Catalogar um filme para certo público parece estar na moda nos dias de hoje, fala-se de Crepúsculo e companhia para a faixa etária feminina abaixo dos 16 anos, fala-se de Manoel de Oliveira para os “especialistas” de cinema, Sexo e a Cidade para as mulheres e Soldados da Fortuna para homens, mas a pior vem aí – as animações como produtos inteiramente para crianças. Não existe pior preconceito cinematográfico que esse, tudo porque temo que Toy Story 3 seja conduzido por tal mentalidade e que não tenha a mesma divulgação que teve por exemplo Shrek Forever After, que ao contrario do que muitos espectadores pensam, chega a ser mais infantil que o novo clássico da Pixar. Em 1995 estreou Toy Story, aquele que marcará a historia como o primeiro filme animado cem por cento digital, qualquer coisa como um Avatar em pleno anos 90, a partir as longas-metragens animadas seguiram um novo rumo. Só em 1999 surgiu a sequela do já inovador mas em simultâneo clássico, que confesso que não obteve o mesmo impacto que o original de John Lasseter, mas que representava uma solidez narrativa e argumentativa desejável. Porém foram preciso 11 anos para cumprir a trilogia, uma trilogia que no futuro próximo deverá reunir no mesmo patamar que as trindades de The Godfather, The Lord of the Rings e até mesmo Back to the Future. Toy Story 3 é aquele produto que seguiu infâncias de perto até atingir o ponto de maturidade do espectador, com isto quero dizer que em 1995, crianças se apaixonaram pelas aventuras destes brinquedos até chegar ao inicio das suas adolescências, que muito bem poderia ter decorrido em 1999 (Toy Story 2), completando-se com a fase adulta agora em 2010, onde Toy Story 3 parece incumbido desse papel. È uma trilogia que marcou uma geração e esteve lado-a-lado com ela, é o tipo de filme mais recomendado aqueles que viveram de perto as aventuras e desventuras de Woody, Buzz e até mesmo Andy e que anseiam pelo fim do que o grupo de crianças que conheceram-nos através do DVD e televisão, neste caso se deve dizer que temos uma animação para adultos, o qual se pode partilhar com os mais jovens, aqueles que serão os homens e mulheres de amanhã. Para todos!
Existe um novo fenómeno nas salas, que se dá pelo nome de Inception – A Origem que tem como palco de fundo o mundo dos sonhos em sincronização com a ficção científica mais cerebral dos últimos anos, será este o blockbuster do futuro? A resposta é positiva, Christopher Nolan consegue criar sob o pretexto de produção hollywoodesca para grandes massas uma fita de autor que nos remete á época de Blade Runner de Ridley Scott e 2001 – A Space Odyssey de Stanley Kubrick. Do realizador de The Dark Knight chega-nos o cinema de golpe em que o dito golpe não é algo físico, mas sim a implantação de uma ideia através desse onírica ficção, para tal acto é quando surge Leonardo DiCaprio e uma dream team que empurra uma narrativa de duas horas á compreensão do espectador. Temos explosões, efeitos visuais de primeira categoria, um elenco atractivo, Hans Zimmer a fazer das suas na banda sonora, pomposa é o adjectivo a utilizar e mesmo com tudo isto, Inception não se rede ao facilitismo o qual se fabricam blockbusters em Hollywood, mas sim invoca as raízes do realizador que no ano 2000 nos deu Memento, em que Guy Pearce (seu melhor papel) é o protagonista de um policial amnésico, narrativamente contado de trás para a frente, conseguiu atingir um notório sucesso entre o publico graças á sua forma de produção comercial, sendo disfarce para o cinema de autor. Ano passado assistimos a bilionário Avatar que se auto-titulava como o referido blockbuster do próximo cinema, confirmando-se como marco nos efeitos visuais, a fita de James Cameron que quebrou recordes de bilheteira tinha de sofisticadamente estético como clássico na sua estrutura, ou seja é em comparação com um restauro de uma antiguidade. Acredito sim que o futuro cinematográfico não será somente visual, mas a procura de novas formas narrativas e novos meios de elaborar uma história, Inception é nas probabilidades o seu pioneiro (a teoria temporal do filme indica tal sofisticação). No fim disto tudo, Inception poderá ser subvalorizado pelo público, sendo a sua avaliação nos nossos cinemas seja de maiores de 12, levando a frases e expressões como aquelas que ouvi na exibição que estive presente, “Estou a ver este filme porque a minha mãe não me deixa ver o Eclipse, outra vez!” – confessava uma jovem com os seus 14 a 16 anos, ou “Que seca!” expressão mais ouvida pelos mais novos. O problema não advém do filme em si, mas pela má habituação do espectador e pela sua falta de exigência em termos cinematográficos. O protótipo do blockbuster do futuro!
