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28.11.16

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Guerra Mundial, e o que nós temos haver com isso?

 

Para Selene (Kate Beckinsale) esta guerra entre vampiros e licantropos perdura à séculos, para o espectador, contando com 5 filmes, o conflito prolonga-se mais tempo que uma das duas Guerras Mundiais. A verdade, é que ninguém pediu um novo filme de Underworld. O último, que apesar do êxito, deitou por terra qualquer hipótese de inovação que poderia culminar, o que era difícil, visto que o primeiro filme era tudo, excepto sofisticado.

 

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E assim seguimos, mais um leque de cartas embaralhadas com personagens descartáveis, situações inconsequentes e todo uma ênfase dramática que nunca chega verdadeiramente a conduzir-nos. Muda-se os vilões, mas a existência é a mesma, uma guerra sem motivos algum num filme que perdeu de vez o esforçado profissionalismo do seu original, datado de 2003. Até porque nessa altura, Len Wiseman havia declarado um adepto das sagas dos monstros clássicos da Universal Pictures e até mesmo de um certo filme de John Landis, o qual emprestou muito dos seus efeitos práticos. Todavia, com quatros filmes à frente, só Kate Beckinsale sobrevive do elenco original, esse artesanato no ramo dos efeitos visuais é substituído por nada mais, nada menos que os preguiçosos CGI, e como tal pergunta-se, o que verdadeiramente nos espera este Blood Wars?

 

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Um videojogo apressado, carente e castrado, mesmo que se sinta alguma ousadia, principalmente em comparação com abominável quarto filme (Awakenings). Nesse aspecto, são as mulheres a darem o melhor neste episódio esquecível, seja o esforço de Beckinsale (atenção, a actriz teve em 2016, mais precisamente em Love & Friendship, um dos seus melhores desempenhos de carreira) ou da vilã, Lara Pulver, a servir de um modelo "carmeliano". Enfim, o resto, sente-se no automatismo da intriga, nos plot twists esforçados, e pouco mais. É para ver e chorar por menos, rezando que não se prolongue uma saga que já viveu melhores dias.

 

Real.: Anna Foerster / Int.: Kate Beckinsale, Theo James, Lara Pulver, Bradley James, Charles Dance

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:59
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26.8.16

Vida Secreta dos Nossos Bichos.jpg

Uma animação que se podia ficar no segredo dos deuses!

 

Logo após as primeiras notícias de sucesso, foi instantaneamente anunciado a preparação de uma sequela, mas cá entre nós, o conselho é de não se incomodarem com tal. Dos estúdios que nos trouxeram Despicable Me e o spin-off Minions, a Ilumination Studios parece ter encontrado a sua mais recente "mina de ouro", através de uma intriga de pura preguiça, engano e obviamente, de uma trivialidade identificável para com muitos dos espectadores (será isto a fórmula do sucesso?).

 

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São animais de estimação, reduzidos a um copy/paste de Toy Story, porém, ao contrário da premissa prometida dos trailers - o que fazem o nossos "bichos" durante a ausência dos donos? - esta animação, que melhor figura faria nas grelhas das matines televisivas, é um embuste que passeia por um enredo rudimentar de regresso a casa. Em tempos, faziam filmes destes, só que ao invés de bonecos tecnológicos tínhamos animais "verdadeiros" treinados e muito engodo induzido na narrativa.

 

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Em The Secret Life of the Pets, o que temos é personagens ocas, de motivos vazios e sem carácter que concretizam um macguffin enquanto "bombardeiam" o espectador com um prolongado humor slapstick dedicado unicamente para a faixa etária mais jovem, e mesmo assim, convenhamos, não de todo indicada. The Secret Life of the Pets é um episódio violento, a invocar o lado de "mau gosto" dos Looney Tunes e Tom & Jerry, aquela violência graficamente castrada que nos leva a crer que o mundo que nos rodeia é inquebrável e que uma vida é uma pura piada reciclada.

 

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Sim, apercebemos isso, esta é uma daquelas animações que não nos leva a lado nenhum, de difícil comoção visto que não simpatizamos de todos com estes "bonecos" que se disfarçam de estereótipos já fundamentados desta indústria. Para os pais, questiona-se, será que os nosso filhos não merecem algo melhor que assistir a um imenso vazio, que nem o moralismo pedagógico consegue transmitir? Fica a dúvida, enquanto nos rendemos ao puro vórtice do marketing.    

 

Real.: Chris Renaud, Yarrow Cheney / Int.: Louis C.K., Eric Stonestreet, Kevin Hart, Albert Brooks, Lake Bell, Steve Coogan

 

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3/10
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publicado por Hugo Gomes às 01:19
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24.8.16

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Mais uma pólvora que não arde no cinema português!

 

Esta é a história de Lucas Mateus (Ivo Canelas), um músico de carreira falhada que entra em depressão após descobrir que a sua namorada o traía com o seu melhor amigo, Pedro (João Tempera), que ao contrário do protagonista é um músico com uma carreira bem sucedida. Com as desilusões que se vão acumulando na sua vida, Lucas desesperadamente entra num ciclo vicioso de “carrologia”, uma arte de engate em que consiste “estudar” o conteúdo dos carrinhos de supermercado. É durante essa “caça a mulheres” que Lucas reencontra a ao conhecer uma estranha rapariga, cuja principal particularidade é de viver dentro de um fato de dinossauro cor-de-rosa.

 

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Na teoria, Refrigerantes e Canções de Amor soa como uma variação de criatividade “Sundance style”, mas o pior é quando chegamos realmente à prática, e aí sim, é onde “a dinossaura torce o rabo”. Escrito pelo humorista Nuno Markl, esta é uma comédia de ideias, porém, mal executadas em derivação de um malabarismo de tons, de uma realização ausente de frescura, por um overacting conformado por muitas das suas estrelas e por um timing incorrectamente aplicado.

 

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Devo dizer que esta obra tem de tudo para funcionar com um case study, exibido em qualquer aula de preparação para estudantes de cinema nos termos do que se “deve ou não deve fazer”. Verdadeiramente triste que isso aconteça, até porque no leme deste projecto está o veterano Luís Galvão Teles, que ainda este ano presenteou-nos com a louvada tentativa de Gelo, um filme de ficção cientifica que não envergonha ninguém. Infelizmente é na sua direcção que encontramos a “faca de dois gumes” deste Refrigerantes e Canções de Amor, se por um lado a realização de Galvão Teles afasta-nos da usual linguagem televisiva que empesta as produções comerciais (*cof* O Pátio das Cantigas *cof*), é nele que encontramos o desleixo total, confirmado no patético climax, onde não existe qualquer noção espacial e até temporal.

