Data
Título
Take
31.12.15
31.12.15

Creed - O Legado de Rocky.jpg

 

Quando o êxito de ontem é o sucesso de amanhã!

 

Apesar dos muito bons resultados, Mad Max: Fury Road [ler crítica] foi uma prolongação da fórmula lançada por The Road Warrior (que por sua vez tem traços de Vanishing Point). Já Star Wars: The Force Awakens [ler crítica], de forma a não desiludir ávidos fãs, assumiu-se como um reboot do clássico de 1977, e agora, chega-nos Creed, a "side-sequel" de Rocky, que nos confirma o já confirmado, o cinema actual estava cada vez mais refém das memórias passadas e que os modelos antecessores ainda são equações vencedoras.

 

635712555627482823-XXX-CREED-SNEAKPEEK-MOV02-DCB-7

 

Mas deixando de antologias e case studies do espectáculo cinematográfico que inunda as nossas salas, Creed revela-nos uma história paralela do universo centrado no célebre pugilista de Filadélfia, Rocky Balboa, o muito pessoal personagem de Sylvester Stallone, que faz tudo por tudo para não deixar de vez o legado assim construído. Quem se lembra de Apollo Creed? O rival de Balboa na primeira estância no ringue? Aquele que era interpretado por Carl Weathers? Pois bem, parece que a personagem tinha um filho bastardo com iguais paixões pelo boxe e ambição demolidora deixar a sua marca no hall of fame do desporto.

 

Screenshot_2015-07-01_09.35.32.0.0.png

 

Mas o apelido que carrega é um fardo, qualquer feito seu é automaticamente comparado ao seu falecido pai e como tal recorre aos conselhos do ex-rival do seu patriarca, o não menos Rocky Balboa. Assim começamos um treino que logo após o primeiro arranque invoca inevitáveis símiles com o original de 1976 (deve ser o efeito Creed), aquele filme que seduziu a Academia, tendo sido premiado face a opções mais ousadas (entre elas, o indiscutível Taxi Driver). E essas memórias não falham, tudo aqui transpira a Rocky e todo o legado que dificilmente consegue contornar.

 

creed-large.jpg

 

Mesmo sabendo que o personagem principal chama-se Adonis Creed (Michael B. Jordan), o filme tem tendência em focar, principalmente, em Rocky, como não bastasse a profunda catarse em 2006 [ler crítica]. Podem mudar o título, o holofote, o background e as motivações, mas nada impede que todos os caminhos levam-nos a Rocky e igualmente a Stallone, cuja exaustiva exploração mata intrinsecamente uma personagem que serviu e que continua a servir de inspiração para muitos. Mas voltando a direccionar a luz para o novo protagonista, é fácil encontrar motivos que chegue para simpatizar com este novo embrião, Jordan é um exemplo disso, confiante como poucos, com a capacidade de transportar a novelesca personagem para territórios tão familiares neste franchise, tudo sem cair na pura "anedotice".

 

635712538022292039-XXX-CREED-SNEAKPEEK-MOV01-DCB-7

 

Por detrás das câmaras, Ryan Coogler, o realizador independente que seduziu meio mundo com o seu relato realistico-emocional em Fruitvale Station (também protagonizado por Jordan [ler crítica]), atribui alguma dignidade ao material, que possui mais inverosimilhanças que profundidade. Ele é um "engenheiro" que torna uma obra que poderia confundir com tantas outras do género num exemplo de raça técnica. Entre as evidências dessa genica na condução da narrativa é o impressionante combate filmado como uma plano-sequência. Nesta cena é possível confirmar os dotes de Coogler para com o realismo, quer performativa, quer temporal, e na sua constante cumplicidade com B. Jordan na atribuição de um tom emocional ao "acontecimento".

 

maxresdefault (1).jpg

Mas a verdade, é que, contudo, para quem é fã desta saga de pugilismo e de esperança interiorizada no meio do ringue, não sairá defraudado, mas Creed não possui a suficiente emancipação para causar um verdadeiro KO. Nem mesmo as frases vividas de Rocky, que tanto sentimento trouxeram no filme de 76, assim como o de 2006, são isentas de igual vitalidade, assim como do esperado impacto. Talvez seja resultado, para todos os efeitos, da percepção de Stallone de que o seu material foi vendido, não contendo a mesma intimidade e agora "atirado" sob o rótulo de nova geração. Quanto ao filme propriamente dito, ele é nada mais, nada menos, que um replicado do primeiro filme, recontado e distorcido para soar como novo. Excuse me, but i don't buy it!

 

"Time takes everybody out; time's undefeated."

 

Real.: Ryan Coogler / Int.: Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson, Phylicia Rashad

 

michael-b-jordan-3.jpg

 

5/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 11:47
link do post | comentar | partilhar

sobre mim
pesquisar
 
arquivos
2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


recentemente

Rabid terá remake!

Robert Pattinson trabalha...

Ira Sachs filmará em Port...

Den of Thieves contará co...

Melissa McCarthy em filme...

Sony pode "desistir" de p...

Uwe Boll acusa Paul Thoma...

Morreu Jóhann Jóhannsson,...

Morreu John Gavin, ator q...

As belas trazem a morte c...

últ. comentários
A Vida Íntima de Sherlock Holmes: 5*Acho o filme e...
Estava convencido que fosse o There Will Be Blood....
Para mim, The Master.
Até que enfim o PTA foi novamente lembrado pela Ac...
Gostei da realização do Andrew no Bastille Day - M...
Takes
10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
stats counter
HTML Hit Counter
counter
links
mais comentados
25 comentários
20 comentários
13 comentários
12511335_1084470088250815_732384524_o
subscrever feeds
blogs SAPO