Data
Título
Take
16.6.17

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Sexta-Feira 13, assassinos mascarados, "scream queens", temos todos os elementos para mais uma slasher movie a estrear nos nossos cinemas em tempo de Halloween, mas Happy Death Day tem um contraponto - a nossa protagonista terá reviver a sua própria morte de forma repetitiva.

 

Dirigido por Christopher Landon (Scouts Guide to the Zombie Apocalypse) e com produção da Blumhouse (Get Out, Insidious), Happy Death Day tem sido descrito pela imprensa norte-americana como uma versão mórbida de Groundhog Day (O Feitiço do Tempo). Jessica Rothe (La La Land), Israel Broussard (Bling Ring), Ruby Modine (da série Shameless) e Rachel Matthews compõem o elenco.

 


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publicado por Hugo Gomes às 14:06
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15.6.17

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The Third Man (Carol Reed, 1949)

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:38
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14.6.17

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Apesar do êxito financeiro, a saga Fifty Shades of Grey (Cinquenta Sombras de Grey) tem estado bastante longe da aclamação geral, a crítica o despreza e o público, maioritariamente ridiculariza-os (um pouco à imagem do anterior Twilight). Mas curiosamente, existe alguém que parece encontrar-se arrependido quanto à sua experiência nesta adaptação do conto erótico de E.L. James. E essa pessoa, é nada mais, nada menos, que Sam Taylor-Johnson, a realizadora do primeiro filme do franchise.

 

Até há algumas semanas, Taylor-Johnson detinha o título de realizadora com Melhor Box-Office. Título, esse, que iria ser superado pela Patty Jenkins e a sua Wonder Woman. Contudo, Cinquenta Sombras de Grey conseguiu uns impressionantes 570 milhões de dólares mundiais, chegando mesmo a superar a sequela que de momento só fizera 378 milhões.

 

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Numa entrevista à The Sunday Times, a realizador chegou mesmo a afirmar que se pudesse voltar atrás nunca teria aceitado o cargo na direcção do projecto, considerando mesmo que seria “maluca” se o fizesse. O seu arrependimento advém, sobretudo, dos conflitos que obtiveram durante a produção, principalmente com a escritora E.L. James que pretendia maior controlo na longa-metragem.  

 

Foi uma luta, houve muitos tête-à-têtes, e eu tentava leva-lo para o lugar [certo]. Gosto de toda a gente e fico realmente confusa quando eles não gostam de mim. Fiquei tão confusa com E.L. James. Não entendo quando não consigo dar-me com uma pessoa, não há simplesmente sinergia.”

 

Questionada se teria algum interesse de acompanhar o andamento da saga, Taylor-Johnson resumiu em poucas palavras: “Nem sequer vou vê-los. O meu interesse é zero”.

 

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No final das contas, Taylor-Johnson saiu da saga, tendo sido substituída por James Foley que assinou o segundo e ainda o inédito terceiro e derradeiro filme. Niall Leonard, o marido da própria escritora E.L. James, tornou-se no novo argumentista. Enquanto isso, a realizadora apenas filmou dois episódios de Gipsy, uma série da Netflix ainda por ser lançada, e prepara um novo projeto com o seu marido, o actor Aaron Taylor-Johnson.

 

Fifty Shades Freed (Cinquentas Sombras Livres) tem estreia prevista para Fevereiro de 2018.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:10
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13.6.17

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Eis o primeiro trailer da nova versão de Flatliners (Linha Mortal), o êxito de Joel Schumacher que colocava o actor Kiefer Sutherland ao lado de William Baldwin, Kevin Bacon e Julia Roberts a «brincarem» com a morte.

 

Recordamos que no filme seguimos cinco estudantes de medicina que decidem realizar experiências científicas em si próprios, no intuito de determinar se há algo para além da morte. Clinicamente mortos, eles experienciam (um de cada vez) as lembranças traumáticas do passado, antes de serem reanimados.

 

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Ellen Page, Diego Luna, Nina Dobrev, James Norton, Kiersey Clemens e o retornado Kiefer Sutherland estarão no elenco. Ben Ripley, responsável por Source Code (Código Base), escreveu o argumento, e Niels Arden Oplev – realizador da versão sueca de Millennium - toma as rédeas do projecto.

 

O filme tem estreia marcada para Setembro deste ano.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:10
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11.6.17

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Dick Tracy: No grief for Lips?

Breathless Mahoney: I'm wearing black underwear.

Dick Tracy: You know, it's legal for me to take you down to the station and sweat it out of you under the lights.

Breathless Mahoney: I sweat a lot better in the dark.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 01:16
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10.6.17

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Morreu Adam West, o actor que ficou célebre como o Batman / Bruce Wayne da série televisiva dos anos 60. Faleceu na noite de Sexta-Feira (09/06), em Los Angeles, tinha 88 anos.