 

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Sim, meus caros, Refrigerantes e Canções de Amor é um produto falhado, sem amor nem carinho, despachado e dilacerado precocemente. Algo bom nisto tudo é Victoria Guerra, que mesmo deixada à sua mercê no interior de um fato de dinossauro rosa, consegue graciosamente contagiar-nos com o seu talento. Aliás é nela que encontramos o termo de requisitada interpretação, onde os gestos e a voz valem mais que muitas expressões faciais.

 

Real.: Luís Galvão Teles / Int.: Ivo Canelas, Lúcia Moniz, Victória Guerra, João Tempera, Sérgio Godinho, Jorge Palma, Margarida Moreira, Marina Albuquerque, Ruy de Carvalho, Gregório Duvivier

 

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3/10

publicado por Hugo Gomes às 14:55
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9.6.16

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"Olhem para mim", a continuação!

 

Juntamente com o recente Alice do Outro Lado do Espelho (Alice Through the Looking Glass), este Mestres da Ilusão 2 (Now You See Me 2) é já um dos fortes candidatos a sequela não pedida de 2016, um filme cujo título português adequa-se perfeitamente à sua natureza.

 

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Mais do que um filme, este é um verdadeiro truque de ilusionismo, que procura convencer o espectador de que todo este espectáculo é no mínimo saudável para a massa cinzenta de cada um. Contudo, a verdade está longe de ser mágica - tudo se resumo a um argumento reciclável que utiliza como desculpa "o ilusionismo" para explicar o inverosímil. A prequela podia seguir os mesmos erros, mas no caso da sequela, o registo é insuportavelmente longo, atrapalhado com o excesso de informação e precocemente reprimido em consequências de "milésimos" falsos twists, engodos lançados para a audiência como se de burlas se tratassem.

 

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Nem mesmo a ironia o filme consegue suportar. Aliás, temos aqui um enredo sobre mágicos e ilusionistas com Daniel "Harry Potter" Radcliffe como o vilão em cena, o "ateu" nesta ordem apocalíptica de coelhos e cartolas, infelizmente uma piada digna de "stand up comedy" desvanecida por um tom hiperactivo e exaustivamente industrial. Continuando com o fracasso de todo o tamanho, Mestres da Ilusão 2 ostenta um visual de brilhantismo que afoga qualquer indício provocado de "filme de golpe", e quanto toca a explicações de planos intermináveis, o "cenário" torna-se ainda mais desesperado por atenção (verifica-se na entediante e demasiado longa sequência no laboratório).

 

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Por fim, o elenco poderia ajudar a tornar esta experiência mais capaz na sua entrega mais cinematográfica e menos "videoclippeira", mas a esta altura do texto o leitor já deve ter percebido que são mais um ... fracasso. Um Jesse Eisenberg nos seus piores dias, um Woody Harrelson mais preocupado com o cheque (provavelmente a dobrar neste produto), um Dave Franco sem expressão e uma Lizzy Caplain como pneu suplente em modo "Kat Dennigs wanna be", não são certamente os anfitriões que quereremos no nosso serão.

 

"Are you listening, horsemen? You will get what's coming to you. In ways you can't expect."

 

Real.: Jon M. Chu / Int.: Jesse Eisenberg, Mark Ruffalo, Woody Harrelson, Lizzly Caplain, Morgan Freeman, Dave Franco, Michael Caine, Daniel Radcliffe

 

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Ver Também

Now You See Me (2013)

3/10
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publicado por Hugo Gomes às 22:10
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11.5.16

Correspondência.jpg

"Haja alguém que tire Tornatore das estrelas?"

 

Mesmo após a sua "morte", a luz de uma estrela continua visível no céu durante vários anos, provavelmente aquilo que vemos num horizonte estrelado é nada mais que as presenças de astros desaparecidos, ilusões e alusões de uma anterior presença. Sob essa essência, Guiseppe Tornatore concebe La Corrispondenza (A Correspondência), um melodrama onde os fantasmas vagueiam nas declarações de amor. No sentido em que as personagens estão de certa forma ligadas à astrofísica, o enredo segue um adultério mantido anos-a-fio que é interrompido pela tragédia. O professor Ed Phoerum (Jeremy Irons) falece em consequência de uma doença, deixando em desgosto a sua amante e ex-aluna, Amy (Olga Kurylenko). Mas o professor havia preparado tudo antes da sua morte, pronunciando a saudade que poderia culminar nos seus entes queridos, e antecipando todo um conjunto de correspondência, videos e presentes para a sua amada.

 

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Depois dos êxitos internacionais de Nuovo Cinema Paradiso e do elogiado La Sconosciuta (A Desconhecida), Giuseppe Tornatore parece ter-se reduzido ao autêntico "crowd pleaser", mas até mesmo nesse estatuto existirão resultados bem mais entusiasmantes; quem não se lembra do anterior La Migliore Offerta (A Melhor Oferta), com Geoffrey Rush a emancipar-se do seu afecto aos quadros de mulheres solitárias. Contudo, neste caso, o ensaio é completamente irreconhecível. Tornatore reduz-se a um mero ensaio melodramático apenas com "truques baratos" do romance. Aliás, existe aqui algo mais dos "escritos" de Nicholas Spark e de Cecelia Ahern, do que propriamente do realizador. Os actores parecem reconhecer isso, sendo que os requisitos mínimos são apenas necessitados. Olga Kurylenko engana-nos perfeitamente com o seu overacting (não temos aqui nenhuma "Amazing" Amy) e Jeremy Irons está mais que ausente, intrinsecamente falando.

 

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Todo este registo alastra-se e alastra-se até a intriga torna-se inverosímil. Este estatuto de incredibilidade atribui um tom trágico, exageradamente trágico, que nos faz focar neste casal, agora repartido pelo destino, do que propriamente na conduta que um retrato sobre a perda poderia culminar. As estrelas não estavam do lado de Tornatore desta vez, limitando-se a ser "barato" e sem qualquer tipo de mestria nem afecto pelas personagens que apresenta.

 

Real.: Giuseppe Tornatore / Int.: Jeremy Irons, Olga Kurylenko, Simon Johns, James Warren, Shauna Macdonald

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:34
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19.4.16

Caçador e a Rainha do Gelo.jpg

 

Um filme gelado, bem gelado de ideias!

 

Dizem as más línguas que as obrigações contratuais levaram a grande parte do elenco residir neste pseudo-épico que serve de prequela e sequela a um dos maiores desperdícios do cinema fantástico recente. Passaram-se quatro anos desde Snow White and the Huntsman, filme onde supostamente Rupert Sanders reiventou o tão amado conto dos irmãos Grimm, transformando-o num blockbuster reluzente para as mesmas audiências de Twilight. Dos trunfos conseguidos, apenas uns valiosos 300 milhões de dólares e uma prestação mais que esforçada por parte de Charlize Theron. O resto caiu para o esquecimento.

