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Título
Take
5.3.17
5.3.17

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A antologia do biopic!

 

Em Neruda, a promessa de uma biopic convencional do poeta e activista politico é em vão. Pablo Larraín esmiúça-se sobre outro Pablo, e através desta união invoca uma liberdade que não parece encontrar lugar no subgénero. É como se Neruda fosse idealizado pelo próprio Neruda, uma evasão ficcionada que facilmente se encontraria no imaginário do homenageado, mais do que a visão do espectador.

 

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Existe nesta metragem uma desfragmentação de todos os códigos assim aprendidos e instantaneamente abandonados pelo realizador desde o muito consensual Não, ou até do toque mais intimista e reservado de El Clube. Em Neruda o que está em jogo é a narração, mais do que a própria narrativa, quanto à fidelidade histórica, non troppo, o ficcionar de vidas estabelecidas, inserindo neste jogo personagens inexistentes e explicitar a biografia da existência memorial, acima da existência física. Sim, Larraín joga-se aos retalhos com a ferocidade de um esquartejador. O golpear de diálogos em prol de um raccord soluçante, os planos reféns de uma profundidade quase "velazquiana", a falsa narração de personagens ausentes e até mesmo um twist que desafia a própria natureza do registo. Tudo com a graça e encanto de um elenco capaz de disfarçar esta tão deliciosa farsa (a estrutura policial) sob condimentos políticos, e deveras de salientar, acidamente politizados.

 

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Luis Gnecco apresenta essa figura de um ego do tamanho do Mundo [Neruda], o burguês que secretamente integra o partido comunista, como uma força inesperada no combate a um regime, onde a sua palavra funciona como a mais poderosa das suas armas. Seguindo de perto, um Gael Garcia Bernal que o persegue sem perceber que como perseguidor converte-se no mais indefeso perseguido. Egocentrismo e ciclos experimentais de não-lugares e não-personagens, tópicos que afrontam em Neruda, e aos dois Pablos, a anti-sintetização da memória, não como uma formatização, mas como uma página em branco a merecer da escritura.

 

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Enquanto isso, indicamos um dos grandes equívocos das distribuidoras, lançar Neruda depois de Jackie (visto que o filme foi produzido antes da biografia com Natalie Portman), o esboço da sua oficializada entrada no mercado de Hollywood. Mesmo assim, Neruda é digno do seu próprio feito. 

 

Real.: Pablo Larraín / Int.: Gael García Bernal, Luis Gnecco, Mercedes Morán

 

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8/10

publicado por Hugo Gomes às 16:56
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3.3.17

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Em terra de monstros, Kong é o rei.

 

Um gorila colossal no topo do Empire State Building, afastando violentamente os caças que desesperadamente o tentam  abater, defendendo-se igualmente e protegendo a sua não correspondida amada. Será que existe imagem tão universalmente identificável no Cinema como o climax de King Kong? Obviamente que não, e não estamos aqui para enganar ninguém. Kong: Skull Island não está aqui para tirar o lugar ao filme de 1933,  mas surge como uma variação comercialmente fiável para um futuro universo partilhado. Pois, não é spoiler. Já se sabe que este símio do tamanho de um arranha-céus vai enfrentar Godzilla numa futura produção.

 

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Mas já que temos que "gramar" com um revisitar à tão icónica figura da sétima arte, porque não aceitar o que de bom tem esta aventura tecnológica? São vários pontos, aliás, a começar pelos momentos em que o realizador Jordan Vogt-Roberts (do filme indie King of Summer) tenta contrariar a linguagem visual básica das grandes produções. Cenas como a da libelinha a mimetizar uns helicópteros saídos da ataque-naplam de Apocalypse Now, fazem-nos de certa forma salivar por mais desses mimos. E o que dizer da troca de olhares entre Samuel L. Jackson e a nossa besta? Mas estes "5 minutos de paraíso" que Vogt-Roberts parece usufruir de vez em quando têm um senão. Tal como uma troca de cromos, há que apostar no já batido ... e até invocar um certo estilo à lá Zack Snyder para corresponder aos requisitos estéticos das novas audiências.

 

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Segundo ponto, a conservação do clássico filme de aventuras. Kong: Skull Island, dentro da sua agenda da Hollywood tecnológica, emana um espírito "aventureiro" algo perdido no nosso cinema. Será que tal sensação parece apenas reavivada nas incursões de King Kong (já a subvalorizada versão de 2005 respeitava o subgénero)? Terceiro ponto, e talvez o mais desafiante desta produção: a febre da Guerra explicitada na rivalidade acidentalmente criada por Samuel L. Jackson, em modo "Hurt Locker", e o nosso Kong. A fúria dos olhares, quer reais (do actor), quer artificiais (a do símio digital), e a procura de um inimigo como fermento para uma sociedade à beira da ebulição conflitual - "Nós encontramos os inimigos quando os procuramos". Tudo servido, com certa leveza (ou seja, contado para miúdos), como catarse para a memória bélica do nosso século XX.

 

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O resto é o costume do actual panorama industrial: personagens básicas e construídas consoante as necessidades do guião (mesmo com um John C. Reilly em boa forma) e não o oposto; o climax a dever demasiado aos efeitos visuais e ao espalhafato dos mesmos; e a impressão de assistir a uma reciclagem do guião de Godzilla (2015). Factores estes que constroem a rotina do espectáculo cinematográfico à lá IMAX. Ainda assim, é certo que existe muito mais em Kong do que a mera artificialidade pagã. Sim, muito melhor que o esperado, mas não a Oitava Maravilha do Mundo.

 

"This planet doesn't belong to us. Ancient species owned this earth long before mankind. I spent 30 years trying to prove the truth: monsters exist."

