Data
Título
Take
27.4.17

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Roman Polanski é a mais recente adição da programação do próximo Festival de Cannes. O seu novo filme, Based on a True Story (D’après une histoire vraie), estará presente na 70ª edição do festival numa sessão Fora de Competição.

 

Tratando-se da adaptação do livro de Delphine de Vigan, o filme centra a sua história numa autora (Emmanuelle Seigner) com um bloqueio criativo, cujo seu mundo é abalado quando se depara com uma misteriosa mulher (Eva Green). O argumento foi concebido pelo próprio Polanski em colaboração com Olivier Assayas (Personal Shopper).

 

Para além do trabalho de Polanski, foi ainda anunciado outras obras que figurarão a montra cinematográfica mais cobiçada do ano, entre eles, o mais recente filme de Ruben Ostlund (Force Majeure) – The Square – em Competição.

 

Destaca-se ainda a homenagem ao cineasta André Techiné, através da projecção do seu novo filme, intitulado de Nos Années Folles, e do filme-concerto Djam, de Tony Gatlif, a ter lugar no Cinéma de la Plage (Cinema na Praia).

 

 

OUTRAS ADIÇÕES

Un Certain Regard

La Cordillera, de Santiago Mitre

Walking past the Future, de Li Ruijun

 

Sessões Especiais

Le Vénérable W., de Barbet Schroeder

Carré 35, de Eric Caravaca

 

Sessão Infantil

Zombillénium, de Arthur de Pins e Alexis Ducord

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:55
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25.4.17

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Foi anunciado as restantes personalidades que irão compor o júri da Selecção Oficial do próximo Festival de Cannes.

 

No júri, que será presidido pelo cineasta espanhol Pedro Almodóvar (Julieta), estarão integrados os realizadores Chan-Wook Park (The Handmaiden) e Paolo Sorrentino (La Grande Bellezza, Youth), o actor Will Smith (Suicide Squad), a realizadora e argumentista Maren Ade (Toni Erdmann), a actriz norte-americana Jessica Chastain (Interstellar, The Tree of Life), a realizadora e actriz Agnès Jaoui (Le Goût des Autres), a actriz e produtora chinesa Fan Bingbing (X-Men: Days of a Future Past), e o compositor francês Gabriel Yared.

 

A 70ª edição do Festival de Cannes decorrerá entre 17 a 28 de Maio.

 


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publicado por Hugo Gomes às 22:54
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30.3.17

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Colo, o novo filme de Teresa Villaverde que se encontrou presente na Competição do último Festival de Berlim, terá as honras de abrir o 14º Indielisboa. Recordamos que a obra é descrita como um retrato realista de uma família no limiar da pobreza.

 

O festival de cinema independente de Lisboa decorrerá entre 3 a 14 de Maio,  tendo ainda revelado o seu filme de encerramento, I Am Not Your Negro, um documentário de Raoul Peck sobre a luta pelos direitos civis nos EUA. O filme contou com uma nomeação ao Óscar de Melhor Documentário.

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:15
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Arranca a partir de hoje a iniciativa 4.Doc, um conjunto de quatro obras aclamadas e premiados no festival Doclisboa que será exibidos no Cinema Ideal. O primeiro filme é Calabria [ler crítica], de Pierre-François Sauter, o vencedor do Grande Prémio na última edição do certame. Um documentário que visa reflectir a condição do imigrante através de uma viagem entre dois homens de origens distintas que prestam o serviço de uma funerária.

 

Os realizador e os protagonistas (José ​Russo Baião ​e Jovan​ Nikolic) estarão presentes nas duas das sete sessões programadas (dia 30 de Março e 1 de Abril). Calabria será exibido entre 30 de Março a 5 de Abril, sempre no horário das 19h. Na sexta feira, dia 31, após a sessão haverá um concerto de Jovan Nikolic no Salão Ideal.

 

Os outros filmes inseridos na programação são O Terceiro Andar, de Luciana Fina (a ser exibida a partir de 8 de Junho), Oleg Y Las Raras Artes, de Andrés Duque (6 de Julho) e o quarto e último filme, a ser projectado a partir de 14 de Setembro, ainda está por anunciar. Todas as sessões serão acompanhadas por debates e outras actividades.

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:03
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18.3.17

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Suspiria é hoje tido como uma das obras-primas do mestre do cinema de terror italiano Dario Argento, e uma das suas principais particularidades é a paleta de cores utilizada, auferindo ao filme um tom plástico e berrante. Contudo, a nova versão irá afastar-se desse mesmo tom visual, e quem o garante é o realizador, o também italiano Luca Guadagnino (I am Love).

 

Segundo Guadagnino, o remake de Suspiria (cuja a rodagem encontra-se finalizada desde o ano passado) tentou afastar-se do célebre filme de Argento, constituindo-se como uma visão própria. O realizador adiantou que o seu filme terá como temáticas "a culpa e a maternidade. Não possuirá as cores primárias na sua paleta, tal como o original" e "será frio, maléfico e muito negro".

 

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Recordamos ainda que Chloe Moretz Grace será a protagonista, e Dakota Johnson, Mia Goth, Tilda Swinton e Jessica Harper (protagonista do original) completarão o elenco. Suspiria remete-nos a uma conceituada escola de dança que recebe uma jovem bailarina americana. Durante a sua estadia, fenómenos bizarros e assassinatos macabros ocorrem por dentro e por fora das paredes da Academia.