 

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Nesta extensão (chamaremos assim a este produto), Kristen Stewart demonstrou sensatez e deu de "frosques", agora mais interessada em conquistar Césares e abrilhantar uma carreira marcada por produções juvenis. Mas nem todos tiveram "cabeça". Chris Hemsworth continua, neste caso a tentar erguer um filme em fase de descongelamento. Novamente como o Caçador do título, o espectador segue a sua jornada por entre terras distantes em busca do Espelho Mágico, que desaparecera e deixara a muito "divinal" Branca de Neve louca. Pelo caminho descobrimos uma elite de guerreiros, do qual o nosso protagonista fazia parte, dois dos setes anões (peço desculpa, oito, visto que a Disney detém os direitos dos sete), que porventura acompanham esta jornada tudo menos épica, e ainda a fusão com a Rainha do Gelo de Hans Christian Andersen (em jeito de aproveitar o sucesso de Frozen).

 

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Ou seja, The Huntsman: Winter's War é uma autêntica salada russa que não ostenta fascinação pelo seu próprio trabalho, muito menos pela narrativa e pelas personagens. O visual não engana, a automatização tomou conta da fita, os atores convocam os mínimos para as suas representações e os "buracos de argumento" são evidentemente prejudiciais. A tendência poderia ser bem pior não fosse o aparecimento de Charlize Theron a certa altura. A actriz comporta-se como a santa padroeira e como uma mártir salva-nos do terrível tédio. Sim, tal como o antecessor, ela continua como o único raio de luz numa produção tão enublada como esta. Cinema pipoca, dirão alguns, falta de ideias e de estruturas narrativas dirão outros. No meu entender, é simplesmente pior do mesmo.

 

Real.: Cedric Nicolas-Troyan / Int.: Chris Hemsworth, Jessica Chastain, Charlize Theron, Emily Blunt, Sheridan Smith, Nick Frost, Rob Brydon

 

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3/10
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publicado por Hugo Gomes às 12:45
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5.4.16

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Por amor de Valeria!

 

Depois disto, há que peticionar a beatificação de Valeria Golino e fazer chegar tal rogação ao Vaticano! Bem, é melhor não exagerar, quase mesmo tendo chegado a tais conclusões. O problema aqui não é a actriz, que o público mais mainstream a conhece do duo cómico de Hot Shots (Ases pelos Ares), mas sim do empenho do realizador Guiseppe Gaudino em criar uma epopeia martirologica de uma mulher de bem num cenário inóspito de oportunidades. E é nesse empenho, que contando com o apoio do uso de manipulação visual, que deparamo-nos com um retrato artificial e por vezes piroso da Santa das Boas Causas que se tornou Golino.

 

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Talvez seja a boa causa de entrar num filme tão inexpressivo como este que a faz considerar como uma actriz de força e de sacrifício. Anna é uma mulher desiludida com a vida mas uma continua sonhadora, sendo esse sonho, o mar (aqui representado através de vivos tons azulados que destacam da fotografia maioritariamente cinzenta), seja o único motivo pela sua luta diária. Enquanto os que a rodeiam consideram a protagonista numa "amaldiçoada" pelos infortúnios do seus quotidiano, Anna, assumidamente corajosa, tenta sobretudo encontrar uma saída através da maldição que a anexaram.

 

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Recorrendo a constantes cânticos na sua narrativa, como coros clericais que pronunciam o nascimento de um ser altamente divino, Anna (Per Amor Vostro) é uma personificação da ideológica cristã-católica, o qual o sacrifício, quer físico, mental e material, são correspondidos com chaves para os quintos do Paraíso eterno. Infelizmente é sob essa doutrina religiosa que o filme encontra a sua pura ingenuidade, uma inocência fatal com as deveras responsabilidades para com a imagem límpida da actriz e da sua respectiva personagem.

 

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O resto é lugares-comuns nos parâmetros de donas-de-casa desesperadas que não figuram a classe média, desde os clichés de maridos adeptos de violência doméstica, filhos com problemas fisiológicos e sufocos financeiros. Para além das rotinas, sinistramente representadas por autocarros encharcados, cujo seu interior ecoam preces e confissões não respondidas. Poderia existir neste exercício algo de fascinante, porém, o seu pretensiosismo extremo a converte num verdadeiro e esquecido mártir. Em Veneza, esta prestação sofrida valeu a Valeria Golino, a distinção de Melhor Actriz (Prémio Volpi Cup), a chave do seu merecedor canto do Paraíso. A compensação de tão disforme obra.     

 

Filme visualizado na 9ª edição do 8 1/2 Festa do Cinema Italiano

 

Real.: Giuseppe M. Gaudino / Int.: Valeria Golino, Massimiliano Gallo, Adriano Giannini

 

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3/10

publicado por Hugo Gomes às 11:41
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1.3.16

Deuses do Egipto.jpg

 

Age of Mythology!

 

Já indiciado como o maior fiasco do ano, Gods of Egypt joga com as mesmas "peças" que o anterior Clash of the Titans, reinventado livremente uma mitologia. Ao contrário do seu antecessor que se vingou nas bilheteiras mundiais, a nova fita de Alex Proyas embica por uma estrutura narrativa mais consistente, mas nem por isso longe da puerilidade.

 

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Infantilidade saiu-se o realizador, o mesmo homem por detrás dos cultos The Crow e Dark City (e ainda surpresa de I, Robot), que soma aqui uma produção amaldiçoada por deuses, desde primeiro momento em que foi anunciado. Ora foram as acusações de falta de diversidade cultural nas personagens, ora foi a repulsa geral dos espectadores após as primeiras imagens, ou simplesmente o desinteresse do mesmos perante um ano recheado de super-heróis, a verdade é que Proyas acusou a crítica de ser injustiça para que o seu trabalho, argumento que apenas fizera um filme para público e para o público apenas. Contudo, até mesmo nesse sentido, Gods of Egypt falha através dos elementos mais básicos do cinema-espectáculo.

 

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Primeiro, não sabe construir personagens e muito menos relações entre elas, os sentimentos vinculados parecem forçados, soldados a frio para quem os renega, segundo o uso e abuso de efeitos visuais sufoca a narrativa que poderia ser lançada como um mero dispositivo de contar uma simples história, e anexado ao enredo a previsibilidade e os lugares-comuns de sempre são invocados pela enésima vez. O problema numa liberdade fantasiosa não é ser livre, é ser-se criativo e Gods of Egypt é prejudicado simplesmente por isso, pela ausência de imaginação. Tudo ocorre automaticamente, glorificando um trabalho de narração digno de um videojogo e numa sucessão pouco interactiva com as suas respectivas sequências de acção, essas datadas e empoeiradas.

