Algures num hotel mais próximo!
Em Suicide Virgins revelou-se, em Lost in Translation caiu no estado de graça, em Marie Antoinette ridicularizou o contexto histórico e agora em Somewhere – Algures colecciona as memórias de infância para transporta-nos para um filme pseudo-autobiográfico, cujo clímax é praticamente inexistente. Sofia Coppola, filha do célebre realizador Francis Ford Coppola (The Godfather, Apocalypse Now), já apontada como uma sucessora do talento do seu pai, viveu a sua juventude dividida entre hotéis, vida essa, similar a tantos outros herdeiros de personalidades célebres.
A autora filma o hotel de Chateau Marmont como realmente estivesse a concretizar um filme caseiro, se não por menos, sendo que esta revela ter passado grande parte da infância nesse “mundo”. Em Somewhere obtemos a sensação de que nada acontece, nada se aflige nem concretiza, mas apresenta-se como um modo de redenção do actor Stephen Dorff ao cinema de autor, aqui iluminado pela habitual melancolia de Sofia Coppola, e de Elle Fanning que se revela num talento igual ou maior que da sua irmã Dakota.
Para além de visualizar a solitária e planeada vida dos grandes actores de Hollywood em diferentes ângulos, Somewhere pode muito bem cair na inutilidade de conteúdo e a narrativa pretensiosa e lenta, por vezes sem aparente funcionalidade para com a historia, a torna esta experiência independente em algo que apenas destaca a realizadora por detrás das camaras mas nunca como a autora o qual fora catalogada. Sofia Coppola filma as suas memórias, mas não a sua alma!
Real.: Sofia Coppola / Int.: Stephen Dorff, Elle Fanning, Chris Pontius, Michelle Monaghan
Ver Também
O Big em versão maiores de 16!
O tema de troca de corpos é quase um poço sem fundo em termos de ideias e utilização, principalmente no género de comédia, onde o qual este The Change-Up do realizador David Dobkin (The Wedding Crashers) não foge á regra. A premissa é simples; dois amigos inseparáveis de infância cujas vidas são diferentemente opostas, um é casado e pai de filhos o outro um solteirão sem responsabilidades e sem futuro á vista, que após uma noite de bebedeira e ter soado alto e em bom som a inveja pela vida de cada um, acordam no dia seguinte, bizarramente de corpo trocado. The Change-Up é uma comédia adulta, um quanto ordinária e ousada que consegue causar bons momentos de comédia, se não fosse também ser um projecto liderado por duas estrelas de talento no ramo (Jason Bateman e Ryan Reynolds) e um realizador habituado e experiente nestas andanças. Porém a ideia, que não é nova, torna-se previsível e com aquele sabor de déjà vu prolongado, mas o pior vêm mesmo depois, quando o estado de graça dá lugar a um drama moralista, fantasioso e por vezes lamechas. É um filme desequilibrado e insatisfatório da dupla de argumentistas Jon Lucas e Scott Moore (os autores do êxito de The Hangover). Por enquanto dá para piscar os olhos com a angelical e cada vez mais ascendente na indústria cinematográfica, Olivia Wilde.
Real.: David Dobkin / Int.: Jason Bateman, Ryan Reynolds, Olivia Wilde, Alan Arkin
Sexo com compromisso a final feliz!
Hollywood parece ter agora descoberto que afinal existe sexo sem compromissos e o ano 2011 tornou-se fértil em comédias que exploram essa temática, a começar por No Strings Attached de Ivan Reitman, que reuniu Natalie Portman e Ashton Kutcher, dois amigos que comprometem-se apenas para o sexo. O filme arrancou com uma própria crítica e ironia ao romance e todos os adereços envolto, mas depressa se tornou naquilo que sempre tentou fugir desde inicio, o mesmo erro que Friends With Benefits comete. Mascara-se de politicamente incorrecto e completamente contra a temática romântica, mas cedo cede aos seus pesadelos. Nesse termo a fita de Will Gluck se confunde a um cinismo quase alarmante, quando assistimos á uma última meia hora digna de qualquer fita domingueiras, onde o espectador fica á mercê das clichés desavenças e reconciliações do “pseudo-casal”. Mas nem tudo são más notícias; a dupla de protagonistas têm química, Mila Kunis possui presença, já Justin Timberlake as palavras são outras e ainda temos ao nosso dispor: Patricia Clarkson e Richard Jenkins a encher com algum talento o grande ecrã. Friends with Benefits não nos contagia com a sua suposta irreverência, tudo se resume a uma comédia romântica comum servida com os mais variados lugares-comuns. Não é mau de todo, mas é esquecível o suficiente. Falta alguma “pimenta” para os lados de Hollywood!
Real.: Will Gluck / Int.: Justin Timberlake, Mila Kunis, Patricia Clarkson, Richard Jenkins
Happy Feet versão 1.5!
Jim Carrey enfrentou nos anos 90 o seu boom artístico, onde o actor automaticamente ficou na lista dos mais requisitados para o género de comédia, porém no novo milénio a sua carreira enfrenta alguns altos e baixos, entre os quais o vaivém de géneros que fazia dele um actor mais completo mas que comercialmente se tornou um desperdício. É difícil ao grande público imaginar Carrey, o ex-Mascara ou Ace Ventura a recorrer a dramas (The Majestic de Frank Darabont), ficção científica (Eternal Sunshine of the Spotless Mind de Michel Gondry) e até mesmo o thriller (The Number 23 de Joel Schumacher), devido a imensas experiências filmograficas, Carrey perdeu o seu brilho no seio do p
úblico e mesmo o seu retorno á comédia, género o qual sempre esteve anexado, os resultados foram aquém das expectativas (Fun with Dick and Jane, I Love You Phillip Morris) e este Mr. Popper’s Penguins segue o mesmo caminho. As aves inaptas para o voo mais amadas do cinema são agora as co-protagonistas desta fita da autoria de Mark Waters (Mean Girls), Jim Carrey interpreta assim um homem de negócios frio, viciado no trabalho, divorciado e sem tempo para os filhos, um claro estereótipo do filme familiar, que encontra num bando de pinguins a sua redenção e a sua estima pelos outros. Sendo que os momentos mais divertidos sejam mesmo os quais os pinguins surgem sem auxilio de qualquer actor, Carrey parece desgovernado e sem carisma para uma fita com inverosimilhanças quase fantasiosas. O resto do filme é previsibilidade e bocejo, mas o grande medo é o futuro incerto que espera para o actor de The Cable Guy.