 

Real.: Jordan Vogt-Roberts / Int.: Tom Hiddleston, Samuel L. Jackson, Brie Larson, John C. Reilly, John Goodman, Corey Hawkins, Toby Kebbell, Richard Jenkins

 

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6/10
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publicado por Hugo Gomes às 22:01
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Land+Moon+Mal+De+Pierres+Red+Carpet+Arrivals+YJR6e

O "amour fou" (amor louco) de Marion Cottilard levou-a a ser uma das principais candidatas ao prémio de Melhor Interpretação feminina no Festival de Cannes de 2016. Apesar de não ter vencido, a mais requisitada actriz francesa do momento, ofereceu-nos uma personagem fascinante, perdida num romance, algures entre o sacrilégio e o sagrado, acidentalmente estampada na realidade e na fantasia. Para dirigir uma actriz deste calibre foi preciso uma outra actriz, Nicole Garcia, vindo da velha guarda do Cinema "gaulês". Uma interprete que descobriu um outro amor para além da representação, a paixão da realização e do desdobramento das personagens que parecem ganhar vida no grande ecrã. O Cinematograficamente Falando … falou com a mulher por detrás de Mal de Pierres, a adaptação do bestseller de Milena Agus, um desafio às próprias convenções do romance estabelecido.

 

Porquê a escolha do livro de Milena Agus? O que fascinou nesta obra para a adaptá-la?

 

Sinceramente não sei. Quando comecei a ler o livro, apenas o fiz com o prazer da leitura e não no intuito de procurar o meu próximo filme. Foi recomendado por um amigo meu, aclamando que seria obrigatório "ler este livro de 2006". Então fiz, comecei a folheá-lo no Aeroporto de Paris e o terminei durante o meu voo para Marselha. Admirada com esta experiência, corri logo em busca dos direitos da obra. Queria adaptá-lo para o grande ecrã e queria ser eu a fazê-lo.

 

Havia algo neste livro que me dizia muito, provavelmente o facto da protagonista ser uma mulher que pensa que todos os outros a recusam, cuja mãe constantemente a apelida de "louca", chegando a fechá-la num hospital psiquiátrico e tudo. Mas no fundo, é uma mulher forte e selvagem, e essas características assustavam as restantes pessoas. Porém, mantinha uma certa fragilidade. Porque ela procurava algo sexual e sagrado. Para ela, como para mim, encontram-se no mesmo patamar [risos].

 

Mas ela conhece que tais oposições existem no seu todo, porque depara com tais descrições na literatura, nos livros que lê, assim como na vida.

 

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Marion Cottilard foi a sua primeira escolha para o papel? Imaginava-a como a protagonista de Mal de Pierres?

 

Determinada a adaptar o bestseller, mentalizei-me que teria que ter a melhor actriz para começar. Teria que ser capaz de encarnar este mistério, algo que a própria ainda não havia explorado ainda, possuir um certo carácter indomável e ser, sobretudo, dura. Não cair no erro da melancolia e da doçura, até porque existe na personagem um desejo ardente que a mantêm forte. Então imaginei Marion Cottilard. E o resultado está à vista, ela conseguiu captar isto que referi nela, assim como muito mais. Um toque de sensibilidade humana. Vi nela a fazer algo idêntico como fizera na sua interpretação de Edith Piaf [La Vie en Rose], que fora um desempenho magistral por parte dela.

 

Acredita, que como realizadora, encontra-se melhor em cada filme?

 

Sim, acredito, assim como acreditava que no meu filme anterior, Un Beau Dimanche, também estaria a aperfeiçoar-me. Estou a melhorar no contexto da direcção, assim como na maneira de contar uma história.

 

Nicole Garcia começou como actriz, mas agora parece ter abandonado o cargo para dedicar-se com mais tempo à realização. Deseja voltar a actuar?

 

Continuo a ser uma actriz, mas como dedico demasiado tempo na realização, o qual não sobra muito para a actuação. Mas continuo a ser uma actriz.

 

Ainda como actriz, trabalhou com alguns dos mais influentes realizadores do cinema francês, tais como Renais, Rivette, Tavernier ou Lelouch. Aprendeu alguma coisa com eles acerca da realização, ou seguiu algum conselho destes para esta arte?

Não. Porque quando era actriz, era o tempo todo somente actriz. Não tinha o desejo de seguir a realização. Aliás, nunca passava pela cabeça que um dia seria realizadora, nada disso. Tudo começou quando filmava uma curta-metragem, durante as minhas férias. Bem, mais um filme caseiro, uma pequena brincadeira, mas quando comecei a editar este pequeno filme, tive então a revelação. Foi na edição que me fez gostar do trabalho de realização. E foi quando estreei a minha curta em Cannes, senti-me determinada em elaborar a minha primeira longa-metragem.

 

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Mas voltando à questão inicial, nunca recebi nenhum conselho, nem nunca aprendi com nenhum dos realizadores pelo qual eu trabalhei anteriormente. Tudo nasceu do meu instinto.

 

E como dirige os seus actores? Utiliza a sua experiência como atriz para os coordenar?

 

Apenas dirijo os meus actores nas duas primeiras semanas, falo com eles, dou-lhe conselhos, exponho aquilo que pretendo da personagem, mas depois o desenvolvimento nasce deles. Não me intrometo na sua actuação, nem tento controlar à risca a fluidez da personagem, esta tem que ser livre, portanto, porquê colocar travões. Até porque o meu objectivo é sempre contratar (muito) bons actores para os meus filmes. Pessoas capazes de dar vida às personagens que imagino.

 

Em relação a novos projectos?

O meu próximo filme será uma história contemporânea decorrida nos anos 50, e que remeterá o amor entre dois homens, mas não o tipo de amor "romanesco", mas sim de natureza mais negra e provavelmente com ligação a um homicídio. 

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:10
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1.3.17

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Não é novidade nenhuma que chegará no próximo mês de Maio, um novo capítulo da saga Alien. Desta vez marcado pelo regresso de Ridley Scott às "rédeas" do franchise que o próprio inaugurou em 1979, e que segundo consta, terá ligações diretas com Prometheus.

 

Alien: Covenant remete-nos à tripulação de uma nave colonial que descobre uma paraíso intocável, mas igualmente mortal. Escusado será dizer que os lendários xenomorfos irão regressar para espalhar o pouco mais do seu mais interminável terror.

