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O Indielisboa'17 vai apresentar uma das maiores competições de produções portuguesas no seu historial enquanto festival. Serão no total mais de 6 longas-metragens (5 delas em estreia mundial) e 18 curtas-metragens, com especial atenção à remessa lusitana de Berlim incluindo o galardoado Cidade Pequena, de Diogo Costa Amarante. A contrário de muitas edições anteriores, esta mostra de cinema falado na Língua de Camões será maioritariamente obras de ficção.

 

Amor, Amor de Jorge Cramez será um dos destacados na selecção portuguesa, não só pela sua presença na competição nacional mas também pela sua hipótese na grande competição internacional. "Desde 2013 que não tínhamos um filme português em competição", revelou Mafalda Melo, uma das programadoras do festival, que ainda confessa ter visto mais de "2.000 filmes desde o fecho da última edição", com o propósito de apresentar durante 3 a 14 de Maio, uma programação onde os filmes funcionam de forma conjunta. O tema encontrado nesta mostra, segundo Melo, foi a raridade. "Estes filmes são raros, e raros encontrá-los".

 

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Enquanto que a Competição Internacional é feita por inúmeras primeiras longas-metragens e nomes em ascensão, é na secção Silvestre que encontraremos alguns veteranos e confirmações. Nas propostas é evidente o regresso de Jean-Gabriel Périot [ler entrevista], que após o ciclo dedicado na edição passada, possui um novo filme (Lumières d'été). Alex Ross Perry, célebre pelo aclamado Queen of Earth, marca presença com Golden Exits, protagonizado por Emily Browning, o romeno Radu Jude com Inimi Cicatrizes, Lea Glob afasta-se de Petra Costa [ler entrevista] e reúne com Mette Carla Albrechtsen para nos entregar Venus, e ainda, a obra póstuma de Michael Glawogger (falecido em 2014), o documentário Untitled, com o apoio de Monika Willi.

 

Na secção Silvestre, em foco está a dupla Gusztáv Hámos e Katja Pratschke, ele húngaro, ela alemã, que apostaram em inúmeros ensaios com base no vídeo e nos filmes-espelhos (num formato de instalação dentro de um filme. Quantos aos Heróis Independentes (como já havíamos noticiado aqui), Jem Cohen e Paul Vecchiali marcarão posição. A presença de ambos está acima de tudo confirmadíssima.

 

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A IndieMusic não poderia faltar, com documentários sobre a banda Oasis (Oasis: Supersonic, Mat Whitecross) e o Frank Zappa (Eat that Question - Frank Zappa in His Own Words, de Thorsten Schütte), e ainda, com especial atenção, Tokyo Idols, de Kyoke Miyaki, um mergulho pelo mundo das girls band e cantoras pops japonesas, jovens que despoletam fenómenos de popularidade que levam a consequências obsessivas.

 

O Indiejunior mantêm-se e como Mafalda Melo salientou a importância deste espaço, o de revelar filmes alternativos aos meus pequenos, uma variação do seu gosto cinematográfico. "Estamos a formar novos públicos, novos cinéfilos e novos adultos". No Director's Cut existe um especial destaque à memória de Andrzej Zulawski, motivado pela reposição da sua obra de 1988, On the Silver Globe.

 

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Miguel Valverde, também programador e director do festival, recomendou a obra de Luís Filipe Rocha, Rosas de Ermera, uma viagem pelas memórias do músico e activista Zeca Afonso. O filme será exibido em sessão especial. Por fim, A Boca do Inferno, a ainda "verde" secção", uma apresentação de obras de género e de carácter ainda mais alternativo e ousado, onde se destaca este ano a entrada do novo trabalho de Ben Wheatley (Free Fire) e o mediático Raw (Grave), o filme de canibalismo de Julia Ducournau, que tem feito manchetes por onde fora exibido, desde as desmaios a saídas repentinas dos espectadores na sala.

 

A 14ª edição do Indielisboa arrancará com o filme de Teresa Villaverde, Colo, que esteve em competição no Berlinale deste ano. O festival dará o seu pontapé de saída com o documentário de Raoul Peck, I Am Not Your Negro. O carinhosamente apelidado Indie acontecerá no Cinema São Jorge, Cinema Ideal, Cinemateca Portuguesa Museu do Cinema, Cineteatro Capitólio e a Culturgest. Esta última tem sido parceira do festival desde 2008, porém, Miguel Lobo Antunes, administrador do centro cultural irá reforma-se, saído do seu cargo e deixando esta cumplicidade me aberto em futuras edições.

 

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A programação completa poderá ser vista aqui

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:04
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21.3.17

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O espaço na moldura!

 

Ao ver Ornamento e Crime, a sensação é praticamente idêntica de ter visto The Good German, de Steven Soderbergh, há alguns anos atrás, que tentava a passos citar Casablanca no seu modo produtivo. Temos um cinema tributo que não sai desse mesmo acto, o de forçar um ligação com a memória cinematográfica do espectador.

 

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O resultado é iminente neste episódio film noir de Rodrigo Areias (que já se tinha aventurado em outro género póstumo, o western em A Estrada de Palha), onde a música colaborativa entre Rita Redshoes e The Legendary Tigerman batem certo numa incursão reservado em termos de personalidade. Ou seja, o que assistimos não é mais do que um mero exercício de reflexão de género, mas o vazio abate perante as referências e lugares-comuns propositados.

 

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Porque o film noir morreu há anos, o que resta são os seus embriões, e mesmo apetecível este saudosismo por um subgénero tão característico, sentimo-nos preso a uma peça de museu, com a arte pedagógica de informar e relembrar-nos que em tempos existiu filmes assim. Sem desfazer a contribuição artística por detrás de Ornamento e Crime, desde a fotografia, o som e a capacidade de mimetizar dos seus atores, este é um filme que fascina-nos pela sua invocação, e não pela sua presença. Entre detectives privados, casos infiéis, gangsters, prostitutas e femme fatales, somos corridos a uma pele de cobra, brilhante, esplendorosa à luz natural, mas oco por dentro.

 

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Ornamento e Crime é tudo aquilo que esperávamos numa proposta destas, e tal como soa a sua melancólica banda sonora e citando essa letra de cabaret, é caso para dizer que estamos perante num filme "Vodoo", um objecto que respira somente através dos outros. Não era isto que tínhamos em mente quando referimos dinamizar o cinema português.

 

Real.: Rodrigo Areias / Int.: Vítor Correia, Tânia Dinis, Djin Sganzerla, Ângela Marques

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 18:05
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13.3.17
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Cinema português … o eterno dilema da dinamização!

 

Diogo Morgado anunciou que esta sua experiência na realização teria como intuito trazer algum dinamismo ao panorama cinematográfico … por outras palavras, lá vamos nós à velha cantiga do cinema comercial português versus o autoral do costume.