 

Nascido em Washington, EUA, a 19 de Setembro de 1928, William West Anderson licenciou-se em literatura e psicologia e começou no mercado de trabalho como disco jockey numa estação de radio local. Integrou na televisão, pela primeira vez em 1954, com a série The Philco Television Playhouse. Desde então tem intercalado a carreira com o pequeno e grande ecrã, nesta última, tendo grande estreia no drama Milionários de Filadélfia (The Young Philadelphians, 1959), com Paul Newman e Barbara Rush no elenco principal.

 

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Mas o grande salto de West deu-se em Batman, a popular série camp que originou um filme em 1966 e ainda uma curta, onde o “cavaleiro das trevas” uniria forças com Batgirl. Desde então a sua presença tornou-se mais que habitual em ambos as plataformas, tendo como adição as constantes participações nas animações. O actor tornou-se num símbolo de jubilo e de loucura, e a sua homónima personagem na igualmente popular animação Family Guy é um exemplo disso.

 

Segundo a imprensa, Adam West faleceria em consequência da sua batalha contra a leucemia, pelo qual diagnosticado.

 

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Adam West (1928 – 2017)

 


publicado por Hugo Gomes às 17:22
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É-nos divulgado o primeiro trailer de Black Panther (Pantera Negra), a nova aventura da Marvel Studios agendado para 2018, com um dos seus heróis menos conhecidos a protagonizá-lo.

 

Black Panther surgiu pela primeira vez no MCU (Marvel Cinematic Universe) durante o conflito do Captain America: Civil War. Trata-se do alter-ego de T'Challa (Chadwick Boseman), príncipe da região de Wakanda (país fictício do continente africano) que protege os seus cidadãos através do seu "disfarce" e tecnologia de ponta.

 

Michael B. Jordan, Lupita Nyong'o, Forest Whitaker, Andy Serkis, Martin Freeman e Angela Bassett completam o elenco, enquanto Ryan Coogler (Creed) encontra-se instalado na cadeira de realizador. Estreia prevista para Fevereiro do próximo ano.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 12:04
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9.6.17

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Noites felizes, filmes tristes!

 

Despedidas de solteiros em comédias é a garantia de caos e leis de Murphy ao quadrado. Rough Night (com o estranho título traduzido de Girls Night) é o enésimo uso do lema: “um mal nunca vem só”, e não é preciso citar After Hours, de Scorsese, para automaticamente apercebermos de que filme se trata. O enredo centra-se num grupo de 5 amigas que partem para o “fim-da-semana das suas vidas” numa Miami em modo Spring Breakers. Por entre a diversão, noites vividas pela musicalidade, o álcool e a droga, a trupe mata acidentalmente um stripper. Resultado, há que livrarem-se do corpo e ocultar as provas, tarefa nada fácil visto que a postura das nossas meninas parece não ajudar nem por um bocadinho a situação.

 

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Não sigam nas cantigas quando se referem a este filme de Lucia Aniello como a “A Ressaca no feminino”, não convenhamos comparar a astúcia de um para a parvoíce do outro, e verdade seja dita, mesmo sob códigos femininos, as piadas não desgrudam do simples mau gosto. Primeiro, encontramos aqui um concentrado do pior das comédias de estúdio, de personagens bocejantes a dispositivos deus ex machina para facilitar resoluções, neste caso a justificar um homicídio.

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Rough Night recorre a essa violência e disfarça-a como uma piada prolongada, não se tratando propositadamente de humor negro, mas sim de um equívoco em relação ao “girls power”. Apelação do activismo físico e não ideológico, a vingança como ferramenta de “igualdade de géneros” e a descrição de um grupo social numa eterna busca pelo direito da diferença (e não o da integração). Tal como acontecera com o remake de Ghostbusters (sim aquele pseudo-politizado produto de 2016), não basta encher um filme de protagonistas-mulheres para automaticamente este converter-se num filme feminista. Não, basta saber expor as ideias, focar o problema e tecer a crítica necessária, ao mesmo tempo, desenvolver com alguma transparência e sinceramente as suas personagens.

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Confessamos, que nem nós sabemos o porquê de estarmos a referir isto tudo, tendo em conta que Rough Night é somente uma parvoíce (e que dispensa sexos). Nada mais que isso. Comédias há muitas, agora fazer rir … esse é que é o desafio.  

 

Real.: Lucia Aniello / Int.: Scarlett Johansson, Kate McKinnon, Zoë Kravitz, Paul W. Downs, Jillian Bell, Ilana Glazer, Ty Burrell, Demi Moore

 

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2/10
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publicado por Hugo Gomes às 17:51
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8.6.17

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Começo mumificado?

