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16.7.16

Caça-Fantasmas.jpg

"As Caça-Nostalgias"

 

Actualmente, qualquer crítica dirigida à nova versão de Ghostbusters deve ser conduzida com a maiores das delicadezas. Pelos vistos, e como já soa polémica, durante a sua produção, Paul Feig foi criticado por fontes, sobretudo sexistas, pela direcção que este remake estaria a seguir, sendo que o quarteto, anteriormente interpretado por Bill Murray, Harold Ramis, Dan Aykroyd e Ernie Hudson, era agora desempenhado por mulheres, três delas oriundas do SNL (Saturday Night Live).

 

Ghostbusters-2016.jpg

 

Em consequência deste hater mob, o filme integrou uma espécie de statment sociopolítico nos dias de hoje. O resultado ficou à vista de todos, fácil de defender como também "atacar", consoante a posição, automaticamente ingressada numa ideologia, conforme ela seja. Mas vamos por partes, não estamos a insinuar que o primeiro Ghostbusters, ou popularmente chamado de Caça-Fantasmas, seja um exemplo máximo da comédia cinematográfica. Tende bons momentos nessa área e sobretudo composto por um argumento astuto, a obra de Ivan Reitman "envelheceu" mal até aos dias de hoje. Os efeitos especiais são obsoletos, o ritmo é muito vinculado na pop culture dos 80's e há sobretudo uma carência de personagens femininas, mesmo tendo Sigourney Weaver (uma das primeiras grandes heroínas de Hollywood) no elenco (talvez tenha sido por essa área que Paul Feig decidiu repensar na estrutura desta refilmagem).

 

ghostbusters-2016-movie-trailer.jpg

 

Mas em comparação com a nova versão, deparamos um filme mais livre, solene e sobretudo carismático. Enquanto que a de Paul Feig, por outro lado, é uma arriscada fita que tenta consolidar os talentos das suas protagonistas com um eventual "fan service", ou seja, de livre, este Ghosbuster nada tem, apenas assume-se aquilo que é, um remake, e pessoalmente foi essa a única característica que me fez "torcer o nariz" durante os anúncios desta produção.

 

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Muito bem, já que começámos com o pé esquerdo, vamos esquecer por momentos que existiu um homónimo filme em 1984 e a respectiva sequela de 1989, e assistimos a este Ghostbusters como um só e único filme. Depois de ter envergado pelas comédias rotuladas de femininas como Bridesmaid, o sem nexo The Heat: Armadas e Perigosas e o mais sexualmente consensual Spy, Paul Feige regressa ao seu estilo humorístico, brejeiro e por vezes ofensivo, mas socialmente aceite devido ao género sexual das suas protagonistas.

 

ghostbusters-2016-cast-proton-packs-images.jpg

 

Sim, já sei o que devem estar a pensar - mais um que julga que as mulheres não podem "ter piada". Mas uma "coisa" é ter piada, a outra é a utilização do mesmo tipo de humor que enche e sobra nas "malditas" produções de Adam Sandler ou nas inúmeras tentativas cómicas que surgem nas nossas salas, sob protagonistas masculinos. Mas como havia referido, o problema não está no sexo, mas na qualidade das piadas, recorrendo quase instantaneamente a "dick jokes" ou neste caso a "vagina jokes". Por outras palavras o humor chega a ser insuportável, pueril, egocêntrico e demasiado enraizado no stand up comedy, existe pouca subtileza aqui e nos momentos em que por fim esboçamos um sorriso nas nossas faces advém da caricatura transposta por Chris Hemsworth, talvez a sua grande prestação de carreira, ou das previsíveis referências e especiais cameos que nos afrontam.

 

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Mas o pior está para vir, é que Ghostbuster tende em transformar da comédia improvisada e alicerçada aos "atributos" das suas protagonistas num claro e rotineiro blockbuster norte-americano, os efeitos visuais tomam rédeas do projecto, os tiques de milhares de produções fundem num só registo, e o climax é de uma previsibilidade avassaladora. A juntar a isto, temos quase uma cópias deslavada dos terceiros actos do filme de 1984 e da respectiva sequela. Pronto, cedi, acabei por voltar à comparação.  Mas pelos vistos é isto "folks", no fim de contas, este Ghostbuster não é mais que um remake que durante a sua progressiva produção adquiriu um activismo que não se evidencia no seu resultado. Vale a pena este novo Caça-Fantasmas? A curiosidade pode matar o "gato", como se diz, mas não as memórias. Estas persistem, até porque Paul Feig fez um filme tão inofensivo, que qualquer atenção nisto, é demais.  

 

"Do not compare me to the Jaws mayor."

 

Real.: Paul Feig / Int.: Melissa McCarthy, Kristen Wiig, Kate McKinnon, Leslie Jones, Nail Casey, Chris Hemsworth, Charles Dance, Andy Garcia, Bill Murray, Dan Aykroyd, Sigourney Weaver, Ernie Hudson

 

ghostbusters2016.jpg

 

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Ghostbusters (1984)

 

4/10
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publicado por Hugo Gomes às 16:02
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3 comentários:
De Rui a 18 de Julho de 2016 às 20:53
E o Sr. Hugo Gomes já viu o filme como???


De Hugo Gomes a 18 de Julho de 2016 às 22:06
Todos os filmes que possuem critica neste blog foram vistos pelo autor. No caso de Ghostbusters através de visionamento de imprensa.


De Nóbrega a 24 de Julho de 2016 às 13:35
Vi o filme e achei um bom entretenimento. Foi até melhor do que eu esperava. Normalmente, os filmes e programas da Melissa McCarthy não me fazem rir, mas nesse filme algumas piadas funcionaram. Ainda assim, realmente faltou inspiração e o humor foi bem manjado.

No caso do Chris Hemsworth, parecia uma tirada inteligente, porém a falta de inteligência (:D) fez o humor sumir logo no primeiro minuto, e foi aquela evolução normal da piada ruim e forçada: primeiro o desgosto, depois a vergonha alheia, e por fim, a indiferença. Sem falar que humor não é a praia do ator, ai desandou de vez.

Mesmo no cinema, não ouvi tantas risadas. Tirando um rapaz no fundo da sala, que ria com absolutamente qualquer coisa, o restante só riu mesmo em três ou quatro momentos, algo muito bom se comparar com Adam Sandler.

De resto, aquela luta na fumaça foi mal desenvolvida. Se era para ser uma piada, pegou mal como tantas outras. Sem falar nas aparições dos antigos atores, sem nenhuma função ou toque de humor funcional. Um easter egg muito forçado. Poderiam ter copiado uma ou duas das aparições de Stan Lee: muito rápidas, às vezes engraçadas, e com o mínimo de utilidade para o momento encaixado. Mas, no geral, o filme é um bom passatempo.


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