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26.12.12

Um olhar cinematográfico de Leos Carax!

 

É estranho? É. É singular? É. Bizarro? Também o é, embora de uma forma criativa. Holy Motors é a nova obra do cineasta Leos Carax, um regresso às longas-metragens treze anos após o seu fracassado Pola X com Guillaume Depardieu e Yekaterina Golubeva. No seu novo e já muito elogiado filme, Carax invoca a sua paixão pelo cinema e decide referenciá-la de uma maneira única, porém, sempre fiel ao seu legado como autor-amante. O cineasta encontra assim refúgio numa sala de cinema, sem qualquer ligação com o mundo exterior.

 

 

Interrogando-se dos porquês e dos acréscimos do seu eterno romance com a sétima arte e exclamando da pulcritude que é entrar num lugar onde todos os seus desvaneios são possíveis, Leos Carax envia o espectador para um universo algo alternativo, onde apenas os fantasmas percorrem as ruas de uma Paris com mais vivência que os próprios vivos que encontra a sua beleza narcisista no acto das suas personagens, reflectidas nas suas acções como o homem por detrás da câmara. Sob um bizarro enredo, surge-nos uma homem de mil faces e almas (Dennis Lavant), vagueando por entre a capital francesa sempre acompanhado pela sua limusine,  que por sua vez se revela num bastidor para o mundo supostamente “real” (não, este não é uma sequela de Cosmopolis de David Cronenberg), preenchendo o seu dia de compromissos que resumem a variadas vidas expostas. 

 

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A personagem de Lavant é um multifacetado, um ser intrinsecamente composto por vácuo que se plenifica debaixo de meios camaleónicos. Sob esse processo, Leos Carax cataloga um leque de personagens bizarras, negras e singulares, em que cada uma dessas invocações, tem como propósito homenagear os diferentes tipos e géneros de cinema, os estilos a metáforas, o clássico e primórdio como o cinema mudo e o ainda recém-nascido até a complexidade visual da era tecnológica moderna (como podemos assistir nas sequencias de motion-capture que capturam uma tamanha beleza e sensualidade), o musical hollywoodesco e emocionante onde a cantora/actriz australiana Kylie Minogue interpreta com alma até chegar à prosopopeia cinematográfica assistida no último tomo, quando a limusine que transporta o nosso “viajante cinematográfico” decide demonstrar a sua personalidade tal como produto digno da Disney / Pixar, o qual o autor o descreve como uma personagem no meio de personagens, salientando-o e destacando-o mais que um simples meio de transporte de características cénicas e glamorosas.

 

 

Holy Motors englobe muitas variantes, muitos requintes e muitos géneros, tornando-o quase inclassificável dentro do seio cinematográfico. Um OVNI assim por dizer, Leos Carax se comporta como um visionário, um homem expressivo e distinto no seu amor por esta diversificada arte. Singela e pura paixão que nos traça algo nunca visto e rico.

 

Real.: Leos Carax / Int.: Denis Lavant, Edith Scob, Eva Mendes, Kylie Minogue, Michael Piccoli

 


 

10/10
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publicado por Hugo Gomes às 19:29
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1 comentário:
De Sam a 3 de Janeiro de 2013 às 23:13
Esta crítica mereceu destaque na rubrica «A “Polémica” do Mês» do Keyzer Soze’s Place, disponível aqui: http://sozekeyser.blogspot.pt/2013/01/a-polemica-do-mes-18.html

Cumps cinéfilos.


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