 

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Com Gerard Butler a repetir as "façanhas" de 300, ou pelo menos tentando por isso, e um Geoffrey Rush como a presença de luxo dos blockbusters actuais, Gods of Egypt especifica o evidente, os deuses abandonaram Alex Proyas, que apresenta aqui o seu pior trabalho de carreira.   

 

"You're not fit to be king… it's my turn now."

 

Real.: Alex Proyas / Int.: Brenton Thwaites, Nikolaj Coster-Waldau, Gerard Butler, Geoffrey Rush, Courtney Eaton, Elodie Yung, Chadwick Boseman

 

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3/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:00
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15.1.16

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Uma invasão de quinta categoria!

 

É do conhecimento de toda a gente de que os estúdios procuram o seu novo "Twilight", aquele fenómeno propício para levar as camadas mais jovem a invadir novamente os cinemas. Mas essas tentativas tem-se revelado, a maior partes delas, em esforços falhados e este The 5th Wave (A 5ª Vaga), vindo directamente das páginas de Rick Yancey, um escritor especializado para um público infanto-juvenil, é o novo contra-ataque na área que segue o mesmo caminho.

 

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Eis uma fita que inicia-se como uma aspiração scy-fy à lá Guerra dos Mundos até chegar aos lugares-comuns do pós-apocalíptico de um The Walking Dead, porém, desta vez sem mortos-vivos. Chloe Grace Moretz é assim a protagonista, uma jovem que tenta a todo o custo tecer o melhor das "novas heroínas", falamos obviamente de Katniss (The Hunger Games) e até mesmo de Tris (Divergent), mas resume-se a um arquétipo falhado, sem qualquer tipo de brilho, espessura, nem garra em tomar as rédeas do protagonismo. Infelizmente não é só culpa da jovem actriz.

 

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The 5th Wave possui a consciência dos seus "targets", como a aposta superlativamente relevante de um triangulo amoroso, acima do contexto subpolítico e militarista que tenta invocar lá para as proximidades do seu final. Volto a sublinhar a palavra "tenta". J Blakeson, que demonstrou um bom trabalho com o modesto The Disappearance of Alice Creed, opera aqui em modo artesão, um "pau-mandado" de uma produção prioritariamente preocupada com as novas tendências. A direcção de actores falha hediondamente, veja-se o caso da prestação ruinosa de Alex Roe e os diálogos anexados à sua personagem, "O Amor é um truque de magia", por exemplo, vai romper com gargalhadas durante a projecção, e a narrativa desafia constantemente em encontrar ênfases dramáticas onde é impossível obter.

 

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Ou seja, todo este produto cheira, sente-se e resulta em fracasso, uma tentativa de consolidar os nossos jovens a integrar as sessões de cinema para visualizar este tipo de material, mastigado e redesenhado sob régua e esquadro, mais uma vez baseando nas mesmas formulas. Esperemos que o sucesso não cumpra, comprometendo assim a produção das suas sequelas, até porque com filmes destes, mais vale entregar a Terra de bandeja aos invasores alienígenas e "rezar-mos" que façam algo melhor. Vale pelos efeitos visuais que doseiam o filme com momentos dignos a Emmerich, porque de resto, não há vaga que aguente!  

 

Real.: J Blakeson / Int.: Chloë Grace Moretz, Alex Roe, Nick Robinson, Gabriela Lopez, Ron Livingston, Maika Monroe, Liev Schreiber

 

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3/10
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publicado por Hugo Gomes às 12:41
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30.10.15

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Esperemos que seja o último!

 

Por melhores visuais que se tenha, a personalidade é algo substancialmente importante para a valorização de uma imagem. The Last Witch Hunter tem em certa parte uma ostentação estética caprichosa, mas nada vale perante um industrializado tratamento. Vindo da mesma equipa que nos trouxe os abomináveis Priest (Padre [ler crítica]) e Dracula Untold [ler crítica], aquele "terrorzinho" de estúdio que tem como intuito alimentar a curiosidade de adolescentes ligados a contraculturas de moda ou do público mais mainstream que julga que o género de terror é "too much" para os respectivos parâmetros, eis que surge Vin Diesel envergando pelo território sobrenatural com bruxas "ao barulho".

 

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Ele é Kaulder, um homem condenado à imortalidade pela Rainha Bruxa (Julie Engelbrecht) que torna-se na mais perfeita arma de uma secção obscura da Igreja Cristã para o combate e preservação da ordem num mundo que poucos humanos conhecem. Uma espécie de Cruzado renegado que enfrenta forças das trevas com a mesma exactidão que batalha meros mortais, liderando uma investigação de "whodunnit" que o próprio espectador conhece a léguas o desfecho mas que mesmo assim persiste em criar uma ambiência de suspense falhada.

 

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The Last Witch Hunter, de Breck Eisner, é o típico produto que se apoia na totalidade do seu protagonista, neste caso Vin Diesel, sob grunhidos e uma variedade de expressões (que se resume apenas uma), o qual consolida o seu estatuto de estrela de cinema de acção enquanto tenta aprender algo no ramo interpretativo com os seus colegas, em especial com o veterano Michael Caine. Talvez não estamos longe da verdade na afirmação de que Caine é o único motivo que Diesel aceitou um papel destes, até porque o seu desempenho tende a melhorar quando contracena com ele.

 

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Fora isso, Vin Diesel é igual a si mesmo, o que não quer dizer muito, demonstrando ares de cansaço enquanto vagueia por um filme isento de personagens secundárias verdadeiramente trabalhadas e de um enredo que não tem a decência de fugir aos lugares-comuns, não somente do género, mas deste tipo de produções. Um filme tão medíocre que chegamos definitivamente ao porquê de Timur Bekmambetov ter fugido "a sete de pés" deste projecto.

 

"Do you know what I'm afraid of? Nothing."

 

Real.: Breck Eisner / Int.: Vin Diesel, Rose Leslie, Elijah Wood, Michael Caine, Julie Engelbrecht, Joseph Gilgun

 

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3/10
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publicado por Hugo Gomes às 11:55
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23.9.15
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No pico dramático, pelo menos em teoria!

