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15.2.13

O Cidadão Pattinson!

 

Um rato tornou-se moeda monetária”. Cosmopolis marca a transição de dois mundos, o primeiro composto pela alta finança onde a moeda marca a regra de vida, separando e reduzindo seres humanos como simples números e estatísticas, atribuindo-as a classes sociais. E por fim, o desabar desta dinastia bolsista e não física e de frieza humana, o apoderamento da anarquia e a queda da civilização como nós o conhecemos. Nesta transição, o espectador acompanha, enquanto partilha a simples jornada de Eric Michael Paker (Robert Pattinson), um jovem prodígio do mundo financeiro, que decide atravessar uma Nova Iorque em vias de mudança de uma “ponta à outra” para somente um corte de cabelo. A viagem deste influente da alta-finança é vista dentro da sua limusine alterada por si, enquanto vagueia por um clima de tensão que aumenta gradualmente, a personagem de Pattinson é visitada por inúmeras figuras todas elas alertando ou advertindo sobre a metamorfose iminentes da sua vida e do seu redor.

 

 

Produzido pelo português Paulo Branco e adaptado de um best-seller de Don DeLillo que se lida como uma premonição digna do síndroma de Cassandra. David Cronenberg deixa a carne e a alma visceral para se dedicar a este retrato cuidadoso, enquanto tenta tornar o ícone adolescente daquela famosa saga de vampiros num actor que aspira ser James Dean, um rebelde sem causa, todavia auferindo uma certa alma de “Citizen Kane”. Para quem não acredita nos atributos da estrela irá certamente surpreender com esta prestação camaleónica para com as ruas agitadas de Nova Iorque, fazendo acreditar que Pattinson nasceu para este tipo de papel, um jovem reservado, playboy e egocêntrico.

 

 

Cosmopolis lida assim com a estética garantida por Cronenberg que a torna num objecto admiravelmente visceral mesmo sob a capa de perfeccionismo frio. Embora sendo uma obra com lealdade para com a visão de DeLillo, o cineasta canadiano de eXistenz e Easterns Promises realça a sua alma e o seu toque pessoalmente distinto. Transmite urgência de ver perante inteligentes diálogos que caracterizam a sociedade governada pelo poder monetário e financeiro, porém nota-se a desorganização voluntária destes mesmos e do crescente surrealismo que marca as devidas falas e situações, metáforas que não fogem, que ecoam mesmo sob os requisitos artísticos da obra.

 

 

Contando com excelentes desempenhos de Paul Giamatti, novamente a transmitir as qualificações necessárias para personagens frágeis e desequilibradas, Julliette Binoche (deslumbrante), Samantha Morton e um divertido cameo de Mathieu Amalric. Cosmopolis pode não ser das mais brilhantes obras da carreira de Cronenberg, mas é talvez uma das suas fitas mais inteligentes e criativas, sim mesmo sob aquela capa de cinismos narrativo esconde a marca de um cineasta envolvente. A crónica de um mundo em movimento, um mundo onde “um rato torna-se moeda monetária”, o isolamento entre classes sociais e a influência do frágil poder monetário, tudo num filme a não perder!

 

“My prostate is asymmetrical.”

 

Real.: David Cronenberg / Int.: Robert Pattinson, Paul Giamatti, Kevin Durand, Sarah Gadon, Samantha Morton, Jay Baruchel, Juliette Binoche, Emily Hampshire, K`Naan, Mathieu Amalric

 

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:51
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