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14.4.17

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Fiore é o grande vencedor da 10ª Festa do Cinema Italiano. O filme de Claudio Giovannesi que aborda uma prisão juvenil arrecadou o cobiçado Prémio do Júri. La Ragazza del Mondo, de Marco Daniele, obteve uma menção honrosa e Un Bacio, de Ivan Cotroneo foi o elegido pelo público na sua respectiva categoria.

 

O júri desta edição foi integrado pela realizadora de Ama-san, Cláudia Varejão, o montador João Braz e ainda a actriz Rita Blanco.

 

A cerimónia de revelação e entrega dos prémios foi sucedida pela projecção de In Guerra Per Amore, uma comédia ambientada na Segunda Guerra Mundial, que contou com a presença do realizador Pierfrancesco Diliberto (Pif). O filme terá estreia nacional.

 

Depois de quatro cidades em simultâneo, a 8 1/2 Festa do Cinema Italiano ruma para a cidade de Aveiro (19 a 21 de Abril).

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:55
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12.4.17

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A absolvição chega tarde!

 

Desde cedo os italianos souberam extrair da crítica social, como política, o seu modelo cinematográfico. O neo-realismo, oficialmente nascido em 1943, é tido como uma dessas importantes visões de ousadia mordaz, enquanto que se servia de afronta para a ideia, então estabelecida, de cinema, contrariando as tendências estilísticas, filmando de forma estilizada, um realismo não estilizado (Erwin Panofsky).

 

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Com o passar dos anos, as críticas italianas obtiveram as suas diferentes facetas, desde a comédia à lá Itália que olhava para o humor como um portento escudo no seu ataque, e o "fellinismo", esse surrealismo barroco disfarçado que se abatia anos seguintes como um novo signo de vocabulário cinéfilo. Por fim, aparece-nos a poesia de Pasolini a servir de contraste e a fervorosa veia politica de Nanni Moretti a prevalecer numa despida sinceridade ideológica. Ou seja, em sangue italiano, a política como tema crítico para uma visão analista corre com tamanha agressividade nestas veias.

 

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Actualmente, o cinema não encontra nenhum movimento artístico predefinido, e a globalização tem tido papel fundamental na diversidade de vozes, cuja única similaridade é esse tom crítico. Le Confessioni é o enésimo avante de discurso politico, principalmente vindo da dupla Andò / Servillo, que após o sucesso de Viva La Libertá (Viva a Liberdade), onde apresentava o humor doppelganger para construir uma politica de sinceridades (mas nunca objectiva na sua crítica), reúne-se para invocar um misto de referências, que vão desde uma reunião G8 e a clássica forma de thriller de Agatha Christie, passando pelas óbvias menções de I Confess, de Hitchcock (as personagens estão encarregues de elucidar-nos) e a estética que fora mundialmente reconhecida pela cinema de Sorrentino.

 

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Toni Servillo é um monge de raízes misteriosas, convidado a participar em tal reunião politica, a pedido do líder da FMI, Daniel Roché (Daniel Auteuil). Os motivos deste misterioso convite são revelados após o suicídio deste último. Um ataque às politicas de austeridade e às empresas que ganharam com a crise, que tanto têm a dizer para os países do Sul da Europa, como Itália. Contudo, esse mesmo ataque é feito por impasses do grotesco burguês à lá Sorrentino, mas ao contrário do realizador de La Grande Bellezza, Roberto Andó funciona como um impostor, copista, e essa preocupação pela estética revela-se na sua maior fraqueza, até porque o filme nada tem para dizer, para além de um extremo senso de moralismo.

 

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Entre punch lines aqui e ali, frases que nos levam à nossa consciência moral, Le Confessioni é demasiado preso às suas influências. Toni Servillo é imperativamente regido ao seu ego e o resto, totalmente inofensivo, interligando as devoções religiosas, o maniqueísmo das boas acções, como uma solução pela frieza politica. Tal como diz Connie Nielsen a meio do filme, "já todos andamos fartos de contos de fadas".

 

Filme visualmente na 10ª edição do 8 1/2 Festa do Cinema Italiano

 

Real.: Roberto Andó / Int.: Toni Servillo, Daniel Auteuil, Pierfrancesco Favino, Connie Nielsen

 

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4/10

publicado por Hugo Gomes às 19:27
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5.4.17

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O maior bestseller italiano do século XX, segundo consta, teve o privilégio de contar com um dos grandes veteranos do cinema italiano actual como mentor da sua adaptação cinematográfica. Fai Bei Sogni, que por cá recebeu o título de Sonhos Cor-de-Rosa [ler crítica], é uma obra sobre o pesar e o vazio causado pela tragédia familiar: um menino que perde a sua mulher e que se torna no mais infeliz dos adultos. Um busca existencial e sobretudo emocional que abriu com alguma euforia a passada Quinzena de Realizadores em Cannes. O filme chegou esta semana aos cinemas portugueses, e no âmbito dessa mesma estreia revelamos a nossa conversa com um dos nomes grandes do cinema made in Itália de Hoje.

 

Os espectadores [Quinzena dos Realizadores de 2016] ficaram emocionados com a interpretação do rapaz. Muitos deles elogiavam a sinceridade das suas emoções para com a "mãe". Tendo feito parte da selecção do casting e estando presente no processo de criação dos seus actores, como conseguiu "arrancar" tais nuances em Nicolo' Cabras? 

 

Tínhamos ideias concretas do que pretendíamos em relação ao rapaz, e tivemos sorte ao encontrar Nicolo Cabras. Conhecemos este rapaz, que foi capaz de comunicar, ou seja, não esteve preso a alguma tendência ou visão artística, nem a nenhum método de actuação. Basicamente, foi uma mistura entre sorte e boas escolhas, porque para fazer-se de criança tem que se possuir uma verdadeira ligação e comunicação, e nos dias de hoje, maioritariamente na televisão, deparamos com encenações vazias e emocionalmente ocas. Nós não queríamos isso. Ao invés pretendíamos alguém que expressasse uma verdadeira admiração pela sua mãe, algo simplesmente natural. Não sei se Nicolo' Cabras vingará no futuro, mas neste filme ele foi a escolha mais que certa. 

 

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Porquê o romance de Massimo Gramellini? O que mais lhe motivou para avançar nesta adaptação?

