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22.2.12

Algures num hotel mais próximo!

 

Em Suicide Virgins revelou-se, em Lost in Translation caiu no estado de graça, em Marie Antoinette ridicularizou o contexto histórico e agora em Somewhere – Algures colecciona as memórias de infância para transporta-nos para um filme pseudo-autobiográfico, cujo clímax é praticamente inexistente. Sofia Coppola, filha do célebre realizador Francis Ford Coppola (The Godfather, Apocalypse Now), já apontada como uma sucessora do talento do seu pai, viveu a sua juventude dividida entre hotéis, vida essa, similar a tantos outros herdeiros de personalidades célebres.

 

 

A autora filma o hotel de Chateau Marmont como realmente estivesse a concretizar um filme caseiro, se não por menos, sendo que esta revela ter passado grande parte da infância nesse “mundo”. Em Somewhere obtemos a sensação de que nada acontece, nada se aflige nem concretiza, mas apresenta-se como um modo de redenção do actor Stephen Dorff ao cinema de autor, aqui iluminado pela habitual melancolia de Sofia Coppola, e de Elle Fanning que se revela num talento igual ou maior que da sua irmã Dakota.

 

 

Para além de visualizar a solitária e planeada vida dos grandes actores de Hollywood em diferentes ângulos, Somewhere pode muito bem cair na inutilidade de conteúdo e a narrativa pretensiosa e lenta, por vezes sem aparente funcionalidade para com a historia, a torna esta experiência independente em algo que apenas destaca a realizadora por detrás das camaras mas nunca como a autora o qual fora catalogada. Sofia Coppola filma as suas memórias, mas não a sua alma!

 

Real.: Sofia Coppola / Int.: Stephen Dorff, Elle Fanning, Chris Pontius, Michelle Monaghan

 

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Lost In Translation (2003)

Marie Antoinette (2006)

5/10
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publicado por Hugo Gomes às 00:35
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21.2.12
21.2.12

Lutadores de Sangue!

 

A história é simples, dois irmãos separados pelo destino acidentalmente se encontram num ringue de MMA (mixed martial arts), em competição para o título. Cada um possui um motivo diferente para combater, mas ambos concorrem pelas mesmas razões. O espectador poderá assim durante a narrativa eleger o favorito nesta corrida ao título e desfrutar cada momento do torneio até chegar ao previsível desfecho, mas assim encerrado com toda a glória para ambos os personagens. De um lado temos Tom Hardy, a exibir uma destreza física que certamente não desapontará na escolha como o futuro némesis (Bane) de Batman em The Dark Knight Rises, o actor torna-se assim no personagem mais carismático do confronto, mas do outro, Joel Edgerton apresenta-nos um causa mais nobre e dramática.

 

 

Ninguém nega que os desportos de luta continuam a originar grande matéria dramática para filmes de eleição, Warrior, descendente directo do The Fighter de David O’Russell, estreado entre nós ano passado, é um exemplo disso. Uma fibra cinematográfica que compõe uma carga dramática avassaladora, porém e por infelicidade da mesma, cede á previsibilidade do simples produto hollywoodesco. Todavia o que de monótono podemos encontrar na nova fita de Gavin O’Hood é compensada por um profissionalismo de rigor que vão desde os actores (Nick Nolte a demonstrar que a nomeação ao Óscar não é em vão) até às coreografias das lutas que nos deixam sem respiração e que atingem um climax comovente.

 

 

Warrior é assim, uma fita imperdível sobre desportos de luta, mas acima de tudo um drama intenso, todavia de desfecho previsível. Depois do excelente Pride and Glory (2008), Gavin O’Connor volta a retractar a disputa entre irmãos, desta vez com mais energia.

 

Real.: Gavin O’Connor / Int.: Tom Hardy, Joel Edgerton, Nick Nolte

 

 

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The Fighter (2010)

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:43
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Assassinos de segunda!

 

Richard Gere esteve ligado a policiais de grande êxito como The Jackal (Michael Caton-Jones, 1997), ao lado de Bruce Willis e Primal Fear (Gregory Hoblit, 1996) com Edward Norton, contudo nos dias de hoje parece estar reduzido a um dito catálogo de produções inferiores, ou por outras palavras como se pode descrever este The Double, fitas domingueiras. O Espião Fantasma, titulo traduzido, é a história de um agente da CIA que persegue um assassino da antiga União Soviética que dá sinais de vida após anos de desaparecimento. No centro da intriga temos assim um Richard Gere a desempenhar uma dualidade enferrujada, enquanto o seu parceiro, Topher Grace, se complemente sem química alguma com a história envolto.

 

 

Dirigido por Michael Brandt, sua estreia como realizador sendo que desempenhou trabalhos como argumentista em fitas como Wanted e 3:10 to Yuma, revela demasiado sendo os seus twists, o que poderia funcionar nesta historia revista e mais que vista um trunfo, porém conduzindo para que a previsibilidade se transforma em aborrecimento onde as surpresas dissipam onde deveriam surgir.

 

 

O resultado da antecipação é um final mal explicado e rebuscado para com a narrativa. Gere torna-se assim na única personagem de interesse face a um catalogo descartável de mesmas. Sem muito para dizer, The Double conta ainda com as prestações de Martin Sheen e Odette Yustman. Domingo á tarde é o seu destino!

 

Real.: Michael Brandt / Int.: Richard Gere, Topher Grace, Martin Sheen, Odette Yustman

 

 

4/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:25
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21.2.12

 

Claustrofobia e sobrevivência!

 

Imaginem-se na seguinte situação, de repente despertam dentro de um caixão de madeira, subterrado, chantageado por um terrorista, o oxigénio é cada vez mais escasso e os únicos pertences são um isqueiro, uma lanterna e um telemóvel com menos de metade da bateria. Situação desesperante é esta em que Buried se envolve.