 

Monstros! Monstros em todo o lado, e sem a necessidade de pagar direitos de autor, é assim que a Universal Pictures lança o seu “Universo Partilhado” – Dark Universe – de forma a não ficar atrás dos outros case study de sucessos que se têm visto por aí, nomeadamente, a pioneiro e até à data, a melhor sucedida Marvel. Contudo, o curioso caso da Universal é um olhar de certa forma nostálgico ao seu registo monstruoso de criaturas e outras histórias clássicas que hoje integram o imaginário, directamente ou indirectamente, do espectador. Antes de toda esta confusão de crossovers e afins, a Universal já integrava os seus “universos partilhados”, era lobisomens contra frankensteins, vampiros contra qualquer coisa e, em casos específicos (como House of Frankenstein (Erle C. Kenton, 1944)), com todas estas figuras em modo boys band.

 

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Depois da era clássica, os direitos desta colectânea monstruosa começaram a dispersar por outros estúdios e produtoras, até porque os direitos encontravam-se vencidos, sendo que se tornou fácil a inserção dos mesmos, resultando assim, nas mais diversas versões dos “clássicos”. A Universal Pictures perdeu terreno, mas mesmo assim aventurou-se numa recuperação. Em 1999 conseguiria colocar a Múmia no topo do box-office, mesmo que a chamada “febre do Egipto” tenha desvanecido com o tempo. Sucessivamente surgiram sequelas e até mesmo spin-offs, com algum êxito financeiro, mas artisticamente nulos e, em certos casos, reduzidos à própria caricatura. Até mesmo o herói surgido neste franchise – Brendan Fraser – pareceu ter sido “mumificado” nos tempos pós-Múmia. Mas a Universal não descansou, eles queriam monstros, a ressurreição do seu legado.

 

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Em 2004 chega-nos Van Helsing, com Hugh Jackman, que simplificaria os desejos desse mercado. A história do célebre nemésis de Drácula foi igualmente “vaporizado” pela crítica, da mesma forma que fora pelo público. Com as notícias da concorrência em que os chamados universos partilhados eram fórmulas comprovadas “cientificamente”, a Universal, cada vez mais reduzida em termos de franchises, encontraria o dispositivo perfeito para esse consolidar de criaturas. Dracula Untold foi a experiência falhada, o falso-início que não convenceu nem sequer os produtores, mas é em A Múmia onde, por fim, nos deparamos com esta introdução.

 

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Sim, uma introdução, visto que Alex Kurtzman preocupa-se mais com a representação que as personagens podem ter neste Universo do que propriamente com a desenvolvimento destas figuras, e feita as contas, temos o enésimo blockbuster mecanizado, pronto a decorrer sem surpresas nem desfeitas. O terror é elementar, reduzido a jump scares e a sustos fáceis de terceira escola, a acção é implantada sem imaginação e Tom Cruise repete-se no seu papel de sempre. Ou seja, apesar dos efeitos e desta pré-construção de um Mundo próprio, A Múmia eleva-se como um entretenimento sem personalidade e reduzido a adereços de injecção instantânea. Mesmo que a argelina Sofia Boutella se comporta devidamente como o “monstro do título”, tudo o resto parece abandoná-la a favor de um filme pleno para todos.

 

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Todavia, o grande problema desta Múmia não está inteiramente no produto em si, mas sim na indústria omnipresente que agrega. É uma cópia dos modelos mercantis com todos os marcos que poderíamos "desejar" neste tipo de produções. É previsível, cumpre a sua agenda de forma aplicada e ainda transtorna os monstros que assustaram gerações passadas, escusado será dizer que teremos mais uns episódios para “aturar” num futuro próximo. Mas este começo é tudo menos relíquia, é pechisbeque.

 

"Welcome to a new world of gods and monsters."

 

Real.: Alex Kurtzman / Int.: Tom Cruise, Russel Crowe, Sofia Boutella, Annabelle Wallis, Jake Johnson

 

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4/10
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publicado por Hugo Gomes às 15:32
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7.6.17

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De maneira a poder financiar a pós-produção do seu novo projecto, Abdellatif Kechiche irá vender a Palma de Ouro, no qual foi laureado em Cannes de 2013.

 

O realizador franco-tunísio já filma desde o dia 8 de Setembro o intitulado Mektoub is Mektoub, baseado no livro de 2011, "La blessure, la vraie", de Antoine Bégaudeau. Contudo, segundo a Indiewire, Kechiche terá que abdicar do prémio atribuído pelo seu trabalho em a La vie d'Adèle (A Vida de Adèle) para conseguir terminar a obra.

 

Em declaração oficial: "Para aumentar os fundos necessários para a conclusão da pós-produção sem os atrasos adicionais, a empresa francesa de produção e distribuição Quat'Sous está a leiloar recordações de filmes relacionadas com o trabalho da Kechiche. Os itens variam desde a Palme d'Or (Festival de Cinema de Cannes 2013) até as pinturas a óleo que desempenharam um papel central na 'A Vida de Adèle' ".

 

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Esta não se trata da primeira vez que Kechiche experienciou um obstáculo na tentativa de concluir o seu Mektoub Is Mektoub. Durante o processo de criação, o filme converteu-se em duas partes durante a produção, o que causou disputas contratuais com a France Télévisions.

