Data
Título
Take
23.5.17
23.5.17

189132.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg

Olhar de forma radiante!

 

Naomi Kawase deve pensar que fazer Cinema é o mesmo que pastelaria, que pode abusar assim no açúcar e tratar o espectador como um diabético sob vontades suicidas. Radiance (Hikari) é o filme que precisava de mais ciência e menos emoção, até porque é fácil cair na história dos "coitadinhos" ao abordar personagens cegas e outras, como é o caso do co-protagonista (Mantarô Koichi), em contagem decrescente para o igual estado.

 

thumb_52539_media_image_1144x724.jpg

 

O porquê de insinuar que falta mais cabeça e menos hinos do coração? Simples. Kawase tem ideias iniciais, tais como o cinema para invisuais onde as palavras adquirem o poder da imagem, obviamente alicerçado à imaginação, sentido apurado para muitos dos seus utentes. Depois existem os ocasionais POV (Point-of-View) que transportam o espectador para a situação vivida, transmitindo um tormento de impossível compreensão para quem ainda possui todas as capacidades de visão.

 

Cannes-2017-decouvrez-la-bande-annonce-de-Hikari-d

 

Infelizmente, essas ideias são descartadas porque a nossa realizadora está desesperada em emocionar o espectador, em utilizar a música como uma linguagem manipulativa, de orquestrar protagonistas de fraco desenvolvimento (mesmo assim, há que reconhecer o esforço e a sensibilidade da actriz Ayame Misaki) ou de "castigar-nos" com os milésimos pores do sol, simbolismos baratos e cores quentes com objectivos "kamikazes" para o nosso coração. Não, a emoção não se força. A emoção é algo vivenciado naturalmente.

 

Hikari-e1478286447377.jpg

Naomi Kawase confundiu então o poder das imagens e da sonoplastia (essa riqueza sensorial que o Cinema nos pode oferecer), confundiu as personagens e as suas desesperadas situações e, pior, confundiu o tom meloso que nunca desgruda de nós. Diríamos penoso? Não é bem isso, mas sim sobrelimitado à sua ideia de cinema. E infelizmente as ideias ficaram à porta e dela nos acenaram: um filme falhado e demasiado radiante.

 

Filme visualizado no 70º Festival de Cannes

 

Real.: Naomi Kawase / Int.: Tatsuya Fuji, Mantarô Koichi, Ayame Misaki

 

Radiance-1-620x359.jpg

4/10

publicado por Hugo Gomes às 14:48
link do post | comentar | partilhar

sobre mim
pesquisar
 
arquivos
2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


recentemente

Clive Owen junta-se a Wil...

Leonardo DiCaprio protago...

John Wick será série de t...

Quote #09: Body Snatchers...

Jeanne! será o próximo fi...

Pop Aye (2017)

Quote #8: All Abou Eve (J...

Pinhead de regresso! Divu...

Primeiro vislumbre de Joh...

QUOTE #7: Pauline Keal

últ. comentários
Concordo, "Índice Médio de Felicidade" e "Malapata...
O "São Jorge" é até agora o meu preferido, mantend...
Vi hoje, Robert Pattinson no seu melhor! Que venha...
Uma das maiores surpresas do ano, mesmo sendo do W...
I bought Raytheon on this site, I do not know whet...
Takes
10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
stats counter
HTML Hit Counter
counter
links
mais comentados
25 comentários
20 comentários
13 comentários
12511335_1084470088250815_732384524_o
subscrever feeds
blogs SAPO