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26.8.14
26.8.14

 

Ela vai chegar aos 100%, isso é uma certeza!

 

Nos tempos que decorrem, de Luc Besson não se espera “grande” coisa, muito menos algo alusivamente astuto como se tornou este Lucy. Mas para entender este “out of box” dos blockbusters de Verão deveremos recuar uns valentes anos e afastarmos do cinema. Em 1973, uma equipa de arqueólogos que buscavam artefactos sobre a origem humana na Etiópia, depararam-se com um fóssil de um hominídeo, na altura desconhecido para o Mundo, bastante mais antigo que os fosseis descobertos até então. Semelhante a um chimpanzé, mas com o crânio muito mais desenvolvido, teorizando que este mesmo animal possuiria uma intelecto superior que o do referido primata, os ossos ainda evidenciavam o surpreendente, este animal conseguiria caminhar “erecto”, uma posição que ditou para sempre a evolução do Homem, fazendo com que largássemos as florestas arborizadas e caminhássemos pelas vastas savanas. O leitor de momento estará a perguntar o que de relacionado tem este facto paleontólogo e antropólogo com o filme protagonizado por Scarlett Johansson, bem esse mesmo hominídeo, tendo em conta os ossos da pélvis, era uma fêmea e curiosamente foi baptizada de Lucy. Reza a “lenda”, que na altura da sua descoberta passava na rádio o single Lucy in a Sky with Diamonds” dos Beetles.

 

 

Pois bem, Lucy foi a Eva da Ciência, a primeira Mulher descoberta e a sua relevância para o conhecimento de onde viemos e como chegamos até aqui é crucial. Agora no mundo cinematográfico, Lucy será a primeira mulher, se não personagem, a atingir os 100 % de uso cerebral, regendo por especulações cientificas e pelo bom nome da sci-fy, um ridículo “what if” que surpreendentemente torna-se num produto munido duma inteligência experimental e ao mesmo tempo lúdica. Assim iniciamos com a sequência de um primata a “matar” a sua sede num lago, nesta altura o cinéfilo apanhado de surpresa identifica tal cena com uma similar na incontestável obra-prima de ficção científica de Stanley Kubrick, 2001: A Space Odyssey.

 

 

Porém o leitor já deve aperceber e tendo em conta a longa divagação desta critica que tal animal é Lucy, o dito hominídeo fêmea, o filme encarrega-se mais tarde de identificar a criatura, mas entretanto somo apresentados à nossa Lucy, uma vistosa Scarlett Johansson que nos primeiros minutos tem a difícil missão de entregar uma maleta de conteúdo desconhecido a um sujeito de iguais características numa redacção de hotel em Taiwan (a “piscar” os olhos ao mercado asiático). Neste momento o espectador sente que algo não está bem e que depressa acontecerá o inevitável, um dispositivo que nos guie automaticamente ao enredo da fita. Luc Besson aufere assim a expressão a esta inicial sequência, usufruindo de uma montagem intercalar - enquanto que Lucy se aproxima do seu “alvo”, as imagens duma gazela a ser encurralado por uma chita intervêm sem aviso – invocando a memória das experiências executadas pelos cineastas russos de Bolchevique (à memória surge-nos Sergei Eisenstein e o seu Stachka - A Greve, a constante mudança entre conflitos de trabalhadores / autoridades com imagens de matança de um bovino).

 

 

Depois do enredo principal ser então arrancado, Morgan Freeman entra em acção em modo interveniente, situando o espectador à promessa do filme, os ditos controlos cerebrais e suas consequências (ou dádivas). Como é óbvio a narração de Freeman é carismática, confortante e acima de tudo sábia, ele é o gamekeeper deste ensaio futurístico e é com ele que se inicia a contagem crescente ao propósito do filme. Escusam de negar, a verdadeira intenção de Lucy foi apresentada muito antes de ser visualizado, quer no poster ou trailer, as condições de contrato deste novo produto de Besson é visualizar um exercício de possibilidades e nada mais, a chegada dos 100% e a criação quase “shelleana” que se gerará. Scarlett Johansson vagueia por essa mesma jornada, a demanda pelo conhecimento tal como a “primitivaLucy deu aos estudiosos em 1973. A capacidade de assistir ao próximo passo da evolução humana. Obviamente que tudo não passa de uma sugestão cinematográfica ou da teoria do mais fértil e imaginativo geek, mas o filme sabe “controlar” essa vertente e com isso um espectáculo visual e por vezes narrativo.

 

 

E em segundo plano são convocados todos os elementos dignos do já estabelecido cinema de Luc Besson. Os tiroteios, lutas corpo-a-corpo, perseguições e como não poderia faltar, uma França vista pelos olhos dos americanos, ingredientes que tão bem sabem à “reinvenção bessiana”, mas em doses menores e facilmente doseáveis que as obras anteriores. Mas Lucy prevalece como uma “ovelha negra” dentro desse mesmo rebanho, um previsto videoclipp que acaba por se tornar numa vistosa e desafiante fantasia científica. Por fim vale a pena salientar Min-sik Choi, visto no excelente Oldboy de Chan-wook Park, um arrepiante e magnético “vilão de serviço”, um complemento frenético com uma sedutora e fria Johanson.

 

"Life was given to us a billion years ago. Now you know what you can do with it."

 

Real.: Luc Besson / Int.: Scarlett Johansson, Morgan Freeman, Min-sik Choi, Amr Waked

 

 

7/10

publicado por Hugo Gomes às 23:40
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2 comentários:
De Gustavo a 10 de Setembro de 2014 às 11:09
Um filme inteligente e divertido.

Todas aquelas teorias que o filme apresenta são mesmos teorias cientificas lembr-me de ver um documenatrio sobre essa tema algures.


De Nóbrega a 25 de Setembro de 2014 às 19:47
Gostei do filme. Bastante divertido e fluido. E só para não perder a deixa, parece que 70% dos filmes de ação atuais tratam do mesmo assunto. Já que os heróis realizam as mesmas proezas. Com exceção de que Lucy necessita estacionar um pouco para se concentrar. Já outros, como Sir Jason Statham, não.

Mas falando sério. Boa película, e bela crítica.


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