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23.5.14
23.5.14

O Monstro do Oceano Pacifico!

 

É óbvio que nos dias de hoje a imagem de um homem dentro de um fato de lagarto de latex a destruir uma cidade de miniatura não é nenhuma invocação infernal, nem sinónimo do medo visual, pelo contrário é o ridículo que é emanado. Contudo numa época pós-Hiroxima, onde o Japão tentava ressurgia das cinzas, das perdas humanas e materiais e da humilhação, o medo da radiação se tornaria num dos conflitos internos que os nipónicos ousariam em contornar e Godzilla no seu signo.

 

 

Gojira (titulo original e para todo os casos, correcto) de Ishirô Honda, é acima de tudo, fora as suas influências e veias “thrash” (que acentuaram nas sucessivas sequelas), uma metáfora sobre esse mesmo medo, o qual o monstro de cinquenta metros, fruto da irradiação imposta pela exploração e atestação nuclear, destrói metrópoles sem dó nem piedade, vangloriando os “fantasmas de um passado recente”. E sob este trecho de destruição são nos apresentados todo um conjunto de imagens que de certa forma evocam espectros, um dos exemplos dessas mesmas imagens é a da mãe desesperada temendo a sua vida enquanto abraça fortemente as suas crianças. Todo o filme funciona assim numa poética metamorfose aos eventos que originaram a destruição de Hiroxima e Nagasáqui, a Sodoma e Gomorra do século XX. A bomba atómica e da radiação como réplica dos pecados mortais.

 

 

E sabendo que um retrato fiel aos acontecimentos não eram permitidas na altura no cinema japonês, a fim de prevalecer e respeitar as memórias das vítimas, Godzilla, o lagarto gigante, foi a forma viável de conseguir transmitir tais horrores, tais medos, salientando ao mundo de que a tragédia não fora esquecida e aliás é servida como um exemplo – uma ferida ainda por sarar, mas constrangida pela honra digna da nação. Infelizmente, fora o misticismo invocado pela criatura antagonista (que viria a tornar-se num herói nacional no Japão nos futuros capítulos), Gojira é actualmente um filme que  sobrevive graças à história e legado concebidos. Hoje é mantido como uma relíquia, algo digno de museu e da curiosidade. Recheado de actores de segunda, fraca aptidão de personagens e subenredos ridículos, esta é uma obra B no seu termo mais especifico, "massacrado" pelas sucessivas passagens do tempo. 

 

 

Todavia os estúdios Toho encontraram neste pitoresco entretenimento subliminar, com ideias bases do filme de 1953 da autoria de Eugène Lourié (The Beast from 20,000 Fathoms), um franchising a ser explorado e sob esse efeito nasce um subgénero tão próprio para os nipónicos que se tornou numa imagem de marca (o cinema kaiju), um produto inimitável que preserva uma identidade intransferível.   

 

Real.: Ishirô Honda / Int.: Takashi Shimura, Akihiko Hirata, Akira Takarada

 

 

6/10
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publicado por Hugo Gomes às 20:33
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