 

 

A fita de Rodrigo Cortés é um típico “one actor movie” em que nos apresenta um Ryan Reynolds esforçado, porém, e por infelicidade nossa, não muito profundo como se devia. Mesmo assim, é a claustrofóbica realização que toma conta de um filme provocador e com classe na entrega do suspense, daqueles que deixaria Alfred Hitchcock orgulhoso. Em Buried ainda se sente um certo toque de criticismo face às burocracias dos norte-americanos nas suas situações com reféns no Médio Oriente, mas Cortés o disfarça com uma pretensão fiel á sua limitação de espaço e esquiva dos piores do autor, um dos exemplos é o uso de flashbacks, completamente dispensado aqui, para dar lugar a um exercício impressionante de terror com doses generosas de humanidade.

 

 

O final, mesmo que previsível até certo ponto, torna-se num desespero sem fim até ao último minuto com Reynolds a demonstrar as suas capacidades de actor (sua melhor prestação), contornando o seu ego e explodindo de emoções no último "on the record", mesmo que, como já havia referido, este torna-se no pior elemento da fita, porque não entrega equilibradamente em toda a narrativa. Não sendo um grande filme, Rodrigo Cortés traz aqui um excelente motivo de celebração do thriller e do exercício cinematográfico. Estamos gratos!

 

Real.: Rodrigo Cortés / Int.: Ryan Reynolds, José Luis García Pérez, Robert Paterson

 

 

7/10
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publicado por Hugo Gomes às 20:54
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5.2.12

De novo os confrontos entre imortais …

 

Kate Beckinsale volta a vestir o seu longo fato de cabedal, coloca as suas chamativas lentes azuis e muita maquilhagem para novamente protagonizar um novo capítulo da série Underworld. A fasquia iniciada em 2003 pelas mãos do seu actual marido, Len Wiseman conseguiu render 100 milhões de dólares em bilheteiras de todo o mundo mas ficou notável pelo seu êxito em vendas de cópias de DVDs. Desta feita a obra acaba de cair nas mãos da dupla sueca Mans Marlind e Bjorn Stein, que após terem trabalhado com Julianne Moore no thriller de terror, Shelter (2010), decidem confrontar-se com a guerra entre vampiros e lobisomens que dura há 9 anos em 4 filmes (ao contrario destes que narram que o conflito tem séculos de existência), dando um pouco de proveito da febre das criaturas sanguinárias (lideradas pela nova vaga de Twilight) e da tecnologia 3D.

 

 

Underworld – Awakening tem tudo o que esperávamos de um anti-óscares, digo isto pela época da sua estreia nas salas de cinema em confronto directo com premiadas e prestigiadas obras de ficção. A fita é leve, sem grandes cargas dramáticas, mesmo que aqui a personagem de Beckinsale perde as suas ligações com a fria mulher de armas do original de 2003, dando lugar a umas quantas cenas bacocas e diálogos deslocados e rebuscados. A narrativa empresta-se aos efeitos visuais e o argumento dissolva-se por entre personagens secundárias e outras sem propósitos e pela decepção do desfecho, que não apenas oferece meios para continuações mas como é inenarrável.

 

 

Longe da surpresa do original de 2003, que servia como certa homenagem aos efeitos visuais práticos (para além de ser um dos meus guilty pleasures) ou pelo esforço trazido na segunda e terceira estância, Awakening é talvez o pior de toda a saga do momento, mas vale pelo regresso da actriz principal e pelo visual que continua ao nível dos anteriores. Todavia é uma sequela sem muito para dizer, aliás falta-lhe interesse na sua intriga, o qual tenta puxar demasiado a corda que poderia apenas ter ficado por uma trilogia. Conta-se ainda com as prestações apagadas de Charles Dance, Stephen Rea e Michael Ealy.

 

Real.: Mans Marlind, Bjorn Stein / Int.: Kate Beckinsale, Scott Speedman, Charles Dance, Stephen Rea, Michael Ealy

 

 

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Underworld (2003)

Underworld – Evolution (2005)

Underworld - Rise of the Lycans (2008)

4/10
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publicado por Hugo Gomes às 01:47
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3.2.12

Reinvenção = remake com qualidade!

 

Ao assistir em 2009 á belíssima peça de thriller que foi Millennium de Niels Arden Oplev, a adaptação do best-seller de Stieg Larsson, a ideia de um remake norte-americano já era de inicio uma ideia previsível e que por si já não merecia qualquer indignação, mas por um lado, tendo em conta o rico material encontrada no universo de Larsson, a violência e a desumanidade por baixo das camadas de civismo, imaginávamos um realizador do potencial de um David Fincher ser o homem perfeito para o readaptar para a língua inglesa. E é com obras como Se7en – Sete Pecados Mortais ou até mesmo o subestimado Zodiac que especulamos a alma negra do remake, ou contrariamente a este pensamento o vimos como um dos mais esperados filmes do final de ano. Millennium é também uma história digna de Fincher, e essa compatibilidade nos oferece assim uma versão mais fiel, mais humana e obviamente mais comercial, perdendo com isso, face á variação nativa, a sua sinistralidade.

 

 

Não quero entrar aqui em comparações entre as duas sagas, a completa sueca e a iniciada hollywoodesca, mas nada disso funcionaria se o foco de atenção não fosse Rooney Mara, a actriz o qual David Fincher ficou fascinado no seu The Social Network, tem aqui o papel da forte personalidade feminina Lisbeth Salander, anteriormente interpretado por Noomi Rapace. A variação de Mara é porém mais frágil e em certos pontos mais tocantes, sem querendo com isto salientar qual das duas interpretações é a melhor. A sua química com a personagem Mikael Blomkvist, aqui desempenhada com Daniel Craig, é bem trabalhada, e nota-se mais cumplicidade entre os dois, talvez um dos pontos mais fracos do original de Stieg Larsson. Outros destaques a nível interpretativo estão Christopher Plummer e um arrepiante Stellan Skarsgard.