 

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Mas será que esta proposta de comédia, um registo tão malfadado na nossa "indústria" actual, consegue vencer e transpor as barreiras da limitação televisiva? Claro que não, este filme que tem como signo a "má sorte" (ou Malapata) persiste numa ideia, e essa é dissipada pelas tendências de mercado que nós próprios abraçamos. Um bilhete premiado, dois amigos improváveis e dois dias cheios mergulhados numa maré de azar poderiam ser motivo para invocar as peças de uma série de infortúnios que funcionaram tão bem em comédias como After Hours, de Scorsese, e nas aventuras surreais de Harold & Kumar.

 

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Mas a ideia, essa, é o de somente uma sugestão, o que interessa é polvilhar a narrativa com camadas televisivas que teimam em não deixar ou preencher as elipses e transições com longuíssimas imagens de drones por um Faro em modo turístico. Depois, os cameos, desde o mágico Luís de Matos até à cantora Ana Malhoa, são os de uma cadência de "estrelas" que tende em servir mais como atractivos para o cartaz do que contribuir para a credibilidade do enredo. No caso do primeiro, a sua honestidade leva-nos à real percepção deste projecto: tudo não passa de um verdadeiro espectáculo de ilusionismo.

 

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Assim chegamos ao humor básico tão característico dos alter-egos dos seus protagonistas (Marco Horácio e Rui Unas), à narrativa que falha sem a concepção de um alvo requerido ou de uma linguagem cinematográfica e, como não poderia deixar de ser, a direcção sem brilho e quase anónima de Diogo Morgado, mas ao menos a sua estreia demonstra mais talento que um Leonel Vieira.

 

Real.: Diogo Morgado / Int.: Marco Horácio, Diogo Morgado, Rui Unas, Luciana Abreu, Pedro Marques, Luís de Matos, Ana Malhoa

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:12
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6.3.17

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O cavaleiro que desafiou o dragão!

 

Mais do que a construção de um martírio e a procura de um mártir, São Jorge nos invoca episódios silenciados, a austeridade que surgiu de arrasto pela passagem da Troika, e a revelação de uma selva de asfalto, onde a primitiva regra de sobrevivência se faz ouvir.

 

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Nuno Lopes, que de anjo nada tem, é um desses seres que planeia cada dia como o último. Ligado a uma carreira falhada no pugilismo, consegue um trabalho obscuro como colector de dívidas. Um cargo que embate de forma consciente com as morais que imperam nesta sua jornada pelos confins da inserção social e da mordaz crítica política (sem ser obviamente evidente). Traços que levam o nosso protagonista novamente a assumir-se como vítima de mais uma busca desesperada, sendo acompanhado pela mesma "câmara incomoda" de há 11 anos , em Alice.

 

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Marco Martins é esse maestro "repetente", e a orquestra, essa, lentamente liberta o seu furtivo crescendo, para ser depois seduzido a um perturbador fade out. Este é o cinema que o romeno Cristian Mungiu sempre procurou, a cumplicidade do realismo formal com o juízo de valores, maleável à nossa consciência politica e idealista, ou até a sugestiva perturbação que se ressalta como stalker, tão próprio da mão de Haneke. Pois, mas o estilo de Marco Martins apenas deduz-nos a essas referências, porque existe nele uma veia profundamente portuguesa que vai desde aquele pessimismo orgulhoso, àquela infelicidade longe do fim e sobretudo da espera, a eterna  frase do "dia melhor que nunca vem". Contudo, existe uma declaração que afasta São Jorge do formalismo do cinema nacional.

 

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Uma voz política que parece mais consciente que o percurso do protagonista (... e que protagonista!) confrontando-nos com as mais demarcadas morais. Mas não pensem que daqui encontraremos um filme moralista, antes sim, um filme sobre morais. Perturbador, desencantado e ... um poderoso retrato de violência social.

 

Real.: Marcos Martins / Int.: Nuno Lopes, Mariana Nunes, David Semedo, José Raposo, Gonçalo Waddington, Adriano Luz, Beatriz Batarda

 

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8/10

publicado por Hugo Gomes às 19:49
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23.2.17

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Cinzento e Negro, de Luís Filipe Rocha, foi o filme mais nomeado à edição 2017 dos prémios Sophia, atribuídos pela Academia Portuguesa de Cinema. Com 13 nomeações, a obra é acompanhada na indicação a Melhor Filme por Cartas da Guerra (10 nomeações), A Mãe é que Sabe (11 nomeações) e Estive em Lisboa e lembrei de você (2 nomeações).

 

A divulgação dos nomeados, que esteve a cargo de Soraia Chaves e Albano Jerónimo, antecedeu a cerimónia de entrega dos Prémios Sophia 2017 que decorre no dia 22 de Março, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa

 

O actor Ruy de Carvalho será laureado com o Sophia de Excelência e Mérito, o segundo entregue pela Academia. Recorda-se que o primeiro seguiu para Manoel de Oliveira.

 

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Melhor Filme
Cartas da Guerra
Cinzento e Negro
A Mãe é que Sabe
Estive em Lisboa e lembrei de você

 

Melhor Ator Principal

Miguel Borges – Cinzento e Negro
Filipe Duarte – Cinzento e Negro
Miguel Nunes – Cartas da Guerra
Albano Jerónimo – Gelo

 

Melhor Atriz Principal

Joana Bárcia – Cinzento e Negro
Margarida Vila-Nova – Cartas da Guerra
Ivana Baquero – Gelo
Ana Padrão – Jogo de Damas

 

Melhor Ator Secundário

Carlos Santos – A Mãe é que Sabe
Adriano Carvalho – A Mãe é que Sabe
Adriano Luz – John From
Ivo Canelas – Gelo

 

Melhor Atriz Secundária

Inês Castel-Branco – Gelo
Camila Amado – Cinzento e Negro
Manuela Maria – A Mãe é que Sabe
Dalila Carmo – A Mãe é que Sabe

 

Melhor Argumento Original

Luís Filipe Rocha - Cinzento e Negro
Luís Galvão Teles, Gonçalo Galvão Teles e Luís Diogo - Gelo
Mário Botequilha, José Fonseca e Costa - Axilas
Roberto Pereira, Nuno Rocha - A Mãe é que Sabe

 

Melhor Argumento Adaptado

Ivo M. Ferreira, Edgar Medina - Cartas da Guerra
Hugo Vieira da Silva - Posto-Avançado do Progresso
José Barahona - Estive em Lisboa e Lembrei de Você
Julia Roy - Até Nunca

 

Melhor Realizador

José Fonseca e Costa - Axilas
Luís Filipe Rocha - Cinzento e Negro
Ivo M. Ferreira - Cartas da Guerra
Nuno Rocha - A Mãe é que Sabe

 

Melhor Direção de Fotografia

André Szankowski - Cinzento e Negro
Luís Branquinho- A Mãe é que Sabe
João Ribeiro - Cartas da Guerra
Rui Poças - O Ornitólogo

 