 

Michael Fassbender, Katherine Waterston, James Franco, Noomi Rapace, Guy Pearce, Billy Crudup e Danny McBride completam o elenco.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 10:57
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O FESTin comemora hoje (1 de Março) o especial número 8. Oito anos de existência, em uma oitava edição que prolongará até oitos dias no Cinema São Jorge, recheado com o melhor de um cinema falado na língua portuguesa, a ponte cultural de oito países separados por milhas, oceanos e História. Um signo a merecer a atenção do mais vasto público, dos cinéfilos em geral, e dos curiosos que tem a oportunidade de encontrar neste evento cultural uma cinematografia rica e igualmente pouco conhecida no nosso país. Referimos ao cinema brasileiro, uma produção diversificada que luta por um espaço na memória e mercado português.

O cinema brasileiro como "espinha dorsal"

 

Para Roni Nunes,  programador do FESTin, a derradeira luta está em trazer uma mostra plena de um cinema que "passa por uma fase excelente, como se viu com nove longas-metragens selecionadas para a Berlinale." O curador entende que com a qualidade do cinema brasileiro actual, era óbvio que não haveria "razões para não termos uma grande programação. Está na hora de mudar a imagem do cinema brasileiro em Portugal, que é muito associado às telenovelas, algo que não faz qualquer sentido, ou então a “Tropa de Elite” e “Cidade de Deus” – que são excelentes filmes mas que, obviamente, estão longe de ser representativos do cinema do país."

 

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Sim, Brasil será o país predominante do FESTin, e nele encontraremos uma "mão cheia" de estreias, tais como pernambucano Big Jato, o muito antecipado Comeback, a desforra de um pistoleiro de terceira idade e a loucura boémia dos anos 60 em Br 716, que segundo Roni Nunes, representam uma pequena fatia do melhor se produz nos dias de hoje, possuindo "uma magnífica característica, a possibilidade de agradar cinéfilos e espectadores casuais". O certame arrancará com a exibição de O Outro Lado do Paraíso, de Andre Ristum, um relato emocionado do Brasil em plena metamorfose político-social dos anos 60.



Para acompanhar as obras, o FESTin terá imensos convidados de honra, entre realizadores e actores, equipa de produção e técnicos, presenças exaustivas que prometem estabelecer uma ligação com o público. Entre as esperadas vindas, contaremos com a presença de Mariana Ximenes, que segundo Roni Nunes é "mais do que um rosto conhecido das telenovelas, ela é uma artista que tem investido muito em cinema de autor no Brasil." A actriz apresentará duas obras do seu currículo, ambas em Competição. Quase Memória, dirigido por Ruy Guerra, um ícone do Cinema Novo do Brasil, e Prova de Coragem, que também co-produz.


"O que mudou na programação foi que enveredamos definitivamente por um caminho mais autoral e desafiante na competição – a ponto de poder dizer que, em termos de quantidade, diversidade e, principalmente, qualidade, temos a melhor montra de cinema brasileiro de Portugal." proclama o programador.

 

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Lisboa, menina e moça, a capital Ibero-Americana

 

FESTin encerrará a edição com Elis, um retrato biográfico da cantora Elis Regina, uma das maiores da terra da Ordem e do Progresso. A escolha deste filme de Hugo Prata, protagonizado por "uma das revelações do ano passado" Andreia Horta (que estará presente), não foi ao acaso, a cinebiografia de uma das mulheres mais ícones do Brasil é servida de comemoração ao Dia Mundial da Mulher.

 

O feminino, por sua vez, será tema importante em toda a programação do FESTin, quer pela Lisboa Capital Ibero-Americana que escolheu o festival como o evento cultural oficial desta temática, preenchido por mesas redondas, debates, actividades paralelas e claro, mais mostras de filmes. "Em termos de filmes um dos destaques é a mostra dedicada à Margarida Gil, que terá cinco dos seus principais trabalhos (“Rosa Negra”, “O Anjo da Guarda”, “Adriana”, “O Fantasma de Novais” e “Paixão” exibidos" sugeriu o programador.

 

Ainda com a Lisboa Capital Ibero-Americana, "o FESTin dará a conhecer, numa parceria com o Instituto Cervantes, a obra do realizador cubano Titón, que será representa pela sua ex-mulher e uma figura icónico do seu país, Mirta Ibarra."

 

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Duas grandes apostas em português de Pessoa

 

Comparativamente ao cinema brasileiro, Portugal é de uma produção mais pequena, mas não é por isso que deixará de estar representado nesta oitava edição do FESTin. O festival vai contar com duas antestreias lisboetas, "dois excelentes exemplares de cinema português", afirma Roni Nunes. Integrados na Competição e vincadamente lusitanos estão Uma Vida à Espera, o regresso de "um realizador experiente na televisão, Sérgio Graciano, investindo num registo completamente diferente, onde Miguel Borges vive um sem-abrigo", e A Floresta das Almas Perdidas, de José Pedro Lopes, "uma bela mistura de cinema de género, neste caso o terror, com arthouse – tendo como ponto de partida uma floresta conhecida por ser um lugar procurado pelos suicidas".

 

Em contrapartida e questionado sobre a produção dos outros seis filmes de língua portuguesa que compõem este octógono cinematográfico, o programador referiu que "o cinema africano em língua portuguesa tem sido muito difícil de encontrar e as nossas solicitações nem sempre são atendidas com celeridade. Alguns destes países não têm indústria, outras aparecem com projectos de forma intermitente. E há países importantes na lusofonia onde a cultura é mesmo um alvo a abater. Ainda assim temos alguns projectos nas secções de curta-metragem e documentário"

 

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publicado por Hugo Gomes às 09:34
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27.2.17

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City of Stars ecoa como um hino de derrota, uma triste melodia que protagonizou um dos (se não o) momento mais caricato da cerimónia e da História dos Óscares. Segundo consta, o erro esteve num envelope equivocado, um erro descoberto tarde demais, no preciso momento em que a equipa do musical discursava os seus agradecimentos. O prémio máximo acabaria por ser entregue a Moonlight, a resposta mais marginal às luzes e sons de La La Land. Durante alguns segundos, o musical mais amado/odiado da actualidade converteu se num filme de compaixão, até porque se livrou da maldição do Óscar, e essa mesmo abateu-se na obra de Barry Jenkins. Só o tempo dirá o que esta "valorização" vai significar.