 

Mektoub Is Mektoub leva-nos a Amin, um argumentista parisiense que regressa à sua pequena vila na costa do mediterrâneo. É aí que ele vai conhecer uma bela mulher, Jasmine, e um produtor que se predispõem a financiar o seu primeiro filme. Porém, quando a mulher do produtor começa a assedia-lo, Amin vê-se numa encruzilhada de opções.

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:46
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1.6.17

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Girl Power: A primeira vingadora!

 

Esta não é a primeira vez que os super-heróis seguem a batuta feminina, mas é um marco que um deles atinja os 100 milhões de dólares de orçamento o que, tendo em contas as notícias que surgem, trata-se de uma repercussão positiva. Lexi Alexander e Karyn Kusama (citando duas) arriscaram neste mundo ainda plenamente masculino, e os resultados foram, em todo o caso, infelizes. Porém, Patty Jenkins (cuja primeira obra garantiu um Óscar a Charlize Theron) vem provar que é possível quebrar as barreiras estranhamente estabelecidas, fazendo-o da mesma maneira que uma Kathryn Bigelow faria: jogando o mesmo jogo tendo como objectivo superá-lo.

 

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Wonder Woman, o quarto filme do universo partilhado da DC, a meio-gás em comparação com a concorrente Marvel, não chega como um apogeu do seu subgénero, nem como destabilizador dos mesmos códigos. Trata-se somente de uma evolução industrial que simpaticamente exibe alguns dotes valiosos do chamado cinema-espectáculo. Em entrevista, Jenkins afirmou que trabalharia com esta Mulher-Maravilha da mesma maneira que Richard Donner operara com Super-Homem de Christopher Reeve, ou seja, convencer inteiramente que um homem pode realmente voar, neste caso, que uma mulher se assumiria mais, em palco de Guerra, que uma espécie de pin-up bélico, e sim, um catalisador do seu fim.

 

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E é verdade, que com a mistura de uma mitologia grega disfarçada e o mundo vivendo a sua Primeira Grande Guerra como se fosse o eterno apocalipseMulher-Maravilha consegue envergar por uma maior transparência da sua personagem feminina, assim como as minorias que compõem este esquadrão de "inglourious basterds". Não há que fingir, Jenkins está interessada, dentro dos vínculos de limitação do produto, em erguer uma espécie de statement sobre a discriminação de género e racial, usufruindo das influências de Edgar Rice Burroughs (o autor de Tarzan John Carter) para se disfarçar num simples filme de aventuras.

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Em Gal Gadot encontramos os traços desenvolvidos de uma personagem em constante descoberta. A actriz foi capaz de separar os flashbacks como uma essência temporal manipuladora da sua figura. Aliás, o tempo tem um papel importante nesta intriga, visto que será o mesmo em que o espectador se inteirará por épocas vividas e desvanecidas na memória. Mulher-Maravilha joga com o tempo de duas maneira: na primeira, todo o enredo central é integrado num extenso flashback, narrado pela própria Gal Gadot. Neste duo temporal é possível o espectador assistir a uma metamorfose posicional, assim como emocional, das duas figuras. Segunda, o tempo opera como uma jornada de criação, neste caso, um híbrido de mitologias, expostas de forma dimensional uma com a outra. A paradisíaca ilha helénica onde amazonas, mulheres emancipadas, vivem subjugadas às histórias e leis, e a "civilização", que vive num extremo conflito. Aqui as mulheres vivem em plena transição dos seus iguais direitos sociais (como podemos ver na baixinha suffragette Lucy Davis nas sequências londrinas).

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Contudo, o tempo atraiçoa o filme e quando este chega ao ponto em que já não existe mais nada para provar (a batalha de No Man's Land leva-nos a essa linha de fim criativo), Mulher-Maravilha cede aos lugares-comuns desta "linha de montagem": cai na previsibilidade amorosa e no estapafúrdio da batalha final, onde os efeitos especiais protagonizam pela enésima vez e a moral sobre a natureza da Humanidade vem à baila como um slogan. É o impasse desta maravilha que não funciona de todo maravilhosamente, mas nota-se: Patty Jenkins é sempre uma rebelde na sua cadeira de conforto e, desafiando a própria convenção de Universo Partilhado,  o filme tende em abrir e a fechar plenamente, sem a necessidade de ganchos, previous episodes ou cliffhangers.

 

"Be careful in the world of men, Diana, they do not deserve you."

 

Real.: Patty Jenkins / Int.: Gal Gadot, Chris Pine, Robin Wright, Connie Nielsen, Danny Huston, David Thewlis, Lucy Davis

 

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6/10
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publicado por Hugo Gomes às 17:58
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31.5.17

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A Warner Bros e a Legendary vão se unir para levar aos cinemas Godzilla vs. Kong, um filme a ser lançado em Maio de 2020 que vai juntar Godzilla e King Kong no mesmo enredo. Depois dos bem-sucedidos filmes de Godzilla [ler crítica] e Kong: Skull Island [ler crítica], os estúdios estão preparados para criar um Universo Partilhado, tendo como base estas criaturas gigantescas, os kaijus (termo japonês para monstros).

