradiso já lá vão e o sabor algo requintado em La Megliore Offerta foi "sol de pouca dura". Giuseppe Tornatore, motivado em conquistar as audiências de todo o Mundo, explora um dramalhão romântico protagonizado por Jeremy Irons e Olga Kurylenko. Os actores não se esforçam, aliás devem ter sido os primeiros com a noção do mau argumento pelo qual guiam. [ler crítica]

 

 

#06) Gods Of Egypt

 

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O problema não é a falta de diversidade do elenco, o "whitewashing" pelo qual este filme foi "abatido", muito antes da sua estreia. Mas sim, pela enésima invocação da fraudulenta fórmula industrializada. Com a desculpa de ter como inspiração a mitologia do Antigo Egipto, Gods of Egypt é uma sonsice irreconhecível, das mãos de quem em tempos nos deu um dos mais inteligentes blockbuters da sua temporada - I, Robot.  No final quem sai do visionamento irá saber o mesmo sobre esta vasta mitologia da mesma forma como entrou. Hollywood no seu "melhor"! [ler crítica]

 

 

#05) The 5th Wave

 

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Chloe Grace Moretz é a última esperança da Humanidade no combate contra temíveis alienígenas. Uma adaptação de uma série infanto-juvenil literária que, pelo "andar da carruagem", ficará somente por este episódio-piloto. O filme foi um flop, o público não teve a "pachorra" para mais variações de Twilight ou Jogos da Fome (aliás, os ecos fizeram sentir no terceiro capítulo de Divergente). Contudo, The 5th Wave não deixa qualquer indicio de frescura nesse mesmo subgénero, é "cinema-pipoca" da mais preguiçosa espécie. [ler crítica]

 

 

#04) Now You See Me 2

 

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O primeiro filme poderia ser competente, se não fosse um twist final imaturo e armado em "sabichão". A sequela vai pelo mesmo caminho, e pior, mantêm a estupidificação do argumento do início até ao fim. Sabendo que nenhum mágico revela os seus truques, em Now You See Me 2, o que está em jogo já não é mais ilusão, é a pura da incredibilidade. Depois, de forma a manter a tradição, o twist final é também ele … pavoroso. [ler crítica]

 

 

#03) The Secret Life of Pets

 

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O que vamos oferecer às nossas crianças? Que tal uma animação que foge dos parâmetros da premissa, esquiva da originalidade e preza-se na previsibilidade? Que tal uma animação que alicerça o seu enredo numa amontoada dose de violência sem sentido, mas de forma tão subversiva que os defensores do controlo parental vão sorrir como se nada fosse? Porquê considerar Tom & Jerry e Looney Tunes obscenos que temos aqui o slapstick exagerado e sem moralidade em forma de animação precoce. Para mal dos nossos pecados, a sequela vem a caminho. [ler crítica]

 

 

#02) The Hunstman: Winter's War

 

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Nós não precisávamos desta sequela! Então porquê "gramar" com um embrião de grande produção, com actores forçados por clausulas contratuais e um argumento, que para além da previsibilidade, atenta-nos como um spoof involuntário dos épicos fantásticos. Mas por graças divina foi um flop, ao menos isso, sem a necessidade de mais uma sequela. [ler crítica]

 

 

#01) Dheepan

 

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O vencedor da Palma de Ouro da edição de 2015 do Festival de Cannes tem um lugar especial neste pódio. Porquê? Porque Dheepan, de Jacques Audiard, é um comboio que descarrila acidentalmente no seu percurso. O que iria ser uma espécie de cinema verité sobre refugiados, acaba por espelhar um medo irracional por estes. Audiard, por sua vez, queria demonstrar como a França é o país mais xenófobo do Mundo, com o auxílio de um cenário pastiche e profundamente desencantado para adereçar a um arquétipo de filme de acção lá pelo meio. No final temos a "comparaçãozita". A triste comparação que apenas evidencia que Audiard não sabe do que está a falar, nem muito menos abordar um tema tão actualmente mediático que é a crise dos refugiados, onde todos parecem ter uma particular opinião. [ler crítica]

 

Menções desonrosas: Hacksaw Ridge, X-Men: Apocalypse, Ben-Hur, Point Break, The Girl on a Train, Inferno

 

Pior actor - Theo James (Underworld: Blood Wars)

Pior actriz - Emilia Clarke (Me Before You) ex-aequo Leana Martau (A Canção de Lisboa)

Pior realização - Cedric Nicolas-Troyan (The Huntsman: Winter's War)

Pior argumento - The Secret Life of Pets

 

Piores filmes vistos em festivais: Vangelo (Doclisboa), As Cartas de Amor são Ridículas (FESTin), Sadako Vs Kayako (MOTELx), The Last Face (Cannes), Il Nome del Figlio (8 1/2 Festa do Cinema Italiano)

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:22
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7.9.16

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Como já era previsto, muitos foram aqueles que seguiram em massa para a abertura do MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. Aliás não são todos os dias que um festival lisboeta consegue chegar às 10 edições, sendo que, segundo os organizadores que discursaram na sessão de arranque, 2016 será um ano em festa, não apenas como data comemorativa (os por fim dois dígitos), mas pela apresentação de grandes novidades dentro da programação.

 

Dentro desse ramo, a Competição de Longas-Metragens é um feito, um sonho desejado pelo MOTELx durante os 10 anos de percurso que teve por fim concretizado. Esperemos, partilhando o mesmo desejo que os programadores, a hipótese de vermos longas-metragens de terror nacionais em competição num futuro próximo. Nas Curtas-Metragens existe também superações, o prémio da Competição é o maior de sempre no que refere a festivais nacionais, 5.000 euros serão dados à curta elegida pelo júri. Os resultados, por enquanto, só dia 11 de setembro, a data que marca um encerramento de mais uma “invasão” terrorífica na capital portuguesa.

