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Título
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13.10.12

Tóquio visto de cima!

 

Em relação a Gaspar Noé, ou se ama ou odeia, não existe meio-termo na sua filmografia, e a prova é mais evidente com a chegada de Enter The Void, a sua nova obra, que estreia nos cinemas portugueses após dois anos de atraso. Noé ficou nas bocas do mundo com Irréversible em 2002, que acendeu uma discussão no meio da comunidade cinéfilo devido ao seu conteúdo como também do seu modelo narrativo. Foi uma fita de cujo conteúdo foi de enorme teor de violência gráfica e sexual e tudo em doses generosas, entre os quais apresentou uma repugnante, detalhada e longa sequência de violação á personagem de Monica Bellucci, o qual obviamente fora referenciada e analisada por fins críticos e de aclamação.

 

 

Em Enter the Void, que entre nós apresenta o subtítulo português de Viagem Alucinante, titulo que não se encontra muito longe da verdade no que refere a caracterizar a fita, reúne todo os ingredientes já usuais da carreira do cineasta, todos encenando um teatro de morte sob o olhar atento da câmara ao estilo God’s Eye (plano visto do tecto), na segunda parte e na primeira pessoa na parte inicial. Gaspar Noé concretiza uma viagem metafisica e explora a inexplorável vida após morte de uma forma pouco atraente, dolorosa, deprimente e também decadente, citando com força o Livro Tibetano dos Mortos e sublinhando conforme a história do seu protagonista, Óscar (Nathaniel Brow), um jovem traficante de drogas que vive em Tóquio e fica interessado no conteúdo do dito livro. Porém é morto pela polícia nipónica quando um dos seus clientes o denunciou. A partir daí, como se a alma de Óscar vagueasse sobre aqueles que lhe estão mais próximos, somos apresentados a ocorrências do passado, presente e futuro, demonstrando todo o modelo de pós-morte ditado por Livro Tibetano dos Mortos.

 

 

Eis uma experiencia que não deixará ninguém indiferente, sendo que na minha humilde opinião a primeira parte narrada na primeira pessoa seja a incursão mais inteligente e interessante de todo o filme. Um dos feitos bem conseguidos é quando Gaspar Noé aproveita desse conceito narrativo para garantir a falada viagem alucinante que havia prometido aos espectadores, o qual sob o efeito fictício de drogas dá um “show” visual mais próximo da realidade quer a nível de visualização como atém mesmo sensorial. Na segunda parte caímos em território de Noé, o qual a depressão invade as audiências perante uma decadência humana e um desespero sem fim enquanto o cineasta brinca com modelos narrativos e com o experimental técnico.

 

 

Ninguém garante que Enter the Void é um “feel good movie” nem algo de belo e visualmente maravilhoso, se existisse um género oposto obviamente a ultima obra de Gaspar Noé estaria dentro do grupo. Todavia esta Viagem Alucinante, que as distribuidoras portuguesas venderam e bem, é uma “trip” a uma Tóquio sob o efeito de alucinogénios, uma profunda analise às crenças mortuárias que definem a vida e a julgam inconscientemente. Um muito pesado filme (e longo) para ver e acender a discussão.

 

“Do you remember that pact we made? We promised to never leave each other.”

 

Real.: Gaspar Noé / Int.: Paz de la Huerta, Nathaniel Brown, Cyril Roy, Olly Alexander, Masato Tanno

 

 

Ver também

Irréversible (2002)

9/10

publicado por Hugo Gomes às 16:22
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5 comentários:
De Gustavo a 11 de Novembro de 2012 às 00:04
Um dos piores filmes que vi na minha vida


De Isabela Salles a 14 de Dezembro de 2014 às 06:19
Esse tipo de filme não é pra qualquer um. Vai assistir crepúsculo q vc ganha mais


De a 17 de Março de 2013 às 21:51
Também gostei mais da parte inicial, na primeira pessoa....
Depois a segunda parte, também não está mal levando-nos numa verdadeira viagem alucinante.


De bruno a 2 de Janeiro de 2015 às 19:42
pra mim esse foi o melhor filme que ja vi !!! gosto é gosto


De Viajante a 6 de Julho de 2015 às 17:40
Simplesmente o filme descreve literalmente a TRIP que é quando se usa a substância citada, o 5-MeO-DMT.
Basicamente a viagem é tão forte, tão forte, que no fim dela, o cara parece que "nasceu" denovo.
É por isso que Alex já começa citando que o DMT em si, é uma substância liberada no cérebro quando estamos morrendo, já essa 5-MeO-DMT, é poderosamente, incrivelmente, indubtavelmente, a mais forte que existe. Se você reparar no filme por esse ângulo de visão, verá que faz TOTALMENTE sentido!


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