Faltam 10 dias para os cinemas sofrerem uma corrida quase febril, ou seja a estreia do terceiro capitulo de Twilight, Eclipse, que a contar pelos trailers será mais frenético em termos de acção que os dois anteriores. È difícil escrever nos dias de hoje sobre esta “saga” cinematográfica sem que seguir sejamos ofendidos pelas fãs que nos acusa de sermos “haters” ou insensíveis, primeiro não irei tirar conclusões precipitadas acerca do breve filme que aí vêm, mas a verdade é que nem mesmo o nome anexado de David Slade na realização (relembro o curioso Hard Candy em 2006) traz algum conforto para o meu coração cinéfilo. A produção continua a mesma, a contar com os dois exemplos anteriores, os personagens secundários serão novamente postos á margem, mesmo com os actores escolhidos, e obviamente como se espera e para bem do publico alvo, iremos ver mais bíceps e abdominais masculinos e menos atributos de actor. Os efeitos especiais darão o recheio de filme de Verão, porém parece mais que Twilight têm medo de confrontar com Harry Potter (a estrear a Novembro deste ano) na dominância do box-office. Espero que esteja enganado e que este Eclipse seja mesmo um entretenimento satisfatório, que Robert Pattinson tenha um desempenho a nível de Remember Me de Allen Coutler e menos New Moon, Kristen Stewart esqueça de vez que o franchising dá dinheiro fácil e regresse ao seu estatuto de revelação, Taylor Lautner tenha finalmente uma interpretação expressiva, o argumento de Melissa Rosenberg seja aquilo que pretende, bem escrito, e não a vergonha piegas que New Moon se revelou e sem as cenas sem nexo, por fim a realização, Slade se mostre num mestre no visual e que capte a emoção de uma série de livros que sucesso global têm. Espero, desejo, para bem de uma saga que está aos poucos a ganhar uma má fama. Quero que entendem que os livros não foram apenas escritos para serem lidos por raparigas com acne, mas sim por toda a gente, os filmes tem que ser assim. Quanto á MTV Movie Awards, bem existe pouco a dizer, é possível que um canal de televisão que sofisticou a forma dos adolescentes serem e continua a ser um símbolo de rebeldia tenha caindo nessa mina de ouro, o qual toda a gente quer meter a mão. A pergunta fica no ar: será possível que The Twilight – New Moon tenha vencido o prémio de Melhor Filme pelo público em competição directa com Avatar de James Cameron e Harry Potter? Bem, rebeldia não se chama assim!