 

O original de 1977 foi o primeiro filme de uma trilogia que Dario Argento apelidou das "Três Mães", que fora posteriormente completado com Inferno (1980) e Mãe das Lágrimas: A Terceira Mãe (2007). A nova versão estreará ainda este ano. De momento não existe data de estreia.

 

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publicado por Hugo Gomes às 01:07
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16.3.17
16.3.17

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publicado por Hugo Gomes às 15:38
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1.3.17

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O FESTin comemora hoje (1 de Março) o especial número 8. Oito anos de existência, em uma oitava edição que prolongará até oitos dias no Cinema São Jorge, recheado com o melhor de um cinema falado na língua portuguesa, a ponte cultural de oito países separados por milhas, oceanos e História. Um signo a merecer a atenção do mais vasto público, dos cinéfilos em geral, e dos curiosos que tem a oportunidade de encontrar neste evento cultural uma cinematografia rica e igualmente pouco conhecida no nosso país. Referimos ao cinema brasileiro, uma produção diversificada que luta por um espaço na memória e mercado português.

O cinema brasileiro como "espinha dorsal"

 

Para Roni Nunes,  programador do FESTin, a derradeira luta está em trazer uma mostra plena de um cinema que "passa por uma fase excelente, como se viu com nove longas-metragens selecionadas para a Berlinale." O curador entende que com a qualidade do cinema brasileiro actual, era óbvio que não haveria "razões para não termos uma grande programação. Está na hora de mudar a imagem do cinema brasileiro em Portugal, que é muito associado às telenovelas, algo que não faz qualquer sentido, ou então a “Tropa de Elite” e “Cidade de Deus” – que são excelentes filmes mas que, obviamente, estão longe de ser representativos do cinema do país."

 

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Sim, Brasil será o país predominante do FESTin, e nele encontraremos uma "mão cheia" de estreias, tais como pernambucano Big Jato, o muito antecipado Comeback, a desforra de um pistoleiro de terceira idade e a loucura boémia dos anos 60 em Br 716, que segundo Roni Nunes, representam uma pequena fatia do melhor se produz nos dias de hoje, possuindo "uma magnífica característica, a possibilidade de agradar cinéfilos e espectadores casuais". O certame arrancará com a exibição de O Outro Lado do Paraíso, de Andre Ristum, um relato emocionado do Brasil em plena metamorfose político-social dos anos 60.



Para acompanhar as obras, o FESTin terá imensos convidados de honra, entre realizadores e actores, equipa de produção e técnicos, presenças exaustivas que prometem estabelecer uma ligação com o público. Entre as esperadas vindas, contaremos com a presença de Mariana Ximenes, que segundo Roni Nunes é "mais do que um rosto conhecido das telenovelas, ela é uma artista que tem investido muito em cinema de autor no Brasil." A actriz apresentará duas obras do seu currículo, ambas em Competição. Quase Memória, dirigido por Ruy Guerra, um ícone do Cinema Novo do Brasil, e Prova de Coragem, que também co-produz.


"O que mudou na programação foi que enveredamos definitivamente por um caminho mais autoral e desafiante na competição – a ponto de poder dizer que, em termos de quantidade, diversidade e, principalmente, qualidade, temos a melhor montra de cinema brasileiro de Portugal." proclama o programador.

 

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Lisboa, menina e moça, a capital Ibero-Americana

 

FESTin encerrará a edição com Elis, um retrato biográfico da cantora Elis Regina, uma das maiores da terra da Ordem e do Progresso. A escolha deste filme de Hugo Prata, protagonizado por "uma das revelações do ano passado" Andreia Horta (que estará presente), não foi ao acaso, a cinebiografia de uma das mulheres mais ícones do Brasil é servida de comemoração ao Dia Mundial da Mulher.

 

O feminino, por sua vez, será tema importante em toda a programação do FESTin, quer pela Lisboa Capital Ibero-Americana que escolheu o festival como o evento cultural oficial desta temática, preenchido por mesas redondas, debates, actividades paralelas e claro, mais mostras de filmes. "Em termos de filmes um dos destaques é a mostra dedicada à Margarida Gil, que terá cinco dos seus principais trabalhos (“Rosa Negra”, “O Anjo da Guarda”, “Adriana”, “O Fantasma de Novais” e “Paixão” exibidos" sugeriu o programador.

 

Ainda com a Lisboa Capital Ibero-Americana, "o FESTin dará a conhecer, numa parceria com o Instituto Cervantes, a obra do realizador cubano Titón, que será representa pela sua ex-mulher e uma figura icónico do seu país, Mirta Ibarra."

 

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Duas grandes apostas em português de Pessoa

 

Comparativamente ao cinema brasileiro, Portugal é de uma produção mais pequena, mas não é por isso que deixará de estar representado nesta oitava edição do FESTin. O festival vai contar com duas antestreias lisboetas, "dois excelentes exemplares de cinema português", afirma Roni Nunes. Integrados na Competição e vincadamente lusitanos estão Uma Vida à Espera, o regresso de "um realizador experiente na televisão, Sérgio Graciano, investindo num registo completamente diferente, onde Miguel Borges vive um sem-abrigo", e A Floresta das Almas Perdidas, de José Pedro Lopes, "uma bela mistura de cinema de género, neste caso o terror, com arthouse – tendo como ponto de partida uma floresta conhecida por ser um lugar procurado pelos suicidas".