 

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Como sabem, a estatuetas douradas não são  mais que meras representações de consenso oriundo de votantes, que, sabe-se lá de onde, adoram sentir-se humilhados com as declarações anónimas para a The Hollywood Reporter. Ao ver essas publicações, percebemos que de consciência crítica, esse grupo raramente o possui. É tudo uma questão de gosto, e até que ponto os separa do mais mundano espectador? Aliás, filmes como Hacksaw Ridge nunca teriam lugar numa lista composta pelos suposto "melhores do ano" … Reformulando, nenhum daqueles nomeados merecia tais títulos, mas isso é outra conversa.

 

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Se o final foi inesperado, até mesmo para quem contava com a vitória de Moonlight nesta noite de "cartadas políticas" e de pouco cinema, o resto da cerimónia foi de puro tédio. Para além da previsibilidade, ainda tivemos que contar com a perpetuação de uma certo conformismo, e destaco, obviamente,  dois Óscares em particular. O primeiro, o de Melhor Animação, onde numa lista composta por três formidáveis exemplares, longe dos grandes estúdios, a Academia se vergou perante a trivialidade de Zootopia. Parece que a Disney continua a possuir o seu peso nas decisões dos votantes. Já o segundo, foi o desperdiçar de uma oportunidade de fazer certo, o de entregar o prémio a Isabelle Huppert pelo seu desempenho em Elle, aquele "murro no estômago" de Paul Verhoeven. Nesta decisão foi o "sangue novo" que persistiu, como sempre, e Emma Stone conseguiu erguer o troféu com graça. Porém, a tristeza sentiu-se do outro lado.

 

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Resumindo a noite, Moonlight ganhou … ganhou, mas a sua vitória saiu ridicularizada, e triste. Será que alguém se lembrará do filme sem o associar a este "estranho" episódio? E até que ponto a sua vitória, não foi a vitória do politicamente correcto? De momento, iremos deixar o ódio, muitas vezes, irracional que La La Land parece ter tecido antes dos Óscares, e esperar qual destes filmes terá o "privilégio" de ser relembrado como "aquele que definitivamente merecia a estatueta". 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:29
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26.2.17

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Filme: Julgo que o prémio mais cobiçado da cerimónia sairá para Moonlight, somente por questões politicas, visto que a obra de Barry Jenkins aborda uma minoria que tende em ser desprezada neste tipo de prémios. Outro factor, tem sido a fustigação que La La Land, outrora favorito ao prémio máximo, recebe diariamente da imprensa que em tempos o fez tornar num dos favoritos da noite. A má publicidade não dá tréguas.

 

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Não encontro nenhum dos nomeados que mereça o título de Melhor Filme, este ano, sobretudo, os escolhidos estão muito aquém do melhor que Hollywood já produziu e dois deles, bem poderiam figurar na lista de piores do ano. Esses são Hacksaw Ridge, o embuste bélico de Mel Gibson. É estranho para uma cerimónia preocupada em statment políticos decide nomear um filme que propaga uma mensagem de ódio, e Arrival, que evidencia um argumento "frankenstein" e pouco coeso. Merecedor? O meu favorito da lista é aquele que tem menos probabilidades de vencer, Hell or High Water, um anti-western que exorciza uma América à deriva.

 

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Realizador: Barry Jenkins e o seu Moonlight vão levar o prémio desejado desta noite. Mas Damien Chazelle também tem as suas hipóteses, e diga-se por passagem, o seu trabalho em La La Land é merecedor de tal estatueta. Enquanto isso, Mel Gibson entre os nomeados é um dos grandes mistérios do cinema recente.

 

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Ator: Denzel Washington levará o prémio esta noite, tudo porque o caso de assédio sexual mal abafado poderá prejudicar a "glória" de Casey Affleck, visto como o grande favorito. Este último não era uma má escolha, até porque o underacting é diversas vezes subvalorizado para a Academia. Também não ficaria desolado em ver o prémio a seguir para as mãos de Viggo Mortensen, o melhor num filme completamente ingénuo.

 

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Atriz: Emma Stone brilha em Hollywood, e este adora premiar "sangue novo", porém, Isabelle Huppert tem a sua fatia de hipóteses. Quanto a méritos, Huppert é o único Óscar de interpretar que desejo ver a ser atribuído. A atriz francesa tem sido implacável no seu empenho num filme tão ousado para o panorama politicamente correto que se vive.

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:42
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Morreu Bill Paxton, actor conhecido por filmes como Titanic, Aliens e Simple Plan, não sobreviveu a um procedimento cirúrgico. Tinha 61 anos.

 

"It's gamer over, man. It's game over" uma das frases mais emblemáticas da segunda tomada de Alien, e que pertence a um dos actores mais requisitados de James Cameron. Nascido a 17 de Maio de 1955 em Fort Worth, no Texas, Paxton arrancou na sua carreira cinematográfica como figurinista na New World Pictures de Roger Corman. A sua primeira longa-metragem foi Stripes (1981), com um pequeno papel ao lado de Bill Murray e John Candy, depois seguiu-se o terror Night Warning (1982), The Lord of Discipline (1983), a adaptação de William S. Burroughs, Taking Tiger Mountain (1983), e Streets of Fire (1984).

 

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Em 1984, surge a sua primeira colaboração com Cameron, onde o actor desempenhou um delinquente punk em Terminator, a dupla regressa passados 2 anos, com Aliens. Outras colaborações foram com True Lies (1994) e, com um papel mais relevante, em Titanic (1997).

 

Outros filmes importantes da sua carreira são Predator 2 (1990), Tombstone (1993), Apollo 13 (1995), Twister (1996), A Simple Plan (1998), Vertical Limit (2000) e a série televisiva da Marvel, S.H.I.E.L.D. Entre os trabalhos que deixa ainda por estrear encontra-se O Círculo, um thriller de ficção cientifica onde desempenha o papel de pai de Emma Watson.

 

Bill Paxton (1955 - 2017)

 


publicado por Hugo Gomes às 15:59
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25.2.17

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Ofuscado pelas sombras das produções maiores!