 

 

David Fincher com o auxílio do magnífico argumento Steve Zaillian, conseguem atingir alguns tópicos que fortalecem o remake, um deles é a relação amorosa de Blomkvist com a sua co-editora da revista Millennium (Robin Wright), em consequência disso consegue um resultado perfeito no desfecho da fita, aliás um pouco diferente da história narrada na obra de Niels Arden Oplev. O argumento ainda se libertou em diferenciar e um pouco da matéria-prima em diferentes aspectos, dando um rumo diferente á historia, mas igualmente idêntica a mesma no que requer ao destino.

 

 

Em Millennium 1 – The Girl with the Dragon Tatoo somos “bombardeados” com a magnificência técnica o qual já estamos habituados na obra de Fincher, quer pela fotografia, pela banda sonora, ou com a criatividade dos créditos iniciais ao som de um cover da Immigrant Song dos Led Zepelin, interpretada por Trent Reznor e Atticus Ross. David Fincher prova ser assim o homem indicado para converter a trilogia sueca num thriller pleno de ingredientes hollywoodescos e o faz com tamanha consideração, sendo que a acção decorre novamente na Suécia e não readaptou para terras do tio Sam. Até parece que Steig Larsson foi feito para Fincher.

 

Real.: David Fincher / Int.: Daniel Craig, Rooney Mara, Robin Wright, Stellan Skarsgard, Christopher Plummer

 

 

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Millennium 1 – Men That Hated Women (2009)

9/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:58
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Cage de novo em Nova Orleães!

 

Depois de sua mulher ser assaltada e agredida, cegado pela raiva e sede de vingança, Will Gerard (Nicolas Cage) alia-se a um grupo de vigilantes para cometer retaliação. O problema é que depois deste acto, Will fica em divida para com esta obscura organização, e um favor é pedido em troca, porém o nosso herói recusa faze-lo e é perseguido por aqueles que um dia o protegeram.

 

 

Seeking Justice do competente Roger Donaldson (The Bank Job, Italian Job) parece ser o seu pior filme, trata-se de uma intriga deveras interessante, mas cheio de inverosimilhanças, retratada da forma mais rotineira possível como qualquer obra de acção direct-to-video. O realizador tinha ainda a seu dispor um trio de actores de nome (Nicolas Cage, Guy Pearce, January Jones), mas tudo o que eles dão é apenas um desleixo, January Jones não tem carisma nem química com Cage, que por sua vez o encontramos na sua versão mais exagerada (de novo o seu corte de cabelo é motivo de atenção) e Guy Pearce de novo a dar-nos a sensação de que passou ao lado de uma grande carreira.

 

 

Todavia, Donaldson é eficiente na transição das sequências de acção e consegue devolver algum ritmo a um filme tão bocejante, ficaria talvez mais cativante se fosse uma fita desempenhada por Jason Statham, que nesta altura do campeonato parece estar anexado a qualquer tipo de produção do género. Para ver e esquecer no mesmo dia!

 

Real.: Roger Donaldson / Int.: Nicolas Cage, Guy Pearce , January Jones

 

 

4/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:46
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28.1.12

L' Apollonide (Souvenirs de la maison close)(2011)

 

 

Casa da tolerância!

 

Do realizador de Tiressia (2003), Bertrand Bonello concretiza assim este relato narrativo de um bordel na transição do século XIX e XX, no seu auge até à sua última noite de “vida”, em que o ultimo acto demonstra um cinismo extravagante e fetichista. Apollonide é um objecto de fascínio que nos revela uma natureza sedutora porém algo bizarra, mas quase pedagógica no que requer a explicitar o funcionamento de tais casas de prazer. Bonello contou ao seu dispor um leque de actrizes sensuais e bem familiarizadas com a câmara, sem medo do pudor face às sequências que se seguem (nada mais explicito que puro softcore), o autor consegue invocar a sensualidade sob os seus cenários barrocos e em certa altura tal como magnifico Venus Noir de Abdellatif Kechiche, presentear com a veneração do grotesco. Uma obra interessante no requerimento visual e cénico, que suscita fascinação. Infelizmente torna-se algo anoréctico em termos de ênfase dramática e cede ao cariz artístico na proximidade do final. Um filme que aufere alguma dignidade á profissão mais velha do Mundo. L’ Apollonide encontrou-se em competição no último Festival de Cannes.

 

Real.: Bertrand Bonello / Int.: Hafsia Herzi, Céline Sallette, Jasmine Trinca

7/10

 

Streetdance 3D (2010)

 

Step Up da hora do chá!

 

Eis a resposta britânica ao sucesso de Step Up, Streetdance é um festim em 3D das marginais coreografias de dança que ao contrario do seu primo norte-americano, possui ao seu dispor um nome prestigiado na produção, a Charlotte Rampling, uma professora de uma academia de ballet que encontrou nas danças de rua a solução para restauração do aureolo da escola. Streetdance é constituído por todos os lugares-comuns dos filmes de dança e ainda por clichés típicos do puro íntegro hollywoodesco, não existe nada de audaz ou ousado na produção. Porém encontra-se uns pontos acima do rival norte-americano graças a uma construção mais convincente da sua trama, mas tal como o seu congénere é bastante vazio e oco em personagens, contudo é menos espectacular no próprio campo de jogo; as danças. Tem ainda um 3D desnecessário o qual se pode salientar como atractivo para os vibrantes da arte da dança Freestyle. Típico produto adolescente!

 

Real.: Max Giwa, Dania Pasquini / Int.: Charlotte Rampling, Nichola Burley, Richard Winsor

4/10

City Island (2009)

 

As mentiras têm perna curta!

