Data
Título
Take
25.8.17

Guarda-Costas e o Assassino.jpg

Parceiros do crime!

 

As comédias norte-americanas continuam as mesmas, persistindo o characters type de alguns actores, muitos deles reduzidos a caricaturas, ou a resistências do datados estereótipos, quer geográficos, raciais ou de género. The Hitman’s Bodyguard, possivelmente uma das bem sucedidas deste verão, é a rotina deste catálogo que acompanha gerações, gerações e gerações de espectadores. A esta altura o leitor questiona se o filme em si é merecedor desta revolta, ou se apresenta uma qualidade vergonhosamente descarada. Podemos afirmar que não se trata do pior do ano, nem a “coisa” mais ofensiva dos últimos anos, mas não há motivos para descanso, trata-se de um retrocedo considerar isto entretenimento.

 

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Se a nova direcção de Patrick Hughes (The Expendables 3) funciona quando Samuel L. Jackson e Ryan Reynolds são deixados à sua mercê ao velho estilo buddy movie, o resto … bem, o resto, é uma colectânea de lugares comuns e de miopia por parte dos envolvidos. Vamos por partes: Gary Oldman é o vilão (who else?), fingindo ser um russo… peço desculpa … bielorrusso, porque antagonismo tem origem no leste, segundo a crença yankee; O português Joaquim De Almeida vem sabe-se lá donde e o espectador conhece automaticamente a sua vilania, devido a esse character type e Salma Hayek é a louca mexicana.

 

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Umas piadas previsíveis ali com júbilos geográficos e fart jokes à mistura, a violência R que parece ter virado moda com Deadpool (tudo se resume a tendências), umas questionáveis lições de justiça e maniqueísmo (até Tarantino consegue ser mais ambíguo) e Samuel L. Jackson a demonstrar que continua o melhor a vestir a pele de Samuel L. Jackson. Isto é comédia para alguns, entretenimento para outros, mas no fundo é a mesma jogada de sempre. Hollywood parece não ter aprendido nada ao fim destes anos todos, nem com as mudanças que testemunha. 

 

Real.: Patrick Hughes / Int.: Ryan Reynolds, Samuel L. Jackson, Gary Oldman, Salma Hayek, Joaquim De Almeida, Elodie Yung

 

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3/10
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publicado por Hugo Gomes às 12:53
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14.8.17

Torre Negra, A.jpg

A negra percepção de Stephen King!

 

Tenham medo. Tenham muito medo quando o escritor Stephen King expressa publicamente que gosta de uma adaptação cinematográfica de uma obra sua. Recordam-se de Sleepwalkers? Pois, ele apoiou o resultado. Recordam-se de Shining Carrie? Pois, ele não apoiou. Goste-se ou não de Stephen King, a verdade é que um escritor que, por vezes, não possui a perícia de avaliar linguagem cinematográfica frente aos seus próprios escritos dá em resultados destes, o de confundir fidelidade ao trabalho original com transparência cinematográfica.

 

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The Dark Tower não é só a pior adaptação de um trabalho seu, porque para esse título já há muitos candidatos, mas é, no seu "grandioso" potencial, um produto falhado, dilacerado pelas promessas de mercantilização. Sim, existem ideias de um franchise, que neste momento parece encontrar lugar no pequeno ecrã, o que nos leva à maior ambição desta Torre, ser um episódio piloto. Com a sua hora e meia de duração (graças divinas por não se prolongar mais), Nikolaj Arcel (A Royal Affair) transforma o épico fantástico com standards de western de King num wannabe de saga juvenil e inconsequente, narrativamente enfadonho e com uma edição conduzida para fugir de elipses, até porque a "palavra de ordem" é despachar o enredo.

 

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Não há profundidade aqui, nem personagens devidamente construídas para suportarem esta viagem entre dimensões, nem nada que valha um curioso olhar nesta produção. Talvez seja Idris Elba e Matthew McConaughey a transmitirem algum esforço em relação à atribuição de profissionalismo neste seio. Um teor fantasiado, castrado, demasiado preso aos lugares-comuns, quer da imaginação de King, quer dos próprios códigos do entretenimento cinematográfico. É um episódio falhado não pelo seu conceito, mas sobretudo, pela sua execução. Um acidente por inteiro, aquela oportunidade há muito esperada de trabalhar na chamada "obra infilmável", agora reduzida a meras cinzas. Obrigado The Dark Tower por nos mostrar o quanto silly season pode ser o mês de Agosto.

 

Real.: Nikolaj Arcel / Int.: Idris Elba, Matthew McConaughey, Tom Taylor, Dennis Haysbert, Abbey Lee, Jackie Earle Haley, Katheryn Winnick

 

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3/10
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publicado por Hugo Gomes às 11:12
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26.5.17

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Queria realmente não estar aqui!

 

Para entendermos a escocesa Lynn Ramsay teríamos que navegar pela sua anterior carreira e percebermos o que a move profundamente – o trauma. Contudo, este You Were Never Really Here é um exemplo da dissipação miraculosa do efeito de trauma; o que restou foram as imagens, anexadas a um vazio alarmante, onde a violência passa daquele território inteiramente masculino e transforma-se num universo recontado sob o sujeito de ‘ela’.

 

Digamos que este misto de Taxi Driver com Drive (um cocktail de Scorsese e Refn - este último, de certa forma, a invocar as influências do primeiro), é um exercício de agressividade que se exerce de fora para dentro, ao invés do dentro para fora. As imagens perdem o seu sentido mais intrínseco, assumindo-se como protótipos de um engenho visual. Triste será dizer, que Ramsay falha o alvo numa intensa deambulação narrativa. Quanto ao enredo, as pistas são nos deixadas como migalhas de pão se tratasse, encontramos o rasto por momentos, mas este tende desaparecer face à gula dos “pássaros”. Pássaros, esses, os artifícios animalescos que nos conduzem a uma indiferença enorme entre as personagens, e a realizadora perante o material adaptado (visto tratar-se numa pequena história de Jonathan Ames), incutindo uma estética sem propósitos, quer criativos, quer induzidos narrativamente.

 

Joaquin Phoenix ainda em modo I’m Still Here neste You Were Never Really Here, uma ligação artística do seu modus operandi de interpretação, um homem pronto a emanar a sua força para transportar um filme à pendura como um Atlas. Mas os seus esforços são em vão. Ramsay polvilha o filme com alguns truques visíveis de inércia, entre os quais as rápidas transposições, de forma a simular um sistema de videovigilância, atenuando o explícito da violência embarcada, ou a rádio que nunca se cala, dando-nos um filme sonoro dentro deste filme, estreitamente visual. Infelizmente os truques não resgatam este “freakshow” da penumbra do seu ser. Eis um fracasso completo, Ramsay com pretensões de invocar o seu ‘eu’ violento, dando-nos preocupações quanto ao seu estado. Depois disto, haja alguém que critique o Refn.