 

Motivação? A sua história. Contudo, o que mais me emocionou, profundamente, é a infelicidade trágica da mãe. Mas é surpreendente que apesar da essência trágica, ela era devota ao seu filho. Uma mulher que tinha sonhos diferentes enquanto jovem, provavelmente queria ser cantora ou actriz, mas que decidiu abdicar desses sonhos para desempenhar o papel de mãe. Existe algo que não é mencionado no livro, no qual acredito que ela sofria de uma depressão secreta que nos levará aos eventos marcantes do enredo. Barbara Ronchi conseguiu transmitir essas nuances emocionais, o que serviu para que o pequeno Nicolo' Cabras não interpretasse simplesmente, mas que sentisse um amor maternal nela. O grande desafio desta adaptação foi o facto de eu nunca ter experienciado algo idêntico. Nada disto ocorreu na minha vida. Porém, teria que acertar no devido tom.

 

Como assim? Não experienciou algo idêntico? Não viveu um amor maternal?

 

Obviamente que vivi esse tipo de amor, um amor maternal e familiar. E, segundo a minha perspectiva, com tamanha intensidade. O que queria dizer é que nunca experienciei uma mãe ausente, principalmente sob estas circunstâncias. O que acontece normalmente com a ausência maternal é que criamos relações mais fortes com os nossos irmãos. Neste caso, Massimo não tem qualquer tipo de congéneres, tendo que preencher esse "buraco" doutra forma. Seria a figura paternal a compensar o estrago? Ou seriam os sonhos desfeitos da mãe a contagiar esta infância? Mas a grande questão era como é que uma criança poderia se rebelar contra a tragédia, e como poderia renascer de forma afectiva? O meu desafio era reconstituir essas experiências que iriam afectar a sua realidade e todo o seu ser. Foram esses obstáculos que me atingiram profundamente neste filme. Algo que nunca me acontecera com obras anteriores. 

 

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Referiu a aproximação de Massimo com o pai, e essa ligação foi estabelecida através do futebol.

 

É algo que está muito presente no livro. Poderíamos apelidar de aspecto bastante italiano, a aproximação do pai e filho através do futebol, e na altura o Torino era uma das grandes equipas do futebol italiano. Não só pelas vitórias, mas pelo facto de ter unido todos os adeptos, assim como toda a Itália, devido à tragédia de 1949, no qual um desastre de avião vitimou toda a equipa. Estas tentativas de afecto entre os dois serviram de alguma forma para manter ambos ocupados e esquecerem o pesar da sua tragédia familiar. No livro encontra-se também presente a cobardia do progenitor, visto que foi um padre que anunciou a notícia ao filho e não o próprio.  

 

Algo que se repara em «Sonhos Cor-de-Rosa» é que a televisão tem uma papel importante na narrativa, como também a personagem Belfagor.

 

Os arquivos televisivos foram uma importante forma de contar a História de Itália sem ter que sair de casa. Mas um dos marcos deste processo narrativo está na personagem de Belfagor, o Fantasma do Louvre, a criatura da série televisiva que parece ter enfatizado o mundo fantástico de Massimo. E para este poder sair desse universo de fantasia intimo teria que pedir permissão a este antagonista, fruto da memória televisiva que ele e a sua mãe partilhavam. Esta criatura tornou-se sua amiga, uma defesa que o protagonista conseguiu arranjar no seio desta tragédia, uma personagem que seria de certa forma exorcizada pela figura de Bérénice Bejo. O rapaz quando chega à adolescência é incapaz de entregar-se à felicidade devido, obviamente, à tragédia. Por isso é que mundo extraído da televisão tornou-se num importante refúgio e aura. Aura, essa, que iremos presenciar na passagem de Massimo, agora adulto, em Sarajevo, no seio da violência. Mas o filme não é somente a "colagem" das páginas do livro no grande ecrã, é também uma questão de interpretação, a nossa interpretação da dor de outro.

 

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Precisou de Belfagor na sua infância?

 

Não sou do tempo do Belfagore. A série apareceu em 1965 e eu nasci em 1939. Mas ao contrário de Massimo, tinha irmãos e o apoio, a protecção, vinda deles. Não precisava de fantasmas nem de figuras fantásticas. 

 

Como surgiu Bérénice Bejo a este projecto?

 

Procurava uma actriz, não exclusivamente italiana, mas europeia, que teria um determinado requisito, uma particular forma de sedução. Teria que demonstrar ser uma mulher forte, uma mulher que pudesse agarrar Massimo para uma realidade para a qual não está habituado, confrontando com a sua resistência. E isso é possível porque a sua personagem nada tem de atitude maternal ou sequer protectora. Diria que ela assume um lado terapêutico dessa dor e motiva a emancipação. Conhecia Bérénice de alguns filmes, e após o encontro com ela, dei-lhe a ler o argumento, o qual aceitou automaticamente. Apenas tinha que aprender a falar italiano, não pretendia dobrar nem sequer limitar o filme ao inglês. A Bérénice mostrou profissionalismo e, acima de tudo, um sentido de compromisso.

 

Fugindo agora à temática do seu filme, mas continuando no Cinema, gostaria de recordar o que o seu conterrâneo Gabrielle Muccino declarou no Dia Internacional do Cinema [na altura da entrevista, o episódio havia ocorrido ano passado] que o cinema italiano morreu após Pasolini, o qual disse que qualquer um poderia pegar numa câmara. O que tem a dizer sobre sobre a isto?

 

Todos têm direito à sua opinião, apesar de não entender essa declaração de Gabrielle Muccino. Faço filmes completamente diferentes dele, por isso não partilho essa sua ideia.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:31
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16.3.17

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Com cinco cidades em simultâneo, a Festa do Cinema Italiano chegará com esta 10ª edição na sua mais pujante força. para além de Lisboa, junta-se as cidades de Almada, Coimbra, Porto e Setúbal na partilha desta programação, embrulhada em promessas de trazer o melhor do cinema italiano recente, assim como invocar às mais perpetuas memórias cinematográficas.

 

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O filme de Marco Bellocchio, Sweet Dreams, foi o escolhido para abrir esta festa nostra no dia 5 de Abril, uma mostra que se prolongará até dia 13, tendo como desfecho o In Guerra Per Amore, de Pierofrancesco Diliberto. Entre as grandes novidades da secção Panorama conta-se os dois novos trabalhos de Roberto Andó (Le Confessioni - Políticos Não se Confessam) e Paolo Genovese (Perfetti Sconosciuti - Amigos, Amigos, Telemóveis à Parte).