 

Desde o primeiro momento de The Age of Shadows (A Idade das Sombras), sentimos a grandiloquência da produção, da câmara que anseia libertar-se e "mapear" todo o cenário até ao último canto e recanto, a atmosfera que se adensa e deixa-nos encurralados, até ao tom de conflito que parece evidentemente "explodir". Tudo isto, é evidente só nos primeiros dez minutos, antes da entrada do título que funciona como um pontapé de saída para este thriller de espionagem pretensioso e dotado de rigor histórico.

 

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O que está em causa é mesmo isso, o rigor que não deixa o filme respirar com a sua requerida e devida liberdade. É imperativamente controlado como qualquer criação de laboratório, cronometrado e registado desde o primeiro até ao último momento. A Idade das Sombras fica mais fraco com isso, com um storytelling de estufa e personagens que correm sem o mínimo pingo de motivação. Mas a grande desilusão encontra-se nos créditos. Kim Jee-won assina a obra, um dos nomes mais importantes do cinema sul-coreano actual (responsável por obras impares como The Tale of Two Sisters e do ambíguo moralmente I Saw the Devil), mais aqui encontramos o seu cinema profundamente irreconhecível. O autor saiu-se vencido perante uma produção maior que ele próprio, e uma pretensão de exercer o mais ocidental dos seus filmes, quer em termos narrativos quer até mesmo estilísticos. O episódio cede assim a esta "mornice" autoral, demasiado esquemático, atrapalhado, vazio, embora igualmente belo e profissional.

 

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Pontos altos? O actor Kang-ho Song a converter-se na força motora emocional da intriga e a ambiguidade política que nunca encontra conforto na dita propaganda ideológica. A história de resistência ao Império do Sol Nascente, e a imensas bifurcações de traição e infiltração, convocou A Idade das Sombras para o lugar de candidato sul-coreano aos Óscares de 2016, e, nota-se, diga-se de passagem, o esforço em agradar às audiências "gringas".

 

Filme visualizado no âmbito da 37ª edição do Fantasporto: Festival Internacional de Cinema do Porto

 

Real.: Kim Jee-won / Int.: Byung-hun Lee, Yoo Gong, Kang-ho Song

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 17:30
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Diversos grupos Anti-LGBTQ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros, e Queers) tem-se revoltado contra a mais recente incursão cinematográfica da LEGO. O filme The LEGO Batman tem sido acusado de possuir propaganda pró-gay.   

 

Todo este aparato começou com um crítico da Voice of Family, um site católico direccionado à preservação dos valores familiares conforme a crença cristã. Este crítico, John-Henry Western, afirmou que o filme era regido por diversos elementos homossexuais. De seguida, Michael Hamilton, da PJ Media, inúmera os respectivos elementos, como os gags que remexem na rivalidade entre Batman e Joker serem plenos de homoerotismo. A sequência onde Robin, após ter sido adoptado por Bruce Wayne, mas que, desconhecendo o seu alter-ego, aclamando radiosamente ter "dois pais", é vista como uma promoção à "adopção gay".  

 

Apesar da comoção, The LEGO Batman é já um dos maiores êxitos da primeira temporada de 2017, arrecadando, até ao momento, mais de 180 milhões de dólares e superando a sequela de Fifty Shades of Grey (Cinquenta Sombras de Grey) em território norte-americano. 

 

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publicado por Hugo Gomes às 13:57
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24.2.17

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O thriller sul-coreano The Age of Shadows (A Idade das Sombras) abre a selecção oficial do 37º Fantasporto: Festival Internacional de Cinema do Porto, uma edição que visa em apostar fortemente no cinema asiático e argentino.

 

O filme de abertura é exemplo dessa mesma aposta cultural, uma obra de espionagem que transporta o espectador para os anos de 1920, numa Coreia sobre o domínio japonês, e uma resistência que surge nas sombras com o intuito de proclamar a sua liberdade. Dirigido por Kim Jee-Woon, um nome não desconhecido para qualquer cinéfilo atento à produção oriental (o responsável pelo culto de I Saw the Devil, A Tale of Two Sisters e The Good, the Bad, the Weird), concede um filme de grandiloquência técnica e rigor na reconstituição histórica. Foi o candidato sul-coreano aos Óscares.

 

A decorrer até dia 4 de Março no Teatro Rivoli, o Fantasporto orgulha-se de presentear o público com as mais recentes novidades do cinema fantástico, assim como cinema português. No leque nacional, contaremos com as antestreias de A Ilha dos Cães, de Jorge António, o último trabalho do actor Nicolau Breyner no grande ecrã; Comboio de Sal e Açúcar, de Licinio Azevedo; e A Floresta das Almas Perdidas, de José Pedro Lopes, um raro exercício de terror no nosso panorama cinematográfico. O filme, livremente baseado numa floresta japonesa com alto índice de suicídios, transcreve a melancolia e o infortúnio como patologias psicóticas.  

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:53
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23.2.17

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Cinzento e Negro, de Luís Filipe Rocha, foi o filme mais nomeado à edição 2017 dos prémios Sophia, atribuídos pela Academia Portuguesa de Cinema. Com 13 nomeações, a obra é acompanhada na indicação a Melhor Filme por Cartas da Guerra (10 nomeações), A Mãe é que Sabe (11 nomeações) e Estive em Lisboa e lembrei de você (2 nomeações).

 

A divulgação dos nomeados, que esteve a cargo de Soraia Chaves e Albano Jerónimo, antecedeu a cerimónia de entrega dos Prémios Sophia 2017 que decorre no dia 22 de Março, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa

 

O actor Ruy de Carvalho será laureado com o Sophia de Excelência e Mérito, o segundo entregue pela Academia. Recorda-se que o primeiro seguiu para Manoel de Oliveira.