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A arte do cinema é muitas vezes reconstituir visualmente algo que só existe no papel, se não fosse o caso de que todas as obras cinematográficas e televisivas dependem do seu guião e argumento, paginas e páginas de papel que ditam os regulamentos do filme, a certa altura poderíamos insinuar que se trata do seu “código genético”. A 7ª Arte é assim uma arte impura, metamórfica, que nunca depende de um só sentido, mas de vários, combinando as seis artes que antecederam. Mas o que quero falar aqui não é sobre guiões ou páginas argumentais de certa forma, mas sim de adaptações. O porquê disto? Bem, nos tempos que decorrem é difícil separar o êxito literário de um êxito cinematográfico, porque de certa forma o cinema também é oportunista ou inúmeros casos – preguiçoso criativamente. Numa época em que o “esperadíssimo” sétimo filme do Harry Potter que estreia algures em Novembro, põe ansiosos e doidos os seus seguidores, quer literários ou cinematográficos. J.K. Rowlings criou todo um universo infanto-juvenil, o primeiro volume foi publicado em 1997, que consistiu numa mina de ouro para a Warner Bros, detentor dos direitos. Magia, feiticeiros, criaturas mágicas e um hype que garantia sucesso sem discussões, eram atributos desejados da saga Harry Potter, lançando ao cinema em 2001 rendendo em todo o Mundo mais de 950 milhões de dólares em todo o Mundo, mas mesmo assim, apesar da sua grande relevância no box office mundial, todo franchising adaptado é motivo de discussão pelos fãs devotos dos livros no que requer na matéria adaptada e a sua fidelidade literária. Se metermos a situação de uma maneira despreocupada como “um filme é um filme” e “um livro é um livro”, poderemos aperceber que as duas artes que de certa forma se cruzam são muito diferentes entre si. A literatura não funciona sem o imaginário do leitor mas o cinema sem a capacidade de integrar do espectador. Não que a saga Harry Potter seja o perfeito exemplo de que uma adaptação deve ser, porque não o é, a maquina oleada de Hollywood, o tornou sim, num dos maiores êxitos da sua linhagem literária, dividindo os fieis seguidores dos livros com os entusiastas do filme. Tudo indica que Harry Potter and the Deadly Hollows será o maior êxito do ano, porém a concorrência tem sido forte nos últimos dias, falo obviamente de Stepheny Meyers e o seu frenesim vampírico com os livros e adaptações de Twilight Saga. O impressionante neste franchinsing não é o facto de ter conseguido fazer com os jovens voltassem a ler, os romances de J.K. Rowlings já tinham concretizado o feito, mas por tornar a faixa etária jovem e feminina num respeitável ditador de bilheteiras. Mesmo que a saga careça do lirismo dos livros, os filmes são apontados para as audiências mais adolescentes e do sexo feminino, o seu sucesso tem se tornado como uma espécie de paranóia sem igual como também num novo rumo na produção de filmes, verídicos, em que as “miúdas de 14 anos” se converteram numa relevante força financeira. De um lado Eclipse do outro o sétimo filme de Harry Potter, imagens da literatura juvenil do momento, a dominação das bilheteiras é o campo de batalha. Porém longe dos “verdes anos”, The Lord of the Rings de Peter Jackson, The Godfather de Francis Ford Coppola ou até mesmo o bem sucedido The Bourne Saga de Doug Liman e Paul Greengrass estão entre as melhores conversações de livro para filme.
Candidato a pior poster cinematográfico do ano, vejam só onde chega a chamada “originalidade” e “criatividade”.
O cinema tem tido as mais diferentes variações desde que a 7ªArte se tornou em entretenimento de grande escala, porém esta funcionalidade de “divertimento” advém separadamente da faixa etária o qual os estúdios tentam conduzir, assim sendo as obras de autor, muito pouco viradas para o dinheiro manufactor e direccionadas num estilo de arte, que esforçadamente tenta manter vivo tal primitiva forma, têm sofrido a marginalidade pelos sistemas de avaliação, que por sua vez intencionalmente ocultados pelos órgãos de comunicação ou as distribuidoras cinematográficas. A verdade é que as massas interessam pelas grandes produções porque o efeito de consumo e de necessidade que os media transmite é infalível e quase “brainwashed”, mas o cinema “outsider” dos velhos artesões de cinema é posto de parte e renegado pelo público que outrora venerou. A culpa vêm de um certo filme de George Lucas (Star Wars) e de Steven Spielberg (Jaws) que definiram o cinema numa escala de marketing elevada, sendo que as chamadas excentricidades de autor são reduzidas e limitadas e nos tempos de hoje, fazer filmes é agradar a gregos e troianos, e não somente a troianos. Porém os sistemas de avaliação são outra dor de cabeça dos estúdios, se julgávamos que a censura havia sido extinta nas grandes civilizações cinematográficas como Hollywood, então enganam-se redondamente, a violência, sexo e os diálogos são analisados a dedo, porém não sendo literalmente “cortados” ou recebendo o carimbo vermelho de “censurado”, os danos colaterais se revelam no chamado PG, no português pode significar as “simpáticas” palavras de “para maiores de …”. Nos dias de hoje filmes de maiores de 18 são difíceis de comercializar tudo porque as distribuidoras se julgam que salas de cinema são sinónimo de pais levando os filhos ou grupo de adolescentes que fazem algo para passar o tempo. Ora vejamos que os grandes blockbusters quase não excedam o “M/12” e muitas vezes recorrem ao universal “M/6” como foi o caso do colossal Avatar de James Cameron, tudo porque o dinheiro fala mais alto do que o artístico ou o rigor cinematográfico, e num mundo tão sensível como o que assistimos hoje, a democratização do cinema para todos é um sinal de bom costumes e muito dinheiro envolvido. Todavia é uma grande valia de ver grandes produções como o anterior Wanted de Timur Bekmambetov e o “screw” Kick Ass de Matthew Vaugh (nos cinemas), a ter o respeitoso sinal de “M/16”. Cinema para todos, não é esse o lema das distribuidoras!