 

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Serão seis os filmes presentes na habitual secção Competitiva, uma mostra repleta de novos nomes do cinema italiano e alguns ascendentes neste ramo. Já na Altre Visioni, dedicado ao cinema mais experimental e desafiante, teremos à nossa mercê quatro longas-metragens que melhor definem a maleabilidade da linguagem cinematográfica. A juntar ao já acostumado esquema de programação, as secções Il Corto (curtas-metragens), Piccolini (cinema de animação, este ano com o apoio da Monstra), e como não poderia deixar de ser, Amarcord, dedicado aos grandes clássicos de Itália.

 

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Neste último espaço, as novidades são imensas. O ciclo Dino Risi, um dos génios da comédia, o qual será composto por 10 longas-metragens, incluindo o unanimemente aclamado e famoso Il Sorpasso - A Ultrapassagem. Ainda, a reposição numa cópia 4k da obra-prima de Dario Argento, Suspiria, que à imagem do 8 1/2 , de Fellini, do ano passado, encontrará lugar nas salas UCI Corte-Inglês durante todo o festival. Por fim, outro clássico popular do cinema italiano, Trinitá, o Cowboy Insolente, com a dupla Bud Spencer (falecido ano passado) e Terence Hill a protagonizar esta fusão entre western spaghetti e comédia slapstick.

 

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Mas a Festa do Cinema Italiano não é apenas uma mostra de filmes, o festival será palco de um encontro entre produtores portugueses e italianos  com vias de lançar novas parcerias entre os dois países. A iniciativa, organizada pela associação Il Sorpasso, tem a colaboração do ICA, o MiBACT - Direzione Generale Cinema e a ANICA.

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:22
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31.1.17

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A 10ª edição da 8 1/2 Festa do Cinema Italiano vai regressar já no próximo mês de Abril, tendo como principal novidade, o decorrer em simultâneo em quatro cidades do país: Lisboa, Porto, Coimbra e Setúbal.

 

As habituais secções se manterão, o Panorama (composto pelos grandes êxitos actuais), a Competitiva (sete obras concorrem ao prémio), altre vision (uma proposta mais alternativa), il corto (curta-metragens), piccolini (dedicado aos mais novos, com parceria à Monstra) e ainda amarcord (retrospectivas aos clássicos desta cinematografia).

 

A organização oficializou a antestreia do mais recente filme do veterano Marco Bellocchio, Fai bei sogni (Sweet Dreams), que arrancou a Quinzena de Realizadores da anterior edição do Festival de Cannes, e um dos grandes sucessos da passada temporada cinematográfica em Itália, Perfetti sconosciuti, de Paolo Genovese.

 

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Em colaboração com a Cinemateca Portuguesa Museu do Cinema, o ciclo de Dino Risi, um dos responsáveis por trazer a dita "comédia italiana" para o resto do Mundo. Esta será a oportunidade de muitos assistirem pela primeira vez, os clássicos Il Sorpasso (A Ultrapassagem), I Mostri (Os Monstros) ou Profumo di donna (Perfume de Mulher).

 

Na edição de Lisboa - que acontece no Cinema São Jorge, nos Cinemas UCI – El Corte Inglès e na Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema - para além dos cerca de 50 filmes exibidos, durante nove dias do festival, estão ainda em destaque: a cidade de Nápoles, um dos focos do festival, onde é mostrada a cultura de um dos lugares mais icónicos do mundo, seja através do cinema, com destaque ao mítico Totò, da literatura, com foco no fenómeno literário Elena Ferrante, da música ou da gastronomia.

 

A realizar-se de 5 a 13 Abril nas referidas cidades, a Festa do Cinema Italiano seguirá depois para 15 cidades portuguesas e três países (Brasil, Angola e Moçambique).

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:10
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28.6.16

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8 1/2 Festa do Cinema Italiano continua assim a sua digressão, levando agora a mostra de cinema nostro a Almada. Entre os dias 29 de Junho a 2 de Julho, a festa italiana decorrerá no Fórum Municipal Romeu Correia, onde será possível assistir a inúmeras pérolas da cinematografia italiana, quer os mais clássicos como a abertura sob a batuta de Federico Fellini, 8 1/2, quer os mais modernos como o elogiado Anime Nere, de Francesco Munzi, ou o badalado Suburra, de Stefano Sollima.

 

Ver a programação, aqui

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:03
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13.5.16

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Sonhos e lágrimas, a celebração da mamma mia com Marco Bellocchio!

 

Sweet Dreams, bons sonhos segundo a tradução literal, são as duas exactas palavras que desencadearam o prolongado pesadelo que Massino vive. Proferidos pela sua mãe, o maior "tesouro" da vida do jovem rapaz, foram as últimas ouvidas pelo mesmo da sua boca. A tragédia foi só o início, porque o pesar, o desespero e a eterna fase de negação dominaram a vida de Massino, que agora adulto continua a enfrentar tais demónios interiores, "belfagors", como o próprio invoca, instalados nos seus mais profundos pensamentos.

 

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Adaptação do bestseller de Massimo Gramellini, um dos maiores êxitos de vendas da literatura italiana, Sweet Dreams (Fai Bei Sogni)  é um filme inesperado por parte do veterano Marco Bellocchio, o mesmo realizador que chegou a fazer Mussolini a apaixonar-se (Vincere), é incapaz de lidar com a morte materna de outros. É que o rato pariu uma montanha, e a gestação deu origem a um interminável pastelão de "puxar facilmente a lágrima".

 

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Um demoroso velório que nos apresenta personagens de cartão, enraizados na dor do protagonista, sem qualquer tipo de alma para além desse estabelecido objectivo. Valeria Mastandrea é aqui somente um espelho desse pesar, cujos "olhos de carneiro mal morto" funcionam como o auge da sua interpretação melancolizada. O pior é o desperdício de uma actriz como Bérénice Bejo, que foi capaz de trazer um "monstro" em Childhood of a Leader, sendo reduzida a um mero adereço emocional, quase como uma auto-ajuda necessitada pelo protagonista. Porém, as sequências "flashback" entre o pequeno Massino (Nicolo 'Cabras), com apenas 9 anos, e a sua mãe (Barbara Ronchi, Miele) são de uma ternura aconchegante.