 

Depois de apresentados os “brindes” deste MOTELx 2016 é então que é exibido o descrito filme-sensação Don’t Breathe (Nem Respires), que tem vindo a conquistar o box-office dos EUA durante duas semanas consecutivas, destronando o Suicide Squad. O público parece ter admirado com força a esta proposta de Fede Alvarez, o homem que cometeu a “loucura” de refazer o tão amado Evil Dead em 2013. Contudo, mesmo com óptima recepção por parte da audiência, uma sessão divertida e interactiva que contou com imensos aplausos, risos e até mesmo inquietações. Mas para o lado do Cinematigraficamente Falando … o fascínio parece ter ficado à porta.

 

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Nem Respires possui mestria técnica, nisso Fede Alvarez tem a minha saudação, os movimentos de câmara servem como “bengala de Hoover” para condensar o espaço sugerido do cenário e a sonoplastia é um acessório perfeito para acolher o ambiente claustrofóbico. Mas então o que falhou?

 

De Fede Alvarez, de todo o frenesim impulsionado pela crítica norte-americana, muito mais com as intermináveis aclamações da palavra “original”, esperava-se isso mesmo, uma proposta sobretudo criativa. Ao invés disso temos a confirmação dos problemas que tem vindo a abalar os filmes de estúdio, os receios de apresentar-nos personagens sem motivos (o medo dos EUA pelo ateísmo já é deplorável), implantam-nos maniqueísmo que nos leva aos acérrimos lugares-comuns. Aqueles momentos chaves desengonçados que apenas alimentam uma narrativa que ficaria dotada no minimalismo.

 

Nem Respires revelou-se numa proposta perdida no enxugado subgénero do home invasion, o enésimo caso do terror é sodomizado pelos estúdios e pela fórmula crowd pleasure. Deixou-se de lado as lições aprendidas em See No Evil (1971) e Wait Until Dark (1967), e até mesmo de You’re Next, de Adam Wingard, que encerrou uma edição do MOTELx com grande estilo.

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:44
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7.8.16

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Atenção: o artigo que segue não deve ser visto como uma defesa ou ataque ao filme Suicide Squad.

 

Mais uma vez, a imprensa norte-americana não ficou impressionada com outro arranque da DC Comics no seu expansivo universo cinematográfico. Um pouco por todo lado fala-se e reflecte-se sobre uma eventual "campanha negra" que parece condenar Suicide Squad e os seus congéneres.

 

Nessas provas confirmamos desde os incontáveis artigos que prevêem um fim de um franchise (dias antes da estreia do filme em salas) até às críticas de teor difamatório que dão a entender que o filme de David Ayer é um dos piores (se não o pior) do seu género. Por outro lado, a histeria em massa deu resultado a uma petição para acabar com a Rotten Tomatoes, o site agregador de críticas, tendo em conta a negatividade que o Esquadrão e o anterior Batman V Superman obtiveram no meio crítico. Dentro dessa mesma "paranóia", assim por dizer, deparamos com uma teoria da conspiração de que a Marvel Studios em coligação com a Disney tem pago e manipulado a própria crítica de forma a causar um apelativo hype pós-estreia.

 

Antes de avançarmos com teorias, histerias e julgamentos quanto ao filme, devo salientar um verdadeiro problema em todo este cenário, chama-se críticos, ou neste caso a falta deles.

 

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Primeiro, o que é um crítico de cinema? Um crítico é uma pessoa especializada para analisar, idealizar, debater e teorizar sobre cinema. Uma definição justa que o leitor deve aperceber, mas o que significa realmente tudo isso? A arte da crítica, antes de mais, não serve simplesmente para dizer se o filme em causa é bom, ou não é bom, o crítico deve se estabelecer como um guia, não no sentido de aconselhar o espectador o filme que deve ou não ver, mas o de apresentar as ferramentas necessárias para um eventual debate com o filme. Trata-se da ligação do espectador com o filme, o lançamento de questões, provocações e o incentivo da cinefilia envolta. Não é apenas um jogo de estrelas, sabendo que as estrelas, por sua vez, são atractivos, adereços quase inseparáveis do senso comum da crítica.

 

Aliás, o crítico não deve somente focar no cinema, mas também explorar as outras vertentes que o filme possa indiciar, entre os quais ciências politicas, sociais, psicológicas e emocionais. Existe também uma exploração das outras artes: literatura; pintura; artes plásticas; televisão e até música, sendo possível criar ou recriar ligações entre as mesmas, paralelismos ou simplesmente implementar uma visão "avant-garde" desses meios artísticos.

 

O crítico não deve ter medo de ousar, de exprimir uma ideia tendo em conta que o mundo aponta para outra. Deve-se sobretudo ser imparcial, directo, intelectual e sempre disposto para entender perspectivas para trabalhar a sua própria ideologia. Reavaliar trabalhos e sempre conduzir um olhar por entre os tempos, assim como possuir um paladar diversificado do gosto cinematográfico.

 

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Isto é a definição clara e simplista de um crítico profissional, alguém que respira cinema e que faz desse ar uma linguagem audível e perceptível.

 

Agora o que um crítico nunca pode fazer é acorrentar-se a um sistema de avaliação consoante o seu mero júbilo, o seu prazer sem razão crítica. Infelizmente, é isso que temos evidenciado nessa "mão cheia de profissionais", muitos daqueles que criticaram Suicide Squad usaram o argumento de "not fun" sem qualquer fundamento para ir mais além… Como se isso resumisse a uma crítica e como se o entretenimento fosse a razão crucial para existir o cinema.

 

Os EUA tem essa tendência, uma escola que fora valorizada com a fama crescente de Roger Ebert, um crítico que se seguia sobretudo pelos seus padrões morais e pelo polegar, e cujo seu modo de operação conquistou verdadeiramente as massas. Há sim, com isto, um medo de serem complexos, o de pensarem sobre as imagens, um receio sobretudo de analisar, e nessa fobia, a de afastar da perceção e emotividade com o público.

 

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Como funciona este formato de crítica norte-americana? Uma preocupação extrema com os gostos do próprio público. Ebert, por exemplo, tinha sempre notas de quais os filmes que as crianças ou mais novos DEVEM ou não ver. Ou seja, um filme apto para um grande número de audiências era por si, à partida, um grande filme para inúmeros críticos norte-americanos que enchiam manchetes de colunas de jornais com expressões como "a fun ride" ou "two thumbs up".