Como é possível que Bill Condon, o realizador de:
e disto :
decida pegar nisto :
- realmente quem diz que o dinheiro é tudo, afinal tem muita razão!
Como muitos sabem os blockbusters preenchem uma grande fatia no mercado cinematográfico, sendo que tais projectos sejam as apostas dos grandes estúdios, produções milenares de grande orçamento que vão não só para a concepção do filme, como também do marketing e divulgação dos mesmos. Nos dias de hoje são eles a prioridade dos ditos estúdios e das distribuidoras que já acertam as datas de estreia quase um ano antes, ou até mesmo como em alguns exemplos sem que o filme tenha sido sequer rodado. Serão os blockbusters o fruto evolutivo do cinema? Não, são apenas um subgénero criado inconsequente pelas massas, houve exemplos de obras de baixo orçamento que atingiram valores rentáveis consideráveis, sendo que a palavra blockbuster, “arrasa-bilheteiras” como gosto de apelidar, não soa sinonimo automático de êxito constante, mas sim de semi-entrada directa nos primeiros lugares do box-office, a aposta fundamental dos estúdios norte-americanos, o seu “ganha-pão” para ser exactos. Serão os blockbusters correspondente a um mau cinema, á 7ª Arte convertida em negocio? Em muitos casos o negócio resulta na exploração do ego do autor, Peter Jackson conseguiu o inimaginável em converter a “in”filmavel trilogia literária de Tolkien, The Lord of the Rings, num conjunto de três filmes que podem muito bem se colocar entre os melhores do género. Steven Spielberg iniciou o conceito em 1975 com Jaws, mais tarde conquistou o publico com a trilogia Indiana Jones e a inovação dos efeitos visuais em Jurassic Park (o Avatar do seu tempo), até há data é dos melhores autores do subgénero, sentindo-se á vontade com as grandes produções como “peixe na água”. Roland Emmerich, Michael Bay e James Cameron são três nomes de realizadores exclusivos das milionárias produções. E o que tem em comum esses três nomes? Os efeitos visuais, a tecnologia utilizada em tais obras o qual se tornaram compatíveis e em certos casos inseparáveis, é por isso que os respectivos 2012, Transformers e Avatar são dependentes em tais efeitos, e todos os três inovaram nessa “droga”. Os blockbusters são processados ao milímetro, sendo as datas de estreias, um dos exemplo, as épocas festivas como também o Verão são as perfeitas épocas, os actores são também importantes no equilíbrio das bilheteiras, sendo aposta em nomes conhecidos e chamativos um “alvo abater”, raramente os desconhecidos conseguem o papel de protagonista, contudo existe casos bem sucedidos como Daniel Radcliffe de Harry Potter, Shia LaBeouf em Transformers ou Brandon Routh no Superman Returns, tudo isso porque a matéria-prima é já por si demasiado apelativa. Agora que já exprimi os meus pensamentos acerca destas estreias cinematográficas anuais, quero revelar as minhas desilusões a redor de Clash of Titans de Louis Leterrier, um dos mais esperados do ano que se revelou mais do mesmo em termos produtivos, e mesmo sendo um êxito de bilheteira, tal facto não quer insinuar que a opinião de muitos abatem sobre o senso ou julgamento comum da fita. O caso mais desastroso foi Transformers – Revenge of the Fallen de Michael Bay, condenado a ser chamado de mega-êxito e ao mesmo tempo de “aquela banhada cinematográfica” a todos os níveis. Procura-se pessoas que saibam contar histórias, dirigir actores e equilibrar efeitos visuais, os blockbusters podem ser mais que meros pipoqueiros, ou espectáculos de pirotecnia, conseguem ser culto, vejamos o caso de The Dark Knight de Christopher Nolan.