Real.: Mark Waters / Int.: Jim Carrey, Carla Gugino, Ophelia Lovibond
Arthur Conan Doyle na segunda reviravolta do caixão!
Seguindo a fórmula de sucesso de 2009, Guy Ritchie volta a centrar-se na remodelação do clássico de literatura, Sherlock Holmes, da autoria de Sir Arthur Conan Doyle. Provando uma mais a tendência de sofisticação face às historias que marcaram e muito, imensas infâncias e se converteram em marcos da literatura e até mesmo da cultura popular. Poderemos chamar-lhe de reboots ou até mesmo descaramento comercial em prol da falta de originalidade cinematográfica, porém Sherlock Holmes de Ritchie consistiu num espectáculo estilístico em que o autor britânico converte a personagem snob e genial num desastrado e ordinário ser, mas com uma capacidade intelectual divina, a juntar às suas intriga temos acção e acção com fartura, ao invés do clássico “elementar, meu caro Watson” que reverte no suspense e a calma narrativa em decifrar tais mistérios. Um pouco á semelhança daquilo que foi feito com James Bond, 007, em Casino Royale de Martin Campbell, Sherlock Holmes vive assim prosperidade comercial e a aproximação às novas gerações.
Nesta segunda estancia, o personagem mestre interpretado por Robert Downey Jr. enfrenta aquele que devemos considerar o seu nemesis, o igualmente genial professor Moriaty, o cabecilha de uma conspiração a nível global sem precedentes. Com uma premissa quase apocalíptica, Sherlock Holmes : A Game of Shadows sofre do mesmo sindroma que muitas sequelas que por aí andam; é seguro de si, pretensioso, sério e “bigger than life”. Assim sendo a fita de Guy Ritchie perde a frescura e a inovação do anterior de 2009 e torna-se numa epopeia estilística e sempre energética.
As deduções e o mistério do personagem criado por Arthur Conan Doyle são substituídos por um embrião de James Bond, onde os punhos fazem a diferença no próprio jogo intelectual. O realizador transporta assim a sua marca estilística e usa e abusa do seu gene, até tudo se converter num exagero rebuscado como a sequência em slow motion no bosque em que os nossos heróis fogem de um tiroteio furtivo, por outro lado o exagero dramático é o seu calcanhar de Aquiles.
Robert Downey Jr. oferece ao seu Sherlock Holmes um ponto de interesse, ele é desequilibrado mas engenhoso, a sua química com Jude Law na pele do sidekick Watson fortaleceu e o vilão, interpretado por Jared Harris, compõe como yin yan em relação ao nosso detective provado. Mais novas aquisições é de Stephen Fry como o boémio irmão de Holmes e Noomi Rapace, a celebre Lisbeth Salander da trilogia sueca, Millennium, é uma peça chave para a premissa, como também é a confirmação de que a actriz que brilhou nos thrillers de Stieg Larsson revela-se capaz de adaptar á indústria de Hollywood.
Se em termos interpretativos, Sherlock Holmes – A Game of Shadows não há dedo que se aponta, a nível técnico a fita de Guy Ritchie é um festim, não só pelas habituais manhas do autor no campo visual como também a elogiada banda sonora composta por Hans Zimmer, que transmite alguma classe para a narrativa. Para terminar, destaca-se uma das sequências mais brilhantes do ano, um jogo de xadrez mental entre dois colossos do intelecto, num canto, Sherlock Holmes e do outro, Moriaty.
Uma sequela inferior, demasiado pretensiosa e por vezes exagerada, mas que é composta por um elenco profissional e de uma produção exemplar. Todavia confesso e temo que este Sherlock Holmes seja cada vez mais próximo de um 007 do século XIX do que propriamente o detective privado mais celebre de que há memória.
Real.: Guy Ritchie / Int.: Robert Downey Jr., Jude Law, Noomi Rapace, Jared Harris, Stephen Fry, Kelly Reilly, Rachel McAdams
Ver Também
Vin Diesel sob o sol carioca!
Nesta quinta estância, Vin Diesel e a sua trupe decidem aventurar entre as favelas do Rio de Janeiros e arquitectar o golpe dos golpes, tudo nisto em forma de vingança e sem contar com o factor de que são perseguidos por um federal experiente e implacável, desempenhado por Dwayne “The Rock” Johnson.
A verdade é que após Justin Lin ter ressuscitado a saga em 2009 com Fast & Furious (o quarto filme de um franchising composto por automóveis a nitro e acrobacias mirabolantes), em que reúne o velho elenco sob a forma de reboot, desta feita decide ir mais longe ao libertar o Velocidade Furiosa das suas raízes pendentes; as corridas clandestinas, e integra-lo no conjunto que o faz como um dos mais completos filmes de acção para os amantes de adrenalina em geral.
Fast Five, como decide designar é um misto entre todos os ingredientes que compõe os grandes êxitos do género, sequências de acção bem encenadas, actores famosos entre a camada mais jovem, musica que integra qualquer mp3 comercial e os suspeitos do costume; tiros com fartura, explosões, sexo e todo o divertimento que não requer qualquer utilidade cerebral. Não com isto o faça um mau filme, a verdade é que este híbrido consegue o pretendido e arrecadar algumas lágrimas para aqueles que há muito não viam tanta testerona junta.
O que prejudica e muito este filme chunga de grande produção é que para além de ser desmiolado não possui a humildade de o admitir e por isso entre uma e outra, somos induzidos a uma intriga pretensiosa, uns sentimentos bacocos sentimentos pelo meio, personagens a dar com um pau e com o rótulo de descartabilidade pelo meio e um Joaquim De Almeida a desempenhar (adivinham lá?) … um vilão aborrecido mas com um óptimo discurso em prol dos portugueses.
Eis uma fita que triunfa entre o circuito comercial e aposta no divertimento acima de tudo, porém a advertência é que a massa cinzenta deve manter … desligada! Destaque para o confronto entre titãs: Vin Diesel e The Rock, entre murros e socos nos beiços.