 

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Melhor Filme
Cartas da Guerra
Cinzento e Negro
A Mãe é que Sabe
Estive em Lisboa e lembrei de você

 

Melhor Ator Principal

Miguel Borges – Cinzento e Negro
Filipe Duarte – Cinzento e Negro
Miguel Nunes – Cartas da Guerra
Albano Jerónimo – Gelo

 

Melhor Atriz Principal

Joana Bárcia – Cinzento e Negro
Margarida Vila-Nova – Cartas da Guerra
Ivana Baquero – Gelo
Ana Padrão – Jogo de Damas

 

Melhor Ator Secundário

Carlos Santos – A Mãe é que Sabe
Adriano Carvalho – A Mãe é que Sabe
Adriano Luz – John From
Ivo Canelas – Gelo

 

Melhor Atriz Secundária

Inês Castel-Branco – Gelo
Camila Amado – Cinzento e Negro
Manuela Maria – A Mãe é que Sabe
Dalila Carmo – A Mãe é que Sabe

 

Melhor Argumento Original

Luís Filipe Rocha - Cinzento e Negro
Luís Galvão Teles, Gonçalo Galvão Teles e Luís Diogo - Gelo
Mário Botequilha, José Fonseca e Costa - Axilas
Roberto Pereira, Nuno Rocha - A Mãe é que Sabe

 

Melhor Argumento Adaptado

Ivo M. Ferreira, Edgar Medina - Cartas da Guerra
Hugo Vieira da Silva - Posto-Avançado do Progresso
José Barahona - Estive em Lisboa e Lembrei de Você
Julia Roy - Até Nunca

 

Melhor Realizador

José Fonseca e Costa - Axilas
Luís Filipe Rocha - Cinzento e Negro
Ivo M. Ferreira - Cartas da Guerra
Nuno Rocha - A Mãe é que Sabe

 

Melhor Direção de Fotografia

André Szankowski - Cinzento e Negro
Luís Branquinho- A Mãe é que Sabe
João Ribeiro - Cartas da Guerra
Rui Poças - O Ornitólogo

 

Melhor Maquilhagem e Cabelos

Ana Lorena, Natália Bogalho - Axilas
Sandra Pinto - Cinzento e Negro
Nuno Esteves "Blue" e Nuno Mendes - Cartas da Guerra
Emanuelle Fèvre, Iracema Machado - Gelo

 

Melhor Som

Ricardo Leal - Cartas da Guerra
Carlos Alberto Lopes, Elsa Ferreira - Cinzento e Negro
Olivier Blanc, Branko Neskov - Gelo
Pedro Melo, Tiago Raposinho e Tiago Matos - A Mãe é que Sabe

 

Melhor Guarda-Roupa

Lucha d'Orey - Cartas da Guerra
Isabel Branco - Cinzento e Negro
Ana Paula Rocha e Sílvia Siopa - Gelo
Mia Lourenço - A Mãe é que Sabe

 

Melhor Montagem

Sandro Aguilar - Cartas da Guerra
António Pérez Reina - Cinzento e Negro
Pedro Ribeiro - Gelo
Paula Miranda - A Mãe é que Sabe

 

Melhor Banda Sonora Original

Mário Laginha - Cinzento e Negro
Filipe Raposo - Refrigerantes e Canções de Amor
The Red Trio e Norberto Lobo - Aqui, em Lisboa – Episódios da Vida de Uma Cidade
Nuno Malô - A Canção de Lisboa

 

Melhor Canção Original

Será Amor – composição de Miguel Araújo - Canção de Lisboa
Refrigerantes e Canções de Amor, letra Sérgio Godinho e música Filipe Raposo - Refrigerantes e Canções de Amor
Balada para uma dinossaura, letra e musíca João Tempera - Refrigerante e Canções de Amor
Sobe o Calor – letra de Sérgio Godinho e música Filipe Raposo - Refrigerantes e Canções de Amor

 

Melhor Documentário em Longa-Metragem

Mudar de Vida, José Mário Branco, vida e obra - Nelson Guerreiro, Pedro Fidalgo
O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu - João Botelho 
A Toca do Lobo - Catarina Mourão
Rio Corgo - Sérgio da Costa, Maya Kosa

 

Prémio Sophia Estudante

Marvin's Island - António Vieira, Filipa Burmester, Pedro Oliveira
A Instalação do Medo - Ricardo Leite
Post-Mortem - Belmiro Ribeiro
Pronto, era Assim - Joana Nogueira e Patrícia Rodrigues

 

Melhor Curta-Metragem de Ficção

Menina - Simão Cayatte
Bastien - Welket Bungué
A Brief History Of Princess X - Gabriel Abrantes
Campo De Víboras - Cristèle Alves Meira

 

Melhor Curta-Metragem de Animação

Estilhaços - José Miguel Ribeiro
Fim De Linha - Paulo D'Alva
Última Chamada - Sara Barbas
A Casa Ou Máquina De Habitar - Catarina Romano

 

Melhor Documentário em Curta-Metragem

A Vossa Terra - João Mário Grilo
Balada de um Batráquio - Leonor Teles
António, Lindo António - Ana Maria Gomes
Portugueses do Soho - Ana Ventura Miranda

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:02
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19.2.17

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A curta-metragem Onde foi a Minha Sorte, de Pedro Gonçalves, triunfou na Competição Nacional do 7º Festival Córtex, que ocorreu no Centro Olga do Cadaval, em Sintra, entre os dias 16 a 19 de Fevereiro. Segundo as palavras do júri, "Começar a fazer filmes tem a ver com viver medos e aprender a ser certeiro, mesmo quando não se sabe nada do que aí vem. Este filme é isso: a força do começo. A criança, a ferida escondida, a energia no chuto bola. Esta força do começo trás-nos a nós a alegria de descobrir imaginações jovens que têm a seriedade de assumir que querem filmar".


Composto pelas actrizes Leonor Silveira e Anabela Moreira, a realizadora Cláudia Varejão, a directora e programadora do Doclisboa, Cintia Gil e o director de fotografia, Vasco Viana, o júri ainda elegeu o alemão Nach dem Spiel (After Play), de Aline Chukwuedo, como o melhor da Competição Internacional. O sul-coreano The Chicken of Wuzuh, de Sungbin Byun, foi distinguido com a menção honrosa


Já na secção Mini-Córtex, destinados a filmes para o público infantil, foi premiado a curta de animação norte-americana, True Colors, da realizadora Nicole Morconiec. Enquanto isso, O Campo de Víboras, de Cristèle Alves Meira, recebe o Prémio do Público.

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:24
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Foi revelado o trailer do novo filme de Lucrecia Martel (A Mulher Sem Cabeça), Zama, um projecto que se arrasta há vários anos e que possui financiamento de diversas produtoras.