O sucesso de Millennium deriva obviamente da sua matéria-prima literária que aos poucos alcançou conquistar o Mundo e fazer deles num dos melhores thrillers literários de sempre, resumido em três livros que seguem a vertiginosa aventura entre da hacker Lisbeth Salander e do veterano jornalista, Mikael Blomkvist, assimilados no seio de uma corrupção á escala nacional. O seu público é obviamente mais adulto que as eventuais febres literárias, nomeadamente Harry Potter e Twilight, que ao contrario destes revelam uma madureza na escrita por parte de Stieg Larsson, que infelizmente faleceu antes do primeiro livro ser publicado. Millennium teve assim, potencial para integrar num bem sucedida saga cinematográfica, felizmente os suecos anteciparam aos americanos que deram a conhecer ao Mundo em geral o ambiente natural das personagens do imaginário de Larsson, tal como aconteceu com Millennium part 1 – Men Who Hate Women, que consistiu num êxito na Suécia e alguns outros cantos da Terra. Mas estaria Portugal disposto a aceitar este sucesso? No nosso país estreou no dia 24 de Setembro caindo logo na 12ª posição no box-office nacional, nada mau para um produto vitima de uma certa ignorância por parte das nossas distribuidoras, o DVD que estreou no inicio deste mês tem vendido bem, claro não em proporções industriais, mas comporta-se dignamente ao lado de um District 9 ou até mesmos a outros grandes blockbusters, dando a conhecer ao nosso mercado nacional que existe fãs sustentáveis a este “vicio”literário, e por estas e por outras eis que estreia nos nossos cinemas a segunda parte da trilogia que de inicio estava programada para integrar uma série televisiva. Infelizmente não existiu qualquer tipo de propaganda a esta obra, revelando um desleixo total das distribuidoras em conquistar novos espectadores á fita, ao invés disso anunciam Dear John, baseado num romance de Nicholas Spark, como um acontecimento cinematográfico da semana. Toda a gente sabe quem vencerá nesta luta directa nas bilheteiras, sendo que a língua sueca afasta muitos espectadores preconceituosos, mas revelo que senti surpreendido pela sala semi-cheia nos cinemas Zon Lusomundo do Alvaláxia, tendo já assistido a blockbusters com menos publico, a verdade é que os fãs estão presentes, não se ouvem com histeria como os estereótipos seguidores da Twilight Saga, essa mina de ouro da Zon, mas façam ouvir face a tantas estreias americanas. Contudo é previsível e com as rápidas notícias de uma recriação hollywoodesca, que tais filmes terão um maior apreso no mercado cinematográfico.
No People Choice, segundo o título provém das escolhas do público, o filme Twilight vence o prémio de Melhor Filme e Taylor Lautner como Actor Revelação, isto foi sim, a opinião do público, sendo assim o meu contentamento quando festejei a vitória do filme The Hurt Locker de Kathryn Bigelow vence o Óscar de Melhor Filme, uma obra bélica de baixo orçamento e de baixo rendimento. A minha felicidade quando vi Bigelow a receber a estatueta alguns minutos após de ter vencido a categoria de Melhor Realizador (um memorável dia da Mulher para a realizadora), não foi pelo facto de ter se feito justiça no que requer á qualidade cinematográfica, mas por contrariar os próprios parâmetros da Academia. Os vencedores da mais respeitosa gala de cinema são motivados pelo marketing e pelas influencias culturais e sociais do ano, no caso do Melhor Filme segundo os Óscares, o distinguido era na maior parte dos casos o mais rentável a nível de bilheteira, ou seja uma forma de consolidar com o publico em questão, todavia não só The Hurt Locker foi o filme menos vistos dos dez nomeados á estatueta como também competia directamente com um gigante, um colosso de nome Avatar de James Cameron (ex-marido de Kathryn) que já fez pelo mundo fora cerca de 2 biliões de dólares de rendimento. Sem querer desfazer da qualidade de Avatar, um blockbuster rico no visual e pobre na estrutura dramática e narrativa, era nas eventualidades o favorito do Grande Publico, a academia acabou por contrariar o “filme do povo” e galardoou o esquecido do mesmo, aquele que só foi apoiado pela crítica e rejeitado pelas audiências de rendimento. Porém é obvio que o desapontamento dos mesmos pela escolha da Academia está a provocar uma espécie de campanha negra, subvalorização de The Hurt Locker, mesmo por aqueles que não o viram sequer, contudo esse “sindroma de pós-Óscar” é natural, é sim, cínico, mas natural e presente em quase todos os anos. The Hurt Locker é em suma um filme que o espectador necessita de ver para abrir horizontes e não no caso do Avatar, a obra que todos querem ver.