PS – não ficaria mais interessante se fosse o Capitão Nascimento (Wagner Moura, Tropa de Elite) atrás do criminoso de Vin Diesel? (brincadeira!).
Real.: Justin Lin / Int.: Vin Diesel, Paul Walker, Dwayne Johnson, Jordana Brewster, Tyrese Gibson, Don Omar, Ludacris, Joaquim De Almeida
Ver Também
Noite do Espanto pós-Crepúsculo!
Uma das grandes diferenças entre a cópia de Crag Gillespie e o original e já convertido a clássico de culto de 1985 dirigido por Tom Holland, é que o Fright Night dos anos 80 surgiu num período em que a moda era o slasher movie e os vampiros tinham passado a sua fase á muito, a estreia da fita ressuscitou o interesse e exploração destas criaturas sanguinárias, ou seja ele inspirou inúmeras fitas da sua década e o inicio dos 90 enquanto o remake de 2011 apenas vêm a confirmar a moda que havia sido restaurada com o fenómeno Twilight. Por isso é correcto afirmar que Fright Night de Gillespie é uma refilmagem inútil que apenas capta os tiques e protocolos da febre vampírica do novo milénio.
Colin Farrell veste a pele do vampiro Jerry, anteriormente interpretado como uma alusão moderna do Drácula por Chris Sarandon, do seu desempenho se pode retirar o melhor de um filme que combina humor e terror ligeiro (e muitos efeitos visuais como é habitual). A prestação do actor de In Bruges e London Boulevard é arrepiantemente charmosa e pausada, que em pactuado com o seu ego meio rebelde convertem o personagem numa espécie de James Dean do mundo vampírico. Em termos de desempenhos, Fright Night é notável, a verdade é que Craig Gillespie (Lars and the Real Girl) é um óptimo director de actores, o que resulta num elenco sem overacting e bem orquestrado.
A produção também encontra-se a níveis profissionais elevados, porém em comparação com o filme de Tom Holland, Fright Night de Gillespie revela-se acelerado, sem o ambiente característico do primeiro, que não lhe aufere alma. A narrativa é etruscada, ficando com a sensação de que a inserção das longas sequências de acção e do rápido desfecho sejam apenas compensações de um mau trabalho de argumento. Nesse aspecto mais valiam ter ficado por uma cópia exacta, porque enquanto o anterior cativava por ser uma espécie de Rear Window para os mais jovens, a nova versão se torna simplesmente em mais um na lista.
Por fim e resumidamente nesta historia toda de colheitas de remakes de filmes terror dos anos 80, a vez de Fright Night revela-se fútil, sem qualquer utilidade sem a de aproveitar a “crista da onda”, mas para qualquer fã recente de vampiros, a fita que obteve no nosso país o título de Noite do Medo é um pretexto para uma ida ao cinema, e o melhor é que não é romanticamente lamechas como os suspeitos do costume!
Real.: Craig Gillespie / Int.: Colin Farrell, Anton Yelchin, David Tennant, Toni Collette, Imogen Poots, Christopher Mintz-Plasse
Ver também
Reynolds a brincar aos heróis!
Enquanto a Marvel Comics ganha terreno na indústria cinematografia com as suas adaptações, muitas delas produzidas a fim de concretizar o projecto-mãe do estúdio, o ambicioso The Avengers que tem data de estreia em Maio de 2012, a DC Comics não pretende ficar para trás na corrida e é com Green Lantern que inicia assim uma exploração mais a fundo do seu próprio universo. Criado em 1940 por Bill Finger e Martin Nodell, Green Lantern – Lanterna Verde conhece assim a sua primeira aparição pelas mãos de Martin Campbell, homem que foi capaz de ressuscitar uma saga que se encontrava moribunda, Zorro, e reinventar outra, James Bond, para o século XX.
O realizador alegou que para conquistar o público para este super-herói da DC Comics teria que o tratar como fosse Shakespeare, e na verdade é que em Green Lantern tudo é tratado de forma séria e responsável, um pouco como a do estúdio rival retratou os seus heróis menores (Iron Man, Thor, etc), ao fim de conduzir uma aventura que aguente os mais diferentes laivos do mainstream. Assim sendo Green Lantern torna-se num desafio arriscado, a conversação de um universo de certa forma obsoleto para os dias de hoje (a banda desenhada traz muitos elementos dignos dos anos 40 e 50 como a sua fantasia intergaláctica sem limites de credibilidade), á espera do mais derradeiro teste, o teste dos fãs.
Porque quanto ao público consumista do Verão, o herói transposto por Campbell aguenta o ritmo quente da época, possuindo efeitos visuais de ultima geração, uma historia simples mas eficaz para os menos exigentes, sequências de acção com muita imaginação na veia, o 3D que muitos adoram experimentar e Ryan Reynolds como o Lanterna Verde, sabendo que o actor já possui a sua própria legião de fãs. Por isso, é por estas e por outras que a versão cinematográfica desta BD da DC Comics (Batman, Superman) torna-se num entretenimento sem nervos e espinhas e agradável á vista para o pico da estação.
Para os fãs, o dilema é o seguinte, Green Lantern é altamente fiel á sua matéria de origem, mas é das BDs com maior riqueza e talvez o facto de ter sido reduzido para a duração de duas horas faz com este “mundo” não possuía consistência suficiente para nos agarrar até ao fim. O “empacotamento” fraqueja a narrativa, dando a sensação de que esta encontra-se em ponto fast forward, sem nunca dar pausas para a construção de personagens, pois bem é que os actores interpretam o seu ego sem mais nada para mostrar do que um leque de “bonecos” automáticos e bocejantemente desinteressantes.
Já que falamos de um super-herói com a missão de proteger o Universo, não poderíamos deixar de referir a sua nemesis, ou seja, o vilão, Green Lantern cai na calha de ter duas força antagónicas já no seu primeiro filme, um é um criatura completamente composta por CGI e outro, um Peter Sarsgaard em jeito de maquilhagem e efeitos práticos, e já que vivemos num mundo pós-Joker de Heath Ledger, um vilão que assume o protagonismo e as atenções em geral, os dois seres desta aventura não trazem carisma nem forma de o tê-lo.
