Data
Título
Take
3.2.15

Ano Muito Violento, Um.jpg

Um homem sério!

 

1981 foi, segundo as estatísticas, um dos anos em que se registou um crescimento a pique da criminalidade e violência na cidade de Nova Iorque. A acentuação desse cenário ou temporalidade do mesmo encontra-se presente nos programas noticiosos da rádio que informam o espectador através de boletins os dias negros que se vivem, coabitando estes no enredo criado por J.C. Chandor. Tendo brilhado com  Margin Call e mais tarde, confirmando o seu talento, com o "one-man-showAll is Lost, Chandor apresenta-nos aqui um híbrido das duas obras anteriores, situando a acção num ano crucial (em Margin Call foi o "crash" da bolsa de 2007) e, novamente, apostando na força das interpretações, neste caso atores que fazem a trama vibrar entre os seus planos.

 

A-Most-Violent-Year-1.jpg

 

A história centra-se num emigrante, Abel Morales (Oscar Isaac), que tenta manter o seu negócio de exportação e importação de combustíveis. A sua empresa foi erguida sob meios ilícitos, enquanto  o seu crescimento foi mantido no chamado "caminho mais correcto". Porém, tal como qualquer imóvel, este não se consegue suster sem uma base firme e concreta. O resultado é um efeito dominó, em que a empresa de Abel "desaba" à custa de um passado inglório e de um mundo corrupto e violento que ameaça transcrever a lei do mais forte. Nisto, o espectador depara-se com um trilho difícil de percorrer, pois torce para que o protagonista  - ambíguo mas honrado - consiga sair triunfante dos conflitos expostos através de uma persistência do espírito do "Bom Homem". Uma consciência que poderá ser facilmente quebrada, visto que desde cedo somos apresentados a uma resolução fácil, embora tormentosa aos bons valores do personagem de Isaac. Falo da sua mulher, Anna Morales (Jessica Chastain), cujas raízes mafiosas estão presentes em toda a intriga.

 

Oscar-Isaac-A-Most-Violent-Year.jpg

 

Em A Most Violent Year, para além de absorvermos os conflitos internos da nossa personagem, sentimos a vontade de Chandor em recriar algo vintage dentro da indústria cinematográfica. Isso sente-se na fotografia de Bradford Young, na banda sonora minimalista e envolvente de Alex Ebert e no uso do som como uma força motora da intensidade emocional da trama. Todos estes são benefícios técnicos que firmam os propósitos do realizador. Pois bem, este é um filme que se tivesse sido produzido nos anos 70 não sentiríamos diferença, notando-se, por exemplo, na composição das suas personagens, como a de Oscar Isaac, o qual brilha numa figura obscura com preocupações latentes e transmite uma clara dualidade interior. Diríamos que o filme, como também a personagem, estão próximos de The Godfather, de Francis Ford Coppola. Isaac consegue mimetizar os dilemas que visitaram Al Pacino na sua jornada no mundo do crime. Nesse aspecto, até mesmo o actor mostra um talento e uma consistência interpretativa semelhante aos anos de ouro do seu colega. Arrisco mesmo em dizer que Isaac é o futuro Pacino.  

 

A-Most-Violent-Year1.jpg

 

E se o protagonista ergue a obra para esse patamar, Jessica Chastain funciona como um apoio exemplar e poderoso, carimbando a relevância dos atores na trama. A juntar a este conto de o "Bom Ladrão", J.C. Chandor é dinâmico na sua planificação, encarando este trabalho como os pioneiros do género. Apesar de muita coisa ter acontecido de 1981 a 2014, em termos cinematográficos e de linguagem fílmica, A Most Violent Year não deve ser menosprezado. É um espectáculo violento, intenso e convicto como poucos. Façam o favor de prestar atenção neste realizador e no seu respectivo elenco.

 

"When it feels scary to jump, that is exactly when you jump, otherwise you end up staying in the same place your whole life, and that I can't do."

 

Real.: J.C. Chandor / Int.: Oscar Isaac, Jessica Chastain, David Oyelowo, Albert Brooks, Elyes Gabel, Catalina Sandino Moreno

a-most-violent-year.jpg

 

10/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 23:30
link do post | comentar | partilhar

1 comentário:
De Estrangeiro a 8 de Janeiro de 2016 às 19:21
Como pode um filme tão ruim? Acho que somente vossa senhoria o aprovou...


Comentar post

sobre mim
pesquisar
 
arquivos
2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


recentemente

Clive Owen junta-se a Wil...

Leonardo DiCaprio protago...

John Wick será série de t...

Quote #09: Body Snatchers...

Jeanne! será o próximo fi...

Pop Aye (2017)

Quote #8: All Abou Eve (J...

Pinhead de regresso! Divu...

Primeiro vislumbre de Joh...

QUOTE #7: Pauline Keal

últ. comentários
Este gênero nunca foi um dos meus preferidos, póre...
Concordo, "Índice Médio de Felicidade" e "Malapata...
O "São Jorge" é até agora o meu preferido, mantend...
Vi hoje, Robert Pattinson no seu melhor! Que venha...
Uma das maiores surpresas do ano, mesmo sendo do W...
Takes
10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
stats counter
HTML Hit Counter
counter
links
mais comentados
25 comentários
20 comentários
13 comentários
12511335_1084470088250815_732384524_o
subscrever feeds
blogs SAPO