 

Raramente saem da camada, dificilmente aprofundam a questão e, claro, evitam os case studies. É apenas a opinião do momento, que não terá grandes efeitos para o posteriori, que não edificam os filmes, nem os descrevem sobre filosofia cinematográfica. Existe uma maior preocupação em criar chamariz do que propriamente trabalhar em teses, o de enfrentar principalmente a "chuva de opiniões" que a internet suscitou. 

 

Claro que poderei estar a generalizar! Dentro desse seio "surpreendentemente" valorizado, há exemplos que se destacam, mas quando se referem a blockbusters e neste caso, super-heróis, existe um evidente clubismo e oportunismo de marketing, visto que em terra de Hollywood, são as majors que comandam. Depois existe a noção de que a crítica move mercados, e gera sucessos de bilheteira (uma ideia errada que tem condicionado a própria opinião crítica).

 

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Quanto à conspiração, a Marvel tem sido "vergonhosamente" beneficiada pela crítica, mas não por "pagamentos ilícitos" nem nada disso e sim pela incompetência, pela falta do olhar crítico e sobretudo pela natureza destes "profissionais" o qual são enviados aos visionamentos de imprensa. A verdade, é que os critérios utilizados nos filmes da DC não tem sido os mesmos para os da sua concorrente, a prova disso é o de ignorar o formulaico sistema de industrialização (fórmulas podem fazer um filme, mas nunca Cinema), o argumento fraco e ilógico de Civil War (por exemplo), assim como as suas perversas ideologias politicas. Infelizmente, isso foi deixado de parte por essa suposta "comunidade pensante".

 

No fundo, muitos deles [críticos] não passam de wannabes que estão num cargo equivocadamente, limitados a uma visão cada vez mais refém da própria industrialização e da massificação da internet. 

 

Agora, a importância dada pelo mesmo público a este tipo de críticas tem sido, também ele, um absoluto exagero. A crítica não deve ser vista como um voz imperativa, mas sim como um incentivo a um debate. Se um crítico mencionar Suicide Squad como o pior filme de sempre, há que aprofundar os seus argumentos, entendê-los e seguir a sua perspectiva para perceber a nossa. Por vezes ao entramos na "pele" de um outro advogado podemos aperfeiçoar o nosso ponto-de-vista. Se um crítico aclama que Suicide Squad é o melhor filme do Mundo, os mesmos processos acima referidos devem ser feitos. 

 

O Cinema é moldável, e como tal a nossa perspectiva, o nosso argumento, e a nossa visão cinematográfica. Aliás até mesmo os Cahiers du Cinéma tiveram que se desculpar por não terem apercebido a tempo do génio de John Ford. Por outras palavras, nem os críticos são perfeitos.  

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:12
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25.7.16

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Vejam como o tempo corre! São nove, os anos que comemoro de longevidade deste espaço que parece cada vez mais fazer parte do meu “eu”. E como cheguei aqui? Um pouco … bem … não quero mentir … muita da teimosia minha em manter vivo este estaminé, mesmo sob as críticas que recebia, nunca baixei os braços e tudo fiz para mantê-lo o mais profissional possível. A minha paixão cinematográfica, que condiz com o meu lado crítico, aquela minha faceta que gosta de criticar tudo e todos, a minha curiosidade de descobrir e explorar os cantos e recantos. O meu compromisso, a rotina criada, a interacção que quero manter. E por fim, um agradecimento a quem acreditou em mim e aos meus assíduos leitores que me acompanham a quase uma década.

 

Agora o porquê da natureza deste discurso, bem, os dias não têm se tornado mais fáceis, e os anos indiciaram menos empatia a este espaço. Pois, o mundo está a evoluir, a blogosfera está a adaptar-se, é um autêntico campo de vida ou morte. As redes sociais apoderam-se destes espaços e mesmo sob o meu esforço em readaptar o Cinematograficamente Falando … a novas gerações, é difícil em confrontação com o meu “eu primitivo”. Aquele que acredita na cinefilia, cada vez mais abalada e desprezada, aquele que acredita que o lugar dos filmes são nas salas de projecção, na “magia” dos festivais de cinema, na continuação do formato físico de home video e nas tertúlias cinematográficas como grandes poços de sabedoria ou confirmação da nossa.

 

Estes nove anos foram um tremendo alcance, uma luta para manter este espaço vivo. Porém, terão que acontecer algumas mudanças, mudanças que possam tornar este Cinematograficamente Falando … mais expressivo. A ver vamos.

 

Contudo, um muito obrigado a todos vós, que me acompanham e que nunca deixaram de o fazer.

 

 

CONFORME SEJA AS VOSSAS ESCOLHAS, BONS FILMES!

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 13:29
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30.5.16

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"Rico, qual é a principal diferença moral entre um cidadão e um civil / Um cidadão assume total responsabilidade quanto à defesa politica, o civil não."

 

É fácil sentirmo-nos repugnados com Starship Troopers, o filme de Paul Verhoeven que não ostentou fascínio durante a sua data de estreia, até porque o realizador holandês a operar em Hollywood era visto nada mais como um voyeurista maldito, a juntar a isto o flop colossal de Showgirls. Mas não são o único factor que fecundou um injustiçado massacre a esta pseudo-ficção cientifica, não senhor, as acusações de fascismo era coisa que não faltava entre os insultos. Mas com o passar de quase 20 anos, olhamos para Starship Troopers não como um filme que lisonjeia o fascismo, mas sim como uma obra sobre o fascismo, e a sua aceitação, deveras normal, que causa no espectador uma tremenda sensação de incomodo. Porquê que estes soldados atacam insectos alienígenas? Qual o objectivo? O que é que fazemos no seu habitat natural?

 

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Verhoeven criou uma falsa propaganda, prolongada por um cínico magnetismo pela militarização. São as forças armadas, ditadas por autênticas lavagens cerebrais sociais, e fortalecidas por uma intolerância antropocêntrica. Com duas décadas em cima, este seja talvez um dos filmes mais actuais do realizador que nos dias de hoje tem sido alvo de uma reavaliação. Afinal, Verhoeven não é assim tão maldito como pintavam e a prova esteve no último Festival de Cannes com a sua nova obra integrada na Competição Oficial. Elle [ler crítica], título desta nova produção, apresentou um cenário bem diferente do habitual na carreira do realizador, foi unanimemente elogiado.