 

Em contrapartida e questionado sobre a produção dos outros seis filmes de língua portuguesa que compõem este octógono cinematográfico, o programador referiu que "o cinema africano em língua portuguesa tem sido muito difícil de encontrar e as nossas solicitações nem sempre são atendidas com celeridade. Alguns destes países não têm indústria, outras aparecem com projectos de forma intermitente. E há países importantes na lusofonia onde a cultura é mesmo um alvo a abater. Ainda assim temos alguns projectos nas secções de curta-metragem e documentário"

 

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publicado por Hugo Gomes às 09:34
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27.2.17

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City of Stars ecoa como um hino de derrota, uma triste melodia que protagonizou um dos (se não o) momento mais caricato da cerimónia e da História dos Óscares. Segundo consta, o erro esteve num envelope equivocado, um erro descoberto tarde demais, no preciso momento em que a equipa do musical discursava os seus agradecimentos. O prémio máximo acabaria por ser entregue a Moonlight, a resposta mais marginal às luzes e sons de La La Land. Durante alguns segundos, o musical mais amado/odiado da actualidade converteu se num filme de compaixão, até porque se livrou da maldição do Óscar, e essa mesmo abateu-se na obra de Barry Jenkins. Só o tempo dirá o que esta "valorização" vai significar.

 

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Como sabem, a estatuetas douradas não são  mais que meras representações de consenso oriundo de votantes, que, sabe-se lá de onde, adoram sentir-se humilhados com as declarações anónimas para a The Hollywood Reporter. Ao ver essas publicações, percebemos que de consciência crítica, esse grupo raramente o possui. É tudo uma questão de gosto, e até que ponto os separa do mais mundano espectador? Aliás, filmes como Hacksaw Ridge nunca teriam lugar numa lista composta pelos suposto "melhores do ano" … Reformulando, nenhum daqueles nomeados merecia tais títulos, mas isso é outra conversa.

 

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Se o final foi inesperado, até mesmo para quem contava com a vitória de Moonlight nesta noite de "cartadas políticas" e de pouco cinema, o resto da cerimónia foi de puro tédio. Para além da previsibilidade, ainda tivemos que contar com a perpetuação de uma certo conformismo, e destaco, obviamente,  dois Óscares em particular. O primeiro, o de Melhor Animação, onde numa lista composta por três formidáveis exemplares, longe dos grandes estúdios, a Academia se vergou perante a trivialidade de Zootopia. Parece que a Disney continua a possuir o seu peso nas decisões dos votantes. Já o segundo, foi o desperdiçar de uma oportunidade de fazer certo, o de entregar o prémio a Isabelle Huppert pelo seu desempenho em Elle, aquele "murro no estômago" de Paul Verhoeven. Nesta decisão foi o "sangue novo" que persistiu, como sempre, e Emma Stone conseguiu erguer o troféu com graça. Porém, a tristeza sentiu-se do outro lado.

 

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Resumindo a noite, Moonlight ganhou … ganhou, mas a sua vitória saiu ridicularizada, e triste. Será que alguém se lembrará do filme sem o associar a este "estranho" episódio? E até que ponto a sua vitória, não foi a vitória do politicamente correcto? De momento, iremos deixar o ódio, muitas vezes, irracional que La La Land parece ter tecido antes dos Óscares, e esperar qual destes filmes terá o "privilégio" de ser relembrado como "aquele que definitivamente merecia a estatueta". 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:29
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24.2.17

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O thriller sul-coreano The Age of Shadows (A Idade das Sombras) abre a selecção oficial do 37º Fantasporto: Festival Internacional de Cinema do Porto, uma edição que visa em apostar fortemente no cinema asiático e argentino.

 

O filme de abertura é exemplo dessa mesma aposta cultural, uma obra de espionagem que transporta o espectador para os anos de 1920, numa Coreia sobre o domínio japonês, e uma resistência que surge nas sombras com o intuito de proclamar a sua liberdade. Dirigido por Kim Jee-Woon, um nome não desconhecido para qualquer cinéfilo atento à produção oriental (o responsável pelo culto de I Saw the Devil, A Tale of Two Sisters e The Good, the Bad, the Weird), concede um filme de grandiloquência técnica e rigor na reconstituição histórica. Foi o candidato sul-coreano aos Óscares.

 

A decorrer até dia 4 de Março no Teatro Rivoli, o Fantasporto orgulha-se de presentear o público com as mais recentes novidades do cinema fantástico, assim como cinema português. No leque nacional, contaremos com as antestreias de A Ilha dos Cães, de Jorge António, o último trabalho do actor Nicolau Breyner no grande ecrã; Comboio de Sal e Açúcar, de Licinio Azevedo; e A Floresta das Almas Perdidas, de José Pedro Lopes, um raro exercício de terror no nosso panorama cinematográfico. O filme, livremente baseado numa floresta japonesa com alto índice de suicídios, transcreve a melancolia e o infortúnio como patologias psicóticas.  

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:53
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19.2.17

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A curta-metragem Onde foi a Minha Sorte, de Pedro Gonçalves, triunfou na Competição Nacional do 7º Festival Córtex, que ocorreu no Centro Olga do Cadaval, em Sintra, entre os dias 16 a 19 de Fevereiro. Segundo as palavras do júri, "Começar a fazer filmes tem a ver com viver medos e aprender a ser certeiro, mesmo quando não se sabe nada do que aí vem. Este filme é isso: a força do começo. A criança, a ferida escondida, a energia no chuto bola. Esta força do começo trás-nos a nós a alegria de descobrir imaginações jovens que têm a seriedade de assumir que querem filmar".


