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27.12.12
27.12.12

Prova de Amor!


Michael Haneke abandona o thriller psicológico, mesmo que este seu Amour, vencedor da Palma de Ouro do último Festival de Cannes e de uns quantos elogios por esse mundo fora, seja igualmente intenso. A nova obra-mestra do realizador austríaco tão bem conhecido pelo público pelo seu trabalho em Funny Games (1997), Caché (2005) e The White Ribbon (2009) não permanecerá apenas na memória por ser um se não o filme mais aclamado do ano 2012, obviamente não é devido a esses termos. Amour de Haneke merece ser relembrado por ser aquilo que é, um hino com a assinatura do autor ao afecto mais inconsolável e duro de morrer.

 

 

Eis um retrato ausente de sentimentalismo e lamechice que não tenta de certa forma impressionar os mais susceptíveis nem fazer uso do drama “puxa-lagrimas” barato, Michael Haneke pinta uma gradual descida ao infernal beco sem saída que é a morte, mas além de mais o aborda numa perspectiva que os românticos mais incuráveis aclamaram como a prova definitiva de amar. O cineasta invoca as promessas mais difíceis de cumprir, integradas nos votos matrimoniais, onde o qual se pode anunciar: amar e cuidar na saúde e na doença até que a morte os separe, votos, esse que Michael Haneke parece ter levado á risca e na coluna da perfeição com o seu casal descrito.

 

 

Jean-Louis Trintignant, actor francês algo desaparecido no cinema e refugido no teatro, escolha obvia do cineasta Haneke o qual este salientou ter escrito o personagem a pensar nele, interpreta Georges um octogenário professor de musica que é confrontando com o maior e mais cruel de todo os desafios da sua vida, ver diante dos seus olhos a sua amada esposa, Anne (Emmanuelle Riva) a sucumbir a uma doença que lhe a leva incapacidade e á demência. O sofrimento está presente em toda a sua narrativa que nunca dá descanso ao protagonista nem ao espectador que quase partilha a mesma compaixão, mas Michael Haneke não faz disso um espectáculo, apenas de eterna e conhecedora dor e medo. O receio de perder aqueles que mais ama sem que nada possamos fazer.

 

 

Uma obra sensível, onde os actores dão o melhor de si, sem que isso lhes peça para serem extremamente dramáticos e teatrais, apenas sofredores credíveis numa fita que é executada como uma eterna carta de amor fosse, um suspiro de perdição sem nunca ser correspondido, não por motivos sentimentais, mas porque a morte é o maior dos inimigos. Amour é um filme obrigatório, vindo da alma mais delicada de Haneke e a continuação do seu perfeccionismo.  

 

Real.: Michael Haneke /  Int.: Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert, Rita Blanco



10/10
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publicado por Hugo Gomes às 01:20
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