 

Filme visualizado no 70º Festival de Cannes

 

Real.: Lynn Ramsay / Int.: Joaquin Phoenix, Ekaterina Samsonov, Alessandro Nivola

 

3/10

publicado por Hugo Gomes às 23:42
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17.5.17

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Os fantasmas que nos perseguem, e os "autores" também.

 

Para Arnaud Desplechin, em algumas das suas notas de recomendação, Ismael's Ghosts é um ensaio fílmico sob o olhar atento à natureza do pintor Jackson Pollocknuances e teores todos eles divergentes que se fundem, dando lugar a um só organismo, complexo, mas um só. Infelizmente, o que o realizador diz não se escreve, porque este seu novo filme, que tem a honra de abrir a 70ª edição do Festival de Cannes, é uma quimera defeituosa.

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Uma obra que não faz jus ao seu criador e que conduz o espectador a um espelho deformado que distorce todo o elo narrativo da fita. Saímos com a sensação de termos assistidos a 5 filmes diferentes, passando pelo policial com leves "piscadelas" a Le Carré, ao romance parisiense, e até ao humor involuntariamente burlesco. Infelizmente, Desplechin não desenvolve uma coluna vertebral consistente, nem sequer tenta transvestir a palete de cores, pois nenhum dos tons se mistura verdadeiramente. O que este se dispõe é, através dos mais variados lugares-comuns, a apresentar um elenco francês all-star, onde nenhum deles verdadeiramente entrega, para além dos seus reconhecidíssimos egos, um filme que não esteja em pleno estado de malabarismo, não seja pretensioso e igualmente despersonalizado.

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Pollock tinha personalidade, aliás, tal talento é reconhecido nas suas mais variadas pinturas expressionistas, e em todo o caso era um artista em constante face de superação. Desplechin não. Ele é um burguês que explicita cinema burguês sem nada de novo para embicar com o vento. Do mesmo jeito que usufrui das transposições para trazer um artificialismo visual (talvez o melhor que o filme tem para oferecer), ou da oportunidade que tem para citar Bob Dylan e o seu It Ain't me baby. Bem, como alguém já dizia ... peças separadas, sem conexão, nem infusão. Será este o pior filme de Desplechin?

 

Filme de abertura do 70º Festival de Cannes

 

Real.: Arnaud Desplechin / Int.: Mathieu Amalric, Marion Cotillard, Charlotte Gainsbourg, Louis Garrel, Alba Rohrwacher

 

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3/10

publicado por Hugo Gomes às 16:05
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10.5.17

Rei Artur - A Lenda da Espada.jpg

Camelot já não é o que era!

 

A Espada era a Lei, mas nas mãos de Guy Ritchie só vemos a desordem. Eis um tratamento puramente estilístico da velha história de espadas cravadas em rochas, senhoras do lago e magos repletos de profecias que esbarrou com o tom caótico do realizador britânico. Nesse sentido, é difícil não assumir que estamos perante um filme da sua autoria: os slows vaivém, as lutas corpo-a-corpo e os voluntariamente atrapalhados planos de golpes sob a consciência do gallows humour, tendem em marcar posição na enésima narrativa de A a B com “escolhidos” pelo caminho e uma narrativa despedaçada pelo constante “fast forward”.

 

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O que funcionou em Sherlock Holmes falha redondamente nesta jornada a Camelot, uma obra aplicadíssima às temáticas e linguagem dos modelos de entretenimento actual, contraindo uma estrutura endereçada aos videojogos (depois deles invejarem o Cinema, é a vez deste último cobiçar a plataforma do primeiro). Convém dizer que Charlie Hunnam (que encontrou melhor sorte em The Lost City of Z, de James Gray) não é certamente o nosso tão procurado monarca, nem sequer um herói com que devidamente nos preocuparíamos, onde é evidente a sua falta de carisma. O resto da equipa, estes cavaleiros da távola redonda, é pura e dispensável palha para contribuir para duas horas de vazio; histórias mais antigas que o tempo e que mesmo assim, não se assumem expiradas. Guy Ritchie fracassa e com essa sua incapacidade desperdiça uma aventura que salienta uma preocupante falta de ideias.

 

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Quando é que Hollywood vai aprender a lição? Ou melhor, quando é que vão terminar estas ditas produções suicidas? Não estará o espectador cansado destas sofisticações que não são mais do que mofo cinematográfico? Sendo assim, mais vale seguir os conselhos dos Monty Python na busca pelo Cálice Sagrado: “On second thought, let’s not go to Camelot, ‘tis a silly place” (Pensando melhor, não vamos para Camelot, é um sítio parvo).

 

Real.: Guy Ritchie / Int.: Charlie Hunnan, Jude Law, Astrid Bergès-Frisbey, Djimon Hounsou, Eric Bana

 

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3/10
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publicado por Hugo Gomes às 17:02
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28.4.17

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Barulho para nós, música para Malick!

 

A música toca e toca em modo playlist, continuamente, imperativamente e ritmicamente perante as imagens que funcionam num vórtice de corpos vazios, que bailam ao som das mesmas de forma dessincronizada. A música, segundo Malick, é a alma de Austin, esse paraíso liberal num estado tão fechado como o Texas, e a única alma verdadeiramente sentida, por a arte invocada por estes ritmos diversos não engendrar com a narrativa visual que o realizador “tímido”, agora prometendo uma maior assiduidade na indústria, gera.

 

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Song to Song é a sua nona longa-metragem, a terceira da fase pós-2011 (sem considerar o seu documentário Voyage of Time), e a nova evidência de que os autores, por mais inconfundíveis que sejam, também cedem ao mais profundo conformismo. O “culpado” desta presença repentinamente está no digital, a infinidade e o facilitismo que as tecnologias atribuíram ao Cinema, mas para Malick é o prenúncio do seu fim enquanto ser misterioso da indústria, é o cansaço em pessoa de quem não tem mais nada de novo para contar. Triste realidade, Song to Song é mais do mesmo em doses malickianas, são as “maliquices” levadas até ao fim e o seu cinema tão “autoral” converteu-se na mais perfeita caricatura, a loucura da repetição e dos problemas de primeiro mundo como base de um prolongado sofrimento de personagens. Esse sofrimento entra em loop, na persistência dos mesmos planos “over and over”, e das frases sussurrantes cada vez menos inspiradas e cedidas a uma lamechice de pacotilha. Será Malick o Pedro Chagas Freitas cinematográfico?