È serviço publico exibir o clássico de Giuseppe Tornatore, Nouvo Cinema Paradiso, nas televisões generalistas públicas, o que não é serviço público é corta-lo a 30 minutos do final. Foi tal facto que aconteceu com o filme exibido às 14 horas na RTP 2, em pleno feriado. Enquanto se discute pela internet fora e não só, a “duvidosa” qualidade de New Moon, atentados cinematográficos como este acontecem diariamente. Porém, apesar deste mau senso de cinema que a RTP 2 exibiu, é de louvar que um filme de 1988, vencedor do Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, que fez com que muitos sujeitos “amassem” realmente o cinema e não vê-lo como um sempre pretexto para pipocas seja concorrido em “horas decentes” com as apostas “cinematográficas” doutros canais. Novamente a SIC e a TVI decidiram exibir algumas comédias dignas de Domingo á tarde, se me estão a entender. O terceiro canal aposta no “fraquito” Beverly Hills Ninja de Dennis Dugan (muito antes de dirigir Zohan), aceitável para “rir” no café local, e a TVI volta a repetir Home Alone 2 – Sozinho em Casa 2, é eficaz, mas a verdade é quem é que ainda não o filme que celebrou Macaulay Carson Culkin. Meus amigos é esta a televisão que temos, ou será que merecemos?
E estava eu na Quinta-Feira, dia 26 de Novembro às 00:15, numa sessão especial do filme da moda, New Moon, nos Cinemas Medeia no Monumental. Não porque estava ansioso pelo filme, se seguirem este blog de perto saberão a minha opinião acerca deste fenómeno Twilight e a minha critica acerca do antecessor, porém e para ser sincero estava ali com duas amigas especiais que se encontravam em pulgas para este filme, a minha surpresa foi leva-las ao cinema mais cedo que julgavam. A minha escolha pelos cinemas Medeia, derivou-se muito á minha “traumatizante” experiencia passada, quando por erro, ou talvez por ignorância decidi visualizar Crepúsculo nos cinemas Zon Lusomundo, numa sala cheia de adolescentes que não conseguiam conter as suas hormonas. Nos Medeias o publico é outro, mas não é por isso que me esquivei dos eventuais comentários e suspiros das espectadoras e não só, quando Tayler Lautner tira pela primeira vez a sua camisola e exibe o trabalho que teve em conseguir manter o seu contrato. Foram duas horas do mais banal, piegas e novelesca trama adolescente num filme, o qual me fez questionar o que realmente se passa com o Mundo e com Portugal. Quem não se lembra de no final do mês de Outubro, o qual ainda faltava cerca de 30 dias para a estreia, o espectador comum ter a possibilidade de já reservar o seu bilhete. Mas porquê? Por ser New Moon? Pelas distribuidoras aproveitarem desta situação de histeria? Será que não poderão fazer o mesmo para Avatar de James Cameron ou Antichrist de Lars Von Trier? São perguntas sem resposta, do porquê de um tratamento tão diferente de um filme tão banal como este New Moon. Não contra o seu êxito, entendo que existe alguém que goste, sim eu sei, milhões de adolescentes que sonham conhecer Taylor Lautner ou Robert Pattinson, mas poderão chamar-me comunista á vontade, mas não seria correcto todos os filmes terem o mesmo direito?
