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Título
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14.1.13


“It’s Alive!”

 

É o Mary Shelley contado para crianças. Tim Burton realiza a sua terceira metragem desta vez sob a chancela da Walt Disney, esboçando uma história referencial de uma criança (Barret Oliver, A Neverending Story) que perde o seu amado cão, Sparkly, mas que tenta devolve-lo á vida usando métodos muito semelhantes ao do famoso conto de Frankenstein. E não é por menos que o jovem se denomina por Victor Frankenstein, sendo evidentes a homenagem do autor para com o livro de Mary Shelley e as respectivas obras cinematográficas dirigidas em 1931 (Frankenstein) e 1935 (The Bride of Frankenstein) por James Whale (o tom preto e branco da fita não é em vão). Frankenweenie é uma curta engenhosa que confirma Tim Burton como um autor de referências e perito em trazer á vida histórias grotescas porém sempre venero para com o cinema familiar.

 

 

Mesmo por vezes submetido a um certo overacting interpretativo, é curioso descobrir e verificar esta transformação de elementos da cultura pop num simples amor entre miúdo e o seu cão, porque na verdade é apenas isso que a fita evidencia. Infelizmente Frankenweenie não agradou o estúdio na altura, a Disney acusou-o de ser demasiado violento e traumatizante para as crianças, sendo que este decidiu lança-lo de forma censurada e dispensar os serviços de Burton. A obra foi redescoberta em 1993, que gozou da cumplicidade de A Nightmare Before Christmas e de um prémio Saturn. Conta ainda com as participações de Daniel Stern (Home Alone), Shelley Duvall (The Shining) e uma muito jovem Sofia Coppola.



 

Após 26 anos depois e em jeito de redenção, a Disney volta a contratar Tim Burton e aufere-lhe a liberdade que este exigia para as suas fitas. Neste autor passa de uma fase de ascensão para cineasta de corpo inteiro, onde os seus cenários góticos e extravagantes, assim como a própria caracterização das suas personagens são a sua imagem de marca. Após ter servido de tarefeiro para o estúdio cujo ícone é o castelo da Bela Adormecida no estrondoso êxito de Alice in Wonderland, Burton impôs a Disney apoios para refazer a sua obra pessoal e subvalorizada, Frankenweenie. O realizador abandona a acção real, rejeita qualquer uso de CGI e transforma a história de afecto entre um miúdo e o seu cão num festim que extrai o melhor da animação stop-motion.

 

 

A assinatura de Burton está presente no visual do filme, um cemitério animal gótico e pitoresco é o seu toque mais evidente, e as referencias que anteriormente limitavam-se sobretudo ao conto de Mary Shelley, desta vez estendem-se para a galeria de monstros clássico da Universal Pictures e da Hammer como também passando por outras obras de terror que os cinéfilos facilmente identificarão. Este alargamento de horizontes no argumento também pode ser interpretado como uma forma do autor em conseguir aguentar Frankenweenie a conversão de curta para longa-metragem.

 

 

Mesmo que queiramos gostar deste episodio cirúrgico da mente de Burton existe algo que que impede de realmente o amarmos. Até certa altura a personagem de Victor (com a voz de Charlie Tahan) questiona o seu excêntrico e igualmente sombrio professor de ciências (Martin Landau) o porquê da mesma experiência não obteve os mesmos resultados em ambas as tentativas. A resposta dada pelo seu mentor foi que mesmo na ciência o coração também deve ser empregue, na primeira tentativa Victor a concretizou tal feito, mas na segunda o fez de uma maneira tão mecânica e pouco sentimental. Enquanto em 1984, mesmo com poucos meios, Tim Burton conseguiu assim concluir um projecto de sonho e de eterno afecto em 2012 o faz porém de um jeito menos pessoal, mais comercial, mais pretensioso e sim, mais mecânico. Não com isto esteja a insinuar que Frankenweenie seja um fracasso da sua carreira, nem por isso, trata-se todavia de uma obra incontornável do autor, e isso ninguém nega, bela em termos visuais e engenhosa nas referências, mas a inocência e a criatividade de Tim Burton parece ter perdido tornando esta seu novo produto de stop-motion ausente de magia de outrora. Contudo vale a pena a espreitadela.

 

“Your dog is alive!”

 

Real.: Tim Burton / Int.: Shelley Duvall, Daniel Stern, Barret Oliver // Catherine O`Hara, Martin Short, Martin Landau, Charlie Tahan, Atticus Shaffer, Winona Ryder



 

Frankenweenie (1984) 8/10 

Frankenweenie (2012) 7/10

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:13
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