 

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Song to Song começa com um triangulo amoroso (Michael Fassbender, Ryan Gosling e Rooney Mara), um ménage de Dreamers, de Bertulocci, com os mesmos “joguinho” sexuais e de foro emocional. Tais vértices vão-se afastando dando origens a trilhos cada vez mais paralelos entre as diferentes personagens. Sim, é triste chamar isto de personagens, até porque Malick brinca com o vazio, com os movimentos erráticos e circulares destas, nos diálogos impostos num falso-raccord. Não existe espaço para personagens, tudo são bonecos que se pavoneiam perante um autor que se assume desorganizado, espontâneo e refém do seu instinto.

 

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Será isso bom? Não será a Arte um veiculo pensante? Ou um instinto humano de comunicar? Conforme seja a escolha, a verdade é que o sedentarismo é um veneno e para Malick esperemos que encontre a cura. Song to Song é um som incorrespondido com a narrativa visual, é a prova de depois de Tree of Life (A Árvore da Vida), Malick não demonstra qualquer sinal de revitalização, mas sim de preguiça no mais incurável sentido.

 

"What part of me do you want?"

 

Real.: Terence Malick / Int.: Ryan Gosling, Rooney Mara, Michael Fassbender, Natalie Portman, Holly Hunter, Cate Blanchett, Lykke Li, Val Kilmer, Bérénice Marlohe

 

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3/10

publicado por Hugo Gomes às 16:17
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26.4.17

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Andando em círculos!

 

O que é pior do que um filme assumidamente fascista? Um filme que remexe em tais perspectivas e que não possui capacidade de os "exorcizar" (sendo esse o seu evidente objectivo). O Circulo é esse filme, uma ficção cientifica distopica tão próxima do nosso actual panorama sociopolítico, a tecnologia e a nossa dependência como novas formas de totalitarismo e a clara ideia de "direita"em optar a segurança extrema e por vezes excessiva frente à liberdade individualista.

 

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Baseado num livro de David Eggers, esta obra de James Ponsoldt (The Spectacular Now) é um indicio proeminente de que Hollywood está cada vez mais à mercê das ideias anexadas ao fenómeno Trump e tudo relacionado. Recordamos que Paul Verhoeven, durante a apresentação do seu Starship Troopers no Film Society of Lincoln Center, confrontado com as notícias de uma nova versão do seu filme, com planos de fidelidade com o livro de Robert A. Heinlein, o realizador holandês alertou a possibilidade desta obra vir agradar a presidência Trump, visto que o estúdio não estaria disposto em absorver-se novamente na ironia e no cinismo. Obviamente que distopias são a melhor metáfora para orquestrar qualquer base ideológica e politica de forma subversiva e sugestiva, tendo a capacidade de esquivar a eventuais censuras e auto-censuras, mas será que estas mesmas não deverão ser metamorfoseadas consoante o contexto que nos envolve?

 

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No caso de O Circulo, as boas intenções não pagam imposto (existe lá um certo fantasma NSA e Snowden), ao invés disso, é a sua incompetência extraordinária a fazer frente à distopia em si. Eis um filme que se preocupa com a imagem da sua actriz, Emma Watson (a passar de promissora a "fedelha" irritante), com a estética quase desktop da narrativa ("já entendemos, é uma rede social"), e todo um conjunto de soluções fáceis, moralismos concertantes e personagens secundárias sem dimensão e claro, sem carisma algum. Visto falarmos de uma irritante Watson, o que dizer doutra promessa, neste caso a estrela de Boyhood - Ellar Coltrane? O protagonista de um dos mais desafiantes filmes dos últimos anos oferece-nos um desempenho a esquecer, o mesmo que pelo qual este tão piroso Circulo está destinado.

 

Real.: James Ponsoldt / Int.: Emma Watson, Tom Hanks, John Boyega, Ellar Coltrane, Bill Paxton, Karen Gillan

 

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3/10
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publicado por Hugo Gomes às 13:45
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28.11.16

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Guerra Mundial, e o que nós temos haver com isso?

 

Para Selene (Kate Beckinsale) esta guerra entre vampiros e licantropos perdura à séculos, para o espectador, contando com 5 filmes, o conflito prolonga-se mais tempo que uma das duas Guerras Mundiais. A verdade, é que ninguém pediu um novo filme de Underworld. O último, que apesar do êxito, deitou por terra qualquer hipótese de inovação que poderia culminar, o que era difícil, visto que o primeiro filme era tudo, excepto sofisticado.

 

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E assim seguimos, mais um leque de cartas embaralhadas com personagens descartáveis, situações inconsequentes e todo uma ênfase dramática que nunca chega verdadeiramente a conduzir-nos. Muda-se os vilões, mas a existência é a mesma, uma guerra sem motivos algum num filme que perdeu de vez o esforçado profissionalismo do seu original, datado de 2003. Até porque nessa altura, Len Wiseman havia declarado um adepto das sagas dos monstros clássicos da Universal Pictures e até mesmo de um certo filme de John Landis, o qual emprestou muito dos seus efeitos práticos. Todavia, com quatros filmes à frente, só Kate Beckinsale sobrevive do elenco original, esse artesanato no ramo dos efeitos visuais é substituído por nada mais, nada menos que os preguiçosos CGI, e como tal pergunta-se, o que verdadeiramente nos espera este Blood Wars?

 

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Um videojogo apressado, carente e castrado, mesmo que se sinta alguma ousadia, principalmente em comparação com abominável quarto filme (Awakenings). Nesse aspecto, são as mulheres a darem o melhor neste episódio esquecível, seja o esforço de Beckinsale (atenção, a actriz teve em 2016, mais precisamente em Love & Friendship, um dos seus melhores desempenhos de carreira) ou da vilã, Lara Pulver, a servir de um modelo "carmeliano". Enfim, o resto, sente-se no automatismo da intriga, nos plot twists esforçados, e pouco mais. É para ver e chorar por menos, rezando que não se prolongue uma saga que já viveu melhores dias.

 

Real.: Anna Foerster / Int.: Kate Beckinsale, Theo James, Lara Pulver, Bradley James, Charles Dance

 

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3/10
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publicado por Hugo Gomes às 17:59
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26.8.16

Vida Secreta dos Nossos Bichos.jpg

Uma animação que se podia ficar no segredo dos deuses!