 

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Pois bem, depois do pouco consensual Sangue del mio Sangue (apresentado este ano em Portugal na Festa do Cinema Italiano), Marco Bellochio concebeu um "crowd pleasure", um dramalhão corriqueiro que tenta descaradamente fugir da cinebiografia mas que só consegue interpretar lugares mais que comuns. Entre esses lugares contamos com a forte ligação de Itália com a imagem das suas "mães". Mamma Mia!

 

Filme de abertura da 48ª Quinzena de Realizadores de Cannes

 

Real.: Marco Bellocchio / Int.: Valerio Mastandrea, Bérénice Bejo, Fabrizio Gifuni, Nicolo 'Cabras, Barbara Ronchi

 

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4/10

publicado por Hugo Gomes às 20:25
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21.4.16

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Greta Scarano faz parte de um mosaico, uma teia de crime e de influências que no todo constituem Suburra [ler crítica], a obra de Stefano Solima que funciona como o novo sucessor do fenómeno Gomorra. Por ocasião da estreia nacional deste novo "folego" do filme de crime, o Cinematograficamente Falando… falou com a bela actriz sobre a sua inesperada personagem, os seus sonhos enquanto actriz e o seu desejo de trabalhar com Jacques Audiard

 

 

O que pode dizer sobre a sua personagem?

Primeiro de tudo, ela é uma toxicodependente, o que aufere certos contornos à personagem. A maneira como ela usa [esse vício] afecta completamente a sua vida, ainda por cima ela é apaixonada pelo Número 8, o seu namorado, que é praticamente tudo o que possui. Ele mantém-na viva, e sem ele, ela é incapaz de viver.

 

Então, está a dizer-me que ela é uma mulher dependente?

Sim.

 

Mas pela droga? Pelo amor? Ou pelo mundo do crime em que está inserida?

Diria que é pela droga e também pelo amor. Aliás, a personagem encontra um certo alívio com o amor deste, porque ela está constantemente em tormento, e possui um "vazio no peito", o qual tenta preencher com drogas, certas vezes, mas sobretudo com este amor.

 

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E como desenvolveu a personagem? Teve sempre conhecimento quanto ao seu desenvolvimento, ou foi aprendendo sobre ela durante a rodagem?

Eu sempre sabia como a personagem se iria desenvolver, no quer iria tornar-se. E não, não filmamos de forma cronológica, como é demonstrado no filme. Para ter percepção da sua metamorfose, eu teria que ter conhecimento de todo o seu desenvolvimento e natureza. Mas eu estava tão fascinada com o facto da minha personagem ser tão insignificante de inicio, e que no fim converte-senuma chave crucial à estrutura do enredo. Penso que o Stefano estava realmente interessado como um grande poder sucumbe face a algo tão, mas tão pequeno. E tal é movido pelo amor, e no sentimento da vingança, não que ela fosse interessada no poder, mas sim por amor.  

 

Gosta deste tipo de filmes? Os filmes de crime?

Sim, eu gosto bastante de histórias de crimes ("crime stories"), os chamados filmes de género e Suburra foi, como diria, uma nova "onda", porque fizemos uma história com bastante humor e sob um jeito autoral. Suburra é um filme de entretenimento que combina um enredo de crime com romance, e julgo que tem uma estética bastante europeia. Sim, foi um passo em frente neste género de filmes. 

 

Como se sente sabendo que o filme foi comprado para o catálogo americano da Netflix e que de momento será produzido uma série televisiva?

Não sei como o filme está a correr no Netflix, o que eu sei é que existe muita gente no Facebook ou Instagram, dos EUA, França, Inglaterra, que me escreveram. E isso foi óptimo! Saber que muitas pessoas viram e gostaram do filme, gostaram do meu papel, do meu trabalho. Julgo que esta é uma hipótese da Itália ser exposta no resto do Mundo.

 

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Quantos às suas ambições como atriz. Sempre sonhou ser atriz ou foi algo que apareceu num determinado momento?

Não, eu sempre quis ser actriz desde os meus 5 anos. Fiz imenso teatro enquanto criança, estudei música durante 3 a 4 anos, comecei a cantar e a tocar guitarra. Mas, na verdade, sempre quis ser actriz, porque acreditava que não conseguiria fazer mais nada fora disso. Em tempos, pensei até mesmo ser … sei lá, uma psiquiatra ou advogada. Mas quando cheguei aos EUA, quando tinha 16 anos, passei lá um ano, em Alabama, e fiz imensa interpretação, então regressei [a Itália], continuei com as peças de teatro e comecei a trabalhar quando fiz os 19. Por isso, foi há dez anos atrás, que comecei realmente a trabalhar e saí do meu emprego. Portanto, sempre me considerei uma actriz.

 

Se tivesse uma proposta para trabalhar em Hollywood aceitaria?

Sim, aceitaria sem hesitação. Porque existem imensos realizadores que eu gostaria de trabalhar.

 

Como quais?

Exemplos? Tenho tantos (risos). Pensando bem agora, não são puros americanos: Aronofsky, Iñarritu, Terrence Malick, os irmãos Coen. Este não é de Hollywood, mas gostaria de trabalhar também com Jacques Audiard. Ou seja, eu adoraria ir para Hollywood. Obviamente!

 

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O que pode dizer sobre o seu novo projeto, La Veritàsta in cielo?

É um filme de um autor italiano, Roberto Faenza, bastante intelectual. É sobre um caso de um rapto de uma rapariga que ocorreu entre a década de 70 e 80, e eu faço de uma mulher, uma prostituta, com bastante de influência, conhecimentos e que possui informação essencial quanto ao caso. Graças a ela, o caso é reaberto.

 

Então é um thriller?

Sim, é um thriller, e mais, é uma história verídica, sobre algo que aconteceu em Roma.

 

Falando em veracidade. Acredita que todo aquele ambiente de Suburra corresponde à realidade político-social de Roma?