Resumindo e concluindo, como inicio de uma futura saga cinematográfica, Green Lantern é uma tentativa falhada, não por falta de meios nem profissionalismo, mas por tentarem, segundo a expressão, “enfiar Rossio pelos olhos adentro”. Narrativamente incapaz de causar simpatia e muito preso a uma produção ambiciosa mas sem alma, cujo único objectivo é realmente concorrer na corrida dos super-heróis do cinema. No final dos créditos ainda temos espaço para uma cena que nos indica a possibilidade de uma futura sequela, manobra já utilizada pela Marvel, é preciso dizer mais alguma coisa …
Real.: Martin Campbell / Int.: Ryan Reynolds, Blake Lively, Peter Sarsgaard, Tim Robbins, Mark Strong, Clancy Brown, Michael Clark Duncan, Geoffrey Rush
Sob controlo!
Imaginem que a nossa vida é desenhada desde inicio do primeiro dia, os acontecimentos que sucedem já se encontram previstos muito antes de ocorrerem, as pessoas que conheces não é por mero acaso e a tua existência tem controlos e limites definidos por outros que observam a tua rotina de muito perto. Sob uma temática audaz, interessante e por vezes radicalmente alucinada é pelo qual funciona como ideia este The Adjustment Bureau, uma adaptação de um homónimo conto de Phillip K. Dick (Blade Runner).
A história segue Matt Damon na pele de um político prestes ascender-se na sua carreira, até que um dia conhece uma bela bailarina (Emily Blunt) e apaixona loucamente por ela, sacrificado um futuro de êxitos em prol desse romance. Porém tal encontro não estava destinado a acontecer, e então os “agentes” (outra denominação para anjos, nada de relacionado com Matrix) tentam remediar tal feito. Mas o nosso herói não se encontra convencido do destino que afinal não tem entre mãos e contra tudo e todos, desafia todas as probabilidades para poder concretizar o que realmente não estava designado.
Ao fim de meia hora, o filme de ficção científica dá lugar a um romance e é aí que o descalabro acontece, não por um género ser mais atractivo pelo público que este The Adjustment Bureau dirige, mas porque logo desconcentra toda a espinha dorsal que havia sido criado para a fita. Os actores têm química mas nada disso prevalece frente a um conjunto de personagens mal desenvolvidos e a certa altura, inconsequentes e ocas.
O inexperiente na cadeira de realizador, George Nolfi, perde o controlo do seu próprio filme e perde o interesse dos seus protagonistas, o espectador começa desesperadamente a apoiar os ditos “agentes”. Um filme tecnicamente competente, quimicamente capaz mas desequilibrado e sem força para vergar frente a produções mais ambiciosas. Que pena!
Real.: George Nolfi / Int.: Matt Damon, Emily Blunt, Terence Stamp
A febre ao Amanhecer!
Confesso que acho de certa forma o fenómeno Twilight algo deveras irritante, a histeria envolto destes filmes é um pouco abusada e nisso causa que os filmes sigam á derivam de tais factores, fazendo com que jovens actores exibem os seus portes físicos (e pouco dos seus portes artísticos) para conquistar multidões. Tudo se resume a uma reinvenção do conto de Bram Stoker, Dracula, injectada com tiques que contagiam o universo adolescente e que de certa forma converte o sobrenatural em um triângulo amoroso com certas ideologias poligamias e feministas.
Agora com a chegada dos capítulos finais (a decisão da divisão de partes parece ter sido uma técnica da imitação para com a Warner Brothers e os seus Harry Potters) cada vez mais questionamos com as bizarras estratégias de marketing que as distribuidoras elaboram, principalmente em relação a esta saga que cai numa espécie de chamariz popular parola. Mas no fim de contas o franchising que acabou por atravessar o melhor (Twilight de Catherine Hardwicke) e o pior (Eclipse de David Slade) encontra neste Breaking Dawn Part 1 um profissionalismo de produção de níveis quase industriais. Quase tudo nele em termos técnico está excepcional; a fotografia, a banda sonora até a colocação destas e mesmo os efeitos visuais, somente o bebé robótico utilizado na cena do parto é assustadoramente irrealista.
Mas a grande fraqueza da fita para além das parolas sequencias que tenta consolidar com os desejos das fãs, é realmente a sua história e a sua protagonista; Bella Swan (novamente interpretado por Kristen Stewart), uma personagem feminina mal construída, irritantemente martirizada e psicologicamente não atractiva, tudo constitui impossibilidades aprazíveis face a luta dos seus dois pretendentes. Contudo Stewart conseguiu aqui contornar as debilidades da sua personagem e dar ao espectador aquilo que pretendia, ser actriz, não com isto queira insinuar que tenha um desempenho de alto nível, sendo que a “menininha” virada adulta já nos brindou com personificações mais eficazes, mas em comparação com as outras duas estrelas (Lautner em melhoria e Pattinson num dos piores desempenhos de sempre da sua crescente carreira) consegue destacar.
De resto é o costume, personagens secundárias descartáveis, diálogos irrisórios e lamechas e uma narrativa bocejante e arrastada (muito por culpa da historia imaginada por Stephenie Meyer). Não atrairá novos fãs, mas definitivamente conquistará os suspeitos do costume. Mas atenção, não é o pior filme de sempre, mas é sim, sem alma e comercialmente exagerado.
Real.: Bill Condon / Int.: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Billy Burke
Ver Também
Um por todos e todos por um!
O romance de Alexandre Dumas escrito em 1844, The Three Musketeers, é uma das mais amadas aventuras literárias de todo os tempos, sendo que no cinema como na televisão foram adaptadas milhares de vezes. A jornada dos Três Mosqueteiros (Porthos, Athos e Aramis) e do seu fiel jovem seguidor D’ Artagnan preenchem o imaginário de muitos, e possivelmente também a do realizador Paul W.S. Anderson, mais conhecido entre nós pelas suas adaptações dos videojogos de Resident Evil e Mortal Kombat e pelo difamado Alien Vs Predator (2004). O autor traz em pleno 2011 uma nova versão do romance de Dumas, onde talvez seja o mais sofisticado e juvenil de todos eles, talvez um pouco com o que se fez a Sherlock Holmes de Guy Ritchie.