 

"O local mais perigoso da Terra", assim é descrito o pico mais elevado do globo neste novo filme do islandês Baltasar Kormákur (Contraband, 2 Guns), cuja carreira outrora promissora, parece agora tida como um simples tarefeiro de Hollywood. Vergonhosamente, o seu Everest não chega a cumprir o papel de "bergfilme" (filme de montanha), ao invés disso aposta-se numa desculpa para o uso dos seus atributos técnicos para um espectáculo vangloriado em IMAX, e sob o oportunismo de se basear na trágica expedição de 1996. É certo que para os sobreviventes e familiares, e até mesmo todos aqueles que ousaram escalar a montanha, a emoção aqui encontrada é apenas um suplemento às suas memórias e experiências. Porém, para o simples espectador, o resultado é um embarque num ensaio sem espessura dramática, onde nem uma narrativa aguenta a "escalada".

 

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O inicio consegue deixar tudo por terra: um catálogo de localidades que mais soa a um guia turístico, seguindo a pique uma vertente de "filme-catástrofe" regido por todos os códigos do espectáculo circense. Nesta expedição, personagens é coisa que falta, mas não por culpa dos atores, integrados num elenco invejável (Jake Gylenhaal, Jason Clarke, Josh Brolin, Keira Knightley, Robin Wright e o sempre "desperdiçado" John Hawkes) mas repartidos em consequência dos seus mimetizados "bonecos". O teor humanista também é coisa perdida e o que vemos como simples compensação são os ditos lugares-comuns, aqueles diálogos que se adivinham a milhas, os gestos que se espera, os acordes fundamentais e automáticos, e até os planos, que até o público menos conhecedor do campo cinematográfico já conhece.

 

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Pois é, Everest transpira ao mais banal das produções cinematográficas. Visualmente sustém-se, mas é incapaz de oferecer-nos mais do que um anoréctico espectáculo de faz de conta. Eis um filme tão opaco e estruturalmente limitado, isento de qualquer dignidade para os alpinistas, os mesmos que arriscam a própria vida nos limites. Um fracasso!

 

"Human beings simply aren't built to function at the cruising altitudes of a seven-forty-seven."

 

Real.: Baltasar Kormákur / Int.: Jason Clarke, Ang Phula Sherpa, Thomas M. Wright, Jake Gylenhaal, Josh Brolin, Keira Knightley, Robin Wright, John Hawkes, Charlotte Bøving, Michael Kelly, Emily Watson, Sam Worthington, Mia Goth

 

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3/10
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publicado por Hugo Gomes às 20:12
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22.6.15

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Um desastre de filme!

 

O subgénero dos chamados filmes-desastre viveu o seu apogeu em pleno anos 70 (Earthquake, de Mark Robson vem automaticamente à memória), mas actualmente parece estar reduzido à escola de Roland Emmerich. Visto como um pretexto para uma exposição gratuita de CGI, com mais interesse em "abanar" o box-office mundial do que propriamente presentear o espectador com novas plataformas e experiências cinematográficas, San Andreas é talvez mais um exemplo dessa mesma "escola", que tirando o seu pano de fundo pedagógico - a falha de Santo André e as suas placas tectónicas – é de curto rastilho sem razão alguma para a sua existência.

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"O maior terramoto que o Mundo alguma vez sentirá". É assim que esta aventura tecnológica vende-se de forma narcisista, oferecendo em pleno verão a enésima mostra de efeitos visuais, onde o factor humano é praticamente nulo. Se Emmerich minou o seu pretensioso e espalhafatoso 2012 com um humor algo "camp", com San Andreas nada disso acontece. É tudo levado a sério, mesmo que a sua intriga secundária - a reconciliação de uma família desfragmentada – seja involuntariamente risível e dramaticamente fracassada. Aqui a destruição é abundante, as vitimas amontoam-se, mas nada é verdadeiramente sentido. Para tal entra a dita linguagem de videojogo que muitos dos grandes "blockbusters" de verão parecem ter adquirido, aquele excesso de grafismo, o qual se nota mais nas mirabolantes cenas de destruição que procuram mais impressionar o espectador do que fazê-los sentir na iminência do perigo e do caos a nível humanitário.

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Ora este massacre em massa levado a cabo por estes processos tecnológicos revela-se ineficaz em conduzir as suas personagens. Se Dwayne Johnson, o ex-wrestler The Rock, salienta ao mundo inteiro que é um Schwarzenegger desta nova geração, o resto está longe de não enfadar. Carla Gugino nunca consegue concentrar-se dramaticamente, seguido um desempenho em claro overacting, Alexa Daddario está mais preocupada em ser uma nova Megan Fox do que propriamente uma Jennifer Lawrence, e Ioan Gruffudd é um antagonista caído de pára-quedas com direito a castigo divino e tudo. Já Paul Giamatti é o sismólogo que tenta alertar uma nação inteira para a eventual catástrofe, credibilidade apenas alcançada quando proclama as previsíveis palavras "God be with you".

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No final, tudo soa como um tributo à coragem com que um país traumatizado consegue ser forte na sua superação da dor e dos ataques de que fora alvo (neste caso foi a Natureza, mas a alusão é muito ao 11 de Setembro). Mais outro lugar-comum apresentado: essa esperança é dignificada com um abanar de uma bandeira ao vento. É por estas e por outras que temos todos que dar razão ao último filme do cineasta filipino Brillante Mendoza: enquanto o "Mundo" vê telenovelas com "heróis" de velha escola, as verdadeiras catástrofes acontecem, mas ninguém parece querer saber disso.

 

"You *left* my daughter? If you're not already dead, I'm gonna fucking kill you."

 

Real.: Brad Peyton / Int.: Dwayne Johnson, Carla Gugino, Paul Giamatti, Ioan Gruffudd, Alexa Daddario

 

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2012 (2009)

3/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:21
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29.4.15

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Quando as distopias são fenómenos de popularidade!

 

A série literária Divergente, da autoria de Veronica Roth, segue os passos das distopias expostas por Aldous Huxley, nomeadamente a sua obra-prima Brave New World (Admirável Mundo Novo). As fracções e as classes são aqui similaridades, mas as abordagens são, literalmente, divergentes, enquanto Huxley sempre havia convertido a sua distopia em prol da crítica social, evidente é que mesmo passados 80 anos, as suas visões continuam tão actuais como nunca. Roth, por sua vez, explora um território mais juvenil, requisitando os códigos regentes deste universo (difícil que é fugir do previsível romance), e que dificilmente se vingarão na posteridade.

 

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Passando então à adaptação do segundo livro da trilogia, Insurgent recorre como um "mais do mesmo" do inicio morno que fora Divergent, em termos produtivos é óbvio. Este novo capítulo é o mais pomposo no sector visual, resposta a isto é a sua dependência ao frenesim tecnológico e o protagonismo oferecido ao CGI. Algo que seria a seu favor, se Insurgent conseguisse manobrar uma intriga e minimamenteos seus personagens, todos eles unidimensionais e estabelecidos ao estatuto de "bonecos animados", apenas encabeçados por actores de nome e jovens estrelas.