Antes de ser um filme, Suburra era um livro e como livro inspirou-se na realidade de Roma. É uma obra ficcional com bastante romance, intriga, violência, crime. Sim, foi inspirada em Roma e aliás pode ser encarado como um estudo à cidade e à Máfia. Eles [os autores] estudaram e investigaram sobre o assunto. Mas uma coisa é certa. Enquanto filmávamos o filme, a máfia da capital apareceu. Sim, isso aconteceu, estávamos a filmar aquilo, e aquilo estava a acontecer. Mas não estávamos surpresos, até porque Roma é um lugar onde o Poder corrompe, e onde existe Poder, existe sobretudo interesse.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 13:33
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7.4.16

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Lo Chiamavano Jeeg Robot, de Gabriele Mainetti, foi duplamente premiado na 9ª edição do 8 1/2 Festa do Cinema Italiano. O filme de super-heróis italianos conseguiu arrecadar o Prémio do Júri e o Prémio do Público Canais TVCine & Séries. Os dois protagonistas da obra, Claudio Santamaria e Luca Marinelli, estiveram presentes no festival, que segundo o director Stefano Savio, contou com "salas cheias" e "várias sessões esgotadas".

 

O júri desta edição foi integrado por Tiago Alves, jornalista, crítico e subdirector de programas da Antena 1, por João Monteiro, co-director do MOTELx – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa e o actor italiano Ronaldo Bonacchi.

 

A cerimónia de revelação e entrega dos prémios foi sucedida pela antestreia nacional de Quo Vado?, de Genaro Nunziante, uma comédia protagonizado pelo popular actor Checco Zalone que obteve a proeza de destronar o sétimos capitulo de Star Wars das bilheteiras italianas.

 

Depois de Lisboa, a 8 1/2 Festa do Cinema Italiano ruma para Cascais (15 a 17 de Abril).

 

 

Ver também

Novidades e muitas "saudades" na 9ª edição da 8 ½ Festa do Cinema Italiano

Primeiro cartaz da 9ª Festa do Cinema Italiano!             

Festa do Cinema Italiano de volta a Lisboa com homenagem a Ettore Scola!

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:42
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5.4.16

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Por amor de Valeria!

 

Depois disto, há que peticionar a beatificação de Valeria Golino e fazer chegar tal rogação ao Vaticano! Bem, é melhor não exagerar, quase mesmo tendo chegado a tais conclusões. O problema aqui não é a actriz, que o público mais mainstream a conhece do duo cómico de Hot Shots (Ases pelos Ares), mas sim do empenho do realizador Guiseppe Gaudino em criar uma epopeia martirologica de uma mulher de bem num cenário inóspito de oportunidades. E é nesse empenho, que contando com o apoio do uso de manipulação visual, que deparamo-nos com um retrato artificial e por vezes piroso da Santa das Boas Causas que se tornou Golino.

 

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Talvez seja a boa causa de entrar num filme tão inexpressivo como este que a faz considerar como uma actriz de força e de sacrifício. Anna é uma mulher desiludida com a vida mas uma continua sonhadora, sendo esse sonho, o mar (aqui representado através de vivos tons azulados que destacam da fotografia maioritariamente cinzenta), seja o único motivo pela sua luta diária. Enquanto os que a rodeiam consideram a protagonista numa "amaldiçoada" pelos infortúnios do seus quotidiano, Anna, assumidamente corajosa, tenta sobretudo encontrar uma saída através da maldição que a anexaram.

 

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Recorrendo a constantes cânticos na sua narrativa, como coros clericais que pronunciam o nascimento de um ser altamente divino, Anna (Per Amor Vostro) é uma personificação da ideológica cristã-católica, o qual o sacrifício, quer físico, mental e material, são correspondidos com chaves para os quintos do Paraíso eterno. Infelizmente é sob essa doutrina religiosa que o filme encontra a sua pura ingenuidade, uma inocência fatal com as deveras responsabilidades para com a imagem límpida da actriz e da sua respectiva personagem.

 

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O resto é lugares-comuns nos parâmetros de donas-de-casa desesperadas que não figuram a classe média, desde os clichés de maridos adeptos de violência doméstica, filhos com problemas fisiológicos e sufocos financeiros. Para além das rotinas, sinistramente representadas por autocarros encharcados, cujo seu interior ecoam preces e confissões não respondidas. Poderia existir neste exercício algo de fascinante, porém, o seu pretensiosismo extremo a converte num verdadeiro e esquecido mártir. Em Veneza, esta prestação sofrida valeu a Valeria Golino, a distinção de Melhor Actriz (Prémio Volpi Cup), a chave do seu merecedor canto do Paraíso. A compensação de tão disforme obra.     

 

Filme visualizado na 9ª edição do 8 1/2 Festa do Cinema Italiano

 

Real.: Giuseppe M. Gaudino / Int.: Valeria Golino, Massimiliano Gallo, Adriano Giannini

 

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3/10

publicado por Hugo Gomes às 11:41
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3.4.16

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E porque não chamar as "coisas" pelo nome?

 

O enredo de Il Nome del Figlio é um efeito dominó que adquire o seu tom de grotesco quando avança na calamidade do "mal entendido", e como uma noite passada entre amigos pode-se tornar num turbilhão de revelações e de emoções escondidas. Adaptado da peça de Mathieu Delaporte e Alexandre de La Patelliére, este é um tipo de filme que dificilmente consegue deserdar as suas raízes teatrais em conformidade com uma linguagem distantemente televisiva.

 

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Nesse aspecto, aqui a experiência pode causar um sentimento de repugna, visto que as personagens dificilmente deslocam da sua caricatura e a intriga, que apostava ser divertida, não é credível na sua própria mentira. Se a simpatia não encontra aqui o lar, Il Nome del Figlio desfere ainda um autêntico golpe no espectador após serem levantadas questões, por si só acidamente hilariantes, mas desfeitas como "petas" narrativas. Falo obviamente do título - O Nome do Filho - que desperta uma adversão reaccionária na civilização moderna, os residentes de um mundo onde cada palavra é imperativamente associada a eventos ou personalidades.

 

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Neste caso, a "confusão" começa com o substantivo Benito, automaticamente ligado ao fascista italiano Benito Mussolini, uma palavra que invoca e acende uma discussão que vai para além do politicamente correcto e da limitação desse meio, neste caso a associação de temas que qualquer vocabulário parece adquirir de forma politica e social. Talvez seja uma questão de susceptibilidade, mas é fácil de imaginar este argumento transposto para território alemão, com Benito substituído por Adolfo, ou até mesmo português, com Salazar na "canha".

