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17.2.13
17.2.13

Vote Daniel Day-Lewis for President!

 

Já está mais que confirmado! Daniel Day-Lewis pode não ser um actor presente nem habitual, mas quando este integra num projecto até parece que vende a “alma para o Diabo” pelo seu papel. Após uma carreira quase imaculada por grandes desempenhos e com dois Óscares de interpretação no “bucho”, o actor veste agora a pele de um dos incontornáveis cidadãos norte-americanos, o 16º presidente dos EUA, Abraham Lincoln, num desempenho que é apontado como o grande favorito a Melhor Actor pelos prémios de Academia. Durante a produção do filme de Spielberg, quando as primeiras imagens foram cedidas à imprensa, muitas críticas e comparações foram feitas quanto ao trabalho visual onde exibia Daniel Day-Lewis completamente transformado em Lincoln, sendo unanime das aclamações de uma cópia quase idêntica do homem que praticamente moldou a América que hoje conhecemos. Porém o actor confirmou também que antes da actuação fez um excelente trabalho de pesquisa envolto dessa figura magistral, uma investigação que levou o Day-Lewis a conhecer através de relatos e documentos, como alguma fidelidade à obra literária o qual Spielberg inspirou para o filme, Team of Rivals de Doris Kearns Godwin, sobre as diversas características de Abraham Lincoln, que vai desde o timbre da sua voz, às suas qualidade oratórias, até o seu modo de andar e mais alguns pormenores acerca das suas interacções e relações sociais. Na verdade, daquilo que é visto em duas horas e meia de filme, Daniel Day-Lewis parece estar perto da perfeição, numa composição fantasmagórica e nada modelar, que quase poderia se afirmar de “boca cheia” que é o actor que carrega a obra às costas, poderia, se não fosse um realizador que para além de talentoso, encontra-se de momento numa fase madura da sua carreira, seja o “homem do leme”.

 

 

Aliás quem pensa que vai encontrar aqui os habituais toques “spielbergeanos”, a habitual aventura da sua filmografia e aquela emoção á flor da pele que aspira aos clássicos hollywoodescos, então vai se enganar profundamente, contudo Lincoln também não faz parte das demais biografias esquemáticas e quase documentais que normalmente surgem no nosso panorama cinematográfico. Nada disso, a nova obra de Steven Spielberg inicia com um país em pleno confronto e crise civil, o Norte e o Sul em conflito e um Presidente decidido em acabar de vez com esse cenário bélico com o uso da 13ª Emenda, o qual aboliria de vez a escravatura nos EUA. Lincoln foca na luta do republicano em conseguir angariar o maior número de votos para que esta polémica mas corajosa emenda no Congresso, desafiando os mais variados fantasmas de uma América ainda preconceituosa e conservadora.

 

 

Se Lincoln foi um homem à frente do seu tempo todos sabem, mas a fita de Spielberg é respeitadora do espirito mais primórdio do cinema, o teatro. Essa teatralidade que o realizador representa o Congresso, os quais diversos discursos ditam a narrativa com congressistas de luxo a proferirem a Bíblia, Shakespeare e outra linguagem literária para atingir os seus meios. A linha narrativa de Lincoln poderá encontrar-se dividida entre esse cenário teatral e da invocação ao classicismo idêntico a uma obra dos anos 30, mas Spielberg consegue a conjugação entre as duas diferentes frentes e com isso elaborar dois retratos importantes; a transição de uma América Primitiva para a Modernidade e de Abraham Lincoln, um homem inteligente e de grande Humanidade que mesmo assim se revela num estrategista político de respeito. Além disso, Spielberg não se descai em caracterizar o óbvio, ao invés disso trata a História por tu e a refere através de importantes marcos referenciais.

 

 

Depois disso vem os habituais técnicos que abrilhantam a obra ao seu esplendor, a fotografia sensível às sombras e luz dirigido por Janusz Kaminski e a banda sonora ditamente clássica composta por John Williams (que já é habitual trabalhar com Spielberg). Todavia para além dos trunfos técnicos e narrativos, o realizador revela ainda como um brilhante director de actores, algo que ninguém nega, e não falo apenas da brilhante composição de Day-Lewis, mas sim do elenco de luxo que Spielberg reuniu aqui, com principal destaque a Sally Fields (a auferir dramatização à trágica figura de Mary Todd Lincoln), Tommy Lee Jones em grande forma e um impressionante Michael Stuhlbarg.

 

 

As proezas de Lincoln poderão ser ofuscadas devido ao já muito referido desempenho de Daniel Day-Lewis, mas esta é a obra mais madura do mesmo realizador de Jurassic Park e ET, é um respeitoso retrato histórico que emana os mais variados ingredientes patrióticos norte-americanos e consolida-los de forma a trazer uma das biografias de luxo mais elaboradas de Hollywood. Mesmo não possuído audácia, Lincoln é um biopic poderoso. Um dos filmes mais importantes da carreira de Steven Spielberg, e o seu mais maduro desde Munich (2005).

 

“I am the president of the United States of America, clothed in immense power! You will procure me those votes!”

 

Real.: Steven Spielberg / Int.: Daniel Day-Lewis, Sally Field, Tommy Lee Jones, David Strathairn, Joseph Gordon-Levitt, James Spader, Hal Holbrook, John Hawkes, Jackie Earle Haley, Bruce McGill, Tim Blake Nelson, Jared Harris

 

 

9/10
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publicado por Hugo Gomes às 16:53
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1 comentário:
De Gustavo a 17 de Fevereiro de 2013 às 18:29
Sinceramente não sou muito adeto desta obra, achei aquele tipo de filme que todos os americanos iram adorar ve-lo. mas daniel day-lewis está fenomenal, isso sim nã nego.


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