 

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Depois é o ritmo narrativo, Robert Schwentke (que sucede Neil Burguer) nunca em momento algum tem a dignidade de equilibrar todo o fio narrativo e conduzi-lo de forma mais fluida e afectiva a uma ênfase dramática mais acentuada, mesmo que o filme assuma um tom deseriedade de contornosinsuportáveis em relação à anorexia dos eventos. Sim, Insurgent é claramente um mau exemplo de como não adaptar um bestseller juvenil, uma sucessão instantânea de sequências de acção, que roçam a banalidade, que não oferecem espaço algum aos seus personagens. Peço desculpa … bonecos!

 

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Depois é a crítica social, um factor de que outro franchising juvenil beneficiou, The Hunger Games, é aqui distorcido em prol de um romance sob grandiloquências exageradas e sem fins de abordagem para com as suas temáticas distópicas. Ou seja, temos aqui um dos prováveis candidatos ao prémio de pior filme do ano, se não for, é pelo menos o mais caro do catálogo, com 110 milhões de dólares empregues em "mimos visuais". Todavia, para mal dos nossos pecados, o próximo capítulo já está a caminho e, infelizmente, sob o processo de divisão para dois filmes distintos. Meu rico Aldous Huxley!

 

Real.: Robert Schwentke / Int.:Shailene Woodley, Theo James, Octavia Spencer, Jai Courtney, Ray Stevenson, Zoë Kravitz, Miles Teller, Ansel Elgort, Maggie Q, Mekhi Phifer, Naomi Watts, Kate Winslet

 

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Divergent (2014)

 

3/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:40
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15.4.15
15.4.15

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Isente de ar!

 

Chris (Marisol Ribeiro) é uma jovem que sofre de apneia do sono, por outras palavras, dormir é um risco para a rapariga visto que a insuficiência respiratória é frequente. Para prevenir esses tormentos da noite, Chris penetra num mundo de drogas, sexo e álcool, tornando todo os dias numa festa interminável.

 

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Apneia afigura-se no mesmo registo de Bling Ring, de Sofia Coppola, e do subvalorizado Spring Breakers, de Harmony Korine, na dissecação de uma geração niilista e "acorrentada" a vínculos de futilidade e luxúria. Mas ao contrário dos exemplos acima referidos, o filme de Maurício Eça peca pela sua constante falta de carácter e de primazia em abordar tais assuntos. Para além disso, o filme assume-se como um conto com fins morais, onde o conjunto de personagens não são mais que mero protótipos novelescos com evidentes fobias em devotarem-se como "figuras vazias" num cenário propício. Os atores fazem o que podem perante esse sacrilégio de "bonecos" sistematizados por lugares-comuns da TV, ou sob outras tendências, como a expansão das webséries, visto que esse formato não fomenta intrigas complexas para benefício do seu público-alvo (impaciente e exaustivamente consumidor).

 

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Já que falamos de webséries, é curioso que muitos trabalhos ostentam um rigor técnico mais apresentável que este Apneia. A sua estrutura de planificação é académica o suficiente para não salientar nenhuma prova de vivacidade no ramo da direcção, para além de mudança de planos injustificáveis que atrapalham, e muito, a visualização do espectador. Mesmo tendo temáticas joviais e debates sociais pelo meio, Apneia não revela esse instinto inconsequente nem essa força vital, o que existe aqui é somente um amontoado pastiche, povoado por personagens desequilibradas repletas de conflitos pessoais resolvidos num ápice, sem nunca ter espaço para ecoarem na narrativa.

 

Filme visualizado na 6ª edição do FESTIn: Festival de Cinema Itinerante de Língua Portuguesa

 

Real.: Mauricio Eça / Int.: Fernando Alves Pinto, Thaila Ayala, Maria Fernanda Cândido, Fernando Alves Pinto, Gustavo Duque

 

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3/10

publicado por Hugo Gomes às 20:13
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8.4.15

Tracers - Nos Limites.jpg

Rastreando novas tendências!

 

Contrariando o preconceito inicial que se poderia ter em apelidar o regresso de Taylor Lautner ao protagonismo como qualquer coisa de inútil, ao invés disso inserimos Tracers em diversos case studys. O primeiro na procura de protagonistas cada vez mais jovens pela industria cinematográfica, como se servissem de apelo às habituais audiências das salas de cinema. Não sendo novidade nenhuma de que as salas de cinema são maioritariamente frequentas pelos mais jovens, deixando assim, literalmente, os adultos em casa, visto possuírem propostas à sua medida no pequeno ecrã (evidenciando as temáticas mais maduras e complexas das séries de televisão).

 

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Segundo case study que poderíamos tirar proveito deste caso, são as tendências estabelecidas pela expansão da internet. Devido a isso os vídeos caseiros e uma excessiva democracia de "cinema", onde actualmente qualquer pessoa pega numa câmara (nem que seja de um telemóvel) e filma vídeos para partilhados em sites e outras plataformas como o Youtube. Previsivelmente, tais vídeos serão mais vistos que 70% das produções cinematográficas saídas num ano. Face a isto, Tracers adquire uma linguagem dessas novas tendências, ao demonstrar um enredo que cruza heróis acidentais e parkour, movimento acrobático e marginal que ostenta o seu holofote com a vinda dos ditos sites de partilha de vídeos.

 

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Assim sendo, nem tudo visto em Tracers é pura futilidade, se o inserimos nestes respectivos case studys, sem fazer grande diferença, o filme do desconhecido Daniel Benmayor é pura pedagogia cinematográfica. Mas claro, não esperem nada de novo, nem nada de envolvente aqui, até porque de Taylor Lautner, um dos actores saídos do fenómeno Twilight, não é possível prever um futuro risonho. Personagens unidimensionais, sequências de acção que ocasionalmente teu o "quê" circense devido à temática abordada, mas sem "asas" para mais e um enredo automático, padronizado e percorrido sem riscos e ousadias. Não mata, não desmoraliza, mas esquece-se tão facilmente que até mete dó.

 

Real.: Daniel Benmayor / Int.: Taylor Lautner, Marie Avgeropoulos, Adam Rayner

 

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Abduction (2011)

3/10
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publicado por Hugo Gomes às 14:02
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4.3.15

 

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A felicidade já não mora aqui!

 

Hector (Simon Pegg) é um jovem psiquiatra com uma vida organizada e pensada ao pormenor ao lado da sua mulher, Clara (Rosamund Pike). Porém, apesar da organização do seu quotidiano e de tudo correr como planeado, Hector sente-se infeliz, incompleto e que lhe falta algo de autêntico na sua vida. Por causa disso, decide embarcar numa aventura em busca de um "mito". A verdadeira essência da felicidade.

