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19.4.17

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Esta terra é nossa!

 

Se tem ou não recursos para o fazer, isso são questões que divergem da capacidade de fazer. A Ilha dos Cães, o filme que tem sido equivocamente publicitado como o último do actor Nicolau Breyner, é uma tentativa infeliz no campo do cinema de género português, mas que não deve ser ignorado de todo.

 

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Contado a três tempos e com base criativa na obra literária do escritor angolano Henrique AbranchesOs Senhores do Areal - o realizador Jorge António (O Miradouro da Lua, a 1ª co-produção luso-angolana) constrói uma fita que se complementa a preencher o espaço da série B, do subestimado cinema fantástico pelos demais, e tendo como foco uma memória colonial que entra em colisão com diferentes etapas temporais. É o esclavagismo a perpetuar o pior do colonialismo, a resistência a servir de avante para ideias opositoras e, por fim, o cenário actual onde os fantasmas de um passado negligenciado parecem coabitar.

 

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Tudo resulta num filme de boas intenções, mas incompleto no seus objectivos, tal como um cão raivoso que responde ao instinto e não com a exactidão das ordens do seu dono. Para Jorge António, falta sobretudo um aprumo nos diálogos (forçados deve-se salientar), uma liberdade em fugir dos lugares-comuns que assumem impasses (como um romance incutido a três pancadas) e, sobretudo, uma coragem em arriscar, acima do simplesmente agradar ao público-alvo.

 

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Quanto aos efeitos visuais, nomeadamente as tentativas de CGI, perdoamos, até por que sabemos que o tecnicismo advém do financiamento e sem recursos não existem frutos para mais. Contudo, há que referir A Ilha dos Cães está à frente de muitas produções assumidamente mainstream da nossa cinematografia, que com maiores recursos tendem em tratar o espectador como um alarve. Um exercício produtivo!

 

Real.: Jorge António / Int.: Ângelo Torres, Miguel Hurst, Nicolau Breyner, Ciomara Morais, João Cabral

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 15:43
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