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26.1.13

Um clássico sob nova capa!

 

Baseado num clássico literário de Tolstoy, cujos russos consideram um dos seus monumentos, publicado entre 1875 e 1877 numa revista bastante influente da época denominada de “The Russian Messenger”, Anna Karenina, a terceira colaboração do realizador Joe Wright e da actriz Keira Knightley (Pride and Prejudice, Atonement), resultou numa adaptação com notável singularidade face às inúmeras versões.

 

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A história de uma nobre aristocrata de uma Rússia czarista, bem casada que comete o adultério com um  sedutor conde, originou aqui num teatro vivo de dinamismo cénico remetido graças a um conjunto de trabalhados cenários multidimensionais. Wright tentou recriar a experiência da leitura, aquele folhear de páginas em sintonia com o uso da nossa imaginação, no ecrã empreendido por uma orquestra visual prendida sob personagens mecânicas que se movem ao sabor da narrativa. Este exemplo de ousadia poderá ser visto como um "primo" da realização meticulosa de um Russian Ark, de Aleksandr Sokurov, mas existem aqui mais contras que prós. Porque simplesmente não basta trabalhar o visual, há que consolida-lo com as ênfases dramáticas e a composição das suas personagens.

 

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Pois bem, eis uma temática interessante por parte do realizador em descrever a nova versão de Anna Karenina, porém, por mais cuidadoso e tecnicamente delicado que seja, Wright não consegue levar a sua ideia de palco de teatro até ao fim, o que o determina com um estilo desequilibrado que chega a confundir com o próprio espectador sobre a experimentalidade da fita. Um épico romântico que é descalcificado, ausente de alma e sob uma entidade do clássico literário, sentimos estabelecer por um drama dignamente hollywoodesco, algo vazio que se perde pelo seu visual como também pelo seu argumento que não devolve profundidade no respectivo caso amoroso, nem sequer as historias secundarias que cruzam. É que para além do trio tragicamente amoroso, tudo o resto torna-se insignificante e sem utilidade, apenas inserido na narrativa somente para o uso moral ou preenchimento cénico e de reconstituição de época. 

 

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Felizmente, o que compensa nisto tudo, é que Joe Wright para além de ser um excelente director cénico e na coordenação das suas câmaras, é também um homem com um notável gosto de trabalhar com os seus actores, arrancando deles desempenhos vivos, apesar de alguns destes serem dissipados pelos tiques técnicos elaborados. Contudo, é sempre bom ver uma Keira Knightley cada vez mais digna de desempenhar papeis mais maduros e Aaron Taylor-Johnson a abandonar a figura de menino. Jude Law por outro lado é o actor mais confiante, não exageradamente dramático que consegue criar uma personagem que curiosamente simpatiza com o público.

 

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A verdade é que Anna Karenina tinha tudo para funcionar como um novo horizonte do romance, talvez uma inspiração para um novo tratamento para os velhos clássicos de sempre. Mas enfim tudo acaba por ceder ao mero espectáculo visual, onde a narrativa e o drama é absorvido por estes termos. Decepcionante! Eis, apesar de tudo, a obra menor de Joe Wright!

 

Anna isn't a criminal, but she broke the rules!”

 

Real.: Joe Wright / Int.: Keira Knightley, Jude Law, Aaron Taylor-Johnson, Kelly Macdonald, Matthew Macfadyen, Olivia Williams, Domhnall Gleeson, Emily Watson

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:50
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