Melhor Maquilhagem e Cabelos

Ana Lorena, Natália Bogalho - Axilas
Sandra Pinto - Cinzento e Negro
Nuno Esteves "Blue" e Nuno Mendes - Cartas da Guerra
Emanuelle Fèvre, Iracema Machado - Gelo

 

Melhor Som

Ricardo Leal - Cartas da Guerra
Carlos Alberto Lopes, Elsa Ferreira - Cinzento e Negro
Olivier Blanc, Branko Neskov - Gelo
Pedro Melo, Tiago Raposinho e Tiago Matos - A Mãe é que Sabe

 

Melhor Guarda-Roupa

Lucha d'Orey - Cartas da Guerra
Isabel Branco - Cinzento e Negro
Ana Paula Rocha e Sílvia Siopa - Gelo
Mia Lourenço - A Mãe é que Sabe

 

Melhor Montagem

Sandro Aguilar - Cartas da Guerra
António Pérez Reina - Cinzento e Negro
Pedro Ribeiro - Gelo
Paula Miranda - A Mãe é que Sabe

 

Melhor Banda Sonora Original

Mário Laginha - Cinzento e Negro
Filipe Raposo - Refrigerantes e Canções de Amor
The Red Trio e Norberto Lobo - Aqui, em Lisboa – Episódios da Vida de Uma Cidade
Nuno Malô - A Canção de Lisboa

 

Melhor Canção Original

Será Amor – composição de Miguel Araújo - Canção de Lisboa
Refrigerantes e Canções de Amor, letra Sérgio Godinho e música Filipe Raposo - Refrigerantes e Canções de Amor
Balada para uma dinossaura, letra e musíca João Tempera - Refrigerante e Canções de Amor
Sobe o Calor – letra de Sérgio Godinho e música Filipe Raposo - Refrigerantes e Canções de Amor

 

Melhor Documentário em Longa-Metragem

Mudar de Vida, José Mário Branco, vida e obra - Nelson Guerreiro, Pedro Fidalgo
O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu - João Botelho 
A Toca do Lobo - Catarina Mourão
Rio Corgo - Sérgio da Costa, Maya Kosa

 

Prémio Sophia Estudante

Marvin's Island - António Vieira, Filipa Burmester, Pedro Oliveira
A Instalação do Medo - Ricardo Leite
Post-Mortem - Belmiro Ribeiro
Pronto, era Assim - Joana Nogueira e Patrícia Rodrigues

 

Melhor Curta-Metragem de Ficção

Menina - Simão Cayatte
Bastien - Welket Bungué
A Brief History Of Princess X - Gabriel Abrantes
Campo De Víboras - Cristèle Alves Meira

 

Melhor Curta-Metragem de Animação

Estilhaços - José Miguel Ribeiro
Fim De Linha - Paulo D'Alva
Última Chamada - Sara Barbas
A Casa Ou Máquina De Habitar - Catarina Romano

 

Melhor Documentário em Curta-Metragem

A Vossa Terra - João Mário Grilo
Balada de um Batráquio - Leonor Teles
António, Lindo António - Ana Maria Gomes
Portugueses do Soho - Ana Ventura Miranda

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:02
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19.2.17

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A curta-metragem Onde foi a Minha Sorte, de Pedro Gonçalves, triunfou na Competição Nacional do 7º Festival Córtex, que ocorreu no Centro Olga do Cadaval, em Sintra, entre os dias 16 a 19 de Fevereiro. Segundo as palavras do júri, "Começar a fazer filmes tem a ver com viver medos e aprender a ser certeiro, mesmo quando não se sabe nada do que aí vem. Este filme é isso: a força do começo. A criança, a ferida escondida, a energia no chuto bola. Esta força do começo trás-nos a nós a alegria de descobrir imaginações jovens que têm a seriedade de assumir que querem filmar".


Composto pelas actrizes Leonor Silveira e Anabela Moreira, a realizadora Cláudia Varejão, a directora e programadora do Doclisboa, Cintia Gil e o director de fotografia, Vasco Viana, o júri ainda elegeu o alemão Nach dem Spiel (After Play), de Aline Chukwuedo, como o melhor da Competição Internacional. O sul-coreano The Chicken of Wuzuh, de Sungbin Byun, foi distinguido com a menção honrosa


Já na secção Mini-Córtex, destinados a filmes para o público infantil, foi premiado a curta de animação norte-americana, True Colors, da realizadora Nicole Morconiec. Enquanto isso, O Campo de Víboras, de Cristèle Alves Meira, recebe o Prémio do Público.

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:24
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26.1.17

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Diz-se que do mar veio a Vida. Apesar disso, a vida tende em não desconectar do Mar. Estas são as Amas, uma comunidade de mulheres que vivem, sobrevivem e morrem em prol do "grande horizonte azul". Uma tradição nipónica de séculos que encontra-se a passos de conhecer a sua extinção, mas antes disso, Cláudia Varejão partiu numa aventura a um Oriente desconhecido para captar o quotidiano destas “sereias” vivas e registá-las na "imortalidade" do Cinema. Assim nasce Ama-san [ler crítica], o documentário vencedor da Competição Nacional do Doclisboa 2016, um retrato etnográfico de uma cultura em risco de sucumbir na nossa contemporaneidade, mas não do nosso imaginário. O Cinematograficamente Falando … falou com Cláudia Varejão sobre as mulheres que a fizeram apaixonar e da preservação das tradições, pelo qual é urgente salvar.

 

Onde encontrou estas mulheres? Como surgiu o seu interesse por esta comunidade?

 

Tudo começou com uma referência num livro de poesia. Na altura, julguei que fosse uma figura de estilo, esta ligação das mulheres com o mar, encarei mesmo como personagens ficcionadas. Fiquei muito curiosa, o poema, o qual não recordo, referia as mulheres como Amas. A palavra Ama, o significado em português, o que ela representava, levantou-me tamanha curiosidade.

 

Como tal pesquisei, e deparei-me com uma tradição à beira de extinção. Durante a minha investigação, fui ao encontro de uma vasta gama de fotos dos anos 50, todas elas sob uma imagem muito sexualizada. Nuas, propriamente ditas. Ao longo dos anos, apercebi-me que elas foram ficando mais “tapadas”. Mas o que mais fascinou-me foi que a faixa etária era acima dos 50.

 

Foi assim que nasceu este súbito interesse. Esta “descoberta” foi gerada através de um acto muito espontâneo. A leitura de um poema.

 

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De certa forma, a Cláudia prometeu sereias …

 

Mas não deixam de ser sereias. Elas são encantadoras. O trabalho delas é perigoso, todos os anos morrem mulheres no fundo do mar, ficam presas nas rochas, porém, as imagens dos seus mergulhos parecem pacificas. Na verdade, são manobras perigosas. Por isso, diria antes que elas são uma espécie de “sereias ninjas”.