 

Durante a conferência de imprensa, Verhoeven foi confrontado com a questão de um eventual regresso a Hollywood, território que deixou em 2000 com o ainda malfadado The Hollow Man (O Homem Transparente). A resposta foi dada da seguinte maneira: com desejo de retornar ao país dos seus êxitos (quem não se lembra de Basic Instinct, Robocop e Total Recall), o realizador apenas expressou que de momento não recebera nenhuma proposta decente (indecente), enumerando o facto dos filmes de super-heróis dominarem o mercado hollywoodesco.

 

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A ponte aqui estabelecida entre dois filmes completamente distintos, é o fascismo representado em Starship Troopers, exposto para eventuais alvos críticos e o fascismo não assumido que um produto como Captain America: Civil War [ler crítica] ostenta, mas que passa despercebido pela crítica, porque simplesmente muitos dos órgãos preferem lançar conhecedores de BD e não de Cinema em geral. Para além disso, muito dos críticos norte-americanos fogem da militância politica assim como o Diabo foge da cruz.

 

Mas afinal o que há de errado com Civil War da Marvel? Primeiro, quando tentamos avaliar um filme destes deparamos sempre com uma legião de "marias-ofendidas" que nos apresentam a ideia que para avaliar é preciso ler uma BD, partindo do principio que no caso do material adaptado, a matéria-prima é sempre boa. Errado. Mas a questão não está em bater num filme de super-heróis como um hater qualquer, mas especificar o porquê de Civil War ser um dos piores filmes do subgénero dos últimos anos, e falamos obviamente no sentido ideológico, social e político, esses inúmeros factores que uma Empire Magazine gosta tanto de esquivar.

 

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Ao contrário da série de BDs originais, esta adaptação não refere a nenhuma Lei de Registos de Super-Humanos com tamanha supervisão do Governo dos EUA, não, somos apresentados a uma ameaça real, a ameaça de uma elite de "soldados", chamaremos assim, que podem combater em qualquer lugar do Mundo sem o mínimo de responsabilidade, quer governamental, quer humanitária. Um dos exemplos do filme dos irmãos Russo encontra-se nas primeiras sequências, onde uma missão em Lagos dá para o "torto", resultando numa centena de vitimas civis, fruto de uma negligência de um dos seus "protectores". Danos colaterais como alguns apelidarão.

 

Se os Russos fossem frontais como Verhoeven (e se a Disney deixasse), poderiam utilizar esse tópico como um balançado dilema ao longo da narrativa, porém, não é isso que acontece. Capitão América, o grande herói da malta, é incutido como uma voz dominante da razão, proclamando diálogos de liberdade sob a bandeira estaduniense estampada no seu peito. Afinal o Capitão não gosta de receber ordens, nem sequer ser coordenado pela ONU, o seu ideal é combater onde bem apetecer e sob os seus reflexos políticos, até porque o maniqueísmo existe aqui com fartura.

 

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Apesar de ser um filme esteticamente limpo (pudera, a Disney está interessada em vender brinquedos aos mais novos), tal serve como uma bandeja esterilizada para tais ideais. Traduzindo por miúdos, de como a ONU é má para o totalitarismo destes vigilantes e como os super-heróis podem matar pessoas sem qualquer tipo de responsabilidade nem monitorização. É algo perigoso, porque aqui não existe nenhum senso crítico ou alvo incomodo como o que Verhoeven fez com o seu Starship Troopers. Em tempos de Donald Trump e depois das lições aprendidas com a "invasão" das tropas norte-americanas no Iraque sob o argumento, ainda não provado, de armas de destruição maciça, coisas como este Civil War conseguem tornar-se filmes perigosos. Estarei a ser demasiado alarmante ou realmente existem filmes fascistas disfarçados como produtos para inúmeras idades.

 

Agora já sabemos o porquê de Verhoeven recusar fazer um filme de super-herói actual, visto que está impedido de desconstrui-los ideologicamente.

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:00
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29.2.16

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Curiosamente numa cerimónia marcada pela polémica dos "Oscars so White" e pela responsabilidade de Chris Rock em transmitir tais questões de forma satírica e directa às audiências, o habitual memoriam deste ano foi acompanhado por Dave Grohl cantando "Black Bird".

 

Um momento devidamente comovente se não fosse o facto de terem esquecido de … Manoel de Oliveira. Pelos vistos o cineasta português, aplaudido como um dos mais importantes da sua geração e sim, o marco cinematográfico de um país não foi relembrado num evento, que segundo muitos, visa em festejar o Cinema como 7ª Arte.

 

Outra grande ausência foi Jacques Rivette, mas pelo menos não esqueceram-se de Chantal Akerman.

 

 

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"O Caso Spotlight" triunfa em noite de Óscares. Leonardo DiCaprio é premiado!

Morreu Manoel de Oliveira: O simbolo do cinema português!

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 12:24
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O "vendedor de banha de cobra", como é apelidado num artigo do jornal Público, foi consagrado o Melhor Realizador do ano pela Academia de Artes e Ciência. Alejandro G. Iñarritu é o terceiro realizador a conseguir a proeza de ser laureado com o Óscar dois anos consecutivos, no seu lote poderemos encontrar John Ford (The Grapes of Wrath, How Green Was My Valley) e Joseph L. Mankiewicz (A Letter to Three Wives, All About Eve). Nos meus tempos de ingenuidade poderia considerar tal acto da Academia um merecedor feito, reconhecido pelos votantes a demonstrar as suas convicções e doutrinas cinematográficas para milhões.

 

Mas os tempos mudaram, para o Mundo como para a minha perspectiva cinematográfica, os lobbies, têm tornado esta cerimónia cada vez mais irrelevante (não me esqueço da peculiar cena de Argo receber um Óscar pelas mãos de Obama). Mas será que os prémios foram sempre relevantes? A questão aqui não é o facto de Iñarritu ser ou não ser o merecedor de tal distinção, sendo que entre os nomeados, ao lado de George Miller, tenha sido o que mais contribuiu para o percurso de tal estatueta.

