Data
Título
Take
27.12.07
27.12.07

 

Real.: João Pedro Rodrigues

Int.: Ana Cristina Oliveira, Nuno Gil, João Carreira

 

Odete (Ana Cristina Oliveira) é uma patinadora de supermercado que se torna persuasiva em grávidar, mas o seu namorado opõe a essa ideia, que em consequencia dessa obsessão chega mesmo a abandona-la. Sozinha e sem qualquer motivo para viver, Odete encontra refugio nos braços do falecido Pedro (João Carreira), um homem que nunca conhecera. Odete finge em estar grávida do falecido e Rui (Nuno Gil) começa a suspeitar de tais actos. Rui era o amante de Pedro, que depois da morte deste é também incapaz de encontrar um motivo até para sorrir. Ambos os seres partilham a mesma dor e assim o mesmo rumo.

Alguém se lembra de Alice, aquele filme realizado por Marco Martins, o qual tanto frenesim foi feito tanto á volta dele, devido às suspeitas de tornar-se integrante da lista de nomeados a Melhor Filme Estrangeiro para os prémios da Academia, os Óscares,  alguém se lembra? Pois bem! Uma das diferenças entre a Alice e este Odete, é o facto do primeiro, pouco ou nenhum argumento esteve em seu propósito, a sua história poderia ser muito bem contada numa duração de uma curta-metragem, cerca de 15 minutos, o resto se baseia em apenas "palha" que retarda qualquer climax. Quanto á fita de João Pedro Rodrigues, argumento esse têm, mas a exploração por parte deste é demasiado profunda. E porquê demasiado? Tal como vários outros projectos portugueses que se evidencia algum potencial, Odete aposta em muitas cenas dispensáveis, martíriologicas e penosas que desviam o filme da sua narrativa, como também os seus espectadores. Pediamos uma obra que servisse algo mais que mero mainstream televisivo, mas em Odete a reflexão é deveras prejudicial á propria enfase dramatica da fita.

Odete resume-se a muito bem realizada, planificada e muito bem interpretada obra, mas João Pedro Rodrigues cai numa experimentalidade quase surrealista o qual retrata dois seres obsessivos e de carências amorosas que se procuram e completam devido á morte de um terceiro elemento, mas chegando até á sua premissa, o percurso é algo que se vai fragilizando em consequencia de uma visão “quase apocalíptica” e voyeurista de Lisboa. È de facto notável ou não, a maneira como o realizador aborda a homossexualidade, vasta, inesperada e desalarmante, o que para o bem ou para o mal, o filme conta apenas com uma personagem heterossexual, o que em princípio qualquer homofóbico e conservador está de fora, sem falando nos tais preconceituosos. E é nessa abordagem até á exaustão que João Pedro Rodrigues confunde profundidade com manifestação e irreverência.

Quanto às interpretações, podemos destacar Nuno Gil na personagem de Rui, a personagem a mais desenvolvida e complexa por parte dos argumentistas e Ana Cristina Oliveira na homónima personagem Odete, onde o desequilíbrio mental da sua personagem se interage com a desordem narrativa. Fala-se de Odete como uma derradeira história de amor, por parte dos críticos, mas a meu ver é um retrato obsessivo da alma humana. Uma história que merecia ser contada, mas com outros propósitos, mesmo assim merece o seu visualizamento. Recomendo para os mais profundos e sentimentais.

6/10
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publicado por Hugo Gomes às 14:06
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1 comentário:
De Walker a 26 de Janeiro de 2013 às 00:24
Excelente filme, digno de Oscar. O problema dele é que não temos muitos espectadores que consigam entender a beleza do filme.


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