De arma punhada, de cavalo montado, armadura que cintila ao contacto com luz de um Sol vivo que anseia pela morte na arena, são essas os caracteres de um épico, aquele género cinematográfico ditamente Hollywoodesco, onde não seja por algumas horas somos obrigados a regressar aos tempos da Idade Média, onde a justiça fazia-se com a “ponta da espada”. O épico é no geral algo muito dispendioso, os trajes, as reconstituições, os animais e mais alguns adereços quase levaram Hollywood á banca rota no passado, porém enquanto assistimos a uma era de facilitismos, onde CGI são quase soluções fáceis, enquanto uns “gritam” com aquilo que apelidam a “Morte do Cinema”, filmes como 300, Beowulf ou o próximo Clash of Titans são produzidos e facilmente catalogados de épicos. O que aconteceu? Será que o verdadeiro épico morreu quando a Fox decidiu com tamanhos cortes, reduzir o “grandioso” Kingdom of Heaven de 2005, numa proximidade que nem o próprio realizador, Ridley Scott, o reconhece? Será que foi na altura em que Alexander de Oliver Stone foi “apedrejado” pelos críticos e publico em 2004? Enquanto épico antigamente transmitia suor de toda a produção, hoje apenas revela-se em algo tão banal, tão pipoqueiro e tão … artificial, que não conseguimos de todo apelidar tais obras de Épico. Vejamos por exemplo, o curto espaço em que Clash of the Titans foi rodado.
Este fim-de-semana revi King Kong, o original clássico de 1933 (critica em breve), um magnífico filme cujo os efeitos especiais da época marcaram o Mundo e a história desesperada de uma besta e de uma bela fez encantar todos aqueles que o viram no cinema. King Kong é um dos mais poderosos filmes dos anos 30, porém mesmo tendo “adorado” a sua visualização, a obra de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack não é superior (desculpem a heresia) á revisão de Peter Jackson em 2005, não refiro isto pelos efeitos especiais, nem pela noção mais acentuada de aventura dada pelo realizador de O Senhor dos Anéis, mas sim pela ousadia de transcrever um amor impossível, em que a “bela” ao invés de resistir á força obsessiva de Kong, se cede ao seu amor “animal” convertendo-se numa das mais conversões do clássico conto de “A Bela e o Monstro”. Um dos mais belos Amores Impossíveis do cinema.
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Adquiri o DVD de The Spirit, a adaptação de Frank Miller á notável BD de Will Eisner. Utilizando as técnicas de pano verde como havia feito em Sin City, Frank Miller’s The Spirit tornou-se num invejável objecto técnico, contudo a sua estreia foi pouco feliz, as criticas negativas correram mundo, os fãs de The Spirit como de Frank Miller odiaram e o próprio autor prometeu nunca mais voltar á cadeira de realizador. Tais controvérsias foram confirmadas por mim quando assisti ao filme na sala de cinema, com meses de atraso em Portugal (como sempre). Era dos mais esperados do ano, mas tal anseio tornou-se numa desilusão profunda quando vi o vazio a dar lugar a um pretensiosismo técnico de fazer corar. Porém atingiu em mim um sentimento de revolta e ao adquirir o DVD, dei por mim assistindo o filme na esperança de visualizar algo que nunca vira na primeira vez, algo que confirma-se que The Spirit era a obra de culto que tanto ansiava. Não foi isso que consegui, mas notei alguns aspectos que fazem com que o filme de Miller não seja tão mau como dizem, ou como quero acreditar.
Miller é Miller. Frank Miller não é um caloiro vindo dos videoclipps, não, mas sim um inovador autor de BD que conhece tão bem a arte como ninguém. O seu grande erro foi ter “conduzido” um filme sozinho, já que a experiencia de Miller em Sin City ao lado de Robert Rodriguez não foi a suficiente. Por vezes os autores falham!
Existiu paixão. Dedicação, amor ou conhecimento é coisa rara no cinema mainstream americano, The Spirit tem tudo disso, o conhecimento de Miller, o amor dele e da equipa e dedicação de todos os envolvidos. Mas afinal o que falhou?
O esforço de Match. Não sendo um nome conhecido, nem sequer como cara, o actor Gabriel Macht esforçou em encarnar o vigilante de gravata vermelha. O visual dado para este The Spirit da nova geração é tão inovador como o Batman tratado por Tim Burton.
