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16.4.13


O “quase” Vertigo da pintura!

 

É impossível nos dias de hoje, separar Guiseppe Tornatore de Cinema Paradiso, a homenagem ao cinema feita pelo mesmo em 1988, que permanece como um dos filmes sobre filmes mais mágicos que a Sétima Arte já chegou a presentear. A partir dessa “declaração de amor ao cinema” é difícil assistir a um novo filme de Tornatore sem que “Nuovo Cinema Paradiso” não permaneça na nossa memória, contudo é um autor que continua a motivar fascínio, e verdade seja dita, mesmo não sendo um dos grandes artesões do cinema italiano, as suas obras são sempre propostas imperdíveis onde o cineasta invoca o classicismo com uma classe de requinte.

 

 

La Migliore Offerta nos leva a conhecer Virgil Oldman (Geoffrey Rush), um conceituado leiloeiro de arte, para além de especialista em detectar falsificações, que utiliza os próprios leilões que coordena para operar artimanhas a seu favor. Oldman é um secreto coleccionador de arte, recolhe os mais variados retratos femininos pintados por vastos artistas. Oldman é seduzido pelo magnetismo da própria mulher, embora esta nunca teve ou amou uma. A acção avança quando a personagem de Geoffrey Rush fica atraído por uma nova e misteriosa cliente, Claire Ibetson (Sylvia Hoeks), uma jovem mulher “acorrentada” a uma agorafobia extrema que a impede de sair de casa (a sua zona de conforto), como também o contacto físico e visual com outras pessoas é evitado. Oldman apenas consegue contacta-la através de uma parede, o que mesmo assim não impede de que seja tentado pelo seu mistério envolto.

 

 

La Migliore Offerta é uma produção italiana de linguagem inglesa, uma óbvia estratégia de viabilidade comercial a nível global, que por norma resulta neste tipo de produções como uma espécie de extração de identidade, mas felizmente não só os actores comportam-se como verdadeiros “gentlemen” neste jogo de ilusões e alusões como também o realizador adquire um tom clássico e cuidado. Trata-se de um misto de thriller e drama, mas A Melhor Oferta (titulo traduzido) não se reduz a géneros. È um amor entre dois misantropos que depressa evolui para um clima envolvente digno das obras de Hitchcock, aliás há muito de Vertigo nesta nova incursão de Guiseppe Tornatore, quer no seu toque estruturalmente narrativo que chega ao próprio argumento, terminando e com grande influência na composição do protagonista, onde a obsessão e possessão por um figura fragilizada instala-se num ser anteriormente “intocável” (em vários sentidos). Protagonista, esse, desempenhado por Geoffrey Rush, o qual encontra-se imaculado, num papel tão requintado como a própria fita e mecânico como os próprio autómatos pelo qual fica fascinado num tomo qualquer do filme, eis uma personagem que expande com o desenrolar da trama mas que funciona graças a um empenho brilhante do actor, onde torna-se o espelho do código genético de A Melhor Oferta.



 

Guiseppe Tornatore ainda enriquece a fita a um nível técnico e visual, a banda sonora de Ennio Morricone transpõe o intimo clássico das obras de outrora, que tanto fizeram parte do legado do cinema “made in Italy”, e La Migliore Offerta, bem podia fazer parte desse prestigiado “clube”. Possui todos os elementos para tal, as pinceladas certas e a beleza trágica de rigor, contudo falha somente num ponto, a previsibilidade, cujo enredo começa a ser preadivinhado á chegada do segundo tomo. O percurso em encontro ao desfecho até invoca interesse mas infelizmente sem a surpresa e incógnita atmosférica com o qual o filme iniciou, ficando somente com uma realização sensível com senso artístico de Tornatore, um actor que se dá pelo nome de Geoffrey Rush e acima de tudo uma trama erguida com astúcia, conhecimento e maturidade. Um retrato pintado a passos da obra-mestra.

 

“There’s always something authentic conceals in every forgery”

 

Real.: Guiseppe Tornatore / Int.: Geoffrey Rush, Sylvia Hoeks, Jim Sturgess, Donald Sutherland



 

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 18:24
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