 

Estas mulheres são apresentadas no seu filme como mulheres devota ao seu tradicionalismo. Contudo, deparamos o uso de fatos de mergulho, somente cobertos por um fino véu. Tréguas entre a herança e a modernidade. De certa forma, estas mulheres tendem em tecer um certo paralelismo com o Japão, um país moderno, mas igualmente tradicional.  

 

É inevitável. Quando alguém visita o Oriente, o Japão particularmente, depara-se com uma simbiose entre um lado mais tradicional, manual, preservado, hereditário e a contemporaneidade, a tecnologia que substitui o Homem em muitas das suas tarefas. As Amas também representam isso, porque imenso da sua arte foi alterada ao longo dos anos. A tecnologia do mergulho mudou constantemente.

 

Uma coisa muito simples, elas não mergulham todos os dias, só quando o mar permite. A Natureza tem vida própria e dita quando é que está disponível. Normalmente as Amas mais velhas, sabiam através do estado do mar, das estrelas, da lua, se iriam ou não mergulhar no dia seguinte.

 

Curiosamente no filme, existe uma Ama mais nova, com os seus 40 anos, que tem um IPhone, e que verifica nas suas aplicações, o estado do mar.

 

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Em comparação com o Japão, não acha que os portugueses não têm a tendência de preservação o seu lado tradicionalista?

 

Não o vejo como um mal português, mas antes um mal geral. O problema é a época histórica que vivemos. O desejo de avançar e descobrir cada vez mais, e a tecnologia tem um peso forte nas nossas vidas, trazendo um certo esquecimento donde nós viemos e como as coisas atingem sem o auxilio da mesma. Por isso, não é um mal português, até porque temos uma tendência de seguir um fluxo bastante avançado.

 

O Japão vive o mesmo problema. A grande diferença é que o país é muito tradicional, por isso é inevitável encontrar ainda um vasto leque de tradições. Culturalmente, e até espiritualmente, para um japonês é muito importante preservar uma série de tradições. Para eles, quem não tiver uma tradição é como fosse um ser humano inapto, pouco preparado para a vida. 

 

A Cláudia também mergulhou com elas, de forma a captar aquelas imagens?

 

Debaixo de água? Não. Foram feitas por um director de fotografia japonês, Masakazu Akagi.

 

Tem medo do mar?

 

Não. Pelo contrário, tenho uma ligação muito forte com o mar, só que não faço mergulho. Ele teve que operar a câmara com uma garrafa de oxigénio, e eu sou incapaz de fazer isso.

 

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Numa entrevista ao jornal Público, referiu o caso das mulheres de Caxinas como o mais próximos que temos das Amas.

 

Nós temos pouca tradição das mulheres serem pescadoras. No Norte, zona de Vila do Conde, Caxinas, algumas mulheres pescam, e o próprio comportamento das “caxineiras” é muito efusivo, expansivas. As Amas também o são, apesar da sua delicadeza, vivem em comunidade fechadas, muito ligadas entre si e muito expansivas em comunicar.

 

E o facto de ambas serem matriarcais?

 

Sim, também. Tendo que no Japão, inicialmente neste trabalho, só poderia ser Ama quem tivesse na família, uma mãe ou uma avó fosse mergulhadora. Era um oficio que herdava. Hoje em dia, como há poucas mulheres a mergulhar, basta que tenha o mínimo de interesse para começar esta vida. Antigamente, as Amas eram realmente matriarcais. Porque tratava-se de uma tradição passada por geração a geração.

 

O que realmente procura nos seus filmes?

 

Algo não muito concreto de responder, mas essencialmente procuro um grupo de pessoas, e nesse mesmo, busco a diversidade. O ser humano interessa-me muito, esta panóplia de termos vidas tão diferentes e geneticamente sermos tão idênticos. Interessa-me isso. Para além, dos relacionamentos entre si, sobretudo em grupos ou seios familiares.

 

A Cláudia Varejão irá fazer parte do júri do próximo Córtex, nesse caso o que irá procurar por entre a selecção oficial?

 

Há partida em não vou procurar nada, é diferente que a jornada pessoal. Quando vejo cinema, procuro essencialmente que o filme, tal como o realizador, seja livre. Porque se o trabalho é livre, esta aproxima-se da identidade do autor. Mas isso é difícil de encontrar, visto que na vida geral temos vários “layers”, camadas, e tal não somos totalmente livres.

 

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Existe uma série de elementos que nos são incutidos, tal como a nossa educação que nos impede de realmente usufruir a nossa liberdade. A Arte existe nesse contexto, a de ser livre, e quanto mais livre, mais libertadora é para quem o vê.

 

Em relação às suas buscas, qual destes dois elementos valoriza mais, o conteúdo ou a forma?

 

Sempre os dois juntos. É inevitável para quem vê uma forma cria um conteúdo, uma leitura. Mesmo que quando não existe uma intenção. Quem vê, cria uma narrativa. Nunca estão dissociados, a forma do conteúdo.

 

Mantém contacto com as Amas?

 

Continuo [risos]. Como não falamos a mesma língua, trocamos imagens em mms semanalmente.

 

As imagens continua a ser uma linguagem universal.

 

Completamente. Repara, a forma que traz conteúdo em si, mas o que eu comunico é através de uma imagem, e dentro dessa mesma imagem existe uma mensagem, uma leitura possível.

 

Sabendo que Ama-san foi um projecto de vários anos, tem mais algum em mente?

 

Estou dentro de um, que parece seguir o mesmo caminho do anterior em termos de longevidade. Neste caso, os motivos são outros.

 

Não porque seja filmado longe - vai ser rodado em Portugal - mas pelo facto de ser um filme sobre pessoas, um determinado grupo destas e sobre o encontro que desencadeará. Sei exactamente aquilo que procuro, só vai demorar tempo a encontrá-las.

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:16
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22.1.17
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No vale das "sereias"!

 

Cláudia Varejão prometeu-nos sereias, e à sua maneira, ofereceu-nos um grupo delas neste Ama-San (vencedor da Competição Portuguesa do Doclisboa 2016). Uma comunidade tradicional de mulheres que aventuram-se no mar para sustentar famílias, uma visão que tem seguido séculos e séculos de História nipónica.

 

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O fio tecido que protege os avanços tecnológicos dos seus mergulhos, são as réstias dessa tradição abraçada com a sempre avante modernidade, mas nem por isso que o estatuto destas deixa-se desvanecer pela mudança dos tempos. Varejão compara-as com as "mulheres de Caxinas", o exemplo português mais próximo desta sociedade falada no feminino, para depois aventurar num ensaio antropológico que interliga os dois estados destas figuras; o Mar, esse berço de vida que as envolve em tamanha doutrina, e o mundo civil, a família que têm à sua espera para afeiçoar.