 

Já a ser preparado a sequela de Godzilla, com o intuito de introduzir mais bestas neste franchise, foi divulgado que Adam Wingard (You're Next, The Guest e Blair Witch) irá tomar as rédeas do esperado confronto entre o "rei lagarto" e a "oitava maravilha do Mundo".

 

Convém ainda referir que Godzilla e King Kong já se encontraram uma vez nos cinemas, em 1962, num filme da Toho com a assinatura de Ishirō Honda.

 

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publicado por Hugo Gomes às 11:01
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30.5.17

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Encontra-se actualmente a ser desenvolvida uma nova versão do filme de culto The Blob. O projecto encontrou-se no mercado de Cannes em busca de financiamento, tendo, segundo algumas fontes (via Bloody Disgusting), encontrado "refúgio" em alguns investidores chineses. As mesmas fontes adiantam que Halle Berry será a protagonista. 

 

O realizador Simon West (Con-Air) estará por trás do projecto, revelando que esta nova visão da gelatinosa criatura alienígena vai ser refeita com os modernos mecanismos CGI. A produção desta nova fita está a cargo de Richard Saperstein e Brian Witten (The Cell). Vale a pena lembrar que Rob Zombie chegou a estar ligado à realização deste remake em 2009.

 

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A primeira versão de The Blob data do ano de 1958 (com o titulo português de Fluido Mortal) e contou com Steve McQueen no seu primeiro papel de protagonista no cinema. A história remete a uma criatura vinda do espaço, cuja forma viscosa é corrosiva, alimentando-se principalmente de carne humana.

 

O filme teve uma sequela em 1972 por Larry Hagman e um remake em 1988 (Blob - Outra Forma de Terror) por Chuck Russell.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:29
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28.5.17

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Em 2015, o vídeo da "birra" de Ruben Östlund tornou-se viral. O desapontamento pela ausência do seu Força Maior entre os nomeados ao Óscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira foi alvo de chacota, mas o realizador já pode olhar para atrás e rir da situação, a Palma de Ouro "caiu" nas suas mãos. E agora?

 

The Square declarou-se como o grande triunfante da noite glamorosa do Croissette, o conquistador de uma Competição que, no geral, decepcionou tudo e todos. Segundo as más línguas, a qualidade desta Selecção derivou do interesse de Thierry Frémaux, delegado-geral do festival, em promover o seu diário "Sélection Oficielle" que fora lançado nas bancas francesas, deixando assim, pouca dedicação ao alinhamento da Competição Oficial. Nela notou-se uma aposta cada vez mais nos mesmos nomes do famoso "tapete vermelho", a fascinação pelo artista e não pela sua obra, e uma escassez significativa do cinema norte-americano, aquela que fora sempre vista como a grande conquista da dinastia Frémaux.

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Entretanto, um dos filmes maiores da montra, 120 Battemente par Minutte, de Robin Campillo, não saiu de "mãos vazias" deste certame. O Grande Prémio de Júri condiz tão bem, e segundo consta, Pedro Almodóvar emocionou-se como este activismo da comunidade LGBT e dos seropositivos pelos seus direitos de vida. Às vezes o cinema é isso … emoções, e acima de tudo, estes prémios demonstraram mais sentimento que, propriamente, imparcialidade. Notou-se assim, uma grande diferença entre os seleccionados e as escolhas dos jornalistas e críticos.

 

Mas este júri fez História no festival ao atribuir o prémio de realização a Sofia Coppola, a segunda mulher a vencer tal distinção, 56 anos depois de Yuliya Solntseva, com o filme Chronicle of Flaming Years. A filha do cineasta de The Godfather e Apocalypse Now, resultou no melhor que esta readaptação de The Beguiled tinha para oferecer, um filme vazio que cobardemente tenta fazer oposição feminina com a versão de '71. Nesta perspectiva, os valores técnicos sobrepõem-se ao anoréctico do enredo e da falta de ambição das personagens. Enquanto que no original era perceptível uma tensão entre as figuras de Clint Eastwood e Geraldine Page, no trabalho de Coppola as encarnações de Colin Farrel e Nicole Kidman a operarem como figuras inaptas de tragédia e de suas representações politicas.

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A vitória da realização remeteu-nos a outro "fantasma", a atribuição do prémio máximo do festival a uma mulher, cuja primeira e última vez aconteceu em 1993, com The Piano da australiana Jane Campion. Mesmo sob o desejo de Jessica Chastain, parte do júri, em ver mais mulheres em competir para a Palma, a verdade é que nem uma das candidatas apresentou-nos qualidades devidas para a distinção. Sofia Coppola poderá ter sido a melhor da "turma", visto que Noami Kawase, uma das "favoritas" do festival, embarcou com uma obra de ideias demasiado presas ao meloso e à falta de objectividade, para além Lynn Ramsay, que nos apresentou um ensaio vazio de violência e, sobretudo, um filme incompleto.