 

 

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Todavia, o debate é apenas uma desculpa esfarrapada para incidir o caos nesta comédia tecnicamente deslavada, rodeada de personagens inanimadas que por sua vez são guiadas por uma narrativa constantemente "esfaqueada" por flashbacks inúteis, cujo único propósito é retratar o espectador como um acéfalo sem noção alguma de história. Para além de ser de uma visualização aborrecida, este é o tipo de "cinema" populista que em Portugal traduzia-se a algo como Leonel Vieira e os seus respectivos "atentados".

 

Filme visualizado na 9ª edição do 8 1/2 Festa do Cinema Italiano

 

Real.: Francesca Archibugi / Int.: Alessandro Gassman, Micaela Ramazzotti, Valeria Golino, Luigi Lo Cascio

 

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2/10

publicado por Hugo Gomes às 19:44
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Roma: o covil da hidra!

 

Suburra corresponde a uma nova tendência do chamado "cinema de máfia" (mob cinema), onde o romantismo das tão celebrizadas obras de Coppola e de Scorsese são substituídos por uma crescente crítica social e pela alarmante divulgação de um cenário vivido nos tempos actuais. É uma teia de influências e de desconfiança que preenche o universo do último êxito de Stefano Sollima, um dos "cabecilhas" da versão televisiva de Gomorra, que requisita esses ares orgásticos de um tentador crime, ao mesmo tempo que nos enche com a culpa da manhã seguinte, como uma "ressaca" depois de um festeira noite de excessos.

 

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Tal como o filme a certa altura especifica, existe um apocalipse iminente que joga com os destinos das suas variadas personagens, que em determinado momento fundem dando o seu contributo a um inteiro quadro. Quadro, esse, que seria um cliché pegado se a cidade-cenário fosse a tão infame Nápoles, ao invés disso é Roma a orquestrar uma Gomorra silenciosa, onde a política é corrompida pelos interesses maiores de "famílias". E voltando a referir a ideia de quadro, Suburra é pintado sob pequenas pinceladas, quase ocasionais e instintivas, e cuja perpendicularidade vai-se revelado à medida que a narrativa adquire o seu ponto climax.

 

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Sollima inicia com as leis básicas deste já formado cinema de crime, mas aos poucos a distorce transformando os respectivos lugares-comuns em inesperadas saídas que desafiam os conceitos de "neo-noir". No seio destas "reinvenções", temos, por exemplo, uma personagem de encher cenário (Greta Scarano) que vai gradualmente convertendo-se na peça chave de toda a teia concebida, "a lâmina" que corta a principal cabeça da "hidra". Ao mesmo tempo é essa personagem que ligará este exemplar "mob" às suas raízes mais românticas de um Mario Puzzo, provavelmente induzindo o literal romance no esquema.

 

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Assim sendo, o filme apenas perde gás com o seu modelo de episódio-piloto, onde o espectador parece cair em "pantanas" perante os imensos rascunhos. Mas a verdade é que Stefano Sollima irá ser o autor da primeira produção italiana exclusiva da Netflix. E com o quê? Perguntam muito bem vocês. Com uma versão em formado seriado deste mesmo filme. Fora isso, Suburra é uma obra energética e bem atmosférica.

 

Filme visualizado na 9ª edição da 8 1/2 Festa do Cinema Italiano

 

Real.: Stefano Sollima / Int.: Pierfrancesco Favino, Greta Scarano, Jean-Hugues Anglade, Elio Germano, Claudio Amendola, Lidia Vitale

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 14:01
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À Espera do Milagre!

 

O cinema é dotado de uma linguagem, um dialecto que fora trabalhado em mais 100 anos de existência e que se compreende através do seu visual. Tornando-se, segundo a teoria mais básica e prática do funcionamento expressivo da Sétima Arte, no "ingrediente fundamental" da narrativa cinematográfica. Mas por vezes surgem filmes cuja verdadeira história faz-se através dos silêncios, do ausente, do que não é mostrado, nem em campo, nem sequer fora de campo, é a sugestão poética que é invocada em cada frame, em cada plano, em olhar e obviamente em cada gesto. E são filmes como este, L'Attesa (A Espera), que nos fazem acreditar que o cinema é muito mais do que imagens, é sentimentos celebrados, neste exemplo, velados no recanto mais obscuro e ao mesmo tempo mais luminoso.

 

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A primeira longa-metragem de Piero Messina recorre a um enredo tão minimalista que persegue em toda a sua duração; uma mãe de luto pela perda do seu filho, agora encarregue de revelar tal morte à namorada deste. Um objectivo constantemente procrastinado como representasse os "cinco minutos de Paraíso" entre uma mãe a fim de conviver com os últimos redutos da memória do seu "rebento". Messina trabalhou com Sorrentino em duas obras (incluindo o consagrado La Grande Bellezza), sendo possível as comparações do seu visual com o seu anterior "mestre". E que visual apresenta! Como um quadro de Caravaggio, Messina aproveita a luz e as sombras para conceber um palco de ilusão, onde lutos são ocultados mas não desviados da nossa atenção, com efeito disto, o realizador tem na sua mão um exemplar tradicional em consolidação com a sofisticação da fotografia.

 

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O tradicionalismo transmite uma carga poética que aufere uma sensação de "amarcord", neste caso a nostalgia constantemente referida. Se o "olhar" é importante na tradução narrativa da fita, a música transcreve esse ambiente em seu proveito. Com The Missing, de The XX, a conferir os créditos iniciais como um anunciado velório ou Leonard Cohen e o seu Waiting for a Miracle a perpetuar e relembrar o silencioso conflito que afronta a obra, nesta particular sequência envolvida numa dança sedutora como uma serpente e o seu flautista, é ditada por um jogo de olhares, uma envolvência que as duas personagens principais parecem compreender.

 

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Aqui a cumplicidade é dita através do "não visto", com Juliette Binoche a compor uma mulher sofisticada, abalada pela perda, e cujo luto torna-se no seu lar de emoções, por outro lado, Lou de Laâge (a estrela de Respire, de Mélanie Laurent), é uma jovem involuntariamente presa a uma ilusão. As duas actrizes completam-se numa sincronia de gestos, como tal, basta apenas verificar a emocional cena em que Binoche adia a revelação e a reacção sublima de Laâge perante em tão doce e vil mentira.