 

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Tal como o Japão, um país moderno que caminha lado a lado com a sua herança tradicional, Ama-San cria um paralelismo com a nação para depois seguir em "puro mergulho" num retrato de gestos e de costuras familiares. Mas a realizadora consegue, invejavelmente, com toda esta jornada a um Oriente pouco conhecido (a última vez que vimos esta comunidade no ecrã foi em 2009 numa curta-metragem de Amie Williams), uma estrutura narrativa quase ficcional no seio desta vertente de registo documental. Com a complementação das sequências submarinas que captam no espectador a sua faceta mais "zen".

 

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No geral, Varejão cumpre um belíssimo filme, contemplativo e nada apressado em "inundar" as audiências, faze-las sentir parte desta longa família, tão japonesa, com certeza. Sim, prometeram-nos sereias e aquilo que acabaram por nos dar foi o que de mais próximo temos destas mitológicas sirenias. Todavia, isto não se resume a alternativas, Ama-San é realmente um filme pelo vale a pena cedermos à sua delicada sedução.

 

Real.: Cláudia Varejão / Int.: Mayumi Mitsuhashi, Masumi Shibahara, Matsumi Koiso

 

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8/10

publicado por Hugo Gomes às 20:33
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17.1.17

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O regresso do Córtex – Festival de Curtas Metragens, cuja sétima edição decorrerá entre os dias 16 a 19 de Fevereiro em Sintra, terá como grande destaque uma retrospectiva à realizadora neozelandesa Jane Campion.

 

Mundialmente célebre pelo seu galardoado trabalho em The Piano, uma história de amor e luxúria que a fez tornar-se na primeira realizadora a vencer uma Palma de Ouro em Cannes, Campion dará início a mais uma mostra internacional e nacional de curtas-metragens. Em sua homenagem, a programação dedicará uma selecção de curtas dasua autoria, inclusive trabalhos na escola de cinema da Austrália.

 

Para os directores artísticos do Córtex, Michel Simeão e José Chaíça, era inevitável que o festival de Sintra dedicasse um tributo à Mulher no Cinema, muito mais em tempos como estes, onde cada vez mais discutisse o seu papel no ramo artístico e profissional cinematográfico. Contudo, a tentativa, era antes de mais, não "cair em lugares comuns e propagandas de movimentos feministas".

 

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Córtex irá aliar-se ainda ao London Short Film Festival, um festival que tem nos últimos anos gerado imenso talentos britânicos do cinema independente, o programa contará com seis curtas. O director artístico, Philip Ilson, estará presente na referida selecção. Outra novidade é o “Cintra 35mm”, uma sessão especial de filmes em 35mm oriundos da década 20 e 30 do século XX. Um registo cinematográfico raro que condensa uma tamanha riqueza histórica, com o intuito de dar a conhecer ao público a Sintra de há 100 anos. A sessão será musicada ao vivo pelo Quarteto de Saxofones do Conservatório de Música de Sintra.

 

Há imagem dos anos anteriores, a parceria com a MONSTRA | Festival de Animação de Lisboa, irá manter-se. Esta colaboração com o festival enriquecerá secções destinadas ao público infanto-juvenil, o intitulado Mini-Córtex. Contando novamente com 10 metragens, quer internacionais, quer portuguesas, onde pais e filhos poderão votar no seu filme favorito. A juntar a esta secção, um workshop de cinema de animação para Pais e Filhos, coordenado por Fernando Galrito, director artístico da MONSTRA.

 

Este ano, o Córtex contou com um número recorde de filmes inscritos, sendo que a Competição Internacional abrange 16 curtas-metragens e a Nacional com igual número de produções. O júri desta edição é composta pelas actrizes Leonor Silveira e Anabela Moreira, a realizadora Cláudia Varejão, a directora e programadora do Doclisboa, Cintia Gil e o director de fotografia, Vasco Viana.

 

A 7ª edição do Córtex realiza-se no Centro Olga Cadaval e com actividades paralelas no MU.SA (Museu das Artes de Sintra).

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:40
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16.1.17

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Maria Cabral, um dos ícones do Cinema Novo, faleceu este sábado, 14 de Janeiro, em Paris. Tinha 75 anos e para trás deixa um legado de memórias incontornáveis de um cinema, como também de uma geração de realizadores, que influenciaram para sempre o nosso rumo cinematográfico.

 

A Academia Portuguesa de Cinema noticiou o seu desaparecimento, relembrando as interpretações em filmes como O Cerco, de António da Cunha Telles (o grande impulsor da sua carreira), e das suas colaborações com João Botelho (Adeus Português), José Fonseca e Costa (O Recado) e Alain Tanner (No Man's Land).

 

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Maria da Conceição Gomes Cabral, nascida a 24 de Abril de 1941, em Lisboa, passou parte da sua infância em Luanda, Angola. Frequentou o curso de Filosofia e participou em filmes publicitários e até uma curta de João César Monteiro, o qual este nunca terminou.

 

Mas foi com o papel de Marta em O Cerco (1970) que Maria Cabral tornou-se numa das faces mais reconhecidas do Cinema Português. Em alturas do filme concedeu uma icónica entrevista para a RTP no interior do seu automóvel descapotável pelas ruas de Lisboa.

 

Voltaria a trabalhar com da Cunha Telles passados 14 anos em Vidas, com Paulo Branco e Carlos Cruz.

 

Maria Cabral (1941 - 2017)

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:19
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6.1.17

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Antes de ser presidente, era escritor e foi a sua paixão pela escrita que fez Manuel Teixeira Gomes lançar-se no anonimato, viajar para uma Argélia colonialista e escrever a sua mais concretizada obra-prima. Esse pedaço de História esquecida fascinou Paulo Filipe Monteiro, actor e argumentista, e através da imagem de Teixeira Gomes lança-se na aventura da sua primeira realização. Mas o anonimato não mora aqui, e o Cinematograficamente Falando … testemunhou essa autoria.

 

Sabendo que esta é a sua primeira longa-metragem, o porquê de Manuel Teixeira Gomes? O que lhe fascinou?

 

Fascinou-me em primeiro lugar este gesto desmesurado dele de largar tudo, a presidência, a sua vida elegante, a sua colecção de arte, e partir no primeiro barco a sair de Lisboa. Isso, no geral, foi o que primeiramente me fascinou. À medida que ia pesquisando, aprofundando esta história, encontrei outros factores interessantes na sua vida, uma delas foi o facto de ter sido um caso único no Mundo, o de um escritor de literatura erótica a chegar à presidência de uma Nação. O sensualismo da sua obra, assim como a proclamação das suas raízes, algarvias com ligação ancestral à cultura árabe, a sua paixão pelo Magred [região noroeste da África] que vem em contraponto com a actual demonização do Islão, o seu percurso como Presidente, que foi bastante importante, tendo sido uma figura politica reformista que lutou contra a especulação da banca, a crise financeira (tema actual).

 

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Como funcionou o casting? Porquê Sinde Filipe na pele de Manuel Teixeira Gomes?