 

Falando nesta última, o pior de todo o Festival, e inacreditavelmente distinguida com dois prémios, o de argumento, o qual partilhou com The Killing of a Sacred Deer, do grego Yorgos Lanthimos, um exemplo mais consciente da sua violência visual e psicológica, e o de Melhor Actor, Joaquin Phoenix a roubar as hipóteses de triunfo a Robert Pattinson na obra dos irmãos Safdie, visto como o favorito à categoria.

 

Contudo, o trabalho do russo Andrey ZvyagintsevLoveless, exibido no primeiro dia do Festival, não foi esquecido pelo Júri [Prémio Especial de Júri]. O retrato de uma humanidade cada vez mais longe de afectos e a dominância da tecnologia no nosso quotidiano fundida com uma realização impar e milimetricamente pensada pelo realizador do anterior, o muito bem-sucedido Leviathan, faz "refém" o paladar da trupe liderada por Almodóvar. Mas aí, também a instalação de Ruben Östlund, não esquecer o seu grande feito. O homem que destroçou a "maldição" Haneke, que infelizmente, o seu "best-of" não contou com nenhuma premiação na mais invejável mostra cinematográfica do ano.

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:09
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Habemus Palma! Ruben Östlund pode ter falhado a nomeação aos Óscares de Melhor Filme Estrangeiro com Force Majure, em 2015; porém, chega-nos a compensação com a atribuição do prémio máximo do certame de Cannes, com The Square, entregue pelo presidente do júri oficial Pedro Almodóvar

 

Mas o grande vencedor da noite foi You Were Never Really Here, de Lynn Ramsay, que sai da Croisette com 2 prémios: o de Melhor Argumento (em ex-aequo com The Killing of a Sacred Deer) e o de Melhor Interpretação Masculina (Joaquin Phoenix). Diane Kruger, sem surpresas, vence a categoria feminina pela interpretação em In the Fade, e o muito elogiado 120 Battement par Minutte, de Robin Campillo, é laureado com o Grande Prémio de Júri.

 

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Sofia Coppola, entretanto, faz história no Festival: torna-se a segunda mulher a vencer o Prémio de Realização pela readaptação da obra The Beguiled, 56 anos depois de Yuliya Solntseva, com o filme Chronicle of Flaming Years.

 

Nicole Kidman, que contou com três filmes selecionados na programação deste ano (para além dos episódios de Top of the Lake, de Jane Campion), foi homenageada com o Prémio de 70º Aniversário.

 

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Palma de Ouro – The Square, de Ruben Östlund

Grande Prémio de Júri – 120 Battement par Minutte, de Robin Campillo

Premio de Realização – Sofia Coppola por The Beguiled

Premio de Interpretação Masculino – Joaquin Phoenix em You Never Really Here, de Lynn Ramsay

Premio de Interpretação Feminina – Diane Krugger em In the Fade, de Fatih Akin

Prémio Especial de Júri – Loveless, de Andrey Zvyagintsev

Prémio de Argumento: The Killing of a Sacred Deer, de Yorgos Lanthimos (ex-aequo) You Were Never Really Here, de Lynn Ramsay

Curta-metragem: Une Nuit Douce, de Xiao Cheng Er Ye

Caméra d’Or: Jeune Femme, de Léonor Serraille

Prémio de 70º Aniversario – Nicole Kidman

 

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:46
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27.5.17

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A Fábrica do Nada, a terceira longa-metragem de Pedro Pinho, venceu o Prémio FIPRESCI (crítica internacional) das secções paralelas, o qual engloba a Quinzena de Realizadores e a Semana da Crítica. A tomada de posse dos trabalhadores de uma fábrica de produção de elevadores, tem sido altamente elogiado pela crítica internacional, o realizador Pedro Pinho esteve presente na cerimónia de entrega do galardão, juntamente com a sua equipa, tendo a oportunidade, após os agradecimentos, de manifestar revolta contra a Lei Seca e o panorama actual que o Cinema Português atravessa.

 

120 Battements Par Minute, de Robin Campillo, foi consagrado com o Prémio FIPRESCI da Competição Oficial, o activismo vivido pela comunidade LGBT e dos seropositivos que desejam acima de tudo viver, conquistou igualmente a crítica internacional, é visto como um dos grandes concorrentes a tão cobiçada Palma de Ouro. Tesnota, de Kantemir Balagov, vence a categoria Un Certain RegardEnquanto, Naomi Kawase e o seu Radiance, renderam o Prémio do Juri Ecumenico.

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publicado por Hugo Gomes às 16:45
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26.5.17

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Queria realmente não estar aqui!