 

Logo após as primeiras notícias de sucesso, foi instantaneamente anunciado a preparação de uma sequela, mas cá entre nós, o conselho é de não se incomodarem com tal. Dos estúdios que nos trouxeram Despicable Me e o spin-off Minions, a Ilumination Studios parece ter encontrado a sua mais recente "mina de ouro", através de uma intriga de pura preguiça, engano e obviamente, de uma trivialidade identificável para com muitos dos espectadores (será isto a fórmula do sucesso?).

 

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São animais de estimação, reduzidos a um copy/paste de Toy Story, porém, ao contrário da premissa prometida dos trailers - o que fazem o nossos "bichos" durante a ausência dos donos? - esta animação, que melhor figura faria nas grelhas das matines televisivas, é um embuste que passeia por um enredo rudimentar de regresso a casa. Em tempos, faziam filmes destes, só que ao invés de bonecos tecnológicos tínhamos animais "verdadeiros" treinados e muito engodo induzido na narrativa.

 

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Em The Secret Life of the Pets, o que temos é personagens ocas, de motivos vazios e sem carácter que concretizam um macguffin enquanto "bombardeiam" o espectador com um prolongado humor slapstick dedicado unicamente para a faixa etária mais jovem, e mesmo assim, convenhamos, não de todo indicada. The Secret Life of the Pets é um episódio violento, a invocar o lado de "mau gosto" dos Looney Tunes e Tom & Jerry, aquela violência graficamente castrada que nos leva a crer que o mundo que nos rodeia é inquebrável e que uma vida é uma pura piada reciclada.

 

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Sim, apercebemos isso, esta é uma daquelas animações que não nos leva a lado nenhum, de difícil comoção visto que não simpatizamos de todos com estes "bonecos" que se disfarçam de estereótipos já fundamentados desta indústria. Para os pais, questiona-se, será que os nosso filhos não merecem algo melhor que assistir a um imenso vazio, que nem o moralismo pedagógico consegue transmitir? Fica a dúvida, enquanto nos rendemos ao puro vórtice do marketing.    

 

Real.: Chris Renaud, Yarrow Cheney / Int.: Louis C.K., Eric Stonestreet, Kevin Hart, Albert Brooks, Lake Bell, Steve Coogan

 

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3/10
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publicado por Hugo Gomes às 01:19
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24.8.16

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Mais uma pólvora que não arde no cinema português!

 

Esta é a história de Lucas Mateus (Ivo Canelas), um músico de carreira falhada que entra em depressão após descobrir que a sua namorada o traía com o seu melhor amigo, Pedro (João Tempera), que ao contrário do protagonista é um músico com uma carreira bem sucedida. Com as desilusões que se vão acumulando na sua vida, Lucas desesperadamente entra num ciclo vicioso de “carrologia”, uma arte de engate em que consiste “estudar” o conteúdo dos carrinhos de supermercado. É durante essa “caça a mulheres” que Lucas reencontra a ao conhecer uma estranha rapariga, cuja principal particularidade é de viver dentro de um fato de dinossauro cor-de-rosa.

 

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Na teoria, Refrigerantes e Canções de Amor soa como uma variação de criatividade “Sundance style”, mas o pior é quando chegamos realmente à prática, e aí sim, é onde “a dinossaura torce o rabo”. Escrito pelo humorista Nuno Markl, esta é uma comédia de ideias, porém, mal executadas em derivação de um malabarismo de tons, de uma realização ausente de frescura, por um overacting conformado por muitas das suas estrelas e por um timing incorrectamente aplicado.

 

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Devo dizer que esta obra tem de tudo para funcionar com um case study, exibido em qualquer aula de preparação para estudantes de cinema nos termos do que se “deve ou não deve fazer”. Verdadeiramente triste que isso aconteça, até porque no leme deste projecto está o veterano Luís Galvão Teles, que ainda este ano presenteou-nos com a louvada tentativa de Gelo, um filme de ficção cientifica que não envergonha ninguém. Infelizmente é na sua direcção que encontramos a “faca de dois gumes” deste Refrigerantes e Canções de Amor, se por um lado a realização de Galvão Teles afasta-nos da usual linguagem televisiva que empesta as produções comerciais (*cof* O Pátio das Cantigas *cof*), é nele que encontramos o desleixo total, confirmado no patético climax, onde não existe qualquer noção espacial e até temporal.

 

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Sim, meus caros, Refrigerantes e Canções de Amor é um produto falhado, sem amor nem carinho, despachado e dilacerado precocemente. Algo bom nisto tudo é Victoria Guerra, que mesmo deixada à sua mercê no interior de um fato de dinossauro rosa, consegue graciosamente contagiar-nos com o seu talento. Aliás é nela que encontramos o termo de requisitada interpretação, onde os gestos e a voz valem mais que muitas expressões faciais.

 

Real.: Luís Galvão Teles / Int.: Ivo Canelas, Lúcia Moniz, Victória Guerra, João Tempera, Sérgio Godinho, Jorge Palma, Margarida Moreira, Marina Albuquerque, Ruy de Carvalho, Gregório Duvivier

 

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3/10

publicado por Hugo Gomes às 14:55
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9.6.16

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"Olhem para mim", a continuação!

 

Juntamente com o recente Alice do Outro Lado do Espelho (Alice Through the Looking Glass), este Mestres da Ilusão 2 (Now You See Me 2) é já um dos fortes candidatos a sequela não pedida de 2016, um filme cujo título português adequa-se perfeitamente à sua natureza.

 

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Mais do que um filme, este é um verdadeiro truque de ilusionismo, que procura convencer o espectador de que todo este espectáculo é no mínimo saudável para a massa cinzenta de cada um. Contudo, a verdade está longe de ser mágica - tudo se resumo a um argumento reciclável que utiliza como desculpa "o ilusionismo" para explicar o inverosímil. A prequela podia seguir os mesmos erros, mas no caso da sequela, o registo é insuportavelmente longo, atrapalhado com o excesso de informação e precocemente reprimido em consequências de "milésimos" falsos twists, engodos lançados para a audiência como se de burlas se tratassem.

 

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Nem mesmo a ironia o filme consegue suportar. Aliás, temos aqui um enredo sobre mágicos e ilusionistas com Daniel "Harry Potter" Radcliffe como o vilão em cena, o "ateu" nesta ordem apocalíptica de coelhos e cartolas, infelizmente uma piada digna de "stand up comedy" desvanecida por um tom hiperactivo e exaustivamente industrial. Continuando com o fracasso de todo o tamanho, Mestres da Ilusão 2 ostenta um visual de brilhantismo que afoga qualquer indício provocado de "filme de golpe", e quanto toca a explicações de planos intermináveis, o "cenário" torna-se ainda mais desesperado por atenção (verifica-se na entediante e demasiado longa sequência no laboratório).

