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18.7.15

Love & Mercy.jpg

"Good Vibrations"

 

Vale a pena dar graças pela forma como Love & Mercy se esquiva das formulas automatizadas da biografia musical. Não dizendo com isto que estamos perante uma obra transversal e completamente distinta de tudo aquilo que fora anteriormente criado, mas sim uma cinebiografia que aposta em fugir da convencionalidade da já datada narrativa temporal, assim sendo, explorando o intimo e a complexidade da figura que presta vénia. Bryan Wilson, cantor, compositor e produtor musical, o tão celebre e badalado membro da banda dos The Beach Boys, é o objecto de estudo nesta tremenda psicanálise emocional, mais do que somente explorar as ascensões e quedas a nível profissional, visto que a competitividade entre a banda californiana com os mediáticos The Beatles do outro lado do Oceano está longe de ser representado nesta obra de Bill Pohlad, a sua segunda direcção desde Old Explorers (1990).

 

Paul-Dano-far-right-as-Brian-Wilson-in-LOve-Mercy-

 

Com Love & Mercy temos os álbuns como marcos de ênfase dramática para a personagem principal, servindo de "bisturi" para a análise da natureza genial e louca de Wilson, tentando complementar essa veia musical com os vínculos amorosos, afectuosos e familiares que o unem e ao mesmo tempo o desfragmentam. A verdade, é se procuravam aqui algo da mesma classe que um Ray ou um Walk the Line sairão perfeitamente desapontados, tudo porque Love & Mercy é criativo, ostentado por uma diversificada objectividade narrativa, como é o caso das sequências de 16mm, todas elas ligadas aos anos 1965 a 1968, correspondente à fase de redescoberta de Bryan Wilson, dando uma sensação quase documental e demasiado longe da ficção televisiva.

 

loveandmercy2.jpg

 

Até nos desempenhos, o filme de Bill Pohlad tenta ir mais longe, ao invés de apresentar protótipos mimetizadas da figura homenageada, como é o caso das enésimas biografias musicais que abundam nas nossas salas, somos presenteados com o mesmo dispositivo utilizado por Todd Haynes em I'm Not There (a biografia de outra figura incontornável da música dos anos 60, Bob Dylan) o de preservação do espírito musical e a utilização deste como uma moldagem para os actores, e não o oposto. Assim não temos um actor que se adapta à figura, mas sim, uma figura que se adapta ao actor. Resultado: dois atores distintos que estabelecem diferentes faces da vida de Bryan Wilson, entre os quais, e a destacar, Paul Dano, talvez o mais subvalorizado dos atores norte-americanos da actualidade, que é visceral na transmissão de um confronto inerente entre corpo e espírito.

 

love-mercy03.jpg

Já que referimos desempenhos, vale a pena mencionar Paul Giamatti como o manipulador psicanalista e Elizabeth Banks, a demonstrar que é uma das actrizes mais desperdiçadas pela industria dos nossos dias. Juntos funcionam como notas estampadas em pauta, dando origem à mais doce das melodias, mas nada perto do lugar cativo situado ao lado da entidade divina que o protagonista parece diversas vezes procurar. Todavia, é nesse sentido que Love & Mercy parece transcender o prescrito modelo da cinebiografia musical, há todo nele uma busca por um Deus maior, uma metafísica aspirante que infelizmente parece ser representada por vias de signos cinematográficos já estabelecidos. Não é por menos que Love & Mercy tem uma das sequências copistas do 2001: Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, onde só faltou mesmo o monólito. Mesmo assim, temos um dos mais criativos e sóbrios do seu género dos últimos anos.   

 

"I want you to leave, but I don't want you to leave me."

 

Real.: Bill Pohland / Int.: John Cusack, Paul Dano, Elizabeth Banks, Paul Giamatti, Jake Abel

 

love_and_mercy.jpg

7/10
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publicado por Hugo Gomes às 08:57
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