 

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Para além de todos os pontos que o protagonista recolhe nessa mesma jornada, em Hector and the Search of Happiness aprendemos um ponto adicional que não está de certa forma presente na fita: Simon Pegg sem Edgar Wright é um caos. Não no sentido da sua prestação, visto que o actor célebre por Shaun of the Dead é esforçado na sua entrega, mas porque para sua grande infelicidade, calhou-lhe um argumento mais próximo de um guia de auto-ajuda do que supostamente uma obra cinematográfica.

 

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Assinado por Peter Chelsom, o realizador do bem-sucedido mas muito lamechas Serendipity (Feliz Acaso), Hector and the Search of Happiness remete-nos a uma longa viagem do seu protagonista por locais exóticos como a China, África (o filme cobardemente nem especifica qual a nação) e por fim o estado da Califórnia, tudo soando a um documentário turístico mal encenado e frequentado por personagens descartáveis, grande parte deles encarnadas por actores de luxo. Existem emoções para todos os gostos: o dramalhão ao som de acordes melódicos (imperativamente fazem chorar os mais sensíveis, ou talvez não), a comédia que nem um sorriso é capaz de arrancar e um artificialismo nas situações que até assusta. Mas o mais aterrador nisto tudo, é a persistência em querer ser levado a sério.

 

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O que é a felicidade afinal? Ficamos a questionar. Certamente a resposta não irá ser encontrada aqui, nem que Simon Pegg escreva duzentos livros sobre o tema. Porém, ver Rosamund Pike é sempre motivo para um sincero sorriso. Nesta demanda, é o mais próximo que temos da harmonia intrínseca.

 

Real.: Peter Chelsom / Int.: Simon Pegg, Rosamund Pike, Tracy Ann Oberman, Jean Reno, Christopher Plummer, Togo Igawa, Toni Collette, Stellan Skarsgård

 

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3/10
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publicado por Hugo Gomes às 11:43
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24.2.15
24.2.15

Tak3n.jpg

“One down, more to go!”

 

A hipérbole do controlo parental, Taken, resultou num inesperado sucesso de bilheteira, em termos cinematográficos assumiu-se como um filme de acção, que apesar de longe dos lugares-comuns e da previsibilidade, ostentava um ritmo invejável sob uma narrativa quase minimalista. Esse sucesso, como é óbvio na industria cinematográfica, gerou uma sequela em 2012, que não foi mais que um auto-plágio, uma repetição das formulas que deram o êxito ao filme de 2008.

 

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Desta vez sem Pierre Morel na realização, mas com Olivier Megaton no serviço, três anos depois eis que surge o terceiro, o Confronto Final, segundo o titulo português, o qual se espera encerrar um franchising com uma chama de pouca duração. O mais pretensioso dos três filmes, Taken 3 tenta incutir um teor mais trágico e dramático à fasquia e como troca de tal vertente é a sua perda de ritmo, que vem com anexo, todos os elementos o qual identificamos as "aventuras" de Bryan Mills, o homem mais azarado do cinema deste John McClane.

 

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Nesta sua demanda, desta vez sem sequestros mas conduzido por uma vingança pessoal, o enredo troca Paris e Istambul, o exótico europeu, por terras do tio Sam, e em compensação temos a banalidade do cinema norte-americano de acção com os russos como os vilões de serviço (é uma previsibilidade de tal tamanho que se torna insuportável) e uma descarada substituição dos toques à la Liam Neeson por sequências de acção sem um pingo de genialidade, para dizer a verdade, actualmente assistimos mais genica nas série de TV. O actor está cansado desta “brincadeira” de “bang bang”, assim como o espectador que já não encara com seriedade todo este forçado enredo. A juntar a isto temos um inútil Forest Whitaker a rever o rumo da sua carreira em queda livre.

 

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Provavelmente a única coisa que poderemos reconhecer como Taken são os breves momentos em que Neeson explica à sua filha que está inserido numa cilada, previsivelmente por vias do telefone. De resto, é mais do mesmo, e menos do que aquilo que poderíamos contar. Depois deste tomo Luc Besson (o produtor) deveria seriamente avançar noutro franchising, porque este está definitivamente morto e enterrado. 

 

"I know you know a lot of people, and with a good lawyer you'll get out of jail in a few years. And then I'll come for you. I'll find you, and we both know what's gonna happen."

 

Real.: Olivier Megaton / Int.: Liam Neeson, Forest Whitaker, Maggie Grace, Famke Janssen, Dougray Scott

 

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Ler Críticas Relacionadas

Taken (2008)

Taken 2 (2012)

3/10
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publicado por Hugo Gomes às 20:20
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5.2.15

Ascensão de Jupiter.jpg

 A queda definitiva dos Wachowski?

 

Será que há vida para os Wachowski depois da trilogia Matrix? A derradeira resposta poderá ser encontrada na sua mais recente produção, Jupiter Ascending (A Ascensão de Júpiter), um filme de 170 milhões de dólares que desde cedo foi descrito como um eventual flop, até porque tudo o que os irmãos tocaram desde a demanda de Neo decepcionou nas bilheteiras (V for Vendetta, não qual foram produtores e argumentistas, foi a excepção). Devido a esse medo financeiro, esta "space-opera", que se encontrava programada para 2014, saltou para o ano seguinte numa fuga à forte competição e provavelmente para que o eventual resultado de box-office não caísse nas contas anuais da Warner Bros.

 

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Mas afinal o que dizer do filme que tem andado na "corda-bamba" das estreias? Os irmãos Wachowski novamente decretam o fascínio pelos atributos visuais e sonoros, a predominância dos efeitos visuais (CGI e o constante "slow-motion") e a atracção pelo artificialismo, um elemento que parece estar presente na sua filmografia (excepto em Bound - Sem Limites). Assim, podemos desde logo afirmar que esta A Ascensão de Júpiter é um "mimo" para os sentidos mais primários, uma revisão aos códigos da novela espacial de ficção cientifica, como simultaneamente da linguagem do mundo dos videojogos e um esoterismo quase "cientologo".

 

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Não vamos certamente encontrar aqui um registo filosófico de um Voltaire ou Isaac Asimov (dois autores que posicionaram o planeta Júpiter nas suas criações literárias), mas sim um quase auto-plágio. Até certo ponto sentimos que os Wachowski não conseguem inovar, ficando limitados às glórias de outrora. Neste caso específico é a continuação dos elementos que tornaram Matrix no filme que hoje é: o revisitar do "escolhido", o único(a) capaz de destruir uma longa tirania, a realidade em que vivemos que não é a verdade, a fabricação dessa falsa verdade, o facto de sermos controlados por algo superior que nos utiliza como "gado", ou seja, pensando bem, é o mesmo filme de 1999, só com divergências cénicas, de personagens e minado de sequências de acção sem um pingo de inovação. Pior, são cansativas e aborrecidas.

