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5.2.13


O blockbuster dos filmes-mosaicos!

 

A tarefa era desde inicio um desafio, daqueles deveras complicado, Cloud Atlas de David Mitchell é uma obra literária rica em pormenores e de personagens porém tinha a distinção de ser narrada em diferentes narrativas que por sua vez elaboraram múltiplas historias diferentes que ocorriam em locais completamente distintos e até mesmo tempos díspares, ora a acção decorre no passado longínquo ora se passa no futuro distante próprio da ficção cientifica. Durante tempos a obra de Mitchell recebeu o catálogo de “infilmável” devido á sua complexidade narrativa, sendo desde o início o anúncio da sua adaptação antevia duas hipóteses possíveis, uma incrível obra-prima ou um enorme fracasso, porém Cloud Atlas foi também apelidada do filme que redefiniria a carreira dos irmãos Wachowski, que depois de finalizado Matrix não conseguem assegurar o seu público nem a notoriedade no estúdio. Formando equipa com a dupla de realizadores visionários está Tom Tykwer, o celebre autor de Lola Rennt como também o homem por detrás de outra adaptação de uma obra ditamente “infilmável”, Perfum: A Story of a Murder, que se ficou pelas histórias mais épicas deixando os irmãos Wachowski pelo futuro, dando assim criatividade á sua genica de ficção científica. Cloud Atlas apresenta-nos então seis histórias e seis actores principais que participam em todas elas, respectivamente, recriando assim visualmente ligações entre os diferentes caracteres.

 

 

Infelizmente esta ambiciosa obra intercalada algures entre a ficção cientifica e o drama de época é um completo desequilíbrio que revela demasiado fascino nas reconstituições cénicas que na própria ligação entre as diferentes narrativas. Com quase três horas de duração, uma narração exaustiva e pretensiosa, a obra dos Wachowski e Tykwer é uma colectânea do trabalho de caracterização (que não é todo perfeito) e dos efeitos visuais que facultam a existência de universos futuristas demasiado incredíveis para ser creditados. O espectador tenta encontrar uma ligação entre as diferentes histórias, para além do óbvio, subjugado á busca de um significado eterno para a maneira de ser deste colosso narrativo, todavia Cloud Atlas careca sapiência na ligação, vontade de sentir e de arriscar para além mais do compreensível.

 

 

Porém os desempenhos são o ponto credível neste vértice luminoso mas sem pompa, Hugo Weaving demonstra ser um excelente vilão (em todas as narrativas) e Tom Hanks comporta agradavelmente com complexidade de personagens. Mas apesar de tudo, tiro o chapéu a Jim Broadbent que é protagonista de uma das mais se não a mais divertida história de Cloud Atlas, a hilariante evasão de um reformatório, com Weaving a interpretar uma enfermeira ao estilo mas cómico de One Flew Over the Cuckoo's Nest. Uma das maiores desilusões do ano, um épico para totós.

 

“A true suicide is a paced, disciplined certainty. People pontificate "suicide is shelfisness," while career churchmen like Pater call it a coward's act typically because they lack the necessary suffering to sympathise. Couldn't be further from the truth; suicide takes tremendous courage.”

 

Real.: Andy Wachowski, Lana Wachowski, Tom Tykwer / Int.: Tom Hanks, Halle Berry, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Ben Whishaw, James D`Arcy, Susan Sarandon, Hugh Grant, Doona Bae

 

5/10
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publicado por Hugo Gomes às 21:53
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