Composto pelas actrizes Leonor Silveira e Anabela Moreira, a realizadora Cláudia Varejão, a directora e programadora do Doclisboa, Cintia Gil e o director de fotografia, Vasco Viana, o júri ainda elegeu o alemão Nach dem Spiel (After Play), de Aline Chukwuedo, como o melhor da Competição Internacional. O sul-coreano The Chicken of Wuzuh, de Sungbin Byun, foi distinguido com a menção honrosa


Já na secção Mini-Córtex, destinados a filmes para o público infantil, foi premiado a curta de animação norte-americana, True Colors, da realizadora Nicole Morconiec. Enquanto isso, O Campo de Víboras, de Cristèle Alves Meira, recebe o Prémio do Público.

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:24
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18.2.17

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Urso de Ouro: On Body and Soul, de Ildikó Enyedi (Hungria)
Grande Prémio do Júri: Félicité, de Alain Gomis
Realizador: Aki Kaurismäki (The Other Side of Hope)
Argumento: Sebastián Lelio e Gonzalo Maza por Una Mujer Fantástica
Troféu Alfred Bauer (inovação de linguagem): Spoor, de Agnieszka Holland
Actriz: Kim Monhee (On The Beach At Night Alone)
Actor: Georg Friedrich (Bright Nights)
Contribuição Artística: a montadora Dana Bunescu, pela edição de Ana, Mon Amour

 

Nota para Cidade Pequena, de Diogo Costa Amarante, que é premiado com o Urso de Ouro de Melhor Curta-Metragem. É o segundo ano consecutivo que Portugal vence nesta categoria, sucedendo assim à Balada de Batráquios, de Leonor Teles.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:48
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11.2.17

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A Universal Pictures prepara uma nova versão cinematográfica de Scarface (baseado num homónimo livro de Armitage Trail), a terceira desde o filme de Howard Hanks em 1932 (Scarface, o Homem da Cicatriz) e a celebre variação dirigida por Brian DePalma (com argumento de Oliver Stone) de 1983 (A Força do Poder), que contava com Al Pacino no popular e infame papel de Tony Montana.

 

A ideia de um terceiro filme não é nova, mas o projecto parece ter por fim "pernas para andar" após as notícias de que os irmãos Coen fizeram uma recente "revisão" no guião. Segundo a The Hollywood Reporter, o argumentista David Mackenzie (Hell or High Water) poderá complementar o trabalho de escrita. A mesma fonte adianta, ainda, na possibilidade de Peter Berg (Patriots Day) dirigir esta nova versão (Pablo Larrain encontrava-se, anteriormente, encarregue do feito).

 

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Voltando a Scarface, ainda não se sabe ao certo qual será o apelido e nacionalidade deste novo Tony, visto que o de 1932 era um italiano em Chicago e o de 1983 um cubano em Miami. Porém, existem rumores de que ele será um mexicano em ascensão no mundo do crime de Los Angeles. Rumores, esses, que adquiriram solidez após o anuncio de que o actor mexicano Diego Luna (Rogue One: A Star Wars Story) irá protagonizar este projecto.

 

A Universal Pictures estabeleceu a data de estreia para Agosto de 2018.

 

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publicado por Hugo Gomes às 12:27
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5.2.17

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Arranca a primeira edição do IndieJúnior Allianz, o Festival Internacional de Cinema Infantil e Juvenil do Porto, que irá trazer à cidade mais de 60 filmes, oriundos de 20 países diferentes.

 

A curta Até o Céu Leva Mais ou Menos 15 Minutos, de Camila Battistetti, terá as honras de abrir esta mostra de cinema direccionado aos mais novos, com óbvia partilha dos mais graúdos. A sessão de abertura contará com a presença da actriz Patrícia Queirós, entrada é gratuita, mediante levantamento de bilhete no Teatro Rivoli (no limite dos lugares disponíveis).

 

Um dos momentos de destaque deste Festival, é a secção O Meu Primeiro Filme, espaço para revelações quanto à primeira experiência cinematográfica de várias personalidades do Porto. Esta inaugural edição trará as memórias de Rui Moreira, Presidente da Câmara Municipal do Porto (Mon Oncle, de Jacques Tati), a dramaturgo e poetisa Regina Guimarães (West Side Story, de Jerome Robbins e Robert Wise), o encenador Gonçalo Amorim (Goonies, de Richard Donner) e a fotografa e artista plástica Rita Castro Neves (A Night at the Opera, com os Irmãos Marx, de Sam Wood).

 

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A programação do IndieJúnior contará ainda dois workshops para crianças e famílias no café concerto do Rivoli: um de dança e cinema com o bailarino Pedro Carvalho e o outro de som com o músico Bruno Estima, e ainda um debate em paralelo, "O Bullying na Infância e Adolescência", com entrada livre.

 

Com parceria com a Câmara Municipal do Porto, o IndieJunior  decorrerá nos dias 5 a 12 de Fevereiro, no Teatro Municipal Rivoli, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett e no Cinema Trindade. A programação completa poderá ser consultada aqui.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 01:47
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19.1.17

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No mesmo dia que estreia Silence, o esperado filme de Martin Scorsese sobre jesuítas portugueses que viajam para o Japão com intuito de propagar a sua fé, a 14ª edição do KINO: Mostra de Cinema de Expressão Alemã levará os seus espectadores também à terra do sol nascente. Mas ao contrário da produção de Hollywood, Grüße aus Fukushima (Fukushima, Meu Amor), de Doris Dörrie, não é um ensaio de pregação, mas o contrário; a busca de uma "", neste caso a crença na Humanidade.

