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19.7.17
19.7.17

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… ou será antes Dunquerque?

 

É um bélico sem o sufixo de épico. Christopher Nolan recolhe os factos históricos que rodeiam a evacuação de mais de 300 mil militares aliados em 1940, nas praias de Dunquerque (França), um episódio crucial da Segunda Guerra Mundial que revelou ao mundo a ameaça ignorada que se o tornaram os alemães sob a ideologia nazi. Nessa recolha, Nolan assumiu-se preparado para retratar a batalha e a retirada, essa ferida no orgulho britânico, ao invés de personificar os idos do campo de guerra através de heróis patriotas, ou do maniqueísmo avassalador cujo tema suscita automaticamente.

 

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E se o realizador, de origem britânica a operar em Hollywood, isola um pedaço de "História morta" ao serviço da sua narrativa, novamente contada em três espaços temporais em constante colisão resultante num só quadro, é verdade que todo esse argumento de reconstituição tornam Dunkirk num ensaio dramaticamente vazio.

 

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Ao contrário de Titanic, de Cameron, em que a dita "História morta" entra em serviço do romanesco cinematográfico, neste bélico filme de jeito possante, a romantização está fora de alcance. Aliás, esta é a "nova" Hollywood idealizada por Nolan, numa cruel limpeza ao misticismo e ao simbolismo contraído nos putrefactos ventos saídos dos enésimos campos de batalha. Se fosse só isso, estaríamos calmos e serenos, esperando o reforço vindo da outra margem, mas não. Mesmo que as "vacas sejam sagradas" e "intocáveis", há que reconhecer que a megalomania tomou Nolan e a sua ambição de germinar um "espírito autoral" o atraiçoa, fazendo-o tropeçar nas suas próprias qualidades.

 

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Se foi dito que o realizador é um artesão cuja emocionalidade é zero, eis a prova dessa inaptidão. Para contrariar, como trunfo na manga, surge a manipulação. Dunkirk arranca com a primeira nota de Hans Zimmer e é com ele que o espectador segue sem interrupções até à última da pauta. A ginástica cometida pelo compositor é tanta que chega a executar com mais exactidão o trabalho que estava encarregue a Nolan: o de adereçar às suas "personagens" as emoções necessárias, a tensão das ocorrências, aquela espera de um milagre que se faz hiperactivamente de forma a competir com a (im)paciência da audiência.

 

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É um filme de guerra mirabolante, quer na sonoplastia ensurdecedora, quer na edição "salta-pocinhas" e sob promessa do "time delay". Contudo, é nessa dita edição que não devemos perdoar essa grandiloquência produtiva. Nolan falha na técnica, não reconhece as dificuldades com que se filma em alto mar, em enfrentar as instáveis condições climatéricas marítimas, da coloração que o mar porventura dispõe diariamente.

 

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Não há com que perdoar, Dunkirk tem um orçamento milionário, um realizador com uma liberdade em Hollywood invejável e a tecnologia actual que funcionam como verdadeiros feitos e facilitismos (sem com isto insinuar que grandes produções deveriam estar restringidas a estúdios e a chroma keys). Ou seja, depois de The Dark Knight Rises, este é o novo desleixo de Nolan, para além de ser um filme à sua imagem. Tão subtil que nem um camião-TIR, um peso-pesado sem graciosidade, sem a violência, quer gráfica, quer sentimental, das imagens, ou o constante barulho que retira qualquer experiência sensorial.

 

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"The sweetest sound" clama Mark Rylance ao observar os caças aliados a sobrevoar sobre ele. Poderia ser o "som mais doce", mas Nolan impossibilita essa "audição", assim como é incapaz de nos oferecer o tão aguardado espectáculo que nos prometia. Longe da reflexão humana e social que Dunquerque possivelmente proporcionaria, Nolan atira-nos como epílogo um apelo ao "Novo Mundo" para resgatar este "Velho Mundo" em modo de ebulição. Parece que afinal a "História morta" acaba por ser "História morta"!

 

Real.: Christopher Nolan / Int.: Fionn Whitehead, Damien Bonnard, Aneurin Barnard, Mark Rylance, Tom Hardy, Barry Keoghan, Kenneth Branagh, James D'Arcy

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4/10

publicado por Hugo Gomes às 01:23
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9 comentários:
De OBLADI OBLADÁ a 21 de Julho de 2017 às 14:54
Primeiro, vai p'rà escola.


De eu a 21 de Julho de 2017 às 16:43
mas que raio de critico de cinema és tu? achas que foi um filme péssimo. E no site https://www.rottentomatoes.com/, classifica o filme com 91%. Tipo.... o que falhou aqui? ainda metem estes gajos pseudo criticos de cinema no site do sapo... dedica-te à pesca



De Francisco Quintas a 22 de Julho de 2017 às 03:54
Não concordo com a opinião do Hugo, no entanto, respeito. O Rotten Tomatoes não é nenhuma bíblia, atenção, é apenas um site com pessoal a dar rates (subjetivos) aos filmes. Também já fiz uma crítica do filme, gostei, mas não é razão para eu cair em cima de quem não gostou. O Rotten Tomatoes (por acaso) acertou no rate do Dunkirk, mas maior parte das vezes exagera na nota de alguns blockbusters e cai em cima de filmes muito subvalorizados. Mas ainda assim é uma questão de subjetividade e gosto pessoal. Os gostos podem se discutir? Claro! Mas calma, não é preciso cair em cima do crítico, que está apenas dar a sua opinião porque quer, o blog é dele. Se não gostas, clica na cruzinha ...


De não a 21 de Julho de 2017 às 16:52
Parece que afinal a "História morta" acaba por ser "História morta"!

Que raio de frase é esta? Vai à escola aprender a escrever português.


De atuatia a 21 de Julho de 2017 às 18:48
Olhem! Olhem! Temos aqui uns nolan fangays nos comentários, que não sabem apreciar um filme nem respeitar uma opinião.


De Anónimo a 21 de Julho de 2017 às 19:05
Sim filho é mesmo isso. Que merda de blog


De Nóbrega a 22 de Julho de 2017 às 14:07
Até entendo o ódio de uns críticos contra Shyamalan, mas poxa, Nolan? Nolan não disse nada, cara! Não vá nessa onda, Hugo. Tu já estás até criticando Nolan por ser bom demais no que faz :D

E não sei de quem foi a mãe que você xingou, mas tem uma galera raivosa comentando aqui.


De Hugo Gomes a 24 de Julho de 2017 às 13:16
Nóbrega, mas Nolan não é Deus, tem o direito de errar, e neste filme erra bem. Eu sempre o defendi nas alturas mais improváveis, tenho The Dark Knight em grande estima, julgo que é um filme que supera a limitação do cinema de super-heróis, Inception pelo seu conceito de "blockbuster inteligente", Memento por concretizar uma narrativa inversa de forma perceptível e pelo Insomnia, talvez mais subvalorizado dos seus filmes.

Quanto a esta galera raivosa, welcome to Nolan Wars ;)


De João Ricardo a 28 de Julho de 2017 às 21:20
Junto-me a ti nesta batalha companheiro, também fiquei desiludido com este último filme do Nolan, esperava muito mais do que uma mera experiência sensorial. Ainda estou à procura do argumento... do poder de entretenimento de um relato histórico real (foram mortos quase 70.000 soldados) com personagens interessantes... mas infelizmente não encontro nada além de um grupo de soldados à espera de uma evacuação que tarda a acontecer ao som de uma banda sonora interessante mas repetitiva e com 3 perspetivas espaciotemporais originais (mas a fragmentação acaba por quebrar o ritmo).


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