 

A questão aqui é sobretudo o mediatismo envolto aos prémios, e mais uma vez terem contornado a própria História do Cinema, ou seja a premiação de Spotlight, um filme competente digamos, mas não o "melhor do ano" face a outras obras que provaram ser mais "exquisite" requinte.

 

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Mad Max foi um deles, o "barulhento" e "luzita" (para alguns) filme era um outsider na sua própria categoria de Melhor Filme, tendo em conta que Academia adora premiar sobretudo produtos mais académicos, politicamente correctos e até a certa ponto - classicistas. Uma eventual premiação da obra de George Miller poderia sobretudo colocar a Academia em constante abraços com o "vintage" (que tanto adora) e a matriz do cinema mais moderno e instintivo. Enfim!

 

Até mesmo The Revenant seria um justo vencedor nessa posição de relevância cinematográfica, a jornada passional e sangrenta de Leonardo DiCaprio tinha "estofo" para comportar-se num vencedor desta categoria, aliás era o grande favorito do público e entre os nomeados, excepto o "equivoco" de The Martian, obviamente o mais bem-sucedido em termos de bilheteira (visto que a tendência de há uns anos era premiar o mais rentável).    

 

Mas seguindo para o resto, foi tão aliviante ver Leonardo DiCaprio com a estatueta nas mãos e Brie Larson a contrariar as previsões que surgiam há alguns meses antes, onde Cate Blanchett era tida como a grande favorita num filme que "misteriosamente" não encabeçou os nomeados para Melhor Filme. Esqueceram-se de Carol e em seu lugar sobrevalorizaram obras destinadas ao esquecimento, tais como The Big Short e Brooklyn.

 

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Confesso que mesmo considerando um Sylvester Stallone numa espécie de "tio", fiquei minimamente agradado com a vitória de Mark Rylance. O eterno Rocky Balboa deu tudo por tudo num sexto filme, aquele estreado em 2006, que combinou uma personagem fictícia com as vivências reais de um homem, um desempenho marcado por essa coexistência que desafiou os parâmetros da interpretação. Em Rocky Balboa, Stallone era sincero, em Creed, o pretexto encontrado para reavivar uma saga moribunda, foi super-explorado no "mais do mesmo". Fica um aviso à navegação: por favor, deixem o Rocky em paz!

 

De resto, Alicia Vikander vence numa categoria que não era a sua (Melhor Actriz Principal se faz favor), Inside Out, sem surpresas, arrebata o Óscar de Melhor Animação deixando Anomalisa e o "pequeno" O Menino e o Mundo (uma surpresa que merece ser vista) e Saul Fia, a revelar-se como a escolha mais adequada para o lugar de Melhor Filme de Língua Estrangeira.

 

Mas de resto, este texto é uma opinião como tantas outras, até porque apesar de irrelevantes, o mediatismo torna os Óscares num constante tema que se "mete a jeito" de ser comentado, criticado, as vezes que o freguês apetecer. Mas não serão certamente este os filmes do futuro, até porque um Óscar é um consenso da Academia, não da cinefilia.

 

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publicado por Hugo Gomes às 11:18
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28.2.16

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Por mais que se odeia ou que se adora, os Óscares são os prémios mais mediáticos do Cinema, e é normal que meio Mundo não fale doutra coisa em vésperas da tão antecipada entregue. Como é de esperar o Cinematograficamente Falando revela as apostas para mais uma noite de glamour e muitos prémios. 

 

Melhor Filme - Mad Max: Fury Road

Melhor Filme de Língua Estrangeira - Saul Fia

Melhor Actor - Leonardo DiCaprio (The Revenant)

Melhor Actriz - Brie Larson (Room)

Melhor Actor Secundário - Sylvester Stallone (Creed)

Melhor Actriz Secundária - Alicia Vikander (The Danish Girl)

Melhor Realizador - Alejandro G. Iñarritu (The Revenant)

Melhor Filme de Animação - Inside Out

 

 

Ler críticas relacionadas

Creed (2015)

The Danish Girl (2015)

Inside Out (2015)

Mad Max: Fury Road (2015)

Room (2015)

Saul Fia (2015)

The Revenant (2015)

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:31
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23.1.16

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Foram precisos 8 filmes baseados em 7 livros da autoria de J.K. Rowling para colocar Daniel Radcliffe no "passeio da fama", porém, as obras que lhe atribuíram o sucesso que actualmente possui, são agora os responsáveis para o seu iminente fracasso. Parece que ninguém consegue esquecer o seu Harry Potter, apesar dos esforços do próprio Radcliffe em apostar em novos projectos, mantendo principalmente longe de grandes produções.

 

Depois dessa saga, o actor apenas arrecadou um êxito, o bem-sucedido filme de terror de James Watkins - A Woman in Black [ler crítica] - em 2012. De seguida viu-se envolvido em inúmeros "flops" que resultaram em autênticos fracassos de bilheteira como em obras mal recebidas quer pela crítica, como pelo público em geral. Recordamos que o seu último Victor Frankenstein, uma reinvenção do famoso conto de Mary Shelley, ao lado de James McAvoy, não resultou lá muito bem no box office norte-americano.

 

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Sabe-se agora que Daniel Radcliffe poderá juntar mais outro filme ao seu "baú de fracassos", pelos vistos é o que se entende, tendo em conta as primeiras reacções do Festival de Sundance (que decorre nos EUA desde a passada quinta-feira), onde foi projectado Swiss Army Man, uma obra de  Dan Kwan e Daniel Scheinert, o qual o actor protagoniza ao lado de Paul Dano e Mary Elizabeth Winstead.

 

O enredo segue uma personagem chamada de Hanks (Dano), um viajante que fica perdido e isolado numa ilha deserta. A certo dia,  depara-se, com um corpo na praia. Esse mesmo (interpretado pelo próprio Radcliffe), torna-se o seu "companheiro de viagens". Segundo consta, até à data as duas projecções desta fita foram marcadas pela saída de imensos espectadores que se sentiram ofendidos com as inúmeras sequências impostas pela obra. Entre as quais, destaca-se um beijo homo-erótico entre as duas personagens, e o facto do cadáver interpretado por Radcliffe manter constantemente uma erecção e produzir diversas ventosidades, para além das piadas feitas em torno desses odores nauseabundos.