 

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Por fim, o elenco poderia ajudar a tornar esta experiência mais capaz na sua entrega mais cinematográfica e menos "videoclippeira", mas a esta altura do texto o leitor já deve ter percebido que são mais um ... fracasso. Um Jesse Eisenberg nos seus piores dias, um Woody Harrelson mais preocupado com o cheque (provavelmente a dobrar neste produto), um Dave Franco sem expressão e uma Lizzy Caplain como pneu suplente em modo "Kat Dennigs wanna be", não são certamente os anfitriões que quereremos no nosso serão.

 

"Are you listening, horsemen? You will get what's coming to you. In ways you can't expect."

 

Real.: Jon M. Chu / Int.: Jesse Eisenberg, Mark Ruffalo, Woody Harrelson, Lizzly Caplain, Morgan Freeman, Dave Franco, Michael Caine, Daniel Radcliffe

 

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Ver Também

Now You See Me (2013)

3/10
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publicado por Hugo Gomes às 22:10
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11.5.16

Correspondência.jpg

"Haja alguém que tire Tornatore das estrelas?"

 

Mesmo após a sua "morte", a luz de uma estrela continua visível no céu durante vários anos, provavelmente aquilo que vemos num horizonte estrelado é nada mais que as presenças de astros desaparecidos, ilusões e alusões de uma anterior presença. Sob essa essência, Guiseppe Tornatore concebe La Corrispondenza (A Correspondência), um melodrama onde os fantasmas vagueiam nas declarações de amor. No sentido em que as personagens estão de certa forma ligadas à astrofísica, o enredo segue um adultério mantido anos-a-fio que é interrompido pela tragédia. O professor Ed Phoerum (Jeremy Irons) falece em consequência de uma doença, deixando em desgosto a sua amante e ex-aluna, Amy (Olga Kurylenko). Mas o professor havia preparado tudo antes da sua morte, pronunciando a saudade que poderia culminar nos seus entes queridos, e antecipando todo um conjunto de correspondência, videos e presentes para a sua amada.

 

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Depois dos êxitos internacionais de Nuovo Cinema Paradiso e do elogiado La Sconosciuta (A Desconhecida), Giuseppe Tornatore parece ter-se reduzido ao autêntico "crowd pleaser", mas até mesmo nesse estatuto existirão resultados bem mais entusiasmantes; quem não se lembra do anterior La Migliore Offerta (A Melhor Oferta), com Geoffrey Rush a emancipar-se do seu afecto aos quadros de mulheres solitárias. Contudo, neste caso, o ensaio é completamente irreconhecível. Tornatore reduz-se a um mero ensaio melodramático apenas com "truques baratos" do romance. Aliás, existe aqui algo mais dos "escritos" de Nicholas Spark e de Cecelia Ahern, do que propriamente do realizador. Os actores parecem reconhecer isso, sendo que os requisitos mínimos são apenas necessitados. Olga Kurylenko engana-nos perfeitamente com o seu overacting (não temos aqui nenhuma "Amazing" Amy) e Jeremy Irons está mais que ausente, intrinsecamente falando.

 

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Todo este registo alastra-se e alastra-se até a intriga torna-se inverosímil. Este estatuto de incredibilidade atribui um tom trágico, exageradamente trágico, que nos faz focar neste casal, agora repartido pelo destino, do que propriamente na conduta que um retrato sobre a perda poderia culminar. As estrelas não estavam do lado de Tornatore desta vez, limitando-se a ser "barato" e sem qualquer tipo de mestria nem afecto pelas personagens que apresenta.

 

Real.: Giuseppe Tornatore / Int.: Jeremy Irons, Olga Kurylenko, Simon Johns, James Warren, Shauna Macdonald

 

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3/10
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publicado por Hugo Gomes às 18:34
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19.4.16

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Um filme gelado, bem gelado de ideias!

 

Dizem as más línguas que as obrigações contratuais levaram a grande parte do elenco residir neste pseudo-épico que serve de prequela e sequela a um dos maiores desperdícios do cinema fantástico recente. Passaram-se quatro anos desde Snow White and the Huntsman, filme onde supostamente Rupert Sanders reiventou o tão amado conto dos irmãos Grimm, transformando-o num blockbuster reluzente para as mesmas audiências de Twilight. Dos trunfos conseguidos, apenas uns valiosos 300 milhões de dólares e uma prestação mais que esforçada por parte de Charlize Theron. O resto caiu para o esquecimento.

 

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Nesta extensão (chamaremos assim a este produto), Kristen Stewart demonstrou sensatez e deu de "frosques", agora mais interessada em conquistar Césares e abrilhantar uma carreira marcada por produções juvenis. Mas nem todos tiveram "cabeça". Chris Hemsworth continua, neste caso a tentar erguer um filme em fase de descongelamento. Novamente como o Caçador do título, o espectador segue a sua jornada por entre terras distantes em busca do Espelho Mágico, que desaparecera e deixara a muito "divinal" Branca de Neve louca. Pelo caminho descobrimos uma elite de guerreiros, do qual o nosso protagonista fazia parte, dois dos setes anões (peço desculpa, oito, visto que a Disney detém os direitos dos sete), que porventura acompanham esta jornada tudo menos épica, e ainda a fusão com a Rainha do Gelo de Hans Christian Andersen (em jeito de aproveitar o sucesso de Frozen).

 

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Ou seja, The Huntsman: Winter's War é uma autêntica salada russa que não ostenta fascinação pelo seu próprio trabalho, muito menos pela narrativa e pelas personagens. O visual não engana, a automatização tomou conta da fita, os atores convocam os mínimos para as suas representações e os "buracos de argumento" são evidentemente prejudiciais. A tendência poderia ser bem pior não fosse o aparecimento de Charlize Theron a certa altura. A actriz comporta-se como a santa padroeira e como uma mártir salva-nos do terrível tédio. Sim, tal como o antecessor, ela continua como o único raio de luz numa produção tão enublada como esta. Cinema pipoca, dirão alguns, falta de ideias e de estruturas narrativas dirão outros. No meu entender, é simplesmente pior do mesmo.

