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21.8.12

O fim da trilogia do cruzado encapuçado!

 

Oitos anos passaram-se desde a morte de Harvey Dent (Aaron Eckhart) e do desaparecimento de Batman. Gotham City vive momentos de paz enquanto se faz respeitar uma nova ordem que facilita a prisão de criminosos. Durante este período, Bruce Wayne acolhe uma vida de eremita na sua própria mansão, uma demonstração de desgosto pela trágica morte de Rachel (Maggie Gylenhaal). Todavia esta “paz” é abalada com a chegada de um terrorista de nome Bane (Tom Hardy), um homem misterioso, que de certa maneira encontra-se ligado ao passado de Wayne, com a promessa de reduzir Gotham a cinzas.

 

 

Um dos mais antecipados filmes de 2012, The Dark Knight Rises fecha a trilogia criada por Christopher Nolan envolto da personagem gerada pela mente de Bob Kane e de Bill Finger. O realizador que surpreendeu tudo e todos em 2008 com The Dark Knights  (aquele que é para muitos uma das "queridas" adaptações de um super-herói de BD) promete condenar o seu Batman a um desfecho impróprio para a comercialização dos eventuais seguimentos, terminando assim um legado cobiçado por muitos estúdios. Ao contrário do seu antecessor de grande êxito, que emanou um estilo neo-noir próprio do cinema de Michael Mann, The Dark Knight Rises é contagiado por um sintoma apocalíptico e bigger than life possível, com isso Christopher Nolan se afirma como um cineasta que há muito não se via para os lados de Hollywood, convertendo um dos prováveis blockbusters de Verão numa produção de grande escala equiparado aos colossais épicos fôlego interminável da Era Dourada do cinema norte-americano.

 

 

Nolan filma longas sequências em IMAX, garante figurinos suficiente para as mais elaboradas cenas e evita a todo o custo o CGI, fruto disso temos pirotecnia gratuita e acção a rolos para os verdadeiros apreciadores da arte da acção "old school". Como ensaio de acção, The Dark Knight Rises revela-se com génio, arquitectando os maiores desafios de que Batman alguma vez enfrentara e apresentando a nós um vilão carismático e terrivelmente cruel que promete fazer de Joker de Heath Ledger num “menino de coro”. Porém, é traído pela própria forma, enfraquecendo constantemente com a passagem da narrativa.

 

 

Todavia, longe do seu hype e das escolhas ousadas e de “homem” por parte de Nolan, The Dark Knight Rises é um projecto em mão, feito com nervosismo de não desiludir uma massa motivada pelo filme-evento de 2008. Nota-se um calculismo cuidado quanto à sua produção, porém, a infelicidade surge quando nos deparamos com um filme desequilibrado, mesmo sob o catálogo de “must see” da temporada, não escondendo os seus contornos de proto-fascismo, esses já sugeridos durante o decorrer da narrativa. A começar pelo argumento da autoria do cineasta, em conjunto com seu irmão mais novo, Jonathan Nolan, tão pretensioso que se esquece de completar os "buracos de lógica" que vão sido invocados ou de conseguir fluir a narrativa, constantemente encarada com absoluta seriedade, e sem travão para tal. Existem ainda inúmeras personagens descartáveis que vão condicionando o enredo e uma apagada Marion Cottilard a operar como algo supostamente inútil que adquire uma relevância desastrosa, prejudicando o próprio argumento e a "denegrir" a credibilidade deste projecto.

 

 

A ousadia e o atrevimento desse mesmo argumento é, porém, uma das razões de que The Dark Knight Rises consegue ser tão distinto. Christopher Nolan invoca os fantasmas do terrorismo, o verdadeiro medo do século XXI, e transcreve ideologias escondidas nos propósitos das personagens encarregadas de transmitir um conservacionismo moral pouco transposto. Assim, ao assistirmos atentados na Bolsa, às tomada de posse do povo ao poder, sequências de confronto entre manifestantes e forças policiais, cenas, essas, que vem demais culminar a paranóia terrorista e figurar Batman como um defensor da sociedade regularizada. Ideais ou doutrinas, conforme o que quiserem chamar, analisados num futuro próximo por outra geração de espectadores e interpretados na sua possibilidade como um fascismo envolto ao herói que todos "devem" respeitar. Enquanto que Bane sobre um discurso de Revolução Francesa, o dito antagonista, a merecer ser convertido numa potencial e incompreendida figura heróica. Ou seja, os grandes defeitos de The Dark Knight Rises são as suas ideologias escondidas e não ocultadas, assim como um argumento, no seu todo, disfuncional. Porque tirando isso temos um espectáculo à moda antiga, pipoqueira e bem ensaiada como homenagem a um dos melhores super-heróis de banda desenhada de sempre. 

 

 

Tom Hardy atribui ao seu Bane doses generosas de vilania, Christian Bale controla o seu alter-ego e recria uma das melhores reencarnações do seu personagem, Gary Oldman continua o senhor que é, Michael Cane merece elogios quando tenta incutir emoção no seu Alfred Pennyworth e por fim o maior risco do filme, Anne Hathaway compõe graciosamente uma Catwoman tão simbiótica com este Gotham visionado por Christopher Nolan. Falando em algo épico, não poderíamos deixar de referir Hans Zimmer, um habitual colaborador de Christopher Nolan (principalmente nesta trilogia do O Cavaleiro das Trevas), cuja sua composta banda sonora transcreve a fita para um lado mais ambicioso, tornando-o num mimo técnico invejável.  

 

 

Em suma, não possuindo a mesma genialidade e influência de The Dark Knight, eis na sua possibilidade o menos conseguido filme da filmografia de Nolan, até à data. Mas contra todos os ventos e marés, este event movie consegue ser mesmo assim um dos indicadores de que o cinema-pipoca evoluiu bastante desde aquele trunfo do realizador. Não fecha a trilogia com chave de ouro, e é pena ...

 

“We will destroy Gotham and then, when it is done and Gotham is ashes, then you have my permission to die”

 

Real.: Christopher Nolan / Int.: Christian Bale, Joseph Gordon-Levitt, Michael Caine, Anne Hathaway, Gary Oldman, Tom Hardy, Marion Cotillard, Morgan Freeman, Matthew Modine, Liam Neeson

 

 

Ver Também

Batman Begins (2005)

The Dark Knight (2008)

Batman: Gotham Knight (2008)

6/10

publicado por Hugo Gomes às 23:29
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2 comentários:
De diogo reis a 10 de Outubro de 2012 às 21:57
Quero dar os meus parabéns, pois a critica que foi realizada pelo meu camarada Hugo Antunes demonstra nos que este filme apesar de ser bom, também tem bastantes falhas. Apesar de ter um gosto especial por este filme, tenho de dar razão e queria também comunicar que apreciei bastante a maneira como expressou a sua opinião.

Um abraço.


De Gustavo a 11 de Novembro de 2012 às 00:01
Até não concordo muito com a tua critica, na minha opinião achei bem melhor que o Dark Knight. Grande final, grande trilogia.


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