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12.1.18
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O Cidadão Elefante em Cidade Turística!

 

Existe um exotismo associado ao termo world cinema. Termo, esse que Sundance apropriou para uma das suas secções mais impares, porém, interiorizada num certo conforto ocidental. A primeira longa-metragem de Kirsten Tan (criada em Singapura) que abriu o mesmo espaço ano passado, tendo arrecadado um prémio em igual categoria, é um postal turístico de uma Tailândia evidentemente exótica, visualmente oriental, mas enquadrada num registo apontado demasiado a Oeste.

 

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Sim agradará um público verdadeiramente ocidental, até porque o duelo de urbanização / ruralidade, em anexo com o lado selvagem de um património natural em perigo, Pop Aye é o que poderemos chamar num “world cinema crowd pleaser”, um exemplar inofensivo, o quanto caloroso em termos de coração, mas longe de conquistar um espaço na sua cinematografia. Primeiro, porque toda a sua linguagem narrativa estremece um apelo ao gosto de um “Hollywood” independente, não é por acaso que o filme abriu Sundance, o road movie encorajado por um tardio coming-to-age, neste caso a moralidade como objectivo de trajetória. Segundo ponto, essa linguagem culturalmente perceptível sufoca o misticismo que poderia, e bem, suscitar nesta amizade interespécies - um velho arquitecto que vive vampiricamente dos seus momentos de glória e um elefante que o remete à sua infância (existe em Pop Aye um certo dispositivo narrativo à lá Rosebud de Citizen Kane).

 

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O simbolismo animalesco que tenderia ser explorado na imagem do paquiderme é nada mais, nada menos que um convite sem anfitrião, e muitos menos sem convidados. De resto, esta travessia por uma Tailândia fora de Bangcoque (pelo retrato bem poderia ser de outro país), carece de identidade, a estranheza do longínquo e sobretudo a idiossincrasia não evidente. É por estas e por outras que Apichatpong Weerasethakul nos apresenta um olhar mais exótico, mais transversal, espirituoso e sobretudo bizarro, e aí reside o desafio proposto ao espectador entranhar. Pop Aye é somente uma viagem nada atribulada, confortante e sugerida na camada de pele de um elefante, difícil de atravessar. Ecologia, dicotomia e muito moralismo (sob vícios  de anti-materialismo). O cinema ocidental sob vestes do oriente.

 

Real.: Kirsten Tan / Int.: Thaneth Warakulnukroh, Penpak Sirikul, Bong

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publicado por Hugo Gomes às 16:10
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