 

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Como se tudo fosse uma questão de esoterismo, o climax de A Espera é arrostado com a visita de fantasmas, ilusões, memórias, conforme quiserem descrever que operam como verdadeiros "Deus ex Machina" neste autêntico peso da confissão. Mas a verdade é que Piero Messina não possui preocupações com a linearidade da narrativa, apenas implica a forma como esta transcende à sua estrutura. Por outras palavras, existem dois filmes aqui. O orquestrado pelo visual e aquele que é dito por palavras mudas, esse, sim, a verdadeira obra nesta tão sublime pauta.

 

Filme visualizado na 9ª edição do 8 1/2 Festa do Cinema Italiano

 

Real.: Piero Messina / Int.: Juliette Binoche, Giorgio Colangeli, Lou de Laâge

 

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9/10

publicado por Hugo Gomes às 12:49
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2.4.16

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Catástrofes matrimoniais!

 

Depois da triste experiência que fora Voltar a Nascer (Venuto al Mondo), o realizador Sergio Castellitto em conjugação com a sua habitual argumentista, Margaret Donnelly, regressam aos enredos emocionalmente ambiciosos com Nessuno Si Salva da Solo (Ninguém se Salva Sozinho). Mas ao contrário do referido "desastre", a dupla soube conter-se nos respectivos egocentrismos.

 

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A reunião de um casal, separado à bem pouco tempo, a fim de discutir as férias de Verão dos seus filhos, leva-nos ao encontro de uma reflexão quanto à manutenção e desenvolvimento das relações afectuosos, onde o amor e o ódio parecem deslocar-se lado-a-lado, cúmplices e manipuladores de torturadas vidas preenchidas por sonhos desfeitos. É o conto matrimonial, com todos aqueles toques novelescos equiparados a lugares-comuns nauseabundos do Cinema, mas que Castellitto ousa inovar-se sob um certo ar de artimanha, escondendo o evitavelmente básico com a demonstração de uma proclamação de filosofias "sinceras". São aquelas juras de amor bacocas que não merecem a nossa credibilidade, mas que optamos por acreditar, "i love the way you lie", quase soando como uma canção de "vira disco, toca o mesmo".

 

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A verdade é que mesmo apostando num narrativa curiosa, a exposição de uma trama tão vulgarizada que é desmontada e montada sobre um senso de falso flashback, Nessuno Si Salva da Solo perde pela quebradiça pretensão de assumir-se profundo (há aqui uma preocupação em seguir território de Garrel ou de Blue Valentine), alternando esses tão badalados elementos de quotidianos afectuosos por poemas declarados à validade da vida. O seu último ato evidencia tal vertente, uma "inesperada" preocupação com a "imortalidade", a busca pela "grande beleza" das relações amorosas.

 

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Castellitto novamente colocou a "carroça à frente dos bois", induzindo-nos um filme sob verdadeiras crises identitárias, mais do que matrimoniais. Os actores parecem, inclusive, contagiados com tal depressão. Jasmine Trinca, por exemplo, está em modo terminal. Pois, como o título refere, o filme não se salva sozinho.    

 

Filme visualizado na 9ª edição da 8 1/2 Festa do Cinema Italiano

 

Real.: Sergio Castellitto / Riccardo Scamarcio, Jasmine Trinca, Anna Galiena

 

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4/10

publicado por Hugo Gomes às 15:30
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30.3.16

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"Parli italiano?" Não é preciso, mas avisa-se desde já que o italiano será a lingua oficial de Lisboa nos próximos nove dias com a chegada da 9ª edição da 8 1/2  Festa do Cinema Italiano.

 

Arrancando hoje, pelas 21h30, com a antestreia nacional de Il Racconto dei Racconti (O Conto dos Contos [ler crítica]), de Matteo Garrone, uma fantasia fabulesca composta por um elenco de luxo como Salma Hayek, John C. Relly, Vincent Cassel e Toby Jones.

 

Presente na competição do último Festival de Cannes, a obra que adapta o descrito "pai" da literatura fabulista, Giambattista Basile, irá ser o comité de boas-vindas que levará o público a uma viagem pelo coração do Cinema Italiano. Viagem, essa, que passará pelas produções mais recentes, os êxitos incontornaveis, até chegar ao vivido amarcord, a saudade sentida pela despedida de grandes mestres, que serão certamente homenageados e relembrados.

 

Ver programação completa, aqui

 

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Ver também

Novidades e muitas "saudades" na 9ª edição da 8 ½ Festa do Cinema Italiano

Primeiro cartaz da 9ª Festa do Cinema Italiano!             

Festa do Cinema Italiano de volta a Lisboa com homenagem a Ettore Scola!

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:45
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9.3.16

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Com mais de 40 filmes integrados na selecção, a 8 ½ Festa do Cinema Italiano apostará numa programação mais ambiciosa, sendo que a edição de Lisboa será prolongada aos cinemas do UCI - El Corte Inglés, assim como será acrescentado mais cidades na sua digressão mundial.

 

A festa mais italiana da capital apresenta como o seu "pontapé de saída" Il Racconto dei Racconti (Conto dos Contos [ler crítica]) como o primeiro filme da mostra. O último trabalho de Matteo Garrone (Gomorra) adapta o incontornável livro de Giambattista Basile, hoje declarado como um “pai” do conto literário herdado por Charles Perrault e os irmãos Grimm. Com Vincent Cassell, Salma Hayek e John C. Relly no elenco, esta obra leva-nos a uma panóplia de histórias situadas numa terra distante onde reis, rainhas, valetes e monstros marinhos coabitam.

 

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A Bigger Splash, o antecipado novo filme de Luca Guadagnino (I Am Love), que por cá terá o título de Mergulho Profundo, marcará presença na secção Panorama. Apresentado no último Festival de Veneza, este remake de La Piscina, de Jacques Deray, remete-nos às paradisíacas ilhas vulcânicas do Mediterrâneo, trazendo consigo um jogo de sedução e de traição. Ralph Fiennes, Tilda Swinton, Matthias Schoenaerts e a estrela de Fifty Shades of Grey, Dakota Johnson, integram o elenco.  

 

No mesmo circuito destaca-se ainda Sangue del Mio Sangue, de Marco Bellochio, o thriller de máfia Suburra, de Stefano Sollima, o co-realizador da série televisiva, Gomorra, e Non essere Cattivo, o filme póstumo de Claudio Caligari que foi o candidato italiano ao Óscar e que explora as borgate marginais da Cidade Eterna, um tema já recorrido a Pasolini. Como encerramento, a Festa do Cinema Italiano segue na onda da comédia tradicional italiana com o estrondoso êxito de Quo Vado?, de Gennaro Nunziante, que segundo consta destronou o mais recente Star Wars na sua estreia. O protagonista, Checco Zalone, estará presente no Festival.