Em The Three Musketeers de W.S. Anderson nos encontramos perante de um ensaio dos mais variados tiques do cinema de entretenimento dos dias de hoje, desde o bullet time até ao humor ligeiro meio-adolescente que se depara nas grandes produções com toda a exaustão. Da obra literária de Alexandre Dumas só mesmo os nomes das personagens e algumas das suas ligações entre as personagens se mantém incólumes, porque de resto estamos em plena liberdade artística, mas sem uso de intelectualidade, que converte todos os elementos históricos em ingredientes mainstream a pensar no grande público que ressaca o Verão. E por mais estranho que pareça, em The Three Musketeers de Paul W.S. Anderson vamos encontrar barcos voadores em pleno século XVII, uma Millady (desempenhado com destaque desnecessário por Milla Jovovich, a mulher do realizador) que arruma com a guarda do rei através do uso de artes marciais, os mosqueteiros convertidos em agentes secretos e uma premissa que se desenrola ao movimento do cinema heist (que segundo Anderson, com claras alusões para a trilogia Ocean’s de Steven Soderbergh).
Em termos de entretenimento, The Three Musketeers cumpre os seus propósitos, sustentado por sequências de acção com enorme senso de estilo e por vezes epicidade (a batalha dos dois navios voadores) e os efeitos especiais agradam e que bem a vista, mas em termos de cinema, poderíamos dizer que a variação de W.S. Anderson é nula, requisitando o pior que se faz no cinema norte-americano de hoje em dia, sendo que os personagens são unidimensionais e sem alma, a intriga é rebuscada e esquizofrénica e o contexto histórico é uma nódoa. Os desempenhos são automáticos (excepto Orlando Bloom num improvável conde …, mau como as cobras), até mesmo Christoph Waltz que tem dos mais carismáticos papéis da fita, encontra-se ofuscado pela incapacidade de relatar uma história e desenvolver as personagens.
Para os amantes do conto de Alexandre Dumas, é melhor afastarem-se desta obra, porém quem procura divertimento desmiolado, vistoso e com certo gosto a espadachins, pode muito bem contentar com a versão de Paul W.S. Anderson, pode, mas não deposite a sua crença no projecto.
Real.: Paul W.S. Anderson / Int.: Logan Lerman, Matthew Macfadyen, Ray Stevenson, Orlando Bloom, Milla Jovovich, Christoph Waltz, Mads Mikkelsen
Ver Também
O Novo Saw!
Com o encerramento da saga Saw, inicialmente criada por James Wan, um lugar ficou vago na temporada de Halloween para o rotineiro franchising de terror que estreia como tradição nesta época e que faz milhões em todo o mundo. O eleito foi Paranormal Activity que parece ganhar asas para a expansão a nível comercial como no número de sequelas. Após uma estreia gloriosa de uma obra que demorou três anos a procura de estúdio, tendo surpreendido Steven Spielberg que o decidiu distribuir pela Paramount Pictures, e que custou um equivalente a 700 euros, Paranormal Activity de Oren Peli conquistou o seu público e tornou-se num legado de culto como também num dos mais rentáveis filmes de terrores independentes da Historia. O seu êxito sugeriu em 2010, a produção de uma sequela, obviamente com um orçamento mais extenso, mas tematicamente copista á fórmula original. Paranormal Activity 2 rivalizou com ultimo capítulo de Saw, tomando como o seu sucessor e nos dias de hoje o franchising de terror que perdura na época das bruxas.
O terceiro filme, desta feita dirigida por Henry Joost e Ariel Schulman, é uma espécie de prequela mockumentaria onde narrativa tenta ir ao fundo da questão que perdura nos dois filmes anteriores, ou seja a maldição da Actividade Paranormal. Sem grandes avanços na direcção da fasquia, Paranormal Activity 3 desenvolve sobre a alçada da fórmula transcrita pela obra de Oren Peli em 2007 e sem surpresas resulta numa fita de alguns sustos e suspenses bem sucedidos, mas auto-ridicularizado pela própria extensão da história, onde se invoca num beco sem saída.
Os actores são credíveis, incluindo a dupla infantil (Chloe Csengery e Jessica Tyler Brown), o ambiente é pesadíssimo, mas tudo se resume a mais do mesmo, sem avanços nem atrasos no ritmo da saga. Uma sequela dispensável, inútil, com um apetite voraz em explorar ao máximo de uma ideia de êxito, portanto tal como o Saw, que aspira ser, já consolidou com os seus próprios erros. Previsivelmente para o fã, é só esperar pelo quarto.
Real.: Henry Joost, Ariel Schulman / Int.: Katie Featherston, Sprague Grayden, Mark Fredrichs, Chloe Csengery, Jessica Tyler Brown
Ver Também
“O Maior Espectáculo da Terra”, dizem eles!
È agradável encontrar em Water for Elephants um regresso aos ambientes circusenses que deram origem a alguns dos mais insólitos ensaios cinematográficos, desde The Greatest Show on Earth (1952) de Cecil B. DeMille até Freaks (1932) de Tod Browning passando por La Strada (1954) de Federico Fellini. Realizado por Francis Lawrence, adaptado do best-seller de Sara Gruen, Water for Elephants, com o título traduzido de Agua aos Elefantes, se resume a um romance entre um aspirante a veterinário (Robert Pattinson) que embarca de viagem com um circo ambulante e a estrela do mesmo (Reese Witherspoon).
Sente-se as ideias, contempla-se o visual e obviamente Francis Lawrence (I Am Legend, Constantine) não é um novato na cadeira de realizador nem muito menos em matéria de adaptações, mas é demasiado apelativo às aparências, pelo que esqueceu de oferecer alguma profundidade á ênfase dramática. Com isso somos acariciados com uma riqueza cénica invulgar e impressionante, por vezes roçando às antigas grandes produções hollywoodescas, mas o romance é frio, a química entre a vedeta juvenil Pattinson e da vencedora ao Óscar Witherpoon é nula, e mesmo o esforço de ambos, não conseguem desenvolver os seus personagens com tão pouca “manga”.
