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19.10.16

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Voltando atrás com uma saga!

 

Em Hollywood o que não falta são realizadores sem personalidade, e dentro dessa vaga encontramos o muito pomposo Edward Zwick, que assumindo agora como o tarefeiro num franchise sob uma segunda oportunidade, poderá ter feito o melhor filme da sua carreira.

 

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Sim, estamos a falar desse mesmo, o autor dos êxitos de The Last Samurai, Blood Diamond e Glory (mais conhecido como a obra que garantiu o primeiro Óscar de interpretação a Denzel Washington), está neste momento resumido a um nome de lista, o qual embarca na segunda aventura de Jack Reacher, a criação de Lee Child, convertido numa variação híbrida entre Ethan Hunt / Dirty Harry por parte de Tom Cruise. É acima de tudo uma personagem militante e autoritária que se move como um freelancer ao serviço de uma nação, as suas "missões" tem sim, personalidade, algo que primeiramente confronta com o estilo confundível de Zwick.

 

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Mas verdade seja dita, Cruise é daqueles atores bem ligados ao star system, e porque não considerá-lo num autor emancipado, ao invés de referirmos o "sujeito" sentado na cadeira de realização? Estamos perante num automático filme de acção, mas nada de irritante aliás, porque a sua automatização é oleada e lustrada com os propósitos da sua estrela, e em comparação com o primeiro tomo (estreado entre nós com algum agrado em 2012), este Never Go Back é deveras "plus" emocional, até porque humanizar heróis e vilões são o prato do dia, e como ninguém mais acredita em "homens de ferro", porque não encher esta satírica personagem com traços paternais (de velha guarda, claro).

 

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Outro ponto que marca este novo Jack Reacher encontra-se reflectido na produção, existe nos créditos um nome que devemos tomar nota, Christopher McQuarrie. Realizador do filme de 2012, mas que conheceu o êxito verdadeiramente com o quinto Missão: Impossível, cujo paralelismo com este Never Go Back é simplesmente na condução das personagens femininas, se na aventura de Ethan Hunt era Rebecca Ferguson a acompanhar as "peripécias" do herói com tamanha dignidade e solidez, neste segundo Jack Reacher é Cobbie Smulders (sob a experiência da série da Marvel, S.H.I.E.L.D) a livrar constantemente do rótulo de "dama em apuros", ao mesmo tempo dignificando o papel feminino nas Forças Armadas.

 

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Mas pronto, de resto este novo capítulo de uma saga (veremos o que ditará o box-office, confirmando assim ou não, a força de Tom Cruise em bilheteira), é simplesmente um veículo de acção que não envergonha ninguém, nem ofende o intelecto do espectador (nesse aspecto o franchise Velocidade Furiosa sempre fora um atentado), que sob uma previsibilidade um quanta atormentada garante-nos um modelo, hoje em dia descartado, do cinema lúdico e ferozmente capaz dos tempos de Charles Bronson. Mas fica na mesma o aviso à navegação, nada aqui de verdadeiramente vintage

 

Real.: Edward Zwick / Int.: Tom Cruise, Cobie Smulders, Aldis Hodge, Robert Knepper

 

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Jack Reacher (2012)

6/10
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publicado por Hugo Gomes às 20:59
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2 comentários:
De Nóbrega a 22 de Outubro de 2016 às 14:19
Gosto dos filmes de ação do Cruise. Mesmo quando o filme não é uma obra prima, ele consegue se sair bem. Construiu (ou reconstruiu) seu nome, em meio as polêmicas pessoais, e acho que fez por merecer.

Assim como Mel Gibson, já provou diversas vezes que é um ótimo ator, principalmente em filmes de ação. Não estou frequentando muito o cinema, mas sempre que vou e o vejo em cartaz, é minha escolha.

Saindo do assunto, Hugo, não sei se você ainda lê os comentários, mas preciso de sua ajuda cinematográfica:

Lembro de um filme, mas não sei o nome. Fala de uma cidade onde as pessoas são inibidas dos seus sentimentos (não é Equilibrium). Possui cenas dentro e fora da cidade. Algumas pessoas vivem na ilegalidade, se divertem, praticam cultura, religião e acabam pegas. O próprio protagonista tem a experiência em algum momento, acaba descoberto e tenta mudar o sistema.

Não sei se é minha mente misturando e criando filmes, mas parece uma boa mistura de Matrix, Gattaca, Equilibrium e Minority Report. Salvo engano, assisti na mesma época que Matrix. Lembro que havia um filme apelidado de "concorrente não badalado de Matrix". Não sei se é esse.


De Hugo Gomes a 24 de Outubro de 2016 às 02:07
Bem, Nóbrega, por essas características é difícil. O filme que possui o estatuto "concorrente não badalado de Matrix" foi Dark City, ou Thirteen Floor, mas nenhum deles fala de sociedades não emocionais.

Por essas características, o filme mais parecido é 1984, mas é uma obra datada de '84 mesmo. Uma distopia onde uma sociedade é governada por um regime totalitário que vigia 24 sobre 24 horas os seus cidadãos de forma a controlar os seus pensamentos, actos e sim, emoções. Os proles, que viviam nos subúrbios, dançavam, cantavam e "fornicavam" como bem apetecesse.

Será esse?



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