 

Para entendermos a escocesa Lynn Ramsay teríamos que navegar pela sua anterior carreira e percebermos o que a move profundamente – o trauma. Contudo, este You Were Never Really Here é um exemplo da dissipação miraculosa do efeito de trauma; o que restou foram as imagens, anexadas a um vazio alarmante, onde a violência passa daquele território inteiramente masculino e transforma-se num universo recontado sob o sujeito de ‘ela’.

 

Digamos que este misto de Taxi Driver com Drive (um cocktail de Scorsese e Refn - este último, de certa forma, a invocar as influências do primeiro), é um exercício de agressividade que se exerce de fora para dentro, ao invés do dentro para fora. As imagens perdem o seu sentido mais intrínseco, assumindo-se como protótipos de um engenho visual. Triste será dizer, que Ramsay falha o alvo numa intensa deambulação narrativa. Quanto ao enredo, as pistas são nos deixadas como migalhas de pão se tratasse, encontramos o rasto por momentos, mas este tende desaparecer face à gula dos “pássaros”. Pássaros, esses, os artifícios animalescos que nos conduzem a uma indiferença enorme entre as personagens, e a realizadora perante o material adaptado (visto tratar-se numa pequena história de Jonathan Ames), incutindo uma estética sem propósitos, quer criativos, quer induzidos narrativamente.

 

Joaquin Phoenix ainda em modo I’m Still Here neste You Were Never Really Here, uma ligação artística do seu modus operandi de interpretação, um homem pronto a emanar a sua força para transportar um filme à pendura como um Atlas. Mas os seus esforços são em vão. Ramsay polvilha o filme com alguns truques visíveis de inércia, entre os quais as rápidas transposições, de forma a simular um sistema de videovigilância, atenuando o explícito da violência embarcada, ou a rádio que nunca se cala, dando-nos um filme sonoro dentro deste filme, estreitamente visual. Infelizmente os truques não resgatam este “freakshow” da penumbra do seu ser. Eis um fracasso completo, Ramsay com pretensões de invocar o seu ‘eu’ violento, dando-nos preocupações quanto ao seu estado. Depois disto, haja alguém que critique o Refn.

 

Filme visualizado no 70º Festival de Cannes

 

Real.: Lynn Ramsay / Int.: Joaquin Phoenix, Ekaterina Samsonov, Alessandro Nivola

 

3/10

publicado por Hugo Gomes às 23:42
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25.5.17

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Peripécias a dobrar!

 

A infelicidade bovariana e a repreensão sexual da protagonista seriam belíssimos pontos de partida para uma caprichosa fecundação neste thriller erótico. François Ozon usufrui da sua transgressão sexual e psicológica para minar neste seu L’Amant Double um intenso clima de ebulição, e com isso, presenteando-nos um magnificente artifício visual que vai desde a transposições vaginais, split screens invisíveis e um fetiche sexual onírico. O realizador anexa esse apetite estético com uma auto-reciclagem, há uma busca pelo Jeune & Jolie, onde Marine Vacth novamente segue em modo “stalker” dos seus desejos, mais uma vez, apta a explorar esse seu inerente desconhecido.

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L’Amant Double é um cruzar de dois olhares, o desconhecimento tormento de géneros (a sexualidade encontra-se no limiar da sua fronteira) e do jogo de ilusões que Ozon pedala com alguma classe. Há Brian DePalma aqui, existe citações a Dead Ringers de Cronenberg, do outro lado do espelho, e o visual possui aspirações a Refn. Por outras palavras, L’Amant Double é uma orgia de influências que, para nossa infelicidade, geram um nado morto, porque simplesmente o argumento não segue essa mesma ambição, a essa narrativa visual. Assim, sucessivamente vamos cedendo a um terreno pantanoso, aos truques baratos que fazem descortinar um embuste, os lugares-comuns do território do thriller mais convencional e o plot twist que nos arrebata com uma incoerência impossível.

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Engolimos a seco essas revelações e depressa tentamos encaixá-los na já exposta narrativa, ao contrário de um Hitchcock (citando o óbvio dos cineastas desse sentido), onde a intriga sofre com uma metamorfose encadeada com a sua revelação, alterando a nossa perspectiva, mas consolidando-a com o estabelecido desde então. L’Amant Double tem que “colar” a cuspo e a sémen esse mesmo twist, e o resultado é um verdadeiro acidente de proporções catastróficas. Digamos que Ozon embateu numa parede de concreto, e é pena, porque os primeiros actos prometiam. E que promessas eles nos davam.

 

Filme visualizado no 70º Festival de Cannes

 

Real.: François Ozon / Int.: Marine Vacth, Jérémie Renier, Jacqueline Bisset

 

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4/10

publicado por Hugo Gomes às 22:49
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Nothing Else Matters!