 

Real.: Cedric Nicolas-Troyan / Int.: Chris Hemsworth, Jessica Chastain, Charlize Theron, Emily Blunt, Sheridan Smith, Nick Frost, Rob Brydon

 

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3/10
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publicado por Hugo Gomes às 12:45
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5.4.16

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Por amor de Valeria!

 

Depois disto, há que peticionar a beatificação de Valeria Golino e fazer chegar tal rogação ao Vaticano! Bem, é melhor não exagerar, quase mesmo tendo chegado a tais conclusões. O problema aqui não é a actriz, que o público mais mainstream a conhece do duo cómico de Hot Shots (Ases pelos Ares), mas sim do empenho do realizador Guiseppe Gaudino em criar uma epopeia martirologica de uma mulher de bem num cenário inóspito de oportunidades. E é nesse empenho, que contando com o apoio do uso de manipulação visual, que deparamo-nos com um retrato artificial e por vezes piroso da Santa das Boas Causas que se tornou Golino.

 

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Talvez seja a boa causa de entrar num filme tão inexpressivo como este que a faz considerar como uma actriz de força e de sacrifício. Anna é uma mulher desiludida com a vida mas uma continua sonhadora, sendo esse sonho, o mar (aqui representado através de vivos tons azulados que destacam da fotografia maioritariamente cinzenta), seja o único motivo pela sua luta diária. Enquanto os que a rodeiam consideram a protagonista numa "amaldiçoada" pelos infortúnios do seus quotidiano, Anna, assumidamente corajosa, tenta sobretudo encontrar uma saída através da maldição que a anexaram.

 

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Recorrendo a constantes cânticos na sua narrativa, como coros clericais que pronunciam o nascimento de um ser altamente divino, Anna (Per Amor Vostro) é uma personificação da ideológica cristã-católica, o qual o sacrifício, quer físico, mental e material, são correspondidos com chaves para os quintos do Paraíso eterno. Infelizmente é sob essa doutrina religiosa que o filme encontra a sua pura ingenuidade, uma inocência fatal com as deveras responsabilidades para com a imagem límpida da actriz e da sua respectiva personagem.

 

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O resto é lugares-comuns nos parâmetros de donas-de-casa desesperadas que não figuram a classe média, desde os clichés de maridos adeptos de violência doméstica, filhos com problemas fisiológicos e sufocos financeiros. Para além das rotinas, sinistramente representadas por autocarros encharcados, cujo seu interior ecoam preces e confissões não respondidas. Poderia existir neste exercício algo de fascinante, porém, o seu pretensiosismo extremo a converte num verdadeiro e esquecido mártir. Em Veneza, esta prestação sofrida valeu a Valeria Golino, a distinção de Melhor Actriz (Prémio Volpi Cup), a chave do seu merecedor canto do Paraíso. A compensação de tão disforme obra.     

 

Filme visualizado na 9ª edição do 8 1/2 Festa do Cinema Italiano

 

Real.: Giuseppe M. Gaudino / Int.: Valeria Golino, Massimiliano Gallo, Adriano Giannini

 

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3/10

publicado por Hugo Gomes às 11:41
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1.3.16

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Age of Mythology!

 

Já indiciado como o maior fiasco do ano, Gods of Egypt joga com as mesmas "peças" que o anterior Clash of the Titans, reinventado livremente uma mitologia. Ao contrário do seu antecessor que se vingou nas bilheteiras mundiais, a nova fita de Alex Proyas embica por uma estrutura narrativa mais consistente, mas nem por isso longe da puerilidade.

 

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Infantilidade saiu-se o realizador, o mesmo homem por detrás dos cultos The Crow e Dark City (e ainda surpresa de I, Robot), que soma aqui uma produção amaldiçoada por deuses, desde primeiro momento em que foi anunciado. Ora foram as acusações de falta de diversidade cultural nas personagens, ora foi a repulsa geral dos espectadores após as primeiras imagens, ou simplesmente o desinteresse do mesmos perante um ano recheado de super-heróis, a verdade é que Proyas acusou a crítica de ser injustiça para que o seu trabalho, argumento que apenas fizera um filme para público e para o público apenas. Contudo, até mesmo nesse sentido, Gods of Egypt falha através dos elementos mais básicos do cinema-espectáculo.

 

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Primeiro, não sabe construir personagens e muito menos relações entre elas, os sentimentos vinculados parecem forçados, soldados a frio para quem os renega, segundo o uso e abuso de efeitos visuais sufoca a narrativa que poderia ser lançada como um mero dispositivo de contar uma simples história, e anexado ao enredo a previsibilidade e os lugares-comuns de sempre são invocados pela enésima vez. O problema numa liberdade fantasiosa não é ser livre, é ser-se criativo e Gods of Egypt é prejudicado simplesmente por isso, pela ausência de imaginação. Tudo ocorre automaticamente, glorificando um trabalho de narração digno de um videojogo e numa sucessão pouco interactiva com as suas respectivas sequências de acção, essas datadas e empoeiradas.

 

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Com Gerard Butler a repetir as "façanhas" de 300, ou pelo menos tentando por isso, e um Geoffrey Rush como a presença de luxo dos blockbusters actuais, Gods of Egypt especifica o evidente, os deuses abandonaram Alex Proyas, que apresenta aqui o seu pior trabalho de carreira.   

 

"You're not fit to be king… it's my turn now."

 

Real.: Alex Proyas / Int.: Brenton Thwaites, Nikolaj Coster-Waldau, Gerard Butler, Geoffrey Rush, Courtney Eaton, Elodie Yung, Chadwick Boseman

 

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3/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:00
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15.1.16

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Uma invasão de quinta categoria!

 

É do conhecimento de toda a gente de que os estúdios procuram o seu novo "Twilight", aquele fenómeno propício para levar as camadas mais jovem a invadir novamente os cinemas. Mas essas tentativas tem-se revelado, a maior partes delas, em esforços falhados e este The 5th Wave (A 5ª Vaga), vindo directamente das páginas de Rick Yancey, um escritor especializado para um público infanto-juvenil, é o novo contra-ataque na área que segue o mesmo caminho.

 

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Eis uma fita que inicia-se como uma aspiração scy-fy à lá Guerra dos Mundos até chegar aos lugares-comuns do pós-apocalíptico de um The Walking Dead, porém, desta vez sem mortos-vivos. Chloe Grace Moretz é assim a protagonista, uma jovem que tenta a todo o custo tecer o melhor das "novas heroínas", falamos obviamente de Katniss (The Hunger Games) e até mesmo de Tris (Divergent), mas resume-se a um arquétipo falhado, sem qualquer tipo de brilho, espessura, nem garra em tomar as rédeas do protagonismo. Infelizmente não é só culpa da jovem actriz.