 

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Para deteriorar a situação, não existe muito rigor na composição das personagens, todas elas anexadas a uma imaginação pueril e desleixada. No caso dos "terráqueos", estes estão fechados em ingénuos estereótipos, como as constantes menções de Estaline nas personagens russas, como se estes tempos negros resumissem as pessoas de hoje (típica "moral high ground" norte-americana). Até o elenco é todo automatizado para o efeito, com apenas uma excepção: Eddie Redmayne, que compõe um vilão assexuado que transpira tragédia por todos os poros. Porém, até mesmo esse ponto é desperdiçado pelo exaustivo pretensiosismo da dupla de realizadores.

 

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Se A Ascensão de Júpiter será um fiasco ou um inesperado sucesso de bilheteira, só o público decidirá. Por enquanto, ficamos com a confirmação de que os Wachowski parecem não possuir mais nada a dar ao cinema (poderíamos apelidar isto como A Queda de Júpiter). Como resultado, temos quase um primo vistoso de Battlefield Earth. Um (muito) aborrecido espectáculo.

 

"I will harvest that planet tomorrow, before I let her take it from me."

 

Real.: Andy e Lana Wachowski / Int.: Mila Kunis, Channing Tatum, Eddie Redmayne, Sean Bean, Doona Bae

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3/10
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publicado por Hugo Gomes às 18:52
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4.2.15

Excentrico Mordecai.jpg

O excêntrico Johnny Depp contra-ataca!

 

Um dos mais requisitados argumentistas da grande industria norte-americana, David Koepp, também aposta por vezes na realização. Contudo, esta sua jornada "artística" não tem sido favorável, pois praticamente todos os seus trabalhos têm sido conduzidos a um fracasso, quer em termos financeiros, gosto e adesão do público (receitas nas bilheteiras), quer em termos de crítica. Com O Excêntrico Mortdecai (titulo traduzido), Koepp produz uma obra da mesma categoria de Hudson Hawk - O Falcão Ataca de Novo (1991), cujas semelhanças são evidentes. Tal comparação é tudo menos um bom presságio.

 

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Baseado num romance de Kyril Bonfiglioli, o novo filme de Koepp acompanha Lorde Charlie Mortdecai, um excêntrico charlatão de arte, traficante por vezes, que segue o rasto de um Goya perdido. As razões para essa demanda são simples: sair da sufocante situação financeira que vive e  ter a oportunidade de "limpar" o seu cadastro policial através de uma cooperação com as autoridades. Tudo isto guiado sob um tom cómico, demasiado caricatural e estereotipado. Eis uma aventura com todos os ingredientes para resultar em algo grande no campo do cinema de entretenimento. Porém, o resultado está a léguas dessa premonição.

 

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Se é verdade que Johnny Depp já não possui o "sex appeal" de outrora, é agora um facto que o seu talento encontrasse desvanecido como resultado do ego. Mortedcai (a personagem) resume-se a uma caricatura falante, com demasiado espaço de antena e pouco para oferecer ao espectador. Depp, repleto de maneirismos, não disfarça o seu sotaque artificial e o overacting que nos indica que tudo o que acabamos de assistir não passa de uma brincadeira forçada. Como alicerce do desempenho do protagonista, temos um elenco invejável à sua disposição, todos eles (excepto Paul Bettany) a cumprir os requisitos mínimos. Insuficiente, já que sentimos uma automatização dos seus empenhos, nomeadamente uma inclassificável Gwyneth Paltrow ou um desperdiçado Ewan McGregor. E toda esta trapalhada nota-se no próprio ritmo, inconstante e limitado aos gags e aos holofotes apontados a Depp, como este conduzisse um espectáculo de "stand-up comedy".

 

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Contudo, nem a vertente cómica se safa e tudo resulta num choque cultural indigesto e sob a prontidão de clichés. A acompanhar tais propósitos, temos uma nódoa de argumento (da autoria de Eric Aronson), servido por uma realização artificial e sem dinamismo de David Koepp (aquela constante localização geográfica é insuportável). Vale a pena salientar que não foi desta que o cineasta brilhou na cadeira de realizador.

 

Real.: David Koepp / Int.: Johnny Depp, Gwyneth Paltrow, Ewan McGregor, Paul Bettany, Jeff Goldblum, Olivia Munn, Michael Culkin, Jonny Pasvolsky

 

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3/10
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25.1.15

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De novo o fascínio pelo novo realismo!

 

Na sua teoria, o enredo de A Corner of Heaven é o seguinte: um garoto de 13 anos é abalado pelo desaparecimento repentino da sua progenitora. Algum tempo mais tarde, recebe uma carta sobre o seu paradeiro, lançando-se numa jornada por uma China desoladora em busca da mãe. A meio do caminho, "tropeça" num covil de "meninos-perdidos" (algo quase dilacerado da imaginação de J. M. Barrie) que tentam emancipar-se do mundo dos adultos.

 

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Depois da teoria, seguimos agora para a prática! Tudo aquilo que fora contado acima não chega sequer para preencher uma hora e meia de longa-metragem. Aliás, isso não parece ser problema para Miaoyan Zhang, cuja resolução encontrada está na inserção de "longuíssimos" planos-sequência que nos remetem à transformação da China. Trata-se de mais uma evidência de que a nova geração de cineastas chineses adquiriu um sintoma que tão depressa não consegue largar: o invocar o chamado novo realismo, o manusear do tempo para contrariar o formalismo desse realismo, talvez influenciados pelo cada vez prestigiado Wang Bing. O tempo, esse, é aqui jogado e concentrado, mas o que se nota é a inutilidade dos planos para a narrativa e o desperdício do enredo, que na sua teoria funcionaria em mais um "coming-of-age". A demanda desta criança em busca da sua infância perdida ou da afeição de que nunca fora alvo, está longe de admirar, até mesmo a técnica utilizada encontra-se a léguas de impressionar.

 

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Ou seja, A Corner of Heaven (titulo traduzido à letra como Um Canto do Paraíso) é um revisitar ao estilo já visto e revisto, sem com isso tenha nada de novo a salientar, tornando a fotografia, um preto-e-branco detentor de uma certa beleza, em algo banalizado e pouco concreto. Nada de novo nem de relevante aqui. Se isto é o Paraíso, mais vale residir no Inferno.

 

Filme visualizado no âmbito do Festival Internacional de Cinema de Roterdão 2015

 

Real.: Miaoyan Zhang / Int.: Guo Xinjiang, Huo Xuehui, Bai Haonan

 

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3/10

publicado por Hugo Gomes às 18:22
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