Data
Título
Take
8.12.12

Uma aventura sem precedentes!

 

O mal encontra-se entranhado nos vales da morte de Isengard enquanto um exército negro é formado, as tenebrosas e claustrofóbicas minas de Mória ocultam inimigos mais antigos que o próprio tempo, os colossos de Argonaths presenciaram um passado de glória e plenitude, porém ainda majestosos e preservados pelo tempo, a beleza angelical da cidade dos elfos, Rivendell, um local tão mágico e místico que revela uma era desajustada aos tempos que decorrem. São elementos como estes que tornam The Lord of The Rings numa paragem obrigatória pelo canto da fantasia, quer na literatura, quer no cinema.

 

 

O mérito obviamente é de J. R. R. Tolkien que escreveu um conjunto de obras literárias que fomenta um dos mais sólidos e complexos mundos alternativos alguma vez criados, a Terra Média (Middle Earth), elementos medievais unidos com mitologia e folclore que segundo o autor, ausentes no seu país de origem, Inglaterra. A trilogia mundialmente famosa do professor de Inglês em Oxford é deveras rica em personagens como também nas suas próprias caracterizações, Tolkien parece assim ter criado um historial para cada uma delas, esboçando desde raiz um Universo que poucos ousariam a arquitectar. Elaborou situações que se cruzam com as memórias e experiências do qual experienciou, entre os quais os traumas de uma guerra (Primeira Guerra Mundial) que este viveu intensamente e directamente. Tolkien transferiu tais sentimentos, relatos e segredos de um ser para este seu mundo criativo e em toda a sua estrutura modelar. Uma obra-prima literária que demonstrou um génio de um criativo escritor que em tempos se tornou em material infilmável para o cinema, sendo poucos que se aventurariam a fazê-lo.

 

 

Contudo um homem saído de projectos de teor trash e muito gore à mistura, arriscou no inimaginável, a crença nele era minimamente baixa. Muitos julgavam que este senhor de nome Peter Jackson, anteriormente conhecido pelos filmes de culto como Bad Taste e Braindead, iria na melhor das hipóteses fracassar. A luta foi árdua e exaustiva para obter luz verde de algum estúdio, ninguém ousaria em financiar a aparente desgraça cinematográfica, todavia New Line Cinema acreditou no potencial do realizador neozelandês o qual também incentivou para que este materializasse aquele que para muitos é um, se não o mais, bem conseguido universo fantásticos do cinema. Assim The Fellowship of the Ring, o primeiro capítulo da trilogia, fora esperado com alguma expectativa e claro, bastante receio. A duração da fita era longa e há muito que o público não assistia na grande tela uma combinação de épico e fantasia.

 

 

O resultado foi assim inesperado, vindo de um realizador trash surgiu-nos uma obra que condensa mas que porém não retira força a um primor da literatura inglesa. Um épico, verdadeiramente e meritamente assim chamado, de efeitos especiais sofisticados e credíveis, um elenco fabuloso e competente, cenários que parecem saídos da própria imaginação de Tolkien, uma beleza de cortar a respiração numa produção sem precedentes à escala mundial. A riqueza mantêm-se numa aventura extensa e sedutora, o destino de um mundo que não é o nosso entranha-se dentro nós e nos impera a seguir no seio de uma clássica batalha entre o bem e o mal. Acompanhamos de perto feiticeiros, anões, elfos e outras criaturas mágicas, todas elas reproduzindo peões numa jogada complexa de guerra. Por vezes belo, outras vezes sem folego, Peter Jackson consegue algo puro, primitivo por vezes, lucido e corajoso, um tipo de cinema que não se assistia desde a era de ouro de Hollywood. O autor consegue um trabalho de realização que equipara ao próprio interesse narrativo.

 

 

A primeira estância é assim arrancada com êxito e por uma força inspirada e por vezes sublime que prepara o público para ser inserido nesta jornada que se concentra o ultimo reduto de esperança, lado-a-lado com algumas das mais célebres personagens da Sétima Arte, um feiticeiro sábio e carismático, Gandalf (Ian McKellen), um arqueiro elfo de poucas palavras e de muita acção, Legolas (Orlando Bloom), um anão rezingão e orgulhoso, Gimli (John Rhys-Davies), um rei por direito porém convertido a peregrino, Aragorn (Viggo Mortensen) e por fim o martirológico hobbitFrodo (Elijah Hood), personagem tão pequena que curiosamente serve de pilar para toda esta ambiciosa trama. Uma das maiores aventuras cinematográficas desde que a Sétima Arte se tornou Sétima Arte, e que inevitavelmente a não perder os próximos capítulos.

 

“You cannot pass! I am a servant of the Secret Fire, wielder of the Flame of Anor. The dark fire will not avail you, Flame of Udun! Go back to the shadow. You shall not pass!”

 

Real.: Peter Jackson / Int.: Elijah Wood, Ian McKellen, Ian Holm, Viggo Mortensen, Sean Bean, Sean Astin, John Rhys-Davies, Cate Blanchett, Liv Tyler, Orlando Bloom, Hugo Weaving, Christopher Lee, Dominic Monaghan, Billy Boyd

 


 

10/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 18:27
link do post | comentar | partilhar

1 comentário:
De Frederico Daniel a 25 de Agosto de 2016 às 11:40
O Senhor dos Anéis - A Irmandade do Anel: 4*

Gostei bastante da história de "O Senhor dos Anéis - A Irmandade do Anel" e conseguiu cativar-me, o argumento de "The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring" estava bem construído e todas as personagens me cativaram à sua maneira.

Cumprimentos, Frederico Daniel.


Comentar post

sobre mim
pesquisar
 
arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


recentemente

A Liga da Justiça decepci...

Primeiro vislumbre da seq...

Arranca o 11º LEFFEST – L...

The Square (2017)

Pedro Pinho avança com no...

Justice League (2017)

Hitman será série de tele...

Vem aí novo spin-off de S...

Afinal vai mesmo haver sé...

Gal Gadot recusa fazer Wo...

últ. comentários
Nice. Ansioso por ler a crítica e a entrevista ent...
Rapaz, o Lucky já o vi em visionamento de imprensa...
Em quais sessões estás interessado? Amanhã vou ver...
Ando por lá, sim, nem que seja só para entrevistas...
Aquela música, meu! Voltei a ser criança. Hugo, pe...
Takes
10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
stats counter
HTML Hit Counter
counter
links
mais comentados
25 comentários
20 comentários
13 comentários
12511335_1084470088250815_732384524_o
subscrever feeds
blogs SAPO