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13.5.16

Eu, Daniel Blake.jpg

 

Todo o proletário tem um nome!

 

Ken Loach continua a sua luta pelos direitos da classe operária, tentando denunciar um sistema falível de Segurança Social e o peão dessa sua experiência propagandista é Daniel Blake (Dave Johns, um sério candidato ao prémio de Melhor Actor em Cannes), um carpinteiro de meia-idade sob graves problemas cardíacos que luta contra a burocracia em prol dos seus direitos enquanto cidadão. Neste caso uns "trocos" para a renda semanal era mais que bem-vindo, mas uma realidade cada vez mais difícil perante uma sociedade que não integra nem deixa integrar. Não é mais uma citação de "este país não é para velhos", trata-se sim da busca pelo orgulho do proletário, e toda a propaganda que é assim afinada, não validando, portanto, a emoção dita cinematográfica, quase emprestado aos grandes crowd pleasures de Hollywood.

 

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No ano passado, assistíamos igualmente na competição de Cannes, La Loi du Marché, de Stephane Brizé, um filme muito apegado ao realismo que reduzia o actor Vincent Lindon ao desespero enquanto desempregado. Ao contrário dessa obra, Ken Loach apela à emoção como veiculo de luta e o seu apoio neste teor contrai maravilhas para o espectador. Em simultaneamente com os vínculos de realidade formal que esboça nesta desesperante jornada de um homem que acima de tudo deseja ser tratado como tal e não, como é referido a certa altura, num cão.

 

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Mais do que um ensaio precário à lá Laurent Cantent, I, Daniel Blake apresenta-nos outras importantes questão na nossa sociedade, entre os quais a apresentação da tecnologia não como um facilitismo, mas como um obstáculo para a população mais envelhecida, e o facto desses sistemas de Segurança Social apoiarem quase exclusivamente no informático. Existe particularmente uma sequência onde Daniel Blake revela uma cassete de música a uma criança, sendo que esta desconhece por completo tal formato físico. Isto tudo para dizer que os tempos constantemente mudam e não tréguas a quem continua presente no "século passado". Emotivo e igualmente furioso.

 

Filme visualizado no 69º Festival de Cannes

 

Real.: Ken Loach / Int.: Dave Johns, Natalie Ann Jamieson, Colin Coombs

1228536_I Daniel Blake.jpg

 

 

7/10

publicado por Hugo Gomes às 08:49
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