 

Adaptação da novela histórica de 1954 da autoria de Antonio Di Benedetto, Zama seguirá a longa espera de Diego di Zama, um oficial da Coroa Espanhola que serve a Assunção do Paraguai, e que eventualmente será transferido para Buenos Aires. O filme seguirá esse momento de ansiedade, pelo meio surgirá a caçada a um perigoso bandido.

 

Zama contará ainda com a fotografia do português Rui Poças, que já havia colaborado com Miguel Gomes (Tabu) e João Pedro Rodrigues (O Fantasma). O filme tem estreia para este ano, com passagem prevista para o Festival de Cannes.

 

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:01
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18.2.17

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Urso de Ouro: On Body and Soul, de Ildikó Enyedi (Hungria)
Grande Prémio do Júri: Félicité, de Alain Gomis
Realizador: Aki Kaurismäki (The Other Side of Hope)
Argumento: Sebastián Lelio e Gonzalo Maza por Una Mujer Fantástica
Troféu Alfred Bauer (inovação de linguagem): Spoor, de Agnieszka Holland
Actriz: Kim Monhee (On The Beach At Night Alone)
Actor: Georg Friedrich (Bright Nights)
Contribuição Artística: a montadora Dana Bunescu, pela edição de Ana, Mon Amour

 

Nota para Cidade Pequena, de Diogo Costa Amarante, que é premiado com o Urso de Ouro de Melhor Curta-Metragem. É o segundo ano consecutivo que Portugal vence nesta categoria, sucedendo assim à Balada de Batráquios, de Leonor Teles.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:48
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Samuel L. Jackson poderá envolver-se na sequela de Split, o mais recente êxito de M. Night Shyamalan. A possibilidade seguiu do próprio actor ao site Collider
 
Segundo o actor, Shyamalan o desafiou a ver o seu novo filme. O resultado desse visionamento levou-o a responder ao realizador com "Ok, isto significa aquilo que penso que significa?". O ator sempre revelara desejo de voltar a trabalhar com Shyamalan, principalmente na sequela de um dos seus maiores sucessos, Unbreakable (O Protegido).
 
Fragmentado é um thriller envolto de um homem com 23 personalidades, cujas suas entidades mais negras e sádicas, o levam a raptar três adolescentes. O filme contou com um orçamento de 9 milhões de dólares e que já se aproxima dos 170 milhões de dólares em receitas globalmente, tem tido uma boa receção por parte da crítica. 
 
Há uma semana atrás, por via Twitter, Shyamalan deixou no ar que o seu próximo projeto vai expandir o universo de Split: «Eu tenho um esboço de 11 páginas para o meu próximo filme. Eu não posso dizer qual é, mas se você já viu #Split ..
 
 

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*** Aviso de spoilers ***
 
O final revelou que Split é um filme de origem do próximo vilão de David Dunn, a personagem de Bruce Willis em O Protegido, o outro êxito de M. Night Shyamalan. Feita as contas, a sequela de Split será igualmente uma continuação de O Protegido, e Samuel L. Jackson poderá repetir o papel de Mr. Glass, o primeiro vilão de David Dunn.
 
 
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publicado por Hugo Gomes às 01:49
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Segundo o The Hollywood Reporter, o realizador Matt Reeves afastou-se do novo filme da saga Batman. Ainda não se sabe ao certo as razões que levaram este afastamento, pois as fontes próximas do estúdio apenas falam de um "fracasso nas negociações". O realizador de Cloverfield e dos dois últimos filmes da série Planeta dos Macacos (War of the Planet of the Apes tem estreia prevista para Julho deste ano) era tido como um dos favoritos na corrida para a direcção deste projecto.

 

Ben Affleck estava inicialmente encarregue de levar Batman novamente ao cinema, acabando por dispensar o cargo, segundo o próprio, para inteiramente dedicar-se ao papel do "Cavaleiro das Trevas". O actor havia afirmado: "existem certas personagens que se encontram bem fundo no coração de milhões. Para  este papel é necessário dedicação, e sobretudo paixão para trazer o melhor desempenho possível. O que tornou-se claro que não conseguiria fazê-lo se exercesse os dois cargos. Juntamente com o estúdio, decidi procurar um parceiro para colaborar comigo neste massivo projecto".

 

O The Hollywood Reporter avança ainda com outros nomes para possíveis substitutos, como Ridley Scott e Fede Alvarez (Don't Breathe). Mesmo assim, o filme tem estreia prevista para 2018.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:05
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17.2.17

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Não se metam com o John Wick, segunda parte!

 

Depois da velha cantiga de "homem de barba rija" que o antecessor possuía (aquela psicologia barata de que um homem não pode nutrir sentimentos por um animal, condenou a simplicidade da acção em um statement a uma fantasia de masculinidade), esta sequela avança num tom despreocupado, mas igualmente estilizado e quase ritualista perante uma subversiva distopia.

 

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Não há que enganar, este é o produto de acção do cinema recente que mais próximo se encontra do fenómeno Matrix (e não é só pelos ajuntamentos de Keanu Reeves e Laurence Fishburne que replicam aqui diálogos de "pílulas", neste caso concreto, decisões). É a manipulação da realidade, traiçoeira à nossa percepção que funcionou como o melhor elemento do primeiro filme, e aqui o trunfo desta sequela de agenda. O submundo de hitmans, altamente organizados por oligarquias e regras sob regras, contratos e até poder monetário próprio, a relevância desta camada no quotidiano que julgávamos ser … simplesmente o "nosso" quotidiano, reflectem, como é figurado numa das sua sequências de acção, na alma deste projecto.

 

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A Reeves é devolvido a sua aura de herói de acção, o protótipo evolutivo da imagem estendida dos anos 90 até à transição do novo século. Este John Wick é o novo Neo, o herói de acção dedicado a uma geração habitualmente pobre nesse registo. Esta "sequelite" serve como um upgrade elegante ao primeiro tiro de 2014, que igualmente não foge das evidentes cuspidas dramaticamente "enfáticas" que tentam atribuir um teor de tragédia a este assassino em saldos em constante "vicio de vingança".