 

Uma jovem alemã de sonhos desfeitos determinada a distanciar do seu Mundo para "mudar" o dos outros. É a história que remata o regresso do festival com desejos de quebrar as barreiras linguísticas e fronteiras nacionais. A edição deste ano terá como signo o feminino, representado desde a nova obra de Doris Dörrie (como havia sido referido), até à segunda longa-metragem da actriz e realizadora Maria Schrader, Vor der Morgenröte (Stefan Zweig: Adeus Europa) - um retrato biográfico do exílio do escritor Stefan Zweig, que encerra esta mostra de 11 dias, dividida em três cidades.

 

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Entre os nossos destaques, a não perder um curioso filme no dia 21: o ousado Wild (Selvagem), de Nicolette Krebitz, que demonstrará uma relação intensa entre uma miúda socialmente reprimida e um lobo adulto. Um filme que promete dar que falar. Filmes como Fado, de Jonas Rothlaender, 24 Weeks (24 Semanas), de Anne Zohra Berrached, que integrou a Competição de Berlim 2016, e o suíço Aloys, de Tobias Nölle (vencedor do Lince de Ouro do Festival FEST, em Espinho), são outras propostas convidativas da programação.

 

O evento de Lisboa decorrerá entre 19 a 24 de Janeiro, seguindo depois para a cidade do Porto  entre 26 a 29 de Janeiro, e terminando em Coimbra nos dias 1 a 3 de Fevereiro.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:25
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11.1.17

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Mesmo sob algumas perturbações financeiras, sugeriu Mário Dorminsky, director do festival, o Fantasporto irá arrancar com uma programação moderna e diversificada, tendo como principal foco o "cinema dos nossos tempos".

 

A 37ª edição do festival internacional de cinema do Porto apostará numa selecção vasta de cinema oriental e argentino, para além das habituais projecções de cinema fantástico e de português. A mostra mais esperada da cidade iniciará com a exibição de The Age of Shadow, o thriller de acção de Jee-woon Kim (I Saw the Devil) ambientado numa Coreia dos anos 20. Foi o filme seleccionado pela Coreia do Sul para o representar no Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.

 

A Floresta das Almas Perdidas - O destino de Carol

 

Na secção de competição contaremos com a presença de três filmes portugueses: A Floresta das Almas Perdidas, de José Pedro Lopes, Comboio de Sal e Açúcar, de Licinio Azevedo, e A Ilha dos Cães, de Jorge António, o último trabalho do actor Nicolau Breyner no grande ecrã.

 

Ainda na programação, a retrospectiva o cinema de artes marciais de Taiwan e a homenagem ao realizador holandês Ate de Jong (Drop Dread Fred), que estará em Portugal para receber o Prémio de Carreira. Serão ao todo 132 filmes vindo de 35 países diferentes.

 

O 37º Fantasporto decorrerá entre 24 de Fevereiro até 4 de Março no Rivoli: Teatro Municipal do Porto. A programação completa poderá ser vista aqui.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:20
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3.1.17

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Estamos cada vez mais próximos do fim da award season, e obviamente dos cobiçados Óscares da Academia. Entre os possíveis candidatos à estatueta de Melhor Filme, encontra-se Moonlight, a jornada humana de um jovem afro-americano na descoberta da sua mais intima natureza, tem sido apontado como um potenciais oscarizados de 2017, tendo como forte concorrente, La La Land. Porém, foi a obra de Barry Jenkins a arrecadar os principais prémios da OFCS (Online Film Critics Society), o qual Cinematograficamente Falando … encontra-se inserido, incluído o de Melhor Filme, Realizador (Jenkins), Actor Secundário (Mahershala Ali) e de Actriz Secundária (Naomi Harris)

 

Casey Affleck, um dos favoritos ao Óscar de Melhor Actor, foi premiado pela sua prestação em Manchester By the Sea, e Natalie Portman considerada a Melhor Actriz por Jackie, de Pablo Larraín.

 

À imagem do ano passado, os asiáticos continuam a seduzir a associação, o novo trabalho de Chan-wook Park, The Handmaiden [ler crítica], sucede assim ao The Assassin [ler crítica] de Hsiao-Hsien Hou, na escolha para Melhor Filme de Língua Estrangeira. Enquanto que o estatuto de Melhor Documentário do ano caiu nas mãos de O.J.: Made in America e Kubo and the Two Strings [ler crítica], dos estúdios Laika, destrona a forte competição da Disney e Pixar na categoria de Melhor Filme de Animação.

 

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Filme

Moonlight

 

Actor Principal

Casey Affleck, em Manchester By the Sea

 

Actriz Principal

Natalie Portman, em Jackie

 

Actor Secundário

Mahershala Ali, em Moonlight

 

Actriz Secundária

Naomi Harris, em Moonlight

 

Argumento Adaptado

Arrival por Eric Heisserer, Ted Chiang

 

Argumento Original

Hell or High Water por Taylor Sheridan

 

Edição

La La Land

 

Fotografia

La La Land

 

Filme de Língua Estrangeira

The Handmaiden

 

Filme de Animação

Kubo and the Two Strings

 

Documentário

O.J.: Made in America

 

Filmes sem Distribuição nos EUA

After the Storm

The Death of Louis XIV

The Girl With All the Gifts

Graduation

Nocturama

Personal Shopper

A Quiet Passion

Staying Vertical

The Unknown Girl

Yourself and Yours

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:20
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31.12.16

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... a todos os nosso leitores, um Feliz 2017. Conforme seja as vossas escolhas, bons filmes.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:21
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Como já é habitual, eis a resolução de 2016 com os 10 melhores filmes do ano, segundo o Cinematograficamente Falando … Chineses a aprenderem a serem chineses, juventude inconstante, animações de tira o fôlego, oitos desprezíveis e uma casa e o mais belo filme de guerra (sem guerra) dos últimos anos.