Sem querer parecer um “hater” do jovem actor, mesmo com o seu já mencionado empenho, Robert Pattinson não consegue vergar a sua força para o protagonismo, muito menos levar ás costas um romance desta envergadura, sentindo-se um novato inexperiente face a um elenco maduro que já deu melhores frutos. Reese Witherspoon transpira luz estrelar, todavia encontra-se longe dos seus papéis mais dignos, contudo é em Christoph Waltz que as atenções giram, magnifico o seu desempenho como o psicopata dono do circo ambulante e eterno rival da personagem de Pattinson. Sem ele o filme seria na maior das hipóteses um fracassado pastelão romântico sem carisma, com ambição para as estatuetas da Academia, mas com um portento visual e uma verdadeira estrela: o elefante.
Real.: Francis Lawrence / Int.: Robert Pattinson, Reese Witherspoon, Christoph Waltz, Hal Holbrook
Ver Também
The Expendables 1.5!
O género de acção para os lados de Hollywood é cada vez mais dependente do factor Jason Statham, o qual importante assinalar que o britânico actor só neste ano já protagonizou três filmes algures entre o policial e a acção física, The Mechanic, o frouxo remake de Simon West, a fita de Elliot Lester, Blitz e agora este Killer Elite do estreante Gary McKendry, o qual reúne-se a Clive Owen e Robert DeNiro. Auto-promovendo-se através da propaganda de ser uma história baseada em factos reais (porém é mais uma adaptação de um conto de Ranulph Fiennes), Killer Elite – O Confronto, centra-se novamente num Jason Statham dado em “moço de recados”, que para salvar o seu mentor (interpretado por Robert DeNiro), tem que assassinar três ex-militares da SAS responsáveis pela morte dos três filhos de um sultão de petróleo. Enquanto isso é perseguido por um Clive Owen de bigode, que promete defender o seu estandarte.
Mesmo sendo ambientado nos anos 80, Killer Elite tem um gráfico bastante actual, tal como todo o seu background, mesmo assim não poderemos deixar de notar uma falta de cuidado na recriação da época, o qual verdade seja dita, se não fosse os veículos que os nossos “assassinos” conduziam diriam que estávamos em mais outro policial do nosso tempo. Jason Statham segura bem o seu lugar como protagonista, realmente o actor tem carisma e factor coolness para dar e vender, Clive Owen chega mesmo a ser um must e Dominic Purcell encontra-se versátil na “foto”, mas a infelicidade recai no desperdício, mesmo assim não justifica o fraco papel que Robert DeNiro possui em todo o filme. O actor outrora brilhante em Heat de Michael Mann e Ronin de John Frankenheimer (para nomear duas obras do mesmo género que Killer Elite), parece vender-se por tão pouco, mas ao mesmo tempo em grandes produções como esta.
Todavia, tirando DeNiro, o grande “calcanhar de Aquiles” de Killer Elite é mesmo a sua narrativa, dando a sensação que tentou-se meter muito em tão pouco espaço, o resultado é um romance á base de flahsbacks sem solidez e uma pressão às sequências de acção. A verdade é que McKendry ainda não possui punho para este tipo de produções, sendo maior que o seu próprio profissionalismo. Mas sempre vale a pena ver o confronto entre Statham e Owen, finalmente juntos no mesmo ecrã.
Real.: Gary McKendry / Int.: Jason Statham, Robert DeNiro, Clive Owen, Dominic Purcell
Humanos – Raça em Extinção!
Depois de se aventurem em território romereano com Undead (2003), os irmãos australianos Spierig (Michael e Peter) se mudam para Hollywood e se vendem á febre dos vampiros com Daybreakers. Por momentos somos obrigados a gostar desta variante futurista das criaturas sanguinárias, em que a visão dos Spierig nos revela um futuro alternativo em que os vampiros são a maioria e os humanos a raça em extinção. O par de realizadores / argumentistas exploram a escassez dos recursos naturais com esta metáfora fantasiosa, mas logo a narrativa se cede para um exercício de estilo gore em que as inverosimilhanças, que são muitas, se fazem sentir. Não é desta que a febre vampírica se justifica, e cada vez mais ficamos com ideia de que se trata de uma moda adolescente passageira em prol dos contos de Stephenie Meyer. Porém ao contrário da “romantic soup” da série Twilight, Daybreakers faz jus ao sangue derramado que tanto envolveram o mito dos vampiros, e vale sobretudo pelo elenco (Ethan Hawke, Willem Dafoe, Sam Neill), mesmo sob forma automática.
Real.: Michael e Peter Spierig / Int.: Ethan Hawke, Sam Neill, Willem Dafoe
Minimeus Contra-Atacam!
Em 2006, Luc Besson adapta ao grande ecrã dois livro de fantasia Infanto-juvenil da sua autoria, Arthur et les Minimoys (2001) e a sequela de 2003, Arthur et la Cité Interdite, combinando imagem real com animação motion capture, o qual resultou numa das mais caras produções de sempre da Historia do cinema francês. Sendo a série literária composta por quatro livros, Besson segue na em direcção á recta final das suas próprias adaptações cinematográficas, desta vez convertendo o seu terceiro livro – Arthur et la vengeance de Maltazard. Em primeiro lugar, o segundo filme da saga possui todos os sintomas de “ponte” para o último capítulo (Arthur et la Guerre des Deux Mondes), em que a fita termina em modo “cliffhanger” e no preciso momento que atinge todo o seu clímax. Todavia em comparação com a fita de 2006, a história é reduzida e amontoada de “palha descartável” como por exemplo todo aquele background envolto da personalidade de Snoop Dog (que empresta a voz a uma das personagens na versão inglesa). Arthur et la Vengeance de Maltazard é fiel ao seu antecessor, sendo que a imaginação de Besson soe um pouco limitada e dependente de muitos outros contos de fadas, sem isso que consiga construir algo sólido e palpável. A animação mesmo sendo superior á prequela, continua a ser demasiado artificial e defeituosa. Mesmo assim vale pelo elenco e pelo vilão Maltazard que conta com a voz do musico Lou Reed.
Real.: Luc Besson / Int.: Freddie Highmore, Robert Stanton, Mia Farrow, Selena Gomez, Lou Reed, Snoop Dog
Comida com alma!
