Data
Título
Take
20.4.12

Nem queiram ver aquilo que Washington é capaz …

 

Por mais filmes que faça, Tony Scott será sempre lembrado como o irmão mais novo do veterano Ridley Scott, que talvez em termos históricos contribuiu mais para o cinema que o seu congénere mais acelerado e energético. Porém menos versátil e maduro que o seu ente, Tony Scott consegue suceder na indústria cinematográfica com êxitos de bilheteira do cinema de acção, dentro da sua obra, Top Gun (entre o amado e o odiado) é até á data o seu filme mais popular, sendo um dos fortes que contribuiu para o lançamento do jovem Tom Cruise para o estrelato. O autor é destacado pela sua apressada e por vezes psicadélica realização constantemente presente nas sequências de acção e não só … na própria narrativa da fita. Tais factores podem ser agradáveis para os adeptos de red bull e do sistema modelar “videoclippeiro”, todavia é essa escolha directiva que enfraquece uma obra como este Man on Fire, que em terras lusas obteve o título de Homem em Fúria.

 

 

Baseado num filme homónimo de 1987 de Élie Chouraqui que por sua vez é inspirado na novela literária de A.J. Quinnell, Man on Fire não irá deter nenhum prémio de originalidade, aliás a sua premissa é tão comum como qualquer filme protagonizado por Steven Seagal, contando a história de um ex-militar americano, Creasy (Denzel Washington), que é contratado como guarda-costas de Lupita Ramos, filha de uma rica família mexicana. O protagonista cria laços fortes com a criança (Dakota Fanning), o qual a sua felicidade perdida é reconstruida pouco a pouco, mas o infortúnio acontece e Lupita (no filme é apelidada somente por Pita) é raptada, Creasy ao tenter protege-la é baleado até ficar inconsciente. Após de dois dias de recuperação e de ter conhecimento de notícias que a menina foi morta pelos raptores, o nosso protagonista jura vingança e cabe num rasto de sangue para desmantelar uma marginal organização criminosa.

 

 

Dito isto tudo soa tão banal, mas o forte desta fita de Scott é mesmo a sua carga emocional que é transposta para o espectador através dos excelentes desempenhos de Denzel Washington e Dakota Fanning, apresentando também uma excelente química entre ambos. Ele é carismático como sempre, recriando uma personagem trágica á procura da redenção pelos seus actos passados que encontra na personagem de Fanning uma espécie de vento de mudança. Ela é ternurenta, emocionante quando é preciso e com um sorriso patusco que contagia qualquer um. Ou seja, Man on Fire encontra-se bem servido de protagonistas e até poderemos considerar o elenco no geral, mesmo com Marc Anthony sem azes para a interpretação.

 

 

O plano colossal e quase sádico de vingança é levado para o grande ecrã de forma cativante e solida, fazendo com que o espectador indiscutivelmente torce pelo nosso sagaz protagonista. A banda sonora que conta com especial participação da impotente Lisa Gerrard tem uma função quase manipuladora oferecendo a Man On Fire doses quase insuportáveis de emoção, o qual se verifica no final heróico e sim … trágico. Agora o menos bom, Tony Scott usa e abusa dos efeitos psicadélicos, da câmara animada e quase sem fundamento evitando qualquer indícios de mise en scène. Com isto, Man On Fire mesmo com os seus 146 minutos de duração, esboça um efeito de despacho narrativo desleixado que nos dá a sensação de encurtar uma história de vingança que poderia ser venerada se obtivesse mais detalhes e maturidade na direcção. Todavia esta continua a ser uma das melhores obras de Tony Scott, que mesmo sob a “sujidade” técnica e a câmara tremeliquenta não deixa de ser um filme de acção emocionante e comovente.

 

A man can be an artist... in anything, food, whatever. It depends on how good he is at it. Creasey's art is death. He's about to paint his masterpiece.”

 

Real.: Tony Scott / Int.: Denzel Washington, Dakota Fanning, Marc Anthony, Radha Mitchell, Christopher Walken, Giancarlo Giannini, Rachel Ticotin, Jesús Ochoa, Mickey Rourke

 

 

O Melhor – a dupla Washington / Fanning

O Pior – Os desvaneios de um homem chamado Tony Scott

 

Recomendações – Taken (2008), Payback (1999), Out of Reach (2004)

6/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 23:19
link do post | comentar | partilhar

sobre mim
pesquisar
 
arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


recentemente

Poirot não descansa! Avan...

Ghost Dog terá sequela!

A Liga da Justiça decepci...

Primeiro vislumbre da seq...

Arranca o 11º LEFFEST – L...

The Square (2017)

Pedro Pinho avança com no...

Justice League (2017)

Hitman será série de tele...

Vem aí novo spin-off de S...

últ. comentários
Nice. Ansioso por ler a crítica e a entrevista ent...
Rapaz, o Lucky já o vi em visionamento de imprensa...
Em quais sessões estás interessado? Amanhã vou ver...
Ando por lá, sim, nem que seja só para entrevistas...
Aquela música, meu! Voltei a ser criança. Hugo, pe...
Takes
10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
stats counter
HTML Hit Counter
counter
links
mais comentados
25 comentários
20 comentários
13 comentários
12511335_1084470088250815_732384524_o
subscrever feeds
blogs SAPO