 

#10) Mountains May Depart

 

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O agridoce drama de Jia Zhang-Ke prevê um fim da cultura chinesa e o expansão completa do Ocidente globalizado e heterogéneo. Mas para além da sua crítica evidente, principalmente no terceiro acto onde adquire tons de distopia, Mountains May Depart é o reencontro com as raízes que muitos tendem em abandonar. Para além disso, eis a grande ressurreição de Go West, de Pet Shop Boys. [ler crítica]

 

#09) Kubo and the Two Strings

 

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Como já havia escrito, é puro cliché salientar a árdua tarefa de stop-motion e o esforçado trabalho que os estúdios Laika tem vindo a demonstrar nestes últimos anos. Kubo and the Two Strings é mais que um portento técnico-visual, é uma fábula encantada de "triste beleza" que nos dialoga sobre a perda e como superá-la por vias de outras curas. No campo das animações direccionadas para toda a família, tal mensagem é valiosa e por vezes evitada por motivos comerciais. [ler crítica]

 

#08) American Honey

 

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Os jovens de Dazed and Confused tiveram filhos, e esses "rebentos" povoam agora o universo de American Honey, um país onde a doçura não mora aqui, o que não evita as suas personagens procurá-la. Na América de Trump, estes rebeldes sem causa seguem por estradas milésima vezes caminhadas ao som das suas regras como um tribo de "meninos perdidos" de Peter Pan. Entre os peregrinos encontramos a revelação Sasha Lane, que sob as ordens de Andrea Arnold, desbota uma emoção algo perdido numa demanda ausente de tais vencidos sentimentos. A viagem não será para todos, principalmente para quem ingenuamente acredita que a juventude é sagradas e imaculada na sua inocência. [ler crítica]

 

#07) L'Attesa

 

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Piere Messina constrói um filme de gestos e de olhares, onde a perda tenta ser lidada por entre os silêncios. Os diálogos são raros, mas a espera é intensa, por entre uma atmosfera magnética e duas actrizes que se complementem numa só causa, L'Attesa (A Espera) é o mais recente filho de Persona, de Bergman, é o cinema de mulheres fragilizadas na descoberta da sua posição anteriormente questionada. [ler crítica]

 

#06) O Filho de Saul

 

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O horror acontece na porta ao lado, o medo atinge a sala oposta e o pânico é evidente pelo qual o nosso olhar desvia, ignorando o pesadelo que vivemos. Saul Fia (O Filho de Saul) atinge com uma abordagem improvável no cenário do Holocausto, revisitando os Campos de Concentração para uma perspectiva nada pensada anteriormente. Adeus dramalhões de puxar as lágrimas, até breve cinema estampado no preto-e-branco, bem-vindo Filho de Saul, a citar Primo Levi, a busca da Humanidade onde esta parece ter sido abandonada. [ler crítica]

 

#05) Elle

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Isabelle Huppert constrói em cumplicidade com o agora valorizado Paul Verhoeven uma das mais consistentes e complexas personagens femininas do cinema de 2016. Uma mulher refém do seu desejo, mas forte o suficiente para superar qualquer obstáculo inserido, é a carne e a fantasia unidas ao encontro de um só corpo, um thriller que parece emancipara-se das suas próprias raízes e por fim, dignificar a "vitima" e não o predador. Será Elle a obra-prima há muito pedida de Verhoeven? Só um o tempo dirá, novamente. [ler crítica]

 

#04) Anomalisa

 

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Tendo como inspiração uma peça teatral, Charles Kaufman e Duke Johnson insuflam vida nestas marionetas para a concepção de um enredo de colectividade, onde o individualismo, essa particularidade vivente em cada um de nós, é uma jóia a ser "desenterrada". O Mundo parece igual a si mesmo, todos parecem exibir a mesma face, as mesmas doutrinas, as ideias empacotadas como ovelhas em rebanho. Depois de A Grande Beleza, de Sorrentino, Anomalisa é esse ensaio existencialista que secretamente ansiávamos. [ler crítica]

 

#03) El Abrazo de la Serpiente

 

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Ciro Guerra explora um desconhecido universo. A indomabilidade da Amazónia alastra em todo um filme, conduzindo esta história contada em duas vozes e em dois tempos para territórios místicos, quase pagãos que renegam as culturas e crenças de fora. É o desconhecido que nos espera em cada margem do rio Amazonas, é o caos, a loucura, a peste, a febre e por fim, a harmonia encontrada no segredos dos segredos, residido no mais alto cume. A selva também sabe contar histórias. Histórias essas, que reflectem a actualidade do nosso Mundo e para onde caminhamos como seres humanos. Esquecimento, essa terrível maldição, não será imposta aqui neste brilhante filme.  

