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9.1.13

O regresso da espectacularidade musical!

 

Uma das obras-primas de Victor Hugo, inúmeras vezes adaptada ao grande ecrã como também ao pequeno, conhece agora uma nova versão pelas mãos de Tom Hooper, que ainda se encontra na luz da ribalta pela sua vitória nos Óscares de 2012 com The King’s Speech com Colin Firth, onde levou para casa a estatueta de Melhor Realizador como também o de Melhor Filme. Les Miserables porém difere das outras conversões por ser directo com o musical adaptado por Alain Boublil e Claude-Michel Schönberg, um dos mais recentes êxitos do teatro musical que reúne todo os ingredientes necessários para garantir um novo sucesso para Hollywood, buscando fonte de inspiração aos clássicos do género, pomposos e pretensiosos, sem qualquer incerteza quanto às categorias. 

 

 

Trata-se de um musical épico, ninguém nega tal coisa, onde Tom Hooper elege um elenco de luxo para interpretar as célebres e eternizadas personagens imaginadas por Victor Hugo numa ópera sem fim com cenários e uma produção fabulosa e extensa ao serviço. O realizador contudo vai mais longe na rodagem deste Les Miserables, ao invés do habitual playback, impera com que os actores cantem ao vivo acompanhados por um simples piano, a orquestra é porém adicionada apenas na sua editação, com isto Tom Hooper nos aufere um espectáculo mais viral e melodicamente visceral. E tendo em conta as suas raízes musicais, a ópera, a fita é toda ela um remix sem pausas e ausente de mudança de faixas, onde a musica não encontra-se integrada na narrativa mas sim é ela a narrativa. Tal formato poderá afastar os menos convictos do género, porém torna-se num espectáculo glorioso para os verdadeiros adeptos.

 

 

Estamos perante em algo digno de ser visto numa sala de projecção como mero evento, um musical cuja receita poderá cair no exaustivo e no demasiado presunçoso, Hooper oferece-nos momentos musicais de mestre, mas não se consegue enquadrar na perfeição a forma como o entrega, o elenco é valorizado principalmente com o desempenho de Anne Hathaway, emotivamente arrepiante, Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter sem surpresas, funcionam como um par de figuras antagónicas de teor cómico e Hugh Jackman a descobrir uma das suas zonas de conforto. Contudo fica-se com a ideia de que existiria melhores opções para o papel de Javert do que Russel Crowe, que para além de prejudicado pela personagem mais desinteressante em termos de concepção do filme ainda temos um actor atractivo para o grande publico mas sem vocação para este género.

 

 

Les Miserables é algo bem decorado, bem representado e luxuoso na sua forma. É um must do género e uma inovadora ousadia do seu campo, mas infelizmente não é brilhante, fraquecido por um elenco exemplar em contraste com equívocos de casting e por uma montagem pomposa que por vezes condena o próprio musical. Uma produção há muito não vista.

 

“I dreamed a dream”

 

Real.: Tom Hooper / Int.: Hugh Jackman, Russell Crowe, Anne Hathaway, Amanda Seyfried, Eddie Redmayne, Helena Bonham Carter, Sacha Baron Cohen

 

7/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:56
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1 comentário:
De Gustavo a 10 de Maio de 2013 às 10:26
Que filme entediante! cheguei mesmo a adormecer


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