Do consagrado realizador alemão de origem turca, Fatih Akin, que interrompeu a sua trilogia dramática Love, Death and the Devil (actualmente composto pelos filmes Head-On e The Edge of Heaven), Soul Kitchen é a sua passagem por um território de tom mais ligeiro. A história segue um alemão de raízes gregas, Zinos Kazantsakis (Adam Bousdoukos), que se rodeou por uma série de eventos infortúnios; o restaurante o qual é dono (de nome Soul Kitchen) está a perder clientela a um ritmo alarmante, sendo a sua venda inevitável, o seu irmão irresponsável acaba de sair da prisão e está prestes a tomar conta dos negócios da família, a namorada seguiu carreira em Xangai e Zinos acaba de sofrer com uma hérnia nas costas. Akin explora o restaurante do título do filme como o espaço para o desenvolvimento dos seus personagens, principalmente da relação sempre mutável entre os dois irmãos, tudo filmado com um certo toque cómico um quanto burlesco, mas sempre atento ao ponto vista dramático e da visão panorâmica do autor em conformidade às proveniências dos seus personagens. Com o jeito pop não se funde á inconsequência, porque Soul Kitchen consegue ser maduro como igualmente sedutor e divertido. O argumento é da autoria do próprio actor Adam Bousdoukos, que inspirou-se na sua vida.
Real.: Fatih Akin / Int.: Adam Bousdoukos, Moritz Bleibtreu, Birol Ünel
O Bom, O Mau e o ET!
Um pouco como aconteceu com Snakes on A Plane de David R. Ellis, por vezes basta o título para nos apercebermos daquilo que estamos perante, Cowboys & Aliens de Jon Favreau (Iron Man) é apenas isso., uma fita que apenas sobrevive com a ideia (não muito original porque foi baseado numa homónima graphic novel). O título por si já combina dois géneros distintos, e que em certa altura na história da indústria cinematográfica se tornaram rivais directos (sendo que o confronto levou a uma quase extinção do género do faroeste), o western (Cowboys) e a ficção científica (Aliens), Tratando-se de uma salada de géneros que tenta de certa forma equilibrar a série B para o território blockbuster, a fita nos revela uma premissa simples, idêntica a tantas invasões alienígenas do cinema (o ano 2011 está minado desse tema), todavia a diferença entre esta obra e o por exemplo Battle: Los Angeles de Jonathan Liebesman que estreou entre nós a finais de Abril, é que mundo onde decorre a produção de Favreau é o mesmo em que Johns Waynes e que Clints Eastwoods eram reis.
Aqui encontramos cowboys com as suas colts e “apaches” com as suas setas, em cooperação, combatendo criaturas “from outter space”, sendo uma imagem bastante invulgar nos nossos dias numa grande produção como esta em que reúne dois astros do cinema de acção que simbolizam diferentes gerações: Daniel Craig (o James Bond) e Harrison Ford (o eterno Indiana Jones). A química entre ambos é nula, dando a sensação que cada um puxa o seu estrelato em prol do protagonismo da fita, mas individualmente conseguem afrouxar os seus dotes de anti-heróis.
Jon Favreau teve aqui a oportunidade de sair literalmente do mundo da Marvel com o seu duo de Iron Man, mas não fugiu do conceito blockbuster, e mesmo sob solo mais livre em termos criativos, o realizador apenas conseguiu construir uma fita de estereótipos e endereços, em que a narrativa não pára um segundo para dramatizar os seus personagens e corre a “sete pés” em busca da acção que vai desde o clássico tiroteio até ao conjunto de efeitos visuais que criam a pirotecnia básica de um grande produção hollywoodesca.
Cowboys & Aliens resume a um híbrido sem chama onde a acção decorre em modo automático e os personagens unidimensionais desperdiçam talentos como Sam Rockwell, Michael Pena e Olivia Wilde. A fita só ganha algum interesse com o desleal “conflito” entre Daniel Craig e Paul Dano (cada vez mais um talento subestimado).
Real.: Jon Favreau / Int.: Daniel Craig, Harrison Ford, Paul Dano, Olivia Wilde, Michael Pena, Sam Rockwell
Ver Também
“Moca”! Não com este filme!
Sabendo que drogas leves sempre foram propícias a algumas das mais cómicas e viciantes comédias do cinema, relembrando o clássico Up in Smoke (1978 – Lou Adler), conhecido como o inicio da saga Cheech e Chong, David Gordon Green, um dos mais subvalorizados autores norte-americanos (George Washington, Snow Angels), homenageia essa temática com ajuda do produtor Judd Apatow (Knocked Up, 40 Year Old Virgin), com o intuito de conquistar pela primeira vez a grande indústria. O resultado foi porém a nível comercial bastante satisfatório, sendo que a referida comédia tenha conquistado a barreira dos 100 milhões de dólares.
Chama-se Pineapple Express, que por cá recebeu o invulgar título de Alta Pedrada, trata-se de uma fita que para além de seguir os códigos da “weed comedy” se descola com os parâmetros do “buddy movie” (a hilariante amizade entre um “dealer” e o seu cliente), com claras evidências do humor “á lá Judd Apatow”, que tem como características os longos diálogos parvos tendo alguns a roçar o stand-up comedy e a vulgaridade ordinária que lhe aufere um certo teor de ousadia. È classificada como uma comédia de acção, cujo argumento tem inspiração em filmes como The Fugitive (1993) de Andrew David, o qual seguimos um notificador viciado em erva (Seth Rogen) que testemunha um homicídio, apavorado decide fugir “arrastando” com ele o seu “dealer” (James Franco), com receios de o associarem com ele por parte dos criminosos. De resto temos uma mistura de outros elementos ligados ao cinema de acção / policial.
Como já referi Pineapple Express é uma fita com todos os toques da habitual gama do legado de Apatow, porém é também um exemplo de que por vezes o êxito enfraquece a criatividade das piadas e do argumento. A fita de Gordon Green carece de um trama que justifique a remessa de gags, como também lhe falta um certo toque satírico em vez dos habituais rasgos de anarquia adquirida pela mesma equipa de trabalho de 40 Year Old Virgin ou Superbad (nomeado dois dos melhores trabalho associados a Apatow).
