Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2012

O fim do Mundo segundo Ferrara!


 

Já lá vai o tempo em que Abel Ferrara fazia filmes para todos, agora apenas os executa como mero gozo próprio. Não que isso seja mau, liberdade artística é algo que poucos conseguem alcançar e muito menos aqueles que podem tirar o seu proveito e reconhecimento, desses mesmos ilimitados horizontes de criação e personificação. Porém é costume dizer que é sempre demais enjoa, o comercial em excesso é prejudicial e vendido e o artisticamente exagerado por vezes tem semelhanças com a masturbação narcisista, é prazer intimo, próprio e não partilhado. Não com isto esteja a insinuar que Abel Ferrara faça parte desse grupo de cineastas presunçosos e “self-called” donos da razão, porém com o passar dos anos tem-se tronado num mero experimentalista, negando as suas origens e inicio, ainda definindo o seu próprio estilo.

 

 

Considero Abel Ferrara num autor incompleto, ainda presente na faze da procura do seu íntimo artístico e na evolução cinematográfica. 4:44 é a suas mais recente obra realizada, um relato quase detalhista e supostamente calculado daquele que seria o ultimo dia de vida do Planeta Terra. A desculpa arquitectada para este fenómeno foi uma piada norte-americana de mau gosto do estilo “Al Gore is right”, a poluição atingiu níveis insuportáveis, dissipando toda a camada do ozono, assim levando o nosso Mundo a expirar dentro de um prazo de validade, um incerto dia porém com hora marcada para as 4 horas e 44 minutos. Abel Ferrara comporta-se da forma mais incredível para transmitir a sensação de desespero que supostamente deveria estar presente no seu leque de personagens, ao invés de uma constante indiferença.

 

 

Willem Dafoe e Shanyn Leigh desempenham um casal que é então desafiado pelo maior dos obstáculos, a destruição total. Uma relação testada ao limite pela pressão do iminente apocalipse que irá revelar as fraquezas de ambos, porém reconciliá-los com os aspectos que os mantém unidos como casal, a necessidade de amar e sentirem-se amados até ao último minuto. Infelizmente isto é teoria, porque supostamente Abel Ferrara parece retratar a redenção com puro sexo em sequências longas, manipuladas e ausentes de sensualidade como também da frieza carnal.

 

 

O cineasta falha em concretizar a sua homenagem ao Planeta Terra, esfaqueando a narrativa com imagens de televisão que parece ecoar como próprios narradores. Ferrara não inova e mesmo sob o pretexto do Skype em constante online na narrativa e no destino dos personagens, o retrato e a abordagem é comparativa a um filme do passado, em desuso, embora inadaptado. Esquiva do histerismo e o sensacionalismo mas esquece do poder da sua temática e ignora a credibilidade e a emoção que poderia originar, pois porque 4:44, O Ultimo Dia da Terra é um ensaio demasiado frio para incutir o seu próprio drama. Uma teatralidade à reality show onde uma vez mais confirma-se a falta da alma de Abel Ferrara.

 

“All we have is each other. I love you. And we`re are angels. Already”

 

Real.: Abel Ferrara / Int.: Willem Dafoe, Shanyn Leigh, Natasha Lyonne



 

5/10
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publicado por Hugo Gomes às 21:48
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