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2.9.12

Matrix: a trilogia que demora a envelhecer!

 

Durante a estreia do derradeiro capítulo final da trilogia Matrix, Revolutions, alguém afirmava que o trabalho fruto de Andy Wachowski e Larry Wachowski estava a ser vítima de incompreensão, sendo que as audiências de 2003 ainda não se encontravam preparados para interpretar a trilogia futurística da Warner Bros. A verdade é que nos dias de hoje, Matrix parece ter sido reduzido a uma espécie de esquecimento, pouco citada dentro das trilogias actuais, contraditório sendo que os “tiques” e feitos levados por esse grupo de filmes contagiaram uma geração “pop” cultural que se manteve presente no nosso imaginário e no cinema que era produzido. Todavia com o esquecimento sensacionalista do fenómeno Matrix, o franchising conhece assim as “portas” do culto, e é nisso que o trabalho dos irmãos Wachowski se tornou, mera obra de culto.

 

 

Na sua época de estreia, o par de realizadores pouco comentou a sua finalizada obra, porém Laurence Fishburne, que interpreta uma das personagens estrelares da saga, Morpheus, salienta que a trilogia corresponde a existência, sendo o primeiro filme uma ilustração de “nascimento”, Reloaded como “vida” e por fim Revolutions como “morte”, as três etapas do ciclo de um messias. E não é por menos que Matrix seja no fim isso, um retrato ilustrativo da figura messiânica, “personagem” sempre presente em qualquer religião, fermentadora de milagres e esperança, a crença que divide os seguidores e os cépticos, e Neo (Keanu Reeves) a certo ponto representa o esquema desse estatuto, como completa-se de certa forma o mesmo trilho de Jesus Cristo e outros messias religiosos. Até mesmo o pormenor da cegueira os irmãos Wachowski incutiram em Neo, visto como um sacrifício que irá fortalecer a crença envolto de sua figura.

 

 

Matrix Revolutions resultou num êxito de bilheteira, porém fracassado em comparação com o sucesso de Reloaded (750 milhões face aos 420 milhões de dólares recolhidos pelo terceiro capitulo em todo o Mundo). A fita foi filmada em simultâneo que o segundo filme, sendo que a espera foi menos dolorosa pelos fãs e pelos “novos” adeptos assim conquistados, Revolutions obteve a antecipação, muito graças á “graxa” que Reloaded fazia com os espectadores, tecendo uma teia que caracterizava o último filme como deveras épico, muito antes de alguém o ter visto, e não é por menos, o event movie do tomo dois adivinhava ambição em doses elevadas, todo uma conspiração única e arquitectada a todo o pormenor com o conceito da evolução dos efeitos visuais que os irmãos Wachowski encontravam-se como pioneiros. Contudo não é preciso juntar um mais um para saber que quanto maior é o grau de expectativa, maior é o grau de desapontamento, pois bem é que Matrix Revolutions desapontou e muitos os inúmeros fãs e espectadores, que são mesmo os poucos que conseguem defender.

 

 

Na verdade, Matrix Revolutions tinha todos os ingredientes suficientes para recriar um final épico memorável, mas tudo cai por terra quando somos induzidos a um festim de tão inovadores efeitos visuais que como já adivinhávamos em Reloaded tornaram-se imagens de marca do franchising e nisso preenchem o vazio que os irmãos Wachowski não conseguiram evitar. As ideias estão lá, os personagens estão lá, as intrigas estão lá e o argumento tem os seus ares de astucia e complexidade, mas em Revolutions assistimos a um afastamento longínquo do ambiente trazido pelo primeiro e o par de realizadores cede ao mais básico da ficção cientifica, o reduto dos últimos seres humanos, o confronto físico entre humanos e maquinas com toda a artilharia já vista e revista e os conceitos já formados com outra saga incontornável do género, The Terminator. Com isto desperdiça-se personagens, teses e afins, para nos oferecer algo épico, mas monótono e por vezes aborrecido. E quando a fita tenta devolver o espirito, é tarde demais, mas um demais memorável que revela o fascínio eterno do franchising pelos efeitos visuais de ultima geração (nota-se o confronto final de Neo e Agente Smith que vem de certo modo relembrar todos os avanços tecnológicos no campo do CGI).

 

 

Todo o universo de Matrix confirma-se neste filme, uma “evangelização”, um genoma base de qualquer religião formada, aqui desenganado como filme de acção e frenesim científico. Mesmo que decepcionante, Matrix Revolutions ainda contêm todos os códigos e “hieróglifos” que o fizeram na saga que é hoje relembrada, a eterna batalha entre herói e vilão (a calma mecânica e cavalheira de Hugo Weaving como Smith o converte num dos mais memoráveis vilões de que há memoria), toda uma linguagem de informática que traduzem no mundo fictício dos irmãos Wachowski (teoricamente não tão diferente que o nosso) e a evolução do romance entre Neo e Trinity (Carrie-Anne Moss) que aqui roça o exagerado bacocismo. Matrix Revolutions pode não ser perfeito, pode não ser o desfecho que pretendíamos, pode não ser aquilo que os irmãos cineastas nos prometeram e pode e muito ser desapontante, aliás sacrificaram um grande filme em prol da ambição comercial e nisso talvez não o podemos julgar.

 

 

Mas não há sinais de dúvidas que se trata de uma das trilogias mais importantes na nossa história e difícil é de imaginar a evolução dos efeitos visuais sem estes exemplares e todo um código de “tiques” e elementos trazidos por estas relíquias tecnológicas que demoram e muito a envelhecer (teríamos que dizer adeus a Equilibrium e Inception se não existisse Matrix). Por fim com um final suficientemente aberto que dá espaço para futuras sequelas (que demoram muito a surgir) e uma banda sonora contagiante, vibrante electro- orquestrada com teor épico, Matrix Revolutions é um espectáculo profissional porém falhado e igualmente vazio que refere uma evolução cinematográfica que as audiências da altura não compreenderam. A verdade seja dita, quanto mais tempo passa, Revolutions torna-se gradualmente melhor. Esperemos que sim. Culto garantido para toda a saga.

 

“Wait. I've seen this. I stand here, right here, and I'm supposed to say something. I say, "Everything that has a beginning has an end, Neo."”

 

Real.: Andy Wachowski, Larry Wachowski / Int.: Keanu Reeves, Laurence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Hugo Weaving, Monica Bellucci, Jada Pinkett Smith, Harold Perrineau Jr., Harry Lennix, Lambert Wilson

 

 

Ver também

Matrix (1999)

The Matrix Reloaded (2003)

5/10
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publicado por Hugo Gomes às 17:44
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1 comentário:
FAS MATRIX REVOLUTIONS EU KARINA IDALA 18 ANO CASAR SOLTA NAMARADA SIM NAO MADA UM MENSAGEM AGORA KKKK


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