 

#02) The Hateful Eight

 

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Podem considerá-lo violento, regido ao universo que ele próprio criou através de "migalhas", nada original, reciclável e até vendido. Podem apelidá-lo do que quiser. Quentin Tarantino merece a atenção. O realizador de Pulp Fiction persiste nos temas focados no seu anterior Django para exercer um western gélido que tem como palco o passado, o presente e o futuro de uma Nação. É como "Um Conto de Natal", neste caso, Um Conto de Tarantino, rodeado de personagens taraninescas que despertam o mais profundo jubilo cinéfilo. Longa Vida a Tarantino! [ler crítica]

 

#01) Cartas da Guerra

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Sei que existe o senso colonialista dentro de nós, mas este não é um filme colonial, nem sequer de guerra. É um romance à distância, a da condição do soldado confinado à sua própria solidão, aquela prisão invisível induzido por politicas de outros. É a extrema luta de manter sóbrio perante um mundo bêbado que nos assiste. Ivo M. Ferreira invoca o verdadeiro soldado, não a máquina implacável de guerra implementada pelos prolongamentos do Call of Duty, mas de um homem "barricado" nos seus pensamentos, na saudade de uma outra vida que não seja aquela, mesmo sabendo que pouco sabemos como vivê-la - A Vida Civil.

 

 

Menções honrosas: O Ornitólogo, O Boi Néon, Evolution, The Childhood of a Leader, The Lobster, O Olmo e a Gaivota

 

Melhor Actor: Leonardo DiCaprio (The Revenant)

Melhor Actriz: Isabelle Huppert (Elle)

Melhor Realizador: Ivo M. Ferreira (Cartas da Guerra)

Melhor Argumento: The Hateful Eight

Melhor Efeitos Visuais: The Jungle Book

 

Melhores filmes vistos em festivais: The Witch (Indielisboa), A German Life (Doclisboa), Aquarius (Cannes), Paterson (Cannes), A História da Eternidade (FESTin)

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:36
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30.12.16

Antes de conhecermos os melhores do ano para o Cinematograficamente Falando …, ficamos com as 10 "tentativas" estreadas entre nós. Em 2016, fomos expostos a uma selecção de heróis fascistas, porém reféns de uma industrialização formulaica, franchises falhados, horizontes não alcançados  no cinema português e até, uma animação de violência castrada. Eis os 10 piores filmes do ano para este estaminé.

 

#10) Captain America: Civil War

 

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O leitor estará neste momento a questionar, porquê que num ano com tantos super-heróis,  Capitão América: Guerra Civil integra esta lista? Simples, para além da homogeneidade do projecto, a Marvel novamente sem personalidade nos seus eventuais capítulos, temos um filme incoerente disfarçado através de uma narrativa linear (ao contrário da "barafunda" cronológica de Batman V Superman que foi o seu grande pecado). Nessa incoerência encontramos uma aspiração de episódio político que de político nada tem, desde um Capitão América que desafia a ONU para prevalecer as suas ideologias de invasão autodidacta, até a um Homem de Ferro preocupado com danos colaterais e de assumir responsabilidades que mesmo assim recruta um jovem de 15 anos para combater na sua causa, chegando por fim a um plot device tão idiota como a "Martha" do filme de Snyder. Depois desta "guerrinha", tornam-se todos amigos, sem baixas, até porque as personagens são demasiado importantes para a Disney em futuros rendimentos. Fascismo industrialista contado para "criancinhas". [ler crítica]

 

 

#09) Underworld: Blood Wars

 

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Todos nós sabíamos que daqui não vinha coisa boa! Uma saga moribunda que bem poderia ter ficado pelo terceiro filme e mesmo assim é o exemplo perfeito de uma Hollywood capitalista que "suga" a fórmula até mais não existir. O original de 2003 não era perfeito, porém, possuía efeitos práticos que soavam como homenagens ao classicismo destes monstros e até mesmo ao referência ao ainda imbatível American Werewolf in London, de John Landis. Enfim, o facilitismo do CGI torna-se assim, neste caso, na destruição da única réstia de personalidade que esta jornada de Kate Beckinsale de cabedal continha. [ler crítica]

 

 

#08) Refrigerantes e Canções de Amor

 

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De boas intenções o Inferno está sobrelotado, e no caso desta comédia romântica de Luís Galvão Teles, tal não lhe safa. Escrito por Nuno Markl, que provavelmente são as suas ideias que funcionam como vigas de suporte neste tremendo desastre, eis cinema sem ritmo, de mau timing, desempenhos oblívios e uma tendência caricatural extremista que sufoca o potencial que esta obra havia depositado desde a sua produção. Ah … já me ia esquecendo! Victoria Guerra vestido de dinossauro cor-de-rosa bate aos pontos qualquer interpretação aqui inserida. [ler crítica]

 

 

#07) La Corrispondenza

 

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Os tempos de Cinema Paradiso já lá vão e o sabor algo requintado em La Megliore Offerta foi "sol de pouca dura". Giuseppe Tornatore, motivado em conquistar as audiências de todo o Mundo, explora um dramalhão romântico protagonizado por Jeremy Irons e Olga Kurylenko. Os actores não se esforçam, aliás devem ter sido os primeiros com a noção do mau argumento pelo qual guiam. [ler crítica]

 

 

#06) Gods Of Egypt

 

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O problema não é a falta de diversidade do elenco, o "whitewashing" pelo qual este filme foi "abatido", muito antes da sua estreia. Mas sim, pela enésima invocação da fraudulenta fórmula industrializada. Com a desculpa de ter como inspiração a mitologia do Antigo Egipto, Gods of Egypt é uma sonsice irreconhecível, das mãos de quem em tempos nos deu um dos mais inteligentes blockbuters da sua temporada - I, Robot.  No final quem sai do visionamento irá saber o mesmo sobre esta vasta mitologia da mesma forma como entrou. Hollywood no seu "melhor"! [ler crítica]

 

 