Um elenco feminino invejável. Paz Vega, Scarlett Johansson, Eva Mendes, Jaime King, Stana Katic e Sarah Paulson, que mais é que um homem pode desejar.
Samuel L. Jackson, o centro das atenções. Não é o exemplo perfeito de uma filmografia imaculada, mas as suas aparições dão uma certa vida aos filmes, verdade seja dita, o homem é quase um deus, mesmo a personagem não ser das melhores.
Essência da BD. Temos comédia digna dos anos 30, própria da BD, desejo adulto que é uma das referências do universo The Spirit e um pouco de drama intrínseco, que mesmo que falhado, tem um esforço em ser traduzido como poético.
Um visual estonteante. Pode assemelhar Sin City, mas quem não gostou desse visual. Incluindo a voz off do protagonista em narrar os seus pensamentos e preocupações, eis as duas marcas do homem que se encontra na cadeira de realizador.
O argumento de Super-Heroi. Nos dias de hoje queremos acreditar que os heróis da nossa infância têm missões larger than life, cada vez mais reflectores dos nossos problemas sociais como Iron Man e Batman. Uma história digna deste universo fantástico com elementos de mesma categoria e a velha canção “dominar o Mundo”, fizeram com que Superman no seu regresso em 2006 fosse bastante ignorado. Como adaptação de uma BD dos anos 30, da mesma altura de Superman e Batman, The Spirit tem uma história á sua altura, o problema foi quando tenta ser sério.
Um toque noir. Quem conhece este subgénero cinematográfico sabe do que estou a falar. Cidades sujas, damas fatais, detectives privados, crime organizado e conspirações citadinas são o “pão” de cada dia em Central City.
Antes de ter vencido o Óscar, Slumdog Millionaire conquistava o público, que cada vez alegava estar perante no merecedor á estatueta, um filme incrivelmente emocional e inspirador. O mais estranho é que depois de o “arrecadar”, o filme de Danny Boyle parece sofrer uma síndrome bem comum nestes casos que é da subestimação entre o publico. Tal factor o qual No Country For Old Men (irmãos Coen – 2007), Titanic (James Cameron – 1997) e The Lord of the Rings (Peter Jackson – 2003) sofrem neste momento dia-a-dia. Primeiro de tudo não estou aqui a aclamar que Slumdog Millionaire foi a melhor peça cinematográfica do ano, nada disso, aliás considero um belo drama com toques do cinema Bollywood cujos defeitos estão á asita de cada um, um embaraço linguístico, um roteiro usual e uma narrativa sem espinhas, mas defendo que foi o mais merecido vencedor da Gala. Porquê? Porque nem sempre o melhor filme vence o Óscar, toda a gente sabe disso. Em 1994, Forrest Gump venceu a estatueta a Pulp Fiction e The Shawshank Redemption, quatro anos depois Shakespeare in Love vence Saving the Private Ryan e até 2006, The Departed ganha o Óscar enquanto Letters From Iwo Jima e Babel encontrava-se entre os nomeados (isso foi porque a Academia necessitava urgentemente reconciliar com Martin Scorsese). Não é a Academia que decide se um filme é um clássico ou não, nem o melhor do ano, isso é relativo, agora um filme cujo elenco é indiano, rodado na Índia e com uma grande parte dos diálogos feitos pela língua nativa, uma obra que poderia nunca ser feita devido a problemas na produção como no financiamento, Danny Boyle ser um autor inglês ao lado de Loveleen Tandan, uma indiana conhecida da cinematográfica bollywoodesca, o qual o filme tem as suas raízes. Se isto tudo não é motivo para uma homenagem, até não sei ao certo o que é. A Academia está cada vez mais multi-cultural, este “slumdog” é a prova disso, agora tenho a ideia de que o favorito (e obra-prima, apesar de tudo), The Curious Case of Benjamin Button tivesse vencido a mesma categoria, tal impacto não causaria. Já agora esquecem a campanha negra dos críticos do Publico e toda a controvérsia envolto, não merecem que ralemos com essas futilidades.
Para além de cinéfilos, temos que ser humanos e compreensivos!
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The Curious Case of Benjamin Button (2008)
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