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25.2.13

O Sitio das Coisas Selvagens!

 

À margem das grandes produções e das unânimes consagrações da chamada award season, ou também apelidado vulgarmente de “o caminho para os Óscares”, surge entre nós, Beasts of the Southern Wild de Benh Zeitlin, o novo “grito” do cinema norte-americano independente que chegou mesmo afigurar-se entre os nomeados ao Óscar de Melhor Filme. Adaptado de uma peça de Lucy Alibar, Bestas do Sul Selvagem, título português, nos leva uma comunidade esquecida e marginalizada, separadas do resto do Mundo através de um enorme dique, a fronteira dos “renegados” da Natureza e dos próprios selvagens. Nesse universo distinto com fortes ligações á natureza, que se dá pelo nome de Banheira, somos introduzidos á pequena Hushpuppy (Quvenzhané Wallis), uma criança que vive sozinha com o seu pai (Dwight Henry) nesta comunidade rude porém calorosa, numa relação pouco ortodoxa. Educada e ensina a sobreviver e a evitar qualquer ligação emocional com os demais. Mas quando o redor desta se transforma, tudo devido a umas intensas cheias, Hushpuppy terá que aplicar tudo aquilo que aprendeu e retirar o maior proveito desses ensinamentos, encarando a vida de maneira fria e animalesca.

 

 

Tal como a colectividade que apresenta ao espectador, Beast of the Southern Wild é uma fantasia realista que parece ter sido congelada pelo próprio primitivismo cinematográfico. Um dos tópicos evidentes desta aura de “antiguidade” advém da rodagem, Benh Zeitlin o filmou em 16mm, um formato cada vez menos usual até nas produções independentes, como tal dando um cobertura visual algo rudimentar. Mas não é na imagem que a fita revela o fascino pelo primórdio, e sim, pela narrativa pouco concentrada e guiada pelos passos da protagonista, sem nunca fugir do horizonte desta. O espectador pouco sabe além da personagem de Quvenzhané Wallis. Mesmo possuindo como protagonista, uma criança, Beast of the Southern Wild encontra-se bastante longe da imaturidade, ao invés disso se espalha por entre a inocência selvagem que prevalece como também adquire á fita um mundo quase alternativo e reconhecivelmente brutal. A “pequeninaQuvenzhané Wallis (fez História como a nomeada ao Óscar de Melhor Actriz mais nova de sempre, 9 anos), por um lado mesmo sob esta rudeza composta, consegue tornar-se graciosa levando o filme ao requisitado estado de pureza e de emoção improvável.

 

 

Beast of the Southern Wild esteve presente no último Festival de Cannes, onde venceu o Prémio de Júri e Un Certain Regard, e no Sundance onde foi distinguido também com o Prémio de Júri e Melhor Filme na categoria de drama. Mas longe dos prémios e da nomeação ao Óscar que auferem certa publicidade á fita de Benh Zeitlin, uma divulgação que a longa-metragem que talvez, era incapaz de obtê-la sozinha, esta é de facto uma obra de beleza rara que mesmo assim merece ser vista e avaliada sem a consideração e influência do prestígio da época dos prémios. Uma viagem que desperta o mais primitivo das emoções humanas, mas que ao mesmo tempo e invocando “bestas pré-históricas”, encanta e destaca as raras qualidades que possui o ser humano, sendo uma delas o afecto. Um dos grandes filmes da temporada.

 

“The whole universe depends on everything fitting together just right. If one piece busts, even the smallest piece... the entire universe will get busted.”

 

Real.: Benh Zeitlin / Int.: Quvenzhané Wallis, Dwight Henry, Levy Easterly

 


 

9/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:19
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1 comentário:
De Gustavo a 2 de Março de 2013 às 17:05
Gostei, um muito bom filme, um enredo simples e a interpretação fantastica da miuda


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