 

A imprensa norte-americana apelidou Swiss Army Man como um filme recheado de "flatulência, necrofilia , e masturbação" ou “fart drama”, e a crítica especializada parece não ter ficado totalmente rendida com esta fórmula de comédia dramática.

 

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O bar belga ao som de Soulwax!

Assim começa mais um ... Sundance!

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:43
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10.1.16

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Com os Golden Globes à porta [ver nomeados, aqui], aquele que é um dos grandes indicadores para os Óscares, o Cinematograficamente Falando … decide assim partilhar as suas apostas para uma noite de glamour e muitos prémios "à mistura". Contudo, devo advertir que esta lista não pode ser confundida com os desejos deste espaço.

 

 

Melhor Filme Dramático - Carol

Melhor Filme Comédia / Musical - The Martian

Melhor Actor Dramático - Leonardo DiCaprio (The Revenant)

Melhor Actriz Dramática - Cate Blanchett (Carol)

Melhor Actor Comédia / Musical - Matt Damon (The Martian)

Melhor Actriz Comédia / Musical - Jennifer Lawrence (Joy)

Melhor Actor Secundário - Mark Rylance (Bridge of Spies)

Melhor Actriz Secundária - Jennifer Jason Leigh (The Hatefull Eight)

Melhor Argumento - Tom McCarthy (Spotlight)

Melhor Realizador - Todd Haynes (Carol)

 

 

Ler Crítica Relacionadas

Bridge of Spies (2015)

Carol (2015)

Joy (2015)

The Martian (2015)

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:15
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3.1.16

 

Para dizer a verdade 2015 foi um ano produtivo em termos cinematográficos, o qual deparamos com futuros clássicos do cinema mundial e novos olhares que nos fazem acreditar na força desta Sétima Arte. Cinematograficamente Falando …, elabora as 10 melhores obras cinematográficas de 2015, um conjunto de talentos a ser descobertos, viagens vertiginosas, animações deslumbradas que revelam os nossos seres mais íntimos, e cinema que homenageia o próprio conceito de cinema.

 

 

10) Whiplash

 

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"Resultado, em sintonia com o esforço tremendo de Mille Teller, temos um dos finais mais impares do cinema norte-americano recente, evidenciado um embate físico e psicológico entre dois actores de gerações completamente diferentes. Segundo algumas fontes, Whiplash esteve prestes a nunca sair do papel, mas quando saiu foi consagrado os prémios de Júri e de Público do Festival de Sundance e de momento encontra-se nomeado aos Óscares, nomeadamente a de Melhor Filme. Uma prova que obviamente o barulho causado pelo filme de Damien Chazelle fez-se ouvir." Ler Crítica

 

 

09) João Bérnard da Costa: Outros Amarão as Coisas que eu Amei

 

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"Essa constante auto-analise, uma narrativa intercalada entre a linguagem própria do cinema (Ordet, de Carl Theodor Dreyer, o seu "favorito" Johnny Guitar, de Nicholas Ray, e até mesmo a mentira prolongada da cinematografia de Lubitsch) e os seus escritos lidos pelo seu filho, funciona como uma das pinceladas que contribuem para este esplendoroso retrato, o retrato de Bénard da Costa, o seu intimo hino de amor ao cinema partilhado por todos. Até porque, tal como indica o título - Outros Amarão as Coisas que eu Amei Costa não está, nem esteve sozinho. Esta relação com o Cinema permanece intacta, cada vez mais amada, mesmo que as memórias tendem em tornar-se mais distantes, mas com imagens projectadas em tela, que tudo torna-se numa razão de existência. Do Cinema com Amor!" Ler Crítica

 

 

08) Mad Max: Fury Road

 

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"Se formos descrever este Mad Max numa simplicidade quase massacrante, poderemos insinuar, e com convicção, que todo o filme é uma ida e volta, um autêntico "freak show" que não irá deixar defraudados quem tem como único propósito a diversão. Esteticamente é um novo Mad Max, porém, o modelo continua a ser o antigo." Ler Crítica

 

 

07) Gett

 

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"A caricatura encontra-se de certa forma presente na descrição do tribunal, nas testemunhas que entretanto surgem em "palco", aludindo a críticas sociais, e no próprio processo ritualizado da simples facultação do divórcio. Visto como um herdeiro de 12 Angry Men, de Sidney Lumet, Gett ainda nos presenteia com um certo tom vintage. Este é um filme do qual será difícil nos divorciar." Ler Crítica

 

 

06) Inside Out

 

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"No final, são poucos aqueles que não deixam ser dominados pela Alegria e ao mesmo tempo pela Tristeza. Um sorriso estampado nas nossas faces, consolidando com a triste beleza da derrota. A nossa derrota para com o tempo, onde as nossas preciosas memórias se desvanecem no horizonte longínquo da nossa mente. Como é tão raro encontrar um animação que nos faça sentir ... simplesmente mortais." Ler Crítica

 

 

05) Sicario

 

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"Para sermos exactos, este Sicario é tudo um pouco, um obra fabulista, um ensaio de realidade fincada, com toques variáveis de descrição dessa mesma realidade cinematográfica, um panfleto sem ser evidentemente um, ou um olhar sem julgamentos a um panorama conhecedor, contudo, mirado sob um receio pessimista (tal como é verificado no seu sublime e subliminar final, transcrevendo uma catarse aos sonhos de paz mundial que teimamos a prometer e a acreditar)." Ler Crítica

 

 

04) A Most Violent Year

 

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"A juntar a este conto de o "Bom Ladrão", J.C. Chandor é dinâmico na sua planificação, encarando este trabalho como os pioneiros do género. Apesar de muita coisa ter acontecido de 1981 a 2014, em termos cinematográficos e de linguagem fílmica, A Most Violent Year não deve ser menosprezado. É um espectáculo violento, intenso e convicto como poucos. Façam o favor de prestar atenção neste realizador e no seu respectivo elenco." Ler Crítica