 

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Serão seis filmes a formar a secção competitiva, entre os quais Lo chiamavano Jeeg Robot, de Gabriele Mainetti, que aborda o cinema de super-heróis numa perspectiva italiana, Asino Vola de Marcello Fonte e Paolo Tropidi, quando um rapaz apaixona-se pela música, Arianna, de Carlo Lavagna, um coming-to-age de vertentes bem sexualizadas, A Espera (L'Attesa), de Piero Messina, com Juliette Binoche como protagonista. A Festa do Cinema Italiano exibirá em ocasião especial a co-produção italiana, portuguesa e brasileira, Estrada 47, de Vicente Ferraz, sobre soldados brasileiros na Segunda Guerra Mundial.

 

Mas este é o ano da saudade para a Festa do Cinema Italiano, agendados estão uma retrospectiva / tributo de Ettore Scola, o cineasta que nos deixou recente mas cuja sua obra perdura na memória e na herança cinematográfica. As cópias restauradas de La Vita è Bella (A Vida é Bela), o popular filme de Roberto Benigni, e de 8 1/2, uma das obras-primas de Federico Fellini. Destaque ainda para o documentário de Anna Maria Tató,  Marcello Mastroianni: Mi ricordo, sì, io Mi ricordo (Marcello Mastroianni - Lembro-me sim, Eu Lembro-me), um retrato biográfico e pessoal do célebre actor italiano, filmado durante a rodagem de Viagem ao Princípio do Mundo de Manoel de Oliveira.

 

A 9 ª edição do 8 ½ Festa do Cinema Italiano decorrerá entre 30 de Março até 7 de Abril em Lisboa. A sua programação será estendida no Cinema São Jorge, Cinemateca-Portuguesa Museu do Cinema e UCI - El Corte Inglés.

 

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Festa do Cinema Italiano de volta a Lisboa com homenagem a Ettore Scola!

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:14
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24.2.16

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Sob a ilustração de Fernando Reza, eis o primeiro cartaz da próxima edição da 8 1/2 Festa do Cinema Italiano, que decorrerá em Lisboa de 30 de Março a 7 de Abril, trazendo consigo as mais recentes novidades da cinematografia italiana e ainda memórias merecedoras da recordação (ou amarcord). A homenagem a Ettore Scola e a projecção da nova cópia restaurada de La Vita è Bella (A Vida é Bela), o popular filme de Roberto Benigni, são algumas das novidades que nos esperam.

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:06
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28.1.16

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O 8 1/2 Festa do Cinema Italiano vai regressar a Lisboa no próximo dia 30 de Março, com uma programação recheado do melhor que se faz no cinema italiano actual e não só. Nesta nona edição será destacado a retrospectiva / homenagem de Ettore Scola, o tão celebrizado cineasta italiano, falecido no passado dia 19 de Janeiro, que nos deixou um legado ainda vivo e merecedor da (re)descoberta. De momento a organização não adiantou quais os filmes a integrar este ciclo.

 

Mas o trabalho de Scola não será a única memória a ser invocado nesta festa do cinema, este ano poderemos contar com uma sessão onde será exibido uma cópia restaurada de La Vita è Bella (A Vida é Bela), o popular filme de Roberto Benigni, nomeado ao Óscar de Melhor Filme, que remonta-nos aos duros tempos da Europa da Segunda Guerra Mundial, onde um homem inocente, terá que utilizar a sua imaginação e força de vontade para salvar a vida do seu filho em condições extremas.

 

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Enquanto isso, Il Racconto dei Racconti (Tales of Tales /O Conto dos Contos [ler crítica]), candidato à Palma de Ouro na passada edição do Festival de Cannes, foi o escolhido para abrir o certame no Cinema São Jorge. Realizador por Matteo Garrone, o mesmo do muito elogiado Gomorra, é uma adaptação cinematográfico do incontornável livro de Giambattista Basile, considerado o primórdio da fábula e do conto fantástico anos antes da popularização levada a cabo pelos irmãos Grimm. Um filme com um inegável elenco de luxo: Salma Hayek, Vincent Cassel, Toby Jones, John C. Reilly, Stacy Martin, Bebe Cave, Shirley Henderson e Alba Rohrwacher.

 

A edição lisboeta da Festa do Cinema Italiano irá prolongar-se até dia 7 de Abril, decorrerá no Cinema São Jorge, sendo que este ano a programação será estendida ao Cinemas UCI - El Corte Inglés. Depois dessa data, o festival seguirá em tournée para várias localidades portuguesas (Cascais, de 15 a 17 de Abril, Coimbra, de 18 a 20 de Abril, Porto, de 21 a 24 de Abril, Loulé, de 12 a 14 de Maio, Caldas da Rainha, de 13 a 15 de Maio), até marcar presença em vários países lusófonos, desatacando o alargamento de cidades no Brasil, com sete cidades.

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:05
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3.10.15

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8 1/2 Festa do Cinema Italiano continua assim a sua digressão, levando agora a mostra de cinema nostro, pela primeira vez, a Beja. Entre os dias 6 a 11 de Outubro, a festa italiana decorrerá no no Pax Julia -Teatro Municipal, onde será possível assistir a uma mostra dos mais recentes filmes da cinematografia italiana, para além de estarem programados inúmeros eventos. O ciclo abrirá com  o filme "O Rapaz Invisível" (Il ragazzo invisible), de Gabriele Salvatores, um híbrido entre comédia familiar e o cinema ascendente de super-heróis.

 

Ver a programação, aqui

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 11:33
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15.6.15

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Depois de Portugal, a 8 1/2 Festa do Cinema Italiano continua a sua digressão, levando agora a mostra de cinema nostro para além fronteiras. Maputo, a capital de Moçambique receberá assim pela segunda vez a tal "festa" já no dia 16 a 20 de Junho, no Instituto Nacional de Audiovisual e Cinema e no Teatro Avenida. Serão apresentados cinco filmes e duas actividades didácticas para os mais novos. O filme de abertura será Il Capitale Umano (critica aqui).

 

Ver a programação, aqui

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 11:54
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