Quinta-feira, 31 de Março de 2016

John From.jpg

 

Os Trópicos, aqui ao lado!

 

"Bom dia, Paulo Rodrigues". O cinema tem a tendência de se apaixonar no Verão como fosse uma consolidação com uma juventude perdida, até porque a velhinha sétima arte já caminha para fora dos 120 anos de longevidade. Contudo, contrariando o vórtice de cinema para adolescentes que a indústria parece manter ligar-se a todo o custo, em John From, a segunda longa-metragem de João Nicolau (A Espada e a Rosa), somos induzidos a uma brisa de sentimentos quase proustianos. É sim um filme de adolescentes, mas a motivação é mais adulta que a própria inconsequência atribuída a esse cinema de nichos alargados.

 

800.jpg

 

John From é sobretudo um olhar à jovialidade como algo exótico, longínquo e distante do nosso meridiano. Para tal, João Nicolau incutiu no seu próprio bairro (Telheiras) uma metáfora prolongada e sensorial, onde o amor de verão de uma adolescente altera por completo o seu redor. Mas tal premissa é seguida palavra a palavra, a conversão de um mundo onírico que espelha num quotidiano acorrentado por um tédio, a Melanésia orientada como um estado de espírito. Sim, é um romance de "teenagers" incompreendidos, daqueles amores impossíveis que tão bem poderiam ser imaginados por um Shakespeare, mas não, é um exercício visual, modesto e simples, onde Nicolau volta a evidenciar o seu fascínio pela natureza, pelo estado selvagem indomável e sobretudo pela metamorfose quase cíclica incutida na sua própria definição de "coming-of-age".

 

1445591397156_0570x0400_1445591424503.jpg

 

É um conjunto de rituais que preenchem um filme tão misterioso, onde a névoa desse misticismo apropriado não chega a transcender para fora do ecrã. Aliás, esse niilismo em consenso com o seu simplismo indiciam uma obra que tinha tudo para prevalecer, mas falta-lhe aquele "ingrediente" que teima em não existir em muito do cinema autoral português. No entanto, o mero exercício é alcançado. John From é acessível sem ser gratuito.

 

Real.: João Nicolau / Int.: Luísa Cruz, António Fonseca, Adriano Luz, Leonor Silveira

 

image_340.jpeg

 

6/10

publicado por Hugo Gomes às 09:03
link do post | partilhar

Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres




sobre mim
pesquisar
 
arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


recentemente

Poirot não descansa! Avan...

Ghost Dog terá sequela!

A Liga da Justiça decepci...

Primeiro vislumbre da seq...

Arranca o 11º LEFFEST – L...

The Square (2017)

Pedro Pinho avança com no...

Justice League (2017)

Hitman será série de tele...

Vem aí novo spin-off de S...

últ. comentários
Nice. Ansioso por ler a crítica e a entrevista ent...
Rapaz, o Lucky já o vi em visionamento de imprensa...
Em quais sessões estás interessado? Amanhã vou ver...
Ando por lá, sim, nem que seja só para entrevistas...
Aquela música, meu! Voltei a ser criança. Hugo, pe...
Takes
10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
stats counter
HTML Hit Counter
counter
links
mais comentados
25 comentários
20 comentários
13 comentários
12511335_1084470088250815_732384524_o
subscrever feeds
blogs SAPO