 

 

03) The Tale of Princess Kaguya

 

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"Aliás é arte aquilo que correctamente devemos apelidar este The Tale of the Princess Kaguya, um festim de "paladares" para o olhar que arremata a lenda e a emancipa, adquirindo forma e vida própria em tela. Tocante, viciante, a história interminável, a fantasia possível pela animação, que por sua vez possível pela visão deste mestre. Um adeus terno, Isao Takahata deixará imensas saudades, e se vai." Ler Crítica

 

 

02) Birdman (The Unexpected Virtue of Ignorance)

 

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"Iñarritu reinventa-se, expõe-nos um filme inclassificável, um tipo de cinema de molda para cada espectador ao invés do contrário (o final é a indicação disso mesmo). O vencedor do Óscar de Melhor Filme de 2015 é uma atípica obra-prima do cinema moderno, uma parábola narrativa interdita a todos aqueles que preferem limitar à sua própria “sabedoria”. Vivemos numa sociedade de ignorantes e de hipócritas, guiados por egos injustificáveis e uma cultura desvalorizada." Ler Crítica

 

 

01) As Mil e uma Noites

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"Desaparecido, enquanto corpo, porque a alma de autor encontra-se nas mais tenras veias deste Mil e uma Noites, a maior epopeia cinematográfica do cinema português." Ler Crítica

 

 

Menções honrosas: Kreuzweg, Ex Machina, 45 Years, Clouds of Sils Maria, It Follows, Phoenix

 

Melhores filmes vistos em festivais: Saul Fia, Las Elegidas, Before We Go, A Despedida, Anomalisa

 

 

 

Ver Também

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publicado por Hugo Gomes às 19:21
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2.1.16

 

MELHOR FOTOGRAFIA

 

Vasco Viana (A Montanha)

 

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"Se A Montanha é um filme sobre a transição de uma criança para a responsabilidade de ser um adulto, esse caminho é percorrido sob um trilho incógnito - o desconhecido - assim ilustrado na fotografia de Vasco Viana, uma interpretação sombria  e constantmente sugestiva quanto ao destino de David."

 

Roger Deakins (Sicario)

 

John Saele (Mad Max: Fury Road)

 

 

 

MELHOR BANDA SONORA

 

Jóhann Jóhannsson (Sicario)

 

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"Eis um monstro criado na berma da porta, e tal besta dominante presenciada numa omnipresente banda sonora de Jóhann JóhannssonSicário é sim uma das mais poderosas incursões deste tema no grande ecrã, um filme falado num linguagem mista e atormentada pelo seu próprio dialecto. Assustador, agressivo sem fugir das regras da subtileza e verdadeiramente humano, colectivamente falando." Ler crítica

 

Justin Hurwitz (Whiplash)

 

Michael Giacchino (Inside Out)

 

 

 

MELHOR EFEITOS VISUAIS

 

Star Wars - Episode VII: The Force Awakens

 

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"Os efeitos visuais computorizadas passam para segundo plano, em fusão com o artesanato das maquetas, fantoches e cenários a substituir o já excessivo verde para chroma keys, o realizador havia deixado claro que tentaria ao máximo contornar os intensos facilitismos dos CGI e da habitual pirotecnia, tal decisão como é óbvio, fortalece a veia sentimental que liga o espectador, que relembra as memórias passadas nas aventuras de Luke e sua trupe, com um novo filme, que respira ares dito vintages." Ler Crítica

 

The Avengers: Age of Ultron

 

Ant-Man

 

 

 

MELHOR SEQUÊNCIA DE ACÇÃO

 

Combate em Plano-Sequência (Creed)

 

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"Ele é um "engenheiro" [Ryan Coogler] que torna uma obra que poderia confundir com tantas outras do género num exemplo de raça técnica. Entre as evidências dessa genica na condução da narrativa é o impressionante combate filmado como uma plano-sequência. Nesta cena é possível confirmar os dotes de Coogler para com o realismo, quer performativa, quer temporal, e na sua constante cumplicidade com B. Jordan na atribuição de um tom emocional ao "acontecimento"." Ler Crítica

 

A Ida (Mad Max: Fury Road)

 

Atentado na Ópera (Mission: Impossible - Rogue Nation)

 

 

 

MELHOR PERSONAGEM

 

Fletcher (Whiplash)

 

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"(…)" ler crítica

 

Bing Bong (Inside Out)

 

Furiosa (Mad Max: Fury Road)

 

 

 

MELHOR MOMENTO

 

A Transição para Split Screen (Coro dos Amantes)

 

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"Os "amantes" do filme de Guedes são vistos como uma única alma, quase monofásica, que dissociam perante duas câmaras que decidem orquestrar independentemente. Com a chegada do split-screen, que nos acompanha ao longo da narrativa e que nos é conseguido por uma mestria exemplar, que em total coordenação com os atores nos apresentam um trabalho visualmente poético e, ao mesmo tempo, alicerçado ao realismo interpretativo e formal. Um trabalho que funciona numa catarse às relações e às preservações do foro emocional e afectivo, onde são as câmaras os guias desta "viagem" atribulada, que se personificam nas suas respectivas personagens." Ler Crítica

 

"Speak Low" (Phoenix)

 

As Lágrimas da Juíza (As Mil e uma Noites: Volume 2 - O Desolado)

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:14
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MELHOR FILME PORTUGUÊS

 

As Mil e uma Noites (Miguel Gomes)

 

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"Três actos sob tons opostos e divergentes que indiciam uma só verdade: Miguel Gomes é um conhecedor nato de todos os códigos do cinema português, sendo óbvio que a sua carreira como crítico favoreceu essa diversidade criativa, a qual não se via desde João César Monteiro." Ler crítica

 

A Montanha (João Salaviza)

 

Amor Impossível (António-Pedro Vasconcelos)

 

 

 

MELHOR DOCUMENTÁRIO

 

João Bénard da Costa: Outros Amarão as Coisas que eu Amei (Manuel Mozos)

 