 

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The 5th Wave possui a consciência dos seus "targets", como a aposta superlativamente relevante de um triangulo amoroso, acima do contexto subpolítico e militarista que tenta invocar lá para as proximidades do seu final. Volto a sublinhar a palavra "tenta". J Blakeson, que demonstrou um bom trabalho com o modesto The Disappearance of Alice Creed, opera aqui em modo artesão, um "pau-mandado" de uma produção prioritariamente preocupada com as novas tendências. A direcção de actores falha hediondamente, veja-se o caso da prestação ruinosa de Alex Roe e os diálogos anexados à sua personagem, "O Amor é um truque de magia", por exemplo, vai romper com gargalhadas durante a projecção, e a narrativa desafia constantemente em encontrar ênfases dramáticas onde é impossível obter.

 

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Ou seja, todo este produto cheira, sente-se e resulta em fracasso, uma tentativa de consolidar os nossos jovens a integrar as sessões de cinema para visualizar este tipo de material, mastigado e redesenhado sob régua e esquadro, mais uma vez baseando nas mesmas formulas. Esperemos que o sucesso não cumpra, comprometendo assim a produção das suas sequelas, até porque com filmes destes, mais vale entregar a Terra de bandeja aos invasores alienígenas e "rezar-mos" que façam algo melhor. Vale pelos efeitos visuais que doseiam o filme com momentos dignos a Emmerich, porque de resto, não há vaga que aguente!  

 

Real.: J Blakeson / Int.: Chloë Grace Moretz, Alex Roe, Nick Robinson, Gabriela Lopez, Ron Livingston, Maika Monroe, Liev Schreiber

 

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3/10
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publicado por Hugo Gomes às 12:41
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30.10.15

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Esperemos que seja o último!

 

Por melhores visuais que se tenha, a personalidade é algo substancialmente importante para a valorização de uma imagem. The Last Witch Hunter tem em certa parte uma ostentação estética caprichosa, mas nada vale perante um industrializado tratamento. Vindo da mesma equipa que nos trouxe os abomináveis Priest (Padre [ler crítica]) e Dracula Untold [ler crítica], aquele "terrorzinho" de estúdio que tem como intuito alimentar a curiosidade de adolescentes ligados a contraculturas de moda ou do público mais mainstream que julga que o género de terror é "too much" para os respectivos parâmetros, eis que surge Vin Diesel envergando pelo território sobrenatural com bruxas "ao barulho".

 

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Ele é Kaulder, um homem condenado à imortalidade pela Rainha Bruxa (Julie Engelbrecht) que torna-se na mais perfeita arma de uma secção obscura da Igreja Cristã para o combate e preservação da ordem num mundo que poucos humanos conhecem. Uma espécie de Cruzado renegado que enfrenta forças das trevas com a mesma exactidão que batalha meros mortais, liderando uma investigação de "whodunnit" que o próprio espectador conhece a léguas o desfecho mas que mesmo assim persiste em criar uma ambiência de suspense falhada.

 

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The Last Witch Hunter, de Breck Eisner, é o típico produto que se apoia na totalidade do seu protagonista, neste caso Vin Diesel, sob grunhidos e uma variedade de expressões (que se resume apenas uma), o qual consolida o seu estatuto de estrela de cinema de acção enquanto tenta aprender algo no ramo interpretativo com os seus colegas, em especial com o veterano Michael Caine. Talvez não estamos longe da verdade na afirmação de que Caine é o único motivo que Diesel aceitou um papel destes, até porque o seu desempenho tende a melhorar quando contracena com ele.

 

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Fora isso, Vin Diesel é igual a si mesmo, o que não quer dizer muito, demonstrando ares de cansaço enquanto vagueia por um filme isento de personagens secundárias verdadeiramente trabalhadas e de um enredo que não tem a decência de fugir aos lugares-comuns, não somente do género, mas deste tipo de produções. Um filme tão medíocre que chegamos definitivamente ao porquê de Timur Bekmambetov ter fugido "a sete de pés" deste projecto.

 

"Do you know what I'm afraid of? Nothing."

 

Real.: Breck Eisner / Int.: Vin Diesel, Rose Leslie, Elijah Wood, Michael Caine, Julie Engelbrecht, Joseph Gilgun

 

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3/10
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publicado por Hugo Gomes às 11:55
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23.9.15
23.9.15

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No pico dramático, pelo menos em teoria!

 

"O local mais perigoso da Terra", assim é descrito o pico mais elevado do globo neste novo filme do islandês Baltasar Kormákur (Contraband, 2 Guns), cuja carreira outrora promissora, parece agora tida como um simples tarefeiro de Hollywood. Vergonhosamente, o seu Everest não chega a cumprir o papel de "bergfilme" (filme de montanha), ao invés disso aposta-se numa desculpa para o uso dos seus atributos técnicos para um espectáculo vangloriado em IMAX, e sob o oportunismo de se basear na trágica expedição de 1996. É certo que para os sobreviventes e familiares, e até mesmo todos aqueles que ousaram escalar a montanha, a emoção aqui encontrada é apenas um suplemento às suas memórias e experiências. Porém, para o simples espectador, o resultado é um embarque num ensaio sem espessura dramática, onde nem uma narrativa aguenta a "escalada".

 

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O inicio consegue deixar tudo por terra: um catálogo de localidades que mais soa a um guia turístico, seguindo a pique uma vertente de "filme-catástrofe" regido por todos os códigos do espectáculo circense. Nesta expedição, personagens é coisa que falta, mas não por culpa dos atores, integrados num elenco invejável (Jake Gylenhaal, Jason Clarke, Josh Brolin, Keira Knightley, Robin Wright e o sempre "desperdiçado" John Hawkes) mas repartidos em consequência dos seus mimetizados "bonecos". O teor humanista também é coisa perdida e o que vemos como simples compensação são os ditos lugares-comuns, aqueles diálogos que se adivinham a milhas, os gestos que se espera, os acordes fundamentais e automáticos, e até os planos, que até o público menos conhecedor do campo cinematográfico já conhece.

 

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Pois é, Everest transpira ao mais banal das produções cinematográficas. Visualmente sustém-se, mas é incapaz de oferecer-nos mais do que um anoréctico espectáculo de faz de conta. Eis um filme tão opaco e estruturalmente limitado, isento de qualquer dignidade para os alpinistas, os mesmos que arriscam a própria vida nos limites. Um fracasso!