 

A “brincadeira” desta fita de Raymound De Felitta (Two Family House) encontra-se nas mentiras e peripécias que cede se transformam num caos cómico sob a capa de um drama familiar. City Island apresenta-nos os Rizzos, uma família intrinsecamente afastada, o qual não partilham as suas inspirações e segredos. No centro desta família está Vince (Andy Garcia) um guarda prisional que descobre o seu filho perdido no estabelecimento em que trabalha, este o acolhe e leva-o para casa, mas esconde a sua identidade á sua família e a este. Do outro campo temos Joyce (Juliana Margulies), mulher de Vince, que pensa que o seu marido tem um caso amoroso, porém este frequenta aulas de representação. Vivian (Dominik Garcia-Lorido) convence os pais que é uma estudante universitária, mas esta foi expulsa e trabalha como uma stripper num bar nocturno e para finalizar, o membro mais novo dos Rizzos, Vinnie Jr. (Ezra Miller) tem um fetiche sexual que esconde de tudo e de todos. Como podem ver, City Island reúne uma intriga algo rebuscada, de uma certa veia cómica negra, mas que resulta numa peça hilariante e igualmente cativante e emocionante. Não apenas pelas peças da teia de mentiras se juntarem de forma simbiótica e o clímax ser mortífero, mas pelos actores serem convincentes e profissionais. Andy Garcia está de parabéns, mas por um lado é triste saber que o actor de The Godfather III e de Havana parece ser limitado ao mesmo estereotipo de personagem.

 

Real.: Raymound De Felitta / Int.: Andy Garcia, Julianna Margulies, Steven Strait, Emily Mortimer, Alan Arkin, Dominik Garcia-Lorido, Ezra Miller

7/10

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publicado por Hugo Gomes às 20:29
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27.1.12

Independente com quatro “M”!

 

Atormentada por dolorosas memórias, Martha (Elizabeth Olsen) tenta integrar-se na sua família após ter fugido de uma seita que acreditava na vida selvagem e independente do ser humana e com obvias dominações masculinas.

 

 

Eis uma das revelações que o cinema indie norte-americano nos ofereceu este ano, Martha Marcy May Marlene nos proporciona como um thriller porém com um registo narrativo digno do drama que nos celebra com um ambiente forte e atmosfericamente inseguro que contagiará de certo o espectador, mesmo que nada de extraordinário e precioso para a história decorra no grande ecrã.

 

 

A intriga envolve o tormento que combina o culto da emancipação do ser humano da era moderna como também um clara dominação do homem sobre a mulher, tudo isto em feito de alusão às alcateias, onde podemos até assistir á influencia do macho dominante ou alfa, interpretado por um sinistro John Hawkes. Todavia a grande revelação da fita de Sean Durkin é mesmo Elizabeth Olsen, a irmã mais nova das gémeas Olsen, e talvez a talentosa da família, que aqui presta serviço ao próprio ambiente em desempenhar uma personagem tão ao mais insegura que a atmosfera que transborda.

 

 

 

Contudo o espectador não consegue de todo demonstrar simpatia pela protagonista, mas quanto a este produto independente, a conversa é outra mesmo que este envolve mais mistérios do que aqueles que propriamente resolve. Interessante e bem interpretado!

 

Real.: Sean Durkin / Int.: Elizabeth Olsen, John Hawkes, Brady Corbet, Hugh Dancy

 

 

7/10
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publicado por Hugo Gomes às 00:05
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26.1.12

The Change-Up (2011)

 

O Big em versão maiores de 16!

 

O tema de troca de corpos é quase um poço sem fundo em termos de ideias e utilização, principalmente no género de comédia, onde o qual este The Change-Up do realizador David Dobkin (The Wedding Crashers) não foge á regra. A premissa é simples; dois amigos inseparáveis de infância cujas vidas são diferentemente opostas, um é casado e pai de filhos o outro um solteirão sem responsabilidades e sem futuro á vista, que após uma noite de bebedeira e ter soado alto e em bom som a inveja pela vida de cada um, acordam no dia seguinte, bizarramente de corpo trocado. The Change-Up é uma comédia adulta, um quanto ordinária e ousada que consegue causar bons momentos de comédia, se não fosse também ser um projecto liderado por duas estrelas de talento no ramo (Jason Bateman e Ryan Reynolds) e um realizador habituado e experiente nestas andanças. Porém a ideia, que não é nova, torna-se previsível e com aquele sabor de déjà vu prolongado, mas o pior vêm mesmo depois, quando o estado de graça dá lugar a um drama moralista, fantasioso e por vezes lamechas. É um filme desequilibrado e insatisfatório da dupla de argumentistas Jon Lucas e Scott Moore (os autores do êxito de The Hangover). Por enquanto dá para piscar os olhos com a angelical e cada vez mais ascendente na indústria cinematográfica, Olivia Wilde.

 

Real.: David Dobkin / Int.: Jason Bateman, Ryan Reynolds, Olivia Wilde, Alan Arkin

5/10

 

Friends With Benefits (2011)

 

Sexo com compromisso a final feliz!

 

Hollywood parece ter agora descoberto que afinal existe sexo sem compromissos e o ano 2011 tornou-se fértil em comédias que exploram essa temática, a começar por No Strings Attached de Ivan Reitman, que reuniu Natalie Portman e Ashton Kutcher, dois amigos que comprometem-se apenas para o sexo. O filme arrancou com uma própria crítica e ironia ao romance e todos os adereços envolto, mas depressa se tornou naquilo que sempre tentou fugir desde inicio, o mesmo erro que Friends With Benefits comete. Mascara-se de politicamente incorrecto e completamente contra a temática romântica, mas cedo cede aos seus pesadelos. Nesse termo a fita de Will Gluck se confunde a um cinismo quase alarmante, quando assistimos á uma última meia hora digna de qualquer fita domingueiras, onde o espectador fica á mercê das clichés desavenças e reconciliações do “pseudo-casal”. Mas nem tudo são más notícias; a dupla de protagonistas têm química, Mila Kunis possui presença, já Justin Timberlake as palavras são outras e ainda temos ao nosso dispor: Patricia Clarkson e Richard Jenkins a encher com algum talento o grande ecrã. Friends with Benefits não nos contagia com a sua suposta irreverência, tudo se resume a uma comédia romântica comum servida com os mais variados lugares-comuns. Não é mau de todo, mas é esquecível o suficiente. Falta alguma “pimenta” para os lados de Hollywood!