 

Para além de ser também actor, conhecer os meus colegas, e gostar de dirigi-los, faço apostas e pelos vistos, ganhei as todas. A nível de interpretação, Sinde Filipe está alto, e eu queria apostar numa nova linguagem, uma nova dimensão, um novo estilo. Com Zeus vão ver actores que por exemplo, toda a gente conhece das novelas ou dos palcos de teatro, duma outra maneira.

 

Paulo Filipe Monteiro é também o argumentista de Zeus, tentou evitar a esquematização das biopics convencionais?

 

Pois, eu já escrevi sete longas -metragens, para outros. Aqui, o que consistia era o desejo de fazer um filme em três blocos, como The Hours ou até Magnólia. Zeus presta-se a esses mesmos blocos. O bloco da presidência, escuro e claustrofóbico, em contraponto com o da Argélia, bastante solar e luminoso, e ainda, o romance de Maria Adelaide, que ele escreveu aos 77 anos no seu "quartinho" de hotel. Portanto, o filme vai saltando entre os três e penso que os espectadores vão gostar disso.

 

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Manuel Teixeira Gomes é um homem interessado quer na politica, quer no meio artístico. Como foi consolidar esses dois "mundos" que parecem antagonizar um ao outro?

 

 

Ter um homem na política que é um escritor, para além de mais, ser um esteta, um interessado em artes plásticas, na pintura, um coleccionador de arte, faz com que se acha um casamento natural, mais fácil em relação à Arte. Se tivéssemos um presidente, ou até mesmo um primeiro ministro assim, teríamos uma grande afinidade entre a politica e o meio artístico.

 

Zeus apresenta uma época pouco retratada no cinema português, e até mesmo um pouco esquecida dos nossos manuais de História. Com a cada vez mais adesão ao período salazarista em relação a adaptações cinematográficas, acha importante explorar outros episódios da nossa própria História?

 

Sim, se repararmos no cinema dos EUA, eles tem menos História, mas a exploram até à exaustão. Quantos filmes existem sobre o Vietname? Nós temos menos filmes históricos, provavelmente por serem de produção cara, e difícil em termos de recursos reconstruir essa visão de época, mas nós temos muito material para explorar, para filmes. Não pensem que vou ser a fazê-los, eu não me vou especializar em filmes de época [risos]. Fiz este, mas o próximo projecto que tenho na cabeça é absolutamente contemporâneo.

 

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Quer falar mais sobre esse novo filme?

 

É um projecto que tenho na minha mente, veremos se tem financiamento, e é previsto ser um filme bem contemporâneo, moderno, experimental, prometo "rasgar".

 

Para além de realizador, Paulo Filipe Monteiro é actor. O facto de ter sido um interprete o ajuda na direcção do seu próprio elenco?

 

O facto de ser actor permite-me compreender os actores, como tocá-los, chegar a eles, como conseguir deles certas coisas, ou seja, esses dois mundos complementam.

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:18
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Zeus, a primeira longa-metragem de Paulo Filipe Monteiro, apresenta-nos a história real de um escritor ascendido a Presidente da República, que passado dois anos de mandato vira as costas ao máximo cargo para viver no anonimato numa Argélia colonial. Esta é a biografia de Manuel Teixeira Gomes, um homem, actualmente, esquecido da memória dos portugueses, que encontra nova vida na interpretação de Sinde Filipe. Cinematograficamente Falando … falou com o veterano actor, um dos mais queridos da sua arte, demonstrando o quanto sabe sobre esta desafiante personagem.

 

O que lhe interessou em Manuel Teixeira Gomes?

 

Manuel Teixeira Gomes interessou-me por vários factores, como cidadão, exemplar devo dizer, como diplomata, como presidente, mas sobretudo pelo seu lado de escritor. Esse seu lado é grande, pelo que deve ser lido, e irá ser lido.

 

Mas actualmente a obra de Teixeira Gomes encontra-se um "pouco" esquecida.

 

Não, muito esquecida, é por isso que este filme é importante. Para trazer à memória dos portugueses esta personalidade tão rica e de grande relevância literária.

 

Fez pesquisa sobre a personalidade ao integrar o elenco de Zeus?

 

Obviamente que fiz uma pesquisa sobre a personagem. Contudo, devo dizer que já tinha conhecido desta importante figura, mas foi durante a pesquisa e a sua encarnação que tentei descobrir mais e mais sobre Manuel Teixeira Gomes. Tentei impregnar a personagem, espero ter feito justiça.

 

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Ao longo da rodagem, descobriu algo de novo em Manuel Teixeira Gomes que não havia encontrado durante o seu processo de pesquisa?

 

Não lhe consigo dizer, tenho a noção de que as biografias que li fora devidamente esclarecedoras e clarificadoras quanto à sua personalidade. Não senti, de todo, que ao longo filme tenha feito alguns importantes descobertas. Julgo que não tenho acrescentado muito sobre a sua figura.

 

O período que Manuel Teixeira Gomes integra, é um período esquecido entre os portugueses. Até mesmo nos manuais de História. Acha importante explorar no cinema esta subestimada época? Visto que exploramos em demasia o período salazarista.

 

Da mesma forma como referi a figura de Teixeira Gomes, este filme também tem o dever de trazer à memória dos portugueses esta fatia de História pouco falada, os primeiros passos da República em Portugal. E claro, Manuel Teixeira Gomes é uma personagem, que em muitos aspectos, precisa de ser redescoberto e revalorizado nos dias de hoje. Precisamos tirá-lo da sombra.

 

Manuel Teixeira Gomes foi um homem dividido entre o seu lado artístico - a escrita - com a sua politica. Qual destes lados vingou-se na nossa História? Segundo a sua opinião.

 

 

Como escritor. Ele quando esteve na presidência não escreveu muito, aliás ser Presidente sobrepôs-se bastante à escrita. Foi como fizesse uma pausa nessa sua vertente artística, felizmente foram só dois anos. Porque a politica não o invalidou de ser o grande escritor, pelo qual deve ser reconhecido.

 

Ele sempre foi um escritor, acima de politico, mesmo na sua fase de diplomata, Teixeira Gomes não desistiu de escrever. Apenas parou temporariamente essa sua arte durante o seu cargo presidencial.

 

Novos projectos?

 

Apenas teatro, foi trabalhar numa peça que fora feita por Villaret há muitos anos, Esta Noite Choveu Prata.

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:19
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4.1.17
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Nos escritos do Presidente!

 

Se considerarmos Zeus um biopic é como se a banalizássemos perante os seus "primos" americanos (que segundo Tarantino são motivos para atores vencerem Óscares) e de alguns dos horrores nacionais que temos vindo a testemunhar nos últimos anos. A primeira longa-metragem de Paulo Filipe Monteiro é uma descoberta por um período quase negligenciado nos manuais de História e a ribalta de uma das figuras mais esquecidas no Portugal contemporâneo: um escritor de contos eróticos que ascende a Presidente de República; um homem que abandonou o seu cargo para poder viver no anonimato numa Argélia colonial. Trata-se de Manuel Teixeira Gomes, um ilustre caso de literatura nefelibata no nosso país, sendo que um filme sobre a sua personalidade requeria algo mais que somente fórmulas reutilizadas.