 

"Human beings simply aren't built to function at the cruising altitudes of a seven-forty-seven."

 

Real.: Baltasar Kormákur / Int.: Jason Clarke, Ang Phula Sherpa, Thomas M. Wright, Jake Gylenhaal, Josh Brolin, Keira Knightley, Robin Wright, John Hawkes, Charlotte Bøving, Michael Kelly, Emily Watson, Sam Worthington, Mia Goth

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:12
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22.6.15

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Um desastre de filme!

 

O subgénero dos chamados filmes-desastre viveu o seu apogeu em pleno anos 70 (Earthquake, de Mark Robson vem automaticamente à memória), mas actualmente parece estar reduzido à escola de Roland Emmerich. Visto como um pretexto para uma exposição gratuita de CGI, com mais interesse em "abanar" o box-office mundial do que propriamente presentear o espectador com novas plataformas e experiências cinematográficas, San Andreas é talvez mais um exemplo dessa mesma "escola", que tirando o seu pano de fundo pedagógico - a falha de Santo André e as suas placas tectónicas – é de curto rastilho sem razão alguma para a sua existência.

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"O maior terramoto que o Mundo alguma vez sentirá". É assim que esta aventura tecnológica vende-se de forma narcisista, oferecendo em pleno verão a enésima mostra de efeitos visuais, onde o factor humano é praticamente nulo. Se Emmerich minou o seu pretensioso e espalhafatoso 2012 com um humor algo "camp", com San Andreas nada disso acontece. É tudo levado a sério, mesmo que a sua intriga secundária - a reconciliação de uma família desfragmentada – seja involuntariamente risível e dramaticamente fracassada. Aqui a destruição é abundante, as vitimas amontoam-se, mas nada é verdadeiramente sentido. Para tal entra a dita linguagem de videojogo que muitos dos grandes "blockbusters" de verão parecem ter adquirido, aquele excesso de grafismo, o qual se nota mais nas mirabolantes cenas de destruição que procuram mais impressionar o espectador do que fazê-los sentir na iminência do perigo e do caos a nível humanitário.

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Ora este massacre em massa levado a cabo por estes processos tecnológicos revela-se ineficaz em conduzir as suas personagens. Se Dwayne Johnson, o ex-wrestler The Rock, salienta ao mundo inteiro que é um Schwarzenegger desta nova geração, o resto está longe de não enfadar. Carla Gugino nunca consegue concentrar-se dramaticamente, seguido um desempenho em claro overacting, Alexa Daddario está mais preocupada em ser uma nova Megan Fox do que propriamente uma Jennifer Lawrence, e Ioan Gruffudd é um antagonista caído de pára-quedas com direito a castigo divino e tudo. Já Paul Giamatti é o sismólogo que tenta alertar uma nação inteira para a eventual catástrofe, credibilidade apenas alcançada quando proclama as previsíveis palavras "God be with you".

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No final, tudo soa como um tributo à coragem com que um país traumatizado consegue ser forte na sua superação da dor e dos ataques de que fora alvo (neste caso foi a Natureza, mas a alusão é muito ao 11 de Setembro). Mais outro lugar-comum apresentado: essa esperança é dignificada com um abanar de uma bandeira ao vento. É por estas e por outras que temos todos que dar razão ao último filme do cineasta filipino Brillante Mendoza: enquanto o "Mundo" vê telenovelas com "heróis" de velha escola, as verdadeiras catástrofes acontecem, mas ninguém parece querer saber disso.

 

"You *left* my daughter? If you're not already dead, I'm gonna fucking kill you."

 

Real.: Brad Peyton / Int.: Dwayne Johnson, Carla Gugino, Paul Giamatti, Ioan Gruffudd, Alexa Daddario

 

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2012 (2009)

3/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:21
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29.4.15

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Quando as distopias são fenómenos de popularidade!

 

A série literária Divergente, da autoria de Veronica Roth, segue os passos das distopias expostas por Aldous Huxley, nomeadamente a sua obra-prima Brave New World (Admirável Mundo Novo). As fracções e as classes são aqui similaridades, mas as abordagens são, literalmente, divergentes, enquanto Huxley sempre havia convertido a sua distopia em prol da crítica social, evidente é que mesmo passados 80 anos, as suas visões continuam tão actuais como nunca. Roth, por sua vez, explora um território mais juvenil, requisitando os códigos regentes deste universo (difícil que é fugir do previsível romance), e que dificilmente se vingarão na posteridade.

 

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Passando então à adaptação do segundo livro da trilogia, Insurgent recorre como um "mais do mesmo" do inicio morno que fora Divergent, em termos produtivos é óbvio. Este novo capítulo é o mais pomposo no sector visual, resposta a isto é a sua dependência ao frenesim tecnológico e o protagonismo oferecido ao CGI. Algo que seria a seu favor, se Insurgent conseguisse manobrar uma intriga e minimamenteos seus personagens, todos eles unidimensionais e estabelecidos ao estatuto de "bonecos animados", apenas encabeçados por actores de nome e jovens estrelas.

 

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Depois é o ritmo narrativo, Robert Schwentke (que sucede Neil Burguer) nunca em momento algum tem a dignidade de equilibrar todo o fio narrativo e conduzi-lo de forma mais fluida e afectiva a uma ênfase dramática mais acentuada, mesmo que o filme assuma um tom deseriedade de contornosinsuportáveis em relação à anorexia dos eventos. Sim, Insurgent é claramente um mau exemplo de como não adaptar um bestseller juvenil, uma sucessão instantânea de sequências de acção, que roçam a banalidade, que não oferecem espaço algum aos seus personagens. Peço desculpa … bonecos!

 

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Depois é a crítica social, um factor de que outro franchising juvenil beneficiou, The Hunger Games, é aqui distorcido em prol de um romance sob grandiloquências exageradas e sem fins de abordagem para com as suas temáticas distópicas. Ou seja, temos aqui um dos prováveis candidatos ao prémio de pior filme do ano, se não for, é pelo menos o mais caro do catálogo, com 110 milhões de dólares empregues em "mimos visuais". Todavia, para mal dos nossos pecados, o próximo capítulo já está a caminho e, infelizmente, sob o processo de divisão para dois filmes distintos. Meu rico Aldous Huxley!

 

Real.: Robert Schwentke / Int.:Shailene Woodley, Theo James, Octavia Spencer, Jai Courtney, Ray Stevenson, Zoë Kravitz, Miles Teller, Ansel Elgort, Maggie Q, Mekhi Phifer, Naomi Watts, Kate Winslet

 

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Divergent (2014)

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:40
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