 

Real.: Will Gluck / Int.: Justin Timberlake, Mila Kunis, Patricia Clarkson, Richard Jenkins

4/10

 

 

Mr. Popper’s Penguins (2011)

 

Happy Feet versão 1.5!

 

Jim Carrey enfrentou nos anos 90 o seu boom artístico, onde o actor automaticamente ficou na lista dos mais requisitados para o género de comédia, porém no novo milénio a sua carreira enfrenta alguns altos e baixos, entre os quais o vaivém de géneros que fazia dele um actor mais completo mas que comercialmente se tornou um desperdício. É difícil ao grande público imaginar Carrey, o ex-Mascara ou Ace Ventura a recorrer a dramas (The Majestic de Frank Darabont), ficção científica (Eternal Sunshine of the Spotless Mind de Michel Gondry) e até mesmo o thriller (The Number 23 de Joel Schumacher), devido a imensas experiências filmograficas, Carrey perdeu o seu brilho no seio do público e mesmo o seu retorno á comédia, género o qual sempre esteve anexado, os resultados foram aquém das expectativas (Fun with Dick and Jane, I Love You Phillip Morris) e este Mr. Popper’s Penguins segue o mesmo caminho. As aves inaptas para o voo mais amadas do cinema são agora as co-protagonistas desta fita da autoria de Mark Waters (Mean Girls), Jim Carrey interpreta assim um homem de negócios frio, viciado no trabalho, divorciado e sem tempo para os filhos, um claro estereótipo do filme familiar, que encontra num bando de pinguins a sua redenção e a sua estima pelos outros. Sendo que os momentos mais divertidos sejam mesmo os quais os pinguins surgem sem auxilio de qualquer actor, Carrey parece desgovernado e sem carisma para uma fita com inverosimilhanças quase fantasiosas. O resto do filme é previsibilidade e bocejo, mas o grande medo é o futuro incerto que espera para o actor de The Cable Guy.

 

Real.: Mark Waters / Int.: Jim Carrey, Carla Gugino, Ophelia Lovibond

4/10

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publicado por Hugo Gomes às 23:50
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15.1.12

O espião que veio do frio!

 

Nos dias de hoje e muito por senso comum, o filme de espionagem é muitas vezes confundido como simples exercício de acção, porém longe dessa extravagância explosiva como no caso do quarto filme de Missão Impossível, ainda nos cinemas, Tinker Tailor Soldier Spy de Tomas Alfredson, acentua que nem uma luva no realismo das organizações de inteligência.

 

 

Narrado com uma classe pausada e orquestrada sob calma, A Toupeira, titulo traduzido, é a adaptação da homónima mini-série de culto dos anos 70 com a imagem de marca da BBC protagonizado por Alec Guiness que por sua vez é a conversão do conto de John le Carré, como filme é um regresso nostálgico às origens do próprio cinema de espionagem, sem gadgets, sem agentes heróicos, nem vilões megalómanos, as sequências de acção são de conteúdo mais mental e quando requerem física exploram o realismo detalhado, como no caso da emboscada de Budapeste (uma das raras sequencias que contêm tiroteios).

 

 

Alfredson, o realizador sueco de Let The Right One In, uma das melhores obras vampíricas de sempre, transmite neste “caça á toupeira” (designação dada a espiões traidores) uma frieza quase nórdica, contagiada pela melancolia narrativa a qual também o protagonista expede, um tremulo mas profissional Gary Oldman que lidera um elenco igualmente maduro e experiente, com principal destaque para Colin Firth, Mark Strong, Peter Guillam e o emocionante explosivo David Dencik.

 

 

Porém mesmo ter referido o frio narrativo, Tinker Tailor Soldier Spy também consegue executar alguma emoção, não de forma arrebatadora ou bacoca, mas camuflada em planos cautelosos e pelos desempenhos dos seus actores, nomeadamente Gary Oldman com os seus óculos fundo de garrafa torna-se a estrela de uma das mais excitantes cenas do filme enquanto simula uma conversa com Karla, o seu homologo soviético, neste sequência em particular era fácil recorrer ao amontoado de flahsbacks mas a representação do actor o torna igualmente animada e cativante. Se os louvores vão para o actor que funciona num às em termos de casting, Tomas Alfredson não deve ser ofuscado, o autor se revela num arquitecto exemplar em termos narrativos e de estrutura cinematográfica, criando em todos os momentos um mise-en-scené criativo e obscuramente sedutor. Automaticamente A Toupeira entra no top dos filmes de espionagem.

 

Real.: Tomas Alfredson / Int.: Gary Oldman, Colin Firth, Tom Hardy, John Hurt, Toby Jones, Mark Strong, Konstantin Khabenskiy, Peter Guillam, David Dencik

 

 

9/10
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publicado por Hugo Gomes às 15:09
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13.1.12

Missão Impossível – Operação Pixar para Hollywood!

 

Brad Bird dá o seu salto de catapulta da animação para a acção real, porém a mudança é devera brusca, mas não é por isso que o autor agora virado realizador não aguente a pedalada e catalisa energia explosiva a este Mission: Impossible – Ghost Protocol, o qual filme de uma das sagas mais frenéticas de sempre. De volta a Bird, o realizador deu nas vistas em 1999 com a animação, The Iron Giant, porém esquecido mas tocante para os poucos que viram esta amizade entre um rapaz e um robô alienígena. Depois do evento seguiu para os estúdios da Pixar para integrar na equipa principal, colaborou com imensas obras animadas de grande prestígio no comando de John Lasseter e entregou a espectador, duas das melhores obras do estúdio, The Incredibles (2004) e Ratatouile (2007). Decidido a experimentar o outro lado do cinema, Bird aposta repentinamente na grande produção, sendo que em Ghost Protocol, antes da sua estreia mundial, o verdadeiro atractivo era mesmo a confirmação de um autor de animação em praias que não são as suas, muito mais do que o facto de ser protagonizado por uma das estrelas mais megalómanas de Hollywood, Tom Cruise (que encarrega também da produção).