 

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Zeus não tenta de maneira nenhuma abandonar o seu estatuto de cinebiografia. A sua personalidade não o aflige como um caso único e inédito, quer no nosso panorama cinematográfico, quer em relação com o dito "World Cinema". Mas Paulo Filipe Monteiro tudo fez para o demarcar dos restantes produtos de linha de montagem que o subgénero tem atingido, e muito mais desligou-se da dependência televisiva que muito do cinema comercial português não consegue emancipar-se.

 

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Até aqui existem motivos para sorrir. Zeus não é uma bestialidade como as mais recentes biopics nacionais. Relembro que já tivemos um Salazar playboy, uma Amália sob toques de loucura, e sem esquecer a quimera envolta no escândalo de Carolina Salgado. Por sua vez temos uma produção singela, bem intencionada (visto que vem recriar um pedaço de História esquecida), e um trabalho dedicado e forte por parte do actor Sinde Filipe, que transforma Manuel Teixeira Gomes num patriarcal bon vivant. Em nota, temos uma notoriedade na caraterização (coisa rara no cinema português) e efeitos práticos que nunca cedem à tendência failsafe.

 

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O grande senão deste Zeus está naquilo que o realizador fortemente apostou, na narrativa dividida em três camadas, na constante oscilação, meio "salta-pocinhas", envolvida nas suas devidas particularidades (Ivo Canelas quebra a quarta barreira, a fotografia varia consoante a história centrada), porém, subentendidas numa conexão desfragmentada. Mas nada que nos impeça de usufruir dos propósitos desta recriação saudosista, com mais atenção à figura homenageada do que propriamente conceber-se numa incisão político-social de época. Se no caso do espectador é a procura do último ponto, então este não estará na sala certa.  

 

Real.: Paulo Filipe Monteiro / Int.: Sinde Filipe, Paulo Pires, Ivo Canelas, Carlotto Cota, Idir Benebouiche

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 18:11
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21.12.16

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A actriz Laura Soveral vai ser homenageada com o Prémio Bárbara Virgínia, um galardão criado pela Academia Portuguesa de Cinema com o intuito de distinguir mulheres que se destacaram (e que continuam a destacar) na 7ª Arte. A cerimónia da entrega do troféu concebido pelo pintor e escultor Leonel Moura, decorrerá no próximo ano. Segundo a Academia, a actriz é um "exemplo de determinação e profissionalismo para gerações futuras”.

 

Nascida a 1933, em Angola, Laura Soveral foi estudante da Filologia Germânica na Faculdade de Letras de Lisboa, tendo iniciado o seu percurso de actriz no Grupo Fernando Pessoa, dirigido por João d’Ávila, em 1964. Sucessivamente inscreveu na Escola de Teatro do Conservatório Nacional.

 

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Determinada como actriz de teatro, Soveral também vingou-se, quer na televisão, quer no cinema. No pequeno ecrã integrou o elenco de inúmeras novelas brasileiras e no grande tela, foi uma das "musas" de Manoel De Oliveira em filmes como Vale Abraão, A Divina Comédia e Francisca. Trabalhou com João Botelho em inúmeras façanhas cinematográfica e foi uma das "caras" de Tabu, de Miguel Gomes. Participação que lhe valeu três nomeações, como melhor actriz secundária para os Prémios CinEuphoria e como melhor actriz para os Globos de Ouro e Prémios Sophia, tendo levado para casa o galardão de melhor actriz secundária.

 

Foi laureada com o Prémio Sophia de Carreira em 2013.

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:20
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15.12.16

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Colo, de Teresa Villaverde, é uma das 14 primeiras obras a integrar a programação do Berlinale 2017: Festival de Berlim (a decorrer entre 9 a 19 de Fevereiro). Descrito como "uma reflexão muito actual, e quase serena, sobre o nosso caminho comum como sociedades europeias de hoje", segundo a agência Portugal Film, partilhará espaços na Competição com as novas obras de Aki Kaurismäki (The Other Side of Hope), Călin Peter Netze (Ana, Mon Amour), Oren Moverman (The Dinner) e Sally Potter (The Party).

 

 

La Reina de España, de Fernando Trueba, e The Young Karl Marx, de Raoul Peck, contarão com sessões especiais no festival. O incontornável cineasta alemão, Rainer Werner Fassbinder, será novamente mencionada em mais uma programação, com a projecção de Eight Hours Don't Make a Day, uma série televisiva de cinco episódios transmitida em 1972.

 

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Os restantes filmes em Competição são:

 

Una Mujer Fantástica, de Sebastián Lelio

Spoor, de Agnieszka Holland

Félicité, de Alain Gomis

Beuys, de Andres Veiel

On Body and Soul, de Ildiko Enyed

 

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publicado por Hugo Gomes às 12:33
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10.12.16

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Para muitos um documentário, para Catarina Mourão foi o embarque de uma demanda à descoberta das suas raízes, a procura por aquele homem que se figurava no álbum de família e que todos apontavam como seu avô. A Toca do Lobo, mais do que um registo pessoal da herança, é uma viagem por um Portugal cada vez mais distante, reduzido às memórias e aos "mitos" que alimentam essa "Fantasia Lusitana". A realizadora falou com o Cinematograficamente Falando … no âmbito do lançamento em DVD deste documentário que nos remete sobretudo a nós próprios.

 

Em que preciso momento apercebeu-se da urgência de registar esta sua investigação?

 

Foi, sem dúvida, a partir do momento em que vi um arquivo da RTP com o meu avô, em que ele mostra uma estranha colecção que diz querer oferecer a uma futura neta imaginada de nome Catarina. Eu nunca conheci o meu avô e quando esse programa foi filmado eu nem sequer existia. Achei que esse filme era um pedido dele para eu fazer este filme.

 

Em a Toca do Lobo, ao aproximar-se da história do seu avô, mapeia um Portugal de outros tempos, um país diferente, quer de costumes e mentalidades, assim como politicamente e socialmente. Como encara este "país" que Tomás de Figueiredo vivia?

 

Uso as palavras da minha mãe “Era um país fechado num colete de forças” cheio de regras, tabus e proibidos.

 

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"Se aquilo que não sabemos fosse medido a quilómetros". Estaria disposta a recontinuar extensivamente esta mesma sua jornada ao encontro do passado da sua família?

 

Sim, há muitas pontas soltas e histórias para descobrir. Inevitavelmente hei-de voltar a esta aventura.

 

Desde a produção até à estreia do filme em sala, conseguiu, por fim, entrar na habitação de Casares?

 

Ainda não consegui. Talvez um dia. E quem sabe farei outro filme.

 

Em relação à construção deste documentário, e visto o tema ser pessoal, como foi pensá-lo e moldá-lo de forma a ser emocionalmente perceptível para um vasto público?

