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28.1.13

O fim abate sobre nós!

 

Turim, 3 de Janeiro de 1889, decorre um dos episódios mais marcantes e lendários da vida do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Tudo começa quando este defende um cavalo em vais de ser espancando pelo seu próprio dono no meio da rua, tal acto faz com que Nietzsche seja visto como um louco por entre a comunidade, em consequência disso o filosófico ficou acamado e não falou mais durante 11 anos, até á sua morte. Porém a questão abordado nesta nova fita de Béla Tarr (com co-realização de Ágnes Hranitzky), e segundo este o fim da sua carreira, o que terá sucedido com o cavalo?

 

 

A Torinói Ló (O Cavalo de Turim) não se fica por uma biografia ou por uma simples obra de ficção, nada disso. Primeiro de tudo e confesso que ver um filme do cineasta húngaro Béla Tarr, não é tarefa fácil, algo exaustivo perante tanta invocação de tempo real e como no caso desta sua nova obra, a repetição dos actos dos actores que formam uma rotina em vias de ser quebrada. Tarr compõe aqui um castigo digno de Nietzsche, o fim do rural e a iminente calamidade apocalíptica que se faz adivinhar mas nunca de concreto soam como mensagens divinas de um Deus vingador e cruel, uma das suas pragas assim por dizer.

 

 

A visualização de A Torinói Ló é desconcertante, sem um veio de esperança nem crenças nos peões de Béla Tarr, transmitindo um círculo rotineiro onde o espectador segue de perto, ficando até mesmo contagiado com tal fórmula ramerraneira. A fotografia e até mesmo a banda sonora transmitem tal repetição, o efeito do espectáculo leva-nos á decadência. Como já havia dito, Béla Tarr o anunciou como o “the end” da sua obra, culpando dos esforços e a criatividade que depositou neste onde exaustou por completo o autor. Todavia não existe nada mais poético e metafórico que assistir ao fim de um cineasta enquanto activo com um filme que por si dita um fim de uma era.

 

 

A Torinói Ló foi a primeira obra do autor a receber uma distribuição comercial no nosso país, o resto dela apenas conhecida através de lançamentos de direct-to-video ou circuitos cinéfilos da cinemateca. Foi o vencedor do Urso de Prata na edição de 2011 do Festival de Berlim, O Cavalo de Turim é uma obra de arte que nos deixará desconcertados perante tal destino. Intenso e devastador como poucos.  

 

Real.: Béla Tarr, Ágnes Hranitzky / Int.: Erika Bók, János Derzsi, Mihály Kormos

 

 

9/10
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publicado por Hugo Gomes às 18:47
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