 

 

Os diferentes directores da saga sempre ofereceram aos respectivos capítulos uma marca própria, sendo que Brian DePalma em 1996 carregou a Missão: Impossível com classe noir de um explosivo filme de espiões, John Woo por sua vez deu um espectáculo pirotécnico e cheio de tiques pós-Matrix em 2000 e J.J. Abrams sob a influência da saga Bourne, que redefiniu o género de acção / espionagem, realiza em 2006 um espectáculo explosivo mas igualmente moderno e em aposta com a figura antagónica. Brad Bird pode muito bem ser os dos autores que passaram pelas missões de Ethan Hunt, o menos próprio, mas mesmo assim aprendeu a lição das inúmeras maneiras e transforma este improvável titulo de 2011 num filme de acção com um pé pesado no acelerador e bem coreografado nas sequencias. Tudo isto combinando o moderno de Abrams, a classe de DePalma e a adrenalina de Woo, juntos temos um blockbuster sedutor e hiperactivo, sem espaço de paragens, cujas emoções estão presentes em cada segundo.

 

 

O argumento poderá não ser dos melhores, visto e revisto, mas a vertente cómica que Mission: Impossible – Ghost Protocol emana, compensa tais redundâncias. Tom Cruise volta a ser um peão forte no protagonismo (de regresso como figura central das sequencias de acção, novamente sem duplos, como se pode verificar na espectacular escalada a Burj Khalifa, Dubai, o edifício mais alto do mundo), mas neste capítulo, as personagens secundárias não se ficam pela mera caricatura, aliás estas constituem como grandes pontos de atenção como Simon Pegg (o grande vertigo cómico) e até mesmo Jeremy Reener, aos poucos a tomar o lugar como futura estrela de acção. Podemos ainda contar com Michael Nyqvist (o Mikael Blomqvist da trilogia sueca Millennium, baseado nos livros de Stieg Larson) que parece ter caído em graça para desempenhar vilões do outro lado do Oceano, a ultima vez que o vimos em tal papel foi no infeliz Abduction, para finalizar destaca-se a participação de Anil Kapoor, o apresentador de televisão do galardoado Slumdog Millionaire de Danny Boyle.

 

 

Resumindo e concluindo, Brad Bird fecha uma quadrilogia com grande noção de espectáculo, num cocktail de emoções e explosões em doses industriais que consolidam o espectador com modelo de entretenimento megalómano de Hollywood. Um dos filmes de acção do ano, um dos melhores da saga.

 

Real.: Brad Bird / Int.: Tom Cruise, Paula Patton, Jeremy Reener, Simon Pegg, Michael Nyqvist, Anil Kapoor, Tom Wilkinson, Ving Rhames

 

 

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Mission Impossible (1996)

Mission Impossible II (2000)

Mission Impossible III (2006)

7/10
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publicado por Hugo Gomes às 22:57
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12.1.12
12.1.12

Drive, o filme, não confundir com o jogo!

 

Ryan Gosling conhecido apenas neste filme como The Driver (o condutor), é um duplo de cinema que opera trabalhos ilícitos como transportador. A sua vida vazia e sem sentido em breve se transforma num turbilhão de emoções quando conhece a sua vizinha Irene (Carey Mulligan) e o seu filho. Assim sendo, The Driver aprende a amar e a proteger aquilo que é lhe mais importante.

 

 

Drive, a nova fita do autor Nicolas Winding Refn, muito habituado á violência gráfica como ao peso psicológico, é uma das obras destaque de 2011 que tem vindo a surpreender e a arrecadar cada vez mais adeptos. Se baseia com uma intriga simples, muito vista e revista em inúmeros “cozinhados” de acção, como alguns exemplos interpretados por Jason Statham, mas cedo se revela como um episódio de nostalgia que nos refere Gosling como um futuro Robert DeNiro, ao desempenhar a sua personagem com eventual imprevisibilidade (vem-nos á memoria Taxi Driver).

 

 

A nostalgia encontra-se em todo o seu código genético, Nicolas Winding Refn conserva uma fórmula molecular digna dos anos 80, presente quer na banda sonora electrónica e de inserção divina, quer nos créditos, na fotografia, na narrativa e até na mesma forma de que os personagens se descrevem. O seu argumento pode bem ser o mais simples possível, mas em Drive o que nos espera é a linha que separa as figuras de acção dos humanos, e mesmo sob o contexto de violência, a obra quase nos chega como um livro de auto-ajuda.

 

 

Cruelmente belo, o autor ainda nos presenteia como um senso requintado nos seus planos e enquadramentos. No campo dos desempenhos dos actores, um magnífico leque liderado por um Gosling frio mas profissional, por uma adversa calorosa Carey Mulligan, um arrepiante Albert Brooks e Ron Perlman a reproduzir o seu papel na série Sons of Anarchy. Drive é assim, automaticamente a obra de culto de 2011.

 

Real.: Ryan Gosling, Carey Mulligan, Oscar Isaac, Albert Brooks, Ron Perlman

 

 

10/10
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publicado por Hugo Gomes às 11:54
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9.1.12

Arthur Conan Doyle na segunda reviravolta do caixão!

 

Seguindo a fórmula de sucesso de 2009, Guy Ritchie volta a centrar-se na remodelação do clássico de literatura, Sherlock Holmes, da autoria de Sir Arthur Conan Doyle. Provando uma mais a tendência de sofisticação face às historias que marcaram e muito, imensas infâncias e se converteram em marcos da literatura e até mesmo da cultura popular. Poderemos chamar-lhe de reboots ou até mesmo descaramento comercial em prol da falta de originalidade cinematográfica, porém Sherlock Holmes de Ritchie consistiu num espectáculo estilístico em que o autor britânico converte a personagem snob e genial num desastrado e ordinário ser, mas com uma capacidade intelectual divina, a juntar às suas intriga temos acção e acção com fartura, ao invés do clássico “elementar, meu caro Watson” que reverte no suspense e a calma narrativa em decifrar tais mistérios. Um pouco á semelhança daquilo que foi feito com James Bond, 007, em Casino Royale de Martin Campbell, Sherlock Holmes vive assim prosperidade comercial e a aproximação às novas gerações.

