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13.4.13

Uma tragédia á portuguesa!

 

Uma divida paga pela carnalidade que se confunde com um “forçado” sinal de respeito, um destino mantido preso nas sombras, onde as personagens parecem apenas atrasar um desfecho trágico revelado com certezas, em que todos se encontram envolvidos, pavoneando no “palco” enquanto ignoram o sucedido. João Canijo assina aqui uma tragédia digna das imortalizadas peças gregas, com claras alusões a "Ifigénia Em Áulis" de Eurípedes. O sacrifício é um tema recorrente numa obra decorrida inteiramente numa casa de alterne do interior português (ninguém me retira a ideia de que os episódios mediáticos das “Filhas de Bragança” serviram de influência para a escolha do cenário), Noite Escura é um filme de inspirações noirs onde João Canijo constrói sobre pouca margem narrativa uma intriga que evolve em espirais dramáticas envolvidas por uma atmosfera quente e sufocante com um pecaminoso sabor “luxurioso” e de um realismo cénico.

 

 

O realizador aborda um submundo português, onde todas as personagens se posicionam na linha da frente da ambiguidade, até mesmo as que iludem inocência. Noite Escura apela á uma compostura quase mise-en-scené de uma peça melodramática, manuseando entre pontos focais da tragédia grega e do cinema mais marginalizado e estiloso, contudo este é um filme que faltou pouco (mas essencial) para chegar a “grande”, e não foi por falta de profissionalismo e talento, e exemplo disso é Beatriz Batarda que se encontra arrebatadora e irreconhecível fisicamente e Rita Blanco, que se apresenta de um sarcasmo único como personagem.

 

 

Enquanto às suas falhas, Noite Escura possui um Fernando Luís pouco dado num desempenho teatral, que nada condiz com o esclarecimento narrativo do filme, mas que ao mesmo tempo invoca a alma de “palco” nesta tragédia á portuguesa. Alguns diálogos e reacções dos personagens são demasiados risíveis e falsamente poéticos que dissipam de certa forma o realismo das sequências e por fim, menciono os planos que parecem ter vida própria, desorganizados e enquadrados como mero acaso, se revelam prejudiciais na devolução das enfases dramáticas que a obra poderia atingir. Sente-se que João Canijo perdeu aqui uma grande oportunidade para concretizar uma obra de larga dimensão, ao invés disso se autopromove como um cineasta português da própria “tragédia” cinematográfica. Para ver com interesse, mas longe da admiração.

 

Real.: João Canijo / Int.: Beatriz Batarda, Cleia Almeida, Fernando Luís, Rita Blanco



 

7/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:56
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