Seth Rogen encontra-se no seu estado esperado, ou seja o seu ego completo, o mesmo se pode dizer de Danny McBride (dois elementos habituais neste tipo de produção) que parece jogar pelo seguro em termos de prestação. Porém a surpresa do elenco se encontra em James Franco que veste a pele do pacífico traficante de erva, obviamente a sua presença como o sua “alta pedrada” de desempenho justificam a fita que pouco tem para oferecer para além das habituais graçolas. Em Portugal seguiu para direct-to-video, pessoalmente digo que não é com muita pena minha.
Real.: David Gordon Green / Int.: Seth Rogen, James Franco, Danny McBride, Gary Cole
Poltergeist para a nova geração!
Cada geração tem o seu Poltergeist, sendo que Insidious seja o eventual aspirante do filme produzido por Spielberg do nosso tempo. Vindo do realizador James Wan, que surpreendeu tudo e todos com Saw (2004) e o seu twist final memorável e imprevisível, e produzido por Oren Peli (Paranormal Activity), eis uma obra de terror promissora que vem beber da mesma agua dos clássicos contos de assombração. Em Insidious assistimos aos bizarros dia-a-dia de uma família que tem que lidar com seu filho em estado coma, enquanto são perturbados por presenças fantasmagóricas.
Tudo isto soa previsível e a verdade é que o novo filme de James Wan faz tudo para não fugir da zona de segurança do género, porém a sua hábil execução em sustos (que não caiem no facilitismo das muitas produções de estúdio) faz dele um caso distinto e mais sério. Somos surpreendidos com uma colecção de assombrações de “old fashion” e em estado puro, sem a manipulação dos elementos sonoros (banda sonora) e visuais.
Infelizmente, Insidious não consegue ser equilibrado sendo que o comboio descarrila no preciso momento em que a fita sai dos contornos de segurança do género e arrisca a elevar a fasquia quando aborda assuntos pouco retratados no cinema de terror. A narrativa se torna outra, o ambiente muda drasticamente, compondo contornos surreais, por vezes quase dignos de um David Lynch em estado negro ou de um Guillermo Del Toro mais agressivo, porém a tensão aumenta criando nas proximidades da etapa final uma verdadeira corrida contra o tempo, com emoções que sobram. Temos ainda direito a um twist final, bem vulgar diga-se por passagem.
Não é a alternativa do Poltergeist (1982) que esperávamos, não possui o seu carisma nem o toque quase ternurento, Insidious é um filme ambicioso, com uma fórmula de sucesso e apresentando os melhores sustos dos últimos anos, mas é uma fita desequilibrada, por vezes dado ao ridículo involuntário. Para finalizar devo salientar que o elenco encontra-se credível mas sem frutos de irreverência em fugir aos estereótipos, como por exemplo uma melancólica Rose Byrne (apesar de tudo é a melhor actriz do filme) e do suportável Patrick Wilson.
Int.: James Wan / Int.: Patrick Wilson, Rose Byrne, Lin Shaye, Ty Simpkins, Barbara Hershey
Ver Também
Legião Perdida!
A Legião IX Hispana, era das legiões romanas mais famosas e meritórias da Império Romano, sua existência surge em registos históricos, desaparecendo misteriosamente na Grã-Bretanha por volta do ano 117 D.C. Tal acontecimento levou á escritora Rosemary Sutcliff a escrever em 1954 um romance de aventuras juvenil em que um jovem centurião procura na selvagem e barbara Bretanha o estandarte (Uma Águia de Ouro) da muito perdida Nona Legião, o qual era pertencente ao seu pai, com intuito de restaurar a honra e nome da família.
Kevin Macdonald adapta as aventuras de Marcus Aquila na sua demanda de dever e honra por entre as florestas inultrapassáveis onde os povos bárbaros fermentavam o ódio pelo Império Romano. The Eagle é assim a recente aventura épica que surge nos tempos em que o género encontra moribundo. Outrora sinonimo de grandes produções e de automáticos êxitos de bilheteira, são agora reduzidos a obras escassas e cada vez mais adeptas de atalhos que facilitam o orçamento da fita, tais como os CGI e a falta de rigor histórico. Pouco se evolui desde que Gladiator arrebatava as bilheteiras e o publico conquistando no ano seguinte o cobiçado Óscar de Melhor Filme, todavia não será este The Eagle a conseguir o seu lugar cativo.
O nome Kevin Macdonald traz alguma confiança ao projecto, sendo o realizador do documentário Touching the Void e dos filmes The Last King in Scotland e do thriller State of Play. Porém em The Eagle assistimos um autor mais preocupado com o espectáculo visual, bem aproveitado devido às paisagens do Highlands, do que propriamente com o rigor do argumento. Trata-se de um filme com claras pressões do estúdio em construir algo que agrada a gregos e troianos, fazendo com que os envolvidos não depositem a alma neste projecto. Assim sendo The Eagle tem mais afluências a um blockbuster de Verão do que realmente os épicos de outrora, um pouco que aconteceu aos anteriores Troy de Wolfgang Peterson e The Last Legion de Doug Lefler.
Mesmo sob as falhas existem alguns valores a ter em conta neste pseudo-épico, Macdonald conseguiu capturar sólidas interpretações de Channing Tatum e do impressionante Jamie Bell, como a dupla protagonista deste filme, mesmo sem química e sem argumento para tal. As batalhas são feitas com profissionalismo e realismo, a banda sonora é envolvente e há um certo respeito pela linguagem dos bárbaros, que neste filme hollywoodesco fala o antigo bretão. Mas nada disso salva de uma aventura pronta e esquece, por vezes caindo no irrealismo da trama e na preguiçite argumental. Não esperem encontrar aqui um Gladiator!
Real.: Kevin MacDonald / Int.: Channing Tatum, Jamie Bell, Mark Strong, Donald Sutherland
Cinebloggers Awards - Vencedores 10/11
Cinebloggers Awards - Vencedores 09/10
Cinebloggers Awards - Vencedores 08/09
Cinebloggers Awards - Vencedores 07/08
Arquivo de Criticas
Outras Categorias
25 Essenciais da Decada de 2000-2009
Desafios
Meus blogs de cinema predilectos, Os
Sites de Cinema
Mais Blogs de Que Se Fala Cinema
Novidades Cinema // Movie News