 

 

Nesta segunda estancia, o personagem mestre interpretado por Robert Downey Jr. enfrenta aquele que devemos considerar o seu nemesis, o igualmente genial professor Moriaty, o cabecilha de uma conspiração a nível global sem precedentes. Com uma premissa quase apocalíptica, Sherlock Holmes : A Game of Shadows sofre do mesmo sindroma que muitas sequelas que por aí andam; é seguro de si, pretensioso, sério e “bigger than life”. Assim sendo a fita de Guy Ritchie perde a frescura e a inovação do anterior de 2009 e torna-se numa epopeia estilística e sempre energética.

 

 

As deduções e o mistério do personagem criado por Arthur Conan Doyle são substituídos por um embrião de James Bond, onde os punhos fazem a diferença no próprio jogo intelectual. O realizador transporta assim a sua marca estilística e usa e abusa do seu gene, até tudo se converter num exagero rebuscado como a sequência em slow motion no bosque em que os nossos heróis fogem de um tiroteio furtivo, por outro lado o exagero dramático é o seu calcanhar de Aquiles.

 

 

Robert Downey Jr. oferece ao seu Sherlock Holmes um ponto de interesse, ele é desequilibrado mas engenhoso, a sua química com Jude Law na pele do sidekick Watson fortaleceu e o vilão, interpretado por Jared Harris, compõe como yin yan em relação ao nosso detective provado. Mais novas aquisições é de Stephen Fry como o boémio irmão de Holmes e Noomi Rapace, a celebre Lisbeth Salander da trilogia sueca, Millennium, é uma peça chave para a premissa, como também é a confirmação de que a actriz que brilhou nos thrillers de Stieg Larsson revela-se capaz de adaptar á indústria de Hollywood.

 

 

Se em termos interpretativos, Sherlock Holmes – A Game of Shadows não há dedo que se aponta, a nível técnico a fita de Guy Ritchie é um festim, não só pelas habituais manhas do autor no campo visual como também a elogiada banda sonora composta por Hans Zimmer, que transmite alguma classe para a narrativa. Para terminar, destaca-se uma das sequências mais brilhantes do ano, um jogo de xadrez mental entre dois colossos do intelecto, num canto, Sherlock Holmes e do outro, Moriaty.

 

 

Uma sequela inferior, demasiado pretensiosa e por vezes exagerada, mas que é composta por um elenco profissional e de uma produção exemplar. Todavia confesso e temo que este Sherlock Holmes seja cada vez mais próximo de um 007 do século XIX do que propriamente o detective privado mais celebre de que há memória.

 

Real.: Guy Ritchie / Int.: Robert Downey Jr., Jude Law, Noomi Rapace, Jared Harris, Stephen Fry, Kelly Reilly, Rachel McAdams

 

 

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Sherlock Holmes (2009)

5/10
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publicado por Hugo Gomes às 21:20
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Alice, uma mulher de armas!

 

Hollywood possui um certo fetiche por mulheres esculturais de roupas reduzidas e com um artesanal comparado com o próprio guarda-roupa (se não fosse o caso de motivo de atracção do publico masculino). A ideia deste tipo de heroína surgiu nos primórdios dos sex exploitation nos finais dos anos 60 e inícios dos 70, mas a figura solidificou com o aparecimento dos dois Aliens, onde Sigourney Weaver reconstituiu a mais lendária das mulheres de acção do cinema, Ellen Ripley. Com o passar dos anos, enquanto os filmes tornavam-se meros entretenimentos de junk food, a imagem de mulher de armas tornou-se a mais próxima da pornografia, os acessórios de vestuário eram cada menos e as medidas corporais maiores, e a sua postura interligava a frieza assassina e a indemne sensual.

 

 

Todavia os videojogos seguiam tal paralelismo, sendo a tarefa mais facilitada para o ramo cinematográfico, já que a criação de novas heroínas era reduzida, limitando a adaptar e a preencher as figuras electrónicas, como é o exemplo de Tomb Raider de Jan de Bont (Angelina Jolie no seu expoente máximo em termos de sex appeal) e Resident Evil que marca com a presença de Milla Jovovich.

 

 

Depois do desfecho do primeiro filme assinado por Paul W.S. Anderson, Resident Evil – Apocalypse, a segunda adaptação de acção real do famoso videojogo da Capcom, nos apresenta a mesma heroína, Alice (Milla Jovovich), em outro cenário mas com os mesmas armadilhas e inimigos. O vírus T se libertou da corporação Umbrella, devastado Raccoon City, agora sob o efeito de qualquer fita de Romero, Alice e um grupo de sobreviventes fazem de tudo para saírem ilesos a tais ameaças e impedir que o vírus se espalhe pelo resto do Mundo.

 

 

O realizador agora é outro, Alexander Witt, um conhecido director de sequências de acção de filmes como o remake de Italian Job, Pirate of the Caribbeans ou até mesmo a saga The Bourne, nisso verifica em toda a narrativa de Resident Evil – Apocalypse que é reduzida a uma colagem de acção e mais acção, aparentado tudo como um próprio videojogo. Milla Jovovich porém comporta-se como a derradeira heroína e ao seu lado Sienna Guillory como Jill Valentine (personagem famosa do franchising de videojogos) a servir de apoio sensual.

 

 

Como filme de zombies, a sequela se comporta como o menos cerebral possível e a narrativa desenrola automaticamente com um conjunto de caricaturas a servir de personagem. Obviamente inferior ao guilty pleasure do primeiro filme, Resident Evil – Apocalypse é cinema pastilha-elástica, o mais do mesmo em termos industriais. Mas triste mesmo é testemunhar a transformação da mulher como plena figura de perigo e sexo.

