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23.8.15

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Quando o terror segue a tentação!

 

Para qualquer conhecedor dos códigos do cinema de terror, principalmente do subgénero do slasher, existe uma regra que se encontra mais que decorada - o sexo é igual a morte - soando como um castigo divino ao pecado carnal se tratasse. Já em Scream: Gritos, de Wes Craven, havíamos sido induzidos de um certo jeito cábula a estas normas que foram instaladas como lugares-comuns, mas mesmo assim, e provavelmente com a desculpa da homenagem, perdoadas e integralmente inseridas no enredo. Em It Follows, a regra é levada de um modo literal, quase como uma alusão às doenças sexualmente transmissíveis e a facilidade com que o sexo está a mercê de todos, se bem que aqui o "quê" sobrenatural é erguido sob um extremo alarmante.

 

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A segunda longa-metragem de David Robert Mitchell (The Myth of the American Sleepover) tem todos os requisitos para se tornar no slasher da nova geração, um presente inconsequente aos igualmente adolescentes em perfeito cio. Aqui, os jovens são ameaçados por uma corrente amaldiçoada, sabe lá donde, cujo sexo abre portas para uma maldição infernal. Jay Height (Maika Monroe) é a mais recente vitima desse tormento, após ter tido relações sexuais com um rapaz que admirava, é alertada para uma singular consequência que desde então encontra-se sujeita. Existe alguém, ou algo, que a segue incansavelmente, e se a alcançar, o fim desta será iminente.

 

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It Follows percorre os mesmos trilhos dos thrillers dos anos 70, recorrendo sobretudo o minimalismo carpenteriano (é evidente os traços de histeria teenager de um Halloween, ou a tenebrosidade de um The Fog, assim como as influências notadas na banda-sonora) e ao efeito-choque cozido sob "malhas" hitchockianas de um Spielberg em estado Duel ou Jaws. Como se pode perceber, com uma premissa simples enraizada numa narrativa investida em calmos compassos, David Robert Mitchell consegue invocar a sensação de pânico enquanto submete-se a monstros imaginários e metafóricos. Aliás, não são os "monstros" em si que nos provocam medo, mas sim a condenação por vias do sexo e a recusa desta não como um acto natural convertido em momento lúdico, mas como a sentença a uma "cruz imaginária". Numa sociedade onde o sexo encontra-se sobrevalorizado (e cada vez mais), uma ameaça deste género nos remete a dilemas nunca pensados, será que uma vida perturbada e sob a fobia de entidades sombrias valerá a pena face à subjugada intimidade, ou pela experiência do prazer, como quiserem apelidar?

 

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É estranho, mas o que está em jogo aqui não é a sofisticação, ao contrário do que fora dito, não existe um conceito inovador aqui, apenas a metamorfose das matrizes impostas pelo género e uma regressão ao estado puro dos experimentos terroríficos. Ao mesmo tempo é de salientar a remigração das maldições em corrente aos contornos nipónicos das respectivas e celebres incursões (The Ring, Ju-On). Nesse aspecto, o desconhecido e a sensação de insegurança são incontornáveis e nunca dissipadas, mesmo que no terceiro acto somos jogados a um climax que por pouco não cedia ao ridículo.

 

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It Follows ainda revela-nos eficácia nos desempenhos, o qual Maika Monroe, que depois de The Guest de Adam Wingard [ler crítica], estabelece mais um ponto de se tornar numa futura scream queen, e sob influências mais carpenterianas. David Robert Mitchell consegue o inimaginável, criar um dos mais marcantes dos filmes de terror deste novo século, e provavelmente, espero não fraquejar ao hype envolto, no mais brilhante do género desde [Rec] de Jaume Balagueró. Para seguir o quanto antes!

 

"It could look like someone you know or it could be a stranger in a crowd. Whatever helps it get close to you."

 

Real.: David Robert Mitchell / Int.: Maika Monroe, Keir Gilchrist, Olivia Luccardi

 

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8/10
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publicado por Hugo Gomes às 22:31
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1 comentário:
De Nóbrega a 28 de Agosto de 2015 às 20:39
Muitos filmes desse gênero são minimamente competentes até decidirem dar uma "face ao mal", principalmente agora com os avanços da tecnologia. "Season of the Witch" é um bom exemplo. Não seria um marco do cinema, mas dava uma boa diversão, ao menos até colocarem a animação gráfica em ação... Foi triste.

No entanto, esse filme tem rendido ótimas opiniões. Vou dar uma olhada.


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