 

As Máquinas não podem parar, e o Cinema deve acompanhar todo esse processo de auto-sustentabilidade. A Fábrica do Nada, a quarta longa-metragem de Pedro Pinho, é esse conceito simultâneo de fazer cinema e falar de política, um retrato de um activismo em pleno passo de reflexão. Trata-se de um filme baseado na peça de Jorge Silva Melo, por sua vez inspirada na experimentação de auto-sustentabilidade da fábrica de elevadores Otis, durante 1974 - 2016, uma ideia de absoluta esquerda a invocar os fracassos de Torres Bela.

 

Quando a austeridade avança ameaçando postos de trabalho, os trabalhadores tomam conta da fábrica, expulsando os seus patrões e operando através de didactismo. O "Nada" do título, é essa espera que intervala entre o “golpe de estado” e o fim do sonho esquerdista, bem como a discussão política, um avante anti-capitalista que resulta na própria consolidação com o movimento globalizado. Pinho trabalha essas ideias dando-nos um cinema que, acima de tudo, é um próprio experimento, incutindo a ficção como uma anestésica perspectiva quase mundana a uma ciência que muitos parecem evitar - a política. Sim, A Fábrica do Nada é para além de mais, um filme politizado que aposta numa duo-linguagem para a difusão da sua própria mensagem.

 

É a docuficção, como Portugal sabe muito bem fazer, em que cada caminho serve-nos como um atalho (a ficção) ou o prolongado e completo (documentário). Em certas alturas, Pinho inspira-se em Miguel Gomes para incutir a sua veia de crítica, não por vias da sátira, mas na objectividade das suas imagens. De tal forma que A Fábrica do Nada espelha uma breve história dos gestos políticos que assombram a nossa Nação, do outro lado ele resume as tendências cinematográficas do nosso panorama recente, inclusive a nossa persistência em reter as memórias em forma de imagens. É como se a película (neste caso o digital) conservasse e servisse de uma extensa voz para estes silenciados.

 

O final não é eterno, mas terno, é a declaração que esperávamos imensamente no nosso Cinema, a vontade de falar politica, politizar-se, sem se definir por uma esquerda, por uma direita, por um centro, ou qualquer outro lado. Fala-nos de experiências, mas nunca de posições, nem de oposições. Apesar dos eventuais discursos resultarem em impasses de uma linguagem mais directa e menos cientificada (tal como acontecera no anterior A Cidade e as Trocas, Pedro Pinho receia o desperdício na selecção de imagens), A Fábrica do Nada é um filme obrigatório para qualquer português, e não só … Uma obra dedicada e envolvente.

 

Filme visualizado na 49ª Quinzena de Realizadores de Cannes

 

Real.: Pedro Pinho / Int.: Carla Galvão, Dinis Gomes, Américo Silva

 

 

8/10

publicado por Hugo Gomes às 19:22
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Encontro de Irmãos!

 

O percurso dos irmãos Safdie leva-nos aos imprevistos da noite, num conto que visa a violência urbana mas que nela investe o amor fraternal, uma faísca de esperança nesta corrompida desumanização que se abate entre nós. Poderia ser mais um retrato influenciado no neo-realismo ou no vérité de que derivava o anterior Heaven Knows What. Porém, ao invés disso, deparamo-nos com uma obra envolvida em ácidos, nas cores neons que tomam conta das imagens e da música techno que ecoa para nos trazer essa desesperada atmosfera. Robert Pattinson é esse peregrino, um criminoso que após um golpe falhado, resultando na detenção do seu irmão, tenta de tudo para conseguir libertá-lo.

 

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Para o bem dele, para o seu bem, e para o bem desta cidade cada mais adereçada a um oportunismo individualista, esta corrida contra o tempo (ao bom jeito das noites atribuladas de imprevistos, tais como After Hours, de Martin Scorsese), Good Time é um filme que fala sobre todos nós, mas é acima de tudo um diálogo entre os Safdie. Um intimismo, não individualista, mas colectivo. A sua relação, a sua história, as suas emoções espelhadas nos olhares desesperados de Pattinson (por sua vez a escolha de Ben Safdie a desempenhar o irmão encarcerado), como se o antigo ator de Twilight emanasse uma espécie de heterônimo de Josh [Safdie]. Novamente, o cinema desta dupla de irmãos remexe-se pela deambulação citadina, como se continuassem nesta imensa peregrinação pela selva de asfalto, sem rumo algum.

 

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Há quem aponte o efeito visual e sonoro de um agressivo videoclip minimalista e animalista, amarrado aquelas equívocas semelhanças com obras de Refn e a sua respectiva e superlativa atribuição estética, mas no seio de todo este novo tratamento, existe, com certeza, os nossos ‘“velhos” Safdie. O filme e o seu meta-filme, unidos numa só obra.

 

Filme visualizado no 70º Festival de Cannes

 

Real.: Ben & Josh Safdie / Int.: Robert Pattinson, Ben Safdie, Jennifer Jason Leigh, Barkhad Abdi

 

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7/10

publicado por Hugo Gomes às 15:04
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