 

Real.: Alexander Witt / Int.: Milla Jovovich, Eric Mabius, Oded Fehr, Sienna Guillory, Jared Harris

 

 

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Resident Evil (2002)

Resident Evil – Extinction (2007)

Resident Evil – Afterlife (2010)

4/10
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publicado por Hugo Gomes às 21:08
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27.12.11
27.12.11

Vin Diesel sob o sol carioca!

 

Nesta quinta estância, Vin Diesel e a sua trupe decidem aventurar entre as favelas do Rio de Janeiros e arquitectar o golpe dos golpes, tudo nisto em forma de vingança e sem contar com o factor de que são perseguidos por um federal experiente e implacável, desempenhado por Dwayne “The Rock” Johnson.

 

 

A verdade é que após Justin Lin ter ressuscitado a saga em 2009 com Fast & Furious (o quarto filme de um franchising composto por automóveis a nitro e acrobacias mirabolantes), em que reúne o velho elenco sob a forma de reboot, desta feita decide ir mais longe ao libertar o Velocidade Furiosa das suas raízes pendentes; as corridas clandestinas, e integra-lo no conjunto que o faz como um dos mais completos filmes de acção para os amantes de adrenalina em geral.

 

 

Fast Five, como decide designar é um misto entre todos os ingredientes que compõe os grandes êxitos do género, sequências de acção bem encenadas, actores famosos entre a camada mais jovem, musica que integra qualquer mp3 comercial e os suspeitos do costume; tiros com fartura, explosões, sexo e todo o divertimento que não requer qualquer utilidade cerebral. Não com isto o faça um mau filme, a verdade é que este híbrido consegue o pretendido e arrecadar algumas lágrimas para aqueles que há muito não viam tanta testerona junta.

 

 

O que prejudica e muito este filme chunga de grande produção é que para além de ser desmiolado não possui a humildade de o admitir e por isso entre uma e outra, somos induzidos a uma intriga pretensiosa, uns sentimentos bacocos sentimentos pelo meio, personagens a dar com um pau e com o rótulo de descartabilidade pelo meio e um Joaquim De Almeida a desempenhar (adivinham lá?) … um vilão aborrecido mas com um óptimo discurso em prol dos portugueses.

 

 

Eis uma fita que triunfa entre o circuito comercial e aposta no divertimento acima de tudo, porém a advertência é que a massa cinzenta deve manter … desligada! Destaque para o confronto entre titãs: Vin Diesel e The Rock, entre murros e socos nos beiços.

 

PS – não ficaria mais interessante se fosse o Capitão Nascimento (Wagner Moura, Tropa de Elite) atrás do criminoso de Vin Diesel? (brincadeira!).

 

Real.: Justin Lin / Int.: Vin Diesel, Paul Walker, Dwayne Johnson, Jordana Brewster, Tyrese Gibson, Don Omar, Ludacris, Joaquim De Almeida

 

 

 

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Fast & Furious (2009)

5/10
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publicado por Hugo Gomes às 14:38
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25.12.11
25.12.11

A gritar desde 1996!

 

Quinze anos passaram desde o original Scream – Gritos, e nesse período de tempo, muito mudou na perspectiva de vermos o terror como mero exercício cinematográfico. Enquanto a obra de 1996, Wes Craven referencia o “teen slasher movie” (subgénero em decadência nos anos 90) num misto de homenagem aos restantes exemplares de terror, em Gritos 4 o mesmo tom é ressuscitado mas desta feita os alvos são inteiramente diferentes. Não com isto implique uma mudança drástica de estratégia, até porque Scream 4 funciona tal e qual como os seus antecessores, mas que a visão do terror variou perante os quinzes anos de intervalo. Em pleno 2011, vivemos então numa época de remakes, refilmagens de velhos clássicos, refeitos pela pomposa industria “pipoqueira” actual, como também confundimos cada vez mais o terror com a simples pornografia gráfica. Caímos no jogo de quem “mais polémica causa” e no circuito direct-to-video cada vez mais abundante, para além de tudo na nova obra de Craven ainda temos uma piscadela de olhos ao cinema mockumentario (falso-documentário), cada vez mais em uso nos dias de hoje.

 

 

Scream 4 ainda nos marca o regresso de Kevin Williamson ao argumento (a sua ausência na terceira estância se fez sentir e muito na própria qualidade), por isso poderemos contar com o retorno da intriga inteligente que sempre marcou a saga, desta vez estamos perante o regressão de Sidney Prescott (Neve Campbell) á sua antiga cidade de Woodsboro, dez anos depois do massacre que decorreu no primeiro filme. Mais amadurecida e escritor de livros de auto-ajuda, Prescott reencontra na cidade os seus velhos companheiros, mas não é só por isso que a nostalgia se instala. Os telefonemas anónimos ressurgem, mais pessoas são mortas e a vida de Sidney encontra-se novamente em perigo, mas ela e os seus amigos não têm dúvidas, alguém quer mesmo reconstruir os horrendos crimes que decorreram numa década atrás.

 

 

Mais do que uma simples reunião do velho elenco que marcaram o imaginário de muitos fãs de terror, Scream 4 se dirige como um próprio ataque á exaustão dos remakes hollywoodescos. Wes Craven regressa assim na sua antiga forma, conduzindo a mais um “teen slasher” que não irá possuir o mesmo impacto que o original obteve, ou seja, a ressuscitação do subgénero, mas que contem todo os ingredientes mais que necessários para nos fazer sentir que estamos perante em terreno experiente. Existem algumas surpresas e outros momentos que se resumem a lugares-comuns, uma veia cómica já habitual na saga e toda a ironia e referência de um género amado por muitos. Não supera o original, nem é o candidato a filme de terror do ano, mas é um regresso ao teen slasher dos anos 90.

 

What’s your favourite scary movie”

 

Real.: Wes Craven / Int.: Neve Campbell, Courtney Cox, David Arquette, Adam Brody, Rory Culkin, Emma Roberts

 

 

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Scream (1996)

Scream 2 (1997)

Scream 3 (2000)

6/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:46
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