 

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Como continuação, largando as amarras introdutórias, Chapter 2 opera, sem intervalos, num ensaio de pancada que salienta, sobretudo, as mestrias da edição e da coordenação entre cenas. Chad Stahelski, o realizador que ficou, declara amor a Matrix e o legado deixado por esse frenesim cyberpunk dos irmãos Wachowsky no cinema de género (com isto, sem nunca requisitar o "bullet time" e outros maneirismos estilísticos). O tributo é feito na recriação da a sua filosofia de pacotilha, envolvida numa ode à violência hiperactiva e a adrenalinas artificialmente induzidas, assim como referências visuais (Reeves e McShane dialogando na praça, tem tanto de Neo e Oráculo).

 

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Contudo, as menções não terminam aqui, Chapter 2 reserva-nos uma homenagem directa a um dos mais letais e tenebrosos assassinos do Cinema, Django, com a entrada de Franco Nero em cena. Vendo bem as contas, porque não encarar esta nova personagem de Keanu Reeves como um "prodígio" sanguíneo da célebre encarnação de Franco Nero?  

 

"You stabbed the devil in the back. To him this isn't vengeance, this is justice."

 

Real.: Chad Stahelski / Int.: Keanu Reeves, Riccardo Scamarcio, Ian McShane, Franco Nero, Ruby Rose, John Leguizamo, Laurence Fishburne, Common, Claudia Gerini

 

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5/10
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publicado por Hugo Gomes às 11:57
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16.2.17

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Há uma muralha que separa Yimou Zhang do seu cinema!

 

Existe uma linha directa que une este megalómano blockbuster chinês com o mais recente filme de Jia Zhang-ke, Mountains May Depart (Se As Montanhas Afastam). É tudo uma questão de identidade, e a China tem sido uma das civilizações mais fustigadas pela injecção ocidental e globalizada dos tempos que decorrem. No referido de Zhang-ke, num futuro próximo, existirão escolas para reabilitação da cultura chinesa, onde chineses estudam para ser chineses e manter vivo as suas heranças.

 

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Em The Great Wall (A Grande Muralha), a produção mais cara até à data em território chinês, é um exemplo de como o cinema, por vias de chegar a um vasto leque de audiências, abdica da sua essência hereditária em prol de um espectáculo contagiado pelo modus operandi dos grandes estúdios norte-americanos. O mais frustrante desta experiência é o nome Yimou Zhang surgir nos créditos. O realizador de épicos chineses como Hero e House of Flying Daggers, revela a sua fascinação pelo luxuoso e pelo pomposo, mas "vende a sua alma ao Diabo". É um realizador convertido ao anonimato, tecendo uma câmara imparável que nunca em momento algum deseja "descansar" (aprendendo os tiques de um Michael Bay, por exemplo) e pela artificialidade com que esta narrativa tende em recriar.

 

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No geral, esquecendo de nomes, A Grande Muralha é de uma ciência básica no storytelling, requisitando estrelas internacionais para induzir conteúdo mitológico a audiências habituadas à linguagem do cinema blockbuster. Tal, como manda esses contratos "faustianos", esta produção cede-se aos lugares-comuns, ao humor ligeiro de puro comic relief (encarregue por Pedro Pascal), à submissão dos efeitos visuais e a um argumento de uma imaginação pobre e preguiçosa. Em terras do wuxia faz-se "coisas" destas. Resultaria, se não fosse tão desprovido do efeito série B. No fim de contas, Jia Zhang-ke é que tinha razão, a identidade é valiosa, mas igualmente frágil.

 

Real.: Yimou Zhang / Int.: Matt Damon, Tian Jing, Willem Dafoe, Pedro Pascal, Andy Lau

 

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4/10
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publicado por Hugo Gomes às 12:22
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15.2.17

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Será que ainda ecoa o "Lust for Life"?

 

"És um turista no teu próprio passado", quem nunca sentiu tal saudosismo a apoderar-se no nosso ser, não sabe decerto o que é ser humano. As recordações guardadas soam como parasitas que nos esventram lentamente e, após a sua embusteira liberdade, nos acarretam por tempos vividos sob a sombra de um passado longínquo.

 

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Como diz o ditado popular, "o tempo não volta atrás" e Danny Boyle sofre exactamente desse mal, dessa tendência de olhar para antecedentes, de se assumir como o turista na sua própria carreira. Nada contra a essa nostalgia que nos faz reflectir o que somos e o que seremos, porém, o nosso Boyle deveria mentalizar que ele próprio mudou, a jovialidade foi-se, o toque anarquista e despreocupado são agora meras ilusões ópticas, o "choose life" em tempos de discórdia converteu-se num slogan de campanhas de marketing. Não se trata da advertência "não voltes ao lugar onde foste feliz", mas sim "não voltes ao ponto em que te reinventaste"e Trainspotting (1996) foi esse mesmo marco.

 

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Passados 20 anos, eis um retorno a estas personagens "miseráveis", a estes misfits que nos conduziram aos becos fechados da podridão humana, agora sob as inspirações do livro Porno, de Irvine Welsh. Quem não se lembra da pior casa de banho de toda a Escócia? Com T2 (não, não é a sequela de Terminator) somos inseridos a um ato de réplica, desprovido da anterior desarrumação (que segundo as personagens é um sinal de masculinidade) e apenas aceite como qualquer nostalgia mercantil que hoje parece abundar nesta indústria. Mas o ensaio underground está infectado (sentimos o cheiro da emocionalidade bacoca) pela negritude dramática dos trabalhos posteriores de Boyle e um happy ending do típico estilo crowd pleasure.

 

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Provavelmente, o problema não está nesta "nova" reinvenção com foco nas glórias passadas, mas no regimento dos planos: "primeiro vem a oportunidade, depois a traição". Pois bem, Danny Boyle teve a sua chance, só que vergou num processo de auto-traição, até porque o "gosto", evidenciado no momento em que Renton (EwanMcGregor) tenta reconfortar-se na sua velha colecção de vinis, tem a irritante tendência de alterar. 

 

"It's just nostalgia! You're a tourist in your own youth. We were young; bad things happened."

 

Real.: Danny Boyle / Int.: Ewan McGregor, Ewen Bremner, Jonny Lee Miller, Robert Carlyle

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 18:28
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