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29.7.07

 

O lado negro do Homem-Aranha?

 

Com um início meramente recortado de relação entre herói e vilão, um segundo filme que supera a fórmula e expõe as figuras sobre-humanas dos comics ao existencialismo e ao melodrama, Sam Raimi preparou-se para o maior desafio do franchising, criar o maior e mais ambicioso Spider-Man do cinema.

 

 

Adivinhava-se algo épico dentro das próprias convecções do “blockbuster”, o “aranhiço” iria por fim revelar a sua faceta mais negra (e literalmente), enfrentando os inimigos mais perigosos e pessoais do seu trilho como herói enquanto conjuga o seu alter-ego com as crises matrimoniais da sua vida como mero cidadão de Nova Iorque. Mas perante tal complexidade e diversidade de temas e temáticas, como também “lugares marcantes” da BD original, Spider-Man 3 revelou-se num “pés pela cabeça” em termos narrativos com um realizador, que outrora dignificou o subgénero, a desleixar-se perante a tomada do estúdio e marketing em agradar fãs e com isso prejudicar todo um fio condutor narrativo do filme.

 

 

Não que seja um exercício totalmente ruim de facto, são alguns momentos que expõe um lado genial de Raimi como realizador e catalisador de sentimento (o ascender de Sandman, um dos três vilões do filme, acompanhado por uma partitura musical de Christopher Young, figura-se como uma das melhores sequências da saga), contudo são imensas as redundâncias nas ligações entre personagens, na infantilização do prometido (afinal o lado negro do Homem-Aranha é uma simples variação de A Mascara de Jim Carrey) e da intriga e na sucedida colagem narrativa que demonstra.

 

 

Ora se de um lado temos um revisitar do passado do protagonista, com Thomas Haden Church a compor de forma eficiente o seu Homem de Areia (Sandman), do outro temos os “emplastros”, personagens e situações unidimensionais que parecem inseridas na intriga no filme para simples júbilo do fã (Topher Grace e o seu Venom, o mais mortal dos inimigos de Spider-Man reduzido a adereço de última hora, e uma inútil Bryce Dallas Howard como um outro interesse amoroso). Esta confusão ainda tem como pecado desperdiçar um potencial subenredo que o próprio Sam Raimi tem vindo a desenvolver em dois filmes, uma rivalidade no seio de uma velha amizade, tudo isso abordado de forma imatura e inconsequente, coisa que a sua prequela evitava a todo o custo. Mas pelo menos o filme melhora com J.K. Simmons em cena.

 

 

E pronto, no final de contas tudo reduziu a isto, Spider-Man mergulhado na espectacularidade visual, na sucessão de sequências de acção e efeitos visuais utilizados de forma delinquente, na vacuidade das suas intrigas e na unidimensionalidade das suas personagens, levando consigo as interpretações (actores a citar o caricatural). Depois de tê-lo tirando, Sam Raimi volta a enterrar os super-heróis na marginalidade.   

 

A man needs to put his wife before himself. Can you do that, Peter?”

 

Real.: Sam Raimi / Int.: Tobey Maguire, Kirsten Dunst, James Franco, Topher Grace, Thomas Haden Church, Bryce Dallas Howard, Rosemary Harris, J.K. Simmons, James Cromwell, Elizabeth Banks, Bruce Campbell

 

 

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Spider-Man 2 (2004)

4/10
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publicado por Hugo Gomes às 19:57
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