#05) The 5th Wave

 

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Chloe Grace Moretz é a última esperança da Humanidade no combate contra temíveis alienígenas. Uma adaptação de uma série infanto-juvenil literária que, pelo "andar da carruagem", ficará somente por este episódio-piloto. O filme foi um flop, o público não teve a "pachorra" para mais variações de Twilight ou Jogos da Fome (aliás, os ecos fizeram sentir no terceiro capítulo de Divergente). Contudo, The 5th Wave não deixa qualquer indicio de frescura nesse mesmo subgénero, é "cinema-pipoca" da mais preguiçosa espécie. [ler crítica]

 

 

#04) Now You See Me 2

 

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O primeiro filme poderia ser competente, se não fosse um twist final imaturo e armado em "sabichão". A sequela vai pelo mesmo caminho, e pior, mantêm a estupidificação do argumento do início até ao fim. Sabendo que nenhum mágico revela os seus truques, em Now You See Me 2, o que está em jogo já não é mais ilusão, é a pura da incredibilidade. Depois, de forma a manter a tradição, o twist final é também ele … pavoroso. [ler crítica]

 

 

#03) The Secret Life of Pets

 

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O que vamos oferecer às nossas crianças? Que tal uma animação que foge dos parâmetros da premissa, esquiva da originalidade e preza-se na previsibilidade? Que tal uma animação que alicerça o seu enredo numa amontoada dose de violência sem sentido, mas de forma tão subversiva que os defensores do controlo parental vão sorrir como se nada fosse? Porquê considerar Tom & Jerry e Looney Tunes obscenos que temos aqui o slapstick exagerado e sem moralidade em forma de animação precoce. Para mal dos nossos pecados, a sequela vem a caminho. [ler crítica]

 

 

#02) The Hunstman: Winter's War

 

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Nós não precisávamos desta sequela! Então porquê "gramar" com um embrião de grande produção, com actores forçados por clausulas contratuais e um argumento, que para além da previsibilidade, atenta-nos como um spoof involuntário dos épicos fantásticos. Mas por graças divina foi um flop, ao menos isso, sem a necessidade de mais uma sequela. [ler crítica]

 

 

#01) Dheepan

 

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O vencedor da Palma de Ouro da edição de 2015 do Festival de Cannes tem um lugar especial neste pódio. Porquê? Porque Dheepan, de Jacques Audiard, é um comboio que descarrila acidentalmente no seu percurso. O que iria ser uma espécie de cinema verité sobre refugiados, acaba por espelhar um medo irracional por estes. Audiard, por sua vez, queria demonstrar como a França é o país mais xenófobo do Mundo, com o auxílio de um cenário pastiche e profundamente desencantado para adereçar a um arquétipo de filme de acção lá pelo meio. No final temos a "comparaçãozita". A triste comparação que apenas evidencia que Audiard não sabe do que está a falar, nem muito menos abordar um tema tão actualmente mediático que é a crise dos refugiados, onde todos parecem ter uma particular opinião. [ler crítica]

 

Menções desonrosas: Hacksaw Ridge, X-Men: Apocalypse, Ben-Hur, Point Break, The Girl on a Train, Inferno

 

Pior actor - Theo James (Underworld: Blood Wars)

Pior actriz - Emilia Clarke (Me Before You) ex-aequo Leana Martau (A Canção de Lisboa)

Pior realização - Cedric Nicolas-Troyan (The Huntsman: Winter's War)

Pior argumento - The Secret Life of Pets

 

Piores filmes vistos em festivais: Vangelo (Doclisboa), As Cartas de Amor são Ridículas (FESTin), Sadako Vs Kayako (MOTELx), The Last Face (Cannes), Il Nome del Figlio (8 1/2 Festa do Cinema Italiano)

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:22
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28.12.16

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O que poderemos esperar de um novo filme de Jean-Luc Godard? Segundo a Screen Daily, a nova obra do "maior cineasta vivo" encontra-se em produção há mais de dois anos. Vincent Maraval, da Wild Bunch, revelou que Godard atravessava países árabes em busca de imagens que pudessem "reflectir o mundo Árabe de hoje".

 

Image Et Parole, o título do projecto, será um misto de ficção e factos, o produtor ainda adiantou à publicação que o filme poderá integrar o Festival de Cannes do próximo ano. Enquanto isso, Godard foi entrevistado pela russa Séance, que publicou recentemente a conversa, entre os trechos, de um dos realizadores impulsionadores da Nouvelle Vague:

 

"Estou a fazer uma introdução muito longa. Antes de vermos toda a mão, devemos considerar cada dedo individualmente. Então, eu dou os primeiros cinco elementos: a guerra, as viagens, a lei (como Montesquieu, o Espírito das Leis) ... algum outro e este último é a chamado Região Central (Central Region), em memória de um dos filmes underground americanos."

 

"Esta pequena história peguei emprestada de um livro desinteressante que se intitulava Happy Arabia – este epíteto de viajantes do século XIX (como Alexandre Dumas) concedendo hoje à região atingida pela pobreza, o Oriente Médio. A acção ocorre em um dos países locais onde há petróleo; as pessoas estão satisfeitas com esse estado de coisas, mas o seu governante quer governar os outros países árabes. Ele tenta isso, mas eventualmente falha, e tudo volta ao normal. Eu filmo sem atores, eles não precisam de mim aqui. Mas existe um contador de histórias, se ler os trechos do livro, e aí nós amplamente compreendemos a história, que funciona como uma espécie de parábola."

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:48
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