 

É uma tarefa de constante aproximação e recuo, como diz um amigo meu é tudo uma questão de distância focal.

 

O que pode dizer sobre novos projectos?

 

Apenas posso dizer que iremos para a praia, a preto e branco e a cores, a praia do século XX.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:42
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O realizador Alberto Seixas Santos, um dos mais emblemáticos nomes do movimento Cinema Novo português, faleceu na madrugada deste sábado, em sua casa. O anúncio da sua morte foi noticiado na edição online do Jornal Público através de uma realizadora amiga de Seixas Santos, Margarida Gil. A mesma fonte revela que o realizador encontrava-se doente há mais de um ano. Tinha 80 anos de idade.

 

Nascido a 20 de Março de 1936, Alberto Seixas Santos é tido como um dos críticos cineastas do movimento Cinema Novo. A sua obra tem sido preservada como uma afronte ao regime marcelista, sendo que, Brandos Costumes, o seu trabalho mais célebre e primeira longa-metragem, produzido antes da Revolução de Abril, tenha sido exibido somente em Setembro de 1975. Mas antes da estreia portuguesa, o filme fora apresentado na Competição do Festival de Berlim.

 

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Outras obras incontornáveis da sua carreira foram A Lei da Terra (1977), o drama colonialista Paraíso Perdido (1995), com Maria Medeiros no principal papel, Mal (1999), um retrato da vida contemporânea lisboeta tendo como perspectiva uma mulher irlandesa, a curta-metragem A Rapariga da Mão Morta (2005) e E o Tempo Passa (2011), que passaria a ser o seu último filme.

 

Para além da realização, Seixas Santos foi um dos fundadores do Centro Português de Cinema, dirigente do ABC, o Cineclube de Lisboa, apostando numa respeitada carreira crítica, tendo em conta as suas colaborações nas revistas Imagem, Seara Nova e o O Tempo e o Modo.

 

Em Março de 2016, a Cinemateca havia lhe dedicado uma retrospectiva integral.

 

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Alberto Seixas Santos (1936 - 2016)

 


publicado por Hugo Gomes às 13:48
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8.12.16

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… ou talvez não!

 

O que parecia ser uma comédia de costumes da mesma raiz que os remakes de Canção de Lisboa ou Pátio das Cantigas (o que não é bom sinal), revelou-se numa aspiração a um enésimo episódio de um Twilight Zone. Se não sabiam, ficam agora avisados, quanto à estranheza nesta oscilante variação entre dois géneros (a comédia de influências salazaristas, os bons costumes morais e conservadores como mandam a tradição, e da ficção cientifica) … bem … a Mãe é que Sabe.

 

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É fácil identificar os propósitos de Nuno Rocha (da curta-metragem 3X3) e todos os envolvidos deste projecto - centrar um tipo de cinema acostumado ao formato televisivo para indiciar aquilo que muito da nossa cinematografia havia perdido, a arte do storytelling, e não a regência de um estilo, de um statement politico ou de uma transgressão artística. É uma questão de enredo, do pitoresco dos gags disfarçados em “nosso pão de cada dia” e a nostalgia mercantil que muitos dos nossos espectadores, principalmente aqueles que cresceram sob o regime do Estado Novo, irão se identificar.

 

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Sim, é tudo um episódio de “faz-de-conta”, uma mixórdia de temáticas que a meio gás envolve-se com o de mais mediático existe na ficção cientifica norte-americana. Ouso em afirmar que este A Mão é que Sabe é o mais próximo que temos do Arrival, de Denis Villeneuve, por exemplo. Para as audiências endereçadas às telenovelas do costume, àquelas narrativas lineares e aos failsafes, o filme de Nuno Rocha é um desafio mental, uma salada temperada ao gosto do freguês. Se isso será aceite por este ou não, advém da disposição do nosso “cidadão”. Para o cinéfilo mais profundo, a verdade é mais certa que a morte, e neste caso não poderemos antever telepaticamente, A Mãe é que Sabe cansa.

 

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Cansa pelo seu meio-termo, pela veia cientifica que empesta a narração e sobretudo nos mói pelo facto que os retalhos de uma vida salazarenta protagonizada pela talentosa Joana Pais de Brito, são mais interessantes que todo o frenesim de “o que raio está-se a passar” pelo qual o filme se assume. Competente, sim senhor, mas um filme o qual nenhuma força cósmica o conseguirá resgatar num futuro próximo.

 

Real.: Nuno Rocha / Int.: Maria João Abreu, Joana Pais de Brito, Manuel Cavaco, Filipe Vargas, Filipa Areosa, Carlos Santos

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 01:11
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6.12.16

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A co-produção luso-espanhola Gelo, de Luís & Gonçalo Galvão Teles, foi o grande vencedor da última edição do Fantastic Planet Film Festival, em Sydney, na Austrália. O filme arrecadou o Grande Prémio da Competição, assim como Ivana Baquero, a protagonista, laureada com a distinção de Melhor Actriz.

 

Estreado entre nós em Março, tendo anteriormente aberto a edição do Fantasporto, Gelo combina ficção cientifica com romance num enredo sobre duas mulheres distintas, cujas vidas misteriosamente entrelaçam.

 

Vale a pena salientar que Gelo estará integrado na competição internacional da 33ª edição do New Jersey Film Festival, EUA. Para além disso, é, também, candidato aos Prémios Goya e ao Prémio Goya Iberoamericano.

 

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publicado por Hugo Gomes às 02:51
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A Cinemateca Portuguesa Museu do Cinema vai apresentar um ciclo integral do realizador português José Fonseca e Costa, durante este mês de Dezembro.

 

A retrospectiva arranca com a projecção de Kilas, O Mau Da Fita (1980), um sucesso visto por mais de 100 mil portugueses, protagonizado por Mário Viegas, que contou com um argumento escrito pelo músico Sérgio Godinho. O enredo roda sobre um líder de uma gangue que é contratado por um Major para vigiar a casa de personalidades suspeitas. 

 

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Recordamos que Fonseca e Costa, falecido em Novembro de 2015, sempre havia sido considerado num dos “braços fortes” do movimento Cinema Novo em Portugal. Foi celebrizado como um realizador que tão bem uniu o estatuto autoral com o cinema industrial e popular, deixando para trás alguns dos maiores sucessos de público e crítica no Cinema Português. Entre as suas principais obras, conta-se Sem Sombra de Pecado (1982), O Fascínio (2003), A Mulher do Próximo (1988), A Balada da Praia dos Cães (1986), Viúva Rica e Solteira Não Fica (2006) e o póstumo Axilas (2016).

 

O Ciclo: José Fonseca e Costa tem ínicio no dia 6, prolongando até 30 de Dezembro. Para mais informação, ver aqui.

 

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publicado por Hugo Gomes às 02:44
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Talvez não seja o meu filme favorito do David Finc...
Takes
10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
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