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25.1.13
25.1.13

Africa Minha!

 

Logo cedo contemplamos a savana africana através de uma visão rara e distinta que consolida o cinema português vanguardista com o documental. Miguel Gomes invoca crocodilos para representar a sua metáfora que por sua vez marca um romance tão belo que nenhuma produção televisiva nacional conseguiu reproduzir. Filmado em 35 mm, preto-e-branco e metade da sua duração é somente narrado de forma quase lírica por Henrique Espírito Santo, Tabu é a ultima sensação do nosso cinema e talvez mais uma bem-conseguida obra de Miguel Gomes, que cada vez mais afirma como o grande cineasta português que é. O realizador homenageia o antigo género romântico de aventuras do mesmo “sangue” de The African Queen de John Huston e até mesmo o lendário Casablanca, trazendo a luz um romance esquemático estilhaçado pela narrativa factual, mas que mesmo sob a sombra do reconto nasce algo tão puro e forte.

 

 

Tabu é dividido em duas partes, a primeira o qual se autodenomina de Paraíso Perdido, remete o espectador á Lisboa Actual onde seguimos Pilar (Teresa Madruga), uma mulher dedicada a causas sociais, que procura Ventura (Henrique Espírito Santo) a mando da sua moribunda e demente vizinha, Aurora (Laura Soveral). Miguel Gomes compõe na primeira parte um drama sobre senilidade, onde o espectador que ainda desconhecendo o passado dos eventos encontra-se envolvido com o próprio vazio que o autor recria por entre misticismo e um certo burlesco nos diálogos dos seus personagens. Porém é na chegada do segundo tomo, Paraíso, que a fita encontra a sua alma, iniciando-se num regresso ao passado, relatado por uma narração esquemática, rica e nunca emotiva mas sim de uma frieza mecânica algo melancólica que combina com o tom narrativo e interpretativo da obra de Gomes por parte de Espirito Santo.

 

 

Tabu integra-se nas paisagens de uma Africa Colonial para nos oferecer um país em via de mudança e conflito, nesse seio nasce então o romance central da fita de um registo semelhante de Out of Africa de Sydney Pollack e toda as suas consequências levadas num termo quase documental onde Miguel Gomes parece explorar a própria estrutura social do território colonial.

 

 

Eis um filme belo, rico em termos técnicos e singular na nossa filmografia. Uma obra que invoca fantasmas de um país arrasado para desintegração imperial, mas que mesmo assim o faz declarando amor aos actos e á arte em sim. Contudo não lhe ficaria mal com um pouco mais de humanidade e menos melancolia.

 

Real.: Miguel Gomes / Int.: Teresa Madruga, Laura Soveral, Ana Moreira, Henrique Espírito Santo, Carloto Cotta, Isabel Cardoso, Ivo Müller, Manuel Mesquita



 

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 22:53
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2 comentários:
De xuxas a 7 de Fevereiro de 2013 às 20:17
A primeira parte chama-se "Paraíso Perdido" e a segunda é que é "Paraíso".


De hair treatment a 8 de Fevereiro de 2013 às 04:46
Por que se chama "paraíso"? Vostede non pode ver, hai un cocodrilo?


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