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13.5.15

Conto dos Contos.jpg

 

Recontar o conto!

 

Poderíamos começar com as tão clássicas palavras "Era Uma Vez", mas Tale of Tales (Il Racconto dei Racconti) está mais próximo da original essência do conto, como ciclo ritualizado em socializações à volta da fogueira da Idade Média do que o inocente e terno dispositivo como é encarado pelo senso comum.

 

the-tale-of-tales.jpg

 

Assim sendo, esquivando a introdução, a nossa história decorre no reino longínquo onde vivia uma rainha infeliz e perturbada (Salma Hayek), pelo simples facto de não conseguir gerar um herdeiro para o seu devoto rei (John C. Reily). Mas mais que o próprio dever real, esta sonha profundamente em ser mãe, um desejo tão obsessivo que a faz aceitar a proposta de um misterioso desconhecido. Segundo este, para um filho ser gerado, o rei teria que abater um monstro, arrancar-lhe o coração, sendo que este seria mais tarde cozinhado por uma virgem e comido pela própria rainha. Como prova de amor, o rei decide seguir em frente nesta demanda, conseguindo com êxito superar o desafio. Contudo, as consequências são demasiado severas e ele tragicamente morre neste ato de bravura.

 

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No entanto, é durante a cerimónia fúnebre que o vasto universo concebido por Matteo Garrone, através de uma livre abordagem ao livro de Giambattista Basile (aquele que fora considerado fonte de inspiração para outros "recolhedores" de contos, como Charlie Perrault e os irmãos Grimm), se expande, surgindo novas personagens e intrigas que mais tarde completarão um quadro de consequências em cadeia e veículos morais. Se o livro por si possuía uma estrutura mosaico, onde vários contos ou fábulas se entrelaçavam narrativamente entre si, em Tale of Tales tal acto é respeitado, concebendo assim um conto grotesco multi-narrativo. O imaginário de Garrone é a catapulta do seu mais ambicioso projecto até à data, e de certa maneira irreconhecível com o seu estilo.

 

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Sujeito a valores de produção invejáveis e um visual excêntrico e negro que gradualmente desconforta o espectador, Tale of Tales está longe de ser uma proposta recusável, mas é demasiado técnico e preso ao seu formalismo para assumir-se como algo mais denso que o pressuposto. O realizador de Gomorra e Reality é um estranho em território desconhecido, porém, isso não o impede de forçosamente incutir a sua marca autoral. A primeira sequência do filme é exemplo disso, onde um espectáculo circense privado pela realeza e alta nobreza alude a um gesto algo bárbaro do próprio Garrone, porque mesmo sem a presença da televisão, este não foge às responsabilidades de fazer a sua crítica ao mundano espectáculo do entretenimento e à sua hipnotizante aura.

 

Filme visualizado na 68ª edição do Festival de Cannes

 

Real.: Matteo Garrone / Int.: Salma Hayek, Vincent Cassel, Toby Jones, John C. Reilly, Stacy Martin, Bebe Cave, Shirley Henderson, Alba Rohrwacher

 

TaleofTales.jpg

6/10

publicado por Hugo Gomes às 22:17
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