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""O cinema precisa de ser falado" e é com obras como esta que o diálogo entre o espectador e o grande ecrã faz-se em reflexo com o amor de outra pessoa. Manuel Mozos (4 Copas) incute essa paixão partilhada que dificilmente perde o seu inflamável calor da veneração, através de um envolvente registo poético que transfere a vida de um dos mais celebres (porém, ele próprio não assume), cinéfilos do nosso país." Ler crítica

 

The Look of Silence (Joshua Oppenheimer)

 

Amy (Asif Kapadia)

 

 

 

MELHOR ANIMAÇÃO

 

The Tale of Princess Kaguya (Isao Takahata)

 

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"Takahata criou aqui uma obra-prima, o seu legado de um trabalho contributivo na animação, por vezes ofuscado com a aclamação geral do seu conterrâneo e colega Miyazaki, mas não nos enganemos, não o devemos encarar como um menor na sua arte." Ler crítica

 

Inside Out (Peter Docter, Ronnie Del Carmen)

 

The Wind Rises (Hayao Miyazaki)

 

 

 

MELHOR BLOCKBUSTER

 

Mad Max: Fury Road (George Miller)

 

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"Se formos descrever este Mad Max numa simplicidade quase massacrante, poderemos insinuar, e com convicção, que todo o filme é uma ida e volta, um autêntico "freak show" que não irá deixar defraudados quem tem como único propósito a diversão. Esteticamente é um novo Mad Max, porém, o modelo continua a ser o antigo." Ler crítica

 

The Hunger Games: The Mockingjay Part 2 (Francis Lawrence)

 

Star Wars Episode VII: The Force Awakens (J.J. Abrams)

 

 

 

MELHOR SURPRESA

 

Mas Max: Fury Road (George Miller)

 

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"Fury Road é, sim, uma montanha russa, imparável, pomposa, mas sempre fiel aos códigos de série B. É entretenimento para massas, eficazmente direccionado a todos os que cresceram com o herói de Gibson (em jeito de homenagem, o vilão deste capitulo é interpretado por Hugh Keay-Byrne) ou pela ausência de limites na acção. É uma reciclagem das grandes perseguições, enraizadas na narrativa com uma explosiva força motora." Ler crítica

 

 

Amor Impossível (António-Pedro Vasconcelos)

 

Inside Out (Peter Docter, Ronnie Del Carmen)

 

 

continua …


publicado por Hugo Gomes às 12:46
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1.1.16

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Como já faz parte do hábito, o Cinematograficamente Falando … inicia assim a sua revisão anual. Começamos com os piores, chegando agora aos melhores deste ano, que bem aja, produtivo. Neste caso seguimos para os melhores exemplos: os protagonistas das histórias que deslumbraram e a técnica que mais nos arrebataram para a relevância do Cinema. Um 2015 revisto nas seguintes categorias:

 

 

MELHOR ACTOR

 

Ian McKellen (Mr.Holmes)

 

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"(…) Ian McKellen que conduz o filme para outros patamares, instalando-se com uma versatilidade única e uma paixão não proclamada em trazer dignidade a um génio no seu leito de senilidade. Nota-se ainda a sua dualidade em trazer uma entidade comum em duas divergências temporais e realçando, por fim, a complexidade dessa figura lendária" Ler crítica

 

 

Michael Keaton (Birdman: The Unexpected Virtue of Ignorance)

 

Eddie Redmayne (The Theory of Everything)

 

 

 

MELHOR ACTRIZ

 

Charlotte Rampling (45 Years)

 

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"Mas onde o filme de Haigh aufere a sua projecção é nos desempenhos, o casal de actores que vestem as suas respectivas peles e que cumprem as suas partes neste jogo de ilusões. O espectador, aqui tentando acompanhar esta jornada emocional, vê-se confrontado com dilemas quantos aos seus propósitos sentimentais e na dita duplicidade que estas personagens parecem evidenciar cuidadosamente." Ler crítica

 

Alicia Vikander (The Danish Girl)

 

Emily Blunt (Sicario)

 

 

 

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO

 

J.K. Simmons (Whiplash)

 

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"Já que referimos perfomances, não poderemos esquecer o desempenho "bomba-relógio" de J.K. Simmons, aquele que tem sido visto como o secundário mais carismático dos últimos anos, resolve oferecer-nos uma prestação em constante afinidade com a fúria." Ler crítica

 

Mark Rylance (Bridge of Spies)

 

Paul Dano (Love & Mercy)

 

 

 

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA

 

Kristen Stewart (Clouds of Sils Maria)

 

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"É o improviso, a espontaneidade, as armas utilizadas por Kristen Stewart para promover-se nesta invencível "batalha" com Juliette Binoche, que povoa o ecrã com o seu desempenho classicista a certa altura, fora de moda. É a linguagem modernista que a jovem actriz contrai nesta analise da condição de actor."

 

Amy Ryan (Bridge of Spies)

 

Emma Stone (Birdman: The Unexpected Virtue of Ignorance)

 

 

 

MELHOR REALIZADOR

 

Miguel Gomes (As Mil e uma Noites)

 

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"(…) Miguel Gomes é a cabeça de uma nova vaga Portuguesa. Comparado com a nouvelle vague Francesa ou não, a verdade é que há muito não víamos cinema português tão revitalizante, complexo e, sobretudo, tão criativo. Uma obra-prima!" Ler crítica

 

Alejandro Gonzalez Iñarritu (Birdman: The Unexpected Virtue of Ignorance)

 

George Miller (Mad Max: Fury Road)

 

 

 

MELHOR ARGUMENTO

 

Ex Machina (Alex Garland)

 

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"Curioso que num tempo em que a ficção científica parece ter adquirido espectacularidade - veja-se os casos dos recentes Transcendence e Autómata, que também questionavam as limitações da inteligência artificial, mas que cederam aos códigos do espalhafato cinematográfico - Ex Machina seja um protótipo discreto, astuto nos seus diálogos e concentrado em criar química entre as suas personagens." Ler crítica

 

Birdman: The Unexpected Virtue of Ignorance (Alejandro Gonzalez Iñarritu)

 

Clouds of Sils Maria (Olivier Assayas